O magnetismo presente na sensibilidade de J.K. Simmons e Sissy Spacek é como uma força que rapidamente nos atrai para Night Sky (Anos-luz, em português). A doçura de um amor antigo e a simplicidade de uma vida reclusa em uma casa no campo nos convidam a conhecer esse casal ainda misterioso, embora a franqueza do sentimento entre ambos seja bem clara. Mas à medida em que Holden Miller e sua equipe de roteiristas entregam um apaixonante drama sobre o processo de envelhecimento em meio às mágoas e traumas do passado, a produção peleja em sua ficção científica, deixando a audiência à deriva – à espera de algo que tarda demais para chegar.


E Night Sky tem potencial. Como drama, a série é belíssima e acompanha esse pacato casal de idosos que divide seu tempo entre a solitude da vida a dois e visitas frequentes a uma câmara espacial subterrânea onde contemplam a beleza de um planeta aparentemente inabitado e desconhecido. E enquanto o seio dramático da narrativa foca nas diferenças ideológicas que os dois possuem em relação a como lidar com o intrigante portal, um jovem misterioso surge do além para não apenas desafiar a compreensão que ambos possuem sobre a vastidão do universo, bem como sobre quem de fato eles são, após décadas de casamento e uma irreparável perda familiar.

As atuações de Simmons e Spacek nos atraem para delicadas reflexões sobre o amor e a vida a dois, mas em contrapartida, o viés sci-fi da trama patina por sua lentidão e por se arrastar por episódios a fio, sem entregar nada muito substancial. Sempre superficial neste quesito, a série vai perdendo o seu brilho e se torna uma repetição excessiva dos questionamentos psicoemocionais tão bem estabelecidos nos dois primeiros episódios. Com sua subtrama – mais focada na ficção científica – andando em círculos, Night Sky parece se estender de forma excessiva, sem um bom desenvolvimento narrativo que justifique seus oito episódios.


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E ainda que as performances do restante do elenco sejam realmente admiráveis, a trama arrastada impede que a série se torne urgente, tanto como entretenimento de qualidade, bem como em seus apontamentos tão interessantes. Talvez, Night Sky funcionasse melhor como uma minissérie que abordasse a trajetória de seus personagens em encontrar no fascinante desconhecido uma chance de recomeçar a vida.

Mas como uma uma produção que visa se expandir ainda mais em uma possível segunda temporada, a original da Amazon Prime Video perece por seu apenas “ok”, nos deixando à espera de algo que seja tão arrebatador como as incríveis atuações do casal protagonista. De qualquer forma, Night Sky serve como uma vitrine da extensão do trabalho dos vencedores do Oscar, Simmons e Spacek, que como um bom vinho, conseguem ficar ainda melhores com o passar do tempo.

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