Os 14 Maiores Flops de 2018 – Os fracassos de bilheteria

Os 14 Maiores Flops de 2018 – Os fracassos de bilheteria


Todos nós amamos cinema. E nosso desejo é sempre de que os filmes sejam bem sucedidos. Passamos o ano esperando aquele lançamento: uma continuação de uma franquia adorada, a adaptação de um texto que gostamos ou o novo projeto daquele diretor ou ator cultuado. O fato é que nem sempre a realidade é o que esperamos.

E para um cinéfilo não existe tristeza maior do que não gostar de um filme pelo qual criamos expectativa. Muitos tentam evitar este desapontamento, esquivando desta ansiedade, mas a verdade é que quando envolve emoção (uma série que gostamos ou um artista que admiramos), este exercício se torna apenas uma enganação, pois é impossível não se envolver afetuosamente.

Em 2018, tivemos muitos filmes que se tornaram sucesso de crítica e principalmente de bilheteria, trazendo a alegria dos fãs. No entanto, não existiriam os vencedores sem os perdedores, e assim o ano também reservou os fracassos – filmes que embora tenham gerado expectativa, viveram para não atingir o esperado.

Assim, com este pensamento, criamos nossa nova lista. Apenas para contextualizar, levaremos em conta aqui apenas a bilheteria destas produções, tirando uma média em relação ao seu orçamento. Isso porque os fracassos de crítica, muitas vezes arrecadam boas bilheterias, boas o suficiente para salvar uma franquia – como é o caso com Venom, por exemplo. Vamos conhecer.



14 | O Predador

Quem cresceu na década de 1980, viveu a era dos brucutus como Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone. Um dos mais icônicos protagonizados por Arnold é O Predador (1987). O novo filme da franquia trouxe de volta Shane Black, ator e roteirista do original (mesmo que não creditado), escrevendo e dirigindo o novo episódio.

Com muito humor, mas também muitos furos no roteiro, momentos que não funcionam e personagens, em sua maioria, pouco cativantes, o novo filme não foi muito bem o que os fãs esperavam. Algumas das piores ideias envolvem o cachorro Predador, o Super Predador (sendo que o normal já é assustador o suficiente), uma criança gênio (urrrgh) e um grupo de militares que não bem desagradáveis (saudade de Dutch e sua turma).

A melhor personagem é a única mulher do filme, vivida por Olivia Munn – que se vê perdida em cena. Assim, com um orçamento de US$88 milhões, o filme abriu com US$24 milhões e fez sua carreira com US$51 milhões nos EUA – atingindo uma bilheteria mundial de US$160 milhões.

Crítica | O Predador – O melhor filme da franquia desde o original

13 | Círculo de Fogo: A Revolta

Diferente de O Predador, não existe muito envolvimento nostálgico com esta franquia – ao menos para os cinéfilos de minha geração. Para falar a verdade, o primeiro Círculo de Fogo, dirigido por Guillermo del Toro, não foi exatamente um sucesso de bilheteria, precisando se pagar em mercados pelo mundo – como o asiático.

Monstros Gigantes contra robôs gigantes. Bem, não é o tipo de trama que tem apelo junto a um público mais adulto, e é necessário curtir a cultura dos kaiju para embarcar nesta ideia. Assim, querendo entregar mais do mesmo, porém, sem a presença do carisma dos atores originais e da mão firme do diretor mexicano no comando, sobrou para John Boyega (o Finn dos novos Star Wars), literalmente salvar o dia e a franquia.

O novo Círculo de Fogo também apela para a criança gênio (artifício cansado de Hollywood), mas com a diferença de que aqui temos a carismática Cailee Spaeny se virando sozinha, mostrando não ser apenas um artifício, e sim uma personagem bem desenvolvida e carismática. Outro ponto polêmico do roteiro é sua reviravolta final – e o motivo pelo ataque dos monstros desta vez, o que aproxima o longa ainda mais de uma atmosfera de produção B.

O segundo Círculo de Fogo contou com o orçamento inflado de US$150 milhões e o retorno de US$22 milhões em sua abertura. Ao total, o filme somou US$59 milhões nos EUA e uma carreira de US$290 milhões mundialmente – o que não é baixo, mas pode por fim aos planos de uma sequência. Vale lembrar que o original igualmente só possibilitou a continuação devido ao mercado fora dos EUA.

