Para quem acompanha o cinema nacional, o nome Carlos Francisco é bastante familiar, marcando presença em excelentes produções lançadas nos últimos anos. Dono de uma simpatia contagiante, ele sempre compartilhou, de forma carinhosa, suas reflexões ao longo de sua extensa carreira e nos presenteou com personagens inesquecíveis. O veterano artista mineiro foi o grande homenageado da 19ª edição do CineBH — um reconhecimento mais do que merecido!

No dia seguinte a essa emocionante noite de homenagens, onde foi recebido com enorme carinho pelo público que lotou os 1000 lugares do Cine Theatro Brasil, conversamos com o ator sobre esse momento marcante de sua trajetória, seus próximos projetos e sua participação no filme do momento: O Agente Secreto.

Como você recebeu essa homenagem aqui no CineBH? Como foi essa emoção?
Carlos Francisco: “Fiquei muito emocionado. Tenho uma carreira longa no teatro em São Paulo, e a maioria das minhas estreias e conquistas sempre foi celebrada longe da minha família e dos meus amigos de infância. O cinema me deu a oportunidade de ter essas pessoas me assistindo. Estou na minha cidade — de onde parti há tempos para buscar conhecimento e novas experiências — e agora ela me acolhe, homenageando minha trajetória. Estou feliz com essa homenagem da Universo Produções, que realiza a CineBH, um festival de importância mundial para o cinema, feito por pessoas que respiram cinema e se dedicam a ele com a maior seriedade.”

Como você está vendo o cenário audiovisual brasileiro da atualidade?
Carlos Francisco: “É um momento de ressurgimento. Depois do estrago que todos sabemos por quem foi causado, o cinema está se reconstruindo com toda sua força, impulsionado por políticas de fomento que permitem que ele seja produzido e exibido em diversos lugares e de várias maneiras. A facilidade tecnológica dos novos tempos, que tornou a produção mais acessível, possibilita que a pluralidade brasileira se manifeste nas obras, criando uma identificação maior com o público. O cinema está se tornando mais democrático e plural. Quanto mais assistirmos a filmes brasileiros, mais vamos descobrir a riqueza do nosso cinema — e mais poderemos contribuir para que ele exista com grandeza.”

“Ontem, na exibição de O Agente Secreto, havia uma fila enorme desde as 15 horas, embora a sessão só começasse às 20:00. Foi uma verdadeira consagração do nosso cinema. Que tenhamos sempre filas para prestigiar os filmes brasileiros!”

Você interpreta um projecionista do lendário cinema São Luiz, no filme O Agente Secreto. Você lembra qual foi o sentimento de entrar pela primeira vez numa sala de cinema?
Carlos Francisco: “Sou de uma época em que os cinemas de bairro estavam funcionando; todos os bairros de Belo Horizonte tinham um cinema. Sou de Santa Tereza: lá tinha o cinema da praça, descendo a rua havia o cinema do Horto, em Santa Efigênia também tinha cinema, além do Odeon e do Cine Floresta, no bairro de mesmo nome — tudo muito perto. As sessões eram lotadas de quarta a domingo. Lembro que, desde criança, eu ia assistir a filmes. O cinema fazia parte da nossa vida. Eu sonhava em fazer cinema, mas, naquela época, a produção cinematográfica ainda era uma realidade muito distante.”

Como você lida com as críticas em relação aos trabalhos que você participa?
Carlos Francisco: “Sempre gostei de ler. Toda crítica é válida. Tenho tido a felicidade de receber boas críticas sobre os meus trabalhos. A pior crítica possível é a ausência de crítica — quando ninguém percebe ou comenta sobre o seu trabalho. Vejo a crítica com bons olhos, ela é também um instrumento de aprendizado. Em uma época em que atuava no teatro em São Paulo, havia críticas muito fundamentadas, como as de Mariângela Alves de Lima. Cada crítica dela trazia observações detalhadas, digressões que nos instrumentalizavam como atores. Era uma oportunidade de nos debruçarmos sobre a crítica, compreender melhor nosso trabalho e adquirir novas perspectivas de pesquisa para aprimorar o que já realizávamos.”

