A Bruxa está solta! Outubro é o mês delas. Mesmo que o halloween, conhecido no Brasil como “dia das bruxas”, só ocorra no dia 31, para os fãs do gênero e aficionados o aquecimento começa a valer a partir do dia 1º. E assim começamos nossa contagem regressiva. Em 2020, já tivemos nossa cota de “bruxa solta”, no entanto, para relaxar, na ficção ganharemos mais algumas. O trailer do remake de Convenção das Bruxas acaba de ser liberado – e enquanto nos EUA a Warner garante um lançamento em vídeo, direto na HBO Max no dia 22 de Outubro, os brasileiros terão a chance de conferir a reimaginação de Robert Zemeckis para o neoclássico de 1990 nos cinemas, ainda sem data definida.

Porém, passando de uma temática infantil para uma adolescente, a matéria é motivada pela estreia do trailer de Jovens Bruxas – Nova Irmandade (título nacional para The Craft: Legacy), espécie de continuação/remake da obra homônima de 1996, que a Sony promete no Brasil para o dia 5 de novembro nos cinemas – nos EUA estreando online no dia 28 de outubro.

Apesar de termos um vislumbre da foto de Nancy (Fairuza Balk) do filme original, grande parte da prévia se resume a cenas e diálogos tirados diretamente de seu predecessor, fazendo de Nova Irmandade basicamente uma cópia carbono do filme noventista. Uma curiosidade é que após o sucesso cult de Jovens Bruxas (1996), surgiu o seriado Charmed (1998-2006), sobre um trio de irmãs bruxas sem qualquer ligação com o longa – no entanto, os tradutores brasileiros não perderam tempo em tascar um Jovens Bruxas em seu título nacional.


Sem mais delongas, vamos conhecer o paradeiro do elenco deste novo clássico do cinema adolescente fantástico.

Robin Tunney (Sarah Bailey)

Aproveite para assistir:

 

Como em muitos filmes adolescentes da época, a protagonista Sarah é a jovem recém-chegada na cidade e no colégio. Doce e virginal, ela se vê acolhida e aliciada por um trio de bruxas adolescentes que veneram a Deusa da natureza. Para dar vida à protagonista foi escalada a graciosa Robin Tunney, que então só havia participado de dois filmes: O Homem da Califórnia (1992) e Sexo, Rock e Confusão (1995). Esse foi seu primeiro trabalho como protagonista no cinema. Depois de Jovens Bruxas ela amargaria um pequeno ostracismo nas telas devido à suas escolhas de projetos, que resultaram em filmes obscuros, até ficar em evidência novamente no fim da década com Fim dos Dias (1999), veículo apocalíptico de Arnold Schwarzenegger no qual interpretou a principal personagem feminina.

No ano seguinte, duas novas apostas ambiciosas, mas que não se pagaram. Apesar de sua qualidade, a aventura de escalada na neve Limite Vertical não foi forte o suficiente para revitalizar as carreiras de Tunney e Chris O’Donnell. Isso se pensarmos que a atriz havia acabado de dar uma baita escorregada com o fiasco espacial Supernova – do qual falo um pouco mais nesta matéria (só clicar no link). Tunney participou de 23 episódios da elogiada série Prison Break e esteve nos 151 episódios de O Mentalista – outra série de prestígio. Seu último trabalho até então foi no suspense dramático da Netflix, Entre Realidades, lançado este ano.

Fairuza Balk (Nancy Downs)


Nome de maior peso então no elenco, Fairuza Balk ficou com o suculento papel da sofrida Nancy, que aos poucos deixa sua amargura a transformar na vilã do filme. A personagem casou perfeitamente bem com o estilo gótico excêntrico de Balk, que durante um tempo ficou estereotipada em papeis assim no cinema. Sua carreira começou ainda na infância com o polêmico O Mundo Fantástico de Oz (Return to Oz, 1985), continuação de nada menos que O Mágico de Oz (um dos filmes mais queridos de todos os tempos) orquestrada pela Disney que viveu para se tornar um fracasso retumbante de crítica e bilheteria, fazendo com que o estúdio enterrasse a obra durante muito tempo. Balk viveu Dorothy no filme.

