Cada vez mais nos últimos tempos no cinema a máxima “nada se cria, tudo se copia” se torna verdadeira. O que muitos parecem não saber, no entanto, é que fazer sucesso não é fácil. Para cada dez tentativas de emplacar um novo fenômeno midiático, menos da metade de fato atinge seu objetivo junto ao público-alvo. Ou seja, mesmo com uma campanha de marketing massiva e muito cara, e críticas elogiosas de grande parte dos veículos especializados, isso não é sinônimo de que um filme cairá de forma intensa no imaginário coletivo, se tornando a nova onda da cultura pop.

Dessa forma, é preciso tirar o chapéu para os que de fato conseguem seu lugar dentre os grandes itens do cinema de todos os tempos. Aqueles filmes atemporais que, além de não saírem jamais da mente e alma do grande público (atingindo de forma certeira a maioria dos espectadores), seguem relevantes culturalmente, popularmente e socialmente. Tais obras permanecem gerando dinheiro por transcenderem para inúmeras peças de merchandising, como quadrinhos, games, brinquedos e animações, e claro, seguirem dando frutos nas telonas.

Aqui olharemos justamente para filmes lançados há 40 anos no cinema, no ano de 1981, que continuam muito presente no consciente coletivo, e em breve darão novos frutos para Hollywood – seja nas telonas, com novos blockbusters, ou nas telinhas, com a nova era das séries de TV. Confira abaixo e comente.

Indiana Jones



Em 1981, o primeiro filme do herói Indiana Jones estreava nas telonas e mudava para sempre o cinema entretenimento – que pegava muita carona nos filmes de matinê do passado. O sucesso foi tanto que o longa se tornou um dos primeiros “arrasa-quarteirões” de Hollywood, e geraria mais duas continuações somente na década de 1980 (em 1984 e 1989). No início dos anos 1990, o personagem migrava para a telinha, na forma de uma série que contava seus primeiros anos como aventureiro ainda na juventude, sacada do gancho contido no terceiro filme.

Duas décadas depois e o personagem ainda nas formas de Harrison Ford voltava aos 66 anos para uma nova jornada (a quarta aventura), ao mesmo tempo em que descobria um filho. Agora, pela primeira vez teremos um filme sem a direção de Steven Spielberg – desta vez somente no cargo de produtor. Quem comandará a quinta aventura do herói nas telonas é James Mangold, do sucesso Logan (2017). Ford está mais uma vez a bordo no papel principal, após boatos de um possível reboot com Chris Pratt vivendo o personagem. O filme estreia em junho de 2023, mas ainda não possui título revelado. O que sabemos é que desta vez uma mulher estará no centro da aventura, com a personagem da prestigiada Phoebe Waller-Bridge.

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Halloween

De um blockbuster de aventura, pulamos para um filme de terror. Mas não um qualquer, e sim uma das franquias do gênero mais queridas dos fãs, que retornou com força total e bastante classe nos últimos anos. Tudo bem, Halloween – A Noite do Terror (1978) é mais antigo que quarenta anos, mas acontece que ao voltarmos quatro décadas no passado, iremos nos deparar com a primeira continuação direta do sucesso atemporal de John Carpenter, escrita e produzida pelo próprio. Novamente, a sequência caía no gosto dos fãs.



Desde então, foram lançados 10 filmes no total, incluindo inúmeras continuações, reboots e até refilmagens. Em 2018, o décimo primeiro longa prometida zerar a contagem novamente (isto é, após o primeiro) e iniciar uma nova trilogia. Foi este filme, novamente protagonizado por Jamie Lee Curtis como Laurie, que trouxe prestígio de novo para a franquia, tirando Michael Myers do terreno dos filmes B, para o mainstream. Este ano, a continuação direta de tal filme, Halloween Kills estreou. E ainda estamos aquecendo os motores para a conclusão desta mais recente saga, com Halloween Ends, a ser lançado em outubro de 2022. É só esperar.

Evil Dead

Seguimos no terreno dos filmes de terror, porém, agora saímos do slasher para adentrar um gênero igualmente particular: os filmes de assombrações na floresta. Gênero esta que Evil Dead ajudou a criar. O filme semi amador do cineasta Sam Raimi se tornou uma das obras mais cult dos anos 1980, e elevou o status do realizador. Aos poucos, Raimi ia colocando seu nome dentre os grandes da indústria, e tudo começava há 40 anos, num terror sem muitos recursos, mas com muita criatividade. Seis anos depois, ele conseguia um orçamento melhor e realizava uma continuação / refilmagem de seu primeiro longa.

No início dos anos 90, a franquia concluía sua saga dos mortos-vivos conhecidos como Deadites e o herói bufão Ash (Bruce Campbell). A diferença dos filmes Evil Dead de Raimi em relação aos demais filmes de terror da época era o uso constante de humor, o que transforma a trilogia quase em uma paródia, mas sem esquecer os elementos mais barra-pesada, como possessões, decapitações e desmembramentos. Por vinte anos, o universo criado por Raimi ficou dormente, até que, na era das refilmagens dos anos 2010, Evil Dead – A Morte de Demônio ganharia uma reimaginação “pauleira”, que esquecia qualquer humor farsesco para investir pesado no gore – com direito a uma atuação inspirada da protagonista Jane Levy.

