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Crítica | ‘Kaira e o Temporal’ – Um obra repleta de simbolismos e criatividade [Festival Cinemato 2026]

Rotinas controladas, forças rebeldes, última esperança. Se pensarmos rapidamente, parece até que estamos falando de Star Wars, né? Mas garanto que não: trata-se de um curta-metragem brasileiro repleto de simbolismos e criatividade.

Exibido no penúltimo dia da 12ª Mostra de Cinema de Gostoso e selecionado para o Festival Cinemato 2026. Kaira e o Temporal, obra cearense dirigida por Wagner Nogueira Mendes, nos surpreende a todo momento – inclusive com a inserção de uma animação dentro de sua distopia, que funciona como a cereja do bolo ao criar paralelos com temas atuais e relevantes.

Na inventiva trama, acompanhamos uma jovem menina com o poder de usar o tempo a seu favor para resgatar memórias, em um futuro onde uma metrópole opressiva controla as ações e os movimentos da população que restou. Buscando entender esse mundo cheio de portas fechadas, ela encontra no passado uma forma de enxergar o futuro.

E, olha, esse ótimo roteiro não poderia encontrar uma melhor maneira de contar essa história. Nessa narrativa repleta de referências culturais – incluindo algumas citações em versos rimados e métricos (cordel) – a animação complementar faz muito sentido, assim como os personagens que buscam soluções carregados de significados, levando o público nessa jornada inquietante para conhecer a história de uma das cidades brasileiras de identidade cultural mais marcante.

Sempre muito bom se deparar com novos cineastas trazendo um frescor criativo para a linguagem, sem medo de arriscar e conduzindo o público para um registro importante, social, efetivo, que pulsa em nossos corações.

10 Filmes que nos fazem refletir sobre temas RELIGIOSOS…

Falar sobre religião em forma de filme sempre é um labirinto de argumentos e também de interpretações por parte do público. Tem filme que conseguem levantar amplas questões sobre o tema buscando recortes que podemos ver facilmente em nossa sociedade. Para quems e interessa sobre o tema religioso embutido em muitas histórias que chegam no cinema todo ano, segue abaixo 10 filmes que nos fazem refletir sobre temas religiosos:

 

Kardec

Na trama, conhecemos o professor Leon (Leonardo Medeiros), um educador de uma prestigiada escola francesa que após perder a paciência pela interferência em sua método de ensino, acaba sendo chamado a conhecer uma nova maneira de enxergar o mundo através de reuniões quase que escondidas onde outros, de outros planos, fazem contato através de outras pessoas. Impactado e no início totalmente descrente do que é aquilo que vivencia nessas reuniões, acaba sendo convencido a ser um dos porta vozes através de textos impactante de pessoas que não estão mais em nosso plano.  Lutando bravamente contra a força contrária da igreja católica e contra a absurda censura a liberdade de expressão, agora já conhecido como Kardec, leva o que escuta para olhos de todo o mundo.

 

A Médium

Tradições, cultura, espiritismo e os conflitos de uma família. Ambientada em uma Tailândia nos tempos atuais, dirigido pelo cineasta tailandês Banjong Pisanthanakun o mesmo do longa-metragem Espíritos – A Morte está ao Seu Lado, A Médium aborda a possessão e o medianismo além dos inúmeros conflitos de uma família que mora em uma vilarejo chamado Isan, na região nordeste da Tailândia. O medo aliado ao desespero se tornam uma só variável, constantes, dentro de um complexo drama existencial familiar movido à espíritos e toda a construção religiosa aos olhos dos moradores locais.

 

Os Olhos de Tammy Faye

Os intensos bastidores do caótico colapso de um império midiático e cristão. Com direção assinada por Michael Showalter, chegou com exclusividade no streaming da Star+ (sem nem ao menos ter dado presença em alguma sala de cinema pelo Brasil) o filme que mostra a polêmica trajetória de Tammy Faye e seu marido Jim que durante as décadas de 70 e 80 dominaram uma grande parte da audiência da televisão norte-americana sendo chamados de televangelistas. O roteiro, baseado em um documentário homônimo, dirigido pela dupla Fenton Bailey e Randy Barbato, lançado no ano 2000, navega pelo olhar da protagonista para os fatores que levaram esse reinado na televisão às ruínas de uma vida apenas comum.

 

Hala

Na trama, conhecemos Hala (Geraldine Viswanathan), uma jovem que está terminando o ensino médio norte-americano. Aluna exemplar, adoradora do Skate, é descendente de paquistaneses, da cidade mais populosa desse país Karachi, mas hoje mora nos Estados Unidos com a rígida mãe Eram (Purbi Joshi) e o pai, o advogado Zahid (Azad Khan). Ela está em uma fase de enfrentar um conflito iminente sobre deixar de lá certas rigidez de sua religião, um desses subtópicos chega quando percebe estar apaixonada por um colega de classe Jesse (Jack Kilmer). Mas o que ela não esperava é que seu pai guardava um segredo e isso a fará repensar ou até mesmo ter coragem de buscar a liberdade que sempre quis.

 

Açucena

Na trama, conhecemos várias pessoas que estão se mobilizando, cada um com uma função, para uma festa de uma senhora de quase 70 anos que todo ano comemora como se fosse sua festa de sete anos. Mobiliza amigos, família, vizinhança. Nos diálogos não conseguimos muitas informações, os personagens reais passam e repassam pela câmera sem dizer muito sobre. Um ponto interessante é que não sabemos onde está Açucena, o que já nos leva a pensamentos voltados a um campo espiritual, religioso. Será que ela existe? Onde ela está?

 

Soul

Na trama, conhecemos Joe, um músico e professor de música no colégio, um homem solitário que tem a paixão pela música e mais especificamente o Jazz como motores de sua felicidade. Certo dia, consegue a grande chance de sua vida e tocar em um quarteto de uma grande diva do Jazz. Só que Joe acaba sofrendo um acidente e acaba indo parar em uma espécie de pré-paraíso, um mundo das almas, onde conhece 22, uma alma descrente sobre a vida. Enquanto seu corpo está respirando por aparelhos no hospital, Joe e 22 embarcarão em uma aventura para tentar levar Joe de volta a seu corpo e também fazer com que 22 muda suas ideias pré conceituais do mundo.

 

O Jovem Ahmed

Na trama, conhecemos o jovem e bastante recluso Ahmed (Idir Ben Addi) um jovem de menos de 15 anos que vive com sua família na Bélgica e respeita as tradições de sua religião muçulmana. A questão do filme chega na questão das interpretações da religião que escolheu, fruto de preenchimento conservadores de um primo extremista o que o faz entrar em conflito com sua mãe e principalmente sua professora.

 

O Casamento de May

Na trama, conhecemos a belíssima May (Cherien Dabis, que também assina a direção), uma escritora que não escreve faz um tempo e chega em Amã, na Jordânia, onde nasceu e foi criada, para casar com o professor palestino Ziad. Chegando lá, precisa encarar a imaturidade de suas irmãs, a mãe católica que não aprova o casamento de May com um muçulmano e o distante pai que resolve se tornar presente.

 

Benedetta

Na trama, conhecemos parte da trajetória da irmã Benedetta (Virginie Efira), uma jovem que desde criança foi levada para o convento por seus pais e assim servindo a cristo desde esse momento. Ela cresce e seus conflitos com sua forte necessidade da fé viram algo intenso, o que causa choques com a líder das freiras, Felicita (Charlotte Rampling). Certo dia, chega ao convento outra jovem, Bartolomea (Daphne Patakia) por quem Benedetta acaba se envolvendo profundamente.

 

O Céu é de Verdade

Na trama, acompanhamos a história do Pastor Todd Burpo (interpretado de maneira inspirada pelo ótimo ator Greg Kinnear), um trabalhador, pai de família que ministra cultos em uma pequena igreja no interior dos Estados Unidos. Certo dia, após o seu filho ser operado e salvo na mesa de cirurgia, recebe confissões desse mesmo filho dizendo que foi no céu e voltou durante a cirurgia. Sem saber o que fazer, se acredita ou não nos relatos e revelações do filho, Todd embarca em uma viagem emocionante em busca da renovação de sua fé.

Crítica | ‘Belo Ouro’ – O garimpeiro que queria ser Midas [Festival Cinemato 2026]

O garimpo ilegal é algo, infelizmente, muito comum em muitas regiões de nosso país, um ato criminoso que ajuda a manter um ciclo nocivo de contaminação e destruição, afetando, inclusive, muitas comunidades indígenas.

Trazendo esse importante tema para debate, através de um personagem ganancioso e desesperado que, na solidão das marcas do seu passado de inconsequências, é seduzido e corrompido pela ilusão do que ouro pode lhe entregar, o curta-metragem mato-grossense Belo Ouro apresenta seu recorte sobre um problema social importante por meio do marasmo de um sofrimento sem respiro.

Crítica | ‘Memórias Com Vista para o Mar’ – Uma linda aquarela de imagens e memórias [Festival Cinemato 2026]

José (Genival Soares) é um senhor de idade, ex-trabalhador de uma mineradora, que frequentemente é caçoado pela cidade onde mora. Um dia, percorrendo as águas cristalinas de um território indígena, percebe que seu corpo começa a se transformar em ouro. Sem pensar duas vezes, mesmo sendo avisado por uma entidade protetora daquelas terras (Igor Pedroso), busca lucrar com o próprio corpo, até enfrentar as consequências desse ato.

Buscando paralelos também na mitologia grega, em uma história que conversa com as inconsequências do Rei Midas, percorremos uma espécie de conto brasileiro, cujo conflito se abre em reflexões dentro de um universo imaginado que encontra certezas em muitas realidades.

Muito bem filmado, com poucas, mas eficientes, ações inventivas avançando pelas infinidades da linguagem, a narrativa acerta ao desfilar sua mensagem de forma direta. A obra não perde tempo e avança sobre a ilusão das mudanças ao se corromper a qualquer custo, sem esquecer de pelas entrelinhas, expor um grave problema social. Belo Ouro, escrito e dirigido por Pither Lopes, foi um dos ótimos curtas exibidos no Festival Cinemato 2026.

 

10 Filmes sobre GRAVIDEZ

A gravidez é um momento único na vida de toda mulher. Essa emblemática passagem já fora retratada de diversas maneiras no universo do cinema. Pensando muito sobre o tema, resolvi escrever sobre alguns filmes que giram em torno desse momento tão importante da vida. Abaixo, 10 filmes sobre gravidez:

 

Mar de Dentro

Na trama, conhecemos Manuela (Monica Iozzi), uma mulher independente, dedicada à carreira como diretora de criação de uma empresa, que se aproxima cada vez mais de Beto (Rafael Losso) um colega de trabalho. Certo dia, descobre que está grávida. Entre dúvidas e medos, dá andamento à gravidez sempre com o apoio do pai da criança e tendo poucos amigos, de mais próxima somente sua irmã Tetê (Gilda Nomacce). Mas uma tragédia coloca todas as questões de seu atual momento em grande conflito.

 

Hava, Maryam, Ayesha

Na trama, conhecemos três mulheres de faixas etárias diferentes e que vivem situações familiares complicadas. Hava (Arezoo Ariapoor) é casada, está grávida do primeiro filho, cuida da sogra e do sogro, vive com o marido machista, acomodado. Infeliz, se abraça na sua fé esperando dias melhores. Algo desperta dentro de sua razão quando o marido, em uma noite de farra com os amigos, não a leva ao hospital. Maryam (Fereshta Afshar) é uma mulher forte e decidida. Jornalista, apresentadora de telejornal, uma das poucas mulheres que falam inglês na emissora que trabalha. Está passando por momentos difíceis no campo emocional após o recente término com o ex, um homem que a traia frequentemente dentro dos sete anos de união deles. Buscando forças dentro dessa parte triste de sua vida, acaba descobrindo que está grávida. Ayesha (Hasiba Ebrahimi), a mais velha de cinco irmãos, está com o casamento arranjado com o primo, sem poder escolher seu pretendente. Ela está grávida de um ex-namorado que a abandonou quando soube da possibilidade da gravidez, busca a ajuda de uma amiga e assim conseguir dinheiro para realizar um aborto antes de se casar.

