Quando pensamos na história do Japão feudal, algumas imagens costumam vir ao imaginário comum do público, dentre as quais os samurais, famosos guerreiros que serviram ao Xogunato por quase oito séculos. Esses samurais, porém, quase sempre são retratados com as características nipônicas, posto que a maioria era de fato japonês. Porém, houve um, no século XVI, cuja história se destacava: ex-escravizado, Yasuke chegou ao Japão em 1579 junto com um serviço missionário; lá, aprimorou suas habilidades como lutador e se tornou samurai a serviço do daimyō Oda Nobunaga, no período Sengoku. A história dele chega agora em formato de anime seriado original Netflix.

Yasuke (LaKeith Stanfield) passou um período servindo como samurai ao império, porém, não mais. Hoje, quer viver a vida pacatamente, com sua identidade escondida como barqueiro em uma cidade do interior. Um dia, o menino Haruto (Darren Criss) pede a ajuda dele, para que leve a jovem Ishikawa (Dia Frampton) e a mãe dela para o médico, pois ela está muito doente. O que Yasuke não sabia era que a misteriosa doença da jovem era, na verdade, poderes especiais que a menina escondia e que não sabia controlar, e isso desperta a cobiça de pessoas muito, muito perigosas.



Resumidamente, o animeYasuke’ é uma grande bagunça. Tudo na produção parece concorrer consigo mesma. Criada e dirigida por Lesean Thomas, a ideia de adaptar para o clássico formato anime a história do samurai preto africano é excelente, pois além de mostrar que essa história real aconteceu mesmo, aproxima o público jovem contemporâneo a uma boa referência do passado não hegemônico. Porém, isso meio que se inviabiliza a partir do momento em que a produção é falada originalmente em inglês. Além disso, Lesean Thomas fez uma escolha arriscada ao optar por recriar esse episódio com uma roupagem de passado distópico. O resultado é um Japão feudal com robôs gigantes, pessoas com superpoderes e personagens que se assemelham a personagens conhecidos da cultura pop, como ‘Doutor Estranho‘ e ‘Caverna do Dragão‘ – estética para agradar ao público ocidental.

O traço de ‘Yasuke’ lembra o de ‘Castlevania’, sucesso da Netflix, mas a semelhança fica por aí. O roteiro de Nick Jones Jr. conta duas histórias em apenas seis episódios de trinta minutos de duração cada: o momento presente de Yasuke, levando a menina ao médico, e o passado do guerreiro, construindo sua trajetória como samurai. O lance é que, com pouco tempo e iniciando com as cenas do passado, a série fica o tempo todo indo e vindo no tempo, atordoando o espectador especialmente nos episódios iniciais, quando ainda estamos nos familiarizando com a trama. Não bastasse isso, o anime ainda ganhou uma trilha sonora completamente deslocada de seu tema, semelhante a música lounge de motel. Nada a ver mesmo.



Yasuke’ é uma ótima ideia colocada nas mãos erradas, porque tenta agradar dois lados do mundo cujas culturas são completamente opostas: o ocidente e o oriente. Do jeito que ficou, mais bagunçou que agradou. Uma pena, pois o lendário samurai negro merecia mais para o seu legado do que uma fantasiosa animação que o coloca como uma espécie de Seya eternamente protegendo Saori. Yasuke foi mais que isso, e merece um anime à sua altura.

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