Crítica Netflix | One Piece: Adaptação de amado anime é uma divertida aventura para toda a família

Em meio às numerosas cenas noturnas, a atmosfera solar de One Piece é um convite a um universo imaginativo e fantástico de piratas, tesouros exuberantes e aventuras alucinantes. Contrariando o receio dos fãs do original, a versão live-action de Steven Maeda e Matt Owens consegue romper com o frustrante ciclo de adaptações ruins da Netflix (vide Cowboy Bebop e Death Note), em uma otimista e colorida jornada sobre amizade, família, viagens marítimas e personagens peculiares. Flertando com o mesmo dinamismo cômico da franquia de Piratas do Caribe, a nova série é uma experiência apaixonante que, à medida em que responde aos anseios dos apaixonados hardcore, também estende a mão para uma nova audiência tão distante dos animes.

Com uma certa inocência e delicadeza pueris, One Piece pode soar um tanto exagerada em primeira instância. Trazendo um efusivo protagonista, com uma visão romântica sobre tudo e todos, a produção parece caricata demais para os desacostumados com o formato dos animes. Mas ao permitir que seus personagens floresçam em suas excentricidades de maneira profunda e palpável, Maeda, Owens e sua equipe de roteiristas fazem com que todos funcionem lindamente bem, como um organismo vivo e fluído. E a cada novo capítulo, novas histórias e pequenos arcos começam a surgir, garantindo camadas muito mais densas a uma série que poderia muito bem ser apenas uma aventura infanto-juvenil limitada.

E entre cores quentes que refletem à luz do dia e o contraste das diversas cenas sombrias, a original Netflix vai conquistando a atenção e o coração da audiência, levando-na a um nível de conectividade impressionante. E conforme torna todos os seus elementos técnicos em uma boa oportunidade narrativa, a adaptação da aclamada obra de Eiichiro Oda ajuda a expandir seu universo e alcance, com uma trama mirabolante capaz de desbancar qualquer inflamada história de pescador. Se apoiando também em seu ótimo e diverso elenco, a produção consegue ser uma fonte constante de carisma e afetividade – sempre nos mantendo atentos ao próximo passo de Luffy e do bando do Chapéu de Palha.

Com um design de produção criativo e rústico, One Piece ainda acerta em sua dinâmica direção, marcada por cortes rápidos e o uso frequente de quadros simultâneos a la Edgar Wright. Emanando também os mesmos ares de Scott Pilgrim Contra o Mundo, a original Netflix é uma inusitada aventura com atmosfera nostálgica e colorida, que embala o público no mesmo e frenético ritmo de seus personagens ao som de uma trilha sonora original leve, otimista e esperançosa.

Dentro desse emaranhado de conflitos entre piratas e a corrida por um tesouro perdido, Iñaki Godoy, Mackenyu, Emily Rudd, Jacob Romero e Taz Skylar formam o bando do Chapéu de Palha – um grupo disfuncional ligado pela inocência e euforia de Luffy. E assim, rompendo todas as barreiras e expectativas negativas, a adaptação da Netflix coroa o verão do hemisfério norte como uma das apostas mais improváveis para a telinha. Otimista, sonhadora e aventureira por essência, One Piece promete ser um ponto de virada nas adaptações de animes, mostrando que – nas mãos corretas – Hollywood tem potencial para explorar o infindável universo da cultura e da arte japonesa.

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