 

Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre

Na trama, conhecemos Autumn (Sidney Flanigan), uma jovem introspectiva de 17 anos que trabalha como caixa de supermercado enquanto termina a escola e que está passando por uma situação complicada e difícil, se sentindo sozinha, muito por medo de contar à família, medo das reações dos que giram ao seu redor. Buscando entender melhor a situação que vive, vai em busca de soluções que acha as que tem que tomar, ouvindo especialistas em clínicas femininas. Como mora no interior dos EUA, resolve embarcar em uma viagem para Nova Iorque, junto com sua prima e única confidente Skylar (Talia Ryder) para tomar decisões complicadas e tentar seguir em frente com sua vida.

 

As Boas Maneiras

Ana (Marjorie Estiano) e Clara (Isabel Zuaa), dois universos que se encontram. Ana, cheia de dívidas, devendo o condomínio, cartões de créditos sem limites, brigada com a família, vive uma gravidez solitária, com noites difíceis de dormir, adepta do sertanejo dance como forma de ginástica, encontra em Clara uma amiga, uma companheira, para ajudá-la na fase final de sua gestação. Clara é uma trabalhadora brasileira que consegue um emprego na casa de Ana e aos poucos acaba se envolvendo de maneira intensa com ela, principalmente após descobrir segredos ligados ao sonambulismo e as noites de lua cheia. O mundo praticamente se fecha para as duas, e uma vai precisar da outra para combater qualquer tipo de obstáculo.

 

Stupid Young Heart

Hölmö nuori sydän, no original, conta a história de Lenni (Jere Ristseppä) e Kiira (Rosa Honkonen) um casal de jovens que com pouco tempo de um quase relacionamento precisam enfrentar as dificuldades e desafios de uma gravidez. Com movimentos maduros de ritmos completamente diferente, o primeiro acaba muito confuso, com péssimas amizades e busca conhecer um mundo que não conhece mostrando ser influenciado ao extremo por extremistas preconceituosos. A segunda precisa encarar tudo de forma corajosa, sendo duas forças segurando as batalhas que enfrenta durante a gravidez.

 

De Coração Aberto

A trama, baseada na obra de Mathias Énard, gira em torno de um casal de meia idade que são cirurgiões do departamento de transplantes de um prestigiado hospital público de Paris. Esse homem e essa mulher são casados e vivem intensamente a relação, dentro e fora do hospital. Certo dia, uma gravidez inesperada vira um estopim para mudanças drásticas nesse relacionamento que tende ao doentio por conta da violência e intensidade provocadas principalmente pelo rapaz, viciado em álcool.

 

Notre Dame

Na trama, conhecemos a arquiteta Maud (Valérie Donzelli), mãe de dois filhos no início da adolescência que é separada (ou não) do ex-marido, o faz nada Martial (Thomas Scimeca). Quando, de maneira bastante inusitada, acaba ganhando um concurso para renovação estética do pátio diante da catedral de Notre-Dame sua vida vira uma loucura maior ainda e precisará lidar com um gigante orçamento, as intervenções de seu chefe, o reaparecimento de um antigo amor do passado, uma gravidez inesperada e escolhas que precisarão serem tomadas.

 

A Filha do Pai

A trama, que tem o roteiro baseado em um livro de Marcel Pagnol, conta a história de Patricia, filha do poceiro Pascal que engravida do jovem piloto de avião Jacques Mazel, que desaparece dias depois, pois, seu avião fora abatido na guerra. Após saber da notícia da gravidez, Patricia é expulsa de casa pelo pai e seus sogros se recusam a reconhecer a criança. Após alguns meses, alguns reencontros e tentativas de perdão tomaram conta do filme até o seu desfecho muito bonito.

 

Mães Paralelas

Na trama, conhecemos Janis (Penélope Cruz, indicada ao Oscar por essa atuação), uma renomada fotógrafa que acaba se envolvendo com Arturo (Israel Elejalde), o responsável de uma operação para encontrar os corpos de pessoas que lutaram contra a ditadura de Franco anos atrás e nunca foram achados. Janis engravida mas de comum acordo com Arturo resolve ser mãe solteira. Chegando perto do nascimento da criança, a protagonista fica no mesmo quarto que a jovem Ana (Milena Smit) e ambas tem suas respectivas filhas no mesmo dia. O tempo passa e Janis começa a perceber que talvez algo estranho possa ter acontecido na maternidade, em paralelo a isso se aproxima ainda mais de Ana que precisa amadurecer muito rápido por conta de alguns acontecimentos.

 

Guaraní

Na trama, conhecemos Atilio (Emilio Barreto), um barqueiro que vive de maneira bastante humilde junto de sua família repleto de mulheres. Sua vida é o rio, em sua profissão já viu de tudo dentro de toda água que já navegou. Seu contato mais próximo mas mesmo assim não tão amistoso é com sua neta Iara (Jazmin Bogarin) com quem passa longas horas ao longo dos dias após a jovem voltar da escola, já que é ela que o ajuda nas travessias pelo rio levando produtos de um lado para o outro. Atilio sempre quis ter um neto homem para passar tudo que aprendeu sobre sua cultura Guaraní mas só mulheres nascem em sua família. Mas a vida pacata de avô e neta mudam quando a mãe de Iara, que mora na Argentina, envia uma carta dizendo que está grávida de um menino. Assim, a dupla parte rumo rios a dentro em uma viagem rumo a Argentina para convencer a mãe de Iara a criar a nova criança no Paraguai com as tradições guaranis.

 

Ainda chateado com a Noruega? Esses 10 filmaços valem todo nosso perdão!

A seleção brasileira de futebol masculino foi eliminada na copa do mundo 2026 pela equipe norueguesa. Um fato que, até agora, deixa todos nós amantes do futebol desolados. Mas esse país, sem grande tradição no futebol, brilha quando o assunto é sétima arte, trazendo, ao longo dos anos, obras impactantes que provocam muitas reflexões. Para você que quer conhecer um pouco da filmografia deles, separamos abaixo uma lista com ótimas sugestões:

 

Dreams (Reserva Imovision)

Johanne (Ella Øverbye) é uma jovem estudante do ensino médio que após a chegada da nova professora de francês Johanna (Selome Emnetu) começa a desenvolver uma intensa paixão por ela. Buscando uma solução para entender melhor toda essa bomba de emoções que está vivendo, resolve escrever todos seus sentimentos e experiências em um diário. Até que um dia convida sua avó Karin (Anne Marit Jacobsen) e sua mãe Kristin (Ane Dahl Torp) para ler todas as páginas desse amor proibido, causando um choque entre as três gerações.

 

Número 24 (Netflix)

Quanto vale a liberdade? Traçando reflexões do antes e depois, pelos olhos do mais condecorado cidadão norueguês, sobre mais um capítulo triste na história da humanidade, o longa-metragem Número 24 apresenta fatos verídicos, em uma espécie de julgamento moral.

 

Narvik (Netflix)

Dirigido pelo cineasta Erik Skjoldbjærg, o longa-metragem Narvik nos apresenta fatos históricos dentro do contexto dos horrores de uma sangrenta batalha pelos olhos noruegueses de uma cidadezinha gelada, de pouco menos de 20.000 habitantes.

10 FILMES para assistir na reta final da Copa do Mundo 2026

 

Valor Sentimental (MUBI)

Um diretor de cinema, mantém uma relação distante e estremecida com as duas filhas, está prestes a iniciar seu novo filme e oferece o papel principal a uma delas. Diante da recusa, ele convida uma famosa atriz norte-americana para o projeto. Aos poucos, vamos compreendendo a complexa dinâmica familiar que se forma, marcada por sentimentos conflitantes de todos os lados.

 

The Trip (Netflix)

Na trama, conhecemos Lisa (Noomi Rapace) e Lars (Aksel Hennie), um casal na faixa do 40 anos que está em gigantesca crise no casamento. Ela, uma atriz frustrada por nunca conseguir grandes papéis. Ele, um cineasta que só consegue dirigir comerciais de televisão. Para tentar resolver a situação, planejam um fim de semana em um lugar afastado, onde várias situações surpreendentes colocam em cheque tudo que eles pensaram um sobre o outro até ali.

 

Ninjababy

Rakel (Kristine Kujath Thorp) é uma jovem que parece perdida na vida, lotando sua agenda semanal com inúmeras festas após abandonar o curso de designer gráfico. Certo dia, ela descobre de maneira surpreendente estar grávida, fato que a faz entrar em uma zona de reflexões. O aborto, a adoção, são alguns dos temas que envolvem seus primeiros impulsos sobre o que fazer. Inclusive, começa a conversar com o desenho que fez do seu futuro filho, no qual batiza carinhosamente de Ninjababy. Em paralelo a isso, personagens entram nessa história: um pai que não quer assumir a responsabilidade, uma irmã na esperança de ser mãe e um pretendente amoroso que parece chegar na sua vida no momento mais difícil dela.

 

A Hipnose (MUBI)

Na trama, conhecemos os sócios e namorados Vera (Asta Kamma August) e André (Herbert Nordrum) que estão prestes a conseguir alavancar um importante investimento para o aplicativo que criaram, focado na saúde das mulheres. Em paralelo, buscando parar de fumar, Vera resolve ir até uma hipnoterapeuta, fato que mudará sua maneira de enxergar a bolha em que vive e também suas relação sociais, se tornando o estopim para situações em meio a uma viagem de negócios.

 

A Pior Pessoa do Mundo (Prime Video)

Dirigido por Joachim Trier, esse filmaço nos leva até a história de uma jovem perto dos 30 anos que se encontra em diversas dúvidas na sua vida, passando por momentos importantes e amadurecendo conforme reflete sobre o que passou.

 

Doente de Mim Mesma

Signe (Kristine Kujath Thorp) está em um relacionamento com o artista Thomas (Eirik Sæther). Os dois vivem juntos faz algum tempo e possuem uma relação estranha, repleta de disputas, competitiva ao extremo. Quando Thomas começa a fazer muito sucesso na sua área, Signe entra em um colapso emocional e começa a fazer de tudo por atenção rumando rapidamente para um show de situações constrangedoras.

 

O Cidadão do Ano (Claro TV+)

Na trama, conhecemos Nils (Stellan Skarsgård), um homem de meia idade, honrado cidadão, que ganha a vida limpando a neve por meio de sua empresa familiar. Tudo ia bem em sua pacata vida até que uma tragédia acontece, seu único filho é encontrado morto. Não querendo acreditar nas causas ditas pelas autoridades sobre o falecimento, e afastando-se cada vez mais de sua mulher, resolve ir investigar por conta própria e acaba resolvendo combater uma poderosa gangue que domina a região.

 

10 Filmes onde Personagens assumem outras IDENTIDADES

Existem filmes que exploram os conflitos de seus protagonistas de forma a viver quase dois paralelos, duas realidades. Seja sob identidade falsa criada por um agente da lei infiltrado em gangues criminosas, ou um bandido e um policial que simplesmente trocam de faces, ou certo dia você acordar no corpo da esposa e vice-versa, ou até mesmo um ex-detento que vira um padre de uma cidadezinha, histórias diversas nos contam os dramas dessas trajetórias. Pensando nesse recorte, segue abaixo como ótimas sugestões, 10 Filmes onde Personagens assumem outras IDENTIDADES:

 

Prenda-me se For Capaz

Lançado em 2003 no Brasil e logo alcançando um enorme sucesso nas bilheterias de todo o país, o longa-metragem baseado na autobiografia homônima de Frank W. Abagnale Jr e dirigido pela lenda Steven Spielberg, Prenda-me se For Capaz, nos mostra um jovem que tem o talento de enganar os outros e realizou golpes pelos Estados Unidos durante muitos anos se passando por piloto de avião, advogado e até mesmo um médico.

