Produções de US$200 milhões de orçamento, os filmes de super-heróis (em especial da Marvel) se tornaram sinônimo de sucesso nas bilheterias e verdadeiros fenômenos culturais. Justamente por isso, se torna cada vez mais distante e difícil a ideia de pensar neles como flops que rapidamente são esquecidos. Mas, é só voltarmos para a década de 1990, onde o gênero era tudo menos garantia de bom retorno, para perceber que tais obras eram exatamente isso.

Muitos inclusive foram lançados sem que grande parte do público sequer soubesse de sua existência. Já imaginou você alheio aos Vingadores ou Pantera Negra nos cinemas? Pois é, eram tempos sombrios, meus amigos. Pensando nisso, em como este gênero conseguiu evoluir rápido, o CinePOP te leva numa volta no tempo, para esta “era das trevas”, para conhecer ou lembrar os filmes de super-herói (alguns da Marvel inclusive) que viveram para se tornar obras B do cinema.

Capitão América (1990)


Sim, meus amigos, muito antes de Chris Evans se tornar um sex symbol na pele do íntegro herói que usa a bandeira dos EUA como uniforme na superprodução Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), um filme com o personagem já havia sido produzido. Na verdade, um seriado exibido nos cinemas (era assim que funcionava antes da TV) com o personagem data de 1944, três anos depois de sua criação nos quadrinhos. Depois disso, em 1979, dois longas feitos direto para a TV foram lançados com o ator Reb Brown protagonizando – aqueles que o Capitão América usava capacete e andava de moto. Mas a primeira produção com o herói para o cinema viria em 1990.

Produzido pela 21st Century Film Corporation, companhia do israelense Menahem Golan, ex-proprietário da picareta Cannon Films, o longa Capitão América teve de orçamento a bagatela de US$3 milhões. E ao olharmos os envolvidos, isso explica muita coisa. Golan e a Cannon tinham planos para um filme do Homem-Aranha que nunca se concretizou (apesar de teaser e tudo), e aqui finalmente o produtor conseguia pôr as mãos em uma propriedade da Marvel… e arruiná-la completamente! Hoje, o filme virou prazer culposo, item cult e aquele tipo de filme que de tão ruim se torna bom. Além disso, completa 30 anos de seu lançamento em 2020.

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O Quarteto Fantástico (1994)

Primeiro supergrupo de heróis da Marvel, o Quarteto Fantástico ainda não teve seu lugar ao sol no Olimpo cinematográfico. Bem, isso talvez mude agora que os direitos estão com o MCU através da compra da FOX. Os personagens apareceram na forma de desenho animado ainda na década de 1960 (produzido pela Hanna-Barbera) e depois em 1994 numa animação produzida pela Saban. No cinema, oficialmente deram as caras em 2005, num filme de pouca substância, mas que rendeu três vezes mais que seu orçamento de US$100 milhões. Este longa teve continuação dois anos depois e o resultado foi semelhante. Mesmo assim, a FOX optou pelo desastroso reboot de 2015.

Vinte anos antes, uma produção com os personagens era criada – ou quase. O que aconteceu foi que as produtoras New Horizons e Constantin Film estavam quase expirando os direitos do produto, obrigando as companhias a lançar um filme, caso contrário seriam revertidos à Marvel. Assim, só para constar e sem real intenção de estreá-lo nos cinemas, foi chamado o icônico Roger Corman, conhecido produtor que se vira com uns trocados, para supervisionar a obra pela quantia de US$1 milhão (e pensávamos que os US$3 milhões do item acima era mixaria). O longa virou uma espécie de lenda urbana, e com o advento da internet, o nunca exibido filme O Quarteto Fantástico, de 1994, pôde ser conferido por fãs e cinéfilos. E olha, tem gente que diz que não é a pior coisa produzida com este título…

Geração X (1996)


É seguro dizer que X-Men: O Filme (2000) deu o pontapé inicial para a nova era dos super-heróis nos cinemas, e o que temos hoje é graças a este “pequeno” filme de Bryan Singer. Mas nem sempre o universo mutante valia ouro. E aqui temos um grande exemplo disso. Para sermos justos, precisamos mencionar que este não é um filme propriamente dito, e sim um piloto de uma série rejeitada, que seria distribuída pelo canal FOX. Com o orçamento de US$4 milhões (vejam só, já um avanço – ainda mais se pensarmos que o alvo era a TV desde o início), a ideia por trás do programa era focar em personagens do time B dos mutantes, preparando terreno para um eventual filme no cinema. Dos rostos mais conhecidos, destaca-se a protagonista Jubileu (Heather McComb). Com o cancelamento da série, Geração X virou um filme para a TV de 1h30min, e no Brasil chegou nas locadoras causando trauma nos aficionados.