Sobre seus próximos trabalhos no cinema, o que você pode adiantar pra gente?
Carlos Francisco: “Tem Suçuarana, que estreou no dia 11 de setembro; Enterre Seus Mortos, de Marco Dutra; Morte e Vida Madalena, de Guto Parente; Joqueta, um curta-metragem de Luciana Vieira; Feito Pipa, de Allan Deberton; Vicentina Pede Desculpas e O Natal dos Silva, ambos da Filmes de Plástico. Vem muita coisa boa por aí!”






















































Estrelado pelo brilhante Willem Dafoe, este filme traz para as telonas os últimos dias de vida do lendário pintor holandês Vincent Van Gogh. A direção traz uma abordagem crua e ousada para a história, utilizando elementos técnicos para dar a sensação intensa que a mente de Van Gogh tinha em seus dias cotidianos. Os únicos momentos “tranquilos” dessa trama são quando Vincent está confeccionando suas obras imortais, dando a entender que a arte era um alívio para sua angústia e não um produto da mesma. A atuação de Dafoe é magistral e toma conta do filme.
Protagonizado por Seth Rogen e Charlize Theron, a trama conta a história do jornalista frustrado, Fred Flarsky (Rogen), que começa a trabalhar para Charlotte Field (Theron), que, além de ser candidata à presidência dos EUA, também foi sua babá na infância e seu primeiro amor. O filme brinca o tempo inteiro com os conceitos sociais americanos e como as pessoas seguem caminhos diferentes. É facilmente uma das comédias mais engraçadas da última década e possui um grande diferencial: é um filme com coração.
Pouco comentado em seu lançamento, O Sacrifício do Cervo Sagrado é um dos filmes mais estranhos da década passada, mas também é um dos mais originais. Dirigido pelo grego Yórgos Lánthimos, o longa conta a história de um médico (Colin Farrell) que perde um paciente e passa a conviver com o filho dele. O elenco também conta com Nicole Kidman, que está sobrenatural em seu papel. É um filme muito desconfortável, mas com grande valor cinematográfico.
Dirigido pelos Irmãos Coen, o longa conta a história de Llewyn Davis (Oscar Isaac), um músico arrogante e fracassado na Nova York dos anos 60, que sai por aí tentando emplacar seu trabalho enquanto tem que lidar com suas próprias frustrações. O filme é uma grande homenagem ao cenário musical folk e tem como aliado uma trilha musical impecável, trabalhando como fio condutor da trama. Oscar Isaac está perfeito no papel principal, sendo até hoje uma de suas atuações mais fascinantes.
Vencedor do Oscar de melhor filme, Green Book é baseado na história real do renomado pianista negro, Dr. Shirley (Mahershala Ali) em uma viagem de carro com o motorista racista Tony Lip (Viggo Mortensen). Nesta viagem, os dois vivenciam diversas experiências que os aproxima e um princípio de amizade surge em meio aos tempos de segregação racial. Em seu lançamento, o filme foi bastante criticado por amenizar o racismo de Tony que, segundo relatos, foi bem mais cruel e babaca do que seu personagem nas telonas. O grande destaque, porém, são as atuações. Ali dá uma aula de atuação na pele do Dr. Shirley, inclusive sendo premiado com um Oscar, e Viggo está nojento como Tony Lip.
Dirigido pelo excêntrico Nicolas Winding Refn, traz um dublê de cenas de fuga (Ryan Gosling), que também trabalha como piloto de fuga para a máfia. Ele tem um senso ambíguo de moral e passa a conviver bastante com sua vizinha e o filho dela. Tudo muda quando o marido da vizinha (Oscar Isaac) sai da cadeia e volta para casa. Porém, quando ele se envolve em problemas com a máfia, o motorista aparece para ajudá-lo e uma trama frenética começa. Além do mais, o filme tem um ritmo impecável e um visual único.
O primeiro grande trabalho do diretor Ryan Coogler (Pantera Negra) nos cinemas conta uma história simples, mas recheada de emoção e sentimentos ao abordar o drama de um jovem negro (Michael B. Jordan) que acaba de ser demitido e tem uma criança para criar. O filme é repleto de revolta pela péssima condição social a que as pessoas são submetidas nos dias de hoje, e, principalmente, pelo racismo e a falta de oportunidades. É um longa 100% atual e trabalhado com o dinamismo característico de Ryan Coogler.