Crítica | Círculo de Fogo: A Revolta – Mais robôs, menos monstros e emoção

12 | Vidas à Deriva

Chegamos ao primeiro longa que não é exatamente uma superprodução. Este drama protagonizado por Shailene Woodley é um relato real de uma história de sobrevivência no mar. O filme é eficiente, traz desempenhos marcantes e o tipo de trama, que embora não seja novidade, foi bem representada.

O lance é que tivemos filmes como Até o Fim (2013), com Robert Redford, que elevaram o subgênero a outro patamar – fazendo Vidas à Deriva perder por comparação. Fora isso, a popularidade de Woodley desde sua explosão com Os Descendentes (2011) e A Culpa é das Estrelas (2014) sofreu declínio e a atriz já não emplaca um sucesso no cinema faz tempo.

Vidas à Deriva contou com um orçamento de US$35 milhões e arrecadou  US$11 milhões em sua estreia. Sua bilheteria nos EUA foi de US$31 milhões, ou seja, não conseguiu sequer pagar sua produção. No mundo, o filme juntou um pouco mais, com US$52 milhões.

Crítica | Vidas à Deriva – Shailene Woodley brilha em drama trágico real

11 | No Olho do Furacão

Ideias pra lá de loucas costumam dar certo com a audiência específica. Assim nasceram conceitos com o de Sharknado. O nonsense de superproduções vide Velozes e Furiosos escala para novos patamares, não largando a mão de seu público cativo. A cada novo episódio, mais adeptos e uma bilheteria mais encorpada.

No entanto, nem todas tentativas alucinadas acertam o alvo como deveriam. Este foi exatamente o caso com No Olho do Furacão, filme com aura B que mistura dois elementos que o público aprendeu a adorar: cinema catástrofe (neste caso, filme de furacão) e carros velozes em ação. Com estes dois elementos misturados, o que poderia sair errado?

Quem viu garante que No Olho do Furacão é apenas ruim, e não chega sequer a ser “tão ruim que é bom”, como era o planejado. Assim, atores do time C de Hollywood não garantem seu lugar ao sol e seguem renegados à baixa categoria. O filme, não por acaso, é dirigido por Rob Cohen, o mesmo do primeiro Velozes e Furiosos (2001). Com um orçamento de US$45 milhões, o longa arrecadou somente US$3 milhões em seu fim de semana de estreia, e seguiu para ver mais US$6 milhões ao longo de sua carreira nos EUA.

Crítica | No Olho do Furacão – Quando ‘Velozes e Furiosos’ encontra ‘Sharknado’

10 | Gnomeu e Julieta: O Mistério do Jardim

Quem disse que animações não estão fadadas ao fracasso, está terrivelmente errado. Bem, até mesmo as grandes produções animadas da Disney algumas vezes não atingem o esperado, o que dirá as outras. Se você acha que é só fazer uma obra mirada aos pequenos que o sucesso estará garantido, pense novamente. Norm e os Invencíveis (2016) e Emoji: O Filme (2017) são algumas das produções que não vingaram junto ao seu público-alvo.

Aqui, no entanto, temos um caso especial. Esta é a continuação do sucesso da Paramount, Gnomeu e Julieta (2011), que contou com as vozes de James McAvoy e Emily Blunt dublando os personagens principais: anões de jardim apaixonados. O primeiro longa custou US$36 milhões, rendendo US$25 milhões no seu fim de semana de estreia (ou seja, basicamente se pagando logo na largada). Ao total, o filme faturou US$99 milhões nos EUA e mais US$193 milhões ao redor do globo – se tornando o que podemos chamar de sucesso.

Problema número 1 para a continuação: demorou demais a ser lançada, perdendo a janela de tempo. Foram sete anos até o lançamento da sequência, fazendo uma geração inteira de crianças perderem o interesse e outras não saberem do que se trata. Até mesmo o título precisou ser mudado no Brasil para criar associação. O segundo filme, faz uma grande brincadeira com a mitologia de Sherlock Holmes – seu título original é Sherlock Gnomes. A continuação, que traz a voz de Johnny Depp, custou um pouco mais, com orçamento de US$59 milhões, e rendeu bem menos, arrecadando apenas US$10 milhões em sua abertura, e US$43 milhões no percurso de sua jornada – ficando abaixo de seu custo. No mundo, a bilheteria arrecadada foi de US$88 milhões. Ou seja, não veremos os personagens de novo tão cedo.

Crítica | Gnomeo e Julieta: O Mistério do Jardim – Sherlock Holmes e elenco são o charme

9 | Desejo de Matar

Assim como Schwarzenegger e Stallone, Bruce Willis já foi o rei das bilheterias nas décadas de 1980 e 1990. De fato, Willis inaugurou inclusive um novo subgênero dentro do cinema brucutu, acrescentando na mistura qualidades mais humanas e críveis. Ele era o homem comum, no lugar errado e hora errada, que sangrava, sofria e por pouco não era derrotado. Assim como os colegas de cena, Willis precisou se reinventar, pois com a idade avançada, não se encaixa mais nos padrões de outrora.

O ator encontrou lugar em produções B, aqui no Brasil todas lançadas direto no mercado de vídeo. Vez ou outra encontra espaço junto ao mainstream, revivendo antigos personagens cultuados – como no vindouro Vidro, de M. Night Shyamalan. Ou quem sabe participando de refilmagens de clássicos, como é o caso com este Desejo de Matar, produção imortalizada por Charles Bronson.

O novo Desejo de Matar é um bom filme, seguindo à risca os moldes do original, e situando satisfatoriamente sua trama nos tempos atuais, na era das redes sociais e do mundo filmado. Obviamente, temas como o politicamente correto entram em pauta. No entanto, os motivos para a recepção fria do longa são a falta de apelo de Willis atualmente junto aos jovens – maior parcela pagante dos cinemas – e a história do vigilante que faz justiça com as próprias mãos, que mesmo recriminado no filme, é o tipo de trama que não gera mais empatia com o espectador atual – como fazia nas décadas passadas.  Assim, o filme dirigido por Eli Roth, com um orçamento de US$30 milhões, arrecadou apenas US$13 milhões em sua estreia, parando num valor de US$34 milhões nas bilheterias americanas e assim apenas se pagando.

Crítica | Desejo de Matar – Bruce Willis e Eli Roth no remake do clássico de Charles Bronson

8 | Aniquilação

Nem mesmo filmes elogiados, que são sucesso pleno de crítica, conseguem escapar muitas vezes de um fracasso de bilheteria. Ser sucesso de crítica é muito bom, mas cinema é uma arte cara e seus investidores querem ver resultado financeiro. Algumas apostas são arriscadas e nesse jogo perde-se muito dinheiro numa produção, para ganhar muito em outra. É o equilíbrio das coisas, num verdadeiro jogo de azar imprevisível.

Muitas vezes os produtores juram que tem ouro em mãos e que seu novo lançamento será um grande sucesso. Foi o caso deste Aniquilação, um projeto de alto conceito, baseado num livro cultuado de ficção científica, protagonizado por uma das maiores estrelas da atualidade: a vencedora do Oscar Natalie Portman – na era das marcas, é apenas mais uma estrela que mostra que seu nome não significa muito para a boa bilheteria de um filme. Além disso, atrás das câmeras, quem comanda é Alex Garland, cineasta que após emplacar com o sucesso Ex-Machina: Instinto Artificial, gerava expectativa imediata para seu lançamento seguinte.

Dentro do mesmo gênero, Aniquilação se mostrou uma venda tão difícil, um filme tão bizarro e complexo, que a Paramount, estúdio responsável pelo lançamento, achou melhor vender seus direitos para o colosso Netflix, a fim de não amargar com o fracasso previsto nas bilheterias. Assim, o filme foi lançado de forma restrita por alguns cinemas dos EUA, e nos demais países do mundo a solução foi assisti-lo em casa. Uma pena. Mesmo com as críticas extremamente favoráveis, o filme não atrairia um grande público. Aniquilação contou com um orçamento de US$42 milhões, e rendeu apenas US$11 milhões em seu fim de semana de estreia. Sua carreira se encerrou com US$32 milhões em caixa – valor abaixo do próprio orçamento. Seja como for, Aniquilação segue como um dos filmes mais fora da caixinha de 2018.

Crítica | Aniquilação – Ficção científica raiz de explodir mentes

7 | Tomb Raider: A Origem

As adaptações de videogame ainda não encontraram seu lugar ao sol. No caso das adaptações de histórias em quadrinhos, o mesmo aconteceu durante as décadas de 1970, 1980 e 1990. A primeira fase da “retomada” ocorreu oficialmente em 2000, quando X-Men, de Bryan Singer estreou, seguido de Homem-Aranha (2002), de Sam Raimi. O resto é história, com a consolidação da Marvel em 2008 (com Homem de Ferro) e depois em 2012 (com Vingadores).

Os games já tentaram na década de 1990, na de 2000, e agora chegam ao fim de sua terceira década de tentativa sem êxito. Existem filmes do gênero mais bem avaliados e outros menos, mas o que não existe ainda é aquele filme unanimemente elogiado dentro do subgênero. Um dos mais recentes a tentar foi o último Tomb Raider, que reiniciou a franquia estrelada por Angelina Jolie, sobre a aventureira mais apaixonante dos jogos eletrônicos.

A nova intérprete da arqueóloga foi a mignon Alicia Vikander, vivendo uma Lara Croft mais verde, em seus primeiros anos de formação. A atriz sueca até que convence no papel, o problema realmente é o roteiro mundano – que não cria bons antagonistas para a heroína ou sequer uma trama atraente. Aqui temos mais uma história enfadonha envolvendo o relacionamento da protagonista com seu pai desaparecido. E a última coisa que queremos num filme assim é sentimentalismo barato e drama de quinta. O mais recente Tomb Raider custou para a Warner (e não mais a Paramount) US$94 milhões, ou seja, quase US$100 milhões – e rendeu US$23 em seu primeiro fim de semana. O filme seguiu para arrecadar US$57 milhões nos EUA, ficando longe de se pagar. Pelo mundo, o filme rendeu US$273 milhões. O que pode garantir uma sequência.

Crítica | Tomb Raider: A Origem – Mais um Reboot que deixa a desejar…

6 | Operação Red Sparrow

Jennifer Lawrence não é mais a mesma. A atriz que explodiu para o estrelato na franquia Jogos Vorazes e acabou se tornando uma das personagens principais nos novos X-Men (mesmo que sua personagem não pedisse tanto), vem a cada novo trabalho descendo um patamar de seu estrelato. Só nos últimos três anos, Lawrence acumula fracassos em cinco trabalhos.

Primeiro foi Joy, última parceria até então com o diretor David O. Russell, que ao contrário de O Lado Bom da Vida (2012) e Trapaça (2013), passou em branco. Depois vieram X-Men: Apocalipse e Passageiros – ambos de 2016. Ano passado, mãe! dividiu opiniões e foi uma venda difícil (para dizer no mínimo) para a Paramount. E este ano, Operação Red Sparrow deixou a FOX na mão.

O thriller de espionagem prometia ser o filme solo que a Viúva Negra (Scarlett Johansson) ainda não ganhou, além de criar expectativa por seu anunciado forte teor sexual – onde J-Law faria suas primeiras cenas de nudez e sexo no cinema. Bem, apesar de cumprida a promessa do segundo item, Operação Red Sparrow serviu mais para dar sono aos espectadores, com sua trama confusa, aborrecida e sem qualquer traço de ação ou suspense. O longa teve orçamento de US$69 milhões e somou US$16 milhões no primeiro fim de semana, arrecadando mais US$46 milhões ao todo nos EUA. Já pelo mundo, o resultado do filme foi de US$150 milhões. Que a menina de ouro de Hollywood se recupere logo de sua maré de azar.

Crítica | Operação Red Sparrow – Jennifer Lawrence fica nua em thriller erótico arrastado

5 | Crimes em Happytime

Outro nome quente do momento, este na comédia, é o de Melissa McCarthy. Mas como todas as estrelas, a humorista é apenas humana e já teve sua cota de fracassos. A atriz indicada ao Oscar (Missão Madrinha de Casamento) tem grandes chances de voltar ao radar dos prêmios este ano de novo, com Can You Ever Forgive Me?, drama sobre uma falsária.

Mas nem tudo são flores para McCarthy, e esse ano a comediante esteve presente num dos filmes mais execrados pela imprensa especializada. A ideia de Crimes em Happytime até que era boa, porém, fora da caixinha demais para dar certo e apelar junto ao grande público. A premissa aqui é uma espécie de Uma Cilada para Roger Rabbit (1988), imprópria para menores e com fantoches ao invés de desenhos animados. Poderia ser ouro, mas quem conferiu diz que está mais para outro item, que despejamos na privada.

