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O olhar inventivo e delicado de MICHEL GONDRY é um dos grandes presentes do FESTIVAL DE CINEMA FRANCÊS DO BRASIL

Trazendo filmes novíssimos de realizadores e artistas famosos do universo do cinema mundial, o Festival de Cinema Francês do Brasil consolida-se a cada ano que passa, agora com um novo nome, como um dos eventos cinematográficos mais importantes a chegar ao país. Um desses artistas presentes na programação deste ano é o veterano cineasta francês Michel Gondry.

Dos videoclipes até o mundo mágico do cinema, a carreira de Gondry na sétima arte decolou anos atrás, mas antes disso ele já era um renomado diretor de clipes de grandes nomes da música, como Paul McCartney e Bjork. A virada na carreira veio há cerca de duas décadas, quando esse criativo realizador, neto do engenheiro e inventor Constant Martin – conhecido por criar um aparelho eletrônico eficiente antes mesmo da existência dos sintetizadores – presenteou os cinéfilos do mundo inteiro com a obra-prima protagonizada por Kate Winslet e Jim Carrey, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, que lhe rendeu o Oscar de Melhor roteiro no ano de seu lançamento.

Depois vieram ‘Rebobine, Por favor’, Sonhando Acordado, A Espuma dos Dias e uma série de curtas-metragens que foram consolidando uma filmografia de respeito, criando histórias deliciosas e sem esquecer das reflexões que todo bom roteiro deve provocar nos espectadores.

Seu novo trabalho, o média-metragem Maya, Me Dê um Título, selecionado para o Festival de Cinema Francês do Brasil, explora uma técnica específica de animação com enorme criatividade, construindo uma narrativa delicadamente construída que insere histórias dentro de histórias a partir da relação de um pai cineasta e a saudade da filha.

A trama é muito bem bolada. Por conta da distância, um diretor de cinema resolve criar uma dinâmica com a filha, Maya: pedindo a ela que envie ideias para curtas-metragens de animação nos quais ela será a personagem principal. Ao longo do tempo, de um inusitado terremoto a criação de um avião-pássaro, passando por situações em que ela diminui tamanho, ou se torna uma sereia, ou mesmo em um oceano destruído por ketchup chegando nas incertezas da pandemia, um alegre e contagiante vínculo é criado.

Cena do filme: 'Maya, me dê um Título', disponível na programação do Festival de Cinema Francês do Brasil
Cena do filme: ‘Maya, me dê um Título’, disponível na programação do Festival de Cinema Francês do Brasil

Nessa forma contagiante de aproximar a família ao rico universo da sétima arte da qual faz parte, Gondry mais uma vez brinda os cinéfilos transformando em poesia seu amor por tudo que o cerca. (leia a crítica completa do filme aqui)

O Cinepop está fazendo a cobertura do Festival de Cinema Francês do Brasil, não deixem de conferir todas nossas matérias no site e pelas redes sociais.

E aí, querido cinéfilo?! – Nossa Coluna de Entrevista | Parte 13: Lucas Vasconcelos

O cinema é a luz que ilumina os nossos tempos, o passado e o futuro. Pensando em dividir com você leitor, dicas e curiosidades de inúmeros cinéfilos espalhados por nosso país, criamos essa coluna semanal onde convidamos amantes da sétima arte que trabalham ou não com cinema.

Nosso convidado de hoje é cineasta e ator. Cinéfilo, que tem em Spielberg como seu diretor preferido, Lucas Vasconcelos é um artista da nova geração do universo audiovisual. Já competiu em 2018, com seu curta-metragem Bem-Vindo de Volta no Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF) e também já atuou no elogiado seriado Malhação – Toda Forma de Amar. Para falar um pouco sobre cinema e curiosidades sobre esse mundo, entrevistamos ele.

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Eu gosto muito do Estação, lá eu consigo tanto ver os filmes independentes quanto os filmes de bilheteria e comerciais.

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

Cinema Paradiso.

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Steven Spielberg e o filme favorito dele é E.T.

 

 4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Meu filme favorito nacional é Linha de Passe, acho incrível a forma que o Walter Salles e a Daniela Thomas retrataram a realidade. São performances tão reais que parece ser um documentário.

5) O que é ser cinéfilo para você?

Ser cinéfilo para mim remete pertencer a um nicho de amantes da 7ª arte.

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Não.

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Nunca, elas podem se enfraquecer por conta dos streamings, mas assim como o teatro, o cinema é uma arte que nunca morrerá.

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Rebobine Por Favor, de Michel Gondry! A história de uma locadora que vai à falência e os funcionários começam a fazer filmes para salvar o local.

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Infelizmente eu acho que seria mais seguro só depois da vacina mesmo… uma pena porque eu estou com sede de sala de cinema.

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Em um lento processo de adaptação.

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Selton Mello.

12) Defina cinema com uma frase.

Um fluxo constante de um sonho.

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

Quando fui na estreia de Noé e vi o Russel Crowe.

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras.

Hahahahaha risos!!

15) Você é um cineasta da nova geração. Com que artistas gostaria de trabalhar em futuros filmes dirigidos por você?

Selton MelloDaniel de Oliveira e Leandra Leal!

Crítica | ‘A Última Fronteira’ – Entre bons e sonolentos episódios, série da APPLE TV se resume a uma gangorra de emoções apenas satisfatória

A Apple Tv vem trazendo, ao longo de sua ainda curta história, diversas obras de impacto quando o assunto é séries. Você pode perceber isso pelas diversas listas de melhores do ano espalhadas pela internet, nas quais sempre aparece uma série desse poderoso streaming – que talvez ainda não tenha o reconhecimento que merece. A Última Fronteira, criada por Jon Bokenkamp e Richard D’Ovidio, chegou para tentar ser mais um desses competentes títulos: uma trama de espionagem ambientada no frio do Alaska que distribui reflexões sobre moral, família e identidade.

Ao longo dos seus 10 episódios, acompanhamos Frank (Jason Clarke – um dos atores mais subestimados dos últimos anos) um policial federal alocado no Alaska, sua terra natal, com fortes marcas no passado. Ele precisa lidar com a inusitada queda de um avião repleto de prisioneiros perigosos e ir à caça dos sobreviventes. Nessa perigosa caminhada, acaba recebendo a ajuda da misteriosa Sidney (Haley Bennett), uma agente da inteligência norte-americana que parece saber muito mais do que revela.

A narrativa propõe alguns olhares sobre a situação central de sua premissa, oferecendo ao público dois protagonistas, duas perspectivas. Em um primeiro momento – e talvez a base mais sólida dessa história – conhecemos um homem que tenta reestruturar sua família após uma tragédia do passado, algo que estremeceu a relação com a esposa e afastou um pouco o filho. Guiado por princípios e buscando não entrar nos deslizes da hipocrisia, Frank é aquele típico policial boa praça: que todos gostam e defensor da sua comunidade. Esse personagem é muito bem lapidado através de mais uma ótima atuação de Jason Clarke.

Quando entramos nas verdades sobre Sidney e ganhamos a oportunidade de seguir por sua perspectiva, o roteiro busca encontrar rapidamente as peças do quebra-cabeça que se apresenta, embolando explicações. Ao transformar a ambígua agente secreta em uma peça que transita entre o que pode certo ou errado – com contradições e conflitos morais – a narrativa se perde em meio a uma embolada trama de espionagem, que vai perdendo aos poucos o sentido.

De um ponto simples de seu enredo à forma como a história se apresenta (o roteiro), essa série parece não conseguir sustentar todos os elementos de impacto que propõe. Há bons episódios e outros sonolentos, resultando em uma gangorra de emoções apenas satisfatória. A aposta em compor personagens com certo grau de anti-heroísmo, como forma de validar falhas morais evidentes, acaba sendo um tiro no pé de uma narrativa que poderia nos envolver bem mais.

E aí, querido cinéfilo?! – Nossa Coluna de Entrevista | Parte 20: Mariá Velasquez

A beleza do cinema é conseguir enxergar além do que os olhos conseguem captar. Falar de cinema é uma grande prova de amor ao sentimento das curiosidades que afligem esse imenso mundão que vivemos. Todo tipo de filme, de qualquer gênero, busca o importante elo em apresentar emoções ao espectador, seja ele quem for. Pensando em entender melhor as razões do porquê o cinema ser uma coisa tão rica para nossa existência como seres humanos, esse eterno jovem cinéfilo que vos escreve buscou cinéfilos espalhados pelo Brasil (alguns até pelo mundo) para contar um pouquinho da sua trajetória com o cinema para vocês.

Nossa convidada de hoje para participar deste divertido questionário cinéfilo, completou recentemente duas décadas na Paramount, uma das grandes gigantes do universo audiovisual mundial. Cinéfila de carteirinha, figura presente em diversos eventos de vindas de astros nacionais e mundiais ao Brasil, estudou na Uerj na década de 90, e começou sua trajetória pelo amor aos filmes nos anos 80 quando viu um dos clássicos filmes da saga Star Wars com seu pai. Com grande conhecido sobre os filmes e sobre o mercado, Mariá Velasquez é um dos rostos mais queridos desse competitivo mercado audiovisual brasileiro.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Tenho duas salas preferidas e que frequento muito aqui no Rio: Kinoplex São Luiz e Espaço Itaú. Tem o critério de programação, onde encontro os filmes que desejo ver sendo programados, mas também tem a questão técnica pois são salas com excelente imagem e som. Também são pertinho de casa o que é um plus! Mas gostaria de mencionar uma terceira sala que amo e que por acaso fica no bairro que moro: Cine Santa. Lá encontro filmes premiados em festivais internacionais num ambiente charmoso e cuidado de perto pelos donos. Deu pra perceber que amo cinema de rua, né? Rs.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente?

Existem aí dois momentos. Tem a primeira vez que pisei numa sala de cinema em 1980 assistindo O Império Contra-Ataca e isso foi um marco na minha vida porque um mundo novo se abriu e vamos combinar que comecei muito bem! (risos). E tem também a primeira vez que fui no cinema sozinha (em 1980 fui com meu pai) pra ver o filme que todo mundo estava comentando. O filme que vi? ET … difícil sair daquela sala de cinema da mesma maneira que entrei depois disso, né?

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Olha, bem difícil escolher porque meu filme favorito é Bonequinha de Luxo mas meu diretor favorito é Almodóvar então a conta não bate. Almodóvar é meu diretor favorito porque tudo o que ele faz eu amo, até quando ele erra a mão eu continuo amando (risos). Mas se tenho que escolher um filme favorito dele vamos de Tudo sobre Minha Mãe que é um filme que ainda me comovo depois de ter assistido dezenas de vezes.

 

4) Qual seu filme nacional favorito e por quê?

Cidade de Deus! Por várias razões, mas gostaria de contar uma história pessoal que tenho com esse filme. Em 1997 eu comecei a trabalhar com o audiovisual e nessa época eu organizei um concurso de roteiros. Eis que o roteiro de Cidade de Deus (que ainda não era filme) foi premiado como melhor roteiro de um roteirista estreante. Tenho orgulho de contar pra todo mundo que o primeiro prêmio do Cidade foi dado por mim. Mas é lógico que não é esse motivo que faz o filme ser o meu preferido, além de todas as qualidades técnicas ele possui um ingrediente que faz eu me apaixonar toda vez que o revejo, além da sua temática contundente ele é atemporal e pode ser visto hoje e daqui a 10 anos da mesma maneira. Acho que isso faz um filme ser clássico e pra mim Cidade é!

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Depende da sua definição de “entender cinema”. Podemos ver da perspectiva do amante do cinema e realmente nem todos são, mas não necessariamente precisam ser. Acho importante o programador entender o seu público, cada sala de cinema tem um certo tipo de público e isso tem que ser levado em conta. Acho também importante ele conhecer o que o mercado está oferecendo, seja o filme um blockbuster ou um filme pequeno que ganhou um festival X. Resumindo, o programador precisa pensar no público que vai frequentar sua sala e proporcionar a ele a melhor experiência possível seja o filme que for.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Espero que não! (risos). Olha, essa história eu escuto há bastante tempo e até agora o cinema continua. Eu sou uma entusiasta e consumidora de streaming, mas nada supera uma sala escura. Existem filmes que você pode até rever no conforto da sua casa mas definitivamente tem que ser visto primeiro numa sala de cinema. Mas pra que o cinema não acabe, precisamos de filmes que contem histórias que motivem o público a sair de casa e precisamos que os cinemas proporcionem ao público uma experiência que ele não tem em casa ou na tela do celular. E esse desafio é com a nova geração.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Gostaria que muita gente tivesse visto o filme Anomalisa, animação de 2015 e dirigido por Charlie Kaufman e Duke Johnson. É uma animação que até concorreu ao Oscar mas pouca gente assistiu nos cinemas. É um filme diferente a começar por ser uma animação pra adultos que usa uma técnica inovadora e conta uma grande história de amor.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Se formos esperar a vacina (o que seria o ideal) as salas só reabririam no ano que vem e até lá os cinemas e toda a cadeia acabaria. Faço parte do movimento #JuntosPeloCinema, um movimento voluntário de mais de 200 profissionais que está preparando a abertura das salas de cinema. Nossa maior preocupação é a segurança do público e dos funcionários que trabalham nas salas de cinema. Só reabriremos se todos os protocolos de segurança estiverem de acordo com o que as autoridades sanitárias exigem e estamos há 4 meses trabalhando nisso. Tudo será feito com segurança e gradualmente. Existem etapas pra essa abertura e, de novo, só abriremos com 100% de certeza que será seguro pro público e pra quem trabalha nas salas.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Excelente! A cada ano vejo produções de qualidade compatível com qualquer nação. Podemos competir de igual pra igual em qualquer festival internacional. Temos diversidade e isso conta muito. Agora, se não houver incentivo do Estado não conseguiremos produzir, muito menos levar nossos filmes pra fora e virar vitrine o que ajuda a alavancar o público interno. Infelizmente estamos vivendo momentos difíceis e tudo o que conseguimos avançar pode estar regredindo.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Essa pergunta é uma pegadinha pois posso criar ciumeira então vou de unanimidade: Fernanda Montenegro. Tudo o que ela faz me interessa, seja no cinema, seja no teatro, seja na literatura. Uma diva que temos que reverenciar todos os dias!

 

12) Defina cinema com uma frase.

Minha terapia em doses semanais.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

Uma vez fui assistir a um filme francês na sala 2 do Estação Botafogo (pra quem conhece sabe que é uma sala bem pequena). Comprei minha pipoca porque pra ir ao cinema significa comer pipoca. Pois bem, comecei a comer com todo cuidado do mundo, deixando pra mastigar somente quando havia música pra não perturbar ninguém. Mas ao meu lado um senhor muito mal humorado não só reclamou do barulho da pipoca, como levantou gritou com todo o cinema e foi pra primeira fila. Eu ri, afinal, isso também faz parte de ir ao cinema! (risos)

 

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras…

Sei que vou passar vergonha, mas eu nunca assisti … sei que tem toda uma questão em cima do filme mas ainda não tive a oportunidade. Farei e, breve! (risos)

 

15) Você trabalha em uma major, a Paramount. Qual conselho você pode dar para jovens cinéfilos que querem trabalhar com cinema no Brasil?

Estudem! A melhor maneira de conseguir seguir uma carreira é estudar aquilo que você pretende trabalhar. E não falo de estudo formal não. Assistir a filmes e discutir sobre eles é uma maneira de estudar. Na quarentena eu já me matriculei em três cursos online sobre cinema (assuntos diversos) e aprendi MUITO! Acho que conhecimento nunca é demais. Sempre há algo novo para se aprender. Frequentem festivais e mostras pois além de ter contato com filmes de outros países você fará contato com pessoas do mercado e isso também é muito importante.

 

16) Tem muito cineasta que não é cinéfilo. Você acha fundamental ser cinéfilo para dirigir um filme?

Acho que não é fundamental, mas seria o ideal pois pra mim ser cinéfilo é ter contato com todos os tipos de filmes e isso te dá uma bagagem cinematográfica incrível e muito referencial. Todos os meus diretores preferidos são cinéfilos e isso está refletido nas suas obras.

 

17) Tarantino ou Almodóvar. Por quê?

Então amo os 2 e já respondi lá em cima que Almodóvar é meu diretor predileto mas Tarantino chega ali juntinho!

 

18) Diga um ídolo seu do mundo do cinema que já conseguiu ver de perto e conte aonde foi.

Então, por trabalhar na Paramount tive oportunidade e o privilégio de chegar perto e até me relacionar com grandes ídolos de cinema mas tive a sorte de fazer o lançamento do filme Mãe! do Darren Aronofsky e foi uma experiência incrível estar tão perto desse cineasta incrível no lançamento de um filme tão inovador. Mas gostaria de destacar também meu contato com o Tom Cruise nas duas vezes que ele esteve no Brasil lançando dois filmes da Paramount. Confesso que não era tão fã dele assim mas depois desses dois contatos com ele virei fã de carteirinha pois ele é a pessoa mais profissional e gentil do mercado com que trabalhei.

Crítica | ‘Homem x Bebê’ – Aquele humor que estávamos com saudade – e que ainda funciona!

Aos 70 anos, e após uma breve participação no longa-metragem Wonka (2023), o ator e comediante britânico Rowan Atkinson, conhecido por seu inesquecível personagem Mr. Bean, volta a uma grande produção, dessa vez em parceria com a NETFLIX. Homem x Bebê, minissérie curtinha de apenas quatro episódios, apresenta eventos dissonantes na vida de um homem ingênuo mas de bom coração que se vê envolvido em uma situação pra lá de inusitada.

Trevor (Rowan Atkinson) é um cara gente boa, mas vive ressentido ao ver os laços familiares se quebrarem após um divórcio tempos atrás, principalmente pela distância que tem da filha, Maddy (Alanah Bloor). No último dia como zelador de uma escola, acaba se deparando com uma situação peculiar: esqueceram um bebê no local. Precisando ir até uma entrevista de emprego que pode mudar sua vida, ele decide levar a criança consigo. Assim, eles chegam até um luxuoso apartamento, onde Trevor tem a missão de cuidar até os donos chegarem. Confusões não faltam durante os dias que passam nesse lugar.

Criado pelo próprio Atkinson em parceria com William Davies, o projeto busca o riso por meio de situações cotidianas ligadas à paternidade – e consegue isso na maior parte do tempo. Adepto do slapstick, um estilo de humor caracterizado por situações levadas ao absurdo – uma influência do cinema mudo –, um dos mais famosos comediantes do planeta consegue desenvolver um personagem carismático e engraçado, navegando por uma narrativa objetiva e linear, que vai direto aos seus pontos.

Longe de ser brilhante, com alguns exageros que podem incomodar pela redundância, mas com um humor que acessa nossa nostalgia, Homem x Bebê nos conquista logo de cara. Impressiona como as situações ilógicas conseguem paralelos com o lado afetivo do cotidiano de muitos de nós. O roteiro é muito simples e super eficiente. Longe de entrar em perguntas como: ‘o que você faria nessa situação?’, o prazer da risada se torna algo frequente – antecipando qualquer indagação e criando um vínculo instantâneo com o público.

Com ações desastradas, expressões faciais marcantes e aquele recheio de comédia escrachada – bem executada -, parece que quatro episódios somente são muito pouco. Fica um gostinho de quero mais! O curioso final aberto abre uma margem gigante para que possamos reencontrar esse mais novo personagem marcante na carreira de um genial artista, que sempre teve o sorriso dos outros como objetivo.

Crítica | The Final Girls: Terror nos Bastidores – Sátira dos filmes slasher estreia na Netfli

Se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela. Dirigido pelo cineasta nova iorquino Todd Strauss-Schulson, protagonizado pela jovem Taissa Farmiga e pela estonteante atriz sueca Malin AkermanThe Final Girls – Terror nos Bastidores’ é um projeto insólito, que veste a carapuça de filme tosco, repleto de personagens estereotipados nos mais clássicos trabalhos do gênero terror dos anos 90.

