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Riddick 3

(Riddick)

 

Elenco:

Vin Diesel, Karl Urban, Andreas Apergis, Antoinette Kalaj, Bokeem Woodbine, Conrad Pla, Dave Bautista, Jordi Mollà, Katee Sackhoff, Keri Hilson, Matt Nable, Neil Napier, Noah Danby.

Direção: David Twohy

Gênero: Ficção Científica

Duração: 119 min.

Distribuidora: Imagem Filmes

Orçamento: US$ 38 milhões

Estreia: 11 de Outubro de 2013

Sinopse:

Riddick é traído pela sua própria raça e deixado para morrer em um planeta distante. Desolado, luta para sobreviver em um ambiente hostil repleto de predadores alienígenas, e se torna mais poderoso e perigoso que nunca. Caçadores de recompensas de toda a galáxia começam a busca por Riddick, apenas para se tornarem peões em seus planos. Com seus inimigos exatamente onde ele os quer, Riddick se lança em uma violenta jornada de vingança antes de retornar ao seu planeta natal, Furya, para salvá-lo da destruição.

Curiosidades:

» O terceiro ‘Riddick‘, que teve início com o sucesso de ‘Eclipse Mortal‘ e continuou com ‘A Batalha de Riddick‘, ganhou seu primeiro cartaz.

» O roteirista e diretor David Twohy comanda, e Vin Diesel estrela.

» O longa terá censura R (menores de 17 só acompanhados de maior). Em maio de 2011, o ator havia revelado que a Universal só aceitaria tal censura caso o ator recebesse um salário menor.

» O filme voltará ao clima de terror de ‘Eclipse Mortal‘. O diretor David Twohy, que dirigiu os dois primeiros filmes, também retorna. O título do filme seria ‘Dead Man Stalking‘, mas foi alterado para ‘Riddick‘.

Trailer:

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Fragmentos de Paixão

(Fragmentos de Paixão)

 

Elenco:

Dr. Osmar Pinto Júnior

Direção: Iara Cardoso

Gênero: Documentário

Duração: 70 min.

Distribuidora: Distribuição Própria

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 11 de Outubro de 2013

Sinopse:

Seis vidas, seis histórias distintas, mostram como uma fração de segundo define destinos de forma completamente diferente, permeando o medo e a paixão, a tragédia e o sucesso, a guerra e a paz. Nesta jornada, fatos inusitados são revelados, mostrando a importância dos raios desde o descobrimento do Brasil até o futuro de nossa existência.
“Fragmentos de Paixão” é o primeiro filme documentário sobre o assunto feito no Brasil e mescla conceitos de cinema de ficção e de telejornalismo para democratizar a divulgação científica. Também tem um forte caráter social: reduzir o número de fatalidades por raios no país, que atualmente chegam a 130 mortes por ano.

Curiosidades:

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Trailer:

 

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O Inventor de Sonhos

(O Inventor de Sonhos)

 

Elenco:

Ícaro Silva, Miguel Thiré, Sheron Menezes, Stênio Garcia, Luis Carlos Vasconcelos, Ricardo Blat, Guilhermina Guinle, Débora Nascimento, Letícia Spiler.

Direção: Ricardo Nauenberg

Gênero: Drama

Duração: 110 min.

Distribuidora: Europa Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 11 de Outubro de 2013

Sinopse:

Inspirado no trabalho dos pintores viajantes do século XIX, o filme de Ricardo Naunberg conta a saga de dois garotos no Rio de 1808. José Trazimundo (Ícaro Silva) é um brasileiro mestiço, filho de uma escrava negra e de um artista europeu que não chegou a conhecer. Luis Bernardo (Miguel Thiré) é um jovem português, filho de um duque que chega ao país na comitiva do Rei de Portugal. O destino dos dois se cruza durante os 13 anos de permanência da Corte Portuguesa no Brasil. O “Inventor de sonhos” é uma história que revela as relações conturbadas entre europeus e brasileiros no período em que Colônia e Metrópole se fundiam na mesma cidade. Sheron Menezes, Stênio Garcia, Luis Carlos Vasconcelos, Ricardo Blat compõem o elenco que retrata esse período de formação da identidade brasileira.

Curiosidades:

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Gravidade

UMA MINI-ODISSEIA NO ESPAÇO

O filme de maior expectativa do ano, Gravidade era vendido como um projeto de alto conceito e originalidade do diretor Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança).  No ano da ficção científica como fonte de blockbusters para Hollywood, no qual tivemos Círculo de Fogo e Elysium, obras voltadas para um público mais jovem de certa forma, Gravidade é um filme experimental de dezenas de milhões de dólares, que inicialmente foi anunciado como sendo apenas dois atores flutuando no espaço. O maior inimigo de qualquer grande produção é a expectativa gerada por ela. E mais ainda, elogios superinflados. Críticos americanos que puderam conferi-lo em primeira mão em festivais, anunciavam ser a melhor coisa do cinema em anos.

Alguns chegaram ao ponto de afirmar ser superior ao quintessencial 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick. O cineasta James Cameron, um especialista no gênero da ficção, declarou que Gravidade era o melhor filme passado no espaço que já tinha assistido. Sem revelar muito para não estragar a surpresa de todos, o quanto menos soubermos sobre o filme melhor – acredito que essa é a melhor forma de aprecia-lo, e foi assim que entrei no cinema. Uma coisa que posso dizer é que Gravidade é muito mais um drama de grande suspense, do que uma ficção científica. Seria inclusive mais bem definido como uma realidade científica.

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Na trama, uma equipe de astronautas está em missão a bordo de uma nave na órbita da Terra. Os únicos rostos conhecidos do elenco, e literalmente os únicos rostos do filme, são os dos atores George Clooney (Os Descendentes) e Sandra Bullock (As Bem Armadas). Clooney vive Matt Kowalski, o chefe encarregado da missão, e Bullock é a médica Ryan Stone. Devido a um acidente, que atinge sua nave, a Dra. Stone é arremessada na imensidão escura do espaço, e aí começa a sua grande jornada. Apesar de grande decepção com o conceito de “explodir nossas mentes”, muito alardeado lá fora, não é justo julgar o filme que não foi feito, o correto é analisar o que foi feito.

Gravidade é recheado de tensão, e embora não faça uso de muito diálogos, é um daqueles filmes que conseguem nos prender do começo ao fim de seus 90 minutos de exibição, sem perder o ritmo ou nos deixar ir. Nos torna reféns logo de início, somente com o uso de suas imagens, e isso é uma grande qualidade de um contador de histórias. Cuarón pega um material de difícil acesso para o grande público, e cria uma grande identificação e plausibilidade, sem que por momento algum o público se sinta enganado, acreditando ser impossível qualquer cena mostrada na obra. O clima criado é de puro nervosismo, e nos mantém à beira da cadeira.

