Site Página 4848

Crítica | ‘Jovens Bruxas – Nova Irmandade’ é uma desnecessária continuação repleta de clichês vencidos

Em 1996, Andrew Fleming conquistava os fãs do terror adolescente com o lançamento de Jovens Bruxas, longa-metragem que, apesar de não ter sido recebido de forma favorável por parte da crítica, tornou-se um dos clássicos do gênero ao contar a história de um grupo de meninas que se envolveu com feitiçaria para alcançarem seus objetivos – e sentiram na pele o preço da ambição humana. Colocando nomes como Fairuza Balk e Neve Campbell (esta última a estrela de diversas produções similares, incluindo a franquia slasher ‘Pânico’) no centro dos holofotes, a obra ganhou uma legião de seguidores que revisitaram-na inúmeras vezes, encontrando elementos novos a cada incursão.

Na era dos remakes e dos revivals, era só uma questão de tempo até que o cult ganhasse uma versão modernizada para a geração contemporânea – e, 24 anos depois da estreia do filme original, a diretora e roteirista Zoe Lister-Jones nos apresentou com sua própria perspectiva de uma atemporal narrativa, procurando manter a essência da iteração predecessora enquanto apostava fichas em algumas reviravoltas interessantes. Dessa forma, nasceu Jovens Bruxas – Nova Irmandade’, liderado pela performance de Cailee Spaeny como Lilith “Lily” Schechner, uma jovem estudante que se muda para a casa do padrasto com a mãe, Helen (Michelle Monaghan), onde experencia uma série de eventos paranormais que refletem suas raízes como bruxa. A partir daí, ela se junta a outras garotas para fundarem um coven e exaltarem os poderes da natureza com os quais foram concedidos.

Entretanto, o resultado do longa-metragem é bem aquém do esperado: supervisionado pela Blumhouse – que, da mesma forma que nos entregou construções interessantes como ‘Fragmentado’ e ‘Halloween’, também falhou com ‘Verdade ou Consequência’ e ‘Ilha da Fantasia’ -, essa sequência revitalizada é crua demais para ser levada a sério ou para ser aproveitada, seja pelas constantes fórmulas das quais se vale para fornecer uma centelha de profundidade às personagens principais, seja por sua obviedade. Mais do que isso, é notável a forma como o roteiro é canalizado apenas para Lily, deixando as outras participantes do clã de soslaio e utilizando-as quando bem entender – e entenda o uso como restrito a sequências sem qualquer prospecto de inspiração.

Lily descobre que tem poderes ao enfrentar um valentão na escola, Timmy (Nicholas Galitzine), sendo contatada por Frankie (Gideon Adlon em uma exaurível e exagerada performance), Tabby (Lovie Simone) e Lourdes (Zoey Luna completamente apagada quando ao lado das companheiras) para assumir suas habilidades e talvez ter uma vida melhor. O quarteto, a princípio, decide apenas mudar a personalidade de Timmy, transformando-o em um cara desconstruído. E, de fato, o filme é quase completamente centrado na forçada relação que se ergue entre dois lados de uma mesma moeda, não deixando espaço para investidas coerentes e coesas em seu escopo inicial.

De fato, a magia premeditada pela premissa do filme é deixada de lado, servindo apenas como frágil sustentação de uma espécie de drama romântico adolescente que passa por cima de importantes temas da forma mais superficial possível. Há certos flertes bem intencionados com questões sobre homofobia e machismo que nunca dão frutos sólidos, nem mesmo guiados pela força impetuosa de Spaeny e Monaghan nas cenas que dividem. Porém, o maior crime que o filme comete é impedir que suas “heroínas” desfrutem da companhia uma da outra: Lily trilha seu próprio caminho, da mesma forma que Sarah (Robin Tunney) fez na obra original, apesar de não ter a mesma intensidade; as outras três, perdidas em uma massa amorfa indistinguível, rendem-se a qualquer estereótipo dos anos 1990 e são brevemente diferenciadas pelos elementos naturais que representam. Dito isso, a química entre as quatro é inexistente.

Lister-Jones poderia muito bem explorar alegorias sobre cobiça, irmandade, empatia e traição, até mesmo tangenciando a altivez emblemática de tragédias shakespearianas – por mais desmesurado que isso soe. Afinal, a realizadora tinha a faca e o queijo na mão, mostrando uma parcela de seu potencial no curto primeiro ato. Mas todos os outros elementos parecem jogados profusamente sobre uma tela em branco, tentando criar algo com um mínimo de impulso. Como se não bastasse, os insistentes esforços em nos comover pela beleza do cenário e da construção imagética (incluindo a sobriedade de uma paleta de cores duvidosa) não vão muito além do que esperaríamos.

Jovens Bruxas – Nova Irmandade’ era um tiro no escuro desde sua concepção e de seu anúncio até a aguardada chegada – e o longa poderia seguir dois caminhos bem opostos. Infelizmente, boas intenções não foram o bastante para livrá-lo de ilogismos narrativos, pressões desnecessárias e a manutenção de um legado que não deveria ter sido tocado para começo de conversa.

‘Bob Esponja: O Incrível Resgate’ | 5 curiosidades sobre o novo sucesso da Netflix

Estreou hoje na Netflix uma das animações mais aguardadas do ano. Bob Esponja: O Incrível Resgate chega ao streaming após meses de incerteza se seria lançado ou não nos cinemas por conta da pandemia do novo coronavírus. Já disponível para ser assistido em todo o Brasil, o longa traz algumas curiosidades interessantes. Confira! Ah, bom avisar: a matéria está cheia de SPOILERS.

 

É o primeiro filme 100% 3D do personagem

Bob Esponja: O Incrível Resgate é o primeiro filme do Bob Esponja todo feito em 3D. Em 2015, a Paramount lançou Bob Esponja: Um Herói Fora D’Água, que se vendeu como uma aventura 3D. Porém, quem assistiu ao filme sabe que apenas os 15 minutos finais da aventura são feitos em animação 3D, deixando todo o resto do longa animado na tradicional animação 2D.

 

É o primeiro filme sem Stephen Hillenburg

O criador do Bob Esponja, Stephen Hillenburg, participou dos dois primeiros filmes do personagem. Bob Esponja: O Filme, inclusive, foi dirigido por ele, que planejou o longa como o final da série. Mas a Nickelodeon pressionou para que houvesse mais episódios. No filme de 2015, Stephen foi um dos roteiristas. Infelizmente, ele faleceu em 2018 e não pôde participar da criação desse terceiro filme.

 

Introduz um spin-off

Um dos desejos que Stephen Hillenburg tinha enquanto vivo era de respeitar a franquia do Bob Esponja sem ir pelo caminho de diversos spin-offs ou versões diferentes. No entanto, o filme introduz o primeiro spin-off oficial desse universo que deve ser lançado no ano que vem. O nome é Kamp Coral e vai mostrar a turma da Fenda do Biquíni em suas versões infantis. Ou seja, as cenas dos personagens pequenininhos dão um vislumbre do que esperar da série derivada.

 

É o filme com mais cameos da franquia

Enquanto o filme de 2004 trouxe um inesperado cameo do ator David Hasselhoff, interpretando a uma versão “aprimorada” dele mesmo, e o segundo trouxe Antonio Banderas como a pedra no sapato de Bob Esponja, esse novo filme não se limita a apenas um cameo. Isso porque participam do longa o ator de filmes de ação trash Danny Trejo, o rapper Snoop Dogg e o queridinho da internet, Keanu Reeves.

 

Orgulho do passado

O filme tem diversos easter eggs bem divertidos, mas um deles, quase imperceptível, acaba sendo o mais legal de todos. Logo no início do filme, Bob Esponja está na cozinha do Siri Cascudo preparando os pedidos. Nota-se a presença de duas notas acima da chapa. Em uma dessas notas, há o desenho do “Spongeboy”, a versão inicial que Stephen Hillenburg pensou para o próprio Bob Esponja.

 

Menção honrosa:

Essa é uma curiosidade antiga, mas é sempre bom lembrar dela. O dono do Siri Cascudo, o Senhor Sirigueijo, é vivido pelo ator e dublador Clancy Brown. O ator é veterano e um dos seus papéis mais recentes foi num filme da Marvel. Em Thor: Ragnarok (2017), Clancy Brown empresta sua voz para Surtur, o Demônio do Fogo.

‘TENET’: “Não é justo comparar a bilheteria do filme com resultados pré-pandemia”, diz Christopher Nolan

Tenet‘ chegou aos cinemas norte-americanos em 03 de setembro e foi a primeira grande estreia de Hollywood durante a pandemia do Coronavírus.

No entanto, o longa acabou trazendo um grande prejuízo à Warner Bros, já que arrecadou apenas US$ 347 milhões pelo mundo… Um fracasso, considerando o orçamento de US$ 205 milhões.

Mesmo assim, é uma marca razoável em meio à pandemia, lembrando que a maioria do cinemas pelo mundo continuam de portas fechadas.

Por outro lado, os representantes da indústria cinematográfica acham que o fraco retorno financeiro do longa foi uma advertência e pode ter contribuído para a decisão de adiar outros lançamentos.

Em entrevista ao Los Angeles Times, o diretor Christopher Nolan rebateu às críticas ao lançamento e disse que as expectativas sobre as bilheterias atuais são um reflexo do ano de 2019.

Para quem não sabe, o ano passado foi o mais rentável para a indústria e só a Disney arrecadou quase US$ 10 bilhões pelo mundo, o que gerou uma pressão nos outros estúdios.

“Estamos falando sobre uma aceleração das tendências existentes em relação às bilheterias cinemtográficas, e eu já tinha percebido isso logo no início da pandemia. Acontece que estamos ignorando a realidade de que 2019 foi o ano mais lucrativo na história da indústria cinematográfica. Os estúdios ganharam muito dinheiro, houve mais geração de empregos… Mas as pessoas não entendem que não estamos mais nessa realidade, não estamos em tempos normais.

Nolan continuou, dizendo que comparar os lucros de 2019 com 2020 é um erro, e os estúdios estão perdendo a oportunidade de aprender com os resultados de ‘Tenet‘.

“Estou muito emocionado por termos arrecadado quase US$ 350 milhões com ‘Tenet‘ nessa nova realidade. Mas estou preocupado que os estúdios estejam tirando conclusões precipitadas sobre isso. Em vez de analisar o que deu certo, muitos estão usando isso como desculpa para adiar os principais lançamentos do ano. As expectativas baseadas em números gerados antes da pandemia estão ultrapassadas. Se os cineastas não arriscarem, vai demorar muito até que os cinemas voltem a ser espaços de lazer. Cinemas fazem parte do cotidiano, como restaurantes e tudo mais.”