Na trama, conhecemos a delicada jovem Max (Taissa Farmiga – irmã mais nova da atriz Vera Farmiga), traumatizada e culpada pelo acidente trágico que matou sua mãe Amanda (Malin Akerman), uma atriz fracassada que ficou marcada por um único papel em um filme trash anos atrás. Três anos se passaram e Max, certo dia, resolve aceitar um convite para comparecer a uma exibição para fãs do filme trash que sua mãe participou. Após um inusitado acidente, envolvendo uma garrafa de vodka e uma guimba de cigarro, ela e os amigos vão parar dentro do filme que estava sendo exibido e a partir disso precisam lutar contra o assassino da história.

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Max é uma espécie de prima mais velha de Julie James (a protagonista de Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado interpretada por Jennifer Love Hewitt) e sobrinha mais nova de Sidney (a protagonista do inesquecível filme Pânico, interpretada por Neve Campbell). Todo o grau de semelhança com essas personagens não é mera imaginação, The Final Girls – Terror nos Bastidores, entre erros e acertos, não deixa de ser uma homenagem a toda uma geração de cinéfilos que cresceram assistindo a filmes onde tínhamos que descobrir junto com os personagens quem era o assassino.

Não podemos negar que The Final Girls – Terror nos Bastidores é um filme honesto do começo ao fim, feito para divertir sem se pensar. Escrito por M.A. Fortin e Joshua John Miller, o roteiro possui médios e baixos. Um exemplo a isso, em relação a personagens, Duncan (Thomas Middleditch) escolhido para ser a ponta cômica, além de ficar pouco tempo em cena, possui um leque de piadas altamente sem graça deixando o público refém para se conectar com os diálogos forçados. Mesmo assim, ao longo dos 88 minutos de projeção, mesmo em meio a bizarrices e cafonices, consegue ser um pouco criativo na montagem da história, pensando dentro de seu universo do absurdo.

Crítica | ‘Uma Vida de Esperança’ – Um filme convencional sobre superações morais, mas que emociona

Os milagres acontecem, mas é sempre bom termos pessoas que nos conduzem até eles. Preenchendo a tela com superações morais e com a fé atravessando seu roteiro, o longa-metragem Uma Vida de Esperança nos coloca de frente com o luto e, ao mesmo tempo, a necessidade de sermos uma fortaleza, a partir de um protagonista que enfrenta tempestades em forma de tragédias.

Com filmagens no Canadá (Winnipeg) e nos Estados Unidos (Albany), o projeto, ambientado em meados da década de 1990, tem uma fácil compreensão quando pensamos em sua estrutura narrativa – que não se arrisca, seguindo a cartilha da maioria dos filmes sobre superação –, com atalhos usuais e uma base linear que provoca essa assimilação rápida. Inspirado em uma história real, a obra se constrói em torno de uma ideia solidária, batendo nessa tecla com frequência para gerar mensagens positivas, algo que se mostra como o grande objetivo do projeto.

 

Ed (Alan Ritchson) é um pai e marido amado. Quando a esposa parte precocemente, o tempo passa e uma de suas filhas é diagnosticada com uma doença que exige um transplante urgente. Com as conta hospitalares e custos diários aumentando, entra em sua vida Sharon (Hilary Swank), uma cabelereira com marcas no passado e por seus problemas com o alcoolismo. Sensibilizada pela situação da família de Ed, Sharon vai atrás de soluções, se tornado peça-chave de alguns milagres.

Mãos dadas são mais firmes do que qualquer caminhada solitária. Da superação moral à fé – esta colocada à prova de muitas formas – nossos olhos estacionam, na maioria parte do tempo, na personagem Sharon (interpretada pela duas vezes vencedora do Oscar, Hilary Swank), grande força motriz da história. Achando um propósito ao ler no jornal uma notícia, parte ao encontro de algo que dá significado para sua trajetória – marcada pelo vício, que a afastou de muitas pessoas, incluindo seu único filho. Essa história de superação, a partir do fazer o bem, é um exemplo das já mencionadas mensagens positivas que o filme se propõe a transmitir.

Uma Vida de Esperança, mesmo em um sua forma simplista e direta na definição dos conflitos, encontra algumas camadas pelo caminho, chegando inclusive na transmissão da emoção de forma intensa em seu clímax. Esse é um filme para ser sentido, entrega lindas mensagens, mas recorre ao habitual quando pensamos em sua estrutura dramática.

E aí, querido cinéfilo?! – Nossa Coluna de Entrevista | Parte 28: Wilker Medeiros

A beleza do cinema é conseguir enxergar além do que os olhos conseguem captar. Falar de cinema é uma grande prova de amor ao sentimento das curiosidades que afligem esse imenso mundão que vivemos. Todo tipo de filme, de qualquer gênero, busca o importante elo em apresentar emoções ao espectador, seja ele quem for. Pensando em entender melhor as razões do porquê o cinema ser uma coisa tão rica para nossa existência como ser humano, esse eterno jovem cinéfilo que vos escreve buscou cinéfilos espalhados pelo Brasil (alguns até pelo mundo) para contar um pouquinho da trajetória cinéfila deles para vocês.

Nossa entrevistado de hoje é de Recife. Crítico de cinema dos portais Cinema com Rapadura e Cinepop, participante do Rapaduracast e do podcast Alerta Vermelho, no Cine Alerta. Um grande admirador da sétima arte que adora os filmes de Scorsese e Coutinho mas tem em PTA (Paul Thomas Anderson) um diretor que possui um poder especial sobre ele. Wilker Medeiros, um querido amigo cinéfilo que sempre está pelas redes sociais falando sobre a sétima arte.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Em relação a programação, sem dúvidas, é o Cinema da Fundação. Que foi regido por muitos anos pelo Kleber Mendonça Filho e hoje é comandada pelo mestre e grande amigo Ernesto Barros. Uma programação pensada pra cinema, e não apenas visando lucro.

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

Exatamente o primeiro que vi no Cinema São Luiz, templo do cinema em Pernambuco e Brasil, que foi O Rei Leão. Incrível e marcante aquela tela gigante, e quando a gente é pequeno, ela ainda é maior até metaforicamente falando.

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Eduardo Coutinho e Martin Scorsese são cineastas que acho irretocáveis, porém confesso que o cinema do Paul Thomas Anderson tem um poder especial em mim. É o que possuo mais intimidade e até por isso meu filme favorito é Magnólia.

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Esse volto no Coutinho, no caso com Cabra Marcado para Morrer. É um filme que transcende cinema. Passa a ser registro histórico. Luta e resistência de pessoas. O tipo de cinema social e absolutamente forte em sua proposta.

5) O que é ser cinéfilo para você?

Não vejo muito pelo rótulo, mas sim pela paixão forte de sentir e apreciar um filme. De poder ser transportado para os universos abordados.

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

A questão não é entender de cinema, mas sim como a coisa funciona. Quando falamos de uma grande corporação de shopping, pensam em cinema como puro entretenimento, de pessoas que vão ao shopping e de lá passam no cinema. Não o contrário. Então só consigo ver uma pessoa gerindo um cinema quando há ali algo mais centrado. Empresa não tem como ser vista dessa maneira.

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Jamais.

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

É sempre complicado esse tipo de indicação, difícil saber o que é visto pelas pessoas de tempos em tempos. Porém vou indicar algo que é recente e pouca gente comenta, que é Paterson, do Jim Jarmusch. É um filme que merece ser mais explorado.

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

De forma alguma.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

O cinema brasileiro é um dos mais interessantes do mundo, artisticamente falando. E isso há no mínimo duas décadas. E atualmente está cada vez mais plural não só tematicamente, mas em gêneros explorados.

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Não fala pra ele, pra não ficar mais convencido, mas atualmente o Kleber Mendonça Filho tem construído uma filmografia impressionante. Desde curtas e longas até os comentários sobre o audiovisual dentro do cenário sociopolítico. Mas o Beto Brant é um cineasta que se lançar um filme, não perco jamais. Aliás, saudades dele.

 

12) Defina cinema com uma frase:

Transcendental (perdão, Caê).

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

Tem algumas, mas a que vem na cabeça é quando vi um filme sozinho numa sala de cinema, além das cabines de imprensa. A questão foi que peguei duas sessões seguidas, à noite, e após terminar a primeira, fui à outra sala ver Pânico 4. Passaram os trailers e nada de ninguém chegar. Até que o lanterninha chegou pra mim e perguntou se eu estaria disposto a vir no outro dia, pois iriam dar um ingresso. Porém, como não podia e sou um porre, vi o filme sozinho. Pois é, projetaram a despedida do mestre Wes Craven só pra mim.

 

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras…

Na real? Nunca vi.

15) Qual o pior filme que você viu na vida?

Olha, pelas ofensas raciais, as péssimas escolhas, o desrespeito a obra original e a execução da coisa, O Último Mestre do Ar é uma boa escolha dentre os recentes, mas confesso que não existe isso pra mim.

 

16) Você acha que todo diretor de cinema precisa ser cinéfilo?

É difícil imaginar um realizador de cinema que não goste de cinema. Talvez numa época que Hollywood fazia produções a toque de caixa. No geral, é impossível.

Crítica | ‘Custe o que Custar’ – Minissérie da NETFLIX se arrisca ao tentar transmitir o máximo de tensão em uma trama ousada

O autor norte-americano Harlan Coben, de 63 anos, segue criando histórias marcadas por mistérios complexos em tramas que abraçam as reviravoltas – um conteúdo que se torna um prato cheio para virar um produto audiovisual. Custe o que Custar, primeira minissérie lançada pela Netflix em 2026, é baseada em sua obra Run Away, publicada seis anos atrás. Com suas 364 páginas, aborda os impactos em uma família que luta contra o vício em drogas da filha mais velha.

Mas nada neste projeto é somente o que aparenta ser. Reunindo alguns núcleos, com ótimos personagens que adicionam demais à trama e que, aos poucos, se entrelaçam com à história principal, os dramas familiares se desenvolvem como pequenas peças embutidas em um cenário que se amplia conforme vamos descobrindo as verdades. Traumas na infância, adoção, possíveis traições, paranoia, árvores genealógicas, manipulação, seitas e psicopatas, vão se reunindo ao longo de oito intensos episódios, provocando um verdadeiro desfile de questões sociais.

Simon (James Nesbitt) é um consultor financeiro bem-sucedido, pai de três filhos, que vive feliz ao lado da esposa, a pediatra Ingrid (Minnie Driver). Só que toda a aparente calmaria na família esconde um grave problema: a filha mais velha, Paige (Ellie de Lange), se tornou uma viciada em drogas e sumiu de casa faz alguns meses. Na busca por seu paradeiro, Simon é envolvido em uma estrada onde situações o levam ao limite do desgaste emocional.

A grande missão desta obra seriada era como reunir toda a complexidade da trama, sem perder o interesse do público, em apenas oito episódios. Mesmo com algumas pontas soltas, as histórias se entrelaçam de forma coerente, se completando. Há o núcleo principal da família despedaçando, a investigação policial de uma dupla próxima na profissão e na paixão, as descobertas de uma detetive particular – muito bem interpretada por Ruth Jones – e a história de um casal de jovens assassinos, que formam a base dos segredos que são revelados no tempo certo, prendendo a atenção. Chegamos ao último episódio sem saber direito que desfecho nos aguardava – e isso é positivo.

 

A maneira como se amarra toda a trama central dentro do discurso também é interessante, focando nos argumentos que se cercam – talvez o grande acerto da produção. A partir do cancelamento – algo que está cada vez mais em moda nesse modo instantâneo das redes sociais –, o primeiro episódio abre-alas para ganhar nossa atenção nos conduzindo aquela bomba de emoções que recai sobre uma família, que possui personagens longe de serem carismáticos, mas cumprem seu papel de juntos chegarem nas dores de um presente caótico.

Custe o que Custar é uma minissérie que tem um pouco de tudo: drama, mistério e revelações bombásticas. O projeto se arrisca ao tentar transmitir o máximo de tensão em uma trama ousada, que usa das surpresas de verdades escondidas como uma ponte até importantes reflexões sociais. A Netflix começa bem suas adições de minisséries ao catálogo em 2026.

Crítica | Diga-me Quando – Uma poesia mexicana sobre o amor no catálogo da Netflix

Quando a ingenuidade encontra as indomáveis lições do amar. Filme de estreia na direção e roteiro do cineasta mexicano Gerardo GaticaDiga-me Quando apresenta pequenos exageros costurados com clichês mas nada que gere bocejos ou desinteresse, pelo contrário, o projeto se apresenta muito mais profundo do que aparenta, uma belíssima construção com diálogos criativos, emoções variadas, se tornando uma crônica latina sobre as descobertas do amar. Sem pretensão de ser perfeito, se arrisca com sucesso nas linhas tumultuadas da melancolia. Grata surpresa. Disponível na Netflix.

Na trama, conhecemos Will (Jesús Zavala), um jovem economista de formação, sem amigos, que nunca se diverte, workholic, pentelhado pelo seu chefe inclusive aos sábados, que mora em Los Angeles próximo a seus avós de origem mexicana. Quando seu avô morre no mesmo deserto que atravessou anos atrás quando chegou aos Estados Unidos, o tempo passa e Will encontra uma pequena caderneta que o avô deixou dizendo todas as coisas que ele precisa fazer no México (redescobrir suas origens, cantar com mariachis, ficar bêbado com mezcal, ir até a praça da constituição, ao palácio belas artes…encontrar um amor, fazer amigos…)  para ser uma pessoa mais feliz. Assim, parte em busca desse país multicultural e lá acaba conhecendo pessoas que mudarão sua maneira de ver o mundo, principalmente a atriz de teatro Dani (Ximena Romo), por quem se apaixona loucamente.

Entre uma polaroid e outra, até declamação de poema, passando por quase todas as fases do se apaixonar a comédia romântica apresenta de maneira muito poética o lado bom e o lado ruim de se jogar em uma paixão. Esses contrapontos, dentro de uma Inserção no universo da conquista, ditam o ótimo roteiro a um ritmo de gerar risos e energias boas, talvez pelas belas atuações, talvez por já sentirmos algumas daquelas fases vividas pelo protagonista.

Você precisa aprender a ser, não só a ter. O longa-metragem bate bastante na tecla do importante que é ter experiências que nos moldem como seres humanos e como é a melhor forma de aprendermos a perder e ganhar. O protagonista, antes um desajustado no convívio social, se descontrói e renasce através do mesmo universo que vive mas com uma ótica diferente, vira um constante observador de um novo mundo que já existia mas ele não conseguia enxergar.

Em um programa de perguntas e respostas, se essa mesma história se passasse ambientada nos Estados Unidos, mais precisamente em Nova Iorque, a maioria dos cinéfilos e cinéfilas diria que se tratava de um filme do Woody Allen.

Crítica | ‘Dele & Dela’ – Final surpreendente não esconde o comodismo da conveniência

As séries 2026 estão começando a chegar pelos streamings! Esse é o caso de Dele & Dela, produção de seis episódios da Netflix, baseada na obra homônima da escritora britânica Alice Feeney. O casal de protagonistas, interpretados pelos ótimos Jon Bernthal e Tessa Thompson, busca lapidar seus intrigantes personagens de forma intensa, despertando um certo desconforto pelos julgamentos morais, em pontos de vistas que avançam pela narrativa.

Reunindo personagens ambíguos, que agem de forma totalmente imprevisível, e envolvidos em um suspense que só se define nos minutos finais do último episódio, essa minissérie apresenta camadas que avançam desde as formas de lidar com uma tragédia avassaladora até as linhas tênues da ética profissional. Pena que o roteiro, muitas vezes conveniente, com coincidências se amontoando e coadjuvantes escanteados, não consegue explorar ao máximo os assuntos relevantes que se apresentam.

Após um período de luto, o detetive Jack (Jon Bernthal) busca seguir com sua vida, morando na cidadezinha onde nasceu, ao lado da irmã e da sobrinha. A aparente calma de sua rotina é totalmente abalada quando um brutal assassinato, de uma pessoa que ele conhece, acontece em uma região afastada da cidade. Ao mesmo tempo, sua esposa, a jornalista Anna (Tessa Thompson), que sumiu durante um tempo, volta à cidade para a cobertura do caso. Aos poucos, vamos percebendo que esses personagens escondem segredos que vão ditar o ritmo dessa história, nos conduzindo a um final surpreendente e que diz muito sobre a palavra vingança.

Esse é um projeto que é bem fácil o decifrar de suas reflexões, mesmo com o desfecho imprevisível que apresenta. Nosso olhar para a trama se constrói a partir de dois personagens completamente diferentes, que tem um passado íntimo, mas se encontram em outra fase da vida. A questão do luto é a que logo chega, trazendo as formas como lidamos com esse momento apresentadas em duas óticas. Depois, a ética profissional é exposta de forma escancarada, seja pelas ações inconsequentes do policial, seja pela ambição ligada ao sensacionalismo televisivo. Esses dois pontos são, de longe, as camadas longe da superfície que o roteiro consegue acessar.

O ponto que deixa a desejar é um certo comodismo na conveniência. A minissérie acelera a narrativa para um suspense no qual a construção dramática, algumas vezes, dá espaço para coincidências e soluções fáceis – algo que pode tirar a paciência de muita gente. Isso acontece, talvez, por conta de um final que realmente surpreende, como se esse trunfo nas mãos fosse o suficiente para segurar a total atenção durante os seis episódios.

Dele & Dela busca ser um suspense daqueles que a maior parte do público adora, com um plot twist bombástico que vai dar o que falar. No entanto, ao longo dos episódios, altos e baixos são perceptíveis, parece que falta desenvolvimento de algumas peças para esse labirinto de surpresas realmente causar impacto.

Crítica | Boa Noite – A vida de um homem conhecido pela sua voz

Tudo que é feito sem emoção, não funciona. Mais de 8.000 ‘boa noite’ durante quase todos os dias para milhões e milhões de pessoas. 27 anos apresentando o Jornal Nacional (Entrou para o Guiness Book essa marca inclusive). Uma voz marcante e inconfundível. Exibido no excelente festival (um dos melhores do Brasil) É Tudo Verdade, de 2020, Boa Noite (título melhor não tinha né?), dirigido pela cineasta Clarice Saliby, não deixa de ser, antes de tudo, uma grande homenagem a esse comunicador tão importante de nosso país, Cid Moreira. Narrando a própria trajetória nesse projeto, Cid é um daqueles personagens brasileiros fantásticos. Ao longo dos menos de 80 minutos de projeção e em busca de uma ‘desconstrução mitológica’, o documentário apenas consegue navegar por imagens históricas, que reflete e acompanha os rumos do Brasil ao longo das últimas décadas.

O homenageado foi um dos responsáveis em transmitir ao público dezenas de fatos marcantes, como: A morte de John Lennon, o desastre de Chernobyl, renúncia de Mikhail Gorbatchov, impeachment de Collor entre outros tantos momentos históricos não só do Brasil mas da história mundial. Tudo começou na rádio, em 1944, com 17 anos quando conseguiu um emprego na Rádio Difusora, em Taubaté. Dono de uma voz conhecida, um dom, sempre esteve perto de inúmeras curiosidades que o filme não mostra muito, apenas se dedica em grande parte a como Cid está hoje, depois dos 90 anos, sua paixão pelos esportes (principalmente o tênis), andando todo dia na esteira, fazendo sauna também todos os dias, anotando cada detalhe do seu dia. Talvez nessas anotações de Cid teria várias possibilidades de um documentário mais carismático, profundo.

Longe de ser um trabalho ruim, Boa Noite apenas não consegue ir além de uma superfície, quando muito mais profundo se tornaria mais interessante. Mas vale pela homenagem desse curioso, um eterno aprendiz. Fica claro isso quando Cid pergunta sobre as filmagens a todo instante, dando palpites e tudo. E um outro detalhe, pela voz dele ser tão marcante e praticamente constar em todo o filme com forma de narração, se fecharmos os olhos, o projeto poderia se passar por um grande podcast filmado.

O que de melhor já estreou em 2026 no streaming: 10 dicas de filmes ou séries!

Chegamos à metade do primeiro mês de 2026, e algumas novidades já foram adicionadas em alguns dos streamings disponíveis no Brasil. Entre aguardadas segundas temporadas, um ótimo curta-metragem brasileiro e uma história carismática sobre a descoberta do amor, separamos abaixo algumas opções que servem como sugestão para você assistir e tirar suas próprias conclusões:

 

The Pitt – 2ª Temporada (HBO MAX)

Logo no primeiro dia de um grupo de novos residentes em um hospital escola de Pittsburgh – conhecido como The Pitt – uma série de complicadas situações se mostram à disposição de novas e experientes pessoas que escolheram a medicina como ofício. Ao longo de 15 horas, acompanharemos as batalhas morais e escolhas difíceis de homens e mulheres que podem ser a última barreira entre a vida e a morte.

