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O Aviador

 

 
Geralmente o Oscar serve para premiar aqueles filmes chatos, sem graça, com histórias loucas e decepcionantes e roteiros que tentam reinventar o cinema. Tá, peguei pesado, mas é muito díficil um filme realmente bom ter indicações ao Oscar (quer um exemplo? Cadê ‘Kill Bill’ e ‘A Paixão de Cristo’ nas indicações??).

Ano passado, quem levou uma grande bolada foi o ótimo ‘Senhor dos Anéis – Retorno do Rei’, e este ano quem rouba a premiação é ótimo ‘O Aviador’, mostrando que a acadêmia está revendo os conceitos e levando filmes realmente inteligentes em conta.

Com 11 indicações, ‘O Aviador’ se demonstrou um sucesso de público e crítica.

Nesta segunda dobradinha entre Leonardo diCaprio e Martin Scorsese (eles já trabalharam juntos no mediano ‘Gangues de Nova York), a história segue a trajetória real de Howard Hughes .

Dirigido por Martin Scorsese (que acertou em cheio), estrelado por diCaprio (em uma de suas melhores interpretações) e escrito por John Logan, o filme relata a história de uma das figuras mais marcantes da América do Século XX, Howard Hughes (Leonardo DiCaprio), um excêntrico multimilionário dos anos 30. Apaixonado por aviões e cinema, a sua grande paixão por mulheres ficou igualmente para a história. O filme retrata a sua vida em uma época em que Hughes era produtor e diretor em Hollywood, desenhava e criava aviões e relacionava-se com algumas das mais belas e elegantes mulheres da sua época, entre as quais duas lendas de Hollywood, a elegante Katharine Hepburn (Cate Blanchett), e a sensual e luminosa Ava Gardner (Kate Beckinsale). Mas Hughes também tinha as suas próprias incapacidades e fobias, e as suas crescentes extravagâncias e obsessivo comportamento vão levá-lo ao seu próprio isolamento. Audacioso piloto, o mais famoso desde Charles Lindbergh, Hughes tornou-se comandante da aviação comercial. Ele transformou-se numa figura mítica da América dos seus dias, envolto numa aura de agitação, encanto, sedução e mistério.

Com ótimas atuações, um elenco estelar, cenas magestosas e uma história interessante, ‘O Aviador’ é um filme a ser aplaudido e aclamado.


Crítica por:
Renato Marafon
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As Aventuras de Tintim

 

Tintim é um personagem que veio dos quadrinhos de jornais e posteriormente ganhou vida em uma série animada. Ele, um jovem repórter investigativo, já desvendou vários mistérios e ajudou a polícia a prender muitos foras da lei, sempre ao lado de seu cachorrinho Milu, que o segue para todos os lados.

Na animação para os cinemas, dirigida por Steven Spielberg, As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin) traz uma história cheia de mistérios e aventuras, onde o jovem é envolvido num segredo que pode levar a um tesouro perdido do velho Licorne, um navio que afundou após um ataque pirata.

A animação ficou perfeita, onde muitas vezes você pode até confundir o desenho com uma pessoa de verdade. Os detalhes são impecáveis, a paisagem então, nem se fala, faz você viajar junto aos lugares visitados pelos personagens.

Tintim descobre que a réplica de um navio que comprou em uma feira de antiguidades guardava um segredo. Ao ser roubado, passa a investigar quem estaria por trás de todo o mistério, e o porquê do interesse pelo navio. É aí que conhece o capitão Haddock, um velho lobo do mar que hoje está em decadência e afoga suas mágoas na bebida.

Haddock é o típico personagem engraçado, mas às vezes nos deixa apreensivo com suas atrapalhadas. Ele é descendente de Francis Haddock, o capitão do Licorne que foi atacado por Rackham, o Terrível.

Enquanto vão atrás do vilão Ivan Sakharin, que tenta a todo custo resgatar os mistérios do navio naufragado, Tintim, Milu e Haddock passam por uma aventura digna de “Indiana Jones”. Não tem como não comparar ao ver as cenas de pulo de telhado, voos acrobáticos, manobras mirabolantes. Para mim, mais pareceu um filho do Indiana que um repórter investigativo.

Apesar dos exageros, As Aventuras de Tintim é uma animação agradável para adultos, que fica mais empolgante se vista na versão 3D, onde a tecnologia digital usada foi a de captura de movimentos.

O encerramento fica meio que sem desfecho, já que o filme será uma saga e isso fica bem claro quando chega ao final da película. A próxima animação será dirigida por Peter Jackson.

 


Crítica por:
Silvia Freitas (Blog)

 

 

As Aventuras de Tintim

 

Existe uma teoria na animação que defende que é necessário explorar possibilidades que esse suporte oferece que seriam impossíveis (ou quase isso) de se realizar em live action. Dessa maneira, o uso da linguagem é válido. O diretor Steven Spielberg (Cavalo de Guerra), em sua estreia no mundo da animação, segue fielmente esse postulado com As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin).
O enredo acompanha o jornalista Tintim (Jamie Bell, de Um Ato de Liberdade), que precisa encontrar mensagens cifradas escondidas em miniaturas de navios. Os versos ocultos o ajudarão a desvendar um mistério que lhe renderá uma matéria jornalística.

No meio dessa aventura, os personagens se veem no meio de uma perseguição de carro e moto pelas ruas de uma cidade árabe. Essa sequência é apresentada na tela como uma plano-sequência (sem cortes), com a câmera se movendo como se fosse mais um veículo na perseguição. Com a escolha de enquadramento e movimentação, Spielberg constrói o momento mais empolgante do filme.

Tintim chega aos cinemas como uma animação sob a justificativa de respeitar o visual criado por Hergé, quadrinista que contou as histórias do personagem em tiras de jornal. No entanto, se fosse realizado com atores de carne e osso, a sequência só seria viável dessa maneira com o uso de truques e da inserção de elementos de computação gráfica. Algo semelhante, mas com muito menos complexidade, pode ser apreciado no filme argentino O Segredo dos Seus Olhos.

 


Crítica por:
Edu Fernandes (CineDude)

 

 

As Aventuras de Tintim

 

Sou um fã incondicional de Tintim desde a minha infância, quando acompanhava os desenhos que eram exibidos ao ocaso, na TV Cultura.

Quando soube que as aventuras do repórter seriam transportadas para o cinema pelas mentes e mãos da dupla Steven Spielberg e Peter Jackson, minha excitação foi às alturas.