 

Corpus Christi

Na trama, conhecemos um jovem chamado Daniel (Bartosz Bielenia), que está em um centro de reabilitação para jovens encrenqueiros em uma cidade no interior da Polônia. De alguma forma, ao longo do tempo que está nesse lugar sofreu uma certa transformação sendo muito ligado às missas e as questões espirituais abordadas na instituição. Mas seu passado é complicado e nesse lugar é jurado por outro detento e assim, enviado para um trabalho num outro lugar, pega uma rota alternativa e vai parar em uma pequena cidadezinha católica onde vira o padre titular do lugar. Lutando contra seu passado e os erros que comete no seu presente, Daniel acaba encontrando uma forma de mudar aquele lugar e porque não dizer a ele mesmo.

 

VIPS

Dirigido pelo cineasta Toniko Melo e tendo o grande Wagner Moura como protagonista, VIPS  conta a trajetória de vida do estelionatário Marcelo que começou a carreira no crime realizando contrabandos e depois enganou a quase todos se fazendo passar por um dos herdeiros da Companhia aérea Gol.

 

A Gentleman

Na trama, conhecemos o funcionário exemplar, todo metódico e certinho, de uma empresa com sede nos Estados Unidos e com filiais em outros países, Gaurav (Sidharth Malhotra), um jovem que possui uma paixonite pela amiga Kavya (Jacqueline Fernandez), ambos descendentes de indianos mas que moram nos Estados Unidos vivendo no melhor estilo ocidental, cada um na sua. Kavya ao longo do tempo percebe da intenção de Gaurav e se distancia por achá-lo muito certinho. Tudo muda quando descobrimos que na verdade Gaurav se chama Rishi, um ex-agente do governo que participava de um grupo clandestino de operações secretas e desertou com nova identidade para a América. Quando seus ex-colegas desembarcam nos Estados Unidos afim de alguns acertos de conta, toda a vida correta de Gaurav vira um grande naufrágio e se enche de confusões.

 

Conexão Escobar

Na trama, baseado em fatos reais, ambientado em meados da década de 80 na Flórida, conhecemos o experiente policial, Robert Mazur, (Bryan Cranston), um especialista em trabalhos disfarçados que resolve não aceitar a aposentadoria e fechar seu currículo com o maior desafio de sua vida, prender uma rede de banqueiros e investidores ligados ao narcotráfico colombiano que age nos Estados Unidos. Mas a missão não será fácil e para tal, precisará da ajuda da novata agente Kathy Ertz (Diane Kruger) e do extravagante agente Emir Abreu (John Leguizano).

 

A Outra Face

Com direção do mestre dos filmes de ação, John Woo, Nicolas Cage e John Travolta, se completam muito bem nesse explosivo troca-troca de identidade, A Outra Face. No longa, uma caçada é posta em ação após uma cirurgia facial entre um cruel assassino e um agente do FBI. Com os papéis invertidos a adrenalina é constante nesse ótimo filme!

 

O Palestrante

Na trama, conhecemos Guilherme (Fábio Porchat), um homem consumido por um trabalho maçante que no mesmo dia descobre que a esposa está saindo de casa e que será alvo de demissão do seu chefe. Só que algo inusitado acontece: em meio a uma viagem pela empresa, acaba vendo a chance de ter uma experiência nova quando (forçadamente) é confundido com um famoso palestrante que dará uma super palestra em um resort no Rio de Janeiro. A chefe da empresa contratante, Denise (Dani Calabresa) e o protagonista acabam gostando um do outro o que dará margens para mais problemas em meio a mentira contada.

 

Marcas da Violência

Um dos grandes filmes da vitoriosa carreira do cineasta canadense David Cronenberg, Marcas da Violência nos apresenta um profundo recorte emocional de um homem que quando tem seu lanchonete atacada por criminosos cruéis acaba deixando aparecer aos outros, e principalmente sua família, um lado seu que representa um passado que não quer lembrar.

 

Dave – Presidente por um Dia

Deliciosa comédia lançada no início da década de 90, Dave – Presidente por um Dia nos apresenta a história de um homem de coração bom que trabalha em uma agência de empregos que por conta de sua semelhança física com o presidente dos Estados Unidos precisa substituí-lo quando o todo poderoso fica impossibilitado de aparecer publicamente. A trilha sonora é assinada pelo craque James Newton Howard.

 

Se Eu Fosse Você

Quando pensamos em comédias brasileiras, Se Eu Fosse Você é uma das sempre lembradas. Protagonizado por Tony Ramos e Gloria Pires, o filme lançado em meados dos anos 2000 nos conta a história de um casal que enfrenta a rotina de um casamento de anos que de repente trocam de corpos e assim precisam lidar com a inusitada situação.

10 Dicas de Filmes tão BONS que até sua preguiça vai curtir!

Tem dias em que estamos tão estressados que não queremos fazer absolutamente nada. Mas, em momentos assim, se você ligar a televisão, acessar algum catálogo de streaming e assistir a bons filmes, logo sua energia se renova! Para você que está em busca de relaxar, segue abaixo algumas ótimas sugestões:

 

O Concerto (Mercado Play)

Nesse belíssimo filme, acompanhamos um ex-maestro que, atualmente, trabalha como faxineiro e tem a chance de novamente mostrar seu talento ao descobrir uma oportunidade de se apresentar em Paris. Assim, ele reúne seus antigos músicos e coloca em prática um plano mirabolante.

 

Free Solo (Disney Plus)

Contando a impressionante saga de um dos mais habilidosos escaladores solo do mundo, Free Solo, documentário vencedor do Oscar, é uma jornada eletrizante por dentro das emoções de um homem e seu desejo peculiar.

 

A Virada Errada (Prime Video)

Tudo ia muito bem na vida da musicista Kiia, que está prestes a ter o primeiro filho com o marido, o pastor Lauri. No dia em que entra em trabalho de parto, a caminho do hospital, o carro em que estão bate em algo na estrada. Tempos depois, uma verdade é revelada quando Kiia conhece Hanna, uma mulher que enfrenta a iminente perda do marido.

 

Você é o Universo (Reserva Imovision)

Um astronauta se vê perdido pelo universo quando a Terra Explode. Pensando estar sozinho, um dia recebe uma mensagem de uma outra sobrevivente num ponto distante. Aos poucos vai tomando coragem para ir ao seu encontro.

 

Argentina, 1985 (Prime Video)

Dois advogados embarcam em uma jornada para provar a culpa de alguns militares de alta patente durante os aterrorizantes nove anos de ditadura na Argentina.

 

De Tirar o Fôlego (Netflix)

De Tirar o Fôlego nos mostra o forte elo de dois destinos que se cruzam através dos riscos de um dos esportes mais perigosos do mundo, o mergulho livre. Escrito e dirigido pela cineasta irlandesa Laura McGann, esse projeto tem a maestria de uma narrativa que consegue manter o interesse do espectador do início ao fim, onde reviravoltas são vistas aos montes, nos levando para enormes caminhos de tensão, angústia e reflexões sobre a vida.

 

A Odisseia dos Tontos (HBO MAX)

Na trama, voltamos ao ano de 2001 em uma cidadezinha no interior da Argentina, onde um grupo de conhecidos resolve investir todo o dinheiro que possuem em um negócio. Mas, um tempo depois de conseguirem arrecadar o suado dinheiro, acabam entrando em um golpe e perdem tudo. O tempo passa e o grupo volta a se reunir, pois, agora sabem onde está o dinheiro que é deles por direito. Assim, farão de tudo para conseguir reaver a quantia.

 

O Mal não Existe (MUBI)

Na trama, acompanhamos um homem que mora numa região gelada, de apenas 6.000 habitantes, no interior do Japão. Ele vive com sua filha e trabalha como uma espécie de faz tudo, além de ser um grande conhecedor do lugar. Quando uma empresa de Glamping (algo como um acampamento confortável) resolve criar um empreendimento no lugar, uma área para turistas vindos principalmente de Tóquio, o protagonista e moradores entram em desacordo com a empresa.

 

Licorace Pizza (MGM +)

Gary é um jovem aspirante a ator que, com pouco tempo de carreira, já conseguiu trabalhos em algumas apresentações. Muito maduro para sua idade, um dia se encanta por Alana, uma jovem que está desiludida na vida e que não se entende com sua família. Essas duas almas vão se unir de diversas formas: nos pensares do amor, no carinho da amizade, nas batalhas dos empreendimentos, tudo isso de mãos dadas – mesmo que com desencontros.

 

Mal Viver (Filmicca)

Algumas mulheres de uma mesma família estão prestes a passar alguns dias juntas num hotel que pertence a elas. Entre idas e vindas dos hóspedes, conflitos se estabelecem tendo o passado como algo desafiador ao ser relembrado. O epicentro se coloca na relação entre Piedade e Salomé, mãe e filha. A primeira, cheia de angústias e medos. A segunda, acabou de perder o pai e tenta se reconectar com a mãe com quem não nunca se deu bem.

10 Filmes de ROMANCE para Assistir nos Streamings

As vezes pra deixar nossos corações quentinhos de sentimentos bons, nada melhor que um filminho de romance, daqueles que nos prendem a atenção e nos deixam sonhar! Pelos streamings disponíveis no Brasil, existem uma porção de títulos super legais com esse recorte. Para ajudar você leitor (a) com um leque de filmes bem legais sobre o tema, segue abaixo, 10 filmes de romance espalhados pelos streamings:

 

20 Anos + Jovem (Prime Video)

Nessa história romântica que aborda a diferença entre idades, conhecemos uma ambiciosa editora de moda que se dedica integralmente à carreira que após uma situação acaba conhecendo um jovem de 20 anos e decide embarcar nessa história onde vai aprender sobre o amor.

 

Como Arrasar um Coração (Prime Video)

Na inusitada da trama, nessa comédia romântica, conhecemos um sedutor e destruidor de casamentos que é contratado para acabar com mais uma união mas ele não esperava encontrar alguém que não cede aos seus encantos.

 

O Amante da Rainha (Prime Video)

Dirigido por Nikolaj Arcel, com roteiro baseado na obra Prinsesse af blodet, de Bodil Steensen-Leth, O Amante da Rainha nos leva de volta ao século XVIII, onde uma britânica se casa com um rei se tornando rainha da Dinamarca. A chegada de um médico acaba aproximando o mesmo da rainha. Assim, um triângulo amoroso surge.

 

Jogada Certa (Just Wright) (Star +)

Lançado cerca de 12 anos atrás, Em Jogada Certa acompanhamos uma fisioterapeuta que vai trabalhar com um astro do basquete. Ela fica interessada nele, e após uma contusão séria do esportista acabam se conhecendo melhor um ao outro.

 

Alguém como Você (Star+)

Lançado em março de 2001, dirigido pelo cineasta Tony Goldwyn (que também é ator, ele é o vilao de Ghost!), nos conhecemos uma produtora que após uma decepção amorosa começa a estudar sobre a infidelidade e relacionamentos, tempos depois a variável do amor acaba voltando à sua vida.

 

Um Dia (Netflix)

Na trama, um homem e uma mulher se conhecem nos tempos da escola e vamos acompanhando a história desses dois corações sempre no mesmo dia, 15 de julho, só que em anos diferentes. Com o passar do tempo, muitas coisas acontecem mas o grande sentimento, confuso para ambos, sempre esteve presente ali.  O desenrolar desse destino eminente é intenso, às vezes injusto e recheado de surpresas que deixam o público de lenço na mão.