 

De Férias com Você (Netflix)

Dois amigos de longa data, que se encontram anualmente para férias em lugares que nunca visitaram, começam a se questionar sobre a relação que vivem.

 

Amor no Escritório (Netflix)

Nessa comédia que entrou há pouco tempo na Netflix, acompanhamos uma dedicada funcionária de uma empresa que conhece um homem às vésperas de, provavelmente, ser efetivada para um cargo maior, mas precisa lidar com uma surpresa: ele é o filho do chefão da empresa.

 

Fabrizio Corona: A Notícia Sou Eu (Netflix)

Nessa impactante série documental, lançada no início de 2026 na Netflix, acompanhamos a trajetória de Fabrizio Corona, um homem que conseguiu marcar seu nome no universo dos famosos, sobretudo por estar sempre à frente de escândalos envolvendo várias celebridades.

 

Beast Games – 2ª Temporada (Prime Video)

Baseado em um vídeo viral e também na série de ficção Round 6, chegou na Prime Video um reality show empolgante que leva competidores vindos de todos os lugares dos Estados Unidos na busca por um prêmio milionário. Mas a tarefa não é nada fácil! Provas em grupo, elos e confianças sendo quebrados, sorte, inteligência emocional são algumas das variáveis que encontramos em Beast Games.

 

Garota Sequestrada (Paramount Plus)

Prestes a concluir o ensino médio, duas irmãs gêmeas se veem em possíveis estradas diferentes para o futuro. Acontece que, um dia, uma delas é sequestrada pelo próprio professor e acaba ficando presa em um cubículo por anos, um acontecimento que muda para sempre a vida de muitas pessoas.

 

All Her Fault (Prime Video)

Marissa (Sarah Snook) é uma empresária bem-sucedida que leva uma vida confortável ao lado do marido, o investidor Peter (Jake Lacy), na cidade de Chicago. No entanto, toda a aparente perfeição e sucesso da família é colocado em xeque quando o filho do casal é sequestrado por uma mulher misteriosa. A partir desse ponto, pessoas próximas ao casal passam a se tornar suspeitas, nos guiando para desenrolares bombásticos que afetam a vida de todos os personagens.

 

Custe o que Custar (Netflix)

Simon (James Nesbitt) é um consultor financeiro bem-sucedido, pai de três filhos, que vive feliz ao lado da esposa, a pediatra Ingrid (Minnie Driver). Só que toda a aparente calmaria na família esconde um grave problema: a filha mais velha, Paige (Ellie de Lange), se tornou uma viciada em drogas e sumiu de casa faz alguns meses. Na busca por seu paradeiro, Simon é envolvido em uma estrada onde situações o levam ao limite do desgaste emocional.

 

Dele & Dela (Netflix)

As séries 2026 estão começando a chegar pelos streamings! Esse é o caso de Dele & Dela, produção de seis episódios da Netflix, baseada na obra homônima da escritora britânica Alice Feeney. O casal de protagonistas, interpretados pelos ótimos Jon Bernthal e Tessa Thompson, busca lapidar seus intrigantes personagens de forma intensa, despertando um certo desconforto pelos julgamentos morais, em pontos de vistas que avançam pela narrativa.

 

Amarela (Globoplay)

No dia 12 de julho de 1998, a equipe masculina de Futebol Brasileira enfrentou a França na final da Copa do Mundo. Para Erika, uma adolescente nipo-brasileira, esse dia se torna marcante ao despertar conflitos emocionais profundos.

Crítica | Alice e o Prefeito – Os devaneios do caminhante solitário

Um político cansado, que não consegue mais pensar. Uma jovem que volta à França depois de alguns anos e vai trabalhar nos bastidores da política mesmo não tendo nenhuma experiência dessas antes. Escrito e dirigido pelo cineasta parisiense Nicolas PariserAlice e o Prefeito, que chega aos cinemas dia 27 de maio, transforma os maçantes e embaralhados temas da política em crônicas sociais com paralelos utópicos e o entendimento das razões práticas surgindo muitas vezes através de grandes pensamentos desse e de outros séculos.

Na trama, conhecemos Alice (Anaïs Demoustier), uma jovem formada em letras que consegue um emprego na prefeitura de Lyon. Recrutada para uma vaga inexistente e logo em seguida recrutada para outra, acaba sendo uma das pessoas mais próximas do prefeito Paul Théraneau (Fabrice Luchini) sendo responsável em pouco tempo por pautas importantes como discursos dele. Assim, somos testemunhas de debates com argumentações didáticas sobre esquerda, direita, progressistas, socialistas, dentro dos bastidores tumultuados e sempre exigentes da prefeitura dessa grande cidade francesa.

A experiência na política acaba fazendo a protagonista entrar em certo colapso emocional passando a ter mais dificuldades para achar o sentido de como chegou até ali. Crise existencial? Sim, o filme toca nesse tema a todo instante seja na ótica do experiente e já perto da aposentadoria prefeito, seja na da jovem fera em filosofia de 30 anos, com sua visão de fora, não acostumada às práticas políticas. E falando nesses extremos de visões sobre a vida por conta da distância das gerações, o roteiro é sublime em conseguir achar os pontos de interseção e transformá-los em agradáveis diálogos, alguns até mesmo esclarecedores sobre situações políticas europeias atuais. Temas como a modéstia (o mais objetivo contraponto do senso comum da arrogância) e a filosofia como terapia são colocados aos nossos olhos, além de inúmeras definições sobre o que seria uma ideia.

Os contornos desenvolvidos dentro de paralelos elevam a qualidade desse longa-metragem, ganhador do prêmio de Melhor Atriz na última edição do Oscar Francês (o Cesar). Dentro disso, um interessante paralelo com a arte é exibido em forma de debates sobre a literatura de clássicos, pinturas, na ópera até mesmo nas reflexões sobre a perda do crédito local que afeta formas civilizadas de vida. Um filme que poderia ser bem chato se torna uma leve e grande aula sobre a existência.

Crítica | ‘O Fantasma da Ópera’ – Bressane e companhia revelam suas mágicas como verdadeiros ‘Mister M’ do cinema [Mostra de Cinema de Tiradentes]

Filme de abertura da 29ª Edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, o curta-metragem O Fantasma da Ópera é um exercício fascinante – e também desafiador – pela metalinguagem através do próprio processo criativo. Decifrando, em imagens e movimento, o universo audiovisual por trás das câmeras, vamos caminhando pela subjetividade, pelas percepções e interpretações de um mundo mágico, repleto de possibilidades e significados.

29ª MOSTRA TIRADENTES - Abertura Oficial - Foto Jackson Romanelli/Universo Produção
29ª MOSTRA TIRADENTES – Abertura Oficial – Foto Jackson Romanelli/Universo Produção

Com cerca de 25 minutos de projeção, e tendo como base (também um espelho) as filmagens de seu novo trabalho, Pitico – projeto protagonizado pelo veterano Paulo Betti, o cineasta de 79 anos Júlio Bressane, ao lado Rodrigo Lima, provoca o público a todo instante com uma obra que lembra um making of, mas que encontra nas sutilidades suas grandezas.

Não há questionamentos: a graça está na revelação por trás do nascer de uma narrativa, no modo como é contada uma história, algo que acaba refletindo sobre o próprio cinema. Esse convite aos espectadores, à obra e sua construção, nasce da relação de Bressane e sua equipe, que abrem as portas de seus imaginários, mostrando como uma ideia vira movimento em uma tela grande.

O Fantasma da Ópera, de Júlio Bressane e Rodrigo Lima
O Fantasma da Ópera, de Júlio Bressane e Rodrigo Lima

Pela sensibilidade de um artista renomado, vamos entendendo alguns contextos que atravessa histórias contadas, nos colocando em um papel – nada incômodo e contemplativo – de observadores do que pode acontecer no ‘por trás das câmeras’. Bressane e companhia revelam sua mágica como verdadeiros ‘Mister M’ do cinema. Algo fascinante, que instiga um epicentro reflexivo de qualquer pessoa nos primeiros passos no trabalho audiovisual: o sonhar.

8 ótimos filmes sobre Amores Proibidos

Felicidade não existe, o que existe na vida são momentos felizes. Vem chegando mais um dia dos namorados e isso nos faz refletir sobre as inúmeras histórias de amor que lembramos de ter conferido na tela do cinema (ou na televisão de casa). Mas nem sempre essas histórias possuem finais felizes, há drama, preconceito, obstáculos ligados à tradições, muitas vezes somos testemunhas de uma não aceitação de um sentimento tão puro e bonito como o amor, isso dilacera nossos corações mas nunca deixamos de refletir.

Buscando fugir um pouco de filmes lógicos e já contidos em listas parecidas por aí na imensidão da internet, abaixo temos oito filmes completamente diferentes que de alguma forma circulam na questão dos amores proibidos.

 

A Amante (2016) – (Tunísia)

Não há prazer em fazer aquilo que você não gosta. Escrito e dirigido pelo cineasta tunisiano Mohamed Ben Attia, estreou no circuito brasileiro anos atrás o ótimo Inhebek Hedi que aqui veio a tradução de A Amante. Ao longo dos cerca de 90 minutos de projeção, acompanhamos uma certa jornada pela solidão, percorrida pelo infeliz protagonista que acaba ganhando a chance de voltar a sorrir por conta de um verdadeiro amor. Fugindo dos clichês sobre cultura e tradição, o foco do roteiro é inteiramente na construção profundo de um impactante personagem principal. Um belo trabalho que foi exibido no Festival de Berlim em 2016.

Na trama, conhecemos Hedi (Majd Mastoura) um representante de vendas da Peugeot que vai se casar (em um casamento arranjado) com uma mulher que fala várias noites em seu carro, escondido de todos. Filho não favorito, se sente abandonado em seus desprazeres por uma vida toda comandada pelos objetivos da família, como marionete de sua mãe. Certo dia, após ser enviado a uma região onde precisa ficar hospedado em um hotel, acaba conhecendo Rym (Rym Ben Messaoud) uma carismática funcionária do lugar. A partir desse encontro, o protagonista precisará passar por escolhas que envolvem a todos ao seu redor.

O amor interrompe as barreiras não só da timidez mas dos sonhos. É bonito de assistir a forma como isso é mostrado no filme. Triste e perambulando dentro do seu carro, Hedi passa por uma desconstrução até a chegada de seus melhores momentos. No início não tem autonomia para nada em sua vida, as expressões do personagem dizem várias coisas, são entrelinhas óbvias e bastante nítidas. A arte sempre esteve presente em sua vida através dos desenhos que faz, praticamente expressa suas emoções para poucos através das imagens que produz. Quando resolve buscar sua própria história, mesmo ainda preso e em dúvida por conta das tradições, se arrisca e o filme ganha contornos de escolhas onde do lado de cá da telona ficamos torcendo para um final feliz. Mas o que seria um final feliz né?

Há tanto guardado dentro do protagonista que a cena impactante num dos diálogos com sua mãe, já em um dos arcos finais é de uma força impactante, fruto também da atuação primorosa do ator tunisiano Majd Mastoura. Um belo trabalho que merece ser conferido por todos que gostam de boas histórias.

 

* Está no catálogo da Amazon prime Video *

 

Atlantique (2019) – (Senegal)

Em seu primeiro trabalho como diretora, a cineasta francesa Mati Diop consegue reunir elementos físicos e sobrenaturais para nos contar uma história de amor pouco convencional que acontece em Dakar, no Senegal. Em meio a uma paisagem e arcos que remetem ao grande oceano que banha a parte da cidade onde se passa a trama, Diop e suas lentes conseguem uma incrível conexão com quem assiste do lado de cá da telona. Disponível no catálogo da Netflix, o filme levou o grande prêmio do Júri em 2019 no prestigiado Festival de Cannes.

Na trama, conhecemos a jovem Ada (Mame Bineta Sane), uma mulher que vive seus dias atuais na expectativa do casamento arranjado por um homem que não ama. Ada, esconde outra paixão, se encontra escondida com seu grande amor Souleiman (Ibrahima Traoré) sempre que possível. Quando Souleiman resolve, sem avisá-la, partir pelo oceano atrás de uma vida melhor, a vida de Ada ganha novas e curiosas passagens.

Abordar o sobrenatural de maneira interessante é um trabalho para poucos, e esse fato é a grande reviravolta do filme que caminha lentamente pelos detalhes do ambiente deixando surpresas como migalhas em uma trilha até o seu clímax. Dentro do contexto desse bom projeto, o amor é visto de uma ótica bonita através do sentimento, das afinidades, além claro de ótimas pitadas de críticas sobre a condição social da região, costumes e crenças.

Atlantique é um trabalho para ser apreciado. Um pequeno tesouro perdido nos milhares de lançamentos dos streamings. É um filme que cinéfilo tende a gostar, os contornos narrativos transbordam emoções puras que viram paralelos à nossa realidade.

 

* Está no catálogo da Netflix *

 

 

A Linha Vermelha do Destino (2019) – (Argentina)

A paciência dos acasos na hora errada. Envolvendo lendas, encontros e desencontros, o romance argentino A Linha Vermelha do DestinoEl Hilo Rojo, no original, escrito e dirigido pela cineasta Daniela Goggi baseado na obra homônima de Erika Halvorsen, é um filme com arcos que cansam na melosidade mas provocam raciocínios profundos por conta de uma maturidade para falar de um assunto que gera dor e sofrimento para aqueles que gostam de finais felizes. Os protagonistas, interpretados por Eugenia Suárez e Benjamín Vicuña possuem uma grande harmonia em cena, não beira ao imaginário, muito perto do real. Está disponível no catálogo da Netflix.

Na trama, conhecemos a aeromoça Abril (Eugenia Suárez) que durante um voo acaba se apaixonando pelo sonhador e empreendedor do ramo dos vinhos Manuel (Benjamín Vicuña). Após um desencontro no desembarque, um longo hiato se passa mas o destino quis que eles voltassem a se encontrar, agora, em outras condições, os dois casados e assim, escolhas precisarão serem tomadas por essas duas almas gêmeas.

A questão da maturidade que os dois amantes tentam lidar dentro da situação que estão é um ponto muito interessante a ser analisado. Fugindo dos clichês eminentes, A Linha Vermelha do Destino mostra muitas facetas de um amor quase proibido, ou melhor, impedido, mas que não deixa de acontecer. Há uma delicadeza na condução das sequências, uma lapidada nos arcos (as vezes até demais, deixando chato em alguns momentos) e boas atuações. Os contrapontos existentes viram fábulas do próprio imaginário das duas almas. Qual o destino deles? Finais abertos sempre deixam conclusões para o lado de cá da telona e isso é sempre muito legal.

 

* Está no catálogo da Netflix *

 

Grand Central (2013) – (França/Áustria)

Quando o amor não basta, o medo consome. Para falar sobre as problemáticas nucleares, uma pincelada crítica dos abalos energéticos de muitos países, a diretora Rebecca Zlotowski (em seu segundo longa-metragem) utiliza uma cobertura romântica protagonizada pela musa do cinema francês, Léa SeydouxGrand Central pode ser definido também como a história de homens e seu traiçoeiro trabalho que geram conflitos emocionais, físicos e familiares muito bem reproduzidos na telona.

Na trama, conhecemos Gary Manda (Tahar Rahim), um homem sem objetivos que vive pulando de trabalho em trabalho em diversas cidades. Quando os ventos do destino mudam outra vez sua direção, consegue um emprego em uma usina nuclear na França. Por lá faz novos amigos e conhece um grande amor, Karole (Léa Seydoux), namorada de Toni (Denis Ménochet) um dos que o melhor o recebe na nova cidade. Lutando contra um desejo reprimido, tenta sobreviver a um trabalho perigoso e a um amor proibido.

A conflituosa relação que o destino cravou gira quase que exclusivamente em torno do protagonista, um homem que nunca esteve apaixonado e que vive de maneira intensa sua vida. Nas mesas de sinuca ou na estrada andando como nômade à procura de uma razão para sua existência, encontra no amor seus conflitos mais profundos. Um jogo de paixão, desejo e razão vão se misturando, deixando o personagem à deriva de ações inconsequentes.

Obviamente, a intenção da fita era transmitir e criar uma discussão em cima da problemática e os perigos das usinas nucleares. Só que a história que a princípio viria em segundo plano, o amor singelo e bruto entre dois personagens, acaba tomando o papel de protagonista no processo de interação com o espectador muito por conta da intensidade e competência da atriz Léa Seydoux, iluminada (mais uma vez) em cena.

Longe de ser o melhor filme da coadjuvante principal de Azul é a Cor Mais Quente (nem tão pouco seu filme mais polêmico), Grand Central merece ser conferido por todos os cinéfilos pois consegue encontrar em suas subtramas uma inteligente razão de existência.

 

Desobediência (2017) – (EUA/Reino Unido)

O luto e o amor. Depois de excelentes e elogiados trabalhos nos inesquecíveis, Gloria e Uma Mulher Fantástica, o cineasta chileno Sebastián Lelio enfim chegou ao epicentro das produções mundiais com delicado e interessante projeto DesobediênciaBaseado no livro homônimo, de Naomi Alderman, o filme gira em torno de algumas situações que ligam a morte ao amor. Nos papéis principais, as duas melhores Rachels do cinema atualmente, McAdams e Weisz, essa última também assina a produção do longa.

Na trama, conhecemos a fotógrafa Ronit (Rachel Weisz), uma mulher de meia idade, bem sucedida que mora em nova Iorque. Ronit é de família judia, e brigou com sua comunidade tempos atrás. Quando retorna para casa, após um telefonema avisando sobre a morte do pai, acaba reencontrando a melhor amiga de adolescência, Esti (Rachel McAdams) que está casada com Dovid (Alessandro Nivola). A questão é que Esti e Ronit já viveram uma história de amor no passado e com a volta da fotógrafa, as memórias se acendem, gerando um grande conflito na comunidade onde foram criadas.

Com muita delicadeza e atuações maravilhosas, o filme navega em um tom até certo ponto lento mas com um tipo de ritmo envolvente, utilizando a premissa de que ‘uma cena vale mais que mil palavras’. Falando sobre personagens fortes, a direção de Lelio, já acostumado com mulheres guerreiras em conflito, é uma pequena aula de como dirigir um filme sobre as tensões das emoções. Dividido em arcos bem definidos, com subtramas impactantes, o longa navega nas águas do luto e de uma paixão proibida.

Sobre o luto, vemos a dificuldade da protagonista em voltar para enterrar o pai, rabino, esse, totalmente protegido pela comunidade e crença que sempre acreditou. Mesmo como filha, parece não ter direitos, praticamente como se não existisse para aquele grupo de pessoas. Sobre a paixão proibida, envolve três personagens, o amor entre as duas amigas e um marido que segue lemas e crenças. Passando sobre as liberdades do amar, do ir e vir, do casamento, são muitas as questões que o roteiro traz a tona para pensarmos.

Muito se falou sobre cenas fortes, picantes, que o filme possa ter. Mas Desobediência é simplesmente um bonito filme sobre amor e respeito. Além de tudo, sua cena mais linda e emocionante é uma cena de um abraço simbólico que diz muito sobre a vida e as escolhas dos bem escritos personagens.

 

* Está no catálogo do Telecineplay *

 

Black – Amor em Tempos de Ódio (2015) – (Bélgica)

Os chocantes tempos onde a inconsequência beira ao caos violento de vidas perdidas. Um filme forte, impactante, que mostra a falta de limites do ser humano que só conhece a violência como resposta a qualquer pergunta, Black – Amor em Tempos de Ódio traz para a ficção ações de vândalos, ladrões, traficantes de gangues de jovens em Bruxelas. Há um paralelo com a realidade conforme entendemos nos créditos finais. O filme busca também uma crítica para a ineficácia da polícia nas tentativas de mudanças de comportamentos, em leis não eficientes para o controle de uma situação que está completamente descontrolada. Um explosivo e dramático trabalho da dupla de cineastas Adil El Arbi e Bilall Fallah. Disponível no catálogo do streaming Reserva Imovision.

Na trama, conhecemos Marwan (Aboubakr Bensaihi), um jovem descendente de marroquinos que faz parte de uma gangue que rouba por toda Bruxelas. Em paralelo, conhecemos a também jovem negra Mavela (Martha Canga Antonio) que acaba de iniciar em uma outra gangue, rival da do primeiro. Eles acabam se conhecendo e se apaixonando. Encaram diariamente o certo e o errado bem na frente deles com escolhas podendo serem feitas mas consumidos por razões e emoções que vão desde suas origens até mesmo o eterno conflito do ser humano em ter status, ser o maioral, não importando as formas como se chegam até os objetivos. Mas com a polícia no pé das gangues deles (respectivas) e um eminente confronto violento entre as duas facções, o casal de apaixonados precisará encontrar saídas para se manterem juntos e vivos nessa história.

O subtítulo não poderia ser melhor: O amor em tempos de ódio. Somando a isso, rebeldia, guerras movidas a raça, preconceito, o longa-metragem ao longo de uma hora e meia, mostra a visão de homens e mulheres perdidos na inconsequência, no ganho fácil com um olhar para a violência como algo comum. Dentro dessa ótica, refletimos sobre a tão comentada cultura da violência com exemplos negativos a cada frame. Pelo chocar, Arbi e Fallah buscam o refletir. Até quando jovens, não só na Bélgica, mas pelo mundo, vão perder suas vidas para a banalidade de influências ruins? Onde a sociedade e as forças policiais, que devem proteger, podem se inserir para ajudar nessa situação? Leis mais rígidas? Acompanhamento com psicólogos? Mais tempo no xadrez? Há exemplos de redenção em meio a esse caos? Pra se refletir!

 

* Está no catálogo do Reserva Imovision *

 

Retrato de uma Jovem em Chamas (2019) – França

Estar livre é estar só? Escrito e dirigido pela ótima cineasta francesa Céline Sciamma (do excelente Tomboy), Portrait de la jeune fille en feu, no original, aborda com sensíveis tons delicados um recorte sobre sentimentos e sensualidade em uma época de muitas limitações para as almas femininas. As memórias e as emoções colocam a iminência de um amor com data de validade marcada mas com uma intensidade para nunca se esquecer. O projeto conta com uma direção impecável com direito a uma arrebatadora sequência final, digna de aplausos. Impressionante filme francês, um dos grandes trabalhos dos últimos anos desse país que volta e meia nos brinda com ótimas produções. Indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes, também ao Bafta e ao Globo de Ouro.

Na trama, conhecemos a jovem pintora Marianne (Noémie Merlant) que é contratada por uma mulher (Valeria Golino) para pintar o retrato de sua filha Héloise (Adèle Haenel). Só que essa última não aceita o futuro casamento que já está entrelaçada com um homem em milão e assim, Marianne precisa disfarçar a princípio seus reais motivos do convívio diário durante algumas semanas com Héloise. Só que após muitas conversas, um interesse mútuo vira algo que transborda, transformando dramas em uma paixão arrebatadora.

O filme, que estreou no Brasil em janeiro (ainda antes da pandemia), possui um certo ar misterioso em seus primeiros arcos, acaba virando um grande pedestal onde diálogos sobre imposições da vida em uma época arcaica, cheia de ações nada progressistas onde a mulher não tinha direitos. Os diálogos sobre cultura e pintura e os paralelos com os dramas de uma sociedade reclusa nas tradições encaixam como uma luva no que vivem ou conhecem da vida as protagonistas. A coadjuvante Sophie (Luàna Bajrami), a empregada da casa de Héloise, tem papel importante com sua subtrama, mais uma vez mostrando o papel das tradições e até mesmo rituais em uma época muito distante da que vivemos.

 

* Está no catálogo do Telecineplay *

 

Carol (2015) – Reino Unido

Nomeado a muitos prêmios nas principais premiações do cinema mundial, o trabalho do cineasta californiano Todd Haynes (Não Estou Lá) pode ser, desde já, considerado um grande hino ao amor em uma época recheada de preconceito. No papel título, a sensacional atriz australiana Cate Blanchett que mais uma vez realiza um impecável trabalho. Completando o elenco, e em atuações acima da média também, Rooney Mara e Kyle Chandler.

Baseado no livro The Price of Salt (1952), de Patricia HighsmithCarol é ambientado na década de 50 e conta a história de Carol Aird (Cate Blanchett) uma elegante mulher que vive um casamento de aparências, para os outros diz ainda ser casada mas sua relação com o pai de sua única filha, Harge Aird (Kyle Chandler), já acabou faz tempo. Tendo um histórico de relacionamentos com outras mulheres, Carol se aproxima de encontrar novamente um grande amor quando conhece a vendedora Therese Belivet (Rooney Mara) com quem tem uma linda e inesquecível história de amor.

Uma coisa importante antes de alguns pontos de análise do filme: A personagem principal não é só Carol, Therese Belivet rouba a cena em vários momentos! Descendente de tchecos, Therese é delicada, observadora e que segue seus instintos sem medos. Pelos olhos dessa última, na verdade, que vamos conhecendo as dificuldades da época e grande parte dos ‘clímaxs’ estamos sempre na ótica dessa. Quando as duas estão em cena, o que para nossa sorte são muitas vezes, a troca de olhares entre elas é sempre fulminante, há um interesse forte e recíproco, contido em cada gesto, cada atitude de que vemos ao longo dos 118 minutos de projeção. Blanchett e Mara simplesmente se entregam de corpo e alma em seus papéis.

Carol é uma forte personagem, uma mulher à frente de seu tempo, que causa um verdadeiro e peculiar impacto com sua presença. Quando uma questão jurídica chamada Cláusula da moralidade é presente na trama, vemos um dos maiores absurdos da justiça norte-americana, fruto do preconceito de uma época que não respeitava o amor entre pessoas do mesmo sexo. Mandante desse processo contra Carol, Harge Aird, interpretado pelo ótimo Kyle Chandler, que, entre um drink e outro, não admite perder a esposa, ainda mais para outra mulher, assim, a confronta o tempo inteiro. Pena que o filme não vai muito profundamente nesse briga de emoções, dariam ótimas cenas que deixariam a personagem melhor compreendida.

O longa-metragem concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes. Além da história muito bonita, uma adaptação muito profunda e interessante, Blanchett e Mara simplesmente valem o ingresso. Belo filme!

 

* Está no catálogo da Amazon prime Video *

 

10 filmes ou séries para assistir antes do Super Bowl!

No dia 08 de fevereiro de 2026, será disputado o principal evento entre todos os esportes norte-americanos: a final do Futebol Americano, também conhecida como Super Bowl. Esta edição, de número 60, será disputada no belíssimo Levi’s Stadium em Santa Clara, Califórnia. Além do aguardado confronto entre Seattle Seahawks e New England Patriots, o que mais chamam a atenção são os shows musicais.

Neste ano, nesse que está entre os eventos esportivos mais assistidos do mundo, e terá a transmissão do SporTV e ESPN, a responsabilidade da cerimônia de abertura ficou com a banda mundialmente conhecida Green Day. Já o hino nacional será interpretado pelo cantor Charlie Puth, enquanto a grande atração do dia – o show do intervalo – ficará por conta do rapper e cantor porto-riquenho Bad Bunny.

Para você que está ansioso e ama o universo do futebol americano, separamos abaixo alguns interessantes filmes ou séries que transpiram toda a força desse esporte, que cresce a cada ano no Brasil:

 

Elway (Netflix)

Documentário lançado no fim do ano passado pela Netflix revela curiosidades sobre a vida e a carreira de um dos maiores nomes da história do futebol americano: John Elway.

 

A Dinastia: New England Patriots (Apple Tv Plus)

O período mais vitorioso de uma equipe de futebol americano, a dinastia do New England Patriots, comandado por Tom Brady dentro de campo e Bill Belichick fora dele, é passado detalhe a detalhe, repleto de polêmicas, do auge até a queda, tendo depoimentos de muitos de seus protagonistas.

 

A Luta de Steve (Prime Video)

Nesse belíssimo documentário, somos apresentados ao personagem título, Steve Gleason, que aos 34 anos de idade – e já aposentado de sua profissional de atleta de futebol americano -, é diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, uma doença neuro degenerativa.

 

Friday Night Lights

Um dos seriados mais impactantes dos anos 2000, Friday Night Lights nos leva até uma cidade do interior dos Estados Unidos e os dramas de jogadores e o treinador de um time de futebol americano do colégio. O projeto é baseado na obra Friday Night Lights: A Town, a Team and a Dream do jornalista Buzz Bissinger.

 

Chad Powers (Disney Plus)

Russ Holliday (Glen Powell) era uma polêmica estrela do futebol americano universitário quando, em um jogo decisivo, comete uma gafe – pior que um gol contra – ficando marcado nos anos seguintes pela jogada bizarra. Sem conseguir alcançar seus objetivos e completamente perdido na vida, ele resolve apostar todas suas fichas ao se disfarçar de Chad Powers: um jovem tímido e um jogador brilhante, conseguindo uma vaga em um time que só acumulava derrota antes de sua chegada. Para manter o disfarce, conta com a ajuda do novo amigo Danny (Frankie A. Rodriguez).

 

Um Homem Entre Gigantes (Sony One)

Ao longo dos 123 minutos de projeção, acompanhamos um médico chamado Bennet Omalu (Will Smith) que, após examinar um ex-jogador de futebol americano, descobre a encefalopatia traumática crônica (ETC) que, segundo os estudos realizados, muitos jogadores de futebol americano já tiveram, tem ou terão. Tentando alertar outros jogadores e a toda uma sociedade que idolatra o esporte, o médico, com a ajuda de outros profissionais que acreditam nesses estudos, decide publicar um artigo em uma prestigiada revista científica.

 

A Grande Escolha (Lionsgate +)

Lançado anos atrás, e último projeto do grande cineasta Ivan Reitman, A Grande Escolha, protagonizado por Kevin Costner, nos mostra os bastidores de um momento importante para todas as equipes da NFL, o draft (escolha dos jogadores das faculdades para jogar nos times profissionais), aos olhos de um gerente geral de uma franquia necessitada de bons resultados.

 

Um Domingo Qualquer (HBO MAX)

Um dos filmes mais conhecidos, tendo como pano de fundo o universo do Futebol Americano, Um Domingo Qualquer e seu maravilhoso elenco nos mostram os bastidores intensos desse esporte multimilionário. A direção é do craque Oliver Stone.

 

Jerry Maguire – A Grande Virada (HBO MAX)

Na trama, conhecemos Jerry Maguire (Tom Cruise), um badalado empresário de esportistas que vai do céu ao inferno quando, no auge da carreira, é demitido da empresa onde trabalha. Buscando um recomeço no mercado competitivo que está, vai em busca de firmar parceria com um jogador de futebol americano chamado Rod (Cuba Gooding Jr.). Nessa jornada, Jerry contará com a ajuda da ex-secretária Dorothy (Renée Zellweger), com quem viverá um grande amor.

 

Aaron Rodgers: Enigma (Netflix)

Em alguns episódios, esse projeto disponível na Netflix mostra um pouco dos altos e baixos da carreira de um dos maiores quarterbacks dos últimos tempos, Aaron Rodgers.

 

E aí, querido cinéfilo?! – Nossa Coluna de Entrevista | Parte 36: Paulo Fontenelle

Nessa vida temos encontros e desencontros. A internet veio para bagunçar isso tudo e para quem é esperto conseguir se aproximar de ídolos ou apaixonados por cinema que nunca teria a chance de conhecer os pensamentos se a distância entre os dois pontos não existisse, como é agora no planeta internet. Dividir curiosidades sobre o gosto cinéfilo é um grande exercício que todos nós cinéfilos adoramos descobrir. Esse especial chega exatamente para apresentar universos diferentes do seu mas sempre com um grande amor ao cinema como o seu.

Produtor, roteirista e diretor. Paulo Fontenelle tem uma vasta carreira no audiovisual brasileiro. Grande cinéfilo, já dirigiu documentário, filme de suspense, comédia, além de seriados, um inclusive rodado dentro de um cinema. Sempre tranquilo e bom de papo, o nosso convidado de hoje tem muita coisa boa para nos contar. Uma grande honra ter o Paulo aqui nesse nosso especial.

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação?

Detalhe o porquê da escolha. Artplex. Porque tem uma programação variada, tantos com filmes de arte quanto com filmes comerciais.

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

 E.T. – O extraterrestre.

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Difícil nomear um diretor favorito, pois eu sou um cara que gosto dos mais variados gêneros. Vou desde Terrence Malick até SpielbergKubrick, Bunel, Coppola, George Lucas, Tornatore, Hitchcock, Capra, Chaplin, Kusturica, Sabu, Wong Kar Wai, Park Chan-Wook, John Hughes, Bergman, Blake Edwards. A lista segue imensa, não tenho como nomear um diretor só.

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê? 

Sou péssimo nessa questão de filmes favoritos. Não tenho aquele filme que me marcou acima de todos os outros. Penso em vários, temos vários filmes brasileiros geniais.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Ser cinéfilo sempre foi gostar de ver muitos filmes, dos mais variados gêneros e formatos, mas hoje também adoro séries. Então acho que o termo tomou um significado maior, em relação ao audiovisual como um todo.

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

De cinema em si, não. Mas com certeza por pessoas que entendem do business cinema e do que tem mais chance de retorno de bilheteria. Entendo que o foco das salas de cinema é (e precisa ser) esse, o de vender ingresso, mas as vezes sinto falta de um risco maior, principalmente por filmes brasileiros.

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Não. Cinema é um ritual. É algo que você faz com seus filhos no final de semana. Cinema não é só ver filmes, é sair de casa, comprar o ingresso, a pipoca, o lanche. Meus filhos farão com os deles e assim por diante. É eterno.

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Tem um milhão de filmes desconhecidos que nem entram em listas cults. Mas o que me vem a cabeça imediatamente e que acho que quase ninguém viu é o Postman Blues do Sabu.

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Acho que sim. Com higienização e distanciamento entre os espectadores, mas acho difícil as pessoas irem ao cinema antes da vacina.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Acho que está melhorando, mas ainda temos muito a crescer. O problema do cinema brasileiro é cultural, de formação mesmo. O grande problema é que as referências de nossos profissionais são novelas e teatro, porque isso foi o mais forte no Brasil por muitos anos. Agora está mudando, mas as séries estão ganhando mais força do que os longas. Eu fui professor em uma universidade de cinema e senti na pele o complicado dessa formação. Além do que, temos poucas oportunidades para os jovens que estão começando. Mas acho que de uns anos pra cá temos melhorado muito em qualidade técnica e produzido muita coisa legal.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Engraçado que eu não tenho essa cultura da idolatria. E então não tem ninguém que eu não perca um filme. Mas tem sempre os que chamam mais sua atenção.

12) Defina cinema com uma frase: 

A melhor terapia de todas.

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

Engraçado. Estou aqui tentando lembrar de uma história, mas tá difícil. Quando vou ao cinema não me ligo muito no universo a minha volta. Desligo mesmo. O que é ótimo. Claro que já vi bebês chorando, pessoas que não calam a boca, brigas por causa de celular e porque pessoas insistem em chutar nossas cadeiras, mas nada muito fora do comum. Um amigo me contou sobre dois caras que chegaram as vias de fato por causa disso e as namoradas, ao invés de apartar, acabaram brigando também, mas eu não estava nessa sessão. Uma história triste e desesperadora (Rs) foi quando eu fui ver Vingadores: Guerra infinita. Eu fui sozinho e fiz questão de ir numa segunda de tarde, pra pegar o cinema vazio. Na bombonière tinha uma promoção de coca-cola 500ml, como o filme era longo, acabei comprando. O problema foi que coca-cola associada ao ar condicionado super frio (por conta do cinema vazio) é o maior diurético do mundo. A vontade insuportável de fazer xixi demorou, mas surgiu assim que o Thanos chegou em Wakanda. O problema é que ainda teve uns 20 minutos de filme. Levantei rapidamente depois que ele estalou o dedo, mas lembrei da cena pós créditos e sentei de novo. Acho que foram os maiores créditos de filme da minha vida e talvez um dos xixis mais aliviadores. Kkkkkkkkkk

 

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras…

Coisas que só o cinema permite que aconteçam.

15) Você é cineasta. Qual dica você daria para os jovens que sonham em ser diretor de cinema? O mercado audiovisual no Brasil é muito complicado?

Eu não mentiria. Nosso mercado é muito complicado mesmo. Pra fazer cinema no Brasil você precisa ter muita certeza do que quer. E então se for realmente o que você deseja, o primeiro conselho é ver filmes, ver making ofs, se informar o máximo que você possa sobre técnicas e sobre teoria. E então procure participar de produções, fazer assistências, trabalhar com pessoas legais. E seja sempre humilde. Não, você não sabe mais do que as pessoas que já fazem isso há anos só porque você viu mil filmes e tem um bom gosto cinematográfico. Seja humilde, escute as pessoas, aprenda. Seu maior erro será sempre o seu ego. Ele vai te fechar portas, te afastar de pessoas legais. Meu principal conselho é a humildade.

16) Você tá com um filme fraquinho aí pra ser lançado, um documentário sobre a banda Blitz. Nos fale como teve a ideia desse projeto.

Na verdade o documentário da BLITZ não foi uma ideia minha, foi um convite da produtora Vira Lata, através do produtor Gabriel Correa e Castro. O editor Bruno Miod estava dando aulas de finalcut para o Evandro Mesquita e teve a ideia do filme. Eu estava escrevendo o roteiro do documentário do Palace 2 para a Vira Lata na época, já conhecia o Gabriel há muito tempo e ele conhecia o meu trabalho como documentarista, então rolou o convite. E foi uma experiência incrível, não só fazer o filme em si, mas a parceria com o Gabriel e toda a equipe. Tanto que já temos outros projetos juntos em desenvolvimento. A história da BLITZ é única. A maior parte das pessoas só conhece a banda, as músicas, mas não tem ideia da revolução que ela causou na música brasileira, Não tem noção de que, se não fosse a Blitz, talvez não tivesse acontecido o Rock BR, que veio logo depois e revelou tantas bandas que nós amamos. Fora isso, quando eu faço um documentário me envolvo muito com meus documentados. É natural que criemos uma relação, porque eu acabo entrando na intimidade de suas vidas. Pode me aproximar de pessoas de quem fui fã quando criança foi demais. A Blitz foi a união de vários gênios da música, do teatro, do design e do audiovisual.  São tantos nomes que eu nem tenho como listar aqui sem deixar ninguém de fora.

 

17) Qual o pior filme que você viu na vida?

Já vi muitos filmes ruins, mas o que me marcou ultimamente como uma das piores coisas que já vi (senão a pior) foi o final de uma série chamada Transparent. Eles fizeram um episódio longa-metragem de duas horas de duração para encerrar a série, pois tiveram problema com o elenco. É horroroso. A série mistura, em suas temporadas, drama, comédia, conteúdo forte. Esse longa final é um musical idiota e o pior é que não respeita nada o que vimos do desenvolvimento dos personagens durante 4 ou 5 temporadas. Pra você ter uma ideia, uma mulher, que vimos como um rabina judaica om problemas de relacionamento, mas uma pessoa normal, começa a dançar do nada, vestida de sado masoquista e o pior, ela faz parte de um “clube” para meninas que ficaram menstruadas. É realmente o pior de todos, indescritível.

18) Você foi o diretor de um seriado que se passa em um cinema. Você pode falar mais sobre esse projeto e quando lança?

Sim. Coincidentemente acabei de trabalhar em dois produtos audiovisuais que tem relação direta com salas de cinema. A série Cinema Café e um filme de terror. A série conta a história de um casal de amigos que investem num cinema de rua e o transformam num multiplex. Ela é focada em filmes comerciais, que façam bilheteria, pois precisa pagar o investimento e fazer a roda girar. Ele é apaixonado por filmes de arte. A guerra dos sexos é inevitável. Cinema Café é uma comédia com grande elenco. Paloma Duarte, Bruno Ferrari, Aline Riscado, Camilo Bevilaqua, Juliana Silveira, Heitor Martinez, Alexandre Lino, Saulo Rodrigues, Rosane Gofman, entre vários outros. Está praticamente pronta, mas o lançamento depende do canal exibidor. Com a pandemia tudo foi adiado e os prazos estendidos. A série foi toda filmada no cinema Reserva Cultural em Niterói, uma locação maravilhosa que, além de ser uma obra de Oscar Niemeyer, ainda por cima tem uma vista linda da Baia de Guanabara.

