'The Handmaid's Tale' |  2x11: ‘Holly' - Na gélida imensidão da solidão

'The Handmaid's Tale' | 2x11: ‘Holly' - Na gélida imensidão da solidão

Nota:

Acompanhar a gravidez de June tem sido um banquete experimental de sensações adversas. O que a aguardada chegada de um bebê tem gerado transcende a natural expectativa da espera de uma nova vida. Em um contexto turvo e intoxicante, respiramos afoitos para que este fatídico momento tarde um pouco mais, que ele possa cruzar as fronteiras territoriais primeiramente. Cada contração, uma incerteza. E em 'Holly', penúltimo episódio da segunda temporada de The Handmaid’s Tale, recuperamos o fôlego com nossa protagonista, que na gélida imensidão do nada luta contra todas as circunstâncias para prevenir o inevitável.

Leia também nossas análises dos episódios 1 (June), 2 (Unwomen) da 2ª Temporada , 3 (Baggage), 4 (Other Women), 5 (Seeds), 6 (First Blood), 7 (After) e 8 (Women's Work)

O mais fascinante de THT é sua habilidade de tirar da perda a oportunidade de celebrar algo novo. Com episódios que transitam entre a inconstância emocional de seus antagonistas, em virtude das reações das protagonistas, caminhamos em uma frequência que beira uma montanha-russa emocional. E aqui, novamente, não seria diferente. Com uma descarga psicológica profunda, o desenvolvimento da nossa aia é frenético, rompendo em um dos momentos mais sublimes de toda a sua trajetória. Simbólico, profundo e honesto, nos tornamos testemunhas da cena mais impactante, de todas as brutalidades e virtudes já mostradas em tela.




Com uma direção que destaca o vermelho do figurino em contraste com uma fotografia novamente bucólica, mas coberta por neve, ‘Holly’ é o ponto mais alto de toda a temporada - como esperávamos, mas não como imaginávamos. Em um entremeio de quase fuga com a aflição da chegada de uma criança em um cenário caótico, o episódio supera na angústia e no sofrimento, nos envolvendo com ainda mais afinco - se é que isso ainda era possível. E com a voz de Oprah Winfrey como uma espécie de redenção a uma vida pulverizada pelo desprezo e abusos alheios, somos entregues a uma percepção profunda do valor da vida, liberdade e coragem.

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Ao som do icônico hino de Bruce Springsteen, ‘Hungry Heart’, que detalha os sentimentos mais profundos da nossa protagonista, o capítulo se entrega a nós com doces referências, uma narração que parece falar diretamente com a audiência e uma sublime sensação de calmaria, que não se esvai mesmo diante das temidas e ofuscantes luzes vermelhas de um giroflex. E nós, ao final, encaramos tudo com a mesma observação de June. Pode ser doloroso,  desgastante e provavelmente exige muito de nós, mas The Handmaid’s Tale vale cada segundo do nosso tempo, pois ainda é possível contemplar a beleza em meio à podridão.

 

 

 





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