‘The Handmaid’s Tale | 2×12: ‘Postpartum’ – As escolhas que fazem por nós

‘The Handmaid’s Tale | 2×12: ‘Postpartum’ – As escolhas que fazem por nós

Nota:

Um dos vínculos mais fortes não se desatina facilmente. Muito mais que uma ligação física, aquilo que une a mãe ao seu bebê transcende as fronteiras físicas impostas. The Handmaid’s Tale já mostrou isso diversas vezes, em dolorosas e drásticas rupturas que se estenderam a vazios profundos e jamais preenchidos nas almas da nossas bravas aias. E ‘Postpartum’ é aquele episódio que traz o famoso aftermath, a sucessão consequencial mediante a um dos encontros mais dramáticos e belos que testemunhamos até então na produção original da Hulu.

Leia também nossas análises dos episódios 1 (June), 2 (Unwomen) , 3 (Baggage), 4 (Other Women), 5 (Seeds), 6 (First Blood), 7 (After), 8 (Women’s Work), 9 (Smart Power), 10 (Last Ceremony), 11 (Holly)

Em um capítulo fragmentado, que reconta os dias de June diante do vácuo que a gravidez lhe trouxe, acompanhamos três narrativas distintas, estranhamente separadas de si mesmas. Enquanto nossa protagonista digladia com a quebra do vínculo e os resquícios intermináveis das oscilações hormonais da gestação, Emily (Alexis Bledel) encontra um quase crossover com Corra! (2017), com o surgimento da peculiar e enigmática figura de olhos profundos, expressos nas feições de Bradley Whitford, que ingressa à trama como uma surpresa (in)desejável. Autor de sentimentos dúbios na audiência, seu efêmero – mas certificante – momento em tela é repleto por simbolismos e obscuridade, que apresentam um possível contraditório e subversivo personagem, fruto das leis que ajudou a consolidar em Gilead, mas um contraventor às avessas.




Nas extremidades da casa cinzenta com árvores de galhos secos, quadros banidos, livros que deveriam ter sido queimados e esculturas que exalam a proibição da nova América confundem tanto Emily, como as audiências. Seguindo o mesmo viés tortuoso da fragmentação de conceitos, previamente testemunhamos a inocente e jovem Eden Blaine (Sydney Sweeney), vítima das descobertas do amor verdadeiro em meio a um terreno improdutivo. E em um episódio dispersivo, sem foco específico, vemos a narrativa de Bruce Miller apressada para fechar alguns arcos, ainda que de forma temerária. Cercados por uma direção que permanece intimista e explora os breves feixes de luz em contrastes com as sombras nascidas pela pouca luminosidade, nossos personagens caminham para o encerramento de alguns ciclos, à medida que novas rachaduras também começam a aparecer.

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‘Postpartum’ poderia até mesmo ser um capítulo que destrincha os quatro tipos de amor – storge, philia, eros e ágape – e suas percepções humanas. Mas de fato, seus desdobramentos se mostram ser mais o peso das escolhas não feitas e uma evidência de que, para cada uma delas e seus respectivos finais, há sempre um começo – ainda que ele seja ambíguo. E mesmo com um penúltimo episódio um tanto disperso – ainda que seja profundamente trágico, The Handmaid’s Tale continua exercendo seu papel de explorar camadas até então seladas, permeando nas entranhas de casas que – até então de portas fechadas – vão se abrindo, mostrando o submundo que as paredes de Gilead insistem em esconder. Se em cada família que uma aia vai há sempre um desbravador contexto sócio emocional, a produção da Hulu garante perscrutar cada lacuna, acrescentando novas peças neste quebra-cabeça, onde esposas mirins tentam conciliar seus sentimentos ao regime ditatorial e mães são forçadas a desligar-se dos frutos de seus próprios ventres.

 





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