Mostra de Cinema de Tiradentes: Anúncio dos vencedores encerra mais uma edição histórica do evento

Chegou ao fim mais uma edição histórica de um dos eventos dedicado ao audiovisual brasileiro mais amados pelo público. Em 2026, na sua 29ª Edição, a Mostra de Cinema de Tiradentes apresentou, ao longo de nove dias, mais de 130 produções audiovisuais – programação de qualidade foi o que não faltou!

Foto Leo Lara/Universo Produção
Foto Leo Lara/Universo Produção

Sempre com sessões lotadas, o evento que abre o calendário audiovisual brasileiro mostrou ao público toda sua força num mar de possibilidades de narrativas, capazes de causar impacto em nossas reflexões. Acompanhamos isso tudo de perto! O Cinepop realizou a cobertura dessa fantástica mostra de cinema. Você pode ler todas nossas matérias e críticas nesse link.

Foto Leo Lara/Universo Produção
Foto Leo Lara/Universo Produção

No último dia do evento, na noite de 31 de janeiro de 2026, foram anunciados os aguardados vencedores das diversas categorias, que você confere abaixo:

Prêmio Carlos Reichenbach de Melhor Filme – Mostra Olhos Livres: “Anistia 79” (RJ), de Anita Leandro

Prêmio de Melhor Longa – Júri Popular – Mostra Olhos Livres: “Anistia 79” (RJ), de Anita Leandro

Prêmio de Melhor Curta – Júri Oficial – Mostra Foco: “Entrevista com Fantasmas” (RS/SP), de LK

Prêmio Canal Brasil de Curtas – Mostra Foco: “Grão” (RS), de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa

Prêmio de Melhor Curta – Júri Popular: “Recife Tem um Coração” (RN), de Rodrigo Sena

Menção Honrosa – Mostra Formação: “Diálogo Bulbul” (Sp, RJ, Es, Ba), de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos

Prêmio de Melhor Filme – Mostra Formação: “De Barriga para Cima” (ES), do Instituto Marlin Azul e moradores da Comunidade Quilombola de Monte Alegre

Prêmio Abraccine de Melhor Longa – Mostra Autorias: “Atravessa Minha Carne (GO/DF), de Marcela Borela

Prêmio do Júri Jovem – Mostra Aurora: “Para os Guardados” (MG), de Desali e Rafael Rocha

Prêmio Helena Ignez – Destaque Feminino: “Crash” (RJ), de Gabriela Mureb

Prêmio Cinecolor e O2 Pós – Conexão BCM: “Pedra de Raio” (CE e RJ),  de Lucas Parente e Pedro Lessa

Prêmio CTAV e The End – Conexão BCM: “Bate e Volta Copacabana” (MG), de Juliana Antunes e Camila Matos

Prêmio Málaga WIP – Conexão BCM: “Pequenas Tragédias” (GO), de Daniel Nolasco

Prêmio Sesc em Minas – Work in Progress – Conexão BCM: “Paisagem de Inverno” (MG), de Marco Antonio Pereira

Foto Jackson Romanelli/Universo Produção
Foto Jackson Romanelli/Universo Produção

Impressionante como a Mostra de Cinema de Tiradentes se renova a cada nova jornada; vemos isso de perto em todos os anos em que estivemos presentes. Que venha a já aguardada edição de 30 anos, em 2027! Vida longa a esse evento!

Crítica | Memórias de Um Amor – Stanley Tucci e Colin Firth emocionam em profundo drama

As páginas em branco de um caderno que não consegue ser mais escrito. ‘Memórias de Um Amor‘ (Supernova), escrito e dirigido pelo cineasta Harry Macqueen, em seu segundo longa-metragem na carreira, é um filme sensível que busca uma saída na razão para a melancolia de um momento triste na vida de um casal, na quase hora de dizer adeus. O terrível sentimento de estar ou ficar sozinho. Tudo acaba também girando em torno dessa questão, o desespero vira apenas um complemento iminente nesse quase classificado road movie mas que contorna mais as estradas do coração. Destaque para os excelentes Stanley Tucci e Colin Firth, dois grandes atores em cena. 

Na trama, conhecemos o casal Sam (Colin Firth) e Tusker (Stanley Tucci), que estão juntos fazem décadas e talvez agora enfrentam o momento mais difícil da vida deles, pois o segundo está com uma doença irreversível, perdendo lentamente sua capacidade de lembrar e fazer as coisas. Buscando resgatar memórias resolvem partir rumo estrada à dentro, na Inglaterra, terra do primeiro, à bordo de um trailer equipado, encontrando amigos pelo caminho e assim construindo um desfecho bonito para tantos anos de amor.

O filme, a partir da premissa básica de fortes diálogos, consegue entregar com muita emoção os dois lados dessa história de amor. Buscando alguma resposta nas estrelas, objetos de fascinação que andaram junto com a história do casal, se nutrem de argumentos para um provável confronto entre os dois por conta do que pensam sobre o momento e ações que precisam tomar para segurar os duros obstáculos dos quereres, fruto de reflexões muito maduras sobre a vida, o próximo. Nos desabafos com os amigos, as cartas vão sendo mostradas e segredos abertos. Há momentos duros, onde o espectador fica apreensivo, essa emoção só chega até nós por conta de uma entrega impressionante dos já citados dois grandes atores em cena, comovem e nos fazem refletir sobre a vida.

Nessas linhas do coração, quem fala mais alto é a emoção. As impulsividades de antes parecem encontrar o equilíbrio na constatação da maturidade, na cumplicidade, no amor, nos valores mais que provados do quão importante são amigos e família em todos os momentos mas fundamentais nesses que passam o casal. Percebemos e sentimos o quanto é duro dizer adeus, impossível não se emocionar. E como é difícil dizer Adeus!

10 Filmes com mais climão que almoço pós-treta!

Segredos revelados, tretas de família, são tantas situações que podem acontecem ao nosso redor que nos sentimos em um Big Brother praticamente todos os dias de nossas vidas! Para você que gosta de filmes com bons debates, e surpresas inacreditáveis que chegam após conflitos, segue abaixo uma lista abaixo:

 

Segredos em Família (Reserva Imovision)

Um ambicioso casal, em busca de um empreendimento, leva os pais de uma das partes para visitar uma ilha onde supostamente daria um ótimo hotel. O intuito desse convite é conseguir uma boa parte do dinheiro de entrada desse negócio. Acontece que o responsável pela casa na ilha, após algumas situações constrangedoras com elementos da família, acaba fugindo e deixando o restante das pessoas sem ter como sair da ilha. O que era pra ser um passeio agradável, logo vira um ambiente tenso, onde facetas escondidas logo vem à tona.

 

Um Silêncio (Reserva Imovision)

Na trama, conhecemos Astrid (Emmanuelle Devos), esposa do advogado François Schaar (Daniel Auteuil), esse último trabalhando em um caso midiático onde defende parentes que tiveram os filhos sequestrados. Quando um segredo é aberto, os olhos da justiça se voltam por completo para essa família, deixando Astrid em dúvidas sobre o que fazer.

 

Confissões

Na trama, conhecemos uma família rica que fica completamente abalada com o sequestro da filha mais nova. Quando os sequestradores entram em contato, eles são surpreendidos: os criminosos não querem dinheiro, mas se encontrar com eles, pois, alguém naquela casa, esconde um segredo sobre um ato terrível. Assim, ao longo de uma madrugada, verdades começam a aparecer.

 

Saltburn (Prime Video)

Na trama, conhecemos o recém chegado à faculdade de Oxford, o solitário Oliver (Barry Keoghan), um jovem que parece sofrer com a vida que leva fora daquele lugar. Quando conhece Felix (Jacob Elordi), um jovem milionário também estudante de Oxford, Oliver se vê atraído pelo universo de riqueza e poder. Até que um dia Felix o convida para passar o verão na sua mansão, Saltburn, junto com sua família cheia de peculiaridades.

 

The Humans (MUBI)

Na trama, acompanhamos a reunião de uma família para comemorar o dia de ação de graças no novo apartamento duplex do casal Brigid (Beanie Feldstein) e Richard (Steven Yeun), no centro de Manhattan. Ao longo de uma noite fria, intensa e cheia de situações que beiram ao inexplicável, vamos percorrendo lembranças de todas essas gerações que se chocam refletindo sobre a vida uns dos outros.

 

A Verdade (Diamond Films +)

Na trama, conhecemos Fabienne (Catherine Deneuve), uma excêntrica estrela do cinema francês que resolve lançar um livro de memórias. Isso faz com que sua filha Lumir (Juliette Binoche), que mora nos Estados Unidos, precise ir até a França para visitá-la, junto de seu marido, Hank (Ethan Hawke), um ator de trabalhos coadjuvantes da televisão norte-americana. Chegando na casa de sua mãe e voltando para a rotina de set de filmagens e difíceis conversas, o passado chega forte com assuntos mal resolvidos dentro de uma profunda amargura de ambos os lados.

 

Que Mal Fiz a Deus? (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Claude Verneuil (Christian Clavier) vive seu final de vida ao lado da esposa, com quem tem quatro filhas. A pacata vida deste orgulhoso cidadão francês é completamente abalada quando é apresentado aos pretendentes de suas filhas.

 

Morte no Funeral (HBO MAX)

Lançado em 2007, esse longa-metragem britânico dirigido pelo cineasta Frank Oz, nos mostra surpreendentes revelações de alguns integrantes de uma família que se reúne para um funeral. Matthew Macfadyen e Peter Dinklage estão no ótimo elenco dessa excelente produção.

 

Nimby

Na trama, conhecemos Marvi e Kata, duas jovens que namoram faz um ano, só que ambas ainda não contaram para suas famílias sobre esse relacionamento. Buscando resolver essa situação, aproveitam a ida da mãe de Kata (uma famosa comissária da União Europeia) até a Finlândia para conversar sobre o assunto. Mas nesse meio tempo, Marvi convence a namorada de irem primeiro contar para sua família, no interior do mesmo país. Muitas situações acontecem, mas as famílias das duas se encontram e precisarão de muita compreensão para todos se entenderem.

 

Qual o nome do bebê?

Vincent está prestes a se tornar pai. Ele e sua esposa, Anna, são convidados para jantar na casa de sua irmã, Elisabeth. Chegando lá, encontram Claude, um velho amigo de infância. Nesse encontro, uma confusão é instaurada na sala de estar por conta de perguntas, piadas e opiniões fortes sobre sua futura paternidade, transformando um simples jantar em um verdadeiro caos.

Dia do Rock | Que roqueiros brasileiros mereciam um filme? E quais artistas iriam interpretá-los?

No dia 13 de julho de 1985 um enorme show organizado pelo compositor e cantor irlandês Bob Geldof marcou para sempre o universo da música e também mostrou ao mundo o poder da boa ação. Um show simultâneo em Londres, na Inglaterra, e na Filadélfia, nos Estados Unidos, com bandas de grandes sucessos até aquele momento como: Queen, Elton John, Paul McCartney, David Bowie, Kiss, U2 entre outros, denominado de Live Aid ganhou a atenção de muitas pessoas espalhadas pelo mundo pois tinha o intuito de ajudar a terrível crise na Etiópia, onde muitas pessoas diariamente morriam de fome.

No Brasil, a data marcante para os amantes da música ficou na memória e desde de lá, até hoje, 13 de julho é considerado o Dia Mundial do Rock (comemorado pelo menos em nosso país!). Assim, aproveitando essa data tão querida para todos nós que amamos o universo das guitarras, dos grandes shows, do arrepio que gera a partir de lindas notas musicais resolvemos fazer um exercício musical-cinéfilo, escolhemos alguns grandes roqueiros brasileiros e imaginamos um intérprete para ele caso um filme acontecesse.

 

Raul Seixas

Raul Santos Seixas, chamado de ‘Pai do Rock Brasileiro’ e ‘Maluco Beleza’ nasceu em Salvador (Bahia) em 1945 e simplesmente revolucionou a música tocada nas rádios brasileiras. Cheio de situações malucas na vida pessoal (algumas até letras de canções viraram), o cantor e compositor baiano teve uma vida intensa repleta de histórias para contar. Daria um grande filme!

O escolhido para ser seu intérprete no Brasil: Chico Diaz

O ator brasileiro (nascido na Cidade do México) é um dos mais experientes artistas do universo da TV e cinema no Brasil. Raul Seixas seria um grande desafio na carreira desse baita ator.

 

 

Lobão

Um dos mais polêmicos músicos de toda a cena rock brasileira, João Luiz Woerdenbag Filho nasceu em 1957. Filho de um mecânico e uma professora de inglês. Depois de fazer parte de alguns grupos musicais que estavam surgindo no início de sua fase adulta, começa sua carreira solo com o lançamento de Cena de Cinema, em 1982. Dono de inúmeras polêmicas, daria um baita filme alguma de suas histórias!

O escolhido para ser seu intérprete no Brasil: Alexandre Nero

Conhecido por interpretar o Comendador na novela Império, o ator paranaense de 51 anos atua canta, além de ser multi-instrumentista. Tem mais de 50 trabalhos no currículo em diversas artes que navega. Nos cinemas, interpretou recentemente o protagonista do filme Albatroz (2019). Seria um baita desafio para Nero e daria muito certo nesse papel!

 

Rita Lee

Conhecida como a ‘Rainha do Rock Brasileiro’, Rita Lee Jones de Carvalho nasceu na Vila Mariana (Sâo Paulo) em 1947. Ex-integrantes de emblemáticos grupos musicais na década de 60 (Os Mutantes) e 70 (Tutti-Frutti), Rita participou de movimentos dentro da música e fora dela. Possui a incrível marca de mais de 50 milhões de discos vendidos, considerada por muitos uma das mais bem-sucedidas artistas femininas do cenário musical de todos os tempos.

A escolhida para ser sua intérprete no Brasil: Marjorie Estiano

Essa paranaense de 39 anos é uma das grandes estrelas da TV brasileira. Brilhou logo de cara, em seu primeiro trabalho na televisão, em 2004, com a personagem Natasha, integrante da Vagabanda, em uma das melhores edições do seriado Malhação, onde inclusive canta várias músicas chicletes que as pessoas lembram até hoje. Depois disso grandes sucessos na TV, no mundo das séries e também no cinema como no ótimo As Boas Maneiras de Juliana Rojas e Marco Dutra. Seria uma grande intérprete da rainha do rock brasileiro.

 

Andreas Kisser

Um dos grandes nomes de ótimas formações da banda de rock brasileira mais conhecida no mundo, o Sepultura, Andreas Rudolf Kisser nasceu em 1968 em São Bernardo do Campo. Ele se juntou ao Sepultura no final da década de 80. Esse torcedor fanático do São Paulo Futebol Clube inclusive já trabalhou com trilhas de cinema, nos filmes: No Coração dos Deuses, Bellini e a Esfinge e Bellini e o Demônio.

O escolhido para ser seu intérprete no Brasil: Rodrigo Santoro

Talvez o ator de cinema mais famoso do Brasil ao lado de Wagner Moura, esse petropolitano adora trabalhos desafiantes que sempre testam seu conhecimento e habilidades como ator. Interpretar um dos mais lendários músicos do Rock brasileiro seria um grande desafio além de ter que voltar a deixar os cabelos crescerem!

 

 

Rodolfo (Ex-Raimundos)

Quem nunca ouviu de ‘Mulher de Fases’ ou ‘A Mais Pedida’? Nascido em Sobradinho (Distrito Federal) em 1972, o ex-líder e vocalista de uma das grandes bandas de rock da década de 90, o Raimundos, banda que existe desde 1987, Rodolfo Gonçalves Leite de Abrantes em 2001, anunciou que deixaria a banda, ao se converter ao Cristianismo que o deixou incompatível com o estilo de vida que ele vivia. Com muitas histórias para contar, essa cinebiografia seria algo espetacular.

O escolhido para ser seu intérprete no Brasil: Cauã Reymond

Um dos rostos mais conhecidos quando pensamos em artistas no Brasil, o ator carioca Cauã Raymond vem cada vez mais em sua carreira se dedicando a trabalhos desafiadores no cinema. Um de seus últimos trabalhos no mundo mágico do cinema inclusive foi o papel de protagonista no filme Piedade do aclamado diretor brasileiro Cláudio Assis. Interpretar o Rodolfo poderia ser uma das maiores atuações de toda sua carreira.

 

E aí, concordam? 🙂 Comentem!

 

 

 

Dicas de filmes imperdíveis para assistir em casa: aperta o play e capriche na pipoca!

Nada como chegar em casa, abrir as possibilidades nos streamings e dar um play em uma boa obra cinematográfica. Mas, com tantas opções disponíveis, às vezes perdemos um bom tempo apenas na busca por um bom filme. Se você que está nessa situação, chegou ao lugar certo! Abaixo, separamos alguns ótimos títulos para você conferir no conforto do seu sofá:

 

Eternidade (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Após morrer, uma mulher desperta em um lugar onde as almas precisam definir, em alguns dias, onde passarão a eternidade. Ela só não esperava ter que escolher entre seu último marido – com quem dividiu praticamente toda a vida – e seu primeiro grande amor.

 

Investigando Lucy Letby (Netflix)

Em mais um caso chocante de True Crime que chega à Netflix, Investigando Lucy Letby nos leva até a história de uma jovem enfermeira britânica acusada de terríveis assassinatos. Com imagens inéditas da investigação feita pela polícia de Cheshire, na Inglaterra – incluindo interrogatórios – além de depoimentos de especialistas e pessoas próximas ao caso, o documentário levanta questões jurídicas que aparecem no pós-condenação, principalmente pela forma como as provas foram utilizadas no processo. Aos poucos, vamos entendendo melhor esse caso que chocou o mundo.

 

Se Esse Amor Desaparecesse Hoje (Netflix)

Explorando a sutileza de uma relação sem esquecer de aprofundar em camadas, o longa-metragem sul-coreano Se Esse Amor Desaparecesse Hoje posiciona suas peças em um tabuleiro romântico, em busca daquele pedacinho que deixamos para quem amamos. Dirigido pela cineasta Kim Hye-young, o filme – que rapidamente alcançou o Top 10 da Netflix neste início de 2026 – percorre a juventude abordando temas como bullying, luto e o primeiro amor, a partir de uma conexão profunda que se estabelece entre seus personagens protagonistas.

 

Improvisação Perigosa (Prime Video)

Trilhando com passos largos o caminho de uma comédia camuflada de ‘nonsense’, chegou ao Prime Video um longa-metragem que coloca três aspirantes a comediantes, todos flertando com o fracasso, na linha de frente do perigo.

 

A Virada Errada (Prime Video)

Tudo ia muito bem na vida da musicista Kiia que está prestes a ter o primeiro filho com o marido, o pastor Lauri. No dia em que entra em trabalho de parto, a caminho do hospital, o carro em que estão bate em alguma coisa na estrada. Tempos depois, uma verdade é revelada quando Kiia conhece Hanna, uma mulher que enfrenta a iminente perda do marido.

 

Tickle Head, O Melhor Lugar Da Terra (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Murray French (interpretado pelo sempre fantástico Brendan Gleeson) é um senhor de idade que vive em uma vila de pescadores isolada dos grandes centros. Totalmente ilhados, os moradores passam por grandes dificuldades financeiras. Para tentar mudar esse quadro, Murray precisa achar um médico fixo para a comunidade para que uma grande empresa se hospede no lugar e modifique a vida de todos os moradores. O felizardo é o Dr. Lewis (Taylor Kitsch), que será surpreendido por todos no local.

 

Belos Sonhos (Looke)

Baseado no livro Fai Bei Sogni, de Massimo Gramellini, Belos Sonhos, conta a história de Massimo, um jornalista de um importante jornal que possui um grande trauma, quase uma lacuna não preenchida sobre as lembranças que cercam o falecimento de sua mãe. Percorrendo uma linha do tempo que vai e volta, vamos juntando aos poucos o complexo quebra-cabeça da trajetória emocional de Massimo, com muitas surpresas e momentos de redenção.