 

Amor em Jogo (Star +)

Antes de virar um ícone Pop no universo das entrevistas, Jimmy Fallon fez alguns bons trabalhos no mundo do cinema, como esse filme repleto de carisma chamado Amor em Jogo. No filme, conhecemos um viciado pelo seu time de baseball que se apaixona por uma mulher e precisa encontrar o equilíbrio entre essas duas paixões.

 

10 coisas que eu odeio em você (Disney+)

Quando a gente pensa em Heath Ledger, esse é um dos primeiros filmes que vem em nossa mente. 10 coisas que eu odeio em você, atualmente disponível no catálogo da Disney+, nos mostra um drama adolescente onde um jovem tenta conquistar uma garota para ajudar um amigo.

 

Feitiço da Lua (MGM)

Na trama, conhecemos Loretta (Cher), uma contadora, descendente de italianos, que mora com os pais em uma grande casa após o falecimento precoce do marido. Sem muitas felicidades na vida e vivendo um cotidiano agitado com seu trabalho, em uma noite de jantar acaba ficando noiva de Johnny Cammareri (Danny Aiello). Só que alguns dias passam e algo diferente acontece, Loretta acaba conhecendo Ronny (Nicolas Cage), irmão de Johnny (que não falava com irmão fazia cinco anos), um padeiro sem parte da mão esquerda, e se apaixonada perdidamente.

 

Casablanca (HBO Max)

No clássico filme, considerado por muitos uma das grandes histórias de amor da história do cinema, conhecemos o emburrado Rick que em uma noite no seu empreendimento em Casablanca reencontra o grande amor de sua vida, os levando a uma jornada de lembranças e escolhas.

 

Crítica | ‘Hijo Mayor’ – Fabulosa viagem geracional que abraça o existencialismo [Bonito CineSur 2026]

Em todo festival de cinema, assim que é divulgada a programação, sempre há aqueles filmes que mais chamam a atenção. Esse foi, pra mim, o caso de Hijo Mayor, exibido no quarto dia de sessões do Bonito CineSur 2026. Vencedor de um prêmio no Festival de Locarno no ano passado e indicado ao prêmio Horizons no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, esse era um filme que eu estava ansioso para assistir. E, para minha felicidade, superou as expectativas.

Crítica | ‘A Vida de Jerônimo dentro e fora da casca’ – A força da resiliência em um mundo que não alivia [Bonito CineSur 2026]

A argentina e descendente de sul-coreanos Lila (Anita B Queen) vive seu momento atual em busca de algumas respostas, buscando compreender as diferentes formas que podem moldar uma trajetória. Ela representa o presente buscando o futuro, precisando resgatar memórias do passado. Antonio, seu pai, é um imigrante que está há décadas na Argentina, e, ao longo do tempo, passou por muitas escolhas, por vezes, nômade da própria sorte. Ele representa o passado, mas também o presente.

 

Escrito e dirigido pela cineasta argentina Cecilia Kang, este projeto não é nada fácil. Em um ping pong de reflexões sobre identidade de uma jovem e os sonhos e decepções de um imigrante que busca se fixar na América do Sul, somos convidados a embarcar em um interessante trem geracional melancólico. Uma jornada pelo legado de integrantes de uma mesma família que nos leva a dialogar sobre os propósitos que surgem através das escolhas que tomamos.

Crítica | ‘Água Invadida’ – A pesca ilegal e as autoridades de costas para o mar [Bonito CineSur 2026]

O lugar vazio à mesa. A melancolia saltando na tela. A troca de perspectiva. A perda que não é mostrada. Em vários momentos há um convite implícito para você embarcar nesse trem. Caminhando no existencialismo, montando tijolo por tijolo a construção poética de um âmbito familiar ao longo do tempo, histórias do passado invadem o presente, deixando pelo caminho sugestões e ganchos para o público se agarrar e iniciar sua trajetória de entendimento sobre o que pulsa de forma extremamente delicada e tocante na tela.

A escolha pela narrativa contemplativa, dando um passo de cada vez pelas nossas interpretações, com montagens variadas de quebra-cabeças de entendimentos, não é nem de longe convidativa, o que pode prejudicar a experiência das pessoas mais impacientes. Entretanto, essa coragem de seguir uma linha onde a interpretação do silêncio e o sensorial com seu leque de possibilidades intensificam-se nas inúmeras pausas dramáticas se torna o grande charme desse projeto marcante que torcemos para que algum dia chegue aos cinemas brasileiros.

 

10 filmes SONOLENTOS que não devem ser indicados nem para a sogra…

Quantas vezes fomos assistir a um filme, principalmente quando criamos grande expectativa, e saímos do cinema com uma enorme decepção? O gosto é uma questão relativa, as vezes podemos não gostar nada nada de alguns filmes e outras pessoas adorarem. Por isso que o cinema é tão legal, cada filme chega de forma diferente para cada um de nós.

Pensando nos filmes que achamos chatos (sempre vai ter algum em alguma semana) e brincando com a questão da sogra (mesmo sabendo que tem sogras super legais) segue abaixo uma lista que para alguns pode até ser polêmica, com 10 filmes SONOLENTOS que não devem ser indicados nem para a sogra…:

 

Um Amor, Mil Casamentos

Algumas reviravoltas que matam a experiência do espectador. Um Amor, Mil Casamentos, filme no catálogo da Netflix nesses tempos de pandemia tanta causar riso adotando a fórmula de Morte no Funeral (o original principalmente) mas que se perde totalmente após uma inusitada rebobinada que joga fora todo o primeiro arco. A partir daí tudo se desmonta e contamos os minutos acabarem lentamente como um grande sofrimento que nossos olhos estão sendo testemunhas. Dirigido pelo cineasta britânico Dean Craig (roteirista de Morte no Funeral), o filme bate na tecla da repetição e dos clichês se tornando mais um filme esquecível.

 

Conspiração Terrorista

Sabe aquele filme que quando começa você sente que já viu? Conspiração Terrorista, uma das dezenas produções que a Netflix vem lançando aos longo dos últimos meses, talvez seja o mais fraco dessa safra. Dirigido pelo cineasta britânico Michael Apted (dos ótimos Enigma e Nell), o projeto encalha em um roteiro cheio de clichês, com personagens pouco inspirados e um ritmo que não consegue o equilíbrio, frustrando qualquer tentativa de interação com o público. A produção conta com o sumido Orlando Bloom, Noomi Rapace como a protagonista e Michael Douglas como um dos coadjuvantes.

 

Legado Explosivo

Quando a dor na consciência encontra as falhas na justiça. Protagonizado por um dos artistas mais pós graduados em filmes de ação dos últimos tempos, o irlandês Liam Neeson, Legado Explosivo, dirigido por Mark Williams (em seu segundo projeto como diretor), é um filme de ação com apenas pitadas quase invisíveis de drama onde acompanhamos a saga de um ladrão honesto rumo aos obstáculos do outro lado da lei. É muito mais do mesmo, por mais que Neeson exale carisma na tela, o projeto é um grande universo de clichês com poucas cenas de ação realmente de tirar o fôlego. Um dos mais fracos filmes da saga no universo da ação do lendário ator indicado ao Oscar pelo inesquecível A Lista de Schindler.

 

Fúria em Alto Mar

Passando que nem uma flecha pelo circuito exibidor, a ação recheada de clichês Fúria em Alto Mar é o que podemos dizer de mais do mesmo da indústria hollywoodiana. Baseado no livro Firing Point, de Don Keith e George Wallace, o projeto, repleto de nomes conhecidos do grande público, leva para a tela situações absurdas de um iminente conflito a partir de um sequestro do mais alto comando russo. Ao longo dos sonolentos 120 minutos de projeção, consumimos uma grande falta de criatividade narrativa e atuações dignas de framboesas de ouro.

 

Nu

Dirigido por um especialista em filmes/sátiras oriundos de blockbusters, o cineasta Michael Tiddes (Cinquenta Tons de Preto, Inatividade Paranormal) chegou a netflix tempos atrás com seu novo trabalho, Nu. No papel principal, o comediante bastante famoso Marlon Wayans (As Branquelas, Todo Mundo em Pânico), que tenta a todo instante provocar risos no espectador com seu limitado personagem que se mete em uma situação diferente, só vista em filmes.

 

A Garota do Trem

O mistério do amor é maior que o mistério da morte. Baseado no livro homônimo, de Paula Hawkins, best-seller do jornal The New York Times, A Garota do Trem é uma trama esquisita onde nada é o que parece e o que parece também não é nada demais. Tudo é muito confuso na história dirigida pelo ator e diretor Tate Taylor (Histórias Cruzadas). A protagonista não possui a força e carisma necessários para prender nossa atenção nos sonolentos 100 minutos de projeção. Como filme, realmente não deu certo.

 

Segunda Chance

Não é de hoje que o cinema dinamarquês vem conquistando a atenção dos cinéfilos mundo à fora. A qualquer novo trabalho, as atenções se voltam de novo a essa intensa escola e ao seu  modo de contar uma história. Assim, começamos falando da cineasta Susanne Bier e a sua marca registrada em preencher a tela com emoções à flor da pele por meio das histórias tristes, e muitas vezes sem rumo, de seus personagens. Não há delicadeza no cinema de Bier, o ser humano é exposto aos seus mais profundos limites. As fraquezas são mostradas da forma mais nua e crua. Porém, neste trabalho, diferente de sua grande maioria passada, infelizmente, tudo dá errado e o filme vai se tornando sonolento.

 

Salvo – Uma História de Amor e Máfia

O que dizer de um filme que não quer dizer nada? Vencedor de alguns Festivais, o longa-metragem italiano Salvo – Uma História de Amor e Máfia gerava expectativa de todos por conta de sua sinopse insinuante e repleta de elementos que poderiam compor uma boa história. Tudo vai para água abaixo quando o roteiro, praticamente sem diálogos, deixa o filme insosso e altamente sonolento. Aquelas olhadas para o relógio são constantes transformando o que era para ser uma agradável exibição vira uma terrível perda de tempo.

 

Descompensada

Seja como for o que penses, creio que é melhor dizê-lo com boas palavras. Indicado a duas categorias no Globo de Ouro, a comédia norte-americana Descompensada (Trainwreck) é um show de besteirol que tenta imprimir um ritmo maduro para poucos diálogos intriguistas, uma fórmula não dá certo. Dirigido pelo cineasta nova-iorquino Judd Apatow (O Virgem de 40 Anos) e com uma atuação bem fraca da humorista Amy Schumer.

 

O Garoto da Porta ao Lado

Falando sobre o mundo dos stalkers, o projeto do diretor nova-iorquino Rob Cohen, é uma história muito forçada que explora a sensualidade sem profundidade. O Garoto da Porta ao Lado é um dos filmes mais perdidos que foram lançados nos últimos anos. Não consegue se encontrar sendo suspense, é uma viagem indigesta quando tenta ser um drama. Um filme que passou desapercebido.

Crítica | ‘Vermelho de Bolinhas’ – Uma curiosa investigação com raízes nas suposições [Bonito CineSur 2026]

Refletir sobre a violência contra a mulher é um assunto importante. Sempre que esse tema encontra no audiovisual um espaço, nos leva a histórias chocantes que nos fazem pensar sobre os seres humanos e as diferentes formas de maldades que atingem para sempre vidas, muitas delas interrompidas pela ação cruel do machismo.

Circulando por esse assunto, um filme exibido no quarto dia de exibições das mostras competitivas do Bonito Cine Sur 2026 nos leva a uma curiosa investigação sobre a primeira beata do Ceará. Benigna Cardoso, uma jovem de 13 anos, vítima de feminicídio na década de 1940, é o epicentro do estudo de caso do curta-metragem Vermelho de Bolinhas. A obra conduz o público para uma teia de informações, do concreto ao imaginado, percorrendo de forma envolvente a relação de fiéis em torno da devoção de uma imagem e investigando sua origem.