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Esse é um show mais de Sandra Bullock, que entrega em minha opinião seu melhor desempenho nas telas (ao lado de Crash). Aqui, a atriz é pedida para explorar vários níveis diferentes de medo, desespero e aflição. Em uma cena em especial a atriz emociona. Muitos acreditam inclusive que a atriz sairá com o filme em busca de sua segunda indicação ao Oscar. Talvez merecida, afinal não é fácil levar um filme inteiro sozinho nas costas. Bullock exibe beleza também, e uma forma física invejável no auge de seus 49 anos. Além da expectativa não cumprida, Gravidade também decepciona por certa simplicidade em seu roteiro.

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As imagens e efeitos são belíssimos, criados pela equipe de técnicos de efeitos especiais. Mas como dizem, hoje em dia todos são capazes de criar efeitos, embora aqui eles realmente impressionem, e sejam sempre usados a favor da história, e não ao contrário. Os efeitos em 3D são ótimos. Gravidade não é capaz de explodir nossas mentes, apenas de criar talvez as situações mais sufocantes do cinema. Afinal, para quem está diante da morte, será que importa mesmo estar prestes a morrer no espaço, no mar sozinho e cercado de tubarões, como em Mar Aberto (2003), ou preso num caixão sem ar, como em Enterrado Vivo (2010)?

Os Belos Dias

(Les Beaux Jours)

 

Elenco:

Fanny Ardant, Laurent Lafitte, Patrick Chesnais, Jean-François Stévenin, Fanny Cottençon.

Direção: Marion Vernoux

Gênero: Romance

Duração: 94 min.

Distribuidora: Imovision

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 11 de Outubro de 2013

Sinopse:

Caroline (Fanny Ardant) é uma mulher de 60 anos, casada, com duas filhas, e recém-aposentada. Caroline está de luto pela morte de sua melhor amiga, quando ganha de presente das filhas a matrícula em um clube de aposentados e idosos que se chama LES BEAUX JOURS. No clube Caroline acaba se envolvendo com um dos professores, que tem a idade de suas filhas, e esse romance lhe fará redescobrir o prazer de viver.

Curiosidades:

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Festival do Rio: Alì tem Olhos Azuis

O cinema italiano vem apresentando uma nova safra de bons diretores, que estão sobressaindo nos festivais internacionais de cinema. Mas, infelizmente, a maioria desses filmes não chega ao circuito brasileiro. Por isso vale aproveitar os últimos momentos do Festival do Rio para conferir Alì tem olhos azuis, do jovem cineasta Claudio Giovannesi, que ainda não tem distribuidora no Brasil.

Interpretado por não-atores – por isso o nome de cada um também é o nome do personagem – o longa aborda a história real de Nader (Nader Sarhan), adolescente de origem egípcia nascido em Roma, que vive em conflito com os pais e sai de casa após eles desaprovarem seu namoro com uma italiana. O menino passa a viver nas ruas, roubando e passeando com o amigo Stefano (Stefano Rabatti).

A trama é ambientada em Ostia, na periferia de Roma, região pouco conhecida para quem só vai a capital italiana por turismo. O grande mérito do roteiro é mostrar que os conflitos multiculturais continuam fortes na Itália – e, embora o tema seja recorrente em outros filmes italianos, é a primeira vez que o protagonista é a pessoa que realmente vive essa história em seu dia a dia.

Outro fato interessante que o roteiro frisa é que, ainda que Nader seja italiano, sua origem e as tradições de sua família falam mais alto – tão alto que, quando a irmã de Nader se interessa por um italiano, ele se mostra totalmente contrário ao relacionamento. É neste ponto que o longa enfatiza que o conflito dos pais do garoto, também é o seu próprio. Essas contradições são acompanhadas pela câmera nervosa de Giovannesi, que segue os personagens de um jeito quase documental.

Prêmio Especial do Júri no Festival de Roma do ano passado, e exibido este ano no Festival de Tribeca, Alì tem olhos azuis tem direção de fotografia do aclamado Daniele Cipri, e trilha sonora composta pelo próprio Giovannesi, que também assina o roteiro. E, embora o filme deixe o final em aberto e não tome partido de nenhum dos lados, fica a sensação de que o dilema dos personagens é o dilema da própria Itália, que nem sempre enxerga com bons olhos os filhos da imigração.

Festival do Rio 2013: Kill Your Darlings

OS TALENTOSOS BEATNIKS

Sucesso nos festivais de Sundance, Veneza e Toronto, a biografia dramática Kill Your Darlings chega ao Festival do Rio 2013. Escrito por Austin Bunn e pelo diretor estreante em longas John Krokidas, o filme traz a história real de um famoso grupo de poetas e escritores do movimento beat, ainda na fase de estudantes universitários. O protagonista aqui é Allen Ginsberg, vivido pelo jovem Daniel Radcliffe (Harry Potter). De infância humilde e difícil, o personagem vê a loucura de sua mãe consumi-la até ser internada em um hospital psiquiátrico. Ela é vivida pela veterana Jennifer Jason Leigh (The Spectacular Now).

No local, Ginsberg conhece e se vê completamente cativado por Lucien Carr, vivido pelo jovem ator do momento Dane DeHaan (O Lugar Onde Tudo Termina). Carr é um jovem descolado, que sabe se divertir, e é o propelente de um estilo revolucionário. Entre seus amigos pessoais estão Jack Keuroac (autor de “Na Estrada”), vivido por Jack Huston (da série Boardwalk Empire), e William Burroughs (autor de “Naked Lunch”), vivido por Ben Foster (Contrabando). O novato Ginsberg se sente completamente atraído para esse mundo boêmio, de muita experimentação com entorpecentes, e pensamentos sobre arte. Em trechos, Kill Your Darlings faz lembrar O Talentoso Ripley.

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Ginsberg é alertado por David Kammerer, interpretado por Michael C. Hall (o Dexter, da série), que Carr somente irá usa-lo, e quando estiver realmente apegado, ele o soltará. O sujeito é obcecado pelo rapaz, e é o único que parece saber o real segredo negro que esconde. Kill Your Darlings consegue explorar fortes sentimentos e relações. Somos levados de forma íntima para a vida de tais personalidades libertinas. O diretor estreante imprime grande qualidade em sua primeira obra, que fica com a cara de um trabalho de veterano. A montagem é frenética, e apesar da época, não existe barreira para o público mais jovem se identificar.

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Krokidas faz uma seleção de músicas entusiasmantes pontuando seu cenário. As atuações aqui ficam à altura e são de primeira. Esse é sem dúvidas o papel mais ousado e desafiador da jovem carreira do ator Daniel Radcliffe. O intérprete de Harry Potter é pedido, e se entrega de cabeça em seu retrato do inseguro e sofredor Ginsberg. O resto igualmente corresponde com performances certeiras de Ben Foster, Jack Huston, da ótima Elizabeth Olsen (Oldboy), e da veterana Jason Leigh. Quem consegue pairar acima é C. Hall, brilhante e penoso em seu desempenho de um sujeito que preferia a morte do que viver sem o que achava que era a sua vida.

