O ator Nicolas Cage vem aí num papel que ele nasceu para interpretar, o dele mesmo, ou quase ele mesmo. A trama de O Peso do Talento é muito próxima da vida real. Próxima, mas não é tudo real, segundo o astro faz questão de explicar.

“De início, eu estava extremamente temeroso de estar num filme, interpretando um personagem que tem o meu nome. De fato, interpretando uma versão de mim mesmo. Eu não queria estar em algo parecido com o quadro de uma comédia de televisão”, conta Nicolas Cage.

Ele também é um dos produtores do filme. Na história, Cage sofre para conseguir papéis e está a beira de pedir falência. A salvação aparece quando um fã oferece $1 milhão de dólares para que ele apareça na sua festa de aniversário. Parecia dinheiro fácil mas a situação se complica quando o astro é abordado pelo serviço de espionagem americano, a C.I.A.. O tal fã milionário, na realidade, é perigoso e está sendo monitorado pela polícia.

O astro ficou sabendo do projeto através de uma carta que recebeu do diretor Tom Gormican (Namoro ou Liberdade). No início, Cage gostou do conhecimento do diretor, mas viu problemas com o roteiro.



Aproveite para assistir:



NIC CAGE NEURÓTICO

“O Tom Gormican é uma pessoa muito inteligente. Ele estudou numas das melhores universidades americanas,a Brown. Então, ele tem uma abordagem muito intelectual.Ele tem algumas idéias boas sobre a minha pessoa.Algumas delas são hilárias. E meu trabalho como intérprete é facilitar a visão do diretor, mas muitas destas idéias não são eu. Não são como eu sou, realmente.E eu estou fazendo um personagem chamado Nic Cage.E eu digo p’ra ele: Tom, não é bem assim. Tem um palavrão aqui, um palavrão alí.E eu não falo palavrão o tempo todo. O que é isso? De onde vem isso? E ele responde (risos), o Nic Cage neurótico é o melhor Nic Cage. Eu pergunto, você não quer me mostrar em casa, lendo, brincando com meu gato. Ele responde, não, eu não quero (risos).Então eu aceitei aquilo, os palavrões. Falei um bem grande no filme. Tudo bem”, explica o ator.

PURA INVENÇÃO


O astro também faz questão de ressaltar outra diferença com  o personagem do filme. Ele afirma que  tem um ótimo relacionamento e é muito dedicado à família.

“A ideia de que eu não passo tempo com a família ou não passo tempo suficiente, é pura invenção. Aquele não sou eu. Não tem nenhuma versão no universo onde o Nic Cage não passa tempo com as suas crianças. Mas porque o filme é sobre um ator que está excessivamente obcecado com a carreira e tentando colocar a carreira (ele gesticula sinalizando abrir e fechar aspas) de volta nos trilhos, ele não passa tempo de qualidade com a filha da maneira que deveria. O argumento dele (diretor), que é um bom argumento, foi que o personagem precisa evoluir, melhorar, se tornar um homem melhor e chegar num lugar para fazer a escolha de passar tempo com a filha, interpretada pela Lilly Sheen, em vez de estar sempre procurando vender, ’filme, filme, filme’. Esta é uma grande diferença entre o verdadeiro eu e o eu no filme. Mas eu estava facilitando a visão dele (diretor)”, continua Cage.

DESPEDIDA EM LAS VEGAS

Sobrinho do cineasta Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão), nome verdadeiro Nicolas Kim Coppola, 58 anos, o ator já apareceu em 115 filmes. O filme atual faz referência a alguns dos clássicos do cinema que marcam a carreira do astro.

“O Tom (Gormican, diretor) é realmente um aficionado de filmes e estava, genuínamente, interessado em alguns de meus primeiros trabalhos. Ele colocou referências no roteiro àqueles filmes, como A Outra Face e Despedida em Las Vegas. Aí ele entrou numa área que eu achei, realmente, fascinante, que são vinhetas de personagens diferentes que eu interpretei como em A Outra Face, Despedida em Las Vegas e 60 Segundos”, observa o protagonista.


COMO TORRAR $150 MILHÕES DE DÓLARES.

As dificuldades financeiras mencionadas na estória são também conhecidas na vida de Cage fora da tela. O site financeiro CNBC, por exemplo, documenta como o ator perdeu uma fortuna de $150 milhões de dólares, acumulou uma dívida de $6.3 milhões de dólares com o imposto de renda e quase perdeu várias propriedades.

