Não é de hoje que Hollywood bebe nas culturas e produções de outros países, porém, por ser um cinema hegemônico, acaba se tornando referência para o mundo, mesmo quando não é exatamente original. Razão pela qual mesmo em 2022, com uma produção sul-coreana como ‘Os Piratas: Em Busca do Tesouro Perdido’, nós fazemos uma referência à versão estadunidense desse tipo de aventura, ‘Piratas do Caribe’. E são mesmo bem parecidas, então, se você gostou da franquia da Disney (e aguarda possíveis novas continuações), a diversão está garantida no lançamento dessa semana da Netflix.


Durante a dinastia Joseon – que existiu entre os séculos XIV e XIX na Coreia, surgida logo após a derrubada da dinastia Goryeo –, um grupo de piratas, liderado por Woo Moo-Chi (Kang Ha-neul), tenta sobreviver com o pouco que conseguiu saquear dessa transição de dinastias. Na verdade, tudo que conseguiram foi roubar uma árvore sagrada da fundação da cidade e transformá-la em colheres de pau. À deriva no meio do mar, os homens já não aguentam mais comer peixes e lulas, e já estão à beira do delírio quando são resgatados pelo navio da capitã Rang (Han Hyo-joo). Agora reunidos, os piratas buscam sobreviver no mar, mas, quando ouvem a história de um tesouro perdido eles deixarão suas diferenças de lado e unirão forças para encontrar as toneladas de ouro enterradas em alguma ilha na imensidão oceânica.


Em duas horas e sete minutos de duração, ‘Os Piratas: Em Busca do Tesouro Perdido’ entrega tanta aventura e tanto elemento histórico, que de certa maneira sobrecarrega o espectador, especialmente no início, quando somos apresentados ao enredo. Claro, boa parte disso acontece porque nós, brasileiros, não conhecemos a fundo a cultura e a história coreana, então, o deslocamento dos fatos históricos para a gente é inevitável. Apesar do susto inicial, o filme não navega em episódios reais, apenas contextualiza sua trama naquele momento histórico, de modo que o espectador não precisa se prender com unhas e dentes a todos os nomes e datas que são mencionadas ao longo da produção.

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Feita esta ressalva, ‘Os Piratas: Em Busca do Tesouro Perdido’ é uma aventura de prato cheio, que entretém e mantém a atenção do espectador do início ao fim. Boa parte do sucesso do filme de Jeong-hoon Kim se dá por conta das ótimas atuações de seu elenco principal, que entrega comicidade e dramaticidade na medida certa de seus personagens. O dualismo entre a capitã do navio (mais séria, firme e corajosa) em oposição ao líder dos piratas (desajeitado, hilário, cheio das falcatruas e ótimo espadachim) traz um bom equilíbrio para os momentos-chave do filme, ao ponto de nem sentirmos a necessidade da construção de um romance entre os dois.

É preciso apontar também que o estilo de interpretação meio clown, meio espalhafatoso demais – como o que vimos aqui no Brasil em ‘Os Trapalhões’ e nos filmes do Jackie Chan – é uma técnica de atuação bastante comum em produções asiáticas e indianas, por exemplo. Portanto, o que pode ser interpretado como falta de técnica para o espectador acostumado com Hollywood é, na verdade, uma técnica elaboradíssima que busca realçar os exageros em favor do personagem – algo que para muitos virou a assinatura de Jack Sparrow, com seu andar delicado, mãos levantadas e reviravoltas fenomenais em situações absurdas. Tudo isso há em ‘Os Piratas: Em Busca do Tesouro Perdido’.


Como um todo, ‘Os Piratas: Em Busca do Tesouro Perdido’ é um ótimo filme em muitos níveis: tecnicamente, entrega uma boa qualidade; a produção é cara, investindo em navios reais e efeitos visuais; as atuações são convincentes e hilárias; as situações absurdas misturadas ao drama histórico embalam tudo isso de maneira divertida para toda a família. Diversão garantida.

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