No mesmo ano de Jovens Bruxas a atriz lançava o ambicioso remake de A Ilha do Doutor Moreau – atuando ao lado do “monstro” Marlon Brando e de Val Kilmer. Depois seguiram o visceral A Outra História Americana (com Edward Norton) e O Rei da Água (comédia de sucesso nos EUA com Adam Sandler). Balk também esteve em participações menores no premiado Quase Famosos (2000) e no remake de Vício Frenético (2009), com Nicolas Cage. Em 2015, participou de 7 episódios da série Ray Donovan. Atualmente, está para lançar Paradise City, série sobre um jovem astro do rock, que está em fase de pós-produção, e tem Bella Thorne no elenco.

Neve Campbell (Bonnie)

No mesmo ano em que estrelaria como a protagonista Sidney no sucesso Pânico, Neve Campbell fez participação coadjuvante como Bonnie, uma das três bruxas originais que recrutam a jovem Sarah para seu covil. A trama de Bonnie envolve grandes cicatrizes nas costas – espécie de marcas de queimadura – que a deixam desconfortável para usar roupas que exibam seu corpo. Campbell, é claro, não era estranha para os fãs e se encontrava no ar na série de sucesso O Quinteto (Party of Five) – que então seguia para o seu terceiro ano – na pele de Julia Salinger, um dos irmãos órfãos que precisavam se criar por conta própria (o seriado acaba de ganhar um revival latino). Party of Five durou nada menos que 6 temporadas.


Na época, Campbell estrelou filmes como o suspense Garotas Selvagens (1998), o drama Studio 54 (1998) – sobre a icônica boate de Nova York -, e as comédias Um Caso a Três (1999) e Quem Não Matou Mona? (2000). No entanto, encontraria sucesso absoluto mesmo na citada franquia de terror do mestre Wes Craven e o autor Kevin Williamson, que já em 1997 engatilharia sua sequência. As partes três e quatro viriam respectivamente em 2000 e 2011. Nos últimos anos, Neve esteve em 25 episódios de House of Cards, primeira série original da Netflix, e na superprodução Arranha-Céu (2018), ao lado do astro Dwayne The Rock Johnson. Para quem não sabe, a atriz retorna ao papel de Sidney em Pânico 5, que será lançado em 2022 – dez anos após sua última aparição nas telonas.

Rachel True (Rochelle)

Fechando o quarteto principal, Rachel True é a menos conhecida dentre as protagonistas – caminho pelo qual permaneceu após o lançamento do longa. A subtrama de sua personagem, Rochelle, no entanto, é a que, infelizmente, segue mais necessária e em pauta. Como a única negra do grupo, e uma das únicas em seu colégio elitista, Rochelle se via como constante alvo de comentários e atos racistas – em especial direcionados ao seu cabelo – por parte das patricinhas loiras da escola. Misturando ficção com a realidade, percebemos o quão estarrecedor é o fato de que a única negra no elenco é a atriz que encontrou mais dificuldade para seguir relevante em sua carreira.

Depois do longa de 1996, que segue como seu maior trabalho de destaque, True participou do hilário filme maconheiro Pra Lá de Bagdá (1998) e de séries como Drew Carrey Show (1997-1998), Once and Again (1999-2000) e Half & Half (2002-2006). Nos últimos anos esteve em Sharknado 2 (2014) e no derivado Sharknado: Heart of Sharkness (2015). Seu próximo lançamento é o thriller de ação Assault on VA-33, estrelado por Michael Jai White, Mark Dacascos e Sean Patrick Flanery.


Skeet Ulrich (Chris Hooker)

Sim, Billy Loomis e Sidney Prescott já haviam se encontrado nas telonas antes de Pânico. No mesmo ano, os atores Skeet Ulrich e Neve Campbell fizeram parte do elenco de Jovens Bruxas, porém, em núcleos de subtramas distintas, sem nunca dividirem uma cena exclusiva. Ulrich, na pele de Chris, era o típico babaca do colégio, um conquistador de quinta, que se faz de boa praça para levar Sarah para a cama, somente para em seguida dispensa-la como se não fosse nada.

