Quando se é um ator iniciante, um artista aceita qualquer tipo de papel simplesmente para se ver empregado – já que esta área profissional possui grande nível de instabilidade. Isso é verdade até mesmo para jovens atores norte-americanos que chegam em Hollywood em busca de seu grande sonho: se tornar um astro do cinema. Alguns de fato conseguem. E quando atingem esse patamar, se deparam com um novo desafio na carreira (muito para além de fama e fortuna): como direcionar seus projetos? Com o sucesso vem também a autonomia de poder escolher trabalhar em produções que achem relevantes de alguma forma, ou que se comunique mais com suas visões de mundo.

Este é sempre o próximo passo de um artista renomado – saber escolher o tipo de filme que irá fazer e as pessoas com quem quer se envolver no meio, sejam diretores, produtores e outros atores. O que quase sempre ocorre em situações assim, ou seja, quando um astro ou estrela encontra um projeto que acha ser a sua cara, e pretende levar adiante, tirando tal obra do papel para as telas, é seu envolvimento também atrás das câmeras. Um ator nestes momentos precisa meter a mão na massa ele mesmo, e comandar de certa forma nos bastidores, mesmo que não seja o diretor do projeto. Para isso, estes astros terminam assumindo as funções de produtores em seus chamados “projetos dos sonhos”. Esse é justamente o tema desta matéria. Abaixo veremos algumas obras muito pessoais para algumas das grandes lendas atuais de Hollywood. Confira abaixo e comente.

Malévola (2014)

Começamos a lista com a toda-poderosa Angelina Jolie. Em cartaz atualmente nos cinemas mundiais com a mais recente superprodução da Marvel, Os Eternos, a estrela já era uma atriz vencedora do Oscar (e com uma segunda indicação) quando começou a se envolver de forma mais pessoal em alguns filmes. A primeira investida foi no documentário Trudell, de 2005. Em 2011, com Na Terra do Amor e Ódio além de produzir, resolveu estrear na direção, contando uma história de amor no estilo “Romeu e Julieta”, passada na Guerra da Bósnia.



Mas foi em 2014, que Jolie daria seu grande passo, assumindo a produção de um verdadeiro Blockbuster. Trata-se de Malévola, superprodução da Disney que reimagina o conta da Bela Adormecida. E o envolvimento mais próximo de Jolie é simples: este é um de seus filmes preferidos da infância e sua animação favorita da casa do Mickey. Assim, nada mais natural que ela quisesse tirar do papel uma versão de carne e osso deste conto. O curioso é que Jolie, uma eterna rebelde bad ass, não estava interessada no papel da protagonista, mas sim da vilã do título, que ganhou os holofotes e na pele da atriz rendeu uma caracterização perfeita. O sucesso foi tanto que ela voltaria cinco anos depois para uma sequência.

Deadpool (2016)

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Essa estrada foi mais árdua, mas surgia como uma questão de honra para o jovem canadense Ryan Reynolds. Em cartaz atualmente nos cinemas e na Netflix com a blockbuster Alerta Vermelho, o ator aos poucos foi conquistando seu espaço em produções cada vez maiores voltadas ao entretenimento. E isso inclui os hoje muito famosos filmes de super-heróis. Reynolds não é estranho a eles e já esteve envolvido em nada menos que cinco. O primeiro foi Blade Trinity (2004), e antes de dar bola fora com Lanterna Verde (2011), realizava um sonho ao viver um personagem que é um grande preferido dos fãs, Deadpool. E de quebra atuar ao lado de Hugh Jackman, o Wolverine encarnado, no primeiro filme solo do mutante de garras afiadas em 2009.

O problema, bem, todos que viram X-Men Origens: Wolverine conhecem de cor. Para Reynolds o entrave se resume a um: a adaptação canhestra que Deadpool recebia naquele filme. Mas o ator não se deu por vencido e durante anos insistia e mexia seus pauzinhos de todas as formas que podia na FOX. Segundo Reynolds, o personagem merecia uma adaptação fiel e decente. Foram quase dez anos nessa luta, que ainda teve um teste “vazado” pelo estúdio – os fãs compraram e a partir disso o filme foi gerado. Hoje não dá para entender porque demoraram tanto, Deadpool e Reynolds parecem ter nascido um para o outro e serem a mesma pessoa.



Shazam! (2019)

O curioso aqui é que esse é um projeto dos sonhos de um ator que não está no elenco do filme. Bem, ao menos não por enquanto. Por falar em Ryan Reynolds e Alerta Vermelho, aqui temos o colega do ator, o peso pesado Dwayne Johnson, vulgo The Rock. A multipotência de Hollywood atual é um dos maiores astros do cinema, quem diria? De lutar de WWE para o topo da cadeia alimentar do cinema mainstream, Johnson já meteu a mão na massa em alguns de seus projetos e segue sem data para parar. Uma das produções pessoais do ator mais interessantes é o universo do herói Shazam, da DC Comics no cinema.

Acontece que o astro multimídia e completamente interativo nas redes sociais, há um tempo atrás fez uma pesquisa de opinião com seus fãs perguntando quem eles gostariam que interpretasse: o herói Shazam ou o vilão Adão Negro. Os seguidores do astro nem precisaram pensar duas vezes e elegeram Johnson como o vilão. É bom ser mau. Assim começava a epopeia e cabo de força para o astro começar a ver esse universo dentro da DC ganhar vida. E está funcionando. O primeiro passo foi produzir o filme do herói. Com um clima juvenil e divertido, como Homem-Aranha (2002), Shazam! se mostrou sucesso. Agora é a vez de dar continuidade com o filme do antagonista, esse sim estrelado pelo próprio The Rock, a ser lançado em julho do ano que vem.

