007 – Sem Tempo para Morrer, o vigésimo quinto filme oficial da franquia mais duradora do cinema, tem estreia programada para o dia 7 de outubro de 2021 – após ser adiado do ano passado devido à pandemia. Como forma de irmos aquecendo os motores para esta nova superprodução que, como dito, faz parte de uma das maiores, mais tradicionais e queridas franquias cinematográficas da história da sétima arte, resolvemos criar uma nova série de matérias dissecando um pouco todos os filmes anteriores, trazendo a você inúmeras curiosidades e muita informação.

Neste quarto filme, 007 Contra a Chantagem Atômica (1965), James Bond estava no ápice de sua popularidade, desfrutando o cargo de Rei da Cultura popular não apenas em seu país de origem ou nos EUA, mas no mundo. Aqui, a aventura de 007 realmente atingia níveis de blockbuster e viria mostrar porque esta se tornou a franquia mais duradoura do cinema. Confira abaixo.

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Produção

A esta altura, 007James Bond era um verdadeiro fenômeno mundial. Todo tipo de merchandising era produzido estampando o personagem, muitos produtos mirando o público jovem (como lancheiras e brinquedos). A invasão britânica de 007 era comparável somente a dos Beatles, e com o sucesso de Goldfinger (1964), cinemas ficavam abertos 24 horas para acomodar todo o público que buscava assistir ao filme. No período também já surgiam os inúmeros imitadores dos filmes de James Bond, afinal quem seria louco de evitar um pedaço deste bolo? Fosse no cinema ou na TV, era uma verdadeira febre de agentes secretos. Nas telinhas, alguns dos mais famosos eram O Agente da UNCLE (1964-1968) e a paródia Agente 86 (1965-1970).



Uma curiosidade, nos créditos finais dos filmes de 007 que sempre indicam a próxima aventura do herói, é que em Goldfinger havia sido provocada a estreia de A Serviço Secreto de Sua Majestade – fato que só se concretizaria quatro anos depois. Para o lançamento seguinte a Goldfinger foi escolhido Thunderball, ou A Chantagem Atômica como ficaria conhecido por aqui em terras tupiniquins. A esta altura também era imprescindível que 007 assumisse formas de superprodução sem precedentes. Afinal, Bond já possuía seus inúmeros imitadores e não podia fazer feio perante a eles. Sendo assim, o maior orçamento da franquia até então era investido, com US$9 milhões – nove vezes mais que o filme original O Satânico Dr. No.

Para a empreitada cogitou-se ter de volta o diretor do anterior, Guy Hamilton. Porém, como os longas foram gravados de forma consecutiva, com Chantagem Atômica programado para estrear exatamente um ano depois de Goldfinger, Hamilton se viu impossibilitado de aceitar a tarefa. A solução foi buscar novamente o diretor dos primeiros, Terrence Young, descansado desde sua última investida dois anos antes.

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James Bond

Pela quarta vez, Sean Connery encarnava a figura do espião James Bond na franquia. Aqui, porém, o ator que havia sido alçado ao status de astro devido ao personagem, já apresentava desgaste e insatisfação no papel. Connery se incomodava com o fato de ser visto pelo público e a indústria em geral como sendo apenas 007 e não o ator que imaginava ser. Assim, procurava investir em novos papeis que lhe permitissem maior alcance em sua atuação. Ele também começava a demonstrar uma personalidade que viria a ser considerada “difícil”, se recusando a dar entrevistas para promover o novo longa. A única que deu foi para a revista Playboy, onde fez afirmações controversas.



Para piorar, em uma cena de ação, devido a um erro, Connery fica cara a cara com um tubarão de verdade dentro de um dos tanques subaquáticos – acidente que poderia ter lhe custado a vida. Quem disse que James Bond é duro de matar somente nas telas?

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Missão Secreta

Para o quarto filme não foi apenas o diretor Terrence Young que retornava ao universo do espião 007. Após ter dado as caras nos dois primeiros filmes, a organização criminosa SPECTRE descansaria no terceiro, Goldfinger – curiosamente o mais elogiado e bem sucedido até então. Seja como for, os produtores optaram pelo retorno da agência vilã novamente como desafio para o herói.

Para muitos, A Chantagem Atômica era até então o filme “mais mecânico” de 007, parecendo ter sido feito com “muitos cozinheiros na cozinha”. Nada mais natural já que era também o mais caro e a aposta mais ambiciosa até aqui. Assim, 007 assumia de vez seus ares de blockbuster. Uma das investidas mais megalômanas foi criar grande parte das cenas de ação, em especial no terceiro ato do longa, submersas de forma aquáticas. Hoje, o artifício é considerado um erro, já que dentro d’água perde-se a velocidade que esperamos ver em uma cena de ação. Mas não deixa de ser uma escolha ousada.

