A corrupção brasileira está tão intrinsecamente interligada à população que não é de se admirar que ela se torne tema de filmes, mesmo quando estes não abordem diretamente a política nacional. É o famoso jeitinho brasileiro que tanto atravanca o desenvolvimento da sociedade. Este é o pano de fundo de ‘Reação em Cadeia’, filme nacional que estreia essa semana nos cinemas brasileiros.

Guilherme (Bruno Gissoni) é um auditor fiscal workaholic recém-contratado por uma empresa milionária, na qual deverá encontrar furos nas folhas de pagamento. Sua dedicação excessiva ao trabalho acaba afastando-o de sua esposa (Juliana Knust) e de sua filha, que se mudam para a Suíça. Quando Guilherme descobre um enorme furo nas contas da empresa, em vez de ser aplaudido pela sua descoberta, ele passa a ser coagido a entrar em um enorme esquema de corrupção que envolve diversos políticos brasileiros. Não bastasse isso, seu inesperado envolvimento com Lara (Monique Alfradique), uma ex namorada de adolescência, no perigoso mundo em que ela está metida com o marido, Zulu (André Bankoff), fará com que Guilherme tenha que elaborar um audacioso plano para se livrar da enrascada em que se meteu e, ao mesmo, tempo salvar sua família.



O ponto mais alto de ‘Reação em Cadeia’ é o fato de trazer para sua produção a pegada  eletrizante que tornou sucesso a franquia ‘Velozes e Furiosos’, das corridas de rua e disputas entre homões mau encarados. Embora este elemento somente entre na produção a partir da metade do filme, é o que dá uma agitada não só no ritmo da narrativa, como na própria história em si. As cenas de corrida de carro são bem filmadas, embora dentro de um contexto bastante irreal, em que qualquer um – e, mais especificamente, pessoas brancas – podem entrar no território dominado pelo grupo do traficante Cabeça (Chico Melo) e está tudo bem, ninguém estranha nem faz nada.

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Embora seja seu terceiro filme no comando, a direção de Márcio Garcia não se mostra muito firme, deixando rolar interpretações pouco críveis e algumas falhas de continuidade. O ator e apresentador parte do seu apreço ao universo familiar, o qual tanto preza (haja vista os comerciais que faz e os programas que apresenta, ‘The Voice’ e ‘Tamanho Família’, voltados para esse público), para elaborar o roteiro conjuntamente com Bráulio Mantovani (de ‘Tropa de Elite’ e ‘Cidade de Deus’) estilo filmes de Liam Neeson, em que o pai de família comum é colocado em uma situação extrema e terá que se tornar herói e salvar todo mundo. Com essa premissa desgastada, o protagonismo deveria ter ido para mãos mais convincentes.

Reação em Cadeia’ é um filme de ação que propõe mais do que entrega. Com um início cansativo é um final previsível, a parte interessante da produção é justamente o meio, as sequências de perseguição e de ação que chamam a atenção pelo alto custo de realização. Com estreia em grande circuito nacional, ‘Reação em Cadeia’ mostra que o cinema de gênero brasileiro está no caminho certo para realizar grandes filmes de ação.



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