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A certa altura Kill Your Darlings se transforma em algo muito mais sério, quando um crime passional é cometido. Assassinato esse que iria definir para sempre quem seriam todos os envolvidos. Kill Your Darlings é impactante, intenso, e consegue nos transportar imediatamente para uma época específica, e o sentimento ao redor de tal período. Com a atmosfera de produções europeias, o diretor consegue entregar uma obra digna e que faz jus a seus célebres personagens, responsáveis por momentos divisores de toda uma cultura.

Festival do Rio 2013: Como Não Perder Essa Mulher

PRAZER SEM LIMITES

Primeira incursão atrás das câmeras como diretor, do ator Joseph Gordon-Levitt (Lincoln), Como Não Perder Essa Mulher (título nacional estranho) vem chamando a atenção desde o início do ano. O filme, também escrito pelo ator, fez seu debute em janeiro durante o Festival de Sundance. Muito relevante e atual, a obra de Levitt aponta o dedo para uma geração inteira, e para a mudança fenomenal trazida por prazeres virtuais. Don Jon´s Addiction, como era intitulado originalmente, assim como Boogie Nights fez para o auge e declínio do cinema pornográfico, serve como obra quintessencial para a pornografia virtual.

Em especial, Don Jon relata o relacionamento de todos os homens (como o filme afirma) com a facilidade de acesso do substituto do sexo real, e relações humanas. No filme, o diretor vive Jon, um sujeito simplório que vive em função de suas paixões na vida, como ele dita: seu corpo, sua casa, seu carro, sua família, sua igreja, seus amigos, as mulheres e a pornografia. Quem dera a vida fosse tão simples assim, e de certa forma a pouca aspiração do protagonista pode causar inveja. Um elemento ausente de sua rotina é a paixão profissional, que não faz parte de pessoas cujo estereotipo o ator satiriza aqui.

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Tudo muda para o sujeito, quando ele conhece a mulher de seus sonhos numa boate. Barbara Sugarman possui as formas estonteantes da musa Scarlett Johansson, então como não se apaixonar? O protagonista decide abrir mão de seu vício lascivo em nome do amor dessa mulher. Mas como todo viciado, o primeiro passo, assumir a fraqueza, é o mais difícil. Justificar como comportamento natural da modernidade é o mais seguro. No meio do caminho, Jon se relaciona com a família, os amigos, e com a personagem de Julianne Moore, uma colega de turma, no curso que sua namorada lhe faz estudar. A personagem de Moore, inconveniente de início, se mostrará uma espécie de guru para sua atual situação.

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O filme de Gordon-Levitt é simples e de certa forma ingênuo, mas fala com autoridade e pertinência definidoras de uma geração. O interessante na história confeccionada pelo ator é fazer do protagonista a antítese de um viciado em pornografia, geralmente pessoas solitárias, anti-sociais e incapazes de se relacionarem com outras pessoas. A obra deixa claro que seu protagonista é um herói para os amigos, que o admiram e o invejam. Sua vida simplória faz todo o sentido para eles, e creio para muita gente. O sujeito está completamente satisfeito com sua rotina, até perceber que precisa sair de sua autoimposta caixa. A caricatura de ítalo-americanos que o diretor faz é perfeita.

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Moradores de Nova Jérsei, os chamados “guidos” ficaram conhecidos pelo reality show “Jersey Shore”, que explora justamente o tipo de comportamento retratado por Gordon-Levitt em seu filme. Seu personagem poderia fazer parte do programa inclusive. Os sotaques carregados do protagonista, e de Johansson, são por si só um atrativo. Como Não Perder Essa Mulher traz de volta o astro da TV Tony Danza, o único que não precisou forjar um sotaque, no papel do pai do personagem principal. Joseph Gordon-Levitt desabrochou ultimamente como um dos mais talentosos jovens artistas dentro do cinema de Hollywood, e a direção desse filme é seu próximo grande passo dado.

Festival do Rio 2013: Joe

O INDOMÁVEL

Ele está de volta! Quem julgava morta e enterrada a carreira de Nicholas Kim Coppola, vulgo Nicolas Cage, pode pensar novamente. Um dos mais excêntricos atores de Hollywood, Cage é vencedor do Oscar de melhor ator por Despedida em Las Vegas (1995), e indicado por Adaptação (2002). Desde então sua carreira parece ter despencado e o astro consecutivamente entregou produções, digamos, que deram motivo para ser rechaçado pelos especialistas, como persona non grata do bom cinema. Em sua fase negra encontram-se obras como O Sacrifício (2006), O Vidente (2007), os filmes do herói Motoqueiro Fantasma (2007 e 2012), Reféns (2012), entre outros.

O motivo, dizem as más línguas, foram as dívidas do ator, que o levaram a participar de qualquer produção que lhe era oferecida, simplesmente pelo salário. Existe até um vídeo muito engraçado na internet, onde as escolhas pouco ponderadas do ator viraram motivo de galhofa. Depois da tempestade vem a bonança, e se astros de carreiras tão diferentes quanto Sylvester Stallone e Matthew McConaughey conseguiram se reinventar, porque não o sobrinho do diretor de O Poderoso Chefão. Ainda é cedo para dizer se Cage se elevará da desgraça, mas a certeza é que em Joe o ator dá o primeiro passo.

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No filme, Cage interpreta o personagem título, um errante ex-presidiário, em busca de redenção. Nos primeiros momentos Joe cuida de um negócio ecológico dando emprego para diversas pessoas. Ele é responsável por uma equipe cuja função é matar com veneno árvores consideradas inúteis, para no lugar serem plantadas outras que desempenhem uma função maior no meio ambiente. É assim que ele conhece o menino Gary, vivido pelo talentoso Tye Sheridan (Amor Bandido). O menino é um pobre infeliz preso a uma família regida por um dos personagens mais detestáveis do cinema recente, papel do sem teto na vida real, Gary Poutler. Não é coincidência a extrema veracidade na atuação do sujeito.

Wade (Poutler) está a um passo (curto) da mendicância. Tem mulher e dois filhos, mas vive bêbado pelas ruas. Em alguns momentos exibe traços de uma possível redenção, ao arrumar emprego (provido pelo filho) com Joe, e em cenas de descontração ao lado do filho. Mas no geral, o personagem é capaz de roubar o dinheiro suado do menino, matar, e prostituir a pequena filha. Tais elementos trazem grande revolta ao público em relação ao personagem e ao filme. O protagonista também não é nenhum santo, e vive tendo problemas com a polícia, que se originaram desde cedo. O personagem de Cage, no entanto, está mais além em sua fase redentora.

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O trio principal está bom acima da média. Joe, é dito, traz grandes chances para Nicolas Cage voltar ao radar em época de premiações. Mas a verdadeira surpresa seria se Gary Poulter fosse lembrado por seu desempenho mais do que realístico. A direção do filme é de David Gordon Green, jovem e talentoso cineasta americano, que começou a carreira no cinema independente, com obras elogiadas como George Washington (2000) e All the Real Girls (2003). Em 2008 se embrenhou no cinema mainstream com a comédia maconheira Segurando as Pontas, e desde então entrou numa espiral de declínio com os fiascos de Sua Alteza? (um prazer culposo) e O Babá(ca).