Aqui temos também um uso maior das bugigangas do espião, dando maior participação para o armeiro Q. Afinal, imitadores como o Agente 86 brincavam bastante com toda a parafernália de espiões, como o “cone do silêncio” e o sapato telefone. Em A Chantagem Atômica, James Bond utiliza diversos artefatos de seu automóvel Aston Martin e uma mochila a jato que usa na cena de abertura, sendo o protótipo real de um transporte nunca utilizado por militares por ser considerado muito perigoso. O mini jato só voava por 20 minutos. Fora isso, um respirador compacto que Bond usa em cenas debaixo d’água enganou os militares que, achando que fosse real, contataram a produção do filme para a patente.

Bondgirl e Aliados

Nos três primeiros filmes da franquia, a preferência de James Bond foram as loiras, com personagens platinadas como Honey Ryder (Ursula Andress), Tatiana Romanova (Daniela Bianchi) e Pussy Galore (Honor Blackman). Assim, no quarto round, os produtores acharam de bom grado homenagear também as morenas e as ruivas. No lado das morenas, temos Paula (papel da jamaicana Martine Beswick), uma Bondgirl boazinha que se envolve com o protagonista, mas logo é eliminada, permanecendo pouco tempo em cena. A protagonista mesmo é outra morena, Domino, papel da beldade francesa Claudine Auger (falecida em 2019 aos 78 anos). Domino começa do lado errado na história, envolvida romanticamente com o vilão, mas tem a chance de se redimir ao conhecer Bond.



Porém, para muitos quem rouba mesmo os holofotes no elenco feminino é a Bondgirl má Fiona Volpe, papel da ruiva italiana Luciana Paluzzi. Aliás, a Itália tem forte influência no elenco deste filme como veremos abaixo. Fiona Volpe é uma personagem forte, que mesmo seduzida por Bond não troca de lado e continua leal a seus empregadores da vilanesca organização. Ela é um passo além do que havia sido trabalhado anteriormente nas personagens Tatiana Romanova e Pussy Galore, e serviria de modelo precursor para as Bondgirls más – item que se tornaria tradição na franquia igualmente.

Finalizando, aqui temos uma nova aparição de Felix Leiter, o parceiro de Bond na CIA norte-americana, e mais um intérprete é tentado no personagem, desta vez Rik Van Nutter, terceiro intérprete do agente em três aparições anteriores. ‘M’, o chefe de 007, era interpretado pela quarta vez por Bernard Lee, assim como a secretária e flerte Moneypenny assumia pela quarta vez as formas da canadense Lois Maxwell. ‘Q’, tendo dado as caras pela primeira vez na segunda aventura de James Bond, era interpretado pela terceira vez por Desmond Llewelyn, ator que mais tempo permaneceu na franquia – seguindo pelas eras de Roger Moore, Timothy Dalton e Pierce Brosnan.

Vilões

Como dito, a SPECTRE é novamente a atração principal antagonista em Chantagem Atômica, mas ainda não temos a revelação do líder da organização, o número 1 Blofeld – que novamente aparece apenas de relance acariciando seu gatinho branco. Em seu lugar, quem comanda o show aqui é o número 2 (entenderam as referências de Austin Powers?) Emilio Largo, grisalho e com direito a um estiloso tapa-olho. E como dito acima, temos outro ator italiano em papel de destaque no filme. O siciliano Adolfo Celi vive Largo, o principal inimigo de Bond neste quarto filme, e assim como o vilão anterior, precisou ser dublado em grande parte de suas falas. O pensamento aqui se repete para muitos fãs, com uma parte acreditando que Luciana Paluzzi e sua Fiona Volpe roubam inclusive muitos momentos de Largo.

Relatório


Tanto investimento não ficou sem retorno. A Chantagem Atômica conseguiu superar os números do antecessor Goldfinger e se tornou não apenas o mais bem sucedido financeiramente até então, como entraria para a história da franquia como o filme de maior bilheteria, reajustado para a inflação (o que ultrapassaria a marca de US$1 bilhão), ficando atrás somente do recente Skyfall (2012).

Muito do sucesso e do dinheiro do filme se deve especialmente para a Bondmania que estava instaurada no período, onde espectadores pelo mundo em pleno meados da década de 60 só queriam consumir histórias de espionagem. Não podemos culpa-los, afinal hoje só consumimos super-heróis. Assim, se o espaço estava aberto para os “clones” de 007 fazerem sucesso, o que diria para o original, e A Chantagem Atômica deu a sorte de surgir bem no auge, na crista desta onda.

Isso porque em um aspecto narrativo de roteiro, o longa é inferior aos três anteriores, garantindo-se verdadeiramente em sua pompa de superprodução, o que engloba diversos quesitos técnicos. É inegável que neste ponto, tendo mais dinheiro envolvido, A Chantagem Atômica excede seus predecessores e inclusive faz uso da imagem em Cinema Scope, com a tela widescreen ao invés do formato quadrado de antes.

Em matéria de prestígio, equivale seu feito com o do anterior Goldfinger, que venceu o Oscar de efeitos sonoros. A Chantagem Atômica levou o seu na categoria de efeitos visuais. Fora isso, o quarto filme é envolto em tudo que viríamos saber e adorar em relação às regras e os clichês que seriam usados à exaustão dentro da franquia. E isso era exatamente o que os fãs esperavam, demonstrando que o fan service não é algo recente.

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