Porém, fiquei com um pé atrás ao acompanhar o notável declínio do diretor de clássicos como Tubarão e E.T. – O Extraterrestre ao vê-lo envolvendo-se em projetos de gosto discutível tais quais as séries Falling Skies e Terra Nova. E com a chegada de Cavalo de Guerra, outra produção recente de Spielberg, temi pela sobrevivência de Tintim longe da telinha. Porém, meus receios não se concretizaram, felizmente. ‘As Aventuras de Tintim‘ é o que há de melhor nos contos de Hergé somado à habilidade de Spielberg como não se via há anos.

No filme, conhecemos o jovem repórter e seu simpático e esperto cachorro Milu. Juntos, os dois embarcam em uma sombria investigação que logo se desenvolve para um excitante jogo de gato-e-rato ao redor do mundo, logo que Tintim adquire uma réplica de um navio numa feira. Auxiliados pelo Capitão Haddock, e os detetives Dupont e Dupond, a dupla mergulha cada vez mais fundo nos mistérios que cercam o passado de Haddock e o navio Licorne.

Dotado do mesmo espírito que a série animada possuía, ‘As Aventuras de Tintim‘ já revela suas pretensões nos créditos iniciais, nos levando ao passado através de uma máquina de datilografia e recriando desenhos que remontam o personagem apenas em sombras. Dali já era possível depreender que Jackson e Spielberg nos brindariam com uma aventura nos moldes antigos, sem a necessidade da barulheira e ritmo desenfreados das produções de hoje em dia. Não que à obra falte ação, muito pelo contrário. É intensa e frenética do início ao fim, mas sem jamais precisar do caos que se instaurou nos filmes de ação atuais. Portanto, mesmo não permitindo que seu espectador respire, o filme consegue ser elegante em cada quadro. E muito disso se deve à liberdade com a câmera, já que estamos falando de um projeto digital.

Através de sua potente imaginação e sem o peso de um maquinário nas mãos o tempo todo, o diretor usa e abusa de movimentos de câmera que não só ligam um ponto a outro do filme com extrema criatividade, como nos conduzem a passeios jamais imaginados em uma construção live-action. Nosso campo de visão ora é levado para as lentes de um binóculo, ora para um travelling por entre as barras de uma cela, bem como ultrapassa vidraças e encaixa-se debaixo de armários. As transições são um personagem à parte da película, já que são capazez de ligar um bote perdido no oceano a uma poça d’água numa calçada, ou mesmo usar de objetos de cena, como uma cimitarra, para nos transportar ao passado, enquanto jurávamos ainda enxergar o presente.

E em se tratando de personagens, a Weta Digital revela mais uma vez seu poder e de seu criador, Peter Jackson, ao pôr em tela personas que conseguem ser cartunescas e, ao mesmo tempo, dotadas de extremo realismo. É sem medo que Spielberg aproxima a câmera dos rostos de suas criações digitais, já que podemos ver singulares detalhes como rugas, cicatrizes ou mesmo os fios de cabelo embaraçando-se ao vento. E muito se deve, evidentemente, às interpretações de Jamie Bell na pele de Tintim, e de Andy Serkis como Haddock, sempre eficiente e à vontade na técnica da captura de movimentos. Destaque também para Daniel Craig como o vilão Sakharine e dos atores Simon Pegg e Nick Frost, que conferem o timing cômico e a leveza necessária à dupla Dupont e Dupond.

Apesar do tom cartunesco já citado, é impressionante o realismo da animação, característica essa que apelidei de “realismo fantástico”, numa óbvia contradição. Desde os vincos das roupas até detalhes dos cenários, como as roldanas, correntes e ferrugem de uma embarcação onde parte da ação ocorre, jamais duvidamos da veracidade da trama, tão profunda e eficaz é a imersão proporcionada por Jackson e sua equipe. Em um plano aberto, já perto do terceiro ato, verificamos o navio de Sakharine ancorado em um porto, e se uma fotografia fosse tirada naquele momento e mostrada às pessoas do mundo real, certamente muitos se convenceriam que o cenário visto existia em alguma parte do globo, pois cada cena parece ter sido planejada nos mínimos detalhes.

Créditos também para a trilha sonora de John Williams, que dá o tom correto à aventura e acompanha o retorno à boa fase de seu maestro-mor, Spielberg. As composições se encaixam perfeitamente aos momentos mais sombrios da trama, bem como àqueles que necessitam de vibração nas perseguições sem fim. E não há como deixar de lado o roteiro de Edgar Wright, Joe Cornish e do gênio Steven Moffat – o cérebro por trás de criações como as temporadas mais recentes de Doctor Who e a impecável minissérie Sherlock, que põe no chão as adaptações cinematográficas de Guy Ritchie. Graças ao trio, Hergé pode permanecer em seu tranqüilo descanso.

As Aventuras de Tintim‘ não só irá despertar as crianças (hoje crescidas) que se esbaldavam nas peripécias do repórter, como, certamente, atrairá um novo público para a obra, tamanho o cuidado com que Jackson e Spielberg construíram a fita, envolvendo pelas cenas de ação, bom humor e mesmo a maneira adulta com a qual a trama é tratada, sem desmerecer a inteligência do espectador. Como grande filme que é, arrisco a dizer até que o capitão Haddock desbancou facilmente um tal de Jack Sparrow do posto de mais adorado capitão dos cinemas, não só pelo fato de que este vinha em um vergonhoso declínio, como aquele é tudo aquilo que Sparrow foi, mas sem os excessos.

 


Crítica por:
Caio Viana (Blog)

 

 

As Aventuras de Sammy

 

 


Sinopse:
Sammy é uma tartaruga marinha de 50 anos de idade. Ele narra sua jornada desde que saiu do ovo e a influência da presença humana na vida marinha.

As Aventuras de Sammy (Sammy’s avonturen: De geheime doorgang) é um exemplo das raras animações europeias que chegam ao circuito de cinema nacional. O filme não foi produzido pelos grandes estúdios que anualmente enchem as salas de cinema com animações divertidas. Trata-se de uma produção belga praticamente independente.

O tema principal do filme é a preocupação com o meio-ambiente, principalmente nas questões do aquecimento global e da poluição marinha. Tais indícios costumam apontar para uma produção chata e mal feita, mas felizmente o que se tem é exatamente o contrário.