A comédia incorreta, criada pelo filho do consagrado Jim Henson, Brian Henson, custou US$40 milhões, e arrecadou apenas US$9 milhões em seu fim de semana de estreia. Sua carreira nos EUA somou apenas US$20 milhões – não sendo o suficiente para o filme de pagar.

Crítica | Crimes em Happytime – Era melhor ter continuado só com os Muppets

4 | O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

A Disney irá dominar o mundo. Disso ninguém duvida. Mas isso não quer dizer que o maior estúdio da atualidade não cometa seus erros, adquira fracassos e dê, vez ou outra, com os burros n´água. Bem, uma empresa que tem a Marvel, Star Wars, suas animações, seus live-action e que ainda investe em filmes de fantasia para toda a família tem o direito de cometer alguns equívocos, não acham?

O mais recente tiro em branco da casa atende pelo nome O Quebra-Nozes – sim, este mesmo baseado no conto infantil clássico, transformado em balé russo icônico. Uma pena, pois com nomes como Keira Knightley, Morgan Freeman, Helen Mirren e a jovem carismática e promissora Mackenzie Foy no elenco, a garantia de sucesso era quase certa. Junte a isso os nomes dos diretores Lasse Hallstrom e Joe Johnston comandando. Bem, você pode até ter achado estranho ter dois diretores à frente da obra. É que os problemas começam exatamente aí.

O que Hallstrom estava fazendo não agradou os executivos do estúdio, assim, Johnston foi convocado às pressas para finalizar a produção. Mau sinal. Fora isso, está clara a inspiração em Alice no País das Maravilhas (2010), sucesso de Tim Burton, que a Disney tentou reprisar. O problema é que um raio até pode vir a cair no mesmo lugar duas vezes, mas é bem difícil. O resultado de O Quebra-Nozes terminou mais próximo da sequência Alice Através do Espelho (2016), do que o original de Burton. Com um orçamento estimado de US$120 milhões, o longa rendeu apenas US$20 milhões em sua abertura nos EUA e somou mais US$49 milhões até o momento no país. O que para um filme da Disney não é nada bom.

Crítica | O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos – Visual encantador, conteúdo nem tanto

3 | Arranha-Céu: Coragem Sem Limite

Dwayne Johnson é o maior astro da Hollywood atual, possui o toque de Midas e é um dos poucos que ainda consegue arrastar multidões apenas com o seu nome estampando o pôster de um filme. O maior nome dos blockbusters do momento, sem precisar (muito) de marcas pré-estabelecidas, também passa por seus dias chuvosos e tem no currículo produções sem vergonha como Baywatch. Bem, Arranha-Céu pode não ser uma obra-prima, mas está anos luz acima da comédia citada.

A verdade é que The Rock está com crédito, tendo estrelado o reboot de Jumanji, um dos maiores sucessos de bilheteria de anos recentes, cuja continuação já está a caminho. Bem, depois disso o grandalhão estrelou Rampage, que ficou entre erros e acertos, e Arranha-Céu. Dentre os dois, Rampage, com seus quase US$500 milhões mundiais, trouxe mais prestígio para a Warner. Já a parceria do ator com a Universal não teve o mesmo êxito, já que Arranha-Céu, com um orçamento de US$125 milhões, abriu com US$24 milhões nos EUA, e seguiu com US$67 milhões. O filme terminou sua estadia mundial com US$292 milhões, ficando apenas um pouco acima de seu custo.

O fato prova que o público prefere ver o astro numa aventura fantástica e descerebrada, do que em um thriller de cinema catástrofe.

Crítica | Arranha-Céu: Coragem Sem Limite – Dwayne Johnson enfrenta um prédio em novo filme

2 | Han Solo: Uma História Star Wars

Essa é triste e dói o coração cinéfilo. A pergunta que fica é: estaria o público saturado da franquia Star Wars? A Disney errou em colocar um filme por ano nos cinemas desde que lançou O Despertar da Força (2015)? Ou tudo se resume à qualidade dos filmes? Levando em conta que com a Marvel deu certo, e o público parece querer cada vez mais lançamentos deste universo compartilhado por anos no cinema, é bem provável que a resposta seja a terceira.