Dirigido por Steven Spielberg, o filme é um drama sobre o mundo jornalístico nos anos 70, quando o The Washington Post se preparava para entrar na Bolsa de Valores. Ao mesmo tempo, os editores do jornal, vividos por Meryl Streep e Tom Hanks, passam por uma situação complicada ao receberem documentos confidenciais do governo sobre a Guerra do Vietnã. Junto ao drama de tentar publicar, a redação começa a sofrer com a concorrência do New York Times pela matéria.
Com uma verdadeira aula de atuação de Toni Collette, Hereditário é um dos filmes de horror mais assustadores e angustiantes dos últimos anos. Isso porque a trama de Ari Aster constrói um clima de tensão o tempo todo, fazendo o espectador duvidar se a ameaça da história é realmente algo sobrenatural ou apenas delírios de uma família à beira de um colapso. É uma obra de arte do terror, sem precisar de Jump Scare ou algo do tipo para prender o espectador na trama familiar macabra.
Imagine que você é um professor bem quisto pela comunidade, mas em um dos momentos mais difíceis de sua vida, surge uma acusação grave que pode jogar sua imagem no lixo. Em A Caça, Mads Mikkelsen é Lucas, um professor da Dinamarca que, em meio ao seu processo de divórcio, sofre uma acusação de pedofilia com uma aluna de apenas 5 anos de idade. Em meio à revolta popular, pouco importa se ele era culpado ou não, todos querem acabar com ele. A atuação de Mikkelsen é um primor, mudando de vez o patamar de sua carreira, e a condução da trama é um grande soco no estômago.
Dirigido por Dan Fogelman, responsável pelo fenômeno televisivo This is Us, A Vida em Si traz um drama familiar de primeira. Repleto de metalinguagens, o filme brinca bastante com aspectos banais da vida e tem foco no casal Will e Abby (Olivia Wilde e Oscar Isaac), mostrando de seu primeiro momento como casal até a gravidez de Abby.
Apesar de não ter tido tanto impacto na sociedade brasileira, o atentado à Maratona de Boston, em 2013, foi um evento trágico extremamente marcante para os americanos. O Que Te Faz Mais Forte conta a história de Jeff Bauman (brilhantemente vivido por Jake Gyllenhaal), um participante que perdeu as pernas no atentado e, apesar da frustração de não ter mais as pernas, é tratado como herói e constantemente pressionado a aceitar o caso como um presente de divino. Afinal, o que pode ser melhor do que ser considerado um herói? É um longa que critica a espetacularização da mídia à procura de construir ícones para vender histórias, chegando a desrespeitar familiares e as próprias vítimas das tragédias para poder vender histórias. E de como a sociedade está doente a ponto de querer impor para as pessoas o que elas devem achar ou sentir sobre elas mesmas.
Midsommar ainda não está no catálogo do Amazon Prime Video, mas ficará disponível a partir do dia 19 de março. O filme é um terror dirigido por Ari Aster, que fala sobre relacionamentos familiares e amorosos. Na trama, um casal vai com um grupo de amigos para o festival de verão de uma aldeia sueca do interior. Lá, o casal, vivido por Florence Pugh e Jack Reynor, começa a discutir a relação enquanto passam por situações obscuras. O grande mérito do filme é brincar com o conceito do que seria bizarrice e o que seria algo aceitável por ser uma atividade cultural estranha. É uma verdadeira experiência angustiante e sensorial, repleta de mortes, violência gráfica, sexo explícito e tensão. Muita tensão.
Cercado de polêmicas em seu lançamento, o maior clássico da Disney foi relançado no ano passado em uma versão feita completamente de CGI. A trama é uma reprodução fidelíssima ao longa animado dos anos 90, parecendo quase uma refilmagem quadro a quadro do original. A tecnologia utilizada para criar os animais em computação gráfica é fantástica, fazendo parecer que são animais reais em cena. Apesar de ser um filme voltado para o público infantil, os mais adultos ficarão fascinados com o visual do longa.





