O fio condutor do enredo é a vida de uma tartaruga marinha e o roteiro consegue colocar todos seus temas na história sem forçar a barra. As lutas de ambientalistas contra caçadores de baleia, os vazamentos de petróleo, o deslocamento desordenado dos animais por causa das alterações de temperatura. Todos os assuntos conseguem se encaixar na jornada de Sammy de forma orgânica.

É possível assistir a As Aventuras de Sammy em projeções 3D e é altamente recomendável que se aproveite a oportunidade. Estamos em um momento em que toda e qualquer grande produção faz uma conversão meia-boca para esse tipo de tecnologia apenas para arrancar alguns trocados a mais. Quando se tem uma opção de bom uso desse recurso, é preciso indicá-lo. Os efeitos tridimensionais ajudam o espectador a se sentir no fundo do mar junto com os personagens.


Crítica por:
Edu Fernandes (CineDude)

 

 

As Aventuras de Sammy

 

 


As aventuras de Sammy é uma animação belga, e, como o nome já diz: aventura. Agregando o drama e romance nos seus subgêneros. O filme é narrado pelo próprio Sammy, em tom saudosista, contando sua jornada pelo mundo e tendo A Volta ao Mundo em 80 dias como referência. Amizade, amor, vida, medo e meio ambiente são alguns dos temas abordados na história.

A tartaruga Sammy ganha a empatia do público à partir do momento de seu nascimento, quando mostra suas inseguranças e uma dúvida cruel, que massacra a todos os mortais: ele simplesmente não sabe o que fazer. E é o que acontece quando se atinge um estágio na vida de escolhas, quando não se sabe pra onde ir ou tem dúvidas se a escolha é a certa. E neste momento difícil na vida de Sammy, ele é deixado para trás pelos demais ficando sozinho e com medo; pois não sabe o que vai acontecer. É quando conhece Ray, uma tartaruga de espécie diferente da dele, mas que se torna seu companheiro de vida; lhe apresentando as maravilhas da vida marinha.

Mas uma tartaruga não lhe sai da cabeça, Shelly (no original dublada por Isabelle Furhman, de A Órfã), jovem que conheceu no dia de seu nascimento. A saga das tartarugas exploram bem as imagens que imprimem na tela os seres e vegetação marinhas. A tecnologia 3D não poderia ter sido melhor usada. Todos seus recursos transpõem os diferentes aspectos e imagens da vida marinha. Cenas com tartarugas no o furô são impagáveis, assim como a água viva iluminando os dois pequenos. Tubarões, cobras e piranhas atacam os espectadores; graças ao 3D. A criação do fundo do mar possibilitou a visualização de uma vida com grandes surpresas e perigos. O longa não deixa de fazer sua crítica à demasiada poluição e intromissão dos homens na natureza; mostrando como os seres vêem e entendem os acontecimentos; com a poluição dos mares.

As Aventuras de Sammy comprova a nova tendência das animações, de se colocarem na posição dos criadores de opinão e de fomentarem o questionamento nas crianças à partir de tramas maduras e que colocam na tela personagens humanizados. E mesmo com elementos dramáticos, é um filme engraçado e divertido.

 


Crítica por:
Thais Nepomuceno (Blog)

 

 

Avatar: Edição Especial

 

 


Avatar” de James Cameron retorna às salas de cinema em uma edição especial. Contendo oito minutos a mais. Porém, o acréscimo destes minutos passam desapercebidos, pois Cameron apenas alongou as cenas, e não incluiu novas.

Mas a oportunidade de rever Avatar, pode atentar os espectadores à algumas questões, a mais importante delas é o meio ambiente. A modernização que acarreta a poluição do ar, dos mares e os desmatamentos. Não pretendo criar muitos analogismos, mas podemos traçar um paralelo entre a trama Na’vi e a colonização do Brasil. Os espectadores devem recordar da Tia Josefina explicando como Cabral chegou ao Brasil “acidentalmente” e como encontrou os índios. Pegando deles o ouro e pau-brasil. O que acontece em Avatar é similar, os americanos querem um minério que vale bilhões e se encontra no subsolo de uma árvore onde vivem os habitantes de Pandora. Para ter tal mineral eles precisam despejar os azuizinhos do local, mas isso não será uma tarefa fácil, pois a conexão deles com a natureza é muito mais forte do que qualquer bilhões de dólares. Diferindo dos nossos índios que cederam facilmente às investidas dos portugueses.

Outro aspecto é o interesse nas riquezas naturais e o que eles são capazes de fazer para tê-los; daí surge outro analogismo, ao petróleo. A briga por ele gera guerras intermináveis. O que pode ser comparado ao poderio bélico e ao desejo do poder, essas características estão impressas nas personagens americanas, sendo contrapostas aos Na’vi, que nada pode comprá-los.

Indo em direção à isso, há o romance entre Jake e Neyriti, recordando o romance entre Jack e Rose em “Titanic”, ou entre Capitão Smith e Pocahontas – ao contrário de Pocahontas, Neyriti não faz abdicações. A bela ensina ao fuzileiro como ser Na’vi e lhe mostra os segredos de Pandora. Jake tem uma vida sem sentido, e além do mais é cadeirante; o rapaz troca o real pelo sonho. Opta por um mundo que não é seu, porque ali é feliz.

Fora essas ladainhas romanticas, o filme ainda conta com um super 3D. Sim, este filme só deve ser visto em 3D. Se não fosse a tecnologia do longa, ele seria mais um filmezinho. E os tais oito minutos a mais não fazem a menor diferença. O espectador nem sente o adicional, relançar este filme foi um subterfúgio para ganhar mais dinheiro.

 


Crítica por:
Thais Nepomuceno (Blog)

 

 

Avatar

 

O filme ‘Avatar‘ é, sem dúvidas, um dos mais esperados do ano. E por vários motivos: a volta de James Cameron (Titanic), os efeitos especiais que são propagados como “uma experiência única” e muito aquém do que um simples 3D, o orçamento exorbitante que chegou a quase 500 milhões de dólares e o tempo de demora na produção (quatro anos).