 

A Música de John Williams (Disney Plus)

A magia do cinema do cinema também está associada a elementos que muitas vezes não damos devido valor, como a trilha sonora. E quando pensamos nessa questão não podemos esquecer de John Williams. No documentário, lançado no segundo semestre de 2024 na Disney Plus, A Música de John Williams acompanhamos curtos recortes na carreira e vida pessoal desse genial compositor e maestro de 92 anos autor de temas inesquecíveis: Star Wars, Superman, ET – o Extraterrestre, Jurassic Park e tantos outros.

 

A Menina Silenciosa (Reserva Imovision)

Na trama, conhecemos Cáit (Catherine Clinch), uma menina quieta que vive dias tensos com sua família disfuncional e distante em uma humilde casa. Durante o verão do ano de 1981, ela é enviada para a casa de Eibhlín (Carrie Crowley) e Seán (Andrew Bennett), parentes de sua mãe, um casal que perdeu o filho em uma tragédia. Chegando lá, acaba descobrindo um novo sentido de lar, de relação familiar, e assim precisa lidar com novos acontecimentos que abrem o seu leque de percepções sobre a vida.

 

Monster (Telecine)

Na trama, conhecemos Saori (Sakura Andô), uma mãe, viúva, em busca das verdades sobre o recente comportamento do jovem filho Minato (Soya Kurokawa). Ela aciona a escola onde ele está matriculado e seu destino se cruza com o professor Hori (Eita Nagayama), acusado de agredir Minato. Esse é um dos pontos de vistas de uma história que abre seu leque com o olhar de Hori e também o de Minato.

 

10 filmes e 10 seriados para quem quer FUGIR das Olimpíadas

Estamos em época de olimpíadas. A cada quatro anos atletas do mundo todo se preparam para o maior evento esportivo do planeta reunindo os melhores de cada modalidade em busca do tão sonhado ouro olímpico. Nesse ano, atípico e ainda em pandemia, envolto de muitas polêmicas, as olimpíadas acontecem em Tóquio, no Japão. Aqui no Brasil, por conta do fuso horário, para acompanhar algumas modalidades somente pela madrugada.

Mesmo torcendo para as e os atletas brasileiros, para nós cinéfilos são semanas como outras qualquer, vamos nos jogar em filmes e seriados, mas sempre mandando energia positiva para a delegação brasileira. Então, para quem não está ligando muito para as olimpíadas, segue uma lista bem legal com 10 filmes e 10 seriados disponíveis nos streamings mais populares disponíveis por aqui.

 

Filmes

 

Rede de Ódio (Netflix)

A ambição nas mãos de mentes perigosas, os vigias da não informação real. Explorando um assunto muito em alta nos tempos atuais, a fake news, o cineasta polonês (de apenas 28 anos!) Mateusz Pacewicz que já nos presenteou com o ótimo Corpus Christi (indicado pela Polônia ao Oscar de melhor filme estrangeiro) chega dessa vez para marcar presença na memória dos cinéfilos com o inaudito Rede de Ódio que estreou aqui no Brasil pela Netflix. Costurando um protagonista enigmático e assombrado pelos seus pensamentos nocivos e egoístas junto a um mundo sem regras nos meios digitais, Pacewicz consegue a proeza de manter os olhos cinéfilos grudados na tela durante as mais de duas horas de duração. Impressiona a qualidade desse filme, excelente!

 

Quase uma Rockstar (Netflix)

As desilusões fria e crua da realidade dentro da esfera feliz de uma pessoa de bem, cheia de energia. Dirigido por Brett Haley (Por Lugares Incríveis, O Herói, Coração Batendo Alto), baseado na obra Sorta Like a Rock Star do escritor Matthew Quick (O Lado bom Da Vida) que também contribui no roteiro do filme, Quase uma Rockstar é um dos melhores filmes do catálogo da Netflix que absurdamente foi mega mal divulgado. Espero que num futuro bem próximo todos possam assistir a esse belíssimo e emocionante trabalho que fala sobre sonhos, realidade dura e navega entre construções e desconstruções emocionais dolorosas de uma forte protagonista interpretada brilhantemente pela atriz havaiana Auli’i Cravalho.

 

Temporada (Netflix)

A simplicidade na captação de uma delicada vida. Escrito e dirigido pelo cineasta André Novais Oliveira, Temporada é um retrato muito delicado de uma mulher negra na periferia de Belo Horizonte, mais exatamente na cidade de Contagem. Suas descobertas, abandonos, paixões e a busca por uma estabilidade não só profissional mas também emocional. Com uma atuação maravilhosa de uma das melhores atrizes do cinema brasileiro atualmente, Grace Passô, Temporada ganhou o prêmio de Melhor filme no Festival de Brasília e está disponível no catálogo do streaming Netflix. Viva o cinema brasileiro!

 

A Vastidão da Noite (Amazon Prime Video)

Quando as peças se encaixam, o brilhante salta da tela. Exibido no prestigiado Festival de Toronto de Cinema em 2019 e com uma narrativa simples e muito objetiva, A Vastidão da Noite prende o espectador do primeiro ao último segundo com uma misteriosa situação vivida por dois inteligentes e jovens personagens, na década de 50, em uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Em uma noite apenas, mesclando um clima extremamente tenso com o malabarismo do medo iminente, as questões lógicas sendo colocadas em cheque a todo instante, e uma estranha sensação de nostalgia transformam esse projeto em uma das pérolas do catálogo da Amazon Prime Video. Primeiro trabalho como diretor de Andrew Petterson. Já anotado na agenda para não perder os próximos filmes dele.

 

Três Solteirões e um Bebê (Disney+)

Há mais de 30 anos atrás, uma comédia atemporal e que transpira carisma chegava a vista dos cinéfilos. Dirigido pelo eterno Spock, Leonard Nimoy (sim, ele mesmo!), Três Solteirões e um Bebê fala de forma leve e engraçada sobre a paternidade na visão de três adeptos do ‘solteirismo’ que precisam readequar suas vidas quando um bebê de poucos meses é deixando na porta de onde moram. Disponível no streaming Disney+ (assim como sua continuação), o longa-metragem de enorme sucesso é protagonizado pelos ótimos Tom Selleck, Steve Guttenberg e Ted Danson. A trilha sonora, com a música chiclete Bad Boy, segundo single lançado pela banda americana Miami Sound Machine liderada por Gloria Estefan, é excelente.

 

Soul (Disney+)

Se você pudesse ver toda sua vida até aqui e além disso refletir sobre ela, você viraria uma pessoa melhor? Disponível na plataforma Disney+ , Soul é um inteligente drama com pitadas cômicas de aventura usando a técnica de animação. Emocionante, foca no inusitado universo das almas, o curioso espaço entre o físico e o espiritual. Não importa sua religião, esse é um projeto, dirigido pela dupla Pete Docter e Kemp Powers, que nos apresenta a esperança e a importância dos valores emocionais para qualquer ser vivo. É uma animação para grandinhos mas onde também a criançada pode aprender bastante de forma muito divertida. Ganhou nossos corações!

 

As Boas Maneiras (Globoplay)

Olho grande, boca grande, mão grande. Uma das coisas que conquistam o público dentro de uma sala de cinema é quando na tela gigante a originalidade toma conta, produzindo uma corrente de emoções diferentes culminando em algo que beira ao inesquecível. Após o excelente Trabalhar Cansa, a dupla de cineastas Juliana Rojas e Marco Dutra retomam a parceria de sucesso, criando um enredo que vai se construindo aos poucos, como se lentamente subíssemos uma escada em direção ao surpreendente. Filmaço!

 

A Glória e a Graça (Globoplay)

Dirigido pelo experiente Flávio Ramos Tambellini, que volta a direção de um longa após seis anos, seu último trabalho foi o delicado Malu de Bicicleta (2010), A Glória e a Graça, entre muitas coisas, é um resgate na relação de dois irmãos que por circunstâncias do destino acabaram se separando durante boa parte de suas vidas. O entrosamento em cena de Carolina Ferraz e Sandra Corveloni, protagonistas do filme, é fundamental para que os diálogos ganhem contornos emocionantes e de aproximação com o público. Grande atuação das duas atrizes. Vale a pena conferir esse belo filme!

 

Juliet, Nua e Crua (HBO Max)

As armadilhas do destino e a quantidade de açúcar que pode ter uma relação. Dirigido pelo cineasta Jesse Peretz, Juliet, Nua e Crua conta a saga de uma mulher em busca de novos desafios no campo amoroso após perceber que o atual relacionamento que se encontra não está dando o resultado que deseja. Com personagens excêntricos e guiados pelo universo da música de alguma forma, o longa-metragem é uma grande viagem rumo as aberturas das portas que o destino realiza de vez em quando. O filme é protagonizado pela competente atriz Rose Byrne e o astro norte-americano Ethan Hawke.

 

Bessie (HBO Max)

A emoção do blues não é questão de você ser conhecido, é questão de você conhecer as pessoas para quem está cantando. Dirigido pela cineasta Dee Rees, Bessie, conta a história de uma das grandes divas do Blues. Com uma atuação de gala da atriz norte-americana Queen Latifah, o longa metragem mostra a ascensão meteórica e a queda fulminante de uma das grandes cantoras que o mundo já viu. Produzido pela HBO, esse projeto conta com muita sabedoria grande parte da história da música nas décadas de 20 e 30. A trilha sonora é um arraso, nos transportam para uma época emblemática na música norte-americana.

 

Séries

 

Sky Rojo (Netflix)

Não há maior vingança que o esquecimento. Será? Com oito episódios de cerca de 25 minutos onde não conseguimos desgrudar nossa atenção da tela, a série espanhola disponível na Netflix, Sky Rojo, criada por Álex Pina e Esther Martínez Lobato possui como principal característica positiva um roteiro dinâmico, repleto de ótimas cenas de ação, há uma pitada de Tarantino (referência) em alguns pontos. É uma grande batalha cheia de conflitos, longe de éticas, entre um cafetão descontrolado por vingança e sua gangue de mandados contra três prostitutas sem muitas escolhas que precisam se unir para sair de uma enrascada. A segunda temporada chegou à Netflix recentemente.

 

Amor e Anarquia (Netflix)

A vida robótica em contraponto às belezas das imperfeições que existem no mundo. Criado pela cineasta Lisa Langseth, do ótimo filme Hotell (filme com a ganhadora do Oscar, a sueca Alicia Vikander), Amor e Anarquia, seriado sueco disponível na Netflix, é a princípio uma série despretensiosa que vai crescendo conforme entendemos a caótica e monótona vida de uma mulher na casa dos 40, sonhadora, que vive uma rotina pouco intensa para seus sonhos. A chegada de um jovem estagiário à sua vida, mexe com tudo que estava congelado dentro de seus desejos. Além de uma intensa e provocante história de amor, o seriado tem o mérito de levantar excelentes discussões sobre o complexo mercado editorial e as transações do antigo para o novo: do físico para o digital. Grata surpresa!

 

Invencível (Amazon Prime Video)

O poder da escolha. Criado por uma das mentes mais criativas do universo nerd televisivo, Robert Kirkman (Walking Dead), Invencível, disponível no catálogo da Amazon Prime Video é uma complexa saga de ação e drama com técnicas de animação que fala sobre o heroísmo nas mesmas linhas tortas de The Boys e com uma eficiência impactante e sangrenta, nada é tabu para essa história onde polêmicas viram reflexões. Batendo na tecla sobre as escolhas que fazemos, entramos em um ninho de egocentrismo que vão desde a verdadeira face do vilão até mesmo políticas nacionais de segurança, além de deixar um bom espaço para questões familiares. Baita seriado, interessantíssimo.

 

Upload (Amazon Prime Video)

As razões do ser e entender em conjuntura com a dificuldade em dizer adeus. Criado por Greg Daniel, Upload, que está disponível na Amazon Prime Video, é uma sátira séria sobre aonde vamos quando morremos. Repleto de conceitos e paradigma para lá de interessantes, a comédia de ficção científica preenche suas lacunas complicadas com pitadas generosas de comédia trivial impulsionando inclusive um romance ente consciência e pessoa real. Tem uma pegada meio Ela (filme) mas acaba sendo muito mais profundo por conta do tempo que consegue para explorar suas ramificações criativas/futurísticas.

 

Hacks (HBO Max)

O poder de uma boa piada. Inteligente, divertido, debate questões como preconceito, a força feminina, assunto familiares, relação entre pais e filhos entre outras. Criado pelo trio Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky, Hacks é um dos mais interessante e engraçados seriados disponíveis no universo dos streamings disponíveis no Brasil, nesse caso na novíssima HBO MAX. Contando o cotidiano de duas sensacionais protagonistas, em momentos delicados de suas vidas, acompanhamos profundos dramas sobre a arte do fazer rir. Reflexivo, empolgante, abre espaço para o amor de todas as formas em seus brilhantes dez episódios de cerca de 30 minutos. Jean Smart dá um verdadeiro show na pele de uma das mais emblemáticas personagens femininas atualmente do universo das séries, a mal-humorada rainha do stand up Deborah Vance.

 

Mare Of Easttown (HBO Max)

A força dentro das surpresas e desilusões. O que você faria se fosse atormentado por uma tragédia em sua família? Se seu trabalho é questionado por todos ao seu redor? Se sua vida amorosa é um quebra cabeça complicado de se entender? Essas e outras questões estão dentro do contexto de pulsantes emoções da protagonista de Mare of Easttown, minissérie de sete capítulos disponível na HBO Max que possui um roteiro afiado, repleto de mistérios e dramas profundos gerando inúmeras reflexões pelo caminho. No papel principal, uma das grandes atrizes do planeta cinema, Kate Winslet, em mais uma atuação nota 10. Impecável trabalho que merece ser visto por todos que gostam de boas histórias.

 

Ricky and Morty (HBO Max)

Para entender o mundo complexo que vivemos nada melhor que um pouco de loucura. Com estreia aguardada no longínquo ano de 2013 (quase 2014), Rick And Morty, criado pela dupla Dan Harmon e Justin Roiland, essa genial série de aventura é um fenômeno que grita pelas entrelinhas e também choca em alguns momentos, mostrando uma série de aventuras interdimensionais de uma família, com núcleo centralizado em um avô louco (Rick, uma espécie de Dr. Emmett Brown em formato de desenho) e seu neto Morty. Usando a técnica de animação para falar muito sobre o mundo atual, os embates entre gerações, as genialidades perdidas e outras surpreendentemente questões, Rick And Morty é um fenômeno pop, com intensos 22 minutos por episódio.

 

Ted Lasso (Apple TV+)

A importância do positivismo em meio ao caótico universo capitalista onde o ego precisa ser uma qualidade. Sem muito oba oba, estreou tempos atrás no Streaming Apple TV+ o seriado de comédia Ted Lasso, que nos apresenta uma história que beira ao absurdo mas que convence nas suas lindas mensagens sobre a vida, trabalho em equipe, nos relacionamentos e outras questões fundamentais para uma vida repleta de felicidade. Criado pelo quarteto Bill Lawrence, Jason Sudeikis, Joe Kelly e Brendan Hunt, o seriado é baseado em um personagem homônimo visto pela primeira vez em uma série de comerciais para a cobertura da NBC Sports da Premier League. No papel principal, Jason Sudeikis, ganhador inclusive do Globo de Ouro e o SAG por essa brilhante interpretação. A nova temporada estreia dia 23 de julho!

 

Em Defesa de Jacob (Apple TV+)

Os mistérios de uma mente e os segredos a quatro paredes. Quase desapercebia, estreou na Apple Tv + a minissérie Em Defesa de Jacob, Defending Jacob no original. O projeto é baseado numa obra de sucesso escrita por William Landay. Durante os intensos oito episódios vamos conhecendo uma família perfeita norte-americana que se vê envolvida em um crime bárbaro mudando para sempre a rotina dentro e fora dessa casa. Viciante, impactante e com reviravoltas eletrizantes. Além disso, atuações impecáveis de Chris Evans, Jaeden Martell, da ótima atriz britânica Michelle Dockery e da veterana Cherry Jones. Do primeiro inclusive, podemos afirmar que é uma das grandes atuações de sua carreira.

 

The Head: Mistério na Antártida (Globoplay)

A vingança como pano de fundo numa análise sobre o ego humano. Talvez, um dos grandes achados do catálogo da Globoplay seja The Head: Mistério na Antártida, minissérie de suspense eletrizante com ótimas atuações e um desfecho de deixar qualquer de queixo caído. Tudo funciona muito bem ao longo dos detalhistas seis episódios, o roteiro constrói arcos preparando para o aprouch final de maneira muito inteligente deixando rastros de pistas a cada episódio. Criada pelos espanhóis David Pastor e Àlex Pastor a minissérie conta com um elenco de várias nações, inclusive um rosto bastante conhecido aqui no Brasil, Álvaro Morte, o professor de La Casa Del Papel.

 

Bônus

 

Hamilton (Disney+)

E se ganharmos nossa independência? Ampliando a criatividade de levar ao público de todo o mundo uma das peças de teatro da Broadway mais badaladas dos últimos anos, a Disney, no seu streaming Disney+ lançou o Pro-shot (em curta explicação, seriam gravações de números teatrais compondo um filme) do badalado musical da Broadway Hamilton. Ao longo de quase três horas de duração, vamos por meio de textos cantados em forma de rap conhecendo a história de Alexander Hamilton, um dos criadores dos Estados Unidos e que inclusive dá rosto à cédula de dez dólares. No papel principal, o grande criador do espetáculo (baseado na obra do historiador Ron Chernow), o Hors concours das mentes criativas atuais quando pensamos em musicais, Lin-Manuel Miranda. Pulsante, inovador e beirando ao extraordinário, Hamilton, do primeiro ao último minuto, mostra ao que veio. Não desperdiçou sua chance, chance.

 

Crítica | ‘Ah, a Amizade…’ – Romance da Netflix insiste em visão fantasiosa do amor

As indecifráveis linhas tênues entre a amizade e o amor são o combustível de Ah, a Amizade… , filme que chegou ao catálogo da Netflix neste início de 2026. Dirigido por Johnny Barbuzano, essa comédia romântica despretensiosa não apresenta nenhuma novidade quando pensamos em linguagem cinematográfica. Esse longa-metragem Sul-africano se resume a uma fórmula de bolo batida, seguindo padrões já consolidados, que acaba caindo na sonolência conforme os 95 minutos de projeção atravessam a tela.

Thando (Katlego Lebogang) e Charles (Siya Sepotokele) são dois amigos de longa data precisam lidar, em um primeiro momento, com a distância, já que um deles vai morar durante alguns anos em Nova Iorque. Quando Charles retorna, apresenta sua futura noiva e logo surge uma viagem para um destino paradisíaco para oficializar essa relação. Esse fato desperta em Thando mais incertezas sobre o que sente por ele.

Como saber quem é a pessoa certa para entregar seu coração? Trazendo o humor – um dos poucos elementos que funcionam, fruto do carisma dos personagens – ao caótico dos conflitos emocionais, o filme levanta essa e outras questões. Assim, entendemos os dramas que os personagens vivem, mergulhados em uma solidão silenciosa, sem saber como expressar, o que, realmente sentem. Isso é algo mundano, pelo qual qualquer ser humano pode passar alguma vez na vida – aspecto que deveria aproximar esse entretenimento das reflexões amorosas da vida real.

Pena que o roteiro não apresenta nada novo ao molho do gênero cinematográfico. Não provoca e insiste em uma narrativa que não se arrisca, evitando qualquer decisão dramática imprevisível, permanecendo presa totalmente aos clichês. Ao optar por uma linha totalmente convencional na forma de contar essa história, as boas reflexões que poderiam surgir em Ah, a Amizade… acabam limitadas aos simbolismos de uma visão idealizada do amor romântico, guiada pela fantasia das almas gêmeas.

10 Ótimos documentários brasileiros

No último sábado, dia 7 de agosto foi comemorado o Dia Nacional do Documentário Brasileiro, esse gênero cinematográfico que ganha cada vez mais força e adeptos com a chegada dos streamings nos últimos anos trazendo uma enorme seleção de qualidade para listas de cinéfilos e cinéfilas pelo Brasil, além de Festivais brasileiros maravilhosos voltados para documentários como o É Tudo Verdade.

