A música tem o poder de transformar vidas. Seja pela letra ou pela melodia, a experiência musical consegue mexer com os sentimentos, com o ânimo e até mesmo com a moral de alguém. Por isso, cinema e música andam de mãos dadas para criarem momentos e lembranças que vão durar para sempre no imaginário popular. No entanto, há casos em que uma dessas partes acaba se sobrepondo a outra e acabamos vendo um filme no qual a trilha musical se sobressai tanto que ficamos com uma ou mais canções na cabeça por dias. Quer ver um exemplo? Aposto que você não é tão fã assim do Roy Orbinson, mas basta começar a tocar “Pretty Woman” para você lembrar da Julia Roberts e do Richard Gere em Uma Linda Mulher. O mesmo com “Twist And Shout” dos Beatles remetendo imediatamente à cena do desfile de Curtindo a Vida Adoidado. E por aí vai. Pensando nesses momentos incríveis vividos por músicas que acabam representando filmes, o CinePOP separou 10 longa-metragens em que isso ocorre e que estão disponíveis no streaming.

A influência da música no cinema e vice-versa é importantíssima na hora de criar uma boa experiência para o público.

Ah, bom comentar que evitei de colocar os grandes clássicos, como O Guarda-Costas, Top Gun: Ases Indomáveis, O Clube dos Cinco, Rocky 3 e muitos outros porque já existem centenas de listas com eles por aí, e a ideia aqui é trazer alguns filmes mais recentes. Confira!

Space Jam: O Jogo do Século



Ok, eu disse que prezaria por filmes mais recentes, mas para Space Jam dá para abrir uma exceção. A história dessa mistura de animação com live-action você provavelmente já conhece. Os Looney Tunes são desafiados por alienígenas para um jogo de basquete. Os cartuns da Warner aceitam porque os etzinhos são miudinhos, então a partida seria moleza. Mas o que o Pernalonga e seus amigos não esperavam é que os aliens roubariam o talento dos maiores astros da NBA dos anos 1990. Então, cabe aos nosso lunáticos favoritos sequestrarem Michael Jordan para ajudá-los a virar o jogo, obviamente. Space Jam é até hoje o filme sobre basquete com maior bilheteria de todos os tempos, mesmo não sendo exatamente um sucesso de crítica. Agora, a música I Believe I Can Fly, de R. Kelly, foi sucesso total. Além de ter marcado de vez a produção do filme (sério, é impossível ouvir a música sem lembrar do Michael descendo de uma nave espacial no meio de um jogo do Barons), a canção foi indicada a nada menos que cinco Grammys, saindo vencedora de três troféus.

Onde assistir: Netflix

Aproveite para assistir:

007: Operação Skyfall



Considerado por muitos fãs (os mais novos) como o melhor da interminável franquia de James Bond (vivido nessa fase por Daniel Craig), 007: Operação Skyfall é um filmaço irretocável. A prova do sucesso desse filme é que mesmo sendo lançado em 2012, ano em que Os Vingadores dominou as bilheterias, o longa de espionagem conseguiu arrecadas mais de US$ 1 bilhão ao redor do mundo. E grande parte desse sucesso veio da música tema “Skyfall“, da compositora e cantora Adele. A canção foi lançada anteriormente ao filme e logo atingiu o topo das paradas em mais de 11 países simultaneamente, além de ter vendido mais de 7 milhões de cópias pelo mundo. Foi um fenômeno estrondoso. Então, sendo tocada à exaustão, o a música tema acabou promovendo o filme massivamente, atingindo, inclusive, públicos que não são considerados o alvo da franquia. Como se isso não fosse o bastante, ainda venceu praticamente tudo o que disputou, incluindo um caminhão de Grammys e o Oscar de Melhor Canção Original. Pois bem, na trama, Bond estava vivendo sua “aposentadoria” com bebidas, mulheres e desafios de tequila envolvendo um escorpião, quando o MI6 começa a sofrer uma série de ataques, restando à M (Judi Dench) chamá-lo de volta para a agência.

Onde assistir: Telecine

Eurotrip: Passaporte para a Confusão

Até pouco tempo atrás, esse filme estava no catálogo do Amazon Prime Video e acabou sendo um dos motivos que me convenceram a assinar a plataforma. Só que agora ele migrou para a Netflix, o que costuma dar uma vitrine maior para as produções. Pois bem, talvez essa produção adolescente tenha escapado de sua bagagem caso já tenha passado dos 35 anos ou tenha nascido depois de 2002, mas a verdade é que todos deveriam assistir a essa comédia pastelão sobre um grupo de amigos que viaja a Europa para promover o encontro de um deles com a crush alemã virtual porque ele é hilário. Além de brincar com praticamente todos os estereótipos europeus possíveis das formas mais absurdas, porém críveis (algumas, vai), Eurotrip tem uma piada interna com a própria música tema, que acabou ficando mais famosa que o próprio filme. É bem provável que você nunca tenha visto esse longa, mas, sem dúvida alguma, já ouviu a música Scotty Doesn’t Know, da banda Lustra. Ela entrou no Pop Chart da Billboard americana e foi Hot 100 por algum tempo. E sim, a música em questão fala sobre como o vocalista da banda botou um par de chifres no protagonista do filme. Maravilhoso!