Crítica | ‘¿Quién Mató a Narciso?’ – O desespero silencioso e a personificação da resistência [Bonito CineSur 2026]

A narrativa é modelada de forma simples e muito eficiente, soando naturalidade, mesmo ao abordar um assunto complexo, cheio de raízes nas suposições. Com uma narração em off muito bem conduzida e um texto objetivo com gigante clareza, vamos atravessando o município de Santana do Cariri com uma lupa imaginária em busca de respostas que encontram no horizonte a memória e a identidade.

Desde um polêmico retrato falado, passando por poucos fatos registrados e tendo como referência também um monumento de mais de 20 metros de altura, inaugurado em abril deste ano, a história de Benigna Cardoso circula em torno de muitos mistérios. A composição visual da narrativa usa de um artifício criativo, com objetos em relação ao ambiente, ressignificando as informações que são coletadas ao longo dessa jornada.

Chegamos até o final dos 19 minutos de projeção com as reflexões que chegam pelas respostas que surgem e, mesmo assim, após o desfecho, continuamos a pensar sobre os detalhes pelas entrelinhas deixados pela obra. Um trabalho impressionante dos cineastas Renata Fortes e Joedson Kelvin. Interessantíssimo filme.

No embalo de ‘Dahmer: Um Canibal Americano’, conheça 10 Filmes com PSICOPATAS Imprevisíveis

A minissérieDahmer: Um Canibal Americano’ chegou ao catálogo da Netflix há apenas dois dias e já conquistou o 1º lugar no TOP 10 das séries disponíveis no catálogo.

Criada por Ryan Murphy (‘American Horror Story’), a minissérie deixou para trás a 2ª temporada de ‘Fate: A Saga Winx‘, baseada na animação  ‘O Clube das Winx‘, e a 5ª temporada de ‘Cobra Kai‘, derivada da franquia ‘Karate Kid‘.

A produção traz Evan Peters (‘Mare of Easttown’) como o serial killer Jeffrey Dahmer, também conhecido como ‘O Canibal de Milwaukee’, responsável pelo assassinato de 17 vítimas entre 1978 e 1991. Nas redes sociais, os assinantes da plataforma estão chocados com os detalhes hediondos por trás das mortes causadas por Dahmer e pela frieza de seus atos.

Com o sucesso da Minissérie, trazemos para você 10 filmes que nos mostram imprevisíveis Psicopatas!

 

O Abutre

Debutando como diretor, e já podemos dizer de cara: com o pé direito, o californiano Dan Gilroy consegue criar uma história excepcional, peculiar, diferente de quase tudo que já foi visto nos cinemas, sobre um psicopata, obsessivo por manchetes calorosas e sangrentas. O Abutre é um soco no estômago, possui uma frieza absurda para mostrar os fatos que levam o público à perplexidade instantânea. Jake Gyllenhaal tem uma de suas melhores atuações na carreira.

 

Seven: Os Sete Crimes Capitais

Em 1995, David Fincher começaria a marcar seu nome na história do cinema com a história de dois detetives que investigam um assassino psicopata que deixa pistas através dos pecados capitais. Com um elenco sensacional (Brad Pitt, Morgan Freeman, Kevin Spacey, entre outros), Seven foi um grande sucesso de público e crítica elevando o diretor de patamar.

 

Zodíaco

No sexto longa-metragem da carreira de David Fincher, vemos uma trama baseada em uma investigação real sobre um serial killer que agiu nos EUA durante o final da década de 1960. Fincher dirigiu nesse filme bons nomes do cinema americano, como: Robert Downey Jr., Jake Gyllenhaal e Mark Ruffalo. É um dos filmes mais elogiados da filmografia de Fincher.

 

Louca Obsessão

O confronto entre a razão imóvel e a loucura pulsante. Um dos grandes filmes da década de 90, Louca Obsessão foi se tornando ao longo do tempo um clássico do cinema. Não é pra menos, uma história intrigante que diz muito sobre personalidades e o estado da psique humana que acaba sendo em seu constante clímax um grande duelo entre a razão e a loucura. Baseado na obra Misery do escritor Stephen King e dirigido por Rob Reiner, o projeto é um suspense chocante. Por seu papel no filme, Kathy Bates venceu seu primeiro e único Oscar.

 

À Procura

A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero. Para falar sobre dramas profundos e histórias que geram angústias já quando lemos a sinopse, ninguém melhor que o cineasta egípcio Atom Egoyan. Em À Procura, o experiente diretor usa e abusa do artifício da não lineariedade, uma manobra muito inteligente que deixa todos os espectadores intrigados sobre como vai terminar, e como começou, essa história. Seu protagonista, interpretado por Ryan Reynolds, incorpora muito bem todas as dores e emoções do sofrido personagem principal.

 

007 – Skyfall

Somos o que somos. Com uma abertura magnífica cheia de imagens psicodélicas que parecem respirar metáforas existenciais do famoso personagem título, 007 – Skyfall, gera altas expectativas antes mesmo do filme começar. É adrenalina do começo ao fim, perseguições automobilísticas, cenas espetaculares, resumindo: um prato cheio para quem gosta de filmes de espionagem! Com a missão de tornar esse filme um dos melhores da franquia, Sam Mendes foi escalado para comandar a festa, fato que acontece, com louvor! 

Pânico

As diversas maneiras de encontrar o medo. Lançado em meados da década de 90, dando início a uma revolução quando pensamos em filmes de terror, Pânico, um dos mais conhecidos filmes de slasher (subgênero do terror onde há um serial killer, vítimas aleatórias e a descoberta de quem é o vilão) chegou chutando a porta da emoção com um abre alas pra lá de eletrizante que já mostrava a força do que vinha pela frente no roteiro assinado por Kevin Williamson, na época em seu primeiro trabalho como roteirista! E como acertou em cheio! A direção fica a cargo do genial Wes Craven que depois de inúmeros trabalhos como diretor de filmes de terror, uma carreira que começou no início da década de 70 com o filme Aniversário Macabro, iniciava a saga de sua franquia mais famosa.

 

Coringa

A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável. Essa famosa frase do suíço Rousseau exemplifica muito bem o que assistimos ao longo de 122 minutos de projeção. Coringa é antes de mais nada um retrato de nossa sociedade, que anda entre vales nebulosos onde o medo e as desilusões se tornam estopim para novos modos de pensar mas que também caminha para a maldade em mentes perturbadas. Dirigido pelo cineasta nova iorquino Todd Phillips e com uma atuação de gala de Joaquin Phoenix no papel principal, o filme, que já bateu recordes de bilheteria onde exibido.

 

Pacto Sinistro

Um dos maiores clássicos do suspense está entre os melhores filmes de Alfred Hitchcock. Uma produção bem interessante que conta com um belíssimo roteiro baseado num romance de Patrícia Highsmith. O vilão feito por Robert Walker é um personagem bastante complexo que é lembrado até os dias de hoje.

 

Corra!

Longa de estreia do ator nova iorquino Jordan Peele na direção (que também assina o roteiro), Get Out, no original, é antes de tudo um filme com um atmosfera eletrizante onde a tensão comanda cada segundo da projeção. O sensacional roteiro faz um retrato angustiante que vai desde o preconceito racial até a psicopatia de elementos de uma família pra lá de macabra. Com um orçamento modesto de 4.5 milhões de dólares, o filme virou sensação nos cinemas mundo a fora.

Opinião | O teatro, a arte irmã do cinema, continua fascinante

Em dois dias seguidos, larguei um pouco as dezenas de filmes que preciso assistir semanalmente e fui ao teatro conferir duas peças que fazem parte da programação do Festival de Teatro do Rio, uma deliciosa iniciativa cultural que apresenta, em dois aconchegantes teatros da cidade maravilhosa, TotalEnergies e Riachuelo, algumas peças teatrais brasileiras que circularam pelo nosso país com enorme sucesso.

'A Pediatra', peça que faz parte do Festival de Teatro do Rio 2026
A Pediatra’, peça que faz parte do Festival de Teatro do Rio 2026

Que experiência fantástica. No primeiro dia, sentei bem na frente, na fileira D do Teatro Riachuelo, e dei boas gargalhadas com o espetáculo Histórias do Porchat, stand up comedy de Fábio Porchat. O famoso humorista fez uma saborosa limonada a partir de situações que realmente viveu em algumas de suas dezenas de viagens pelo mundo. Há histórias com hipopótamos, tubarões, uma curiosa massagem e outras situações que ganharam um texto afiado, capaz de prender a atenção do início ao fim.

História do Porchat, peça que faz parte do Festival de Teatro do Rio 2026
Histórias do Porchat’, peça que faz parte do Festival de Teatro do Rio 2026

Já no segundo dia, em pleno dia dos pais, me deparei com uma peça bem ácida nas reflexões sobre a amoralidade de uma protagonista que lembra, em partes, Annie Wilkes, a personagem de Kathy Bates em Louca Obsessão, um clássico cinematográfico que ganhou às telonas a partir da inspiração do livro Misery, de Stephen King. Estamos falando de A Pediatra, montagem teatral baseada na obra da escritora paulista Andréa del Fuego.

Divulgação peça 'A Pediatra' . Crédito: Rodrigo Menezes
Divulgação peça ‘A Pediatra’ . Crédito: Rodrigo Menezes

A peça, com cerca de uma hora de duração, tem apenas um cenário e uma iluminação influente, que conversa com as emoções que se apresentam. A história segue Cecília, uma pediatra completamente ‘lelé da cuca’ que exerce uma ‘medicina descompromissada’, segunda ela mesma, que fica de frente com um afeto que a surpreende. Ao se envolver em um caso extraconjugal com Celso, acaba criando a ilusão obsessiva de ser a mãe do filho dele. Em cena, os excelentes Débora Lamm e Luiz Antônio Fortes ditam o ritmo dessa história marcante.

'A Pediatra', peça que faz parte do Festival de Teatro do Rio 2026
A Pediatra’, peça que faz parte do Festival de Teatro do Rio 2026

Um texto ácido, debochado, por vezes dilacerante e impactante, que expõe a infinidades de loucuras de uma mente perturbada, que enfrenta o cotidiano longe de empatias, através de um sarcasmo permanente, perdendo o chão em quase todos os momentos. A Pediatra e sua jornada peculiar é aquele tipo de peça que continua em nossas reflexões após os aplausos finais.

Também tentei assistir A Mulher em Fuga, peça estrelada por Malu Galli e Tiago Martelli, baseada em duas obras do badalado escritor francês Édouard Louis. Não consegui: lotou rapidinho e fiquei sem meu ingresso. Uma pena.

Divulgação peça 'A Mulher em Fuga' . Crédito: João Pacca
Divulgação peça ‘A Mulher em Fuga’ . Crédito: João Pacca

Já confirmado para 2027, o Festival de Teatro do Rio deste ano vai até o dia 16 de agosto. Adorei, e ano que vem quero ver se consigo assistir muito mais peças. Foi ótimo me reencontrar com essa arte tão pulsante, irmã do cinema, através desse festival. É lindo ver os teatros lotados, a cultura viva nos fazendo refletir sobre realidades. Agora, é voltar aos filmes, principalmente os brasileiros. A nossa sétima arte também continua pulsando.