O fato é: Rogue One (2016) passou por problemas e no final das contas terminou dando certo, arrecadando uma legião de novos fãs – muitos afirmam que é o melhor produto estampando o logo da franquia lançado pela Disney (por ser um projeto bem original, mesmo sem contar com o típico humor esperado pela franquia). Particularmente, O Despertar da Força segue como auge da retomada (principalmente por ter criado uma personagem como a Rey de Daisy Ridley). Mas com Han Solo, definitivamente atingimos o ponto baixo e esperamos sinceramente que haja recuperação.

Era uma história que ninguém queria saber, num filme que ninguém pediu. Mas até aí tudo bem, porque ao longo dos tempos ganhamos filmes nestes moldes que vieram a se mostrar bem sucedidos junto ao público. O problema foi a demissão dos diretores originais (os criadores de Anjos da Lei e Uma Aventura Lego), que ao que tudo indica iriam criar um filme bem mais insano com o protagonista. E era justamente o que o pirata sideral pedia. A Disney, no entanto, optou pelo mais seguro e mundano, trazendo Ron Howard (conhecido atualmente por seus trabalhos sonolentos nos filmes da série O Código Da Vinci) para o comando. E o resultado, você acertou, foi um filme morno. Com o pesado custo de US$300 milhões (um dos filmes mais caros da história – ou “o” mais caro) – que não tinha como ser equivalido -, a superprodução abriu com sólidos US$84 milhões e seguiu com US$213 milhões até o encerramento nos EUA. Pelo mundo, o filme juntou US$392 milhões. O que significa que não veremos o famoso cafajeste do espaço de novo nos cinemas tão cedo.

Crítica | Han Solo: Uma História Star Wars – Aventura fraca e genérica…

1 | Uma Dobra no Tempo

E o grande campeão é... ou devemos dizer, o grande perdedor. Tido como livro inadaptável – embora já tenha sido adaptado em 2003, como filme feito para a TV -, a obra literária de Madeleine L´Engle finalmente ganhou o tratamento na forma de uma superprodução da Disney de US$100 milhões. O filme era a grande aposta do estúdio para o início do ano, e contou com grandes nomes na frente e atrás das câmeras. A começar com estrelas do nível de Oprah Winfrey (Deus de saia) e Reese Witherspoon emprestando um pouco de seu brilho.

No comando de tudo, uma das diretoras mais promissoras da atualidade, Ava DuVernay. Bem, e segundo os especialistas, é aí que reside todos os problemas envolvendo o longa. DuVernay é uma excelente diretora e uma voz a ser ouvida quando o assunto é representatividade. Se não a conhecem ainda, é só dar uma olhada em filmes como Selma: Uma Luta Pela Igualdade (2014) e A 13ª Emenda (2016). Tais trabalhos fazem dela a “Spike Lee feminina”, adereçando para sua época o que o diretor de Faça a Coisa Certa (1989) trilhou nas décadas de 1980 e 1990.

Ou seja, tópicos fervorosos, raciais e igualitários são a praia da cineasta – que se sairia melhor no comando de filmes como os recentes O Ódio que Você Semeia, Se a Rua Beale Falasse e até mesmo As Viúvas (mais voltado ao entretenimento). Mas a opção foi por um filme estritamente comercial. Uma fantasia de entretenimento, recheada de efeitos visuais impressionantes, cujo conteúdo não foi bem transposto em tela. É claro que se pode encontrar questões representativas – mesmo que muito nas entrelinhas –, o principal sendo o protagonismo de uma jovem mulher negra.

Porém, Uma Dobra no Tempo se mostrou o projeto errado para Ava DuVernay, que não conseguiu imprimir muito de seu estilo e voz ao filme – deixando o longa com a cara que qualquer diretor poderia dar. Para piorar, a diretora vai seguir no ramo das superproduções, e seu próximo projeto será Os Novos Deuses, da DC. Que a diretora tenha mais sucesso em sua nova empreitada, e que siga os passos da companheira de casa, Patty Jenkins. Uma Dobra no Tempo arrecadou US$33 milhões em sua estreia nos EUA, e mais US$100 milhões durante todo o período de sua exibição – conseguindo ao menos se pagar. Já mundialmente, o filme fez apenas US$130 milhões, 30 milhões a mais fora do seu país de origem.

E você, o que achou destes filmes? Achou que mereceram o fracasso? Comente.





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