Apesar das críticas vindas de boa parte dos outros estúdios, Ann Sarnoff, presidente da Warner Bros, disse através de um comunicado que está satisfeita com os resultados de ‘Tenet‘.

“Estamos muito satisfeitos com os resultados da ‘Tenet’. Sabíamos que não iríamos atingir o retorno esperado antes de da pandemia. Mas Christopher Nolan tem uma grande legião de fãs nos EUA e no mercado internacional. Esperávamos que mais cinemas pelo mundo estivesse abertos, mas estamos orgulhosos… Não sei se vocês já assistiram, mas esse filme merecia ser visto nas telolas.”

Assista ao trailer:

‘Tenet‘ recebeu 71% de aprovação no Rotten Tomatoes, com nota 6,3/10 baseada em 273 reviews.

Os críticos aclamaram o visual do filme, mas o roteiro foi um tanto criticado.

Separamos as principais críticas para você:

“Grandes filmes sempre viajam no tempo – vivendo com você além dos créditos finais, transportados para o futuro. Com Tenet, 150 minutos passam sem causar danos, mas eu já esqueci do filme antes mesmo de eu tirar a máscara.” – Danny Leigh – Financial Times

“É filme frio e cerebral – fácil de admirar, especialmente por ser tão rico em audácia e originalidade, mas quase impossível de amar, por faltar como é uma certa humanidade.”, Leslie Felperin – Hollywood Reporter

“Assinalar que Tenet tem falhas parece ingrato. É como criticar o Papai Noel. Mas, eu confesso, me deixou com sono. Mesmo assim, Tenet é uma explosão de arregalar os olhos, inovadora.” – Charlotte O’Sullivan, London Evening Standard.

“Nunca devemos saber o que exatamente está acontecendo em um determinado momento, mas estaremos – devemos estar – entretidos com o absurdo esmagador de tudo isso.”, Barry Hertz – Globe and Mail 

“A verdadeira alegria do filme, no entanto, é o puro espetáculo.”, Kevin Maher  – Times 

“Se uma dor de cabeça pode ser prazerosa, é assistindo a Tenet.”, Tom Beasley – Mito Cintilante

“O filme mais importante do ano é um título muito pesado para se carregar, e Tenet na maioria das vezes consegue. Este pode não ser um filme perfeito, mas poderia ser apenas um cinema perfeito.”, Rosie Fletcher – Den of Geek.

“O filme é uma corrida contra o relógio que desafia tudo o que sabemos sobre o tempo. Sequências em escala maciça têm tempo para avançar e retroceder e ziguezaguear, tudo de uma vez. A ação supera qualquer coisa que Nolan já fez antes.”, Radheyan Simonpillai – TorontoNow

“Revisitando ideias que já havia abordado em sua saga espacial brilhantemente subestimada, Interestelar, Nolan está de volta ao seu assunto favorito, o tempo. Os resultados são, sem surpresa, fenomenais.”, Linda Marric – The Jewish Chronicle 

Armado com apenas uma palavra – Tenet – e lutando pela sobrevivência do mundo inteiro, o Protagonista viaja através de um mundo crepuscular de espionagem internacional em uma missão que irá desenrolar em algo para além do tempo real. Não viagens no tempo. Inversões.

John David Washington, Robert Pattinson, Elizabeth Debicki, Michael CaineKenneth Branagh estrelam.

Crítica | ‘Disco’ é o melhor álbum de Kylie Minogue em dez anos

Desde que atingiu sua maturidade com o subestimado Impossible Princess, Kylie Minogue vem apostando em revitalizações da própria carreira e até mesmo se aventurou no country-pop de Golden (que também merecia mais atenção por seu teor intimista e extremamente verdadeiro). Agora, em um ano que clamava por um escapismo artístico em meio a tantas tragédias e conturbações, Minogue resolveu visitar de novo as raízes oitentistas de seu début com uma apaixonante e dançante jornada intitulada Disco – seu 15º compilado de originais.

Desde o prematuro anúncio de que traria tendências clássicas do que se entende como a melhor era do pop, era inegável que sua legião de fãs ficaria em êxtase, aguardando o que a imperatriz australiana da indústria fonográfica lhes entregaria. Como era de se esperar, o forte primeiro single, “Say Something”, daria as cartas do jogo através de uma bombástica sutileza movida por sintetizadores e um cativante ritmo – canalizado para as outras duas canções promocionais, a sinestésica “Magic” e a irretocável “I Love It”. Não é nenhuma surpresa que a garantia de uma produção coesa era certeira, mas o que não esperávamos era que o CD seria uma homenagem não apenas a si mesma, mas a todas as divas que explodiram na época em questão – incluindo Gloria Gaynor, Diana Ross, Roberta Kelly e tantas outras. Mais do que isso, Minogue fez questão de, ao longo de doze faixas (dezesseis, se considerarmos as faixas extras da versão deluxe), não invadir o espaço de outros nomes da atualidade que também voltaram suas referências ao passado.

Disco, como o título já premedita, é uma infusão exuberante de disco-pop e faz flertes com o eurodance popularizado em 1970. Diferente de Dua Lipa, que mergulhou de cabeça no synth-dance com ‘Future Nostalgia’, e Lady Gaga, que entregou um apaixonante house com ‘Chromatica’, Kylie se restringiu a nos convidar para a pista de dança e a esquecer de nossos problemas – falando sobre amores platônicos e a paixão pela música com composições certeiras. No final das contas, não resta mais nada a se fazer por agradecê-la por um mimo que não sabíamos que precisávamos até darmos play na faixa inicial – e pelo fato dela ter, assim como sua iteração predecessora, um controle bem maior das próprias canções.

É notável como a performer se sente bem ao regressar à sua zona de conforto – mas não entenda isso como um comentário simplista; pelo contrário, esse “retorno da filha pródiga” é o que transforma a obra na melhor de Kylie Minogue em dez anos, desde que lançou o vibrante Aphrodite. A temática, por mais rasa que pareça, é mascarada pelo uso constante do baixo, da bateria e de um soubrette on point. Em “Miss a Thing”, contemporaneidade e nostalgia se misturam em uma sensual narrativa que nos enlaça do começo ao fim em uma montanha-russa melismática (cujo único problema é a longa duração). “Real Groove” é uma perfeita continuação assinada com múltiplas camadas vocais que lembram Michael Jackson e um deep-dance narcótico.

Minogue não pensa duas vezes antes de abarcar territórios normalmente inexplorados, como a agressividade percussional-eletrônica de “Supernova”, um dos vários ápices do álbum e até faz alusão a eras passadas com “Last Chance” – que nutre de similaridades com o icônico grupo ABBA e suas progressões transgressoras. Talvez a track mais surpreendente (e, na honesta opinião deste que vos fala, a excelência musical do CD) é o saudosismo tocante de “Where Does the DJ Go?”, comandada pelo poder incomparável de sua rendição quase teatral e crescendo soberbos que precedem um dos refrões mais sólidos do ano, estendendo suas ramificações inclusive para o gospel-pop. Kylie, há muito sofrendo com diversos problemas que perscrutavam sua vida pessoal e profissional, está se divertindo como num enredo que faz sentido não apenas para ela, como também para os fãs que a vêm acompanhando desde a estreia de “Locomotion” ainda em 1987.

A cantora e compositora também faz alguns movimentos arriscados que, apesar de não funcionarem totalmente (principalmente nas iterações que precedem a conclusão), mostram que ela ainda tem muito a nos contar. “Dance Floor Darling”, regada por versos que nos transportam de volta para o nova-iorquino Studio 54 e celebra a felicidade daqueles que buscam por um lugar “onde a música nunca acaba”. Entretanto, a discrepância estilística, escondida pela pungência de uma guitarra elétrica muito bem estruturada, começa a ganhar força num up-tempo inesperado e, infelizmente, fragmentado demais para ser aprazível. “Unstoppable”, por sua vez, dá um passo para trás e cede espaço a uma preamar semi-balada setentista que drena forças do baixo e da harmonização de seu coro. Por fim, “Celebrate You” é uma declaração romântica que, apesar de soar pueril quando justaposta as outras faixas, nos comove pela simplicidade das mensagens que passa.

Disco é um retorno digno à forma de uma das maiores popstars do mundo. Kylie, provando que permanece fiel às vertentes que a colocaram no topo do mundo à medida que não tem medo de ousar e de criar o impensável: uma carta de amor àquilo que lhe dá vontade e prazer de viver.

Nota por faixa:

1. Magic – 4,5/5
2. Miss A Thing – 3,5/5
3. Real Groove – 4/5
4. Monday Blues – 4/5
5. Supernova – 4,5/5
6. Say Something – 3,5/5
7. Last Chance – 4,5/5
8. I Love It – 5/5
9. Where Does The DJ Go? – 5/5
10. Dance Floor Darling – 3/5
11. Unstoppable – 3,5/5
12. Celebrate You – 4/5

Crítica | Bill & Ted: Encare a Música – Comédia com Keanu Reeves Presta Homenagem aos Mestres da Música

Bill (Alex Winter) e Ted (Keanu Reeves) estão de volta, trinta e um anos depois de estrearem pela primeira vez nas telonas. Nesse ínterim, eles não viajaram no tempo – na verdade, a carreira musical dos dois desandou. De um grande sucesso musical, a dupla aos poucos foi perdendo fãs, caindo posições nas paradas de sucesso e, após inúmeras tentativas de voltar a emplacar um sucesso, a verdade nua e crua bate na porta deles: Bill e Ted são dois perdedores, na faixa dos cinquenta anos, desempregados, pais de família e que se recusam a crescer.

Mas então eles recebem a visita de Kelly (Kristen Schaal), que viajou para lhes dizer que o universo está em grande risco, e a Grande Líder (Holland Taylor) lhes passa uma importante missão: para salvar a galáxia, Bill e Ted precisam compor uma canção que irá unir os povos do mundo inteiro e trazer a paz intergaláctica. Para isso, os dois têm a bela ideia de roubar a música deles mesmos no futuro, e, por isso, ficam viajando no tempo encontrando seus eus por aí. Em paralelo a isso, suas filhas – Thea (Samara Weaving) e Billie (Brigette Lundy-Paine) – irão fazer de tudo para ajudá-los em sua missão.

Baseado nos personagens criados mais de três décadas atrás por Ed Solomon e Chris Matheson, o roteiro escrito por eles tenta desesperadamente recuperar aquele clima jovial descontraído dos primeiros longas da franquia, mas, no final, alcança uma roupagem de síndrome de Peter Pan – de que esses personagens se recusam a envelhecer e amadurecer. Portanto, o aspecto geral de ‘Bill & Ted: Encare a Música’ é essa sensação de que estamos vendo dois homens de cinquenta anos tentando a todo custo se manter num comportamento juvenil bobaloide, completamente sem lugar nos dias de hoje. Isso se reflete em tudo no longa: no argumento, nas atuações engessadas, no mote de cada núcleo, nas piadas, no linguajar (que permanece o mesmo, com o excesso de gírias como “cara” o tempo todo), etc. É claro que isso também é o que o que fez o sucesso desses dois personagens – e isso é até legal, de certo modo. Mas, a combinação de todos esses elementos remete à moral da história do filme ‘Vizinhos’: é preciso amadurecer sem perder a essência jovial, mas, acima de tudo, é preciso reconhecer que é preciso amadurecer.

O roteiro é dividido em duas linhas: uma com Bill e Ted e outra com as filhas Thea e Billie. E a coisa toda é tão constrangedora que a história das filhas é muito mais interessante que a dos pais, que basicamente ficam se encontrando consigo mesmos em diferentes tempos. Claramente é uma tentativa sutil do diretor Dean Parisot de tentar passar o bastão adiante para que a franquia continue, mas é tudo tão fraquinho nesse filme, que nem dá vontade de ver eventuais continuações.

Bill & Ted: Encare a Música’ é desses filmes bastante nostálgicos que até pode agradar aos fãs, mas que não tinha nenhuma necessidade de acontecer. Apesar disso, é um filme bacaninha, que presta bonita homenagem aos grandes nomes da música mundial, e ainda tem uma inesperada participação especial Dave Grohl. Ah, e tem pós-crédito!

‘Titãs’: Estelar retorna com visual repaginado em primeira imagem da 3ª temporada

A produção da 3ª temporada da série ‘Titãs‘ já está em andamento e os fãs foram presenteados com a primeira imagem dos bastidores do vindouro ciclo, que traz a personagem Estelar em destaque.

A imagem ainda revela um visual totalmente repaginado para a personagem, que agora terá madeixas cacheadas em um tom bem mais escuro na nova leva de capítulos.

Confira:

Novidades da 3ª temporada

Vale lembrar, que a terceira temporada trará Jason tramando uma jornada para derrubar os ‘Titãs‘.

Nos quadrinhos, Jason Todd foi morto pelo Coringa e ressuscitou sob o polêmico codinome Capuz Vermelho, tornando-se um assassino frio e calculista. Apesar de ser pouco adaptado em animações e em nenhuma versão live-action, o personagem se tornou um dos anti-heróis mais populares de DC.

Também foi confirmado que Barbara Gordon/Batgirl dará as caras nos próximos episódios, mas não vestirá o uniforme da heroína. Na verdade, ela será Comissária da Polícia de Gotham City, além de ter tido um relacionamento prévio com Dick Grayson (Brenton Thwaites).

Além disso, o icônico supervilão Espantalho, alter-ego do Dr. Jonathan Crane, também fará sua estreia na série.

Informações sobre elenco ou em quantos capítulos os personagens irão aparecer não foram reveladas.

Relembre o trailer da temporada anterior:

A trama segue jovens heróis do Universo DC enquanto eles crescem e se encontram em uma versão sombria da franquia clássica dos Jovens Titãs. Dick Grayson e Rachel Roth, uma jovem garota especial possuída por uma estranha escuridão, acabam no meio de uma conspiração que pode trazer o Inferno para a Terra. Eles se juntam à cabeça-quente Estelar e o amável Mutano. Juntos, eles se tornam uma família e uma equipe de heróis.

A série foi criada por Greg Berlanti, e é estrelado por Brenton Thwaites (Asa Noturna), Anna Diop (Estelar), Teagan Croft (Noturna) e Ryan Potter (Mutano).

O próximo ciclo irá introduzir diversos novos personagens, incluindo Superboy (Joshua Orpin), Exterminador (Esai Morales), Jericó (Chella Man), Devastadora (Chelsea Zhang), Mercy Graves (Natalie Gumede) e Aqualad (Drew Van Acker). Jason Todd (Curran Walters), Donna Troy (Connor Leslie), Rapina (Ritchson) e Columba (Kelly) também irão retornar.

‘Bridgerton’: 2ª temporada já está em desenvolvimento!

Parece que a Netflix já renovou silenciosamente ‘Bridgerton‘, sua nova série de época baseada nos romances homônimos de Julia Quinn, para a 2ª temporada.

De acordo com o Production Weekly, a produção do segundo ciclo irá começar em março de 2021.

Vale lembrar que a primeira temporada será lançada no dia 25 de dezembro.

Confira o trailer:

A série foi criada por Chris Van Dusen.

A história acompanha as vidas dos oito irmãos da família Bridgerton, uma das mais importantes da alta-sociedade inglesa do século XIX. A adaptação é supervisionada pela icônica Shonda Rhimes, partindo do contrato que assinou com a plataforma de streaming em 2017.

Adjoa AndohLorraine AshbourneJonathan BaileyRuby BarkerSabrina BartlettHarriet Cains e outros estrelam.

‘Indiana Jones’: Sean Connery desejava atuar com Harrison Ford em outros filmes da franquia

Além de ser eternizado como James Bond, o falecido e eterno Sean Connery também conquistou os fãs ao dar vida ao pai de Harrison Ford em ‘Indiana Jones e a Última Cruzada’ (1989).

E, de acordo com a BBC, o astro uma vez publicou em seu site pessoal que tinha um grande desejo de contracenar com Ford em outros filmes da franquia.

Em parte de um texto publicado no site, Connery disse que:

“Se algo pudesse ter me tirado da aposentadoria, seria um outro filme de Indiana Jones. Eu adorei trabalhar com Steven [Spielberg] e George [Lucas], e nem é preciso dizer que é uma honra ter Harrison [Ford] como meu filho… Eu adoraria atuar com ele outros filmes [da franquia]. Bom, por enquanto, estou aproveitando a aposentaria, até que é divertida.”

É uma pena que esse reencontro nunca aconteceu nas telonas!

Após a morte do veterano no último dia 31, o diretor George Lucas prestou homenagem a ele, mostrando que ambos compartilhavam um belo vínculo fora das telonas.

Sir Sean Connery, por meio de seu talento e energia, deixou uma marca brilhante na história do cinema.”, escreveu Lucas em um comunicado. “Seu público se estendeu por gerações, cada um com os papéis favoritos que ele desempenhou. Ele sempre terá um lugar especial no meu coração como o pai de Indy. Apenas alguém como Sean Connery poderia ser uma figura de autoridade para Indiana Jones… Ele sabia muito bem como dar uma bronca paterna ou um abraço afetuoso. Sou grato por ter tido a sorte de ter conhecido e trabalhado com ele. Meus pensamentos estão com sua família.”

Falando nisso, o 5º filme da franquia está em “preparação” há muito tempo – e, apesar de estar prevista para lançamento em 22 de julho de 2022, vem sido alvo de várias mudanças e atrasos, incluindo o fato de que Steven Spielberg não voltaria para a cadeira de direção.

Pouco depois, o roteirista David Koepp também deixou o projeto e, em uma recente entrevista ao Den of Geek, revelou que o fato da equipe criativa não conseguir chegar a um consenso quanto ao produto final é o principal motivo de tantas turbulências.

“Tentei algumas versões diferentes com Steven e todas elas tinham algumas coisas boas e algumas coisas que não funcionavam, o que acontece. Mas era muito difícil levar todo mundo a um consenso e concordar em relação aos elementos – Steven, Harrison [Ford], o roteiro, a Disney – isso nunca aconteceu”.

Apesar da decepção quanto ao fato de Spielberg não voltar como diretor, o produtor Frank Marshall, tranquilizou o público, afirmando que a combinação entre o cineasta indicado ao Oscar, James Mangold, e Spielberg na produção trará “o melhor de tudo” para as audiências.

Em uma entrevista ao Collider, o produtor revelou por que a Disney escolheu Mangold para a função:

“Ele tem um amor pela franquia. Ele é um ótimo cineasta E eu acho que ele também tem uma relacionamento com Harrison. Foram todos os pedaços certos se juntando no momento certo. E com Mangold e Spielberg juntos nós teremos o melhor de todos”.

Lembrando que foi Spielberg quem decidiu passar o manto para um cineasta mais jovem, a fim de trazer uma perspectiva renovada ao personagem.

Mangold é conhecido por seu trabalho em Ford vs. Ferrari, drama indicado ao Oscar de Melhor Filme, e no aclamado Logan, que também foi nomeado na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.

Durante a divulgação de ‘O Chamado da Floresta, Ford revelou novidades sobre o próximo filme da saga:

“O filme irá mostrar o passado de Indiana. Veremos novos desenvolvimentos em sua vida, em seu relacionamento. Veremos parte da história dele sendo revelada. É um roteiro muito bom. Estou ansioso para isso.”, afirmou.

Originalmente, o novo longa-metragem da franquia seria rodado a partir de abril de 2019. Entretanto, divergências artísticas no tocante ao roteiro adiaram o início da produção, com Dan Fogelman (This Is Us) ficando responsável pela reescrita completa.

Por enquanto, ainda não há previsão de estreia para a sequência.

‘007’: Charlie Hunnam, de ‘Sons of Anarchy’, diz que ficaria honrado em ser o próximo James Bond

No Merchandising. Editorial Use Only. No Book Cover Usage. Mandatory Credit: Photo by Danjaq/EON Productions/REX/Shutterstock (5886236cw) Daniel Craig Skyfall - 2012 Director: Sam Mendes Danjaq / EON Productions UK/USA Scene Still

À medida que se aproxima a estreia de ‘007 – Sem Tempo Para Morrer‘, os fãs continuam apostando em qual ator irá assumir o legado do personagem após a despedida de Daniel Craig.

Durante uma entrevista para a revista People, Charlie Hunnam (‘Sons of Anarchy) declarou seu amor pela franquia e foi questionado se gostaria de assumir o papel nos próximos filmes.

Em reposta, o astro pareceu surpreso, mas disse que seria uma honra.