Barb Wire – A Justiceira (1996)

Aqui damos um tempo do esculacho na Marvel para focar numa heroína saída das páginas da Dark Horse Comics, companhia responsável pelos quadrinhos Hellboy, O Máskara e The Umbrella Academy. Criada por Chris Warner em 1993, a loira é uma espécie de Mad Max em um futuro distópico, sujo e feio. A diferença é que a protagonista é uma beldade – e talvez a ideia tenha sido colocar a boneca Barbie como centro de uma aventura pós-apocalíptica. Assim, em 1996, numa época em que os estúdios apostavam mais em personagens desconhecidos (para esconder o fato de sua origem nas HQs) do que em heróis simbólicos, somente três anos após sua primeira aparição nos quadrinhos, a personagem ganhava as telonas nas formas de nenhuma outra senão Pamela Anderson – no auge da popularidade devido ao seriado S.O.S. Malibu. Com um orçamento de US$9 milhões, bancados pela Polygram Filmed Entertainment e pela Dark Horse Entertainment, o longa recuperou apenas US$3.7 milhões mundiais. E você, já tinha ouvido falar deste?

Vampirella (1996)


Durante muito tempo, produtores de Hollywood ficavam receosos de colocar protagonistas femininas em filmes do gênero – coisa que vem mudando merecidamente nos últimos anos. O fato é que longas como Vampirella não ajudavam muito na causa. Seguindo por filmes protagonizados por heroínas, temos agora na lista a personagem criada por Forrest J. Ackerman ainda na década de 1960 – fazendo de Vampirella uma das personagens femininas precursoras, dona de seu próprio título (um marco para a indústria). Mesmo que fetichizada por trajes mínimos, a heroína é uma forte protagonista feminina, uma vampira vivendo em outra dimensão. Dando aula de “como Não fazer”, esta coprodução da Showtime Networks foi lançada direto em vídeo, com o orçamento de US$1 milhão – já imagina-se o drama com este “troco” da feira, certo? Sobra vergonha alheia ao assistirmos a pobre Talisa Soto (mais conhecida como a Kitana dos filmes Mortal Kombat) na pele da personagem. Esperamos que em breve Vampirella receba o seu merecido respeito numa superprodução de verdade.

Aço (1997)

Rebatizado como Steel – O Homem de Aço, esta produção resume bem como os engravatados dos grandes estúdios de Hollywood estavam perdidos sobre o que fazer com tais produtos na década de 1990. Os executivos da Warner não sabiam nem o que fazer com o Superman, um de seus maiores bens (quase dando sinal verde para Superman Lives, com Nicolas Cage, dirigido por Tim Burton), e mesmo assim foram em frente aprovando um filme solo com este personagem derivado de sua mitologia. John Henry Irons surgiu nos quadrinhos após a morte do Homem de Aço e se tornou uma espécie de Homem de Ferro da DC Comics. Assim, a Warner disponibilizava US$16 milhões para seu herói secundário (por comparação, Batman & Robin custava US$125 milhões ao mesmo estúdio) – demonstrando a falta de confiança neste universo. Para piorar a situação, esta era a época em que Hollywood tentava firmar esportistas como astros do cinema (Michael Jordan, Dennis Rodman) e o gigantesco Shaquille O’Neal, que embora carismático não tem nada de ator, foi selecionado para puxar o filme como protagonista. Resultado: nem ao menos US$2 milhões recuperados mundialmente.

Nick Fury – Agente da S.H.I.E.L.D. (1998)


Voltando a bater na Marvel (eles aguentam, tem trilhões em caixa), para finalizar temos outra produção da casa lançada direto em vídeo (nos EUA um filme produzido para a TV). Não sei de quem foi a ideia de dar filmes de heróis para ex-astros de Baywatch protagonizar – bem, no caso de Jason Momoa deu certo. Seja como for, depois de Pamela Anderson foi a vez de David Hasselhoff, o meme humano, dar vida a um personagem secundário da Marvel. Dois anos depois de Barb Wire, o colega de Pamela estrelava como Nick Fury, o caolho diretor da maior agência de segurança da casa, o FBI da Marvel, SHIELD – que hoje tem uma série digna para chamar de sua na TV. E bem, se surpreende o fato do personagem ser caucasiano, saiba que originalmente ele tinha tais formas em sua criação nos quadrinhos. Sua reimaginação nas formas de Samuel L. Jackson, também nos quadrinhos, foi um grande acerto da empresa. E bem, mais do que motivo para esquecermos o mais rápido possível essa produção mequetrefe da Fox Television.

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