10 Filmes sobre MISTERIOSOS Assassinatos

Quem não gosta de um grande mistério? Aqueles filmes que nos prendem a atenção, onde procuramos pistas a todo instante sobre quem são os culpados. Algumas produções instigam nosso lado detetive e pensando sobre esse recorte separamos abaixo 10 Filmes sobre MISTERIOSOS Assassinatos:

 

Confissão de Assassinato

Em Confissão de Assassinato, Nae-ga sal-in-beom-i-da no original, somos apresentados a um detetive chamado Choi (Jae-yeong Jeong em grande atuação) que há 17 anos atrás deixou escapar um serial killer, responsável pela morte de no mínimo 10 mulheres em uma grande cidade da Coreia do Sul. Sempre incomodado como a forma que ocorreu o desenrolar dessa história, certo dia, Choi é surpreendido por um homem chamado Lee Du-seok (Shi-hoo Park) que publica um livro chamado Confissão de Assassinato onde assume as responsabilidade dos crimes cometido 17 anos atrás. Virando uma celebridade instantânea e protegido pelas leis coreanas de crimes prescritos após esse período de distância entre as mortes e seu reaparecimento, Lee Du-seok confundirá a cabeça do detetive, ainda mais quando uma terceira pessoa entre na história alegando ser o verdadeiro assassino.

 

JFK Revisitado: Através do Espelho

Stone, que no início da década de 90 dirigiu as mais de três horas do polêmico longa-metragem JFK – A Pergunta Que Não Quer Calar, volta ao tema e pega uma deixa dada como menção no final do filme onde mostra-se ao público que centenas de milhares de documentos que fizeram parte da coleta da investigação na época do ocorrido só poderiam ser reabertos em 2029. Com uma nova votação anos atrás, esses documentos agora estão abertos para consultas públicas. Assim, o famoso cineasta abre novas variáveis e teorias para buscar chegar a alguma conclusão mais razoável do que a história conta.

 

Entre Facas e Segredos

Na trama, conhecemos o milionário escritor de suspenses Harlan Thrombey (Christopher Plummer) na noite do seu aniversário de 85 anos. Toda a família reunida e também Marta (Ana de Armas) uma jovem enfermeira, imigrante, que cuida das medicações e do bem estar do dono da casa. O tabuleiro narrativo se transforma em um grande quebra-cabeça com inimigos virando amigos, uniões improváveis, após o assassinato de Harlan. Para tentar descobrir o que houve no fim daquela noite, um detetive ao melhor estilo Agatha Christie aparece em cena, Benoit Blanc (Daniel Craig) e não medirá esforços e excentricidades para conseguir chegar a conclusão desse complicado caso.

 

O Guardião Invisível

Na trama, conhecemos a Inspetora Amaia Salazar (Marta Etura), uma mulher na casa dos 40 anos que descobre estar grávida de seu marido, o pintor norte americano James (Benn Northover). Amaia é designada a chefiar uma investigação sobre um possível serial killer que cometeu seu último assassinato em uma região que morou quando criança e onde vive sua misteriosa família. Chegando até o lugar onde foi criada, percebe que as coisas mudaram pouco desde sua saída, e, assim, além de participar de uma implacável busca pelo assassino, precisará combater fantasmas do seu passado cheio de tensão e que poucos conhecem.

 

Que Dios nos Perdone

Na trama, conhecemos os investigadores da divisão de homicídio da polícia espanhola Velarde (Antonio de La Torre) e Alfaro (Roberto Álamo), uma dupla totalmente diferente em relação a personalidade que precisam buscar a prisão de um serial killer de idosas em meio a chegada do papa bento XVI na Espanha. Lutando contra seus próprios demônios internos, por conta de suas personalidades distantes, os policiais entrarão em um caminho praticamente sem volta onde a obsessão e a inconsequência farão parte de sua rotina.

 

O Aviso

Baseado na obra El Aviso de Paul Pen, o filme, ao longo de duas linhas temporais com dez anos de diferenças, acompanha em uma delas Jon (Raúl Arévalo), um homem com problemas pessoais que após parar em um posto de gasolina, vê seu melhor amigo ser assassinado a sangue frio por assaltantes. Enquanto o amigo luta pela vida contra o coma, Jon, um homem ligado à matemática, começa a pesquisar sobre o passado daquele posto de gasolina e descobre uma enorme coincidência ou não sobre relações com outros assassinatos que foram cometidos no mesmo lugar. Lutando contra o tempo e buscando soluções para sua equação, Jon ainda tem que se preocupar com seu estado de saúde mental, já que tomava remédios controlados para combater seu lado psicótico. 10 anos à frente, o jovem Nico (Hugo Arbues), perceberá que sua vida pode mudar caso Jon não seja ouvido no passado.

 

O ‘W’ da Questão

Na trama, conhecemos a curiosa dona de casa Magda (Anna Smolowik), uma mulher que vive um casamento muito infeliz com o sem noção Tomasz (Przemyslaw Stippa). Certo dia, após ir passear com seu cachorro de noite e ser surpreendida com um corpo de uma jovem no meio de um parque na cidade onde mora, acaba envolvida e focada para buscar as respostas do crime e descobrir todas verdades por trás daquele ato. Assim, conta com a ajuda do inspetor Jacek (Pawel Domagala) e ambos embarcam em uma jornada de descoberta de segredos de muitos dos habitantes da região.

 

As Verdades

Na trama, conhecemos o policial Josué (Lázaro Ramos), um homem que volta para uma cidade onde viveu muitos anos para assumir um novo posto na delegacia da cidade. Logo no seu primeiro caso, se vê envolvido na tentativa de assassinato de Valmir (Zécarlos Machado), um candidato a prefeito. Assim, chega até ele três versões sobre os fatos ocorridos nessa situação, a versão de um matador chamado Cícero (Thomas Aquino), a versão do candidato a prefeito e a versão da noiva desse candidato, Francisca (Bianca Bin), essa, um antigo amor de Josué. Ao longo dos 103 minutos de projeção vamos buscando junto ao personagem entender o que de fato aconteceu nessa história.

 

Morte no Nilo

Na trama, voltamos a encontrar o detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh) que dessa vez queria descansar, de férias mas acaba sendo envolvido em uma trama de ódio e vingança quando um assassinato acontece em pleno rio Nilo. Utilizando toda sua esperteza e poder impressionante de observação, aos poucos vai caindo um a um os mistérios dessa história bastante profunda que mostra até onde um ser humano pode ir quando suas emoções estão descontroladas.

 

Pecados Antigos, Longas Sombras

Na trama, acompanhamos a saga de dois detetives de Madri, Juan (Javier Gutiérrez) e Pedro (Raúl Arévalo) com ideias, personalidade e ações sob pressão completamente diferentes, que são enviados a um pequeno povoado para resolver um caso intrigante de desaparecimento de duas jovens. Ao longo dos intensos 105 minutos, vamos descobrindo segredos, traições, e um grande mistério, muito maior que os assassinatos, que é aos poucos desvendado.

 

 

 

Kinoforum 2026: Sextei assistindo a 10 filmes, com pelo menos 4 grandes destaques

Acordei na manhã de sexta-feira (21 de agosto) muito animado, afinal, seria meu primeiro dia completo em São Paulo e o segundo passo na minha jornada, acompanhando de pertinho o Kinoforum – Festival Internacional de Curtas-metragens.

Como bom carioca, calcei meu chinelo (que, na nossa pronúncia, sai com ‘x’), coloquei um short e fui tomar café da manhã no hotel em que estou hospedado. Chegando à área reservada para a refeição matinal, por volta das 7 da manhã, lembro rapidamente que estou em São Paulo; pessoas e mais pessoas muito arrumadas, com seus laptops, naquela pressa de comer alguma coisa correndo e ir ao trabalho ou para algum compromisso importante.

Sempre me intrigou como a vida nesta cidade é bastante corrida, e sempre observo como as pessoas vão lidando com isso. Lembro-me uma vez que quase fui atropelado por um mar de gente em uma estação de metrô e de outra vez, na Avenida Paulista. É preciso estar atento nesta cidade, senão você é engolido pelo capitalismo, que se expressa em cada movimento.

Voltando ao meu início de dia, arrumei uma mesa com quatro lugares, onde uma das cadeiras virou um coringa que circulava entre as outras mesas. Abri meu tablet e escrevi o texto sobre meu primeiro dia no Kinoforum, que você pode ler aqui.

Após me deliciar com ótimas opções para minha primeira refeição do dia, resolvi dar uma voltinha e, novamente, observar. Como estou perto de um dos lugares mais famosos do Brasil, a Avenida Paulista, não pensei duas vezes. São fascinantes aqueles prédios altos e a quantidade de pessoas pra lá e pra cá. Eu ali, ainda de chinelos, observei e fui observado, rs. Acho que notaram rapidamente que eu era carioca.

Preparado para o meu dia, que seria uma jornada de duas sessões no cinema que mais gosto em São Paulo, o CineSesc, depois de ficar horas trabalhando e quase esquecer de almoçar, parti para a rua Augusta, num calor que parecia o do Rio de Janeiro, para me encontrar com as obras que compunham alguns dos variados programas do Kinoforum.

Eu, no CineSesc. 21/08/2026
Eu, no CineSesc. 21/08/2026

Aqui, tenho que fazer uma observação. Dois dos filmes que assisti fazem parte do júri que estou, um em cada grupo de curtas que vi, então, não irei desenvolver sobre essas obras.

No primeiro set, tinham os filmes: Duwid Tuminkiz – Makunaima é Duwis?, de Gustavo Caboco Wapixana; A Pele do Ouro, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo; Dança dos Vagalumes, de Maikon Nery; Gastronomia do Olho, de Nicolau; e Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique.

Nesta sessão, me encontrei novamente com o ótimo A Pele do Ouro, filme que tinha visto no Festival Cinemato deste ano. Me impactou novamente. Este projeto nos apresenta a história da imigrante venezuelana Patri, uma jovem que fugiu de sua terra natal e veio para o Brasil em busca de alguma chance. Aqui, encarou outras dificuldades, muitas vezes sentindo-se incapaz de enxergar a luz do fim do túnel que caminhava. Navegando pela angústia de algumas memórias e causando uma comoção profunda, somos surpreendidos por um documentário dilacerante que expõe as marcas da violência contra a mulher.

Cena do filme: Dança com Vagalumes, exibido no Kinoforum 2026
Cena do filme: Dança com Vagalumes, exibido no Kinoforum 2026

Dança dos Vagalumes foi uma primeiras obras que mais chamou a minha atenção. Trazendo os conflitos entre o passado e o presente de uma jovem professora que retorna ao lugar de sua primeira infância, um assentamento do MST onde viveu com a família, vamos contornado uma narrativa que se expande a partir de doloridas lembranças e os fios de esperança sobre a liberdade de viver uma vida com dignidade. Ótimo filme.

Quando acabou essa primeira sessão de curtas, iniciou-se uma breve conversa com realizadores, uma iniciativa bem legal, pois sempre há dúvidas do público sobre algumas obras, e esse complemento é super saudável para as reflexões.

Minutinhos depois já estava eu de volta a confortável sala do Cinesesc – e sentado no mesmo lugar – para acompanhar os filmes da Mostra Brasil 6 – Festa de Gala: Aquiles era um Twink, de Henrique Domingues; Tela Quente, de Silvino Mendonça; Vim e Irei como uma Profecia, de Fábio Rogério; A Cúpula dos Prazeres, de Valter Pereira; e Morfeu e Caronte, de Jocimar Dias Jr. e Luiz Ulian.

Nesse grupo de filmes, vale o destaque para o segundo exibido, Tela Quente. Sem rostos ou mesmos corpos, mas com um preenchimento em tela por provocações de uma situação que envolve a ardência da paixão, a infelicidade no trabalho e a sexualidade, esse curta-metragem brasiliense conquista nossa total atenção como uma espécie de primo distante de The Office, com um temperinho caliente.

A decepção ficou com Aquiles era um Twink, um filme corrido que tentei entender de todas as formas, mas que se mostrou um experimento cinematográfico tão confuso que tudo pareceu complicado, pelo menos pra mim.

Cena do filme: Morfeu e Caronte, exibido no Kinoforum 2026
Cena do filme: Morfeu e Caronte, exibido no Kinoforum 2026

Mas, fechando com chave de ouro esse interessante e criativo set, Morfeu e Caronte chega camuflando a dor da partida com a alegria do sonhar, através da história de um homem idoso e suas relações, cheias de intensidade e alegria, com seus dois amantes, que se misturam pelo passado das memórias que nunca deixam de estar vivas.

