O mundo do cinema não é feito apenas de sucessos. E por mais que para fãs de filmes como nós seja difícil de acreditar, aquela produção que simplesmente adoramos pode muito bem ter sido um fracasso retumbante em sua época de estreia. Isso não significa, é claro, que anos mais tarde ele não possa ressurgir como obra cult, recuperar seu status e se tornar uma obra extremamente prestigiada. É o que chamamos de correção histórica. Pode muito bem ocorrer com filmes à frente de seu tempo, que a geração da época simplesmente não soube apreciar por seu valor.

O prezar por certas obras atualmente, porém, não muda, infelizmente, seu histórico. Filmes são feitos para atingir seu público no momento em que são lançados. E por mais que sejam atemporais e fiquem para os tempos, nenhum realizador gosta de ver sua produção ser solenemente ignorada em sua estreia. E para os estúdios e produtores, que gastam verdadeiras fortunas para realiza-los, o fato de afundarem nas bilheterias é a balança que irá dizer se um filme irá receber as glórias dos deuses do cinema ou se irá se tornar uma obra maldita. É algo imprevisível e que foge do controle de qualquer outro elemento, como boas críticas, a qualidade do filme em si e até mesmo uma campanha de marketing massiva de muitos milhões de dólares. Nada disso, no final das contas, é garantia de sucesso para um filme.

Com isso em mente, iremos dar continuidade à nossa coluna dos grandes fracassos da sétima arte, com os filmes que fracassaram solenemente e completam 40 anos em 2021. Confira abaixo (assim como outras edições anteriores desta coluna) e não esqueça de comentar.

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Fuga para a Vitória

Hoje, um filme extremamente cult, em especial para os fãs de esportes e futebol, é difícil acreditar que um filme que reúna lendas de suas distintas artes como Sylvester Stallone, Michael Caine e o nosso Rei Pelé possa ter fracassado em sua época de estreia. O grande chamariz aqui é a presença do trio mais WTF da história do cinema, o que desperta instantaneamente a curiosidade de qualquer um. Dirigido pelo igualmente lendário John Huston, a história é basicamente uma versão de Golpe Baixo (2005), com Adam Sandler, mais antiga – para os mais novos captarem a mensagem. Troque apenas o jogo de futebol americano dos guardas contra os prisioneiros de uma penitenciária, por prisioneiros de um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, jogando o tradicional futebol (com os pés mesmo) contra os Nazistas. Stallone ainda não era o astro que viria a se tornar, e havia feito apenas dois filmes de Rocky a essa altura, se preparando para o terceiro, e o primeiro Rambo. Fuga para a Vitória foi distribuído pela Paramount, custou US$10 milhões e recuperou US$10.8 milhões – conseguindo apenas se pagar.

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O Dragão e o Feiticeiro



Quem conhece a Disney de hoje não consegue imaginar que o estúdio todo poderoso do rato Mickey passou por “maus bocados” durante a década de 1980, colecionando flop atrás de flop. Há 40 anos no passado estreava uma ambiciosa aventura de fantasia do estúdio que aproveitava para surfar na onda da tendência da época, ou seja, filmes medievais sobre cavaleiros, dragões e feiticeiros. Com o título original de Dragonslayer – algo como “matador de dragões”, a produção pode ter sofrido por não contar com um grande nome à frente do elenco impulsionando o filme. Quem protagoniza é Peter MacNicol. Isso porque grande parte do orçamento de US$18 milhões deve ter sido investido nos efeitos especiais da obra. E, de certa forma, deu resultado, já que para muitos, incluindo o renomado autor George R.R. Martin (Game of Thrones), a criatura deste filme, chamada Vermithrax Pejorative, é o melhor dragão já criado nas telas. Apesar disso, o longa, criado em parceria com a Paramount, rendeu apenas US$14 milhões em bilheterias.

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Condorman – O Homem-Pássaro

Continuamos pelo estúdio que é dono da Marvel e de Star Wars, hoje sinônimo de sucesso que domina o mercado. Há 40 anos, a situação era bem diferente. Isso porque as duas grandes apostas da Disney para aquele ano fracassaram monumentalmente. Acima citamos a aventura medieval de fantasia, mas a Disney também não se dava bem com uma proposta de super-herói de quadrinhos. Quem diria. O tal Condorman do título nasceu de um livro, escrito por Robert Scheckley, intitulado “The Game of X”. A melhor forma de definir o filme é como uma mistura entre Indiana Jones e 007. Ou seja, uma aventura de matinê descompromissada e com elementos de filmes de espião. Na história, um escritor e cartunista se vê envolvido numa trama digna de James Bond, com direito a agente Soviéticos, a CIA e belas mulheres em perigo. Desta forma, ele resolve se tornar sua própria invenção das páginas, o personagem Homem-Pássaro. Ele é uma espécie de Batman, com todas as bugigangas do Homem-Morcego, incluindo um carro turbinado, e asas para voar. Condorman virou cult e merecia voltar, mas na época deu prejuízo de quase US$10 milhões ao estúdio, tendo custado algo em torno de US$14 milhões.

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Roar

Eu já falei aqui no CinePOP sobre esta que é uma das, senão “a” produção, mais sem noção da história do cinema. Projeto de obsessão do diretor, produtor e roteirista Noel Marshall, que conseguiu convencer sua então esposa, a estrela Tippi Hedren (Os Pássaros), e sua família a embarcar nessa viagem com ele. Acontece que Marshall e Hedren eram porta-voz dos direitos dos animais, ligados a questões ambientais e proteção de animais selvagens. Quem conhece a série documental da Netflix, A Máfia dos Tigres, já pode entender um pouco sobre o que fala Roar. A mensagem do filme, no entanto, pode ser confusa, já que mostra uma família de protetores dos animais sendo atacados pelos mesmos, numa espécie de Os Pássaros com grandes felinos. A maldição por trás do filme envolve ataques dos mais variados e ferimentos preocupantes da equipe e elenco, inclusive da filha então adolescente de Hedren, Melanie Griffith. Mas segundo o slogan: “nenhum animal foi ferido durante as filmagens, só humanos”. Com orçamento de US$17 milhões do bolso dos próprios “malucos beleza” Marshall e Hedren, Roar não viu o retorno sequer de US$1 milhão, se tornando assim um dos maiores fracassos não apenas dos anos 80, mas da história do cinema.



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O Dia dos Namorados Macabro

Quem disse que não teríamos um filme de terror famoso na lista? Os anos 80, em especial o ano de 1981 ficou marcado como a época mais frutífera para os filmes slasher – os filmes de terror adolescentes sobre maníacos mascarados, matando com armas cortantes. O sucesso de Halloween (1978) abriu portas e Sexta-Feira 13 (1980) fez todos os produtores de Hollywood que quisessem lucrar um pouco embarcarem nesta onda. Assim, a época viu o surgimento de alguns verdadeiros ícones do subgênero, Freddy e Jason que o digam. Mas assim como alguns filmes conseguiram gerar sequências infinitas de seu original, simbolizando assim seu sucesso absoluto, outros, por mais que tenham se tornado queridos e cult, pararam em seu primeiro exemplar. E se caso você tenha se perguntado a vida inteira porque aquele seu filme querido não teve uma continuação, saiba que o motivo é apenas um: seu fracasso de bilheteira.

O lance é que toda a proposta de filmes deste tipo para os produtores é que são baratos de se fazer e rentáveis. Se for ao contrário não tem razão de ser. Assim, se por um lado Sexta-Feira 13, Halloween e A Hora do Pesadelo tiveram “trocentas” continuações, e O Dia dos Namorados Macabro, por mais que tivesse deixado um baita gancho para a sequência, não saiu do filme um, o motivo foi simplesmente dinheiro. O slasher canadense que pega como data o dia dos namorados ficou conhecido como o terror “proletário” (já que os personagens são operários de uma mina de carvão). Enquanto os grandes sucessos do gênero passavam da marca dos US$20 milhões em bilheteria, esse filme chegou “apenas” aos US$5 milhões. Mas tendo custado um pouco mais de US$1 milhão está longe de ter sido um fracasso retumbante; gerando um remake em 2009.

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O Fundo do Coração

Finalizando a lista dos grandes fracassos, temos uma produção do renomado Francis Ford Coppola. O cineasta se desiludiu com o sistemão de Hollywood e nos anos mais recentes tem se concentrado em sua paixão por vinhos – o artista possui sua própria vinícola – e de tempos em tempos cria um filme bem independente, que termina visto por meia dúzia de gatos pingados. O valor de Coppola jamais se apagará, tendo sido ele responsável por alguns dos melhores filmes da história do cinema, como a trilogia O Poderoso Chefão, Apocalypse Now e A Conversação. Mas sejamos sinceros, a verdade é que, ao contrário de diretores como Steven Spielberg e Martin Scorsese, Coppola não soube se manter na crista da onda através das décadas, tomando um “caldo” devido aos fracassos retumbantes de alguns de seus filmes.

Coppola segue mais a veia de Brian De Palma, outro que acabou, infelizmente, rejeitado por Hollywood devido ao pobre desempenho de seus projetos mais recentes. Para Coppola, isso não aconteceu nos últimos tempos apenas, e há 40 anos já cambaleava dando prejuízos astronômicos ao lançar projetos de vaidade. É o caso com este O Fundo do Coração, um romance dramático criado no estilo dos musicais da Broadway. Distribuído pela Columbia (Sony), incialmente esta era uma produção pequena de US$2 milhões, que inflou para US$26 milhões – rendendo menos de US$1 milhão em bilheteria e se tornando um dos maiores fiascos da história do cinema. O próprio Coppola afirmou que os filmes que fez em seguida nos anos 1980 e 1990 foram para pagar as dívidas conquistadas após o fracasso desta ambiciosa produção.

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