“Como um cidadão britânico, eu ficaria muito lisonjeado e honrado em ser considerado para o papel de James Bond. Nunca parei para pensar nisso, mas aqui e agora, minha intuição diz que eu não deveria ficar esperando essa proposta chegar. Acho que há muitas pessoas à minha frente nessa lista.”

Falando nisso, ‘007 – Sem Tempo para Morrer‘ deve surpreender os fãs ao mostrar James Bond abrindo mão da sua identidade como o 007 e passando o manto para uma nova colega de trabalho, vivida pela atriz Lashana Lynch.

A informação foi confirmada por ela mesma durante uma entrevista à revista Haper’s Bazaar.

Com essa mudança, Lynch se tornará a primeira mulher e pessoa negra a receber o título de agente 007 na franquia de James Bond. A novidade, que havia sido alvo de especulações no passado, já fica como um marco histórico emblemático na indústria cinematográfica.

E durante a entrevista, Lynch comentou sobre a novidade e sobre o impacto que quer trazer como uma pioneira na aclamada saga do espião. Ela ainda refletiu sobre os ataques racistas que já recebeu durante as especulações da sua personagem e que ainda deve receber, em meio à divulgação oficial da novidade:

“Eu não queria perder uma oportunidade quando se tratava do que Nomi poderia representar. Eu procurei pelo menos um momento no roteiro em que os membros da audiência preta acenariam com a cabeça, reclamando da realidade, mas felizes em vê-la representada. Em cada projeto do qual faço parte, não importa o orçamento ou gênero, a experiência preta que estou apresentando precisa ser 100% autêntica. Eu sou uma mulher preta – se fosse outra mulher preta escalada para o papel, teria sido a mesma conversa, ela teria os mesmos ataques, o mesmo abuso. Só preciso me lembrar de que a conversa está acontecendo e que sou parte de algo que será muito, muito revolucionário”. 

Dirigido por Cary Fukunaga, o longa tem 163 minutos (2 horas e 43 minutos) e tem previsão de lançamento para abril de 2021.

Na trama, o agente secreto britânico está desfrutando de uma vida tranquila na Jamaica, depois de ter deixado o serviço ativo. No entanto, sua paz está com os dias contados, já que uma nova missão lhe é dada.

Dirigido por Cary Joji Fukunaga (Beasts of No Nation e True Detective), ‘007 – Sem Tempo Para Morrer‘ traz também o retorno de Ralph Fiennes, Naomie Harris, Rory Kinnear, Léa Seydoux, Ben Whishaw e Jeffrey Wright ao elenco e ainda apresenta Ana de Armas, Dali Benssalah, David Dencik, Lashana Lynch, Billy Magnussen e Rami Malek.

‘Os Eternos’ ganha nova sinopse e artes promocionais

Uma nova arte promocional do vindouro Os Eternos, dirigido por Chloé Zhao, viralizou nas redes sociais e, além de ter revelado informações sobre o enredo, também trouxe um vislumbre mais detalhado sobre Kingo, personagem vivido por Kumail Nanjiani.

Confira a sinopse e as artes:

“Aqui estão os Eternos. Os Eternos são uma espécia extraterrestre e imortal que vêm de um planeta muito, muito distante e que chegaram na Terra milhares de anos atrás. Esses super-heróis têm protegido a humanidade desde o início dos tempos. Os Eternos possuem força incrível e o poder de voar. Alguns deles até mesmo habilidades adicionais. O retorno dos Deviantes, uma raça de predadores alienígenas, leva os Eternos a unirem seus poderes. Trabalhando como um time, eles poderão salvar o mundo!”. 

Desde o anúncio do longa, os fãs permanecem curiosos para saber mais sobre a história que promete expandir os limites intergalácticos do MCU.

Durante uma entrevista para o The Hollywood Reporter, Zhao provocou o público e disse que pretende fazer um espetáculo ainda maior que ‘Vingadores: Ultimato‘.

“Eu estou fazendo esse filme não apenas como uma cineasta, mas como uma grande fã da Marvel. Desde que eu fui escalada para a direção, eu pensei: ‘Como podemos ir além do que vimos em ‘Vingadores: Ultimato‘? É isso que eu quero entregar ao público, um espetáculo digno do que foi construído até aqui.”, disse ela.

Ela também explicou que fez questão de trabalhar com um elenco diversificado e como isso seria importante para a trama e para os espectadores:

“Nós vivemos num mundo completamente diversificado, e eu queria que o filme refletisse esse mundo. O elenco precisava ser um grupo de desajustados, eu não queria atletas e modelos, entende? Eu acho que vai ser muito gratificante se alguém sair do cinema dizendo: ‘Aquele cara ou aquela garota se parece comigo’. ‘Os Eternos‘ é sobre a individualidade de cada um, fisica e emocionalmente.”

Previsto para novembro de 2021, o longa segue a jornada de seres quase imortais, produtos da divergência evolucionária que deu origem à raça humana milênios atrás. Os personagens se relacionam com diversos conceitos já introduzidos nos filmes anteriores do universo, desde os Celestiais (que deram as caras em ‘Guardiões da Galáxia‘) até Thanos, cuja própria mãe foi uma de suas vítimas.

O elenco conta com Angelina Jolie (Thena), Salma Hayek (Ajak), Kumail Nanjiani (Kingo), Lauren Ridloff (Makkari), Brian Tyree Henry (Phastos), Lia McHugh (Sprite), Don Lee (Gilgamesh), Gemma Chan (Sersi), Kit Harington (Cavaleiro Negro), Barry Kheogan (Druig) e Richard Madden (Ikaris).

‘Bob Esponja – O Incrível Resgate’ abre com 67% de aprovação no RT; Confira as críticas!

A animação ‘Bob Esponja: O Incrível Resgate‘ já está disponível na Netflix e fez um barulho comedido entre a crítica internacional.

No Rotten Tomatoes, o longa abriu com 67% de aprovação, com nota 5.40/10 baseada em 6 reviews (até o momento).

Confira:

“Bom, pelo menos os roteiristas estão tentando, certo?” – Globe and Mail.

“‘Estou tão confuso’, disse meu filho de dez anos, reagindo às estranhas distrações do filme enquanto mal prestava atenção na história” – NOW Toronto.

“A vida tem sido difícil já faz alguns meses, e esse desenho subervisivo, exagerado e super difícil foi o que o médico recomendou” – What She Said.

“[O filme] não é melhor que a soma de suas partes, mas ainda assim é uma aventura divertida para os fãs de todas as idades” – ComicBookMovie.com.

“Enquanto há pouco aproveitável para os não-fãs, o filme é acelerado com a narrativa e as piadas” – entertaiment.ie.

“Jamais acreditaríamos que Bob Esponja seria o salvador de 2020, mas, assim como o próprio persoangem, isso faz (quase) sentido neste ano” – Digital Spy.

Dirigido por Paul Tibbitt, o longa é completamente animado, ao contrário de ‘Bob Esponja: Um Herói Fora d’Água‘, que misturava CGI com live-action.

Quando Gary é caracolstrado, Bob e Patrick embarcam em uma épica aventura para a Cidade Perdida de Atlantic City, com o objetivo de trazer ele para casa. A dupla vai encarar perigos e diversões hilárias nessa missão de resgate, e Bob e seus amigos terão que provar que nada é mais forte do que o poder da amizade.

O elenco conta com o retorno de Tom Kenny, Clancy Brown, Rodger Bumpass, Bill Fagerbakke e Carolyn Lawrence, além de introduzir Awkwafina e Reggie Watts.

‘Invocação do Mal’ traz sombria mensagem subliminar que quase ninguém percebeu; Confira!

Antes da estreia de ‘A Freira‘, o demônio Valak já havia sido introduzido no 2º filme da franquia ‘Invocação do Mal‘.

No entanto, o diretor James Wan e a equipe de roteiristas por trás da história já estavam provocando sua chegada desde o filme original, lançado em 2013.

Isso é mostrado em uma mensagem subliminar que grande parte dos espectadores não percebeu!

Logo no início do filme, Lorraine Warren (Vera Farmiga) aparece na cozinha e podemos ver uma placa com a palavra ‘LoVe‘, com um V maiúsculo em destaque.

Logo abaixo, está uma inscrição em alto relevo mostrando as letras A L A K, algo que poucos fãs devem ter notado… E mesmo aqueles que notaram, não faziam ideia do significado, já que Lorraine menciona o demônio apenas na sequência.

De qualquer forma, foi uma estratégia bem inteligente para fundamentar a mitologia da franquia.

Confira:

Lembrando que ‘Invocação do Mal 3‘ estava programado para chegar às telonas em setembro deste ano, mas a Warner Bros. adiou a estreia para junho de 2021 por conta das paralisações causadas pela pandemia do Coronavírus.

Ainda assim, muitos fãs estão temendo um novo adiamento, como aconteceu com diversos outros filmes.

Pensando nisso, Patrick Wilson, intérprete de Ed Warren, acalmou o público e garantiu em seu perfil do Twitter que o longa será lançado no ano que vem.

Confira:

“O Coronavírus que se dane, vamos trazer Invocação do Mal 3‘ para vocês em 2021!”

Lembrando que a Warner Bros. divulgou um vídeo com o primeiro vislumbre do terror ‘Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio‘. Uma das cenas mostra que teremos um exorcismo bem diferente: em cima de uma mesa.

Confira:

Segundo a Warner Bros, a estreia por aqui acontece no dia 3 de junho de 2021, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.

Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio‘ será baseado mais uma vez em um dos casos reais solucionados por Ed e Lorraine Warren.

Dessa vez, não veremos uma casa mal-assombrada como nos dois primeiros filmes, e sim um dos casos mais assustadores e POLÊMICOS da história: a possessão demoníaca do jovem Arne Cheyenne Johnson, no caso conhecido como O Julgamento do Demônio Assassino/O Diabo Me Fez Fazer. 

Confira a descrição do trailer:

O vídeo começa falando sobre o caso de um homem que esfaqueou vinte e uma vezes um colega em um canil e foi inocentado alegando uma possessão demoníaca. Os juízes chamaram dois peritos para estudarem o caso: Ed e Lorraine Warren. Vemos os dois recebendo uma ligação e viajando para uma cidade, aonde entram em um necrotério com um corpo carbonizado. A cena é aterrorizante. Quando Lorraine toca no defunto, as luzes se apagam e uma entidade assustadora surge em uma cena extremamente aterrorizante! O clima parece ser tão assustador quanto os primeiros filmes.

