Quem conferiu nossa matéria com as ‘Primeiras Impressões’ pode ter ficado meio desanimado para assistir Space Force, nova série da Netflix, criada por Steve Carell e Greg Daniels. Isso porque a série, até então, não tinha encontrado o equilíbrio entre as críticas e o humor, ficando algo forçado e, bem… sem graça.

No entanto, contrariando o início sem sal, Space Force ganha muita força a partir do sexto episódio. A principal diferença é que o departamento de exploração espacial passa a desenvolver um papel maior na trama, e os personagens secundários ganham mais destaque, funcionando como um ambiente comum de trabalho. Ou seja, tudo fica muito mais identificável, apesar do cenário militar no qual as situações são retratadas.

A dupla improvável traz muito carisma para a série

O grande destaque dessa “segunda metade” da primeira temporada é realmente a relação entre o Dr. Chang Kaifang (Jimmy O. Yang) e a Capitã Angela Ali (Tawny Newsome). Além de terem uma química muito interessante em tela, os dois passam a interagir com outros personagens, como o Dr. Mallory (John Malkovich) e Erin (Diana Silvers). Até mesmo o personagem mais insuportável da primeira metade, o assessor de imprensa Tony (Ben Schwartz) consegue ficar um pouquinho menos insuportável na segunda parte. Infelizmente, quem segue subaproveitada é Lisa Kudrow. Realmente não faz diferença ser interpretada por ela, dando a impressão de que só escalaram a atriz para fazer média com os fãs de Friends.Junto ao crescimento dos secundários, a dupla principal consegue desenvolver ainda mais a relação de amizade entre dois opostos de uma forma bastante carismática. Steve Carell parece enfim encontrar o tom para seu Mark Naird – não coincidentemente é um tom bastante parecido com o do Michael Scott a partir da terceira temporada de The Office, e John Malkovich segue impecável no papel do Dr. Mallory, que acaba sendo bastante exposto até o fim da temporada.

John Malkovich está perfeito como Dr. Mallory

O roteiro em si também fica mais envolvente, trazendo situações mais amplas, com mais cenários e mais transições, dando mais dinamismo ao que é mostrado em cena. E deixando a ambientação mais chamativa também. E mesmo ficando mais divertida, a trama não abre mão das críticas sociais direcionadas a diversos setores americanos. Elas ficam cada vez mais afiadas e melhor inseridas nas falas dos personagens. O único problema mesmo continua sendo o núcleo familiar de Naird. Não tem graça mesmo e fica repetindo a mesma piada o tempo todo.

O núcleo familiar corta muito a dinâmica da trama

Por fim, acredito que valha a pena relembrar que a primeira temporada de The Office não foi muito bem recebida nos EUA e quase custou a existência de uma das maiores séries de humor da história. O grande problema até então era que a versão americana do seriado ainda tentava replicar o estilo da série britânica. Ou seja, era muito centrada em um quarteto principal, enquanto o resto do escritório fazia meramente figuração. O protagonista (Steve Carell) era muito engessado e tinha um jeitão de paródia forçada, não deixando que Carell usasse seu carisma para dar mais profundidade e ‘alma’ para Michael Scott. E esse parece ser o mesmíssimo caso de Space Force. Pelas críticas que ela vem recebendo, é capaz que não seja renovada para uma nova temporada, mas quem conseguir sobreviver aos cinco primeiros episódios, sem sombra de dúvidas vai enxergar uma produção com bastante potencial para crescer e melhorar bastante se for renovada para uma segunda temporada. Não nos decepcione, Netflix!

Por incrível que pareça, Space Foce merece MUITO uma segunda temporada

A primeira temporada de Space Force está disponível na Netflix.

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