A forma cômica de Evil Dead ganharia lugar nas telinhas com a criação do programa Ash vs Evil Dead, que trouxe de volta Bruce Campbell para seu papel mais famoso. O seriado durou três temporadas. Agora, um novo filme intitulado Evil Dead Rise (A Morte do Demônio – A Ascensão) está em fase de pós-produção e deverá ser lançado no ano que vem. Este longa será uma continuação direta da trilogia original e se passará no cenário de um prédio no meio da cidade desta vez, ao invés da usual cabana na mata. Resta saber se a produção levará em conta os eventos de Ash vs Evil Dead.

Mad Max

George Miller, o criador da franquia pós-apocalíptica australiana Mad Max, não esconde de ninguém a relação tempestuosa que teve com seus astros protagonistas no quarto filme da franquia, Estrada da Fúria. Os filmes de Mad Max começaram ainda em 1979, como uma produção independente e cult. Há quarenta anos, Miller entregava um dos melhores filmes de ação da história com a sequência direta daquele filme, uma evolução em todos os sentidos. Após o terceiro filme, em 1985, a franquia teria um longo hiato e ficaria estacionada por um tempo nos anos 80.



Três décadas depois, já numa época de revitalizações constantes de marcas conhecidas e potencialmente rentáveis, Mad Max voltaria à cultura pop, desta vez nas formas de Tom Hardy – substituindo o veterano Mel Gibson. No set, Miller viveu um pesadelo ao tentar comandar ambos Hardy e Charlize Theron, assim como apartar suas brigas. Resultado, contra todas as expectativas, Estrada da Fúria foi um sucesso, recebendo até indicações ao Oscar, mas Miller não quis mais saber dos dois. Para um filme focado na personagem de Theron, Furiosa, o diretor escolheu Anya Taylor-Joy como substituta. A trama, será uma pré-sequência, mostrando a juventude da personagem. Furiosa tem estreia prometida para maio de 2024.

Falcões da Noite

O que, você pergunta? Calma, querido leitor. Sabemos que este título não é nem de perto tão chamativo quanto os itens acima. Mas saiba você que se trata de uma produção estrelada pelo astro Sylvester Stallone. Tudo bem, este porém não era o Stallone “rei da ação” como ficaria conhecido em meados da década de 80 após o lançamento de Rambo 2 (1985) mais especificamente. A partir daí, o ator se tornaria um dos pilares do subgênero dos filmes “exército de um homem só”. Mas aqui, voltando quarenta anos no passado, o ator ainda tateava para encontrar seu lugar na indústria de Hollywood e vira e mexe tentava um papel mais dramático.

Esse era o Stallone de Rocky e Rocky 2 – ambas produções da década de 1970. Assim, o ator começava os anos 80 não com um blockbuster de ação, mas sim um policial neo-noir, que se comporta mais como um filme de suspense. As bases estruturais que o ator usaria em seus personagens ao longo de tal década, no entanto, já ganhavam forma, com Stallone interpretando um policial (barbudo e cabeludo) durão e obstinado. Sua missão é encontrar um terrorista que tem a mania de explodir tudo em seu caminho e chacinar pessoas ao bel prazer.

O maníaco é vivido por um dos melhores e mais carismáticos vilões da história do cinema: o saudoso Rutger Hauer. Completando o elenco, o eterno Lando Calrissian, Billy Dee Williams, no papel do parceiro de Stallone. A notícia fresquinha é a seguinte: Falcões da Noite, ou Nighthawks no original, será transformado numa série com oito episódios em sua primeira temporada, que terá Stallone não apenas na frente das câmeras, como também dirigindo. Quem confirmou foi Frank Grillo, que irá protagonizar o programa, vivendo o mesmo personagem que Stallone fez no filme. A data de estreia ainda não foi divulgada.


Fuga de Nova York

Finalizando a lita, temos o terceiro item da tríade de aventura e ação de 40 anos atrás – fazendo coro com Indiana Jones e Mad Max. Snake Plissken, personagem de Kurt Russell no filme, possui um visual tão chamativo neste filme que foi imediatamente abraçado como item cult valiosíssimo pelos fãs de cinema. O sujeito durão, que usa tapa-olho, e sequer precisa da outra vista para distribuir sopapos, tiros e explosões é simplesmente icônico demais. Fuga de Nova York marcou também novos ares para a carreira de John Carpenter, então um diretor mais voltada ao terror.

Aqui, o diretor dava seu passo mais ambicioso com uma ficção científica que misturava ação e suspense. Russell vive um militar renegado no futuro. Ele é o único que pode concluir uma verdadeira missão suicida, mas precisa ser “coagido” a tal. Acontece que Manhattan se transformou numa grande prisão a céu aberto, uma espécie de grande Alcatraz, onde os criminosos são “desovados” e vivem por conta própria, criando suas próprias leis – sem qualquer interferência das autoridades, que apenas monitoram à distância.

Neste cenário mais que caótico é onde cai a aeronave do presidente dos EUA – e Plissken precisa resgatá-lo, correndo contra o tempo. Mais de dez anos depois, o próprio Carpenter conduziu uma espécie de remake, com mais humor e trocando New York por Los Angeles. Esse segundo não obteve a mesma recepção do original. Desde então, por anos se falou num possível remake – que teve Gerard Butler atrelado para estrelar, após o sucesso de 300. Agora, a coisa finalmente sairá o papel, com Leigh Whannell (O Homem Invisível) na direção. O cineasta abriu mão do remake de O Lobisomem para criar o novo universo de Fuga de Nova York. O filme já está em fase de pré-produção.

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