James Wan não retornará para a direção; Michael Chaves (‘A Maldição da Chorona‘) assume em seu lugar.

‘Piratas do Caribe’: Roteirista revela que queria Hugh Jackman como o Capitão Jack Sparrow

É inegável que o sucesso da franquia ‘Piratas do Caribe‘ se deu pela atuação icônica de Johnny Depp como o Capitão Jack Sparrow.

Porém, o personagem foi concebido para ser interpretado por outro ator.

Em entrevista ao Express, o roteirista Stuart Beattie admitiu que tinha outra pessoa em mente ao desenvolver o roteiro ao lado de Ted Elliott e Terry Rossio.

“Inicialmente escrevi esse personagem com Hugh Jackman em mente. Daí o nome, Capitão Jack. Eu tinha visto Jackman em todos esses musicais enquanto crescia, então eu sabia que esse cara era um talento fenomenal e foi nisso que pensei, ‘Jack. Sim, Jack Sparrow!”, afirmou.

Você acha que Hugh Jackman seria um bom Capitão Jack Sparrow?

Vale lembrar que a franquia ‘Piratas do Caribe‘ ganhará um “soft reboot” nos cinemas.

Margot Robbie irá estrelar o novo filme – que será ambientado no mesmo mundo protagonizado por Johnny Depp como Jack Sparrow.

Christina Hodson (‘Aves de Rapina’) ficará a encargo do roteiro.

O longa-metragem não será o reboot da saga em questão. A história será “totalmente original” e com novos personagens e, seguindo os passos das produções originais, terá inspirações das atrações da Disneyland e do Disney World.

A notícia ainda reitera que este não é o único filme do universo pirata em desenvolvimento. A Casa Mouse também está trabalhando em um reboot com os roteiristas Ted ElliottCraig Mazin. As obras não causarão interferência entre si.

O produtor Jerry Bruckheimer ficará responsável por ambos os projetos.

Robbie é conhecida por interpretar a icônica vilã Arlequina em ‘Esquadrão Suicida’‘Aves de Rapina’. Ela foi indicada duas vezes ao Oscar por suas performances em ‘Eu, Tonya’ e em ‘O Escândalo’. Seus outros créditos incluem ‘O Lobo de Wall Street’‘Era Uma Vez em… Hollywood’‘Mary Queen of Scotts’.

‘Jovens Bruxas’: Jason Blum explica porque Hollywood prefere fazer reboots e sequências ao invés de novos filmes [EXCLUSIVO]

Nos últimos anos, Hollywood foi tomada por uma onda de reboots, revivals e sequências de velhas franquias, deixando as novas ideias de lado e investindo em histórias que o público já conhece.

Em entrevista exclusiva ao CinePOP para divulgar ‘Jovens Bruxas – Nova Irmandade‘, sequência do clássico de 1996, o produtor Jason Blum explicou porque Hollywood prefere reviver franquias antigas ao invés de criar novas.

“Há um motivo para usarmos velhos títulos. É porque é muito difícil vender uma nova ideia para as pessoas. Se você usa um título que elas conhecem, você consegue a atenção das pessoas. Às vezes, como em ‘Halloween’, usamos títulos antigos e os reinventamos. É uma questão de marketing. É mais fácil vender para as pessoas.”, afirmou.

Assista a entrevista:

Na trama de ‘Jovens Bruxas – Nova Irmandade‘, um eclético quarteto de adolescentes aspirantes à bruxas recebem mais do que jamais esperavam ao se aprofundar no uso de seus recém descobertos poderes.

O filme já está em exibição nos cinemas nacionais.

Jovens Bruxas – Nova Irmandade‘ foi escrito e dirigido por Zoe Lister-Jones.

Michelle Monaghan e David Duchovny vivem os pais. Cailee Spaeny, Gideon Adlon, Lovie Simone e Zoey Luna estrelam a nova versão.

‘Supernatural’: Principais personagens se reúnem em bela capa de revista; Confira!

Para comemorar a chegada dos episódios finais da última temporada de Supernatural‘, a revista TV Guide divulgou sua belíssima capa de novembro.

A imagem destaca os principais personagens que já passaram pela série ao longo desses 15 anos, incluindo John (Jeffrey Dean Morgan) e Mary Winchester (Samantha Smith)

Além dos irmãos Winchester, também estão presentes Misha Collins (Castiel), Alexander Calvert (Jack), Jim Beaver (Bobby), Ruth Connell (Rowena), Felicia Day (Charlie), Rob Benedict (Chuck/God), Kim Rhodes (Jody), Mark Pelligrino (Lucifer), e Mark A. Sheppard (Crowley).

Confira:

Lembrando que a CW divulgou no YouTube o trailer do series finale da adorada atração, apresentando também snippets inéditos do capítulo “The Long Road Home” – celebração da franquia que será exibida antes do último episódio.

Agendada para o dia 19 de novembro, a iteração de conclusão é intitulada “Carry On” e é descrita da seguinte forma:

“Depois de 15 temporadas, a série sci-fi de maior tempo de exibição dos Estados Unidos está chegando ao fim. Baby, é a aventura final para salvar as pessoas e caçar criaturas”.

Dirigido por Robert Singer e escrito por Andrew Dabb, o series finale já foi chamado por Jared Padalecki (intérprete de Sam) de seu episódio favorito em 15 temporadas. Padelecki disse que “não poderia estar mais feliz com o jeito que tudo terminou” e que o capítulo em questão é seu favorito de todos os tempos (via ComicBook.com).

Confira:

Criada por Eric Kripke, a série inicialmente foi planejada para durar 5 temporadas, mas continuou após se tornar um dos maiores sucessos do canal.

Sam (Padalecki) e Dean (Jensen Ackles) lutaram contra demônios e anjos, criaturas míticas e monstros, em uma busca aparentemente interminável para salvar o mundo. Mas na batalha final, eles enfrentam o próprio Deus (Rob Benedict), recusando-se a matar seu filho Nephilim Jack (Alexander Calvert), trazendo assim a decisão de Deus de acabar com essa realidade de uma vez por todas…

O elenco conta com Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins, Samantha Smith, Mark Pellegrino, Ruth Connell e Alexander Calvert.

‘Bill & Ted: Encare a Música’: Comédia com Keanu Reeves estreia nos cinemas nacionais

Sucesso ao redor do mundo, a comédia ‘Bill & Ted: Encare a Música‘ marca o retorno da dupla formada por Keanu Reeves e Alex Winter aos cinemas. Com distribuição da Imagem Filmes, o longa foi lançado nos cinemas nacionais nessa quinta-feira, dia 5 de novembro.

No novo capítulo da aventura fantástica que teve início no final dos anos 80, Bill (Alex Winter) e Ted (Keanu Reeves) agora são adultos e pais de duas jovens, Billie (Brigette Lundy-Paine), filha de Ted, e Thea (Samara Weaving), filha de Bill.

Enquanto lidam com a frustração de não terem escrito a melhor música de todos os tempos, eles têm a ideia genial de viajar para o futuro, para quando já tiverem escrito a música, e roubá-la de si mesmos… o que poderia dar errado? Ao lado das famílias, da inseparável amiga Morte (William Sadler) e de outras participações especiais, como o rapper Kid Cudi, eles farão o possível para encontrar a música perdida e salvar o mundo de uma catástrofe. Tudo isso, claro, sendo excelentes uns com os outros e deixando a festa rolar!

Em entrevista ao The New York Times, o ator Keanu Reeves afirma que adora o seu personagem e se sente “grato por ter tido a chance de interpretá-lo novamente”.

Elogiado pela crítica, ‘Bill & Ted: Encare a Música‘ teve 82% de aprovação no Rotten Tomatoes, a melhor aprovação crítica de toda a trilogia. Além disso, o longa é apontado como uma das melhores comédias do ano, conquistando, inclusive, uma indicação ao People’s Choice Awards na categoria Melhor Filme de Comédia de 2020.

Com ocupação reduzida, poltronas separadas para garantir o distanciamento social, uso obrigatório de máscara facial e aumento do intervalo entre as sessões para higienização, os cinemas planejam sua reabertura respeitando os protocolos de segurança, para que todos possam aproveitar essa experiência da melhor forma.

Andrew Lincoln, de ‘The Walking Dead’, vai estrelar nova versão do clássico ‘Um Conto de Natal’

Segundo a Broadway.comAndrew Lincoln, astro da adorada série The Walking Dead, vai estrelar uma nova versão do clássico Um Conto de Natal, baseado nos escritos homônimos de Charles Dickens.

Lincoln dará vida ao protagonista Ebenezes Scrooge nos palcos do Old Vic Theatre, em Londres. A apresentação será transmitida para o mundo inteiro.

Para aqueles não familiarizados, a história é centrada em Scrooge, um rabugento homem de negócios de Londres, sovina e solitário, que não demonstra um pingo de bons sentimentos e compaixão para com os outros. Não deixa que ninguém rompa sua carapaça e preocupa-se apenas com seus lucros. No frio natalino, ele é visitado pelo fantasma de Marley, seu sócio, morto há algum tempo. Esta visita muda a sua vida.

A história foi escrita entre outubro e novembro de 1843 e ganhou diversas adaptações para a televisão e para o cinema – sendo suas mais famosas Os Fantasmas de Scrooge, animação dirigida por Robert Zemeckis e estrelada por Jim Carrey, e ‘Conto de Natal’, série estrelada por Patrick Stewart.

Matthew Warchus (‘Matilda: O Musical’) dirige a nova versão a partir de um roteiro assinado por Jack Thorne (‘Harry Potter e a Criança Amaldiçoada’).

O elenco também conta com Melissa Allan, Rosanna Bates, John Dagleish, Tim van Eyken, Sam Lathwood, Eugene McCoy, Myra McFadyen, Gloria Obianyo, Maria Omakinwa, Golda Rosheuvel, Michael Rouse, Clive Rowe, Sam Townsend, Rayhaan Kufuor-Gray, Lara Mehmet, Lenny Rush e Eleanor Stollery.

A peça será exibida entre os dias 12 e 31 de dezembro.

Ansioso por ‘Morte no Nilo’? Conheça 5 histórias essenciais de Agatha Christie

Estreia da próxima adaptação relembra longa bibliografia da autora

Previsto para estrear, inicialmente ao menos, em novembro de 2020 Morte no Nilo se propõe a ser uma continuação para Assassinato no Expresso do Oriente na cinessérie comandada por Kenneth Branagh, mesmo que não haja uma ligação direta entre as duas obras no campo literário. O filme sobre o misterioso assassinato a bordo de um trem que fazia a ligação entre Paris e Constantinopla (Turquia) reanimou o olhar de Hollywood sobre o clássico gênero do “quem matou?”.