A história do filme se passa em 2154 aonde existe uma colônia chamada Pandora, habitada pelos Na’ vi, nativos azuis alienígenas. Devido o local ser rico em mineral, vários humanos já tentaram invadir o ambiente deles, mas para chegar perto é preciso criar um elo de confiança com a raça, o que ninguém nunca havia conseguido. Tudo muda com a chegada do ex-fuzileiro Jake Sully, que recebe a tarefa de se infiltrar em Pandora através de sua forma ‘Avatar‘ (corpo geneticamente mudado feito com seu DNA e dos nativos), pois esta era a missão de seu irmão gêmeo, que faleceu. Mesmo sem saber quase nada sobre a cultura dos Na’vi, e mesmo estando em cadeira de rodas, aceita este desafio.

Há meses, quando vi a prévia de 15 minutos junto a outros jornalistas, já tinha gostado do que tinha visto. E ontem, quando vi o longa, com mais de 2 horas de meia de duração no IMAX, vi que a prévia não era uma propaganda falsa.

Avatar‘, literalmente, nos leva a outro mundo e a tecnologia do IMAX é capaz de causar vertigem nos que não estão acostumados. James Cameron (que também produziu e roteirizou) fez um trabalho visualmente perfeito e criativo. Não o suficiente pra ganhar o Oscar de Melhor Filme, mas nas categorias técnicas e de direção, sem dúvidas.

O ator Sam Worthington (do último O Exterminador do Futuro) interpreta Jake Sully e fez um trabalho competente. É possível acreditar de verdade que ele é paraplégico. Zöe Saldana (Star Trek) só aparece em sua forma ‘Avatar‘ (faz o papel da nativa Neytiri) e está muito bem também, principalmente quando fala no dialeto deles. Sigourney Weaver é a cientista Grace e é a que mais ficou parecida em ‘Avatar‘. O grande vilão do filme é o Coronel Miles, feito pelo ator Stephen Lang (Inimigos Públicos), que consegue te fazer sentir muito ódio com sua frieza e más intenções.

Avatar‘ é um filme bom, sim. Não o melhor do ano ou a melhor obra-prima já feita. A história prende a atenção e por mais que seja longo demais, o ritmo do filme não para nunca. Permite a quem assiste criar um “elo” (sem trocadilhos) com o filme que te prende até o êxtase final.

Já se fala em sequências… vamos ver, né? Dificilmente um sucesso se repete duas vezes. No caso do diretor, três vezes – já estourou em Titanic e vai estourar em ‘Avatar‘.

 


Crítica por:
Janis Lyn Almeida Alencar (Blog)

 

 

Avatar

 

 
James Cameron é o responsável por um dos melhores filmes da década de 1980, ‘O Exterminador do Futuro‘. Mas, infelizmente, ele hoje é mais lembrado como o diretor do arrasa-quarteirão ‘Titanic‘. ‘Avatar’, seu novo longa que chega nesta sexta aos cinemas com a promessa de estraçalhar nas bilheterias do mundo inteiro, é um projeto antigo, e que termina com um hiato de 12 anos na carreira do cineasta.

Minhas impressões sobre o filme são de quem assistiu em 3D e no Imax. Isso significa que pude apreciar o espetáculo visual que é a grnade atração do filme. Megalomaníaco, Cameron não mediu esforços para mostrar um filme grandioso, de colorido milimetricamente delicioso e que provoca o espectador o tempo todo. Você literalmente entra no filme, e isso pode ser bom ou ruim – levei longos 20 minutos para me acostumar com o clima de ‘Avatar’, período em que tive vertigem dentro do cinema.

Depois que meus olhos se acostumaram com o que via, aconteceu o que eu esperava: o filme não tem roteiro consistente. Não venham me falar que é um filme visual, ou que o roteiro é legalzinho. Para mim, grandes filmes sempre serão feitos a partir de grandes roteiros e isso ‘Avatar’ não tem. Detesto filmes em que você precisa adivinhar as inteções do roteirista, que as coisas não são claras, que tudo fica confuso e no final você supõe os fatos. Ou é claro ou não é. Cinema é feito de histórias, não de suposições.

A história do longa começa na Terra. Jake Sully (o fofo Sam Worthington, de O Exterminador do Futuro – A Salvação) é um soldado que perdeu os movimentos da perna e quando a oportunidade de trabalhar em exploração de minas no Planeta Pandora chega, aceita o desafio. Pandora é um local exuberante e hostil. O ar é venenoso para humanos. Plantas e criaturas são predadoras e perigosas. E os nativos, humanóides azuis com mais de três metros, os Na´vi, não ficaram satisfeitos com humanos e máquinas que lá aportaram (mas tudo isso não fica claro durante o filme, você vai supondo ao longo de quase 3 desgastantes horas).

Devido ao planeta ser um lugar tão adverso, exércitos tradicionais são insuficientes para protegerem as minas. Para isso, uma espécie de programa de clones nomeado ”Avatar”, que combina o DNA de humanos e de Na´vi , foi criado. O resultado é essencialmente o clone de um Na´vi que pode preservar a percepção de um humano. O irmão de Jake Sully foi o doador original e controlador de um desses Avatares. Mas ele foi morto e a corporação responsável pelo projeto chama Jake para ir a Pandora pilotar o tal corpo, já que ele tem o DNA que combina. Em troca, ele poderá andar novamente (essa é a única parte realmente bacana do roteiro, colocar o protagonista com uma deficiência física que, como Avatar, ele não terá).

E Jake vai a Pandora e, enquanto está trabalhando em uma mina, encontra ViperWolf, um dos perigos do lugar. Antes que ele seja atacado, uma flecha perfura a criatura. Ela foi atirada por uma Na´vi (Zöe Saldaña), que o ensina sobre os perigos do planeta.

Os Na´vi vivem em harmonia com os perigos de Pandora, mas claro que os seres humanos querem estragar tudo. E Jake começa a ver as coisas de um novo ângulo e, obviamente, vai se revoltar contra os humanos, etc e tal.

É necessário muita paciência para começar a curtir o filme. Você vê todo aquele visual alucinógeno, fica encantado, espera por Celine Dion gritando a qualquer momento – a voz da cantora me assombrou o filme todo, a trilha sonora lembra demais Titanic – vê as legendas tremerem mas… a história não engrena. Não convence. Não pega nem no tranco. Ainda mais quando começa o discurso ambientalista.

Apesar das crateras no roteiro – é preciso prestar imensa atenção para entender situações simples, como, por exemplo, em que ano se passa aquilo tudo – ‘Avatar’ tem estilo próprio e os Na´vi são uma versão gigante dos Smurfs – seres azuis, simpáticos e carismáticos. O que me atraiu, no entanto, foram os avatares, especialmente o de Sigourney Weaver, muito semelhante à atriz.

Dizer que ‘Avatar’ é o filme de 2009 ou o melhor já feito em todos os tempos é um exagero sem tamanho, e uma ofensa num ano em que foi produzido o melhor filme de ficção científica desta década que está quase no fim – Distrito 9, esse sim, um roteiro inteligente e a prova de que grandes filmes não precisam de efeitos especiais monstruosos, e sim de de uma boa história.

‘Avatar’ é sim, um espetáculo grandioso, bonito de se ver em Imax, e que, no mínimo, tem que ser visto em 3D. É filmão bem feito, não chega a ser ruim, mas não vamos exagerar. É para curtir e pensar como um marco tecnológico, uma revolução visual, mas sem o peso, por exemplo, de Star Wars – feito em 1977 com maquetes que poderiam soar toscas hoje, mas que ainda funcionam com rara força graças ao… roteiro brilhante.

É, eu gosto de bons roteiros. E, desculpem os fãs do cinema visual, isso ‘Avatar’ não tem. Vale como uma viagem criativa, então, embarque nessa sem pretensões e divirta-se como puder.

 


Crítica por:
Janaina Pereira (Cinemmarte)

 

 

Auto Da Compadecida

 

O Auto da Compadecida

Se você queria a prova de que Cinema Brasileiro também rima com qualidade (o que já foi provado há muito tempo) e diversão, eis o seu filme. “O Auto da Compadecida” é uma das grandes comédias já feitas no cinema nacional, com um elenco impagável e impecável e uma história que agradará à todos.

Acompanhamos as aventuras de João Grilo e Chicó, dois malandros de primeira que se metem em situações pra lá de enroscadas para conseguir dinheiro e se dar bem. Esse fiapo de história gera cenas engraçadíssimas, até culminar no final (o “julgamento”), a melhor parte do filme e um das mais engraçadas também.

O elenco, um dos melhores já vistos num filme nacional, conta com Matheus Nachtergale no papel de João Grilo e Selton Mello no papel de Chicó. Com certeza, os dois formam a dupla mais afiada e cômica de toda a história do cinema brasileiro. Suas interpretações são excelentes e são a alma do filme. Há ainda a presença de Fernanda Montenegro, pra variar dando um show, no papel da Virgem Maria e de Marco Nanini como o líder dos cangaceiros. Outros nomes do elenco como Denise Fraga (fazendo rir como poucas atrizes conseguem), Diogo Vilela, Lima Duarte e Luis Melo completam o timão de atores do filme.

O filme é uma versão da minissérie de 1999, já que foi editado da TV para o cinema. Essa edição torna o filme tão ágil e tão rápido que às vezes nos encontramos perdidos com tantos diálogos rasgados e engraçados. Como Guel Arraes teve que condensar mais de 6 horas de história em apenas 2 horas, vários momentos existentes na minissérie ficaram de fora no filme como o do gato que bota ouro, além de outros. Isso nem pode ser considerado um defeito, já que a edição do filme não deixou nada “em aberto” ou que pudesse dificultar a compreensão da história.

“O Auto da Compadecida” ainda conta com ótimas trilha sonora e fotografia, além de bons (mas limitados) efeitos especiais .

Guel Arras faz história e consegue transformar “O Auto da Compadecida” numa das produções mais divertidas já feitas no Brasil, além de quebrar o tolo e estúpido preconceito de que “filme nacional não presta !”. E, convenhamos, numa época de “Popstar” e “Zoando na TV”, isso já, por sí só, um gigantesco mérito.


Crítica por:
Diego Sapia Maia

 

 

Atrizes

 

 

Sinopse: Madeline é uma atriz de quarenta anos que começa a ensaiar para uma peça. Ela é solteira e está obcecada em ter um filho antes que chegue à menopausa.

Quem tiver um pingo de objetividade como filosofia de vida não deve entrar em uma sessão em que esteja exibindo Atrizes (Atrices). Franceses não são conhecidos por ser um povo prático, já que adoram discussões intermináveis e por vezes inúteis. Atores também não são lá muito práticos, com exercícios de palco que são inteligíveis e parecem sandices para os leigos. Agora imagine, caro leitor, o que é um filme francês em que a maioria dos personagens são atores…

A protagonista está muito obcecada pela ideia de ter um bebê. Ela apela para todas as maneiras possíveis de conseguir seu objetivo e, por vezes, suas tentativas desesperadas chegam a ser engraçadas. Conforme o filme avança, percebemos que ela está tendo problemas mentais por causa desse plano mal-fadado. Aí é que as coisas começam a ficar chatas, já que Madeline começa a atrapalhar a vida de várias pessoas por causa da idéia fixa de gravidez. A menos que o espectador faça um esforço para identificar a protagonista com outra mulher solteirona desmiolada, a empatia é impossível.

Para fazer companhia a Madeline no manicômio, outros personagens também revelam suas extravagâncias. A mãe dela faz declarações excessivamente íntimas durante uma aula de inglês, o diretor da peça tem surtos de autoritarismo, a assistente dele também tem suas próprias ideias fixas… É um tentando ser mais louco que o outro.
Tudo que se pode dizer é que gostar de Atrizes é um desafio.


Crítica por:
Edu Fernandes

 

Atraídos pelo Crime

 

 


Sinopse: As histórias de três policiais de Brooklyn. Eddie está a uma semana de se aposentar. Tango está infiltrado em uma gangue de traficantes de drogas. Sal está preocupado em arrumar dinheiro para comprar uma casa mais confortável para sua família, nem que precise aceitar dinheiro sujo.

Atraídos pelo Crime (Brooklyn’s Finest) pode ser avaliado como uma junção de várias ideias que já funcionaram em outros filmes policiais. Se isso garante a satisfação dos amantes do gênero, a certeza de um ar de repetição incomoda quem procura por um pouco de novidade. Para mostrar as semelhanças com títulos do passado, vamos analisar os três personagens principais separadamente.

Eddie é um policial amargurado pela vida que está literalmente contando os dias para sua aposentadoria. Máquina Mortífera (1987) já mostrou uma trama semelhante, apeser de ter uma pegada de mais humor. O problema de aceitar Eddie é que ele não se esforça para facilitar a convivência com ele e há vários momentos em que o espectador pode querer dar um tapa na cara do sujeito.

Tango luta para manter seu disfarce enquanto está infiltrado entre traficantes de drogas. Infiltrados é a referência mais clara quando esse assunto está na tela, mas também é possível comparação com O Traidor, outro filme estrelado por Don Cheadle. Essa segunda similaridade acontece por ambos mostrarem razões mais profundas para que ódio entre dois grupos exista. Sejam os traficante e policiais, ou os terroristas e os EUA. Esse é o personagem mais carismático nesse mar de figuras complicadas.

Já Sal está com grandes problemas porque seu salário não consegue dar conforto o suficiente para sua família. É possível contar pelo menos cinco filhos de Sal, mais os gêmeos que sua esposa espera. O mais incrível é que em momento algum é cogitada a solução do planejamento familiar. Dá a impressão que ele está nessa situação complicada simplesmente porque não calculou as consequências de suas escolhas. É difícil compactuar com isso.

 


Crítica por:
Edu Fernandes (CineDude)

 

 

Atraídos Pelo Crime

 

 


O grande problema dos chamados “filmes de gueto” norteamericanos é serem restritos demais. O assunto dificilmente varia e a falta de identificação com um público maior fora dos EUA faz com que estes filmes tenham bilheterias pouco expressivas fora de lá.

Mas às vezes acontece de algum longa do gênero se destacar, por conseguir desenvolver bem os clichês do seu nicho.

Atraídos Pelo Crime inicia-se de maneira mais que comum: três policiais do Brooklyn – Eddie (Richard Gere, o típico profissional na última missão de sua carreira), Tango (Don Cheadle) e Sal (Ethan Hawke) –, envolvem-se na investigação de um mesmo crime. Cada um tem uma moral que os guia.

O que diferencia este roteiro dos outros do gênero é que os três tipos investigam o mesmo crime, mas praticamente não se encontram durante todo o filme, mas apesar dos motivos diferentes para querer solucionar o caso, o fato é que ambos desejam incessantemente encerrar aquela carreira perigosa e tocar suas vidas. E o filme mostra bem o porquê dessa vontade.

A trama intrincada e bem amarrada prende a atenção do espectador, mas tudo não passaria de boa intenção se os atores não encarassem seus papéis com seriedade, levando o espectador a acreditar nas verdades deles. Ethan Hawke, em especial, tem uma atuação surpreendente, com um personagem rico em nuances e sem pré-julgamentos se o que ele faz é certo ou errado. Não há juízo de valores.

Após um início frio, uma sequência de acontecimentos paralelos e embalados por uma trilha quente e ininterrupta faz a história decolar. As únicas cenas de pouco sentido são as do caso amoroso de Richard Gere, que parecem estar ali apenas para cumprir a obrigação de haver um romance que agrade o público feminino.

A direção de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) é inteligente e a montagem é dinâmica, evitando bocejos e cochilos de tédio ao longo das mais de duas horas de película. Duração que, aliás e ainda assim, poderia ser menor.

Atraídos Pelo Crime é cinema de machão-hey-dude-mother-fucker, mas que consegue agradar a uma gama maior de espectadores, por trabalhar bem os seus clichês.

É mais do mesmo com o melhor de sempre.


Crítica por:
Fred Burle (Fred Burle no Cinema)

 

 

Atração Perigosa

 

Sinopse: Doug é um assaltante de bancos de Boston. Durante um dos assaltos, sua gangue pega Claire de refém. Depois ele aproxima-se dela para se certificar de que não corre riscos de ir para a prisão.

O cinema hollywoodiano atual tem oferecido alguns títulos policiais de medianos para fracos atualmente. A cidade de Boston, com sua violência urbana, é o cenário de Os Infiltrados, uma das boas exceções dessa leva. A metrópole parece dar sorte para os filmes e também serve de locação para Atração Perigosa (The Town), dirigido e estrelado por Ben Affleck (Maré de Azar).

O galã é frequentemente criticado por suas atuações, que muitas vezes são bem canastronas. Em seu próprio filme ele não compromete, mas o grande feito do elenco está na performance de Jeremy Renner (Guerra ao Terror). Ele interpreta muito bem Jem, o esquentado amigo e companheiro de crime do protagonista. O sotaque de Boston foi uma das maiores preocupações e ajuda a criar a atmosfera, para quem curte filmes legendados.

Com um Oscar de roteiro em sua bagagem (Gênio Indomável), Atração Perigosa prova que na direção Affleck também tem talento. O filme avança com uma pegada correta e consegue que a plateia simpatize pelo ladrão sem que tenha de odiar os policiais, chefiados pelo personagem bem interpretado por Jon Hamm (O Dia em que a Terra Parou).

O roteiro sabe usar bem seus personagens e cria situações autênticas. O desfecho também merece elogios pela inteligência e o timing. Atração Perigosa termina em um ponto ideal para que se compreenda o destino daquelas pessoas, mas mantém algumas questões abertas para que o espectador as complete.

 


Crítica por:
Edu Fernandes (CineDude)

 

 

A Todo Volume

Rock and roll na veia. Assim é o poderoso A Todo Volume, documentário de David Guggenheim (de Uma verdade incoveniente) com os guitarristas Jack White, Jimmy Page e The Edge. Sem enrolações, o filme aborda a relação passional entre os músicos e sua musa maior, a guitarra.

Guggenheim não engana o público: é um documentário para os roqueiros. E o cineasta não decepciona. Acompanhamos a trajetória de White (do The White Stripes), Page (do Led Zeppelling) e The Edge (do U2) compartilhando com eles de seus primeiros passos na música, os acordes e composições mais marcantes, os momentos especiais na carreira e toda a magia que envolve o guitarrista e seu instrumento de trabalho.

Entre as cenas individuais vemos o emblemático encontro dos três, trocando experiências e confissões. O filme acaba, obviamente, com uma grande jam session. Tudo isso em altíssimo som, como um bom rock deve ser ouvido.

A Todo Volume é pura adrenalina, imperdível para os fãs não só de Jack White, The Edge e do lendário Jimmy Page, como também para os apaixonados por música. No final das contas… it´s only rock ‘n roll but I like it.

 


Crítica por:
Janaina Pereira (Cinemmarte)

 

 

Um Ato de Liberdade

 

 

Sinopse: Os irmãos Bielski tiveram seus pais assassinados durante um ataque nazista. Eles refugiam-se nas florestas da Bielorrússia e acabam encontrado outros judeus.Eles formam uma comunidade de refugiados.

Há uma infinidade de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. Algumas são baseadas em fatos, como A Lista de Schindler (1993), outras são fictícias, como O Menino de Pijama Listrado. A importância histórica desse período é perceptível já que sempre temos agradáveis surpresas com novas produções que conseguem trazer informações novas sobre o tema. Um Ato de Liberdade (Defiance) é um bom exemplo, tratando de uma parte desconhecida e real da perseguição que os judeus sofreram.

A jornada dos irmãos Bielski é tocante por si só. Envolvendo injustiças, preconceito, união familiar e sonhos de um futuro melhor, é impossível não se emocionar. O roteiro muda um pouco a história real na intenção de tornar os protagonistas mais heroicos ainda. Como a personalidade deles foi bem retratada logo no começo do filme, não fica muito forçada a aura quase épica em que eles são imbuídos.

Há poucos problemas em Um Ato de Liberdade – mesmo assim são perdoáveis. Primeiramente, os personagens são provenientes da Bielorrússia, mas teimam em falar inglês com sotaque. Algumas cenas em que outros idiomas são ouvidos tentam reparar o deslize. O outro ponto baixo está no ritmo, que dá uma forte desacelerada no inverno. Enquanto os refugiados amarguram os martírios do inverno, o espectador também ficará desconfortável na poltrona. Fora isso, os quase 140 minutos de duração passam bem.

As cenas de ação fortes atrairão o público masculino e a retidão de caráter de Tulva – personagem bem defendido por Daniel Craig (Quantum of Solace) – cairá no gosto de quem estiver interessado pela vertente dramática da produção. A aliança bem construída por esses dois lados da mesma moeda já foi feita com primor pelo diretor Edward Zwick (Diamante de Sangue) em seus trabalhos anteriores.

 

 


Crítica por:
Edu Fernandes

 

 

A Toda Prova

 

Até aonde você iria para buscar sua inocência? Com um roteiro de Lem Dobbs, que mescla muitas sequências de luta e que deixa os destinos dos personagens cheios de saídas, o novo filme do famoso diretor Steven Soderbergh, “A Toda Prova”, é a prova viva de que você pode fazer um longa de ação protagonizado por quem é perito no ramo.

Na trama, uma linda mulher procura vingança depois que é traída durante uma missão. O filme não foge de sua proposta em nenhum momento, é honesto com o espectador, mostrando a saga de uma mulher altamente treinada militarmente em busca de sua inocência. O roteiro tenta ser uma espécie de tabuleiro de quebra-cabeças onde todas as peças se juntam perfeitamente no final, mesmo que em alguns casos o desfecho seja bem óbvio.

A bela lutadora de MMA, Gina Carano, estrela esse filme que tem ação do início ao fim. Aproveitando a beleza da jovem e das suas habilidades físicas, o longa tem cenas de lutas muito bem executadas e, com toda certeza, são o grande ponto alto do filme. Gina usa e abusa da sua competência no Jiu-Jitsu, Boxe, Luta Greco Romana e outras especialidades em artes marciais. Seria a veterana lutadora a nova ‘Jackie Chan’ dos cinemas? Em muitas cenas, dá para perceber que ela mesma faz as difíceis sequências sem ajuda de dublê.

Um elenco de nomes conhecidos no mundo do cinema, atualmente e do passado, dão o ar de sua graça nesse interessante filme de ação: Antonio Banderas, Michael Douglas, Ewan McGregor, Michael Fassbender, Channing Tatum. Cada um deles consegue contribuir, à sua maneira, para o bom andamento da trama. Não existe um destaque maior que Gina Carano.

Será uma boa diversão para todos que gostam de ação, intriga, aventura, suspense e politicagem jogados no liquidificador. Recomendável para aqueles que curtem adrenalina na telona!

 

Crítica por: Raphael Camacho (Blog)

 

 

A Toda Prova

 

Steven Soderbergh é um dos estimados realizadores em Hollywood, com uma lista de amigos que inclui Brad Pitt e George Clooney, que participam de seus filmes . O responsável por obras primas como Sexo, Mentiras e Videotapes e Traffic; mas também responsável por filmes como Irresistível Paixão e a biografia de Che Guevara.

Uma coisa é certa: quando sua produção anuncia um casting completo de estrelas, pode se esperar que o longa não terá a mesma qualidade das atuações (mas toda regra tem sua exceção, vide 11 Homens e Um Segredo e Traffic).

Em A Toda Prova, Soderbergh não apenas reúne um elenco de peso, como também escala a lutadora de MMA Gina Carano, para estrelar. Na trama, uma agente secreta que presta serviços para o governo americano é envolvida numa armadilha e sai em busca de vingança. Sinopse corriqueira e que pode ser facilmente confundida com qualquer produção que tenha Angelina Jolie ou que seja da franquia 007. Neste filme, nem o casting consegue tornar a fita mais interessante. O longa inicia com um diálogo evasivo, onde os espectadores pescam as informações para tentar entender a história. Seguido de uma briga ultraviolenta que já dá uma pista de como serão os próximos confrontos, e de um flashback dos acontecimentos que levaram aquela briga acontecer. Uma narrativa sem grandes ondulações de acontecimentos e realizada de forma amadora.

Recheado de brigas e perseguições e com uma protagonista nem um pouco carismática – talvez se tivesse uma atriz profissional, a personagem pudesse ter um desenvolvimento melhor-; o longa imprime uma despretensão por parte do diretor, podendo ser confundido com qualquer diretor iniciante. Além disto, Soderbergh parece ter reaproveitado a trilha de 11 Homens e Um Segredo e a fotografia de Traffic para compor sua produção. No final de tudo, mais parece uma continuação de Salt (com Angelina Jolie – que seria ótima para o papel de Mallory Kane).

Depois de Contágio, o diretor provou que para se fazer um filme bom, ter um elenco estelar não é suficiente. Lembrando que A Toda Prova, tem em sua ficha ténica : Michael Fassbender, Antonio Banderas, Michael Douglas, Ewan McGregor, Channing Tatum e Bill Paxton. Steven Soderbergh poderia ter vivido sem este longa.