Fugindo um pouco da obviedade de grandes clássicos do universo dos documentários brasileiros, como a filmografia maravilhosa do inesquecível Eduardo Coutinho, resolvemos criar uma lista com 10 documentários brasileiros feitos nos últimos anos que de alguma forma ganharam certo destaque, alguns até mesmo no circuito independente de exibição.

 

Paraíso

As canções, as almas e os corações que sempre se deixam emocionar. Após quatro décadas fora do Brasil, o cineasta Sérgio Tréfaut resolve buscar por suas memórias primárias até onde lembra de estar no seu país através de um grupo de pessoas, em sua grande maioria na feliz idade, que se reúnem nos jardins de um ponto turístico carioca para uma seresta semanal. No karaokê popular da alegria instaurado, que acontece faz muito tempo, ouvimos grandes clássicos de diversas gerações, de Alceu e Elba até Wando, De Lupicínio Rodrigues à Moska, Caetano. Entre outros. Filmado nos jardins do palácio do catete, pouco antes da pandemia, o filme apresenta um reflexivo desfecho que se conecta com o momento atual do mundo, particularmente do Brasil e alguns desses frequentadores.

Em menos de 90 minutos, o documentário busca resgatar memórias dos personagens que aparecem mas também do cineasta. A solidão acaba sendo uma testemunha ocular desse ‘Paraíso’ que remete ao título, aparece quando estão sozinhos, ou em memórias nos depoimentos, mesmo isso sendo feito sem muita profundidade, entre uma canção e outra a mensagem chega em nossos corações. O bom humor e a descontração navegam no contraponto da constatação do estar sozinho.

 

A História de um Silva

A música como sentido para a sociedade. Hino de uma cidade, hino da periferia, um subtexto que é compatível com a realidade que enfrentava. Dirigido por Marcelo Gularte, A História de um Silva é a história de um brasileiro, trabalhador, grande herói de sua mãe e família, que possui grande paixão pelo futebol, inclusive quase foi atleta profissional que tocava a MPB dos anos dourados nos barzinhos pela cidade até que descobriu um gênero musical que estava dando os primeiros passos. MC Bob Rum, cria da Comunidade João XXIII em Santa Cruz Foi Office Boy, trabalhou muito tempo na Telerj, de Recepcionista, viu sua vida mudar do dia para a noite quando seu destino cruzou com os primórdios do Funk.

Os lados bons e ruins da fama acabaram deixando exatamente nos extremos esses momentos em sua vida. Se encaminhou para o alcoolismo, para as drogas em seguida, quando sua carreira de alguma forma estagnou ou até mesmo declinou. Mas ele, com a ajuda da forte família, conseguiu dar a volta por cima, se formando em administração inclusive e compondo música que foi até tema de novela. A História de um Silva é um recorte de mais um batalhador brasileiro que conseguiu vencer de maneira honesta com sua arte.

 

Antes que Me Esqueçam, Meu Nome É Edy Star

A vida é uma vela acesa, morreu, apagou. Como resgatar as memórias de um artista tão profundo em sua arte? Cantor, ator, pintor, se dedicava as artes como poucos, Edy Star foi quase uma lenda entre as décadas de 60 e 80, sempre muito à frente de seu tempo. Dirigido por Fernando Morais, Antes que Me Esqueçam, Meu Nome É Edy Star conta a incrível trajetória do Pós tropicalista e grande contador de história Edy Star, inclusive, a amizade com Caetano Veloso desde Santo Amaro, Zeca Baleiro com gravações atuais no estúdio, com o maluco beleza Raul Seixas desde o álbum Sociedade da Grã-Ordem Kavernista, até mesmo com Gilberto Gil onde ganhou uma música e foi co-compositor da canção Procissão. Edy marcou época dentro do universo das performances, em shows undergrounds que ganhavam sucesso pelo boca a boca saindo da Praça Mauá até os milionários da zona sul.

Antes que Me Esqueçam, Meu Nome É Edy Star é divertido e surpreendente, conhecemos essa figuraça, que cantava muito e levava multidões a seus shows mas que para o grande público nunca foi conhecido. Mas após assistirmos a esse, agora sabemos! Antes dos Dzi Croquettes, Ney Matogrosso, Secos e Molhados, existia Edy Star.

 

O Sal da Terra

Cada um molda sua forma de ver o mundo de acordo com tudo que já viveu. O documentário que abriu o Festival do RJ do ano de 2014, é uma junção entre cinema e fotografia, algo único para todos os amantes de qualquer arte. O Sal da Terra, título maravilhoso diga-se de passagem, conta a história de um brasileiro com um olhar único sobre o mundo que estudou e vive. Dirigido por Juliano Salgado (filho do protagonista) e pelo genial cineasta Wim Wenders, o documentário ganhou milhares de fãs mundo à fora e definitivamente trouxe à luz o nome do espetacular ser humano que é Sebastião Salgado.

O Sal da Terra tudo mais é que a história do mundo por um brasileiro que conheceu o mundo. Cada depoimento tem um clima de emoção que transporta para as cadeiras dos sortudos que puderem conferir esse trabalho no cinema. Emocionante também é a narração e depoimento de Wim Wenders, que muitas vezes se rende em falas emocionadas ao grande protagonista desse seu novo filme. Na conclusão, podemos cravar com toda nossa emoção que viver é descobrir pessoas, afinal: as pessoas são o sal da terra! Bravo!

 

O Astronauta Tupy

Cada ser tem sonhos à sua maneira. Um ser solo que esbarra com os coletivos. Cronista do seu tempo. Tijucano. Observador da cidade que nasceu, suas belezas e as diversas questões que assolam seu Rio principalmente a polarização das ideias que nesses tempos presente comandam o modo de pensar da maioria dos cariocas. Dirigido por Pedro Bronz, o documentário O Astronauta Tupy conta de maneira leve e agradável, através de arte de Pedro Luís, suas escolhas, momentos, seu mosaico de ritmos, através de relatos do mesmo, amigos, vídeos de gravações e de depoimentos de outras épocas. Do Humaitá à Lapa, Da Zona Norte à Zona Sul, somos testemunhas em poucos mais de 90 minutos de como esse músico alimenta seu coração louco como uma máquina de escrever.

Amigos de longa data lembram de momentos, canções de um passado que é mantido vivo pela arte. As parcerias com Fernanda Abreu, Ney Matogrosso e até mesmo o tremendão Erasmo Carlos, outro tijucano musical, geram ótimos duetos acústicos modelados em fragmentos de canções atemporais na sua voz ou/e na voz dos outros, tendo o Rio de Janeiro como paisagem.

 

Cássia

Os discos jogados num quarto repleto de quadros e violões, ah… e aquele allstar azul ao lado do de cano alto. Como um furacão de emoções, dramas e muita verdade, emociona a todos esse espetacular documentário, Cássia. Dirigido pelo excelente diretor Paulo Henrique Fontenelle, que a cada novo projeto vem brindando os cinéfilos com trabalhos fabulosos (como foi em Dossiê Jango), tentamos decifrar os segredos e a timidez de uma artista que marcou seu nome na história não só pela música mas nas conquistas importantes que conquistou, também quando se foi. O filme é pura emoção e bate aquela vontade de bater palmas de pé quando já emocionados vemos as letrinhas dos créditos subirem.

De Nirvana à Piaf. De Buarque ao blues. Um alcance vocal único. Um ícone da música brasileira. Música é uma coisa bela que toca lá dentro. E não temos dúvidas de que Cássia cumpriu seu objetivo, tocou profundamente e se tornou inesquecível em nossos corações.

 

Rumo

O que é a palavra dentro da canção? No início da década de 80, a ditadura emergia e as produções musicais em SP, origem do grupo que vamos conhecer ou redescobrir nesse documentário, se encontravam nos porões do teatro Lira Paulistana. Com Músicas declamadas, Poesias sociais, reflexivas, sobre a vida e momentos de muitas estradas, o grupo Rumo começava a surgir. Por meio de depoimentos dos integrantes, as histórias, as ideias, o início, vamos conhecendo melhor esses sonhadores, quase teóricos, da música brasileira. Interessante documentário dirigido pela dupla de cineastas Flavio Frederico e Mariana Pamplona.

O início do grupo é bem explicado, com divertidos depoimentos de seus integrantes, quase todos vivos até hoje. De peculiar, um exemplo são os debates sobre as canções, após inesquecíveis shows na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), no início da carreira. De vez em quando buscavam simetrias em canções de outros, como em uma música de Noel Rosa inclusive. Esse documentário é quase um grande aulão sobre o cenário da música brasileira em décadas passadas e mais profundamente de maneira simples e explicativa navegamos pelos fundamentos da linguagem da música popular, até da arte teatral, aliada a um humor que fazia um elo com os sambas dos anos 30.

 

Raul – O Início, o Fim e o Meio

Em uma época onde o rock era a música que afirmava um poder fictício aos jovens, surgia no cenário mundial aquele que virou uma lenda, Raul Seixas. Dirigido pelo competente Wálter Carvalho, Raul: O Começo, o Fim, o Meio, é um documentário divertido e emocionante que narra a trajetória do eterno maluco beleza da música popular brasileira.

Nesse ótimo documentário fazemos uma viagem na vida profissional e pessoal de Raul. A influência de Elvis Presley, o primeiro grupo (Raulzito e seus Panteras), o disco da virada na carreira (o álbum que tem o clássico “Sociedade Alternativa”), os muitos relacionamentos e depoimentos emocionados preenchem parte das lacunas deixadas pelo ídolo de uma multidão.

 

Todas as Melodias

Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí…selecionado para a Mostra de Tiradentes 2021, o documentário Todas as Melodias traça um pequeno recorte sobre a vida e algumas das canções de um dos maiores poetas musicais brasileiro, Luiz Melodia. Com roteiro e direção assinado pelo cineasta Marco Abujamra, o projeto, em apenas 90 minutos de projeção, consegue passar muitas emoções, algumas curiosidades e muitas certezas do talento desse artista criado no morro do Estácio que infelizmente faleceu no ano de 2017.

Todas as Melodias é para os fãs e também para quem gosta de um bom e objetivo documentário para aprender mais sobre um alguém tão especial. Quando o amor ‘tá quase mudo’, sua voz nunca deixou de mostrar estar viva.

 

Currais

O silêncio apaga tudo. Um homem, sua Kombi e suas buscas por respostas da história de seu avô, a reconstrução da memória de uma região, por quem ainda se lembra dessa época terrível, fatos que parte da elite se esforça em ocultar. As margens de uma estrada de ferro e no alto do sertão morriam centenas de pessoas nos chamados campos de concentração (os currais do governo), lugares criados no início da década de 30, sob conhecimento do governo federal, onde flagelados da seca eram tratados com indiferença e discriminação pela elite que já morava na cidade de Fortaleza. Escrito e dirigido pela dupla de cineastas David Aguiar e Sabina Colares, modelado em uma mistura entre documentário e ficção, Currais apresenta relatos impactantes, impressionantes, surpreendentes, além de fotos antigas mostrando o que as palavras dizem ao longo dos cerca de 90 minutos de projeção.

Depois que você assiste a esse documentário, é muito difícil de tirá-lo da memória. Pensar que uma cidade se ergueu sob suor e sangue é assustador. Nosso país é enorme. Tantas histórias…e muitas delas desoladoras, tristes. Como um ser humano pode fazer isso com outro ser humano? Um capitalismo desenfreado, um elitismo esnobe e arrogante, entendemos o reflexo dessas atitudes até os tempos atuais se formos comparar com a questão social das favelas, pessoas que vivem à margem de uma sociedade privilegiada. O filme abre espaço também para mostrar a religião ganhando contornos culturais através dos devotos das almas da barragem. Um documentário/ficção arrebatador que diz muito sobre a história de nosso país.

10 séries viciantes que você defende como se fossem da família

Existem aquelas séries que moram em nossos corações – e que defendemos, não importa o que falem. Alguns desses projetos levamos conosco durante grande parte da vida, com memórias que voltam de vez em quando e nos lembram momentos das nossas histórias. Pensando em algumas obras capazes de causar esse impacto em quem assiste, segue abaixo uma lista de séries viciantes que você defende como se fossem da família:

 

Cavaleiros do Zodíaco

Criada por Masami Kurumada, como um mangá que logo fez sucesso, Cavaleiros do Zodiaco não demorou muito e já virou um anime que até hoje é lembrado por várias gerações. Na história cheia de capítulos impactantes, conhecemos a saga de alguns cavaleiros que precisam defender a reencarnação da Deusa Atena.

 

Lost (Disney Plus)

Um dos grandes fenômenos da televisão, Lost, entre os anos de 2004 e 2010, ganhou nossa curiosidade com 121 episódios intrigantes que nos surpreendia frequentemente com enormes revelações. Na trama, acompanhamos um grupo de pessoas que sobrevivem a queda do avião que estavam e vão parar em uma ilha misteriosa.

 

The Closer

Uma das grandes séries de sucesso do início dos anos 2000 conhecemos a detetive Brenda Johnson (brilhantemente interpretada por Kyra Sedgwick), treinada pela CIA, especialista em interrogatórios, que vai para Los Angeles para comandar uma unidade de homicídios e precisa diariamente mostrar seu valor.

 

Nip/Tuck

Lançada em 2003 e com impactantes seis temporadas, em Nip/Tuck, somos apresentados aos conflitos de dois cirurgiões plásticos que atendem em Miami. Criado por Ryan Murphy.

 

Jericho

Lançada quase 20 anos atrás, e até hoje sem o reconhecimento que merece, Jericho nos mostra o isolamento de uma cidade sem saberem o que acontece no resto do mundo, culminando em confrontos e fortes dramas entre os personagens.

 

One Tree Hill (Prime Video)

Uma série que envolve basquete e uma enorme briga familiar, focado em dois irmãos de mesmo pai que se odeiam, One Tree Hill, também conhecido como Lances da Vida, ficou no ar na televisão norte-americana entre 2003 e 2012 e emocionou milhares de fãs em todo o mundo com seus dramas e conflitos. Criada por Mark Schwahn e protagonizado pelos atores: Chad Michael Murray, Sophia Bush, James Lafferty e Hilarie Burton.

 

Gilmore Girls (Netflix)

Os dramas e conflitos de uma mãe e uma filha que vivem em uma cidadezinha dos Estados Unidos contornam a essência de Gilmore Girls. Protagonizado por Lauren Graham e Alexis Bledel o seriado estreou no ano de 2000 e teve sete temporada.

 

Prison Break (Disney Plus)

A fuga da prisão mais conhecida do universo das séries – talvez a primeira temporada mais impactante da história quando pensamos em séries de ação e aventura. Na trama, conhecemos um engenheiro de sucesso que possui apenas um plano de vida: tirar o irmão, que foi condenado à morte, de uma prisão de segurança máxima. Para tal, ele tatua a planta da prisão em seu corpo. Imperdível! Criada por Paul T. Scheuring.

 

24 Horas (Prime Video)

Uma das maiores séries de ação e espionagem da história do universo do entretenimento, 24 Horas conta a história de Jack Bauer (Kiefer Sutherland), imbatível agente da unidade antiterrorista, que em 24 horas do seu dia precisa encontrar soluções para dezenas de situações que chegam em seu caminho.

 

Dawson’s Creek (Sony One)

Lançado cerca de 24 anos atrás, com roteiro e criação de Kevin Williamson (roteirista/criador da saga Pânico) Dawson’s Creek é um drama adolescente que envolve questões sobre família, amizade, primeiros amores, escolhas, tudo isso gira em torno de Dawson Leery (James Van Der Beek) e seus amigos.

 

Keanu Reeves – 10 filmes MARCANTES do Libanês que conquistou Hollywood

Keanu Charles Reeves nasceu em Beirute, no Líbano, filho de uma futura figurinista (na época em que conheceu o pai de Keanu ela era dançarina) e um geólogo. Reeves se mudou para muitos lugares ao longo da vida. Certa vez, a mãe de Keanu, levou a família para a Austrália e depois para Nova York, lá sua mãe casou novamente e a família foi morar em Toronto.

Durante o ensino médio ele fora um promissor goleiro de Hockey. Seu apelido na época era ‘A Parede’. Keanu sonhava em se tornar um jogador de sucesso e assim conseguir disputar as olimpíadas pela seleção do Canadá mas uma lesão acabou com suas esperanças de uma carreira de sucesso nesse esporte.

Frustrado de alguma forma, arrumou as malas e chegou em Hollywood em meados da década de 80 para tentar a vida como ator. Entre uma aparição e outra, surgiu uma grande oportunidade em um filme que estaria entre seus maiores sucessos: Bill e Ted. A partir desse sucesso relâmpago nunca mais fugiu de produções voltadas à cinema, assim, teve chances de trabalhar com ótimos diretores, como: Bernardo Bertolucci, Francis Ford Coppola, Gus Van Sant e Kenneth Branagh, assim se consolidando aos poucos como um dos grandes nomes do cinema mundial. Keanu ainda tem qualidades que são raras, muito querido pelos fãs principalmente por seu respeito ao próximo e sua simplicidade.

Abaixo, listamos dez imperdíveis filmes desse genial artista, que completa 57 anos nesse dia 02 de setembro de 2021:

 

Velocidade Máxima (1994)

Um dos filmes mais conhecidos do público brasileiro protagonizado pelo nosso homenageado. Dirigido pelo cineasta Jan de Bont, Velocidade Máxima mostra uma química impressionante entre Reeves e Sandra Bullock. Nessa trama de ação muito bem dirigida, o ator assume o papel de um agente da polícia que precisa deter um perigoso terrorista, interpretado pelo ótimo Dennis Hooper. Sem dúvidas um dos grandes filmes do astro.

 

O Advogado do Diabo (1997)

Nesse longa-metragem de suspense intenso, com um elenco muito interessante ao seu lado (Al Pacino, Charlize Theron, Connie Nielsen…), Reeves interpreta um advogado vitorioso que ao se mudar para Nova York começa a ser perturbado por aparições inesperadas. Um filme que a galera ama ou odeia, mas ninguém nega a qualidade em cena de tantos astros de Hollywood juntos.

 

Matrix (1999)

Um dos maiores sucessos do ‘cinema nerd’, dirigido por Lilly e Lana Wachowski, Matrix é um grande marco na história do cinema e automaticamente da carreira de Keanu Reeves, que interpreta o inesquecível protagonista: Neo. Um longa-metragem que, quando é compreendido é amado pelo espectador. Uma experiência bastante interessante que ficou muito legal vista nas telonas dos cinemas de todo o mundo.

 

Caçadores de Emoção (1991)

Um daqueles filmes para ficar marcado na memória dos cinéfilos com cenas muito interessantes, emocionantes e que possui um desfecho espetacular/inesquecível. Na trama, Keanu Reeves faz um novato agente da polícia que trabalha em uma operação, disfarçado, para tentar prender perigosos assaltantes de bancos mascarados. O trio: Kathryn Bigelow (a primeira diretora ganhadora do Oscar da história), Patrick Swayze e Reeves mandam muito bem.

 

Garotos de Programa (1991)

Um dos grandes filmes de drama da carreira de Reeves, onde trabalhou ao lado do amigo River Phoenix. Nessa produção ele teve a chance de trabalhar com um dos mais conhecidos diretores de todos os tempos, Gus Van Sant. Na trama, vemos dois jovens garotos de programa que ganham a vida nas ruas de Portland entre drogas e prostituição até que algo muda na vida deles a partir de uma situação.

 

John Wick – De Volta ao Jogo (2014)

Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora! Marcando a estreia dos cineastas Chad Stahelski e David Leitch como diretores principais de um longa-metragem, John Wick – De Volta ao Jogo é um filme honesto no que se propõe: ser um filme de ação com ótimas sequências tendo uma cobertura considerável de clichês. Para assumir o papel do protagonista intransponível, foi chamado o antigo Neo, Keanu Reeves, que encaixou como uma luva no papel. O abre-alas de uma das franquias de ação de maior sucesso dos últimos tempos.