Depois dos 10 filmes, subi para a Avenida Paulista e fui para o hotel para descansar e pensar sobre essas obras que vi. Estava um friozinho danado, São Paulo voltando a ser São Paulo. Mais uma sexta-feira cinéfila e feliz.

O Kinoforum 2026 vai até o dia 30 de agosto com uma bela programação, totalmente gratuita. Se você quer conhecer um pouco mais do cinema brasileiro, este evento é imperdível!

10 Filmes que abordam o TERROR psicológico

O terror psicológico é muito mais amplo do que imaginamos. É uma posição em qualquer tipo de situação onde a vítima é questionada sobre tudo o que fizer, deixando-a no limite, se sentindo presa, gerando um caótico universo de emoções que podem refletir durante toda uma vida. No mundo do cinema, várias histórias nos mostram paralelos com esse recorte. Assim, resolvemos criar uma lista com filmes bastante reflexivos sobre o tema, segue abaixo 10 filmes que abordam o terror psicológico:

 

Os Escolhidos

No suspense, somos apresentados a família Barret, os apaixonados Daniel (Josh Hamilton) e Lacey (Keri RusseIl) levam uma vida pacata numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos. A paz e a calmaria terminam quando seu filho Jesse (Dakota Goyo) passa a agir de maneira esquisita.  A partir daí, resolvem investigar e uma série de estranhos e misteriosos eventos passam a fazer parte de sua rotina.

 

A Queda

Na trama, conhecemos as amigas Becky (Grace Caroline Currey) e Hunter (Virginia Gardner), duas aventureiras que adoram praticar o alpinismo que em uma dessas aventuras acabam presenciando uma fatalidade com o namorado de uma delas. Um ano se passa e a dupla de amigas volta a se reunir, dessa vez para um novo desafio: subir até uma antena de transmissão que fica a mais de 600 metros do chão localizada em um deserto na Califórnia. Algo de inesperado acontece e as amigas precisarão se unirem ainda mais para buscar soluções nas alturas.

 

A Perfeição

Na trama, conhecemos Charlotte (Allison Williams), uma musicista brilhante que anos atrás teve que paralisar a carreira para cuidar da saúde de sua mãe. O tempo passa e ela reencontra seu mentor Anton (Steven Weber), seus professores, em uma apresentação da nova estrela da escola de música que fazia parte, Lizzie (Logan Browning). As duas de cara se entendem, sentem uma conexão forte e se aproximam bastante. Durante uma viagem, uma situação acontece fazendo com que imaginemos as razões das ações quando é apresentado ao público uma outra visão daquela mesma história.

 

O Homem Invisível

Na trama, somos apresentados a arquiteta Cecília Kass (Elisabeth Moss), uma mulher que está em plena fuga de seu casamento obsessivo com Adrian (Oliver Jackson-Cohen) e busca refúgio em sua irmã Emily (Harriet Dyer) e na casa do amigo policial James (Aldis Hodge). Tudo ia indo bem até que após ser anunciado o suicídio de Adrian, Cecília passa a ser perturbada por situações inusitadas como se um homem invisível estivesse a perseguindo, fato que se mostra verdade quando descobrimos que seu ex-marido, um bilionário do ramo da tecnologia, vinha desenvolvendo um trajeto inovador que transformava a pessoa em um ser invisível. Lutando para provar seus argumentos, a protagonista embarca em uma perigosa jornada ruma novamente à liberdade.

 

O Refúgio

Na trama, ambientada na década de 80, conhecemos Rory (Jude Law), um britânico que mora nos Estados Unidos junto da esposa Allison (Carrie Coon) e dos dois filhos do casal. Rory não está feliz e consegue um emprego na Inglaterra fazendo uma enorme mudança na vida de todos da família. Só que por lá, na terra da rainha, as coisas não saem conforme o planejado, o egoísmo e o ego do protagonista levam a abalos perceptíveis nos alicerces da família. Em meio a calorosas discussões e palavras fortes jogadas ao vento, a inconsequência toma as rédeas em ações descontroladas e distantes.

 

Ata-me

Na trama, conhecemos Ricky (Antonio Banderas) um jovem sedutor que passou grande parte do seu tempo em vida em instituições psiquiátricas. Quando enfim consegue a liberdade, não pensa duas vezes e vai atrás de sua atual obsessão, Marina (Victoria Abril) uma ex-atriz pornô que está atualmente rodando um longa-metragem. A perseguição começa e logo Ricky consegue prender Marina em seu próprio prédio buscando durante dias fazer com que ela o aceite como seu amado.

 

A Casa

Na trama, conhecemos o publicitário Javier (Javier Gutiérrez), um homem que sempre teve bons empregos, morava em ótimos lugares que certo dia acaba perdendo todo esse status que conquistou após ser demitido e nunca mais conseguir um outro emprego muitas vezes por ser considerado velho demais para algumas empresas. Tendo que fazer uma nova engenharia financeira na sua vida, precisa vender o apartamento luxuoso que morava com a família. Só que os dias vão passando e Javier não consegue ficar longe do apartamento, inclusive invandindo-o várias vezes para saber mais detalhes da vida do novo morador, o vice-presidente de uma empresa de transportes Tomás (Mario Casas). Assim, começa uma obsessão que terá um destino trágico para alguns.

 

Obsessão Secreta

Na trama, que já começa a mil por hora, conhecemos uma jovem chamada Jennifer (Brenda Song) que está sendo perseguida por uma pessoa que não sabemos quem é. Após conseguir chegar ao hospital da pior maneira possível, acaba perdendo a memória. Acorda e é apresentada a seu marido Russell (Mike Vogel), que chega todo bondoso e com livros de fotos e com muitas referências de como era a vida deles juntos. Mas nem tudo é o que parece nessa história, paralelo aos descobrimentos da jovem, somos apresentados a Frank Page (Dennis Haysbert), um policial perto da aposentadoria e com traumas em seu passado que começa a desconfiar daquela situação.

 

Fuja

Na trama, conhecemos a jovem Chloe (Kiera Allen), uma estudante do último ano do high school mas que tem aulas em casa já que possui uma vida limitada, repleta de doenças. Quem cuida dela faz 17 anos é a sua mãe, a enigmática Diane (Sarah Paulson). Certo dia, algumas situações levam Chloe a descobertas aterrorizantes sobre as verdades que acontecem na sua casa.

 

Corra!

Na trama, conhecemos o jovem e apaixonado Chris (Daniel Kaluuya) que possui um relacionamento intenso com sua namorada Rose (Allison Williams) e adora fotografia. Certo dia, Rose convida Chris para conhecer sua família em uma cidade do interior. Chegando lá, é apresentado a família da namorada e coisas estranhas começam a chamar sua atenção e aos poucos o protagonista vai percebendo que nada é o que parece nessa família.

O Abismo Prateado

Violeta (Alessandra Negrini) e Djalma (Otto Jr.) são aparentemente um casal normal, felizes em seu matrimônio, e ao lado do filho adolescente, como percebemos numa das primeiras cenas do filme. Os dois ainda nutrem o fogo da paixão como fica claro para o público logo de início também.

Mas a nova obra do diretor Karim Ainouz (“Madame Satã” e “O Céu de Suely”) igualmente faz questão de nos deixar claro que algo está acontecendo com Djalma.

Ele abre o filme com um mergulho numa praia do Rio de Janeiro (onde a história se desenrola) à noite e depois a câmera o pega de perfil pensativo e ofegante. O sujeito então após breve contato em família, continua sua imersão em pensamentos angustiantes, como a trilha e a câmera de Ainouz nos mostram enfaticamente. No entanto esse não é um drama existencialista focado no personagem, e é Violeta quem assume os holofotes.

tour de force de Alessandra Negrini começa quando seu marido no filme a deixa uma estranha mensagem no celular, que a princípio ela não consegue ouvir muito bem. Daí em diante “O Abismo Prateado”, filme baseado na música Olhos nos Olhos, deChico Buarque, se torna uma busca da personagem, talvez por ela mesma.

O filme foi exibido em alguns festivais de cinema, inclusive no prestigiado Festival de Cannes em 2011, e no Festival do Rio, onde ganhou o prêmio de melhor diretor. Uma vez completamente transtornada pela mensagem inesperada de seu marido, que como podemos ouvir claramente de forma estarrecedora mais para frente no filme, afirma que irá alongar a viagem de negócios indefinidamente, e que não ama mais a companheira. Segundo o sujeito, a vida em comum estava enlouquecendo-o.

Vemos transparecer na personagem de Negrini as mais diversas formas de reação. Ela tenta ir atrás do marido em Porto Alegre, se isola num quarto de motel, e inclusive sai para beber e dançar numa boate como forma de negação, ao som de Maniac, música de Michael Sembello para o filmeFlashdance”. “O Abismo Prateado” é uma obra de arte, e não pretende ser algo voltado ao entretenimento. Sua única preocupação é mostrar de forma honesta e crua o sofrimento de um ser humano, e seu comportamento durante um dos momentos mais difíceis de sua vida, psicologicamente falando.

Aqui não existem muitos diálogos, nem mesmo no encontro de Violeta com a menina interpretada pela atriz mirim Gabi Pereira, e seu pai (vivido por Thiago Martins), que se conectam de forma especial mesmo que por apenas uma noite. “O Abismo Prateado” assim como muitas obras-primas do cinema, é uma experiência a ser vivida e sentida, através especialmente de imagens. Alessandra Negrini consegue ser a tradução de beleza, fragilidade, desespero e loucura, e segurar esse filme como seu.

Crítica | Canção de Ninar – Um lindo recorte contemporâneo da maternidade [Festival do Rio 2022]

Exibido na Mostra Panorama do Festival de Berlim e selecionado para o Festival do Rio, Canção de Ninar nos leva para uma jornada profunda de uma forte protagonista, cheia de conflitos sobre a chegada da primeira filha, e também do reencontro com o seu passado além das surpresas que chegam na sua trajetória. Escrito e dirigido pela cineasta espanhol Alauda Ruiz de Azúa, o filme, extremamente sensível, delicado, que se entrega à melancolia de forma inteligente, é um recorte contemporâneo da maternidade.

Na trama, conhecemos a jovem Amaia (Laia Costa), de cerca de 30 e poucos anos, que acaba de ser mãe de primeira viagem. Após o nascimento da criança, ela passa por diversas fases, como: a relação com o seu lado profissional agora sendo mãe e os conflitos com o marido Javi (Mikel Bustamante) muitas vezes ausente. Em todos esses momentos, seu pai Koldo (Ramón Barea) e sua mãe Begoña (Susi Sánchez, em grande atuação) se mostram presentes e em certo momento onde já não consegue mais lidar com tudo que vem passando sozinha resolve passar um tempo com eles na casa onde morou quando pequena. Esse período será de grande aprendizado e também trará grandes surpresas.

As dificuldades da primeira gestação é o abre alas desse interessante projeto que vai apresentando ramificações mas que não chega a ser um conflito de gerações, os intensos diálogos nos mostram paralelos entre mãe e filha talvez aí um embate implícito dentro do olhar maternal. Não chega a ser uma reviravolta mas o roteiro apresenta surpresas onde quem ajuda e é ajudado se inverte levando esse projeto para outras questões onde o olhar da protagonista se reconstrói chegando à conclusão que a perfeição é algo inalcançável. Em muitos desses momentos brilha o talento de Laia Costa e do grande destaque do filme Susi Sánchez. Impressiona a carga dramática alcançada das duas em cena, nosso olhar fica atento a cada diálogo entre as duas.