 

Atividade Paranormal 4

 

Depois do imenso sucesso do primeiro filme da franquia “Atividade Paranormal” o público aguardou ansiosamente todas as continuações com a maior das expectativas. Nessa sexta-feira, 18 de outubro, estreia o quarto filme da saga paranormal.
 há nada de muito novo: mudanças de ângulos que deixam o público com novas perspectivas, sustos, levitações e impactos sobre paredes. O espectador se sente, permanentemente, como um porteiro, olhando as câmeras de segurança dos prédios.

Na trama, conhecemos uma família que vive feliz em uma casa grande, situada em um bairro de classe média alta nos EUA. A filha do casal, que tem um namorado sem noção, é a primeira que começa a perceber que estranhos acontecimentos ocorrem sempre de madrugada na sua casa. Um clima de suspense, às vezes bem evidente, tenta surpreender o espectador. Reflexos especiais na luz, tentam criar a tensão. Porém, tudo desaba pelo roteiro bem fraco o que acabou levando a todos ao desapontamento.

Por já conhecer a ‘estrutura de tensão’, o público fica esperando tomar um susto a cada nova sequência, fato que ocorre em apenas alguns poucos momentos. O grande ponto negativo do filme dirigido pela dupla Henry Joost e Ariel Schulman é o humor que domina o ambiente. O longa tem momentos engraçados, o que descaracterizam totalmente o clima de suspense/tensão que deveria ter, deixando o público confuso com essa troca de sensações.

A fita parece que vai melhorar mas não consegue fugir de sua rota previsível, lembra um lançamento recente chamado “Chernobyl”. Caminhos de brinquedos, um gato esquisito correndo para todos os lados e flatulências à parte “Atividade Paranormal 4” levará ao cinema um público que adora filmes desse gênero mesmo que esses possam sair do cinema bem desapontados no pouco mais de 90 minutos de fita.

 


Crítica por:
Raphael Camacho (Blog)

 

 

Atividade Paranormal 4

Um filme tem culpa de seu sucesso? Em muitos casos não. O público que irá elegê-lo como vitorioso ou fracassado dentro da competitiva indústria de Hollywood. Parece cruel, mas desde que os executivos dos grandes estúdios começaram a tratar as bilheterias de suas produções como uma espécie de esporte com ranking, esse foi o jogo em que aceitaram entrar.

O mínimo (definição contraditória já que é algo bem difícil de realizar) que os produtores e envolvidos com determinado filme ou franquia podem tentar fazer é torná-lo acessível para o maior número de pessoas possível. Não importa seu gênero para certos filmes se tornarem icônicos e unânimes. Casar a opinião da crítica com a do público é que tem se mostrado uma tarefa difícil ao longo dos anos, onde filmes execrados pelos profissionais como os dois últimos “Transformers” e toda a saga “Crepúsculo”, emplacaram fortemente no gosto popular. Em menor escala temos as franquias de terror surgidas em meados e no fim da década passada, “Jogos Mortais” e “Atividade Paranormal” (“Premonição” também se encaixaria).

Filmes mirados a uma fatia específica do público jovem, que desde a década de oitenta conquistou sua audiência cativa. Quem cresceu na época citada teve durante toda a infância e juventude os exemplos de “Sexta-Feira 13” e “A Hora do Pesadelo” (abominados pela imprensa), moldando seus primórdios cinematográficos. Agora ao invés dos assassinos físicos dos chamados “slashers”, temos no subgênero do terror adolescente as tendências de assombrações invisíveis e da tortura pornográfica. Opto certamente pela primeira. A estrada não foi fácil para “Atividade Paranormal” e seu sucesso é quase merecido. Lançado originalmente em 2007, o primeiro filme só conseguiu apoio para deslanchar quando o grande Steven Spielberg decidiu bancá-lo com seu Dreamworks em 2009, após ter assistido e adorado. O primeiro “Atividade Paranormal”, que estreou oficialmente dez anos depois de “A Bruxa de Blair”, soube utilizar e seguir com a estética do found footage (imagens documentais amadoras falsas, encontradas posteriormente interminadas de forma trágica) de forma eficiente.

Como os melhores filmes de terror adulto, a obra soube fazer uso de um suspense contínuo, onde pouco era mostrado e tudo era induzido. Criativo, “Atividade Paranormal” era uma fonte pura de diversão, que trazia novos ares ao cansado gênero, e reproduzia o nervosismo no público como uma ida ao trem fantasma, ou a um simulador do gênero. Não era tanto um filme (atores, diálogos, etc.), mas sim uma grande brincadeira satisfatória e, é claro, uma máquina de sustos. Foi também um dos maiores sucessos do gênero, arrecadando quase 200 milhões de dólares em todo o mundo (em contraste a seu orçamento de 15 mil dólares). E aí começou a maldição do filme. O estúdio vendo a mina de ouro que tinha em mãos decidiu continuar apostando em algo que não necessitava de continuação. Para que pagar os realizadores para fazerem algo novo, expandindo sua criatividade, se podem apostar no time que está vencendo. Chegando agora a seu quarto exemplar, que assim como as séries citadas dos anos oitenta carimbou cada ano da nova década com um filme dessa franquia, “Atividade Paranormal 4” segue a linha narrativa se mantendo fiel ao que foi confeccionado desde o filme original: um terror minimalista onde pouco é mostrado, muito é imaginado, e o clima tenso reina.

O vídeo acima explica a cronologia de toda a série, onde aparentemente esse quarto episódio se encaixaria logo após o primeiro filme, sendo o segundo e o terceiro de fato os primeiros. Aqui, uma típica família americana de classe média alta começa a ser aterrorizada por estranhos eventos. Essa é a sinopse de basicamente todos os filmes dessa série. Tudo começa quando um menino, que mora na casa em frente, tem sua mãe hospitalizada. Sem nenhum parente próximo, a família protagonista decide ficar com o menino (só mesmo em filmes de terror mirados aos jovens temos explicações tão capengas e simplistas). As situações bizarras e improváveis (e não estou me referindo ao terror) não importam muito aqui, afinal o que o público pagante quer ter é sua cota de sustos, e isso é mais que garantido em “Atividade Paranormal 4”; que no geral, dentro dos padrões do subgênero, não desaponta muito e consegue inclusive criar cenas genuinamente assustadoras (como o impressionante e histérico final). O maior problema quanto a essa série (assim como as outras citadas) é: por que iríamos querer ver sempre mais do mesmo? E outro, por quanto tempo os fãs irão pagar para ter sempre a mesma coisa repetida, se podem exigir novidades?

Crítica por: Pablo Bazarello (Blog)