Não importando se é uma obra clássica como Assassinato por Morte, Os Sete Suspeitos e até a primeira versão de Assassinato no Expresso do Oriente de 1974 ou algo mais recente como Entre Facas e Segredos e Os Homens que não Amavam as Mulheres, essas obras partilham da mesma estrutura narrativa e de possuírem sem exceção verdadeiros elencos galácticos. Já quando saímos do campo do cinema para o da literatura, poucos nomes se tornaram tão intimamente ligados ao gênero quanto o de  Agatha Christie.

A autora britânica escreveu 75 obras em sua totalidade; variando entre romances de detetive,  contos, peças teatrais e uma auto bibliografia. Com tantos livros, não faltaram personagens icônicos como a enxerida vizinha Mrs. Marple, Parker Pyne e, o mais famoso de todos, o detetive belga Hercule Poirot. A vasta oferta literária também possui diversos clássicos da literatura à disposição como alguns a seguir.

Agatha Christie tem uma vasta (além de interessantíssima) bibliografia

  • Os Cinco Porquinhos

Um famoso pintor é assassinado e Poirot é contratado pela filha do falecido para investigar. Partindo de uma premissa bastante simples, a história vai ganhando maior dificuldade conforme as investigações se desdobram. A começar pelo fato do assassinato ter ocorrido anos antes do detetive ter sido contratado e o culpado já ter sido condenado; sendo assim, o que há mais para descobrir?

Nessa história em específico a autora faz um trabalho primoroso ao não se limitar apenas em construir um suspense investigativo mas também em montar de pouco em pouco a personalidade contraditória da vítima, Amyas Crale. Cada pessoa que teve um contato com ele apresenta uma nova faceta do mesmo, sendo ela positiva ou negativa, e o que se desenha acaba sendo um drama familiar tanto encantador quanto trágico que vitimizou todos os envolvidos.

  • Cai o Pano

A despedida de Poirot o coloca frente a frente com um inimigo invencível: o tempo. Em idade já avançada o belga é convidado para um encontro no local de seu primeiro caso, a antiga propriedade Styles, e lá é testado por um aspirante a assassino que deseja derrotar o investigador a todo custo.

Poirot enfrenta seu derradeiro caso

Mais do que isso, o romance é sobre Poirot e o fiel parceiro do protagonista, Hastings, aceitando que o fim da sua vida está próximo. A trama possui um cativante senso de conclusão para a jornada de um icônico personagem, algo feito com bastante dignidade e que é incomum de ocorrer com tamanha qualidade em quaisquer mídias.

  • Assassinato na Casa do Pastor

Romance de estreia protagonizado por Mrs Marple faz um grande trabalho em introduzir sua personalidade curiosa através de seu posto como vizinha da vítima da vez. Além disso, a obra se destaca pela construção da atmosfera ao redor da trama. Por se passar em uma pequena cidade interiorana da Inglaterra, a autora buscou mostrar esse ambiente como bastante bucólico e pacato; tornando a única diversão daquela gente como sendo os cochichos e fofocas.

Esse livro em particular não é tanto sobre o assassinato em si, mas sobre o ambiente em que ele ocorreu e, principalmente pelas pessoas que compõe essa cidadezinha (incluindo a protagonista).

  • O Assassinato de Roger Ackroyd

Esse em particular figura constantemente em listas sobre obras que verdadeiramente mudaram o gênero policial. Escrito em 1926, esse enredo põe Poirot em mais um caso que lhe cai no colo por acidente, dessa vez para investigar a morte do ricaço local Roger Ackroyd, em um enredo que utiliza todos os elementos que se consagraram em sua bibliografia nos anos seguintes – como a vítima sendo uma figura proeminente (para o bem ou para o mal), o local do crime sendo um cenário mais pomposo e alinhado com a alta sociedade britânica, além de todos os suspeitos tendo algo a esconder sobre o morto.

O Assassinato de Roger Ackroyd é um clássico supremo da literatura policial

O que tornou a obra imortal, porém, não foi outra coisa além do seu final. Extremamente polêmico na época da publicação, a resolução do assassinato do senhor Ackroyd foi verdadeiramente inovadora para o período e, portanto, bastante divisora. Não só isso como também o desempenhado pelo “Watson” da vez para Poirot (cargo esse geralmente ocupado por Hastings mas que nesse romance ficou para o Dr. Sheppard) estabeleceu um grau de importância inédito concedido aos ajudantes dos detetives.

Hoje O Assassinato de Roger Ackroyd é considerado um clássico dos romances criminais e até mesmo figura como o melhor de todos os tempos. Já se passaram noventa e quatro anos desde sua publicação, o que torna a possibilidade de receber um spoiler gratuito durante uma pesquisa algo bem real.

No entanto, da mesma forma como ocorre com Assassinato no Expresso do Oriente, é altamente recomendável que o leitor se surpreenda durante a história pois mesmo não sendo algo inovador do ponto de vista atual (principalmente quando a literatura policial há muito assumiu contornos cada vez mais intensos para chocar o leitor) essa é a pedra angular na qual se construiu todo esse gênero literário durante e após o século XX.

  • E Não Sobrou Nenhum

Tão polêmico quanto a obra anterior, essa talvez seja a principal que não envolva quaisquer dos protagonistas famosos da autora. Dez pessoas que jamais se viram são convidadas para uma estadia em uma ilha por um famoso casal de milionários, cada uma portando um segredo, e quando elas são confrontadas com esses mesmos segredos uma paranoia generalizada assume o comando da história.

“E Não Sobrou Nenhum” , além de ser um dos melhores livros de Agatha Christie, também possui uma ótima minissérie

Poucas obras podem ser consideradas genuinamente macabras sem precisar apelar para violência gráfica. Agatha Christie constrói a tensão com cuidado, sutileza e elegância; começando com um ambiente não muito diferente do que figura na maior parte da sua bibliografia (um encontro social bastante formal) mas que assume uma forma assustadora eventualmente.

Aqui não só os personagens se tornam essenciais mas a ilha e a casa onde ocorre tudo se tornam parte da narrativa. Cada corredor pode esconder uma armadilha, em cada fenda da ilha pode estar o assassino. É notável como a dúvida por vezes irracional assola as mentes dos protagonistas e do próprio leitor. Em 2011, Ed Grabianowski escreveu um compilado dos 21 livros mais vendidos de todos os tempos para o site HowStuffWorks e o romance E Não Sobrou Nenhum figurou na décima sexta posição com 100 milhões de cópias vendidas.

Porém, o livro não ficou livre de polêmicas. Diferente do que ocorreu com O Assassinato de Roger Ackroyde em que a insatisfação esteve associada com a conclusão do enredo, nesse caso ela se associou com o nome original da obra: O Caso dos Dez Negrinhos. Esse título que se inspirou no poema que conduz os crimes dentro da obra (Dez Indiozinhos) e foi potencializado pelo contexto do racismo escancarado de 1939 e pré-movimento pelos direitos civis nos EUA. Ao longo do tempo o problemático título acabou sendo alterado. O livro também teve algumas adaptações ao longo do tempo, destacando dentre elas o filme E Não Sobrou Nenhum de 1965 e uma minissérie de mesmo nome lançada pela BBC em 2015, considerada como a melhor adaptação do livro feita até hoje. 

 

‘O Porão da Rua do Grito’: ‘O Terror Dirigido por Mulheres é uma Tendência’, diz produtora Geórgia Costa Araújo [EXCLUSIVO]

As produções cinematográficas vivem se reinventando! E, dentro das medidas do “novo normal”, muitas delas já estão com as gravações em andamento, como é o caso de ‘O Porão da Rua Grito’, primeiro longa de terror brasileiro totalmente filmado após a reabertura das cidades e dentro das medidas sanitárias necessárias para garantir a segurança de toda a equipe. Para entender melhor como foi essa inesquecível experiência, o CinePOP conversou com exclusividade com Geórgia Costa Araújo, produtora do filme. Confira!

Antes de mais nada, vamos conhecer um pouquinho de ‘O Porão da Rua do Grito’?

Geórgia: Bom, é um filme do subgênero da casa mal assombrada. Então, o filme se passa inteiro nessa locação, na casa. E conta a história de uma família e as relações dessa família com seus antepassados, que vão aos poucos ocupando espaço nessa história do presente. De grosso modo é mais ou menos isso.

CinePOP: É o primeiro projeto de Sabrina Greve como diretora, né?

G: É o primeiro longa, mas ela já dirigiu vários outros projetos, como curtas e telefilme. Ela tem formação em cinema como diretora universitária. Esse é realmente o seu longa de estreia. Ela é uma das roteiristas também e, como atriz, ela já tem até uma certa tradição de atuação no gênero. Agora, por exemplo, ela está no ar no streaming, com o projeto com a Globoplay que é o ‘Desalma’. E, também, outros projetos de gênero. Ela fez o curta da Juliana Rojas, que foi para Cannes, ‘O Duplo’. Então, ela já pesquisa o gênero e o processo de atuação há muito tempo, e no filme que ela aplica muito dessa bagagem que ela traz do sobrenatural e do terror.

CinePOP: Recentemente a gente tem tido muito debate sobre essa questão do gênero do filme de terror, do livro de terror. E costumam dizer que não atrai público e que ele não é valorizado no Brasil. Eu discordo, eu acho que ele está em uma grande ascensão, que está tendo muita procura e interesse. O que você acha?

