Crítica | A Luz Entre Oceanos

Crítica | A Luz Entre Oceanos

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Romance dentro e fora das telas

Baseado no romance homônimo de M. L. Stedman, publicado em 2012, A Luz Entre Oceanos é a nova superprodução da Dreamworks mirada ao público adulto, que a Paris Filmes estreia hoje no Brasil todo. Na direção, um verdadeiro especialista em relacionamentos difíceis e dramáticos no cinema, o americano Derek Cianfrance, cineasta que tem no currículo o dilacerante Namorados para Sempre (Blue Valentine, 2010) e o épico criminal O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines, 2012).

Desta vez, nada de Ryan Gosling no elenco, mas a ênfase continua a ser dada aos protagonistas e suas escolhas difíceis – o que muitas vezes termina por prejudicar a vida a dois. Como de costume, o autoral Cianfrance assina também o roteiro, aqui adaptando o best-seller para a telona, e se apropriando da história com seus contornos únicos. A Luz Entre Oceanos pode ser o filme mais tradicional do diretor e o menos subversivo, mas nem por isso é uma obra unilateral , de escolhas e respostas fáceis.

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Na trama, Tom Sherbourne (Michael Fassbender) é um homem traumatizado pela guerra, procurando paz de espírito. Ele viaja para uma pequena cidade na costa da Austrália Ocidental e lá arruma emprego temporário de seis meses como faroleiro. O isolamento é requerido no trabalho e para ele isso é o melhor. No local também, um interesse mútuo nasce entre ele e Isabel Graysmark (Alicia Vikander), filha de um dos cidadãos ilustres da cidade. Logo, o emprego temporário se torna definitivo, quando o protagonista aceita a proposta de ficar três anos no cargo, e assim o casamento com Isabel também pode ser consumado.

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Um amor mais inocente e, de certa forma, sincero, provido pela época (o filme se passa por volta de 1920) na qual os seres humanos possuíam costumes e ideais mais honrados, irá se abalar pelo acaso do destino. Isabel, tragicamente, aborta de forma espontânea o primeiro rebento do casal numa noite de tempestade. Algum tempo depois, e o estarrecedor fato volta a se repetir. Até que a intervenção divina entra em jogo (ou será?) e o casal encontra um barco à deriva chegando até sua ilha. Dentro da embarcação, um homem morto e seu recém-nascido. É posto diante dos protagonistas seu primeiro grande dilema: o que fazer com a criança?

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As atitudes dos personagens vão determinando aos poucos seus destinos, anunciando caminhos irreparáveis, do qual não há retorno. A Luz Entre Oceanos mostra que uma história rica não necessita de vilões ou ocorrências grandiloquentes, para isso já basta a vida e as decisões diárias que nos afastam ou aproximam uns dos outros. A produção é uma obra de arte no melhor sentido da palavra, dona de uma parte técnica invejável (direção de arte, fotografia, trilha sonora). Cianfrance, provido de um cinema indie, mais cru e real, realiza aqui sua homenagem aos antigos filmes da era de ouro de Hollywood, nos quais ideias eram o suficiente.

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No elenco, o casal da vida real Michael Fassbender (indicado ao Oscar por Steve Jobs e 12 Anos de Escravidão) e Alicia Vikander (vencedora do Oscar por A Garota Dinamarquesa) são quem comandam o show com fortes performances. Fassbender faz de seu calado personagem um homem digno e destroçado igualmente, enquanto a companheira Vikander acerta o tom entre a doçura, graciosidade e desespero de uma mulher que perdeu parte de sua vida. A química exala das telas e ficamos desejando mais filmes com os atores juntos. A dupla está no auge. A brincadeira é como seria o filho mecânico dos androides David, de Prometheus (2012), e Ava, de Ex Machina (2015).

A Luz Entre Oceanos faz tudo o que precisava, entregando um tipo de cinema cada vez mais raro atualmente. Alguns o acusarão de ser excessivamente dramático, beirando o melodrama e se aproximando de folhetins. O fato é que a obra questiona com temas universais e atemporais, mas utilizados ao longo dos tempos de forma exaustiva. Apesar de temas requentados, o filme entrega resoluções imprevisíveis, criando grande conexão de sua jornada com o público – nos sentimos investidos o suficiente para acompanhar de perto aonde a fatídica história chegará. O novo filme de Cianfrance é antiquado, redondinho e sem grandes novidades, seja na estética ou no conteúdo de seu roteiro. É um filme fora de seu tempo, com gosto nostálgico, feito sob medida para todos com tais características. Ah, o amor…


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