Onde assistir: Netflix

Frozen: Uma Aventura Congelante



A prova de tudo que eu quero dizer nessa matéria está nesse filme. Na hora em que estava fazendo o rascunho, chamei esse filme de Let It Go não propositalmente. E é isso, sabe? Quando chegou ao Brasil, no comecinho de 2014, Frozen foi a total antítese do verão nacional com uma aventura pelo mundo gelado de Elsa e Ana, duas irmãs que cresceram isoladas num castelo, mas que vão viver a maior aventura de suas vidas quando a irmã mais velha perde o controle sobre os poderes e decide ir para a floresta viver em seu castelo de gelo. O filme fala bastante sobre amadurecimento e aceitar quem você é de verdade, só que – de longe – a coisa mais marcante da história é o momento em que Elsa (Idina Menzel) assume seus poderes, sua identidade e canta uma música chiclete enquanto constrói um castelo com suas habilidades geladas. Os Let It Go’s da rainha do gelo paparam tudo nas premiações, levando Grammy, Oscar e se tornando a primeira música de filme animado a figurar no Top 10 da Billboard desde “Colors of The Wind“, de Pocahontas. Além, claro, de ter virado meme nos quatro cantos do mundo.

Onde assisitir: Disney+

Nasce Uma Estrela


Nasce Uma Estrela é um daqueles casos em que tinha tanta gente boa envolvida que havia um medo grande de haver conflitos de ego e acabar entregando um filme bem meia-boca. Felizmente, o resultado foi um filmaço de drama sobre a indústria da música, o vício e a depressão. É simplesmente impossível não derramar pelo menos uma lágrima ao longa da história. Mais impossível ainda é terminar de ver o filme sem se pegar cantarolando We’re far from the shallow now… O sucesso e o alcance que Shallow, da própria Lady Gaga, teve foi algo absurdo. No Brasil, ainda acabou sendo impulsionado pela infame versão da Paula Fernandes com o Luan Santana, “Juntos e Shallow Now”. Enfim, a versão original se tornou uma mais músicas mais reproduzidas no streaming mundial em 2018, sem contar que venceu praticamente tudo que disputou. Sério, eu acho que o único troféu que a Lady Gaga não tem em casa é o do Campeonato Carioca. E mesmo assim ela só não tem porque não quer. No filme, a cantora vive Ally, uma cantora de bar que acaba conquistando – por meio de sua voz – o coração do astro country, Jackson Maine (Bradley Cooper). Após uma noite de conversas, ele descobre que a moça também compõe letras de músicas e a convida para cantar “Shallow” em um de seus shows. O resto é história. Mas é interessante ver como a trilha musical desse filme fez sucesso. Em diversas enquetes realizadas por veículos especializados em shows e músicas pop, a dupla fictícia de Nasce Uma Estrela, “Jack & Ally”, figurou nos comentários entre as atrações mais pedidas para o Rock In Rio 2019. Loucura.

Onde assistir: Telecine

Em Ritmo de Fuga

Também conhecido como Baby Driver e “Velozes & Furiosos para os Cults“, Em Ritmo de Fuga é um filme de fuga (duh), escrito e dirigido por Edgar Wright, que conta a história de Baby (Ansel Elgort), um jovem incrivelmente habilidoso ao volante que paga sua dívida com o agiota (Kevin Spacey) servindo como piloto de fuga para os planos de assalto mirabolantes dele. Caladão e sempre com seus óculos escuros, Baby não desperta a confiança dos parceiros de crime por estar sempre ouvindo música e deixando que as canções falem por ele, mas basta ele começar a dirigir que todos se impressionam. Sem músicas originais, o filme conseguiu trazer uma playlist pesadíssima que entrou no Top-100 de 11 países, fazendo muito, mas muito sucesso na Austrália e na Nova Zelândia. Como a trilha musical envolve canções dos anos 1960, 70 e 80, o diretor conversou com James Gunn para garantir que eles não repetissem músicas em seus filmes. Dentre tantas memoráveis, a música que mais define esse filme é Brighton Rock, do Queen. Até porque não é uma das mais famosas do grupo e acabou explodindo nas paradas depois do lançamento do longa. Não é qualquer um que fica guardado na memória com uma “menos conhecida” do Queen, convenhamos.