E quem já não conheceu no passado jovens assim ou presenciou tais histórias. Era o típico comportamento do homem tóxico – que, ainda bem, perdeu muito espaço na sociedade devido ao empoderamento feminino. Mas Chris recebe o que merece quando as amigas jogam um feitiço para cima dele. Recentemente, escrevi sobre Ulrich e outros “musos” do cinema adolescente dos anos 1990 em uma matéria – que você pode conferir clicando neste link. Atualmente, o ator é parte do elenco fixo da série sensação Riverdale, na qual interpreta FP Jones.


Christine Taylor (Laura Lizzie)

Esposa do ator Ben Stiller desde 2000, com quem possui dois filhos, a loiríssima Christine Taylor teve sua carreira impulsionada pelo marido nos últimos tempos, participando de muitos dos seus filmes, como Zoolander (2001) e Com a Bola Toda (2004). Antes disso, no entanto, Taylor viveu a arrogante racista Laura Lizzie, a citada patricinha do colégio que “vomitava” os piores comentários puramente motivados pelo ódio e intolerância para cima de Rochelle. Assim como todos os malfeitores do quarteto no filme, Laura pagou pelo bullying e recebe um feitiço que a faz perder suas belas madeixas platinadas, ficando careca.

Muitos podem não saber, mas Taylor tem uma franquia para chamar de sua: a adaptação para o cinema da clássica série A Família Sol, Lá, Si, Dó (The Brady Bunch), que ganhou sua versão para as telonas em 1995. Logo no ano seguinte, o filme receberia sua sequência A Volta da Família Sol, Lá, Si, Dó. Além de ter reprisado seu papel na sequência de Zoolander (2016), Taylor marcou presença recentemente nas séries Caindo na Real (Arrested Development, 2019) e Search Party (2020). Seu próximo trabalho é na comédia Friendsgiving.

Breckin Meyer (Mitt)

Todo valentão e babaca do colégio só age deste jeito quando alguém lhe dá palco para tais atos – e este papel recai sempre nos melhores amigos, também conhecidos como sua corte. Os bajuladores de plantão tem em Mitt, personagem de Breckin Meyer, seu representante em Jovens Bruxas. Meyer, apesar do papel coadjuvante, já tinha uma extensa carreira nesta altura, tendo participado de A Hora do Pesadelo 6 (1991) e As Patricinhas de Beverly Hills (1995), por exemplo. Para a garotada, Meyer se tornou um rosto reconhecível ao ter vivido Jon, o dono do famoso gato Garfield na versão em live-action dublada por Bill Murray (2004) e sua continuação (2006).


Meyer também esteve no reboot do fusquinha Herbie (2005), ao lado de Lindsay Lohan e Michael Keaton. Recentemente, fez parte do elenco da série Designated Survivor (2018), da Netflix, ao lado de Kieffer Sutherland, e The Fix (2019), com… olhem só… Robin Tunney! Esse ano, o ator se prepara para lançar o thriller cômico Happily, uma comédia romântica sombria sobre um casal, seus amigos, um estranho e um corpo! O filme está aguardando lançamento.

Andrew Fleming (Diretor)

Jovens Bruxas foi um projeto escrito (em parceria com Peter Filardi) e dirigido por Andrew Fleming – em seu terceiro filme para o cinema. Em pouco tempo, Fleming se tornou um dos meninos de ouro da Sony quando o assunto é filme adolescente. Tudo porque dois anos antes do sinal verde para Jovens Bruxas, o cineasta havia emplacado com Três Formas de Amar (1994), filme que igualmente escreveu e dirigiu, sobre um relacionamento a três envolvendo jovens numa universidade: um gay (Josh Charles), uma moça (Lara Flynn Boyle) e um rapaz (Stephen Baldwin) héteros.

O filme fez sucesso na época devido ao seu tema controverso de amor livre. Infelizmente, após o lançamento de Jovens Bruxas, o cineasta se viu envolvido em consecutivos fracassos de crítica e bilheteria, vide Todas as Garotas do Presidente (1999), Até que os Parentes nos Separem (2003) e Nancy Drew e o Mistério de Hollywood (2007). Seu último filme foi Lar Ideal (2018), sobre um casal gay (Paul Rudd e Steve Coogan) precisando criar um menino de 10 anos como seu filho. O mais recente trabalho do diretor acaba de estrear na Netflix hoje: se trata da série Emily em Paris, protagonizada por Lily Collins – na qual dirigiu 6 dos 10 episódios.

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