 

O Tiro que não saiu pela Culatra (1989)

Problemas familiares não tem endereço, a eterna roda gigante da educação. No final da década de 80, chegou aos cinemas O Tiro que não Saiu pela Culatra, dirigido por Ron Howard, um drama com pitadas cômicas que mostra um arranjo familiar complicado com tipos de educações diferentes. Passando um raio-x em uma família com as mais diversas crises, o brilhante roteiro da dupla Lowell Ganz e Babaloo Mandel nos faz refletir a todo instante. A atriz Dianne Wiest foi indicado ao Oscar por esse filme e Randy Newman, autor da trilha sonora, concorreu com a canção I Love To See You Smile ao Grammy, ao Globo de Ouro e ao Oscar. O elenco é ótimo Steve Martin, Mary Steenburgen, Dianne Wiest, Rick Moranis, Keanu Reeves, Joaquin Phoenix (em um de seus primeiros filmes), entre outros.

 

Virando o Jogo (2000)

Dirigido pelo cineasta Howard Deutch e fazendo uma bilheteria de mais de 50 milhões de dólares por todo o mundo, Virando o Jogo conta a história de um time de futebol americano que precisa substituir seus jogadores por conta de uma greve, para isso contrata um veterano treinador que começa descobrir nomes que realmente amam o esporte. No elenco, ótimos nomes como Gene Hackman, Jon Favreau e Rhys Ifans. Uma curiosidade sobre essa produção: Keanu Reeves abriu mão de parte do seu salário no filme para que Gene Hackman pudesse fazer parte do elenco. Santa generosidade!

 

Doce Novembro (2001)

No ano de 2001, Keanu Reeves, ao lado de Charlize Theron, protagonizou o triste e bastante reflexivo Doce Novembro. Dirigido por Pat O’Connor, o filme conta a história de um publicitário workaholic que conhece uma mulher que muda para sempre sua maneira de enxergar o mundo. Difícil segurar o choro no final do filme!

 

Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica (1989)

Um filme que marcou a cultura pop da época e toda uma geração! Dirigido por Stephen Herek e com roteiro assinado por Chris Matheson e Ed Solomon esse é o primeiro grande sucesso da carreira de Keanu Reeves. Falando sobre viagens ao tempo, música e redescobrindo (ou descobrindo) a história mundial, a aventura foi bastante exibida em alguns canais aqui do Brasil.

 

Lembra de ‘E.R. – Plantão Médico’ e ‘Cybercops’? Confira as séries dos anos 1990 que eu nunca esqueci!

Ah, os anos 1990! Quem viveu, viveu! Aqui vai um relato pessoal – então, pode ser que alguma série que você ame até hoje não seja mencionada. Mas tenho certeza de que quem viveu essa época vai se identificar!

Antes dos celulares, no início da era dos computadores, quando a conversa ainda era com todos prestando a atenção, sem ansiedade pela próxima mensagem do Zap, uma das grandes diversões de toda pessoa amante do audiovisual era chegar da escola, sintonizar em algum canal de televisão disponível e assistir a tantas séries viciantes, muitas vezes uma seguida da outra.

Era tão bom fazer uma pipoca e se jogar no sofá de casa para assistir a Power Rangers, Cybercops, os policiais do futuro (qualquer árvore que eu via imaginava digitando um código para sair alguma maleta do chão), Jiban e, em seguida, às inesquecíveis aventuras dos Cavaleiros do Zodíaco. À medida que eu ficava mais velho, ainda naquela mesma década, a ansiedade vinha com Super Campeões e as lutas coreografadas de WMAC Masters.

Aí chegou a Tv a Cabo. Demorou pra ter na minha casa, mas, quando chegou, era a minha maior diversão. Eu comprava na banca uma revista com toda a programação do mês, que custava menos de 10 reais, e era super divertido pegar um marca-texto e ir marcando o que eu queria assistir.

Assim, as séries de televisão que só tinham disponíveis fora do Brasil também começaram a me fisgar. Logo me deparei com os arrepiantes episódios de Arquivo X e as comédias rápidas como Friends. Mas tinha uma série que dominava totalmente minha atenção: E.R ! Chegou a ter uma época da minha vida que pensei em ser médico, de tanto que amava esse seriado – pena que até hoje não sei direito o que são mitocôndrias e quase repeti de ano em biologia…várias vezes.

Ao mesmo tempo em que acompanhava essas produções seriadas, tive a possibilidade de ampliar as opções para assistir a filmes de vários lugares do mundo – muitos dos quais nem chegaram ao circuito exibidor brasileiro da época. Os clássicos como Pulp Fiction e Um Sonho de Liberdade esperava chegar às locadoras para alugar, enquanto outros tantos assisti nas telonas. E assim, foi se formando um verdadeiro cinéfilo!

Hoje em dia, com tantas facilidades para acessar um filme ou série, acabamos gastando mais tempo escolhendo o que assistir do que de fato assistindo. Quem nasceu depois dos anos 2000 nem imagina como era divertido tudo que envolvia chegar até uma obra que você estava ansioso pra conferir.

'Cybercops, Os Policiais do Futuro'', chegou no início dos 1990 na televisão brasileira
‘Cybercops, Os Policiais do Futuro”, chegou no início dos 1990 na televisão brasileira

Fica a saudade, mas vamos nos adaptando. Não acredito tanto naquela frase: ‘Não se fazem produções como antigamente’. Acho que cada época é válida, com suas questões e importâncias. Vamos amadurecendo, a criatividade e o encanto sempre se renovam, e o prazer de assistir a uma obra audiovisual ainda permanece em nós.

Mas me conta: você viveu essa época? Que séries você assistia? Quero muito ler vocês.

5 ÓTIMOS filmes pouco conhecidos para assistir no Amazon Prime Video

Um dos streamings disponíveis no Brasil com um preço acessível e um catálogo cada semana mais forte, o Amazon Prime Video está cada vez mais na preferência de muitos que buscam ótimos seriados e filmes. Principal concorrente da Netflix, possui muitos filmes interessantes que buscando com calma você acha.

Para ajudar você leitor que procura bons filmes nesse catálogo, seguem abaixo 5 ótimos filmes mas nada badalados do catálogo do Amazon Prime Video.

 

O Amor de Sylvie

A vida é muito curta para desperdiçarmos com coisas que não amamos. Escrito e dirigido pelo cineasta Eugene Ashe, produzido pela Amazon, O Amor de Sylvie é uma linda história de amor entre dois amantes do Jazz, que vivem realidades diferentes ao longo do tempo em uma grande cidade norte-americana em meados das décadas de 50 e 60, na época de Miles Davis, Stevie Wonder, Sarah Vaughan. Fala sobre o preconceito, sobre as diferenças para alguns sobre as classes sociais, os sonhos, as desilusões e como o amor pode provocar tamanhas mudanças em nossas vidas. Protagonizado pelos ótimos Tessa Thompson e Nnamdi Asomugha.

Tendo como pano de fundo uma ótima trilha sonora, papos sobre música e na maioria das vezes sobre Jazz são a cereja do bolo nesse drama com altas pitadas de romance que nos mostra de maneira bem delicada as escolhas e caminhos que podemos tomar quando nos enxergarmos dentro de um amor que se vê poucas vezes por aí.

 

A Assistente

Os absurdos abusos do poder e todo o caos emocional que isso pode gerar. Produzido e já no catálogo da Amazon, A Assistente é um filme que coloca o espectador como um observador da rotina de uma jovem que tem o sonho em trabalhar com entretenimento mas logo percebe abusos no ambiente onde trabalha, principalmente vindo de seu chefe, uma alta patente da empresa. Escrito e dirigido pela cineasta Kitty Green, em seu primeiro longa-metragem de ficção, o projeto é um interessante recorte de certos ambientes de trabalho, que diz muito pelas entrelinhas, um profundo drama onde somos os olhos da personagem a todo instante. Um bom filme com uma ótima atuação da protagonista Julia Garner.

São quase 90 minutos de muita tensão. Muitos podem até achar meio paradão mas esse longa-metragem diz tanto pelo contexto e entrelinhas que precisamos estar atentos para refletir sobre o quão profundo pode ser essa história que infelizmente acontece muito pelas vidas reais do lado de cá da tela.

 

A Vastidão da Noite

Quando as peças se encaixam, o brilhante salta da tela. Exibido no prestigiado Festival de Toronto de Cinema em 2019 e com uma narrativa simples e muito objetiva, A Vastidão da Noite prende o espectador do primeiro ao último segundo com uma misteriosa situação vivida por dois inteligentes e jovens personagens, na década de 50, em uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Em uma noite apenas, mesclando um clima extremamente tenso com o malabarismo do medo iminente, as questões lógicas sendo colocadas em cheque a todo instante, e uma estranha sensação de nostalgia transformam esse projeto em uma das pérolas do catálogo da Amazon Prime Video. Primeiro trabalho como diretor de Andrew Petterson. Já anotado na agenda para não perder os próximos filmes dele.

O baixo orçamento do projeto só coloca mais pontos positivos ainda na hora de analisarmos. O clima tenso é a base do filme, somos os olhos de Everett e Fay, essa dupla dinâmica (muito à frente do tempo em que vivem) que curiosos por si só, resolvem investigar todas as inúmeras evidências misteriosas que chegam até eles como se fossem pistas de jogos de detetive. Ambientado em torno do caótico início da guerra fria, as lógicas de qualquer estranheza na época em território norte-americano já levavam a pensamentos de acusação aos soviéticos, o longa-metragem (um dos melhores do catálogo da Amazon Prime Video) nos traz à lembranças de emblemáticos episódios do lendário seriado Arquivo X.

 

Terra Selvagem

Que nem todas as dores do mundo me façam desistir. Em seu segundo trabalho como diretor, o norte americano Taylor Sheridan (roteirista do ótimo Sicario: Terra de Ninguém e indicado ao Oscar, também como roteirista, pelo excelente A Qualquer Custo) volta às telonas com um suspense de tons altos de drama, em meio a um distante e frio território indígena, explorando os caminhos tumultuados de uma investigação de um violento assassinato. Com uma direção primorosa, o filme vai envolvendo o espectador a cada nova descoberta sobre o assassinato. Em um ambiente de frio intenso e pessoas com recursos limitados, a selvageria ganha tons de drama, seja pelo passado traumático do protagonista, seja pelas fortes evidências que vão aparecendo a cada nova descoberta.

Na trama, conhecemos Cory (Jeremy Renner) um homem solitário com um passado repleto de tristeza que trabalha como caçador no Estado de Wyoming, mais precisamente em uma reserva indígena de frio intenso. Durante o inverno, com temperaturas abaixo de zero e neve para todos os lados, o corpo de uma adolescente é encontrada por Cory em uma região isolada. Conhecendo a adolescente, de quem é amigo da família, Cory busca ajudar as investigações assumida pelo FBI e designada pela agente Jane Banner (Elizabeth Olsen). Conforme vão descobrindo mais pistas sobre o ocorrido, a dupla enfrentará diversas adversidades para conhecer a verdade.

 

Tio Frank (Uncle Frank)

Você vai fazer as coisas como querem que você faça ou da maneira como você quer fazer? Escrito e dirigido por Alan Ball (produtor de seriados de sucesso como A Sete Palmos e True Blood), em seu segundo longa-metragem como diretor, Uncle Frank é sensível recorte passado no início da década de 70 onde um professor universitário não assumidamente gay precisa enfrentar seus grandes fantasmas do passado quando seu pai falece. Delicado e com reflexivos diálogos, o filme percorre todas as dores de um personagem (e os ótimos coadjuvantes) inteligentes e cativantes. Os atores Peter Macdissi e Paul Bettany conseguem extrair de seus personagens todo amor e carinho de uma relação secreta que passa uma grande verdade para o lado de cá da tela. Um emocionante filme, disponível na Amazon Prime Video.

Uncle Frank não deixa de tocar o ponto principal a todo instante, relacionamentos de pais e filhos, na linha do protagonista e na de muitos dos personagens coadjuvantes, seus conflitos e suas escolhas. Um belo trabalho de Ball e cia.

 

Crítica | ‘Corta-Fogo’ – A moral no campo das suposições marca suspense da Netflix

Uma família em luto, em um dia caótico e repleto de acontecimentos assustadores, é o start de uma trama que embaralha suas peças entre o drama e o suspense. Acredite: nada em Corta-Fogo é o que aparece!

Em apenas 15 minutos, já estamos envolvidos com a história que se projeta por meio do luto prolongado, o confronto com as memórias, achismos, e uma figura misteriosa que beira à ambiguidade e pode estar ligada a um desaparecimento. A sinopse esconde sobre o que é esse filme e somos frequentemente surpreendidos ao longo do restante da projeção. A guinada que o roteiro provoca é muito bem desenvolvida, deixando o público atento a cada nova informação.

Cena de 'Corta-Fogo'
Cena de ‘Corta-Fogo

Mara (Belén Cuesta) chega com a filha Lide (Candela Martínez) e o cunhado Luis (Joaquín Furriel), sua esposa Elena (Diana Gómez) e o filho do casal, para encaixotar roupas e objetos da sua casa que será vendida – decisão tomada após a perda do marido. Enquanto estão no local, uma torre de telefonia em meio à floresta solta faíscas que rapidamente se propagam, culminando em um incêndio florestal arrasador. Prestes a irem embora, Lide desaparece, levando a família a uma corrida contra o tempo – somada a uma variável que surge de forma inesperada.

Cena de 'Corta-Fogo'
Cena de ‘Corta-Fogo

Muito bem dirigido por David Victori, este surpreendente longa-metragem espanhol disponível na Netflix caminha através da moral no campo das suposições, onde a razão humana é colocada em evidência sob o efeito do que é certo e errado quando a desconfiança aparece e não larga mais. Nesse ponto, quando acontece a grande virada da trama, percebemos o nível de tensão crescer a cada possibilidade de descoberta.

Cena de 'Corta-Fogo'
Cena de ‘Corta-Fogo

De um drama familiar até as certezas imprecisas, suposições e desespero que formam o alicerce que afloram nas atitudes dos personagens, vamos sendo surpreendidos por uma narrativa repleta de sugestões apontados para a dúvida. É muito difícil imaginar para onde o roteiro chega em seu desfecho. Essa imprevisibilidade é um dos pontos altos do projeto.

Corta-Fogo não é um filme de sobrevivência. Se coloca muito mais como um thriller provocativo sobre a culpa que corrói e o perdão que ampara.

Tribunal Cinéfilo! Convidados debatem sobre o filme brasileiro ‘Bacurau’

Reunimos aqui nesse recinto virtual do STC (Superior Tribunal Cinéfilo) para as decisões dos amantes da 7a arte interessados no Processo Cinéfilo #00000000014, “Bacurau” na Vara virtual Pop, ministrada pelos excelentíssimos juízes cinéfilos Rafa Gomes e Rapha Camacho.

Para debater nas argumentações sobre essa obra, eis a apresentação dos ilustres convidados:

Para a defesa, a cinéfila de Florianópolis, graduada em letras e literatura e também psicanalista, da geração dos primeiros colecionadores da extinta Revista SET, Tatiana Russo.

Defendendo os que não amam o filme: o cinéfilo, bacharel em Cinema, diretor, roteirista, responsável por uma página no Instagram onde fala sobre cinema, Adriano Jabbour.

O júri é formado por vocês que assistem a esse programa ao vivo aqui na nossa plateia virtual.

Caso ninguém vote quando os juízes pedirem, os próprios juízes definirão a sentença.

Mandem mensagens ao longo desse programa que exibiremos sempre que possível.

Nome do filme: Bacurau

Diretor: Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

Sinopse do filme: Os moradores de Bacurau, um pequeno povoado do sertão brasileiro, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, eles percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade. Quando carros são baleados e cadáveres começam a aparecer, Teresa, Domingas, Acácio, Plínio, Lunga e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Agora, o grupo precisa identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.

Acompanhem por aqui: https://www.youtube.com/watch?v=y1QtYjmgVvY

Prepare o café: 10 séries chocantes que vão te prender até o amanhecer

Para prender nossa atenção, basta apenas uma trama envolvente – mas, isso é algo bem complexo de se executar. Utilizando o chocar de muitas formas como ferramenta narrativa que se entrelaça no desenvolvimento de personagens, alguns projetos seriados conseguem nos manter presos no sofá até seus últimos momentos. Se você está procurando uma série com essas características, não perde essa lista abaixo:

 

O Testamento: O Segredo de Anita Harley (Globoplay)

Uma herança bilionária, uma disputa pelo poder, narrativas antagônicas e possíveis relacionamentos amorosos são alguns dos elementos que moldam um dos casos jurídicos mais complexos em andamento em nosso país. Muitas vezes, a vida real consegue ser mais impactante do que qualquer obra de ficção: O Testamento: O Segredo de Anita Harley é a prova disso.

 

Ara San Juan: O Submarino que Desapareceu (Netflix)

Uma tragédia e muitas descobertas. Chegou recentemente no catálogo da Netflix, um seriado documental argentino que traça um pente fino no catastrófico sumiço de um submarino com 44 tripulantes à bordo ocorrido em outubro de 2017. Um desastre que abre um mar de absurdos que vão desde um governo insensível, completamente perdido ao lidar com uma situação, até inúmeras teorias mirabolantes do que de fato possa ter acontecido.

 

Band of Brothers (HBO MAX)

Lançado em 2001, até hoje essa aclamada minissérie ganha novos olhares. O projeto nos mostra recortes nas ações da Easy Company, um regimento de Infantaria Paraquedista durante a Segunda Guerra Mundial. A obra é baseada em um livro homônimo do escritor Stephen E. Ambrose.

 

Ashley Madison: Sexo, Mentiras e Escândalo (Netflix)

Um pioneirismo na internet – no início dos anos 2000 -, no boom dos namoros Online, um site para casos extraconjugais é lançado gerando enormes polêmicas. A pessoa se cadastrava e era prometido sigilo e descrição. Certo dia, um ataque hacker aos servidores do site leva até o maior caso de divulgação de dados da história, modificando vidas para sempre.

 

Paradise (Disney Plus)

Tudo ia bem numa comunidade perfeita de algumas milhares de pessoas, até que um dia o presidente Cal (James Marsden) é brutalmente assinado no seu quarto. Logo, Xavier (Sterling K. Brown), o responsável chefe por sua segurança, começa a juntar as peças desse quebra-cabeça que nos leva até a exposição de fatos surpreendentes que vão de encontro aos interesses de Sinatra (Julianne Nicholson), uma influente nas relações políticas. Se você acha que a trama se prende a isso, não ande por esse caminho. Ao final do primeiro episódio, entendemos um pouco do que é aquele lugar.

 

Silo (Apple Tv Plus)

Ficção científica, Silo nos leva para uma reflexão sobre a sobrevivência em um futuro distópico onde pessoas vivem em um lugar controlado por regras e repleto de restrições. Baseado na obra do escritor norte-americano Hugh Howey.

 

Jerry Springer: Brigas, Câmera, Ação (Netflix)

Tudo – e realmente tudo – pela audiência. Chegou na Netflix no início de 2025, uma minissérie que mostra os bastidores e depoimentos da equipe de um dos mais polêmicos shows televisivos da história da televisão mundial. Tendo como foco as quase inacreditáveis pautas de The Jerry Springer Show – programa camuflado de um talk show – vamos percorrendo as ações de produtores, suas relações de trabalho e com os convidados. Antes de mais nada, esse é um projeto assustador quando pensamos em nós como sociedade.

 

Homicídio nos EUA: Gabby Petito (Netflix)

Uma viagem pelos Estados Unidos de dois jovens recém noivos termina com apenas um deles voltando pra casa. Partindo desse ponto para montar peças de um quebra-cabeça macabro que envolve a violência doméstica e a dependência emocional, chegou ao catálogo da Netflix uma série documental de três episódios que apresenta os fatos de um crime que chocou um país.

 

Fringe (Prime Video)

Nessa sensacional série que durou cinco temporadas, acompanhamos a agente do FBI Olivia Dunham, ao lado do cientista Walter Bishop e seu filho, Peter, investigando casos que se tornam interligados – com direito a universo paralelo.

 

Plantão Policial (Prime Video)

Introspectiva e com um passado recente cheio de amarguras e conflitos com outros policiais, a experiente oficial do corpo de polícia de Long Beach, Harmon (Troian Bellisario), recebe a missão de treinar mais um recruta, Diaz (Brendan Larracuente), um rapaz destemido que sofre com o irmão preso e precisa aprender muito mais do que imagina. Ao longo do tempo que formam dupla, esses dois policiais enfrentarão casos violentos pelas ruas da cidade.