O ator comprou 15 mansões. Entre elas, ele pagou $3.4 milhões de dólares pela mansão LaLaurie, em Nova Orleãs, conhecida como a casa mais assombrada da América.

Os gastos também incluem $12.3 milhões de dólares por dois castelos na Europa.


Uma ilha deserta nas Bahamas custou $3 milhões de dólares.

O Lamborghini do falecido Xá do Irã custou $450 mil dólares.

Um polvo para o aquário particular custou $150 mil dólares.

A primeira revista em quadrinhos do Super-Homem custou mais $150 mil dólares.

Ele venceu o colega Leonardo Dicaprio num leilão, ao adquirir um crânio de dinossauro, pagando $276 mil dólares. Acabou que o objeto era roubado e ele teve que devolve-lo ao museu do governo da Mongólia.


O ator contou a revista People que em meio aos desafios financeiros, ele cuidava da mãe, gastando $20 mil dólares por mês com os cuidados dela, evitando coloca-la num asilo.

A solução dos problemas foi fazer 4 filmes por ano distribuídos diretamente em vídeo, em vez dos cinemas.

As dívidas hoje estão pagas, segundo o ator.

FAÍSCA GENUÍNA


O ator destaca as semelhanças com o personagem: o amor pelo cinema e pelo trabalho.

“Tem muitas cenas no filme em que o Javi, o personagem do Pedro (Pascal) e o meu personagem estão conversando sobre filmes e tem uma faísca genuína naqueles diálogo.Aquilo é real. Aquilo sou eu. Eu fico contente de conversar com qualquer pessoa sobre filmes e receber sua recomendação.A outra idéia com que me identifico no filme é trabalho.Adoro trabalhar. O trabalho é algo que sempre foi como um anjo da guarda p’ra mim.É onde eu posso fazer algo construtivo com minha imaginação, emoção ou minhas experiências de vida. Em vez de algo destrutivo. Isto é um fato.Tem diálogos que refletem isto.Eu gosto de trabalho, desfruto do trabalho, sou feliz com o trabalho. Me sinto melhor quando estou trabalhando”, revela ele.


FIASCO

Nicolas Cage conta que num dos momentos do filme, ele canaliza a frustração de uma experiência desagradável que vivera dias antes.

“Eu terminei o filme e tive que voltar para fazer novas cenas. Não foram cenas que tivemos que refazer. Foram cenas adicionais. Eu tinha acabado de interpretar um personagem diferente (em outro filme). Então foi um tremendo exercício mental ter que voltar a versão de Nic Cage do diretor Tom Gormican. Tive  que voltar e filmamos na Califórnia. Aí aconteceu um fiasco, que eu não quero entrar em detalhes mas, ôpa acabei de mencionar. Então aquilo estava na minha cabeça. Aí tive que fazer estas novas cenas .Tem uma cena em que estou batendo na parede. Meu personagem e o personagem do Pedro (Pascal),o  Javi, os dois estão doidões com algum tipo de químico na cabeça. Naquela cena eu usei todo o estresse que eu estava experimentando naquele momento em que estou batendo na parede, (o ator explica batendo com as palmas das mãos nas pernas e simulando um grito nervoso).Tudo o que aconteceu naquela cena foi resultado da minha experiência frustrada, dias antes, com um fiasco em Las Vegas”, desabafa o astro.

OUTRO NIC CAGE

Nicolas Cage conta ainda que  tem um nome na cabeça se tivesse que escolher outro ator da atualidade ou do passado para interpreta-lo no cinema.

“Eu adoraria ver o Gene Wilder fazer este papel (como Nic Cage) .Acho que o Gene Wilder seria maravilhoso neste filme (risos).Eu pagaria para ver o filme com ele me interpretando”, revela o ator.O comediante Gene Wilder faleceu em 2016 , aos 83 anos. Ele foi protagonista de muitos clássicos, entre eles A Fantástica Fábrica de Chocolate original.

DRÁCULA

A agenda do ator continua cheia. Um dos próximos projetos é aguardado com bastante antecipação. Ele deve interpretar Drácula, uma comédia de horror do diretor Chris McKay (A Guerra do Amanhã).O filme está previsto para chegar aos cinemas em 2023.

Não deixe de assistir: