O cinema é o lugar de magia, fantasia e sonhos. É onde o impossível se torna possível. É o lugar onde não existe limite para a imaginação. Dito isso, sou totalmente a favor da ideia de que qualquer história pode ser contada, por mais louca que possa parecer.

Ao longo da criação da sétima arte, já compramos a noção de que animais podem falar, que aventuras podem se passar em outras galáxias, que a viagem no tempo é possível, que os dinossauros voltaram ao presente e que seres de outros planetas vieram nos visitar inúmeras vezes.

Por mais surreais que tais ideias possam parecer, foi a forma como estas histórias foram contadas que nos cativaram ao ponto de realmente acreditarmos no que víamos em tela, muitas vezes retirando de nós emoções surpreendentes.

Ou seja, essa introdução é só para afirmar o fato de que por pior que possa parecer uma ideia, ela sempre pode ter salvação caso seja feita com qualidade, da maneira certa. Afinal, um filme sobre um homem solitário se apaixonando por um computador com voz de mulher deve ter recebido muitas torcidas de nariz de pessoas que acharam a ideia simplesmente ruim e trash demais, porém, Spike Jonze criou Ela com a delicadeza exata, vindo a transformar o longa numa das mais belas histórias de amor do cinema, por exemplo.



Abaixo apresentaremos algumas ideias bem ruins para filmes, e que por mais que tais produções tenham seus defensores, há de se reconhecer que seus resultados seguiram de perto a trama sem noção, rendendo muitas vezes em fracasso de crítica, bilheteria ou de ambos. Não estamos entrando sequer no mérito dos filmes serem bons ou não, apenas de possuírem ideias tão loucas que nem acreditamos que de fato tenham sido transformadas em filme. Confira abaixo.

O Inspetor Faustão e o Mallandro

Quem fala mais: Faustão ou Sérgio Mallandro? Para nossa “sorte” fizeram um filme com a dupla.

Sérgio Mallandro era uma figura muito popular no Brasil durante os anos 80 e 90. Ele teve no SBT seu próprio programa infantil (a Oradukapeta) e depois migrou para a Globo. No cinema, estrelou o hoje cult Lua de Cristal (1990), ao lado da Xuxa numa história a la Cinderela. No mesmo ano em menor escala estrelou Sonho de Verão (1990) ao lado das Paquitas e dos Paquitos num filme mais teen. Justamente por isso, em 1991 acharam que seria um toque de “jênio” uni-lo a outro apresentador que fazia sucesso na época: a fábrica de bordões ambulante Faustão. Essa dupla já é inusitada por si só, mas tudo fica ainda mais estranho quando decidem mete-los numa trama policial com viés ecológico. E como se não bastasse, Deus narra o filme, interfere na trama e dá poderes aos protagonistas. Curioso mesmo é o subtítulo do filme: A Missão (Primeira e Única) – como se os próprios realizadores já soubessem que ia dar ruim. Ah sim, e quem poderia esquecer do infame rap do ovo, a música gravada pela dupla para a trilha sonora. E você achou que o rap dos bad boys, de Romário e Edmundo era ruim…

Aproveite para assistir:

Highlander 2 – A Ressurreição

Sean Connery e Christopher Lambert exibem sua cara de quem chupou limão azedo em Highlander 2.

Por causa de dinheiro, muitos produtores de cinema passam vergonha ao contradizerem suas próprias regras impostas. E no processo tentando nos fazer de trouxas. É o caso com este segundo Highlander. O primeiro filme, de 1986, subtitulado O Guerreiro Imortal deixava claro: “só pode haver um”. Guerreiros escoceses descobriam a arte da imortalidade e seguiam através das décadas se digladiando. A única forma de morrerem era cortando suas cabeças. No presente de 1986, dois sobraram e o filme marca seu duelo final. Highlander fez sucesso, mas a história não deixava espaço para muita manobra na continuação. Assim, em 1991 os mesmos envolvidos tiveram a “brilhante” ideia de dizer que na realidade os escoceses imortais eram extraterrestres vindos de outro planeta para povoar a Terra. E sim, tal planeta ainda continha muitos “imortais” vivos. Pura balela, Highlander 2 é até hoje conhecido não apenas como uma das piores continuações de todos os tempos, como também um dos piores filmes de todos os tempos.

Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado

Mostrando que é muito popular, o assassino Pescador vai até para a boate. E não se trata de uma comédia…

Um dos maiores títulos para um filme da história do cinema, esta continuação tem os mesmos problemas do item acima. O primeiro, de 1997, fez muito sucesso e até deixou uma porta aberta para a inevitável continuação. O problema é o que os realizadores iriam aprontar nesta continuação. Logo no ano seguinte, a brilhante ideia foi tirar os personagens de sua cidadezinha original (já muito manjada a esta altura) e leva-los de férias para as Bahamas (?!). No local, o assassino planeja um esquema mais elaborado do que vilão de novela das 8 para sua vingança, inclusive eliminando funcionários do resort que nada tinham a ver com a história anterior. Ah sim, e o longa cisma em criar suspense sobre a verdadeira identidade do matador, sendo que a revelação termina sendo quem sempre soubemos. Pode até ser um prazer culposo, mas a coerência passou bem longe.



Ninguém Segura Esse Bebê

É muito divertido colocar um bebê numa situação de risco de vida atrás da outra. #sqn

Nem só de filmes de terror, ação, aventura e comédia é feita nossa lista sem noção. Aqui temos uma produção infantil de 1994 que, temos certeza, tinha como proposta ser o novo Esqueceram de Mim. Os realizadores provavelmente olharam o filme de Macaulay Culkin e pensaram: “vamos ainda mais longe, colocando um bebê contra os bandidos”. O problema é que o Kevin de Culkin era um garoto muito esperto e cheio de recursos, ao contrário de um bebê inconsciente que age por instinto e está a cada cena prestes a morrer uma morte horrível. A proposta era pela diversão de uma comédia em ritmo de desenho animado, mas ver um bebê constantemente em perigo de vida pode não ser o entretenimento de todos.

Tempestade

Depois de meteoros, vulcões e tornados, que tal a chuva como vilã de um filme? Quem precisa das enchentes do Rio de Janeiro?

Essa aqui parece até piada. Na década de 1990, os filmes catástrofe voltaram com tudo. No passado, o cinema havia visto terremotos, crises em aeroportos e infernos na torre. Nos anos 90, foram os tornados, vulcões e asteroides em rota de colisão com a Terra. Tentando pegar carona nesse filão, os realizadores tiveram a epifania de utilizar um elemento que ainda não tinha sido usado: a chuva (?!). Esse pseudo filme de suspense e ação de 1998 traz Morgan Freeman como vilão tentando roubar o conteúdo de um caminhão forte protegido por Christian Slater durante chuvas torrenciais. Nada que uma toalha não resolva. Até mesmo o título original soa como paródia: Hard Rain (Chuva Pesada). Isso me faz lembrar da sátira de Mike Myers no MTV Movie Awards 1997 sobre o filme catástrofe “Granizo”. Um verdadeiro profeta.

Ringmaster

Jerry Springer, o Ratinho americano, ganhou seu próprio filme. Para nosso azar.

Por falar em catástrofe, aqui temos outro tipo de desastre. No mesmo ano de 1998, chegava o primeiro e único (ainda bem) filme protagonizado pelo apresentador Jerry Springer. Ele é uma espécie de Ratinho dos EUA, e seu programa consistia em dramas familiares para lá de bizarros que sempre terminavam em pancadaria na frente das câmeras. E a gente achando que é só brasileiro que gosta de uma baixaria. Seu programa atingia picos de audiência em meados da década de 90, assim não demorou para os gênios de Hollywood transformarem essa “pérola” em um longa-metragem exibido nos cinemas. Sim, meus amigos. Já imaginou ver um filme sobre o programa do Ratinho nas telonas?

O Duende 4 / Hellraiser 4

O Duende e Pinhead, dois vilões de terror B, foram parar no espaço em seus quartos filmes.

Ambos lançados em 1996, por algum motivo os produtores destas franquias de terror decidiram que no quarto filme era a hora de levar seus vilões ao espaço (?!), mesmo que os filmes anteriores nada tivessem a ver com ficção científica. Nessa, talvez Hellraiser (criação do autor Clive Barker) se saia melhor, já que o filme é focado no objeto conhecido como cubo de Lemarchand através dos tempos, passado e futuro, e os longas anteriores eram até legais. Já O Duende (1993) só vale mesmo para ver o primeiro papel de Jennifer Aniston no cinema e sua única participação num terror. Esta franquia seguiu de mal a pior, chegando ao absurdo do espaço – mas não seria o fim. O pior é perceber que até mesmo Jason aderiu à proposta espacial bizarra e estaria nesta lista caso Jason X (2001) tivesse sido lançado nos anos 90.

Meu Sobrinho é um Terror

Martin Short cismou que seria engraçado viver um garotinho pestinha. Chaves dá de dez a zero.

Na história do cinema já tivemos homens interpretando mulheres, mulheres interpretando homens, jovens interpretando velhos e vice versa. Aqui, neste filme de 1994, a ideia “de ouro” era transformar o humorista baixinho Martin Short (literalmente Martin Baixo) numa criança (?!!!), na pele do endiabrado Clifford (título original do longa). No filme, o indicado ao Globo de Ouro Charles Grodin e a vencedora do Oscar Mary Steenburgen são seus tios sofredores, que passam um mau bocado nas mãos desta pestinha (ou seria “peste bubônica”?). O que deu certo por anos para a popularidade do seriado Chaves (onde adultos também interpretavam crianças) foi devido à naturalidade da interpretação, deixando as piadas para o texto. Aqui, é como se a graça pretendesse sair do fato de Short estar interpretando um garoto – chamando atenção a todo instante para isso. Creio que Macaulay Culkin não estava disponível.

Um Chefe Muito Radical

Um comediante sem graça numa trama muitas vezes reciclada. O que poderia sair errado?

Em 1998, no mesmo ano em que ganhávamos verdadeiras preciosidades da sétima arte como O Show de Truman, Cidade das Sombras e A Vida em Preto e Branco, uma atrocidade cinematográfica era cometida. E aqui, a ideia ruim não está no roteiro em si, já que o filme Um Chefe Muito Radical possui uma história tão batida que foi usada diversas vezes em todos os tipos de filmes e gêneros, sendo inclusive reaproveitada na comédia nacional Um Suburbano Sortudo (2016). É o velho clichê do sujeito amalucado que ganha uma oportunidade única na vida do dia para a noite se tornando presidente de uma grande e próspera empresa, só para virar tudo de cabeça para baixo com seu jeito – e no fim sobressaindo aos percalços. A ideia ruim aqui é escalar para o papel protagonista o comediante Carrot Top em seu primeiro e único filme no cinema. O ruivinho de cabelos desgrenhados fazia certo sucesso na época em seu stand up utilizando diversos objetos de cena que ele havia inventado para tirar humor. Assim, no filme, o mesmo se repete. E bem, a graça passa bem longe.

Pare! Senão Mamãe Atira

Schwarzenegger enganou Stallone para que fizesse esta bomba, e riu por último.

Essa é histórica. O astro Sylvester Stallone estará para sempre gravado em nossos corações como um dos mais marcantes numa época muito querida do cinema. Durante os anos 80 e 90, ele esteve no auge de sua carreira e no topo do mundo. Mas não estava sozinho. Havia uma pedra em seu sapato, chamada Arnold Schwarzenegger. Extremamente competitivos no período, os dois viviam se provocando para liderar os melhores filmes. Assim, o zoeiro Arnold resolveu pregar uma grande peça em seu “rival”, uma que ambos contam hoje em entrevistas dando boas risadas. Arnold teria sido oferecido o roteiro de Pare! Senão Mamãe Atira e achado uma boa m&#da! Mas não parou por aí, para provocar Stallone, ele mandou espalhar pela cidade (ou por fontes “quentes”) que estava louco para pegar o papel, e que se Stallone não quisesse, ele faria. Assim, Sly correu na frente, achando que estaria passando a perna em seu competidor, somente para perceber o quão ruim era a ideia de ter um policial durão sendo importunado o filme inteiro por sua mamãe sufocadora. O filme foi lançado em 1992, sob muitas risadas de Schwarzenegger.



COMENTÁRIOS

Não deixe de assistir: