Outubro é o mês mais místico do ano – e o momento em que vários realizadores da indústria do entretenimento resolvem voltar às aterrorizantes raízes do terror para nos agraciar com filmes e séries do gênero. O problema é que, em grande parte dessas investidas, a história acaba se transformando em uma convulsionada justaposição de fórmulas e de reviravoltas que já conhecemos e que já vimos mais de uma vez.

Se há uma produtora que vem revitalizando o gênero em questão a passos curtos, é a Blumhouse Productions. A companhia supervisionada por Jason Blum já entregou ao público obras bastante irreverentes (‘A Morte Te Dá Parabéns’ e o vindouro ‘Freaky: No Corpo de um Assassino’), nostálgicas (‘Halloween’ e suas já confirmadas continuações) e aterrorizantes (‘Corra!’‘O Homem Invisível’).

Neste ano, a Blumhouse resolveu colaborar com a Amazon Studios para uma antologia conhecida como Welcome to the Blumhouse, uma série de quatro filmes (até agora) que, tecnicamente, deveriam se passar no mesmo universo. Mas devemos chamar essa série de longas-metragens de “antologia” quando nenhuma delas se conecta de nenhuma forma?


De qualquer modo, a Amazon lançou dois filmes por semana e recentemente deu fim a um quarteto ambicioso – e que, infelizmente, não conseguiu alçar voo ao se valer de construções simplórias ou previsíveis demais para serem levadas a sério (com duas exceções que também não significam muita coisa).

E, agora que esse primeiro bloco terminou, o CinePOP resolveu fazer um breve ranking do pior ao melhor capítulo dessa franquia sem precedentes.

Aproveite para assistir:

Confira:

4. EVIL EYE

Direção: Elan Dassani, Rajeev Dassani

Lançamento: 13 de outubro


“Comandado pelos irmãos Elan e Rajeev DassaniEvil Eye força cada um de seus arcos narrativos em um convulsionado produto sem pé nem cabeça – e sem qualquer ritmo fílmico. De um lado, essa nova construção episódica da saga supracitada se assemelha a qualquer drama independente que tenhamos visto nos últimos anos, valendo-se de momentos preciosistas demais para serem levados a sérios e uma agridoce e previsível repetição de eventos e ações. Usha e Pallavi não saem de onde começaram e caem numa rotina circinal e maçante – aliás, nem ao menos sabendo de que forma sair das obviedades. De outro, o roteiro assinado por Madhuri Shekar não dá espaço para muitas investidas criativas […].

Como se isso não bastasse, a tensa ambientação fica presa a uma vaidade autodestrutiva cuja ideia é infundir a banalidade do cotidiano à mitologia local: em outras palavras, Shekar não tem ideia do que fazer com tantas ideias e, por fim, as aglutina em uma desnorteada presunção guiada por um misticismo barato e a foreshadowings ridículos demais para serem críveis. Há tantos furos na narrativa que o público se desprende com facilidade desse opaco cosmos, pensando duas vezes antes de continuar acompanhando uma história que se leva a sério demais.” – Thiago Nolla

3. THE LIE

Direção: Veena Sud


Lançamento: 06 de outubro

“A falta de identidade estética é o deslize de maior voz no filme – e nem as boas intenções de Sud, que também fica responsável pelo roteiro, conseguem salvá-lo de tangenciar a monotonia. Há algo monumental demais tentando se erguer sobre uma base oscilante e que ameaça desmoronar a qualquer momento. Talvez como uma última esperança desolada de entregar algo que fuja das previsibilidades cinematográficas, o twist final vem de forma tão sutil que nos deixa atônitos, desacreditados da mesma forma que os protagonistas quando Brittany entra pela porta de garagem como se nada tivesse acontecido – e como se eles estivessem cientes de que ela e Kayla haviam inventado toda aquela história.

The Lie se vale muito de sua evocativa resolução para superar a si mesmo, mas não podemos deixar de considerar os múltiplos equívocos que antecedem o finale. Cada aspecto parece preso a limitantes estereótipos que não permitem que a obra alce voo como deveria.” – Thiago Nolla

2. BLACK BOX


Direção: Emmanuel Osei-Kuffour Jr.

Lançamento: 06 de outubro 

“Osei-Kuffour não tem qualquer intenção de construir uma tragédia grega ou de se respaldar em melodramas novelescos e previsíveis – mesmo que, com atenção máxima, possamos entender o que nos aguarda no último ato. Na verdade, o cineasta toma seu tempo para construir arcos comoventes e relacionáveis com o público, colocando os laços entre Nolan e Ava no centro de uma corrida por aquilo que foi perdido. Nolan deseja mais que tudo que volte a ser o pai que outrora era, mas ao mesmo tempo se vê num impasse: ele consegue acessar sua zona de conforto quando hipnotizado; porém, ele é atacado por uma força incompreensível que o persegue e que, de alguma forma, quer destruí-lo. É aí que se centra o plot principal: quem é essa criação psíquica que atormenta seus pesadelos? Um lado sombrio que não conhece? Ou algo mais derradeiro que voltou com ele do mundo dos mortos?


Em nenhum momento o roteiro dá a entender que lidaremos com o sobrenatural, mas sim com uma metafísica exploração do que significa “existir”. O protagonista, encarnado com perfeição e com profundidade por Athie, não sabe quem é e não sabe se o passado que lhe contam é verdadeiro: em diversos momentos, ele se questiona sobre comportamentos explosivos e tóxicos que podem ter a ver com alucinações que incluem uma mulher sem rosto (provavelmente sua esposa) cheia de machucados e um bebê esperneando, inconsolável. Ao mesmo tempo, Nolan também fica se perguntando o motivo do cenário onde se vê não fazer parte de sua história – afinal, certas sequências são ambientadas em um apartamento no subúrbio no qual nunca viveu. À medida que essas questões se acumulam em uma bola de neve, Herman espera o momento certo para nos entregar uma reviravolta sólida o bastante para fugir do lugar-comum.” – Thiago Nolla

1. NOCTURNE

Direção: Zu Quirke

Lançamento: 13 de outubro

“Não se enganem: Nocturne não é tão calculável quanto soa, com exceção de sua resolução. Ora, ele nem ao menos foge da estética que quer nos entregar, funcionando como um coeso produto que nos deixa ansiando por mais. O grande deslize, por assim dizer, é sua falta de ousadia e de autocrítica quanto ao lugar-comum – e, enquanto afasta-se da presença materializada de demônios ou de aparições sobre-humanas, não consegue criar um elo contínuo o bastante para nos chocar com sua reviravolta. Há um flerte óbvio com a falta de apoio psicológico encarnada por Natalie Portman em ‘Cisne Negro’ ou com a íntima insanidade de Jessica Harper em ‘Suspiria’ – nada que acrescente muitas camadas a personagens já complexos na medida certa, e nada que não passe de uma emulação barata. De qualquer forma, a eventual melancolia e a normatização da tragédia são convincentes, apesar de não dignas ao que poderia ser.


Há algo de agridoce quando olhamos de volta para os quatro volumes dessa antologia recém-iniciada – e, por mais que as intenções de Nocturne sejam as melhores, elas parecem não ter vontade de encarnar a originalidade e renegar o básico.” – Thiago Nolla

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