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Joe completa a redenção do diretor também, que marca em 2013 sua volta às boas produções, tendo lançado anteriormente Prince Avalanche, igualmente elogiado. Embora honesto e real, Joe é também mundano, e sem grandes surpresas. Aparenta ser um filme sem foco, onde situações se empilham até seu clímax apressado, que tiram seu realismo e o assemelham a um filme formulaico.  É em seu percurso que a obra apresenta cenas tão estranhas e incomuns, que o tornam impossível de não ser recomendado. São cenas de extrema violência, que se fazem a peculiaridade de Joe.

Fúria de Titãs

(Clash of Titans)

 

Elenco: Sam Worthington, Pete Postlethwaite, Mads Mikkelsen, Gemma Arterton, Alexa Davalos, Ralph Fiennes, Liam Neeson.

Direção: Louis Leterrier

Gênero: Aventura

Duração: 118 min.

Distribuidora: Warner Bros.

Estreia: 21 de Maio de 2010

Sinopse: Em ‘Fúria de Titãs‘, a disputa pelo poder lança os homens contra os reis, e os reis contra os deuses. Mas a guerra em curso entre os deuses já é suficiente para destruir o mundo. Nascido de um deus, porém criado como homem, Perseu (SAM WORTHINGTON) se vê indefeso para salvar a família da aniquilação por Hades (RALPH FIENNES), o vingativo deus do reino dos mortos. Sem nada a perder, Perseu se oferece como voluntário para comandar a perigosa missão de derrotar Hades, antes que este consiga obter poder de Zeus (LIAM NEESON) e instalar o inferno na Terra. Liderando um grupo de guerreiros, Perseus parte numa arriscada jornada nas profundezas dos mundos proibidos. Combatendo demônios cruéis e monstros terríveis, ele somente irá conseguir sobreviver se aceitar seu poder como um deus, desafiar a sorte e criar seu próprio destino.

Curiosidades:
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Refilmagem de ‘Fúria de Titãs‘ (1981).

» A Warner Bros. pegou mania de fazer seus filmes em 2D convencional, e depois convertê-los para o 3D. ‘Fúria de Titãs‘ passará pelo processo e será lançado em 3D. Vale lembrar que a conversão NÃO traz a mesma qualidade de um filme que é planejado e filmado em 3D, como ‘Avatar‘.

» Stephen Norrington (A Liga Extraordinária) chegou a ser escalado para dirigir ‘Fúria de Titãs‘, mas abandonou o projeto.

» O orçamento de ‘Fúria de Titãs‘ foi de US$ 70 milhões.

Festival do Rio 2013: O Mordomo da Casa Branca

FOREST… WHITAKER – O MORDOMO DA HISTÓRIA

Levemente inspirado na vida real de Eugene Allen, O Mordomo da Casa Branca traz o vencedor do Oscar Forest Whitaker em busca de mais uma indicação na pele de Cecil Gaines. O personagem é o mordomo do título. Nascido numa plantação de algodão, o protagonista ainda menino viu seu pai ser assassinado por um homem branco, e sua mãe ficar louca. O elenco da obra é um dos maiores já apresentados, não só nesse ano, mas em qualquer outro. Logo nessa cena inicial da infância do protagonista temos a participação de gente como a veterana Vanessa Redgrave (Anônimos), do novato Alex Pettyfer (Magic Mike), e dos cantores Mariah Carey (Preciosa) e David Banner.

Depois de uma breve educação dada pela senhoria da casa (Redgrave), o protagonista foge, e completa seus ensinamentos em servidão com o primeiro homem a realmente lhe estender a mão, e lhe dar um emprego, papel de Clarence Williams III (O Gângster). Já como um mordomo estabelecido num luxuoso hotel, Cecil é um mestre absoluto em submissão, e dessa forma sustenta a sua família, a esposa vivida pela apresentadora Oprah Winfrey e os dois filhos pequenos. Esse é o primeiro papel de Oprah, uma das mulheres mais poderosas e influentes da América do Norte, que começou a carreira como atriz, em 15 anos.

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Oprah interpreta a problemática mulher do protagonista, que se sente renegada pelo marido em nome do trabalho, mesmo compreendendo que dessa forma ele pode oferecer-lhes uma vida melhor. O protagonista recebe uma ligação para trabalhar na Casa Branca, e por lá fica durante a presidência de muitas importantes figuras da história recente americana. Da década de 1950, com o governo do presidente Dwight D. Einsenhower (vivido pelo ator Robin Williams) até o fim da década de 1980, com o governo Reagan (Alan Rickman, de Um Golpe Perfeito), Cecil Gaines esteve presente observando de perto, e muitas vezes servindo como ombro para confissões.

Dentre o vasto elenco, temos o desfile de presidentes com, além dos citados, John Cusack (Obsessão) como Nixon, James Marsden (Dose Dupla) como Kennedy, e Liev Schreiber (Fading Gigolo) como Lyndon Johnson; Gerald Ford aparece apenas como imagem de arquivo, e Jimmy Carter não é citado. Além do grandioso elenco ser um forte atrativo para O Mordomo da Casa Branca, a estrutura do filme funciona um pouco como a de Forrest Gump, na qual um homem comum passa por alguns dos maiores eventos da história americana recente, muito de perto, participando e interagindo com eles. Mas ao contrário do filme de Robert Zemeckis, essa obra possui um teor mais dramático, amargo, e ao mesmo tempo triunfante.

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O Mordomo da Casa Branca é o novo filme do diretor Lee Daniels, que em 2009 tomou o mundo do cinema de assalto com Preciosa, produção indicada para seis prêmios no Oscar, incluindo melhor filme, e vencedora de dois. Caminho esse que O Mordomo da Casa Branca deve seguir de perto, já que é cotado desde seu lançamento como forte candidato para indicações. Embora manipulativo e como dizem “isca de Oscar”, a nova obra de Daniels consegue superar produções recentes indicadas ao prêmio máximo, como Cavalo de Guerra e Tão Forte e Tão Perto, simplesmente por sua importância histórica e social.

Assim como os últimos filmes do diretor (incluindo Obsessão, que faz parte do Festival do Rio 2013 também), O Mordomo da Casa Branca tem como tema central toda a transformação social que afrodescendentes passaram na América, culminando com a segregação racial da década de 1960, até finalmente Barack Obama tomar posse como o presidente em 2009. Parte desse aspecto é trazido por uma das melhores coisas da obra, o ator David Oyelowo, que interpreta o filho do protagonista, disposto a participar de forma mais ativa para a mudança, e que serve de contraponto perfeito para a submissão de seu pai. Fato que os coloca durante quase uma vida em confronto.

