Com a política dos EUA em alta devido a eleições, o tema acaba sendo relembrado como fonte de inspiração histórica no cinema

O ano de 2020, em toda sua extensão, foi recheado de acontecimentos que desafiaram todas as previsões do ano anterior. Um desses acontecimentos foram as eleições federais nos Estados Unidos para definir os membros do congresso (câmara dos representantes e senado) e presidência. Com esse evento atuando no imaginário popular, o tema da política voltou a ficar com uma atenção ainda maior e assim reforçando o impacto que uma eleição pode exercer.

Ao longo da história o cinema sempre foi invariavelmente afetado pelos rumos políticos, direta ou indiretamente. Movimentos inteiros foram criados como uma reação à situação do país em que eles surgiam e o próprio cinema se aproveitou constantemente do seu poder de comunicação para representar esse tema. A seguir, damos dicas de cinco filmes que tratam justamente desse tema.

5) A Morte de Stalin

O período do governo comunista na Rússia teve uma duração de 69 anos e, principalmente após a Segunda Guerra, atuou como uma das forças condutoras da política internacional junto com os EUA. Seu modelo de governança era baseado em um sistema unipartidário com rotação de quem iria liderá-lo, também chamado de Secretário-Geral; certamente nenhum nome foi mais mais marcante (no período pós Lenin) do que Stalin. Não à toa, quando o ditador veio falecer se estabeleceu no país um vácuo de poder.



Oficiais soviéticos aproveitam o vácuo no poder para subirem de posição

É partindo dessa premissa que a comédia de humor negro A Morte de Stalin, dirigida por Armando Iannucci, começa ao posicionar os mais importantes oficiais tendo que decidir quem liderará o partido antes mesmo de sequer tirarem o corpo de sua datcha (casa de veraneio). O que vem em seguida são choques constantes entre esses indivíduos que irão recorrer a todo tipo de trapaça para alcançar o poder. Sem dúvida Steve Buscemi é quem mais se destaca no elenco com sua interpretação de Nikita Khrushchov.

4) Getúlio

Getúlio Vargas é, provavelmente, o nome mais polêmico da política brasileira durante a primeira metade do século XX. Da mesma forma que seu governo instaurou o Estado Novo em 1937 com contornos visivelmente autoritários, ele também foi responsável pela elaboração de muitas das leis trabalhistas que a população tem hoje como garantidas e pelo avanço no processo de industrialização do país. 

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Interpretação de Tony Ramos trouxe uma outra visão do famoso político

No entanto a obra de 2014 não se dispôs a adaptar o auge de sua influência política mas sim os últimos dias da sua vida, quando em 24 agosto cometeu suicídio em seu quarto no Palácio do Catete (antiga residência presidencial antes do Palácio da Alvorada) em 1954. O trabalho de Tony Ramos é especialmente digno de todos os elogios aqui, com sua abordagem de um Getúlio mais cansado e envelhecido (não muito diferente do trabalho de John Lithgow como Winston Churchill). Sem dúvida é um filme que sabe humanizar uma figura histórica.

3) O Escritor Fantasma

Esse projeto em particular não é tanto sobre política mas, em busca de alcançar a construção de suspense que a trama necessita, ele se utiliza de uma ambientação política como ferramenta para esse fim. O enredo segue um autor de biografias que é contratado pelo ex-primeiro-ministro do Reino Unido para justamente escrever uma obra biográfica positiva dele. O autor então atua como um “escritor fantasma”, ou seja, ele irá escrever o livro mas não assinará a autoria do mesmo.



A ambientação política do thriller funciona muito bem

Acontece que a vida do protagonista se complica quando ele vai descobrindo que esse trabalho já resultou na morte de seu predecessor e o seu contratante está em meio a um turbilhão judicial e político com ele sendo acusado de cometer crimes de tortura no Afeganistão. O filme é de 2010 e aborda muito o contexto da política internacional que era regida pela Guerra ao Terror pós 2001, principalmente remetendo ao tema de práticas de tortura perpetradas por forças militares ocidentais.

2) Tudo pelo Poder

Recuperando o tema de eleições mencionados anteriormente Tudo pelo Poder, mesmo tendo sido filmado em 2011, ainda é uma referência em obras modernas sobre o assunto. Escrito por Beau Willimon (a mente por trás da série House of Cards) e dirigido por George Clooney o filme segue um jovem idealista que integra a equipe de campanha de um governador candidato à presidência que no decorrer da jornada vai descobrindo o lado sujo do meio político.

Filme de George Clooney escapa de simplificar o tema de eleições

É interessante notar que esse filme funciona como uma espécie de laboratório para Willimon sobre como ele abordaria o cenário político na premiada série da Netflix alguns anos depois, trabalhando com uma boa argumentação todas as questões técnicas do funcionamento do maquinário político norte-americano. 

1) Vice

Qual a melhor forma de trabalhar a ascensão profissional de um dos políticos mais inescrupulosos da história dos EUA e que esteve envolvido na execução de duas guerras? Justamente com uma narrativa de humor negro, jamais tirando a gravidade das ações perpetradas pelo protagonista Dick Cheney ou aliviando nas críticas explícitas à sua trajetória profissional e ligações políticas.

A figura de Dick Cheney, bem como todo o governo de George W. Bush, é dissecada em “Vice

O diretor do filme, Adam McKay já havia estabelecido a fama desse tipo de abordagem em seu longa anterior (A Grande Aposta – onde ele utiliza o mesmo tipo de tom para tratar de um tema muito técnico como a crise econômica de 2008) e em Vice ele leva esse estilo para fora do território sisudo da economia e vai em direção ao da política, o que prova ser uma decisão acertada pois sua técnica narrativa casa com as maquinações do poder que são de praxe dessa temática. 

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