G: Nós aqui, da Coração da Selva, sempre fomos pesquisadores e entusiastas dessa possibilidade de abrir o novo filão de interesse de público para o nosso audiovisual justamente porque o Brasil é um dos países que mais tem afeto pelo gênero. É, de longe, um dos países onde certos títulos atraem mais público, principalmente quando mistura o sobrenatural. Não sei se é uma tradição da superstição ou da religião, não sei exatamente por que, mas, pros filmes estrangeiros, o Brasil sempre foi muito interessante como mercado. Você vê filmes de grande produção, filmes de caráter bem independente sempre funcionaram muito bem, e a gente, já desde 2007, vem pesquisando possibilidades de produzir nesse gênero, e, a partir desse movimento, a gente fez um filme inédito. Deve ser lançado em breve, só não foi lançado agora em 2020 porque veio a pandemia, que é o ‘Terapia do Medo’. É um filme de sobrenatural que mexe com hipnose, e tem a Cleo e o Sérgio Guizé como protagonistas. Ele tem um diferencial que é um filme de sobrenatural mas que se passa todo numa paisagem de praia, que é uma coisa típica do Brasil. É até uma coisa impressionante como a gente tem todo esse litoral e não explora esse lugar como ambiente cinematográfico. E para esse gênero combina muito uma casa longe, afastada, numa praia. A gente filmou em Ilha Bela. Esse projeto que deve ser lançado em breve. Acho que agora que os cinemas reabriram, muito em breve mesmo. E ‘O Porão da Rua do Grito’ seria o segundo longa que a gente faz nesse formato, nesse gênero.

C: E você pretende ficar produzindo mais filmes de terror? A gente pode esperar de você bons filmes?
G: Com certeza. O que a gente está agora tateando justamente os subgêneros envolvidos. O que a gente realmente considera e leva muito a sério é atender os códigos de cada subgênero e ir em busca de achar o público certo para a obra certa, e realmente fazer uma entrega dos filmes que venha o encontro dessa expectativa. Então, justamente esses dois filmes são pra tatear ainda diferentes públicos dentro deste grande guarda-chuva e aperfeiçoar cada vez mais nossa forma de produzir para esse público.

C: Eu estava aqui pensando da questão do título. Você falou do ‘Terapia do Medo’ e uma coisa que me chamou muito a atenção em ‘O Porão da Rua do Grito’ é justamente o título. Primeiro porque ele é muito atraente por si só, mas, remete muito aqueles livros que eu lia quando eu era mais jovem. Eram livros de terror para criança tipo do Pedro Bandeira, como o ‘Pântano de Sangue’ ou ‘O Escaravelho do Diabo’, porque tinham uns títulos que eram muito assim. Teve essa influência dessa pegada desses livros ou até dos filmes de terror dos anos 80?

G: Olha, você agora tocou num ponto que está muito relacionado ao projeto. Tanto o título quanto o disparo da história para a Sabrina vêm justamente na fantasia infantil da infância dela e a história contada a partir do ponto de vista da memória dessas crianças personagens. Depois elas crescem e o filme se passa no ambiente dos adultos. Mas o disparo dramático vem justamente nesse lugar da fantasia. Ela cresceu aqui em São Paulo, no bairro do Ipiranga, e nele tem a Rua do Grito, que é o lugar onde Dom Pedro I deu o grito da “Independência ou Morte” e existe uma rua batizada como Rua do Grito. Só que as crianças do bairro, antes de estudar a história do Brasil, passavam naquela rua morrendo de medo, achando que justamente aquela rua era a rua de que algum dia alguém gritou de medo. E isso era parte do imaginário das crianças do bairro, e, a partir dessas memórias e das brincadeiras de porão das crianças da turma dela que que veio o projeto e a história. Não é para criança, mas justamente esse título se relaciona a esse imaginário do ponto de vista infantil, de quanto um nome desses, a imagem de um porão e o grito são imagens assustadoras para uma criança e desperta a imaginação.

C: Ai gente que delícia! Fiquei super animada agora. Porque tem isso, a gente cresce também. Agora ampliando um pouco mais, me parece que tem muitas histórias assim no Brasil. A gente é que não está sabendo colocar, talvez, ou não está indo com tanta rapidez colocando no cinema ou na literatura, porque se a gente parar para olhar a gente tem essas histórias aqui no Brasil conhecidas até.

G: Pois é, além das histórias a gente tem imaginação, esse afeto mesmo das pessoas pelo espírito, pelo sobrenatural, pelas mitologias. Então, eu acho que é achar a mão, achar o jeito de ser crível em situações ambientadas aqui no Brasil. Muito se discutiu: “Será que as pessoas querem ver gênero falado em português?” A gente tem aqui a Sabrina e tudo o mais, uma certeza que não tem a ver com isso, não tem a ver com a língua. O problema é que o nosso audiovisual foi muito construído em cima do naturalismo. O que a gente faz de melhor – e muito bem, inclusive – e o nosso público também está muito acostumado a ver, é as histórias brasileiras embaladas dentro desse naturalismo. Quando você sai desse lugar e vai para outro, que um gênero como esse pede, tem que existir muita segurança e adaptação de como você vai contar essa história com personagens e atores que façam a mise en scene que seja crível do ponto de vista do gênero. Então, está muito mais relacionado, por exemplo, na expressão do que na psicologia. Enquanto drama, que a gente faz muito bem, está muito relacionado às emoções reais da vida. E é justamente esse experimento que eu acho que cabe aos criadores brasileiros tatearem e jogarem no mercado, até para a gente escrever uma tradição brasileira de como contar essas histórias, como criar essas atmosferas que são diferentes do que as pessoas estão acostumadas a ver feitas aqui no Brasil. Então, é mesmo o tom da cinematografia, o tom da mise en scene, tudo isso.

C: E não me passou despercebido também que é um filme que o roteiro foi escrito por duas mulheres, foi dirigido por uma mulher, foi produzido por uma mulher, estrelado por uma mulher e é de terror. Coisa muito pouco vista nesse gênero.

G: É, exatamente. Mas é uma tendência. O projeto foi selecionado em um dos eventos mais importantes de laboratório do gênero, que é o Blood Window, que fica dentro do festival Ventana Sur, na Argentina. Vem gente do mundo inteiro com projetos e distribuidores especializados para ver os projetos que estão sendo desenvolvidos para incrementar, trocar, comprar. E lá mesmo, no ano passado, você já percebia o imenso interesse nos projetos de mulheres. E a Sabrina tem muito o que falar sobre isso, ela inclusive se inspira muito na leva desses projetos, como ‘Babadook’, por exemplo. São projetos dirigidos por mulheres e o mercado está muito interessado porque são filmes que conseguiram achar seu público. Tem pesquisas em que o público feminino é maior que o masculino nesse gênero. Mas um dia a Sabrina comentou comigo que muitos desses distribuidores tinham esse interesse específico – e é uma tendência mesmo – que é o terror feito por autoras. Até o próprio ‘Desalma’ é de uma autora.

C:O porão da Rua do Grito’ é o primeiro de uma trilogia, correto?
G: Correto. Só que é uma trilogia que deve tratar de prequels da história, que antecede essa história do presente. Então ela remonta até o final do século XIX, quando essa família fictícia chegou ao Brasil. E aí construiu essa casa, e depois são três gerações dentro da casa. Essa é a geração mais contemporânea.

C: E vocês reformaram o casarão que vocês escolheram para fazer a as filmagens, né? Eu me pergunto como é que foi a escolha dessa locação, porque a gente sabe que tem essa questão que você mesma pontuou, que tem muito esse contraste do contemporâneo com o antigo nesses casarões do século XIX, mas que eles não suportam a tecnologia. Então, como foi gravar num casarão desses, considerando essas limitações?

G: Exato. Na verdade, a casa que nos encontrou. A gente começou a disparar pesquisa de locação e na primeira semana essa casa apareceu, e a gente suspendeu a pesquisa imediatamente. Não tinha dúvida.

C: Receberam o chamado da casa.

G: É, a casa falou: “É aqui! É aqui que vocês escreveram essa história!”. De fato, é uma casa linda, toda original, mas em condições muito precárias e até insalubres para uma produção. Então a gente teve que fazer adaptações e estrutura para suportar a equipe e a produção. Trabalhamos com uma empresa especializada em móveis tombados. O imóvel é tão cinematográfico, tão lindo, que todo zelo é pouco para trabalhar ali dentro. Construímos os ambientes, o porão, e filmamos tudo lá. Uma ideia originalmente era “Será que vai precisar ir para estúdio para filmar o porão?” Mas lá não, lá tinha um porão perfeito, no sentido da imagem e também da generosidade do espaço pra filmagem.

C: E vocês gravaram agora, já com esses novos formatos de gravações de filmes, gravado em 2020, pensado em toda essa questão da pandemia. Como é que foi? Porque é um desafio extra você conseguir gravar nessas condições em que a realidade tem um terror.

G: Foi o primeiro longa. Faltavam duas semanas para começar as filmagens, em março, quando foi decretada a quarentena. E foi o primeiro filme que foi inteiro iniciado e concluído nessa época de pandemia. Foi muito curioso, na verdade, em muitos aspectos, mas eu vou tentar destacar aqui alguns. Primeiro o desafio e a missão. O desafio porque é muito diferente. A gente realmente teve que aprender, estudar muita coisa, adaptar várias questões, tanto logísticas quanto artísticas. Então, teve uma carga de trabalho adicional, mas ao mesmo tempo para a equipe toda que tinha ficado cinco meses, seis meses em casa se preparando para uma retomada, a gente na verdade só pôs em prática tudo aquilo que a gente veio se preparando nessa construção da retomada. Alguma produção ia ter que começar. Então eu falei: “Por que não a nossa?”. Porque a gente ainda tem um formato de projeto que caberia muito mais controle do que outros, por se passar inteiro em uma locação. E o gênero ele tem uma solenidade, as cenas têm uma questão solene. Eu tenho uma quantidade de cenas onde personagens estão isolado mesmo. Isso faz parte até mesmo do jeito daquele momento. Então, eu tenho um bom percentual disso. Então, é um filme, por essas características, muito adequado. Qualquer limitação, isolamento e clausura fazia parte da estética e do projeto. O filme ganhou muito artisticamente com essa contenção, com essa solenidade, com esse foco que a própria equipe teve que imprimir ao lidar com a produção em tempos de pandemia. A gente trabalhou muito a tecnologia, a base de tudo foi tecnológica. A camada de tecnologia que a gente agregou foi muito grande e operamos coisas que já existem, mas nunca foram usadas no audiovisual por não ter tido antes talvez uma premissa tão forte quanto essa do contato. A gente pôde abusar de coisas, por exemplo, como a câmera remota. Toda a situação de câmera não tinha operador, era tecnologia operada por um ser humano longe, mas a câmera era controlada por um robô que simulava os gestos do operador que estava em outro cômodo para não ter a presença dele com os atores.

C: Gente! Que maravilhoso!