Missão: Impossível (1996)

Quando falamos em astros de Hollywood – um nome surge no panteão dos Deuses da Sétima arte, no topo por nada menos que quase quatro décadas: Tom Cruise. Desde que protagonizou Top Gun – Ases Indomáveis (que ganha sequência ano que vem) em 1986, o ator deu o maior passo de sua carreira se tornando um dos maiores astros do cinema norte-americano. Porém, seria mais dez anos até que Cruise pegasse para si a autonomia de seus próprios projetos em sua carreira. A transição se deu justamente em 1996 – dez anos após Top Gun – quando o astro além de protagonizar, se tornou também dono da marca “Missão: Impossível”.

Aqui, é claro, falamos da revitalização do seriado de suspense, aventura e espionagem da década de 1960, que ganhou sobrevida nos anos 80 em nova série. Ao lado da então parceira de negócios Paula Wagner, o ator comprou os direitos da marca e a transformou num blockbuster de verão, que já soma seis filmes e o sétimo (e o oitavo) estão em vias de serem lançados igualmente. Se isso não é poder…

As Agentes 355 (2022)



Por falar em espionagem e agentes secretos, ano que vem teremos uma nova equipe maravilhosa para chamar de nossa – uma formada só por mulheres super espiãs. Tudo partindo da vontade da musa ruiva Jessica Chastain, uma grande porta-voz dos direitos igualitários e empoderamento feminino na indústria de Hollywood. No modo de pensar da estrela, não existe um gênero em que os homens possam reinar e as mulheres não. E ela está certa. Cansada de ver o gênero dos agentes secretos ser dominado por James Bond, Jason Bourne, Ethan Hunt e afins, Chastain tirou o chapéu uma equipe internacional com mulheres para lá de bad ass. Quem sabe inspirada pelo que Charlize Theron fez em Atômica (2017).

Foi Chastain que bolou a ideia e tirou do papel, mexendo seus pauzinhos e ligando “pra zamiga”. A ruiva convocou queniana Lupita Nyong’o, a espanhola Penélope Cruz, a chinesa Fan Bingbing e a francesa Marion Cotillard. O filme foi um verdadeiro sucesso de venda no Festival de Cannes 2018, com a Universal Pictures pagando US$20 milhões pela ideia de Chastain. Depois disso, a musa francesa Cotillard precisou se retirar do elenco, e foi substituída pela alemã Diane Kruger.

O Escândalo (2019)

Por falar em mulheres empoderadas em Hollywood, um dos grandes nomes de estrelas na atualidade é a autônoma Charlize Theron. Com sua produtora chamada Denver and Delilah, Theron já tirou alguns projetos pessoais do papel. O primeiro deles foi Monster – Desejo Assassino (2003), considerada a primeira grande atuação da carreira da musa, que não por menos recebeu uma indicação e depois a vitória no Oscar de melhor atriz, ao personificar uma serial killer da vida real. Um dos últimos projetos bancados pela atriz parece ter cunho ainda mais pessoal, e surge como um grito ecoando através de uma Hollywood no auge do movimento feminino do #metoo, onde diversas atrizes divulgaram seus maus tratos e abusos sexuais sofridos dentro da maior indústria do cinema do mundo – que terminou por derrubar o magnata Harvey Weinstein, entre outros.

O Escândalo não fala sobre Hollywood, mas funciona como espelho, já que relata abusos de jornalistas dentro da empresa Fox News – que igualmente derrubou um barão da mídia. E foi a própria Theron que alistou um timaço de três gerações: além dela, Nicole Kidman e Margot Robbie – todas contracenando pela primeira vez. Resultado, mais uma rodada de indicações ao Oscar.


Karatê Kid (2010)

“Pai, me compra aquela franquia para estrelar?”. Tudo bem, a brincadeira não foi tão engraçada e podemos estar sendo injustos. O fato é: Will Smith e a esposa Jada Pinkett empurraram seus filhos ao estrelato a todo custo. Tudo bem, pode ter sido desejo dos pimpolhos Jaden e Willow. Mas a vida pública para uma criança não é fácil. Willow se enveredou para o lado da música. Enquanto o pequeno Jaden foi “pinçado” pelo paizão coruja para lhe fazer companhia em À Procura da Felicidade (2006), onde debutou vivendo, bem, o filho de Will Smith nas telonas. Quatro anos depois e o paizão “comprou” a franquia Karatê Kid, um dos produtos mais queridos da década de 1980 (que rendeu quatro filmes, um desenho animado e todo tipo de produto licenciado, desde brinquedos até jogos de videogame).

E adivinhe só? Pois é, o nepotismo falou mais alto e Will colocou Jaden para estrelar. O fato causou comoção entre os fãs, com a maioria não curtindo muito a ideia – em grande parte devido à idade de Jaden na época, então com 12 anos de idade, saindo da infância ainda. Outro problema? Passado na China, a luta praticada no filme não é o karatê, e sim o conjunto de técnicas Kung Fu. O que fez os fãs pensarem que o filme deveria se chamar Kung Fu Kid desta vez. O fato de ter Jackie Chan como o novo mestre, ocupando a vaga do eterno Sr. Miyagi até que apaziguou um pouco o ranço geral sentido pelo remake. Mas Smith se mostrando superior e o cara legal que é, entendeu a reclamação dos fãs e o que eles queriam. Assim, seguiu para produzir também a série Cobra Kai, já que ainda tem a franquia em seu domínio – e assim fazendo o público feliz.

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