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O Mordomo da Casa Branca pode não ser o melhor filme do ano, mas é um dos mais corretos, e não desaponta. Garantido de agradar a gregos e troianos. Embora tais elogios possam guiar de forma errada algumas pessoas, é seguro dizer que o filme possui muito mais a oferecer além de sua fórmula pouco original. São ideias por trás de um conceito. Pontos de vistas bem formulados e prontos para serem discutidos, por visões de vida diferentes. Com atuações eficientes que são a cereja no topo do bolo. Não é original ou muito criativo, mas serve para ensinar, educar e edificar. Missão de bons filmes também.

Festival do Rio 2013: Behind the Candelabra

 O PIANISTA NO ARMÁRIO

Behind the Candelabra é a nova obra dirigida pelo cultuado Steven Soderbergh (Terapia de Risco), que escancara a intimidade do famoso e extravagante músico Wladziu Valentino Liberace. Anunciado como último projeto na carreira de Soderbergh (conhecido por filmes como Sexo, Mentiras e Videotape, Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento, e Traffic – pelos quais foi indicado ao Oscar, e levou o prêmio pelo último), Behind the Candelabra foi considerado muito inflamatório e gay para receber investimento dos estúdios de cinema de Hollywood. Um produtor confessou ao cineasta que ninguém iria financiar ou assistir ao filme.

Então, a solução do diretor foi concordar em lançar seu novo projeto direto para a TV, produzido pelo canal a cabo HBO. Canais de TV como o citado tem sido a casa de grandes produções, geralmente mais adultas e sérias, que não encontrariam lugar no mercado americano regulado por cifras. Embora exibido nos Estados Unidos direto na TV, o novo filme de Soderbergh teve um lançamento nos cinemas de alguns países da Europa, e agora chega ao Festival do Rio. Behind the Candelabra se tornou um grande sucesso, elogiado pelos especialistas, e ainda ganhou 11 prêmios Emmy, incluindo o de melhor filme feito para a TV, e melhor ator para a performance irretocável do astro Michael Douglas como Liberace.

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Behind the Candelabra teve sua estreia durante o Festival de Cannes em maio, no qual durante a coletiva de imprensa do filme, Douglas se emocionou ao lembrar que a produção do filme sempre será especial para ele, pois ocorreu bem na época que o ator finalmente conseguiu derrotar o seu câncer. Esse é um dos grandes papéis de Douglas no cinema. É muito bom ver um veterano não acomodado em papéis de fácil acesso e desempenho. Douglas foi também a escolha certa para viver Liberace, já que na vida real, seu pai, o icônico Kirk Douglas, foi vizinho do músico. Douglas nunca esteve tão bem quanto na pele do esplendoroso e chamativo músico, que adorava brilhantes e exageros em seus figurinos.

Baseado no livro que serve como as memórias de Scott Thorson, adaptado para o cinema por Richard LaGravenese (Bem Amada, 1998), o filme abre as portas do armário para tirar o falecido músico à força lá de dentro. Não enganando quase ninguém, mesmo na época, sobre sua escolha sexual, Liberace tinha uma grande base de fãs nas mulheres que o adoravam, e acreditavam que o exímio pianista simplesmente ainda não havia encontrado a companheira certa. Um romance fictício com uma personalidade da época era inclusive mantido para todos os efeitos. O que Liberace apreciava verdadeiramente era a companhia do mesmo sexo, e Thorson foi seu mais duradouro companheiro.

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No filme, o sujeito é vivido por Matt Damon (Elysium), em uma atuação igualmente ousada e corajosa. Thorson, de origem humilde, é arrebatado pela personalidade esbanjadora de um artista que nunca passou por altos e baixos em sua carreira. Egocêntrico, em um dos melhores momentos do longa, Liberace paga um cirurgião, vivido de forma impagável por um sumido Rob Lowe (Austin Powers), para tornar seu companheiro uma cópia sua mais jovem. Levado duplamente em tons dramáticos e cômicos, Behind the Candelabra exibe a melhor forma de Soderbergh, um dos melhores diretores americanos dos últimos vinte anos.

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Sem ser extremamente popular, ou conhecido do grande público, Soderbergh tem talento o suficiente para nunca se repetir e conseguir transitar em todo tipo de gênero e narrativa. Se de fato esse for o último filme desse grande diretor, o cinema sairá perdendo. Behind the Candelabra é o tipo de cinebiografia que consegue envolver o público e o jogar dentro de sua trama, fazendo-o participar daquele mundo. Aqui tudo é de primeiro nível, desde a direção de arte, fotografia, maquiagem, e, é claro, atuações. É inclusive curioso ver um dos maiores galãs do cinema das décadas de 1980 e 1990 subvertendo-se nesse papel. Como brincou Damon em Cannes, ele agora tem algo em comum com Glenn Close, Sharon Stone e Demi Moore: já foi pra cama com Douglas.

Festival do Rio 2013: Fading Gigolo

GIGOLÔ POR ACIDENTE

Fading Gigolo, previamente intitulado Gigolô em Decadência no Brasil, chama a atenção por alguns fatores. Primeiro, por ser o primeiro filme em 13 anos a fazer uso do cultuado cineasta Woody Allen (Blue Jasmine) apenas na figura de ator, sem qualquer outro envolvimento maior com a produção. Desde Juntando os Pedaços (2000), do cineasta mexicano Alfonso Arau, que Allen aparece apenas em produções próprias. Fading Gigolo também marca por ser a quinta obra dirigida pelo veterano ator John Turturro, aprendiz e fiel colaborador de cineastas como Spike Lee e os irmãos Coen.

E para finalizar, por seu elenco de apoio, que conta com desde a veterana Sharon Stone (exibindo uma beleza atemporal) até a francesa Vanessa Paradis, ex-mulher do astro Johnny Depp, em seu primeiro filme americano. Na trama, Allen e Turturro são Murray e Fioravante, grandes amigos de décadas. Donos de negócios em uma comunidade judaica de um bairro de Nova York, a sorte da dupla não parece ir bem, quando o personagem de Allen é forçado a fechar sua loja de livros, por falta de clientes. É então, que o astuto sujeito formula um plano nefasto, sem o completo consentimento de seu amigo florista.

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O personagem de Allen menciona o desejo de sua médica, a Dr. Parker (Stone), em ter um caso sexual tórrido e sem compromisso, numa ménage à trois. Allen resolve indicar seu amigo, Turturro, o incentivando o máximo possível. O sujeito aceita, e as coisas funcionam. Logo, a dupla está faturando alto, com todo o tipo de clientela quando a notícia se espalha pelo bairro. Entre as freguesas desse gigolô está a personagem da sexy latina Sofía Vergara (da série Modern Family). No entanto, ao entrar em contado com Avigal, uma viúva judia, interpretada pela exótica e bela Paradis, as coisas começam a descarrilar.

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Escrito e dirigido por Turturro, Fading Gigolo é levado com muito bom gosto, apesar de seu tema picante. Nada ou nenhuma cena passa do ponto do agradável e tolerável, sendo o filme recomendado para todo tipo de público, dentro da sua censura. Aqui, como era de se esperar, a escatologia (mesmo verbal ou sugerida) não tem lugar. Turturro entrega uma comédia sensível, que tira grande parte de seu humor da situação improvável e absurda. A química de Turturro e Allen, que haviam trabalhado juntos brevemente em Hannah e Suas Irmãs (1986), é ótima. Realmente conseguimos acreditar que esses são amigos de uma vida toda. Em uma cena, a dupla cai no riso quando Allen questiona a potência sexual de Turturro.

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Allen exibe os trejeitos usuais de qualquer personagem em um filme seu, embora Murray seja um sujeito mais confiante, ardiloso, e sem a neurose e hipocondria que acompanham geralmente a persona do diretor. Talvez o maior defeito de Fading Gigolo seja o fato de que esse é um filme esquecível e pouco memorável. Do tipo que distrai enquanto estamos assistindo, mas que ao término da sessão não teremos muito o que discutir sobre. É uma obra correta, embora aborde um tema incorreto. Na qual todos os elementos parecem estar no lugar, mas que ao mesmo tempo falta tempero. Justamente o tempero que poderia ser trazido caso Fading Gigolo fizesse uso do roteiro de um de seus astros.

Festival do Rio 2013: Fruitvale Station

CAMINHOS PERIGOSOS

Tido como a melhor obra exibida no Festival de Sundance no início do ano, tendo passado por Cannes, e já estreado nos Estados Unidos, Fruitvale Station chega ao Festival do Rio 2013. Esse é um dos filmes proeminentes de 2013 do cinema independente americano. Na exibição do Festival, a editora do filme, a brasileira Claudia Castello, deu algumas palavras sobre a importância da produção. Claudia está acompanhando de perto as manifestações no Rio de Janeiro, e as documentando, já que existe grande semelhança entre a brutalidade policial em nossa cidade, com a apresentada na produção americana.

Baseado em fatos reais, o filme conta a história do errante Oscar Grant, vivido de forma arrebatadora pelo novato Michael B. Jordan (Poder Sem Limites). Ele é um jovem de 22 anos, com mulher e filha pequena, recém-saído da cadeia por tráfico de drogas. Decidido a recomeçar sua vida, o protagonista arruma emprego num supermercado. Porém, numa maré de azar perde o trabalho, e agora precisa saber o que fará, já que necessita do dinheiro. O momento decisório, no entanto, é a fatídica noite de réveillon de 2008, quando Oscar, sua esposa e amigos pegam o metrô para assistirem a queima de fogos da virada.

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As imagens do trágico ocorrido foram registradas por diversas pessoas em seus celulares na época, e os vídeos estão disponíveis para serem assistidos. O caso chocou os Estados Unidos, e a cena que abre Fruitvale Station é justamente uma imagem real capturada por um espectador da situação. Produzido por Forest Whitaker (um dos fortes nomes desse ano por O Mordomo da Casa Branca) e por Octavia Spencer (vencedora do Oscar por Histórias Cruzadas), que também participa do filme como a mãe do protagonista, Fruitvale Station tem na direção o jovem de 27 anos, Ryan Coogler. Estreando na direção de longas-metragens, Coogler realiza um trabalho primoroso, de um verdadeiro veterano.

Também assinando o roteiro, Coogler cria uma história honesta, recheada de momentos emocionantes que funcionam perfeitamente. Sua direção faz uso de uma narrativa dinâmica que consegue traduzir em apenas 85 minutos de projeção a vida de personagens de forma mais satisfatória do que muitos blockbusters de mais de duas horas. O diretor entrega um filme, com um baixo orçamento, que vem encantando o público por onde é exibido, e já gera expectativa para a época de premiações, sendo comparado a Indomável Sonhadora. A obra funciona como uma montanha russa, cria a tensão necessária para o seu ápice congelante, que sabemos que ocorrerá em breve, assim que adentramos o filme.

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No percurso, o cineasta iniciante constrói com a ajuda de seus atores, alguns dos personagens mais críveis e realísticos do ano. De fácil identificação, somos capturados e cativados pela história logo nos primeiros momentos, o que torna o seu clímax um tanto quanto mais impactante. Os atores são um caso a parte, e merecem todo o reconhecimento. Michael B. Jordan merece ser lembrado em época de premiações. O ator desempenha um personagem conflituoso em busca de redenção, de forma extremamente satisfatória. Meu outro destaque vai para Melonie Diaz (Rebobine, Por Favor), que interpreta a esposa de Oscar, Sophina.

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Filmes como Fruitvale Station criam uma estética de imagem mais realística, e um clima mais intimista, que de certa forma o aproxima de uma veracidade maior. Parecemos realmente estar assistindo a uma fatia da vida, e não a um filme. Sem uma grande estrutura montada por trás, e com a câmera mais próxima dos atores, a coisa fica mais pessoal. Isso acaba permitindo com que os atores trabalhem de forma mais honesta, já que o cenário é montado para que se sintam mais à vontade para se abrirem, como num documentário. E esse é o clima perfeito para se criar um dos melhores e mais reflexivos filmes de 2013.

Alice no País das Maravilhas

(Alice in Wonderland)

 

Elenco: Johnny Depp, Anne Hathaway, Michael Sheen, Alan Rickman, Mia WasikowskaHelena Bonham Carter, Stephen Fry, Crispin Glover, Christopher Lee, Timothy Spall.

Direção: Tim Burton

Gênero: Aventura

Duração: 109 min.

Distribuidora: Disney

Estreia: 21 de Abril de 2010.

Sinopse:

Diferente da história já conhecida, dessa vez Alice (Mia Wasikowska), ao 17 anos, vai a uma festa vitoriana e descobre que está prestes a ser pedida em casamento perante centenas de socialites. Ela então foge, seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou há dez anos mas não se lembrava. Lá conhece personagens como os irmãos gêmeos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, o Gato Risonho, a Lagarta, toma chá com a Lebre Maluca e o Chapeleiro Louco e participa de um jogo de cricket com a Rainha de Copas.

Curiosidades:

» A atriz australiana Mia Wasikowska vive Alice. Mia é conhecida por atuar no drama ‘Em Terapia‘, exibido na HBO.

» Amanda Seyfried (‘Garota Infernal’), Dakota Blue Richards (‘A Bússola de Ouro’) e Lindsay Lohan (‘Meninas Malvadas’) fizeram testes para viver Alice.

» O diretor Tim Burton e o ator Johnny Depp voltam a trabalhar juntos. Os dois já colaboraram em Edward Mãos de Tesoura, Ed Wood, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, A Fantástica Fábrica de Chocolate, A Noiva Cadáver e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet.

» Baseado na obra de Lewis Carroll.

Mato sem Cachorro

(Mato sem Cachorro)

 

Elenco:

Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Leandra Leal, Dusty Duffy, Gabriela Duarte e Bruno Gagliasso.

Direção: Pedro Amorim

Gênero: Comédia

Duração: 101 min.

Distribuidora: Imagem Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 4 de Outubro de 2013

Sinopse:

Deco (Bruno Gagliasso) e Zoé (Leandra Leal) se conheceram quando ele quase atropelou Guto, um cachorro que desmaia toda vez que fica animado. Mas depois de um relacionamento de dois anos, Deco leva um pé na bunda de Zoé, que fica com Guto e de sobre arruma um novo namorado. Deco, revoltado, tentará tomar as rédeas da situação e com a ajuda do primo Leléo (Danilo Gentili) pegar seu cachorro de volta.

Curiosidades:

» Pedro Amorim dirige, à partir de um roteiro escrito por Vitor Leite e André Pereira.

Trailer:


Cartazes:


Fotos:

Metallica: Through the Never

(Metallica: Through the Never)

 

Elenco:

Dane DeHaan, Dennis Jay Funny, James Hetfield, Jeremy Raymond, Kirk Hammett, Lars Ulrich, Mackenzie Gray, Robert Trujillo, Toby Hargrave.

Direção: Nimród Antal

Gênero: Ação / Musical

Duração: 92 min.

Distribuidora: H2O Films

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 04 de Outubro de 2013

Sinopse:

“Metallica: Through the never” conta a história de Trip, um jovem roadie do Metallica, incumbido de resolver um assunto urgente durante show da banda americana. Mas o que parece uma simples tarefa se transforma em uma aventura surreal. Entre músicas e efeitos de pirotecnia no palco, Trip se vê no meio de uma guerra entre policiais e civis.

Curiosidades:

» Dirigido por Nimrod Antal, de “Predadores”, e estrelado pelos músicos da banda e pelo ator Dane DeHaan (de “Poder sem limites”), o longa combina rock e ficção.

Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

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Festival do Rio 2013: Blue Jasmine

O DECLÍNIO DO IMPÉRIO AMERICANO

Com quase 50 filmes dirigidos no currículo, e já embarcando num próximo projeto para 2014, filme ainda sem título já em fase de pós-produção, com Emma Stone e Colin Firth no elenco, Woody Allen é um tesouro mundial da sétima arte. O lendário cineasta de 77 anos bate ponto todo ano, entregando uma nova obra. Seus fãs se acendem a cada lançamento. Seus detratores o acusam de se repetir. Quem conhece seus filmes de perto sabe que Allen, assim como todo diretor autoral, usa os mesmos elementos repetidas vezes, afinal tudo sai da mente da mesma pessoa. E para Allen, um trabalhador constante, não se repetir momentaneamente se torna ainda mais difícil.

No entanto, mesmo os autointitulados não fãs do diretor, mas sim da sétima arte, reconhecem como primorosos seus trabalhos em obras como Match Point, Vicky Cristina Barcelona e Meia Noite em Paris, isso só para citar os dos últimos anos (particularmente ainda incluiria Tudo Pode dar Certo). E é com muita alegria que digo que Blue Jasmine, o novo filme do diretor, se encaixa ao lado dessas obras celebradas, num top 5 dos últimos anos, e quem sabe no top 10 de toda a carreira do diretor. Blue Jasmine é sem dúvidas um dos trabalhos inspirados do diretor, desses que conseguem destaque entre produções menores como Para Roma, Com Amor, O Sonho de Cassandra e Melinda & Melinda.

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Mesmo fazendo uso de muitas cenas de humor, Blue Jasmine é em seu núcleo um forte drama estarrecedor, que remete a Interiores (seu primeiro drama, e um de meus favoritos em sua filmografia). A ótima Cate Blanchett vive a personagem título, uma mulher que nunca se preocupou em ser nada na vida, além da rica esposa de um magnata, vivido por Alec Baldwin (Rock of Ages – O Filme), e usufruir da boa vida por ele dada. A dondoca de Manhattan sofre um grande golpe do destino, quando o governo confisca todos os bens ilegais de seu marido, fazendo assim com que a protagonista seja forçada a procurar abrigo na casa da irmã, vivida pela britânica Sally Hawkins (Simplesmente Feliz).

Ginger (Hawkins) é caixa de um supermercado, vive em San Francisco, e parece feliz com sua vida, divorciada, com dois filhos pequenos para criar, e se metendo em relacionamentos consecutivos com perdedores de pouca aspiração. Apesar de Hawkins ser uma boa atriz, aqui além do sotaque, ela força também a atuação. O mesmo não acontece com Blanchett, exibindo a maior beleza física de sua carreira, a atriz de 44 anos a equipara como uma performance primorosa. Será verdadeiramente uma grande decepção se Blanchett não for indicada ao Oscar, coisa que não deve deixar de acontecer. Jasmine, ou Jeanette, é uma das melhores personagens já personificadas pela atriz.

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Deixe para um gênio criar uma história, e personagens, tão estimulante e devastadora. A narrativa acontece com flashbacks intercalando o tempo presente, dessa forma vamos catando as informações deixadas por Allen, e as montando em nossas cabeças. O talentoso veterano vai revelando aos poucos toda intrincada trama, a personalidade de nossa heroína, e tudo o que ela é capaz. Quando achamos que já recebemos todas as informações, Allen cria o gran finale com a última reviravolta. Esse não é o típico filme acolhedor e simpático do diretor, é uma tragédia, recheada de momentos chocantes, como seu desfecho pra lá de impactante.

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Aqui ainda temos espaço para as eficientes participações de Andrew Dice Clay (figuraça da década de 1980 e 1990) no papel do primeiro marido de Hawkins, Peter Sarsgaard (Lovelace), do comediante Louis C.K. (da série Louie), e principalmente de Bobby Cannavale (O Agente da Estação), o segundo melhor em cena depois de Blanchett, no papel do noivo atual da personagem de Hawkins. Ele é um sujeito truculento e sem sofisticação alguma, que serve de contraponto perfeito para a protagonista, e forte colaborador para a sua ruína. Não faltam elogios para Blue Jasmine, um filme no qual somos convidados a assistir um desastre de trem que está prestes a acontecer, mas que não conseguimos desviar o olhar.

Festival do Rio 2013: The Zero Theorem

A REDE ANTI-SOCIAL

De todos os filmes loucos do diretor Terry Gilliam (O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus), The Zero Theorem pode muito bem ser considerado o mais louco de todos. Gilliam começou a carreira como parte da trupe britânica do Monty Python, e chegou inclusive a dirigir Em Busca do Cálice Sagrado (1975) e parte de O Sentido da Vida (1983), filmes do grupo. O diretor se tornou também o talento mais proeminente dos amigos de Python, atrás das câmeras. Em seu currículo estão obras cultuadas como Brazil – O Filme, Os Doze Macacos e Medo e Delírio. Estreando no Festival de Veneza, o novo trabalho de Gilliam chega ao Festival do Rio 2013, sem passar por muitos lugares antes.