G: Maravilhoso, né? Já tem tempo que essa tecnologia existe, mas nunca ninguém teve a ideia de usar. Essa tecnologia era usada para outras coisas. Uma outra coisa é a monitoração. Então, para evitar a presença das pessoas ao lado ali do ambiente da filmagem a gente distribuiu em todos os devices das pessoas (Ipads, tablets e celulares) o sinal que vinha da câmera para não ter aquela aglomeração no vídeo assiste. O vídeo assiste é aquela televisão que todo mundo fica em volta assistindo o que está sendo filmado. Foi distribuído, então, cada um monitorava. Eu monitorava coisas da minha casa e ficava às vezes trabalhando de casa, monitorando de lá as cenas. Fora tecnologias do backstage, que é triagem de saúde da equipe, questões de alimentação, uma série de outras tecnologias que a gente criou e desenvolveu e que hoje a gente está distribuindo para todas as produções que estão indo filmar agora. É um aplicativo que nós desenvolvemos para o controle de acesso das pessoas no ambiente de trabalho.

C: Que maravilha! Já quero saber qual é esse aplicativo.

G: É muito legal. Além da Coração da Selva, a gente o Cinehub, que é um coworking só do audiovisual, e também um espaço pro setor, além da própria produtora. A gente usa a produtora para desenvolver processos, conhecimento, e o Cinehub distribui para as outras produtoras. É um Hub do cinema, e o propósito do Cinehub, você pode até ver no site, é conectar o cinema com o futuro. Então esse laboratório tecnológico de carregar o setor inteiro para novos formatos de produção, para novas tecnologias. A gente é pioneiro e é através do CineHub que a gente troca com as outras produtoras.

C: Reza a lenda que quando se grava filmes de terror em casarões mal assombrados, sempre tem uma história meio assombrada ali nas gravações. Aconteceu alguma coisa do gênero?

G: Olha, a gente estava filmando ali na casa e a própria equipe se perguntando – isso antes da pré-produção em março –, o que que ia acontecer. A própria pandemia foi para a gente a grande força do sobrenatural sobre o projeto. Estávamos muito preparados e de repente veio a pandemia. O que eu diria da analogia da nossa vida na produção com esse embate do bem e do mal, eu acho até que a própria postura… a equipe e o elenco se juntarem meses depois, sem ainda nenhum exemplo a seguir, para levantar o projeto em torno de todos esses riscos e fazer isso em uma comunhão muito forte… Parecia, sim, uma convocatória, para através da produção do filme travar uma batalha. Então tinha esse espírito mesmo, de um grupo numa batalha contra um inimigo. Muito lindo como esse processo foi construído, e a gente, por exemplo, não se comunicou com o mundo externo. A gente ficou na casa esse tempo todo. Não houve nenhum trabalho com a imprensa ou com as redes sociais da própria equipe. A gente realmente se concentrou nessa batalha para só depois da batalha vencida falar sobre ela. Esse espírito pairou sobre o nosso projeto o tempo todo. Porque existia um ambiente de morte lá fora, e ali dentro do ambiente do filme a gente construiu um ambiente de resistência.

C: Que é bem essa pegada dos filmes de terror, né?

G: Exatamente, foi o terceiro ato. É como se estivéssemos no terceiro ato do filme.

Gostou da entrevista? Então fique ligado que em breve ‘O Porão da Rua do Grito‘ estreia num cinema perto de você!

Os 30 Anos de ‘Mr. Bean’ e o humor na TV britânica

Sitcom britânica se tornou não só um sucesso por si mesma mas também por representar a evolução do processo televisivo

Poucos seriados, principalmente as comédias denominadas como sitcoms, tem a capacidade de se sustentar na memória coletiva por mais de uma geração. No caso em particular das séries de comédia, o desafio é ainda maior devido a limitação que tal gênero impõe sobre o produto final dependendo da abordagem que lhe é conferida pelos produtores. Melhor dizendo, confiar que o sucesso de uma sitcom será garantido unicamente por apresentar momentos engraçados é um risco sempre presente.

Não à toa, muitos seriados norte-americanos que tiveram seus momentos de glória entre as décadas de 70 e 80, hoje em dia encontram-se praticamente esquecidos (isso é, quando não possuem a sorte de serem reprisados ou ganharem um remake). Isso porque seus produtores não compreenderam que, ao passo que a televisão como entretenimento amadureceu, a exigência do público também amadureceu à igual velocidade, não se contentando mais com programas que estavam fechados unicamente em seus nichos; nesse caso uma série de comédia que unicamente apostava em humor pelo humor e se esquecia de trabalhar os elementos humanos a que dispunha (transitando assim para um terreno próximo ao drama).

Partindo então para o outro lado do Atlântico, a história da televisão na Inglaterra remonta aos anos 20, quando em 1926 ocorreu a primeira demonstração pública do funcionamento de tal aparelho. O primeiro programa cômico a aparecer em telinhas britânicas, porém, só veio em 1946 com o seriado Pinwright’s Progress, exibido no canal BBC One logo após o mesmo retomar as atividades no cenário pós Segunda Guerra Mundial.

Pinwright’s Progress é considerado por muitos o primeiro seriado

O sucesso estrondoso da primeira sitcom, ou também conhecida como britcom, abriu caminho para o modelo de condução que a maior parte dos seriados de comédias inglesas adotaram posteriormente. No artigo de 2016, publicado no Guardian, sob o título The Five Stages of British Gags: silliness, repression, anger, innuendo, fear o jornalista James Graham aponta para um elemento criado por Pinwright’s Progress e que foi essencial para Mr. Bean.

“Não vamos nos esquecer que a sitcom, que nesses dias soa como uma invenção americana, foi uma invenção britânica – tendo sido Pinwright’s Progress o primeiro… Isso começou uma longa tradição, de que grandes gargalhadas podem vir de arquétipos reconhecíveis junto à ansiedades da Grã-Bretanha: humilhação social e dano à reputação…”.

As décadas seguintes marcaram, portanto, uma expansão de aparelhos televisivos dentro de lares ingleses junto a maiores ofertas nas grades de programação. Essa expansão da grade variou tanto entre momentos históricos como a coroação da rainha Elizabeth em meados dos anos 50 quanto a exibição de britcoms que se tornaram referências como Fawlty Towers e Monty Python (curiosamente ambos os shows tiveram o ator John Cleese como parte do elenco).

Grupo humorista Monty Python fez história

Foi por volta de 1979 que o personagem Mr. Bean, criado e interpretado por Rowan Atkinson, debutava em um festival em Edimburgo. Na época, o jovem ator estava a concluir seu mestrado em engenharia elétrica na universidade de Oxford. Nesse período seu personagem ainda não possuía um nome mas, em 1987, já fazia as primeiras pontas em programas de TV. 

Um deles, por curiosidade, foi a britcom de humor negro histórico intitulada Blackadder. Desenvolvida pela dupla Rowan Atkinson e Richard Curtis em 1983, a série seguia as desventuras de Edmund Blackadder através de momentos históricos chave. O programa viveu até 1989, quando no ano seguinte a dupla partiria para desenvolver Mr. Bean.

Por volta de 1990 o canal britânico ITV exibiu a primeira temporada do mais novo produto elaborado por Atkinson e Curtis, este conhecido como Mr. Bean. A proposta do novo programa se baseava em resgatar um estilo cômico muito mais físico do que falado, algo remanescente do cinema mudo de Charles Chaplin e Jacques Tati. Raramente o protagonista iria falar e, quando o fizesse, seriam frases curtas, geralmente bastante ininteligíveis. Uma escolha de caminho ousada porém perigosa, visto que a maior parte das britcoms da época passavam por uma fase de abraçar um humor mais ácido que necessitava de diálogos dinâmicos e inteligentes para ocorrer.

Rowan Atkinson em ação como Mr. Bean

Mr. Bean seguiu a direção oposta e abraçou a ideia de brincar com um protagonista que, nas palavras do próprio Atkinson, “era uma criança no corpo de um adulto”. Com isso estabelecido desde o primeiro momento, a série não correu o risco de perder a audiência ao mostrar cenas inerentemente ligadas a personagens infantis sendo representadas na pele do próprio Bean. Fazer um teste de maneira atrapalhada (carregando um boneco da Pantera Cor de Rosa e de um policial para verificar o relógio), perceber que não está sozinho na praia e portanto inventar formas insanas de colocar o traje de banho ou, o mais icônico de todos, sua relação com o famoso ursinho de pelúcia Teddy.

Sem desviar da fala dita anteriormente por James Graham sobre regras estabelecidas para o humor britânico acerca de medos comuns dessa sociedade, o Mr. Bean constantemente se coloca em situações cômicas e, porque não, humilhantes para sua imagem pública. Ou seriam se o personagem fosse construído com a mentalidade de um adulto, o que não é o caso. Mr. Bean acaba sendo então um produto que, acidentalmente ou não, caçoa dos arquétipos sociais britânicos que Graham havia definido e que construíram ao longo de décadas o gênero britcom.

Fato é que o sucesso da série entre janeiro de 1990 e dezembro 1995 se traduz pelos números de audiência, em especial no episódio “Mr. Bean: Trouble With Mr. Bean”. Segundo o IMDB este episódio registrou, em 1992, o pico de audiência da série com 18,74 milhões de telespectadores. Tamanha foi a boa recepção do público inglês que não tardou para que emissoras estrangeiras se interessassem por comprar os direitos de transmissão. Com isso o seriado foi transmitido para mais de 245 países, dentre eles o Brasil.

Episódio “Trouble With Mr. Bean” foi um marco de audiência na televisão britânica

A série ainda gerou duas adaptações para o cinema, sendo a primeira Mr. Bean: o Filme (1997) e a segunda As Férias de Mr. Bean (2007). Enquanto que a primeira demonstrou um bom retorno financeiro mas foi bastante criticada por não apresentar uma estrutura similar ao do programa de TV e ter basicamente apenas inserido Bean para capitalizar sobre sua fama (jogando o personagem título em uma trama que se passa em Los Angeles sobre uma família americana). Já o segundo foca muito mais no personagem título enquanto ele realiza um tour pela França e, além de ter conseguido um bom desempenho financeiro, foi um pouco melhor avaliado que seu antecessor.

Atualmente o personagem está ativo na mídia audiovisual por meio de uma série animada voltada para o público infantil, não muito diferente do que já aconteceu com o seriado Chaves também. Passados 30 anos de sua estreia, o excêntrico morador do número 12 na Arbour Road ainda é um fenômeno cultural bastante relevante, além de uma peça importante na longa história do humor britânico. 

Todos os episódios de Mr. Bean estão disponíveis na internet no Youtube. É só fazer uma busca para rever e gargalhar.