Onde assistir: Netflix

Homem-Aranha: No Aranhaverso

A história de Miles Morales, o Homem-Aranha da década de 2010, foi adaptada com muito sucesso para os cinemas. A animação da Sony conseguiu trazer o espírito dos quadrinhos para as telonas e fez um filme com alma e personalidade. Na trama, após Peter Parker morrer, Miles, um jovem que também foi picado por uma aranha irradiada, decide assumir o posto de Homem-Aranha. Porém, uma falha dimensional acontece e diversos Homens-Aranha de outras realidades acabam indo ao encontro do garoto, enquanto ele tenta aprender a dominar seus poderes. Sim, o longa é memorável e chegou até a vencer o Oscar de Melhor Longa Animado, mas como pensar nesse filme sem ouvir instantaneamente os versos de Sunflower, de Post Malone e Swae Lee? Composta especialmente para essa animação, a música foi pensada para ser algo que Miles, um adolescente comum, gostasse de ouvir. Então eles buscaram um pouco de Hip Hop, R&B e Pop para criar a canção que passou nada menos que 33 semanas no Top-10 da Billboard e foi indicada a todas as premiações importantes da cena cinematográfica e musical, além de ter figurado entre as mais reproduzidas no streaming.

Onde assistir: Telecine

Mamma Mia!

Quantas produções podem dizer que tem ninguém menos que a lendária Meryl Streep soltando a voz em seu filme? Mamma Mia! não apenas pode, como também faz uso constante disso. Adaptação de um musical da Broadway, o filme traz uma trilha musical composta exclusivamente por versões dos maiores clássicos do grupo sueco ABBA. A trama conta a história de Sophie (Amanda Seyfried), uma jovem que vai se casar no hotel da mãe, Donna (Meryl), mas não sabe quem é seu verdadeiro pai, já que a mãe teve um caso com os três num curto período de tempo e aparentemente ninguém pensou em fazer um teste de DNA. Em meio a muita cantoria e confusões, os três possíveis pais aparecem na ilha e começam a reviver o passado, enquanto Donna faz de tudo para não revelar quem é o pai. E como pensar no filme sem lembrar imediatamente da música de mesmo nome do ABBA? Não dá! Filme, peça e canção se tornaram um só.

Onde assistir: HBO GO

La La Land: Cantando Estações

O filme que rendeu um Oscar de Melhor Atriz para Emma Stone – e venceu o de melhor filme por alguns segundos – é uma grande homenagem aos musicais clássicos do cinema. Sendo tratado como um tipo de conto de fadas da vida real, La La Land mostra que, às vezes, não terminamos como queremos e precisamos abrir mão de certas coisas para atingirmos nossos objetivos. Essa história fofinha e melancólica é contada em meio a uma cantoria original que rendeu indicações a quase todas as premiações possíveis e povoou o Spotify de meio mundo por um bom tempo. Mesmo com tantas músicas boas, nenhuma representa tanto o drama quanto City Of Stars, a grande vencedora do Oscar de Melhor Canção Original, que também entrou forte nas principais paradas mundiais. Basta ouvir um segundo dela para já lembrar de tudo que acontece no filme e até mesmo dar uma choradinha por conta daquele final miserável.

Onde assistir: Telecine

Guardiões da Galáxia

Falei lá em cima sobre Edgar Wright ter consultado James Gunn antes de escolher a trilha musical de Em Ritmo de Fuga. Isso aconteceu porque o diretor de Guardiões da Galáxia virou referência mundial no assunto depois de lançar o filme. Na trama, acompanhamos as aventuras espaciais de Peter Quill (Chris Pratt), um terráqueo abduzido ainda criança, que mantém sua ligação com a Terra por meio do Awesome Mix Vol.1, uma fita K-7 que ele ganhou de presente da falecida mãe com os hits favoritos dela dos anos 1960, 70 e 80. Acabou que mesmo falando de um grupo quase desconhecido de heróis da Marvel, o filme explodiu na crítica e na bilheteria, sendo considerado até hoje como um dos melhores do estúdio. Mais do que isso, a trilha musical foi tratada como se fosse um dos personagens da trama, o que ditou uma nova tendência no cinema. E apesar de contar com várias músicas fantásticas, foi uma canção que estava no trailer que acabou se tornando maior até que o próprio longa: Hooked On a Feeling, do Blue Swede. Ao menor sinal de um “Ooga Chaka”, as pessoas já associam a melodia aos Guardiões da Galáxia e vice-versa. O desempenho do álbum foi tão significativo que alcançou o topo da Billboard nos EUA e no Canadá, e ainda pegou um honesto Top-2 na Austrália. Sem contar que as buscas por Walkmans cresceu exponencialmente e tanto o K-7 quanto o Vinil da trilha esgotaram em questão de dias. Um marco impressionante.

Onde assistir: Disney+

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