Na trama, passada no futuro, temos o protagonista vivido por Christoph Waltz (vencedor do Oscar passado por Django Livre), um sujeito recluso, que mora numa igreja abandonada. Ele trabalha para uma grande empresa, como uma espécie de analista. Sua função é conseguir achar o tal teorema zero do título, para isso o protagonista passa os seus dias alinhando fórmulas matemáticas em seu computador, no trabalho e em casa. Para operar o programa o personagem usa um joystick de vídeo game (um dos adereços que parecem deslocados e forçados dentro da direção de arte do filme).

O visual chamativo e fantástico é uma das marcas registradas do diretor, e seu futuro distópico e totalitário, de filmes como Doze Macacos e Brazil, marca presença aqui também. De todos os filmes do cineasta, Zero Theorem mais se assemelha ao citado Brazil – O Filme, que trazia o homem comum, burocrata de plantão, vivido por Jonathan Pryce (G.I. Joe 2 – Retaliação), envolvido na teia do sistema de um mundo no qual não achava que pertencia. O mesmo ocorre com Qohen Leth (Waltz). Mas enquanto Pryce era um apático sujeito ordinário, Waltz é por si só tão desequilibrado e excêntrico quanto o seu admirável mundo novo.

O sujeito sem nenhum pelo no corpo, o que inclui cabelo e sobrancelha, acredita que está morrendo, sem nenhum motivo aparente. Ele vive esperando por uma ligação que irá revelar seu verdadeiro propósito no mundo, além de sempre se referir a si mesmo no plural. Todas essas esquisitices em sua personalidade soam como artifício não genuíno, já que são esquecidas durante o percurso, como uma ideia abandonada. O protagonista possui um chefe inconveniente, vivido por David Thewlis (Red 2), que cisma de trocar seu nome, e insistir em uma socialização chamando-o para festas e jantares. Leth também conhece uma prostituta interpretada pela francesa Mélanie Thierry (Missão Babilônia), o brilho da obra.

Matt Damon (Terra Prometida) aparece de cabelos brancos como uma figura oracular, dono da grande empresa para a qual o protagonista trabalha. Zero Theorem, além de todas as entrelinhas filosóficas colocadas por Gilliam para serem esmiuçadas pelos interessados, fala sobre o distanciamento e anti-socialização real providos pela modernidade e informatização. Um tema um tanto quanto passado, aqui retratado de forma inusitada, visual, e como de costume, alucinógena pelo diretor. O que o novo trabalho de Gilliam carece em relação aos seus outros projetos futuristas caóticos é a diversão, e um senso de entretenimento.

A melancolia está lá. E tudo o que diz respeito ao medo de seu próprio mundo. No entanto, os poucos momentos de descontração são incluídos apenas com a presença de Thierry, que demonstra muito talento e aptidão para encarar tudo o que Gilliam joga em direção a ela. A jovem de 32 anos se revela à altura do desafio desse tour de force. Já o protagonista Waltz parece, na maioria de suas cenas, desconfortável e perdido. É como se, assim como alguns trejeitos característicos de seu personagem, o ator tivesse perdido a empolgação pelo trabalho durante o percurso da produção.

Aposta Máxima (2)

QUEBRANDO A BANCA VIRTUAL

Aposta Máxima (Runner, Runner no original) é um suspense relativamente interessante, que mesmo sem ter sido esse o seu propósito de existir inicialmente, após o resultado soa como um produto para capitalizar em cima do potencial do músico (e agora ator) Justin Timberlake (O Preço do Amanhã) como protagonista. No filme, o astro pop vive Richie Furst, um jovem apostador virtual buscando lucrar um pouquinho. Ao ser trapaceado num site, o sujeito resolve ir reclamar pessoalmente com o dono da empresa, Ivan Block, personagem do ator, e agora diretor de mão cheia, Ben Affleck (Argo).

O empresário e aspirante a magnata vê no protagonista potencial, e resolve alistá-lo como funcionário, e eventualmente seu braço direito nos negócios. O que o personagem principal não contava, é que nesse ramo as coisas não parecem o que são, e mais de uma vez sua vida correrá risco. Desde agentes do FBI fechando o cerco até corruptos surrando-o, o personagem de Timberlake percebe que definitivamente esse não é um emprego de nove as cinco. Por essa premissa já podemos perceber que Aposta Máxima não é das produções mais originais, e remete desde A Firma (1993), até filmes mais recentes como Quebrando a Banca (2008).

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Aposta Máxima não é um filme ruim. Entretém e diverte enquanto você está assistindo, e com apenas 91 minutos de exibição, não chega a incomodar nem um pouco. O grande problema é que a obra é o que o grande crítico Roger Ebert chamava de chiclete para o cérebro, uma vez que seu gosto tenha passado, realmente não conseguimos lembrar uma cena sequer. Esse é um filme extremamente genérico e esquecível. Não existe um único momento de grande diferencial para as inúmeras outras obras semelhantes e ela. Nada aqui gruda. Embora Affleck (em especial, vivendo seu primeiro vilão) e Timbelake estejam bem em cena, todo o resto não os ajuda muito.

A britânica Gemma Arterton (João e Maria – Caçadores de Bruxas), a terceira em destaque na trama, personifica a síndrome do belo objeto de cena, um dos clichês mais irritantes de produções hollywoodianas desse tipo, nas quais belas mulheres servem apenas para viver romances descartáveis com os protagonistas, parecerem lindas, e mais nada. Se até mesmo James Bond já deu espaço para suas coadjuvantes brilharem em sua nova fase, vide Cassino Royale. Personagens assim são um grande retrocesso para atrizes. Fato que chama a atenção negativamente para o roteiro da dupla Brian Koppelman e David Levien (Cartas na Mesa, O Júri e Confissões de uma Garota de Programa).

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Fora isso, um momento chave na trama não bate. A cena envolve um grande investidor, que Affleck e Timberlake desejam chantagear para que trabalhe com eles. O sujeito é um notório mulherengo, mas casado. E com um plano digno da mente mais infantil, o sujeito é levado ao mar num iate ao lado de beldades treinadas para seduzi-lo. Ao cair em tentação, chegam as fotos do ocorrido, com os papéis para que o sujeito irredutível faça o acordo. Simples não? Aposta Máxima é dirigido pelo jovem Brad Furman, cujo trabalho anterior foi o vastamente superior O Poder e a Lei (2011), com Matthew McConaughey.

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A produção é de Leonardo DiCaprio, um astro que não se envolve em qualquer tipo de projeto. Por todos esses nomes, esperava-se que Aposta Máxima fosse muito mais afiado, inteligente e diferenciado. O resultado final soa como uma obra passageira e despretensiosa, dessas que não recomendamos de verdade aos amigos. Justin Timberlake veio ao Brasil para o Rock in Rio, e em sua passagem por terras cariocas tirou tempo para promover o filme, e louvar cineastas como David Fincher e os irmãos Coen. No fundo Timberlake entende as regras do jogo, e sabe que infelizmente nem só de cineastas desse porte vive um ator.