Em seu primeiro longa-metragem da carreira, após uma série de curtas que ganharam mais de cem prêmios nacionais e internacionais, Alauda Ruiz de Azúa, que é formada em Filologia (o estudo da linguagem por meio de fontes históricas), consegue passar ao público as fases emocionais mais intensas de um período na vida de sua protagonista, as descobertas, aprendizados e principalmente as várias formas de enxergar o amor.

Adeus, Minha Rainha

O TÓRRIDO CASO DE AMOR DE MARIA ANTONIETA

O consagrado cineasta francês Benoît Jacquot entrega a sua visão da corte durante a Revolução Francesa (baseado no livro de Chantal Thomas). No filme acompanhamos tudo através dos olhos de Sidonie Laborde, uma jovem servente do palácio real, cuja função era ler e recomendar livros para a Rainha Maria Antonieta, papel da bela Diane Kruger (“Bastardos Inglórios”). Sidonie é interpretada pela igualmente bela e jovial Léa Seydoux, atriz francesa de 27 anos que vem se destacando também em Hollywood, tendo participado de filmes como “Robin Hood” e “Bastardos Inglórios”,  e marcado presença no prestigiado “Meia Noite em Paris”, de Woody Allen, e no blockbuster “Missão: Impossível –Protocolo Fantasma”, no qual interpretava a vilã Sabine.

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O diretor Jacquot, presente após a exibição do filme para um debate, confessa que Seydoux foi sua primeira escolha para o papel, e a primeira escalada na produção, afinal sua personagem é a força e alma do filmeA personagem precisava ser uma mescla de inocência e astúcia. Sonhadora, apaixonada pela ideia do que significava a Rainha, como todos ao redor tratavam de apontar, mas esperta o suficiente para fazer seus próprios jogos com a verdade, o que incluía a grande amizade com o idoso funcionário dos arquivos reais. 

Seydoux já mostrou poder ser a dama fatal, mas faz o caminho inverso aqui, apenas como uma jovem da qual os outros funcionários do castelo nada sabem. A atriz exibe suas belas formas nuas num dos momentos de maior emoção e dramaticidade no filme, em que muito é pedido dela por seu objeto de afeto. Adeus, Minha Rainha” nos joga num período crítico para a realeza francesa da época, nos momentos decisivos quando o povo tomava o poder, e escorraçava os regentes, obrigados a saírem fugidos do castelo. 

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Ao contrário do filme de Sofia Coppola de 2006, protagonizado por Kirsten Dunst, o filme de Jacquot não deseja criar simpatia com a Rainha francesa, nas palavras do próprio diretor, sua Maria Antonieta é comparável a um animal perigoso, uma regente distante e indiferente. O filme de Jacquot tem como parte de sua trama a Revolução Francesa, mas foca numa espécie de triângulo amoroso entre três mulheres. 

Apresenta o amor de Maria Antonieta declarado pela Duquesa Gabrielle de Polignac, papel de Virginie Ledoyan (“A Praia”), com quem o diretor já trabalhou anteriormente duas outras vezes, em “La fille seule” (1995) e “Marianne” (1997). E mostra a obsessão da jovem Sidonie pela Rainha, sempre atrás de portas entre-abertas, espreitando e ouvindo conversas. É assim que o diretor nos situa na obra entreouvindo sem nunca nos deixar participar ou tomar frente.

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Em partes “Adeus, Minha Rainha” se assemelha a “Assassinato em Gosford Park”, de Robert Altman, ao nos mostrar e inserir mais no contexto dos funcionários da burguesia, e na maneira em que se relacionam, na hierarquia dos serventes, seus cômodos e refeitórios. Dessa forma nos transportando diretamente para tal era e local. Jacquot em seu discurso ao vivo não deixou de apresentar seu currículo, e de nos enaltecer com sua presença.

Disse que sua experiência de carreira lhe permite fazer filmes com grandes orçamentos, e que ficou cético por apenas receber críticas positivas de sua obra. Sobre a presença mais hollywoodiana de seu projeto, a atriz alemã Diane Kruger, o diretor foi categórico: “Ela me procurou quando soube do filme, e conseguiu o papel colocando uma arma na minha cabeça”, brinca o diretor.

Crítica | Segredos em Família tem ritmo lento, mas final é SURPREENDENTE [Festival do Rio 2022]

Um clima de tensão constante, cenas chocantes, diálogos marcados pelo confronto, assédio sexual. O longa-metragem chileno Segredos em Família nos apresenta de maneira excruciante o retrato de uma família disfuncional, até mesmo parte preconceituosa, que fica presa em uma Ilha no sul do Chile. Exibido no Festival de San Sebastian em 2019 e no Festival do Rio desse ano, dirigido pelo cineasta Jorge Riquelme Serrano (em seu segundo longa-metragem na carreira), somos conduzidos até os conflitos de um ‘big brother’ instaurado que logo aflora o pior lado de relações já conflituosas, mostrando até mesmo uma parte sombria de seus personagens. No elenco, a excelente atriz Paulina García (do sucesso Gloria).

Um ambicioso casal em busca de um empreendimento, leva os pais de uma das partes para uma visita à uma ilha onde supostamente existe um ótimo lugar, onde não falta nada, e daria um ótimo hotel. O intuito desse convite é conseguir uma boa parte do dinheiro de entrada desse negócio. Acontece que o responsável pela casa na ilha, após algumas situações constrangedoras com elementos da família, acaba fugindo, deixando o restante das pessoas sem ter como sair da ilha. O que era pra ser um passeio agradável, regado à vinho e conversas descontraídas logo vira um ambiente hostil, tenso, onde facetas escondidas logo vem à tona.

Partimos do encontro de três gerações: os avós, os pais e os filhos. Só por isso, já dá pra imaginar iminentes conflitos. Os mais velhos parecem analisar o casal mais novo, destilando veneno pra todos os lados, se colocando como os senhores da razão em relação a todos os assuntos. As críticas que não são faladas ‘olho no olho’ vão nos mostrando as verdades de personalidades dúbias. O clima de tensão tem seu início na questão da sobrevivência, por estarem em um lugar inóspito, sem água e outras coisas básicas. Mas logo uma surpreendente questão vira palco de questionamentos, com os personagens já no seu desfecho não sabendo lidar com o ocorrido. O público é surpreendido nos minutos finais, com o roteiro deixando em entrelinhas rasas qualquer desdobramento sobre o chocante fato.

O ritmo é lento, mas há um sentido nisso, aos poucos vamos nos surpreendendo e chocados assistimos uma série de situações destrutivas, absurdas. Rodado na comuna de Calbuco, Região de Los Lagos, no Chile, o projeto bate na tecla de que as aparências enganam, do fato mais que lógico que não existe família perfeita, da pergunta filosófica que acaba fazendo total sentido aqui nessa história: Afinal, as pessoas nascem boas ou más? Ou é o seu caminho de escolhas que te leva para um lado ou outro?

Os Melhores Filmes de Zumbi

Impregnados na cultura pop, os zumbis não poderiam estar em maior evidência na atualidade. De antagonistas monstruosos e inexplicáveis, as criaturas passaram a anti-heróis e protagonistas dos próprios filmes. No entanto sempre utilizados como metáforas implícitas, os zumbis já tiveram diversos significados ao longo dos anos. Vamos dar uma olhada nos principais deles:

 

 

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Crítica Social – A Noite dos Mortos Vivos (1968)                                      

A obra do cineasta George Romero data de 1968, e é a precursora da onda que vemos hoje. Filmado todo em preto e branco, o filme mostrava os mortos voltando à vida de forma inexplicável. O fato deixava um grupo aleatório de pessoas aprisionadas numa casa como último refúgio. Lá dentro, os sobreviventes encontravam na figura de Ben (Duane Jones), um negro, seu líder. O fato parece não ter relevância atualmente, mas tenha em mente que esse era o auge da época da segregação racial americana, e a trama se passa inclusive numa cidade sulista, berço do fervor racista. Poucos filmes (ou quase nenhum) apresentavam um protagonista de tal raça naqueles tempos. O desfecho da obra, também escrita por Romero, é um tapa na cara da sociedade da época.

 

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Fanatismo Religioso e Protesto antiarmamentista – A Última Esperança da Terra (1971)

Embora o conto original tenha sido escrito por Richard Matheson (um dos ícones da literatura fantástica americana, falecido no último domingo) em 1954, e um filme dele tenha sido feito em 1964, estrelado por Vincent Price (Mortos que Matam /  The Last Man on Earth), foi essa a versão que se tornou extremamente popular e conhecida. Protagonizado pelo astro Charlton Heston (saído do sucesso Planeta dos Macacos), o filme traz a humanidade devastada por um vírus e aparentemente um único sobrevivente. Os zumbis aqui, no entanto, são completamente diferentes. Seres albinos, eles são capazes de se comunicar, e são bastante inteligentes. Seus únicos temores são o sol e o fogo. Seu ideal é construir uma nova sociedade, longe dos maquinários e armamentos que destruíram a raça humana, segundo seu pensamento. A gangue do Mathias, como é conhecida essa espécie de seita, deseja a paz entre todos os seres, e se pensarmos bem, o verdadeiro antagonista dessa nova realidade é o homem das cavernas brutal e sanguinário, interpretado por Heston. Curiosamente, anos depois Heston se tornaria o porta voz da América armada.

 

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Consumismo – O Despertar dos Mortos (1978)                                         

Nova década, nova crítica. Usando mais uma vez os mortos-vivos como pano de fundo para a sua grande alfinetada na sociedade americana contemporânea, George Romero procurou ao redor um assunto para explorar. E o que chamou sua atenção foi o consumismo exacerbado promovido pelos shopping centers e os cartões de crédito – no auge de sua popularidade inicial. Dessa vez pessoas ficavam presas num grande shopping, e ao final, quando as criaturas finalmente conseguem adentrar o local, Romero traça um paralelo entre as criaturas vagarosas e anestesiadas num estado de transe, e os consumidores que recaem no mesmo estado, sempre em busca de mais do que necessitam.

 

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Orgulho trash e Capitalização – Série A Volta dos Mortos Vivos, Re-Animator e outros (década de 1980)

Entrando em uma nova década, os anos 1980 ficaram conhecidos por ser o berço do cinema entretenimento. O tipo de filme que visava e tinha cacife para lucros astronômicos. O que é condenável, no entanto, é que muitas dessas produções hollywoodianas da época visavam apenas o lucro e o entretenimento, sem um valor qualitativo específico. Aqui, por exemplo, diversas produções de terror foram criadas capitalizando em cima do que Romero e outros criaram no passado, sem acrescentar grandes pensamentos sobre um determinado assunto, ou qualquer um por assim dizer. O único objetivo de tais produções parecia ser assustar e arrastar fiéis seguidores aos montes. Então, se reclamamos hoje de séries intermináveis e sem conteúdo como Jogos Mortais e Atividade Paranormal, temos que agradecer a essa época.

 

6

Refilmagem – A Noite dos Mortos Vivos (1990), Madrugada dos Mortos (2004) e Eu Sou a Lenda (2007)

A aparente falta de ideias que domina a Hollywood atual recheada de refilmagens, já existe há certo tempo (embora realmente tenha atingido seu ápice agora). Os zumbis pareciam mortos e enterrados, já que seus criadores não tinham muito mais a dizer, apenas reciclar ideias. A refilmagem do clássico absoluto de Romero passou em branco e a única coisa que parece ter adicionado foi cores. Já com o outro filme de RomeroO Despertar dos Mortos, que se tornou Madrugada dos Mortos, a abordagem foi justamente mudar a abordagem. E assim de crítica ao consumismo, a obra se tornou um produto dele, mirado apenas ao entretenimento, num filme questionador da sobrevivência mas sem o mesmo tema central. Eu Sou a Lenda, nova abordagem ao texto de Matheson, trazia Will Smith num tour de force, num blockbuster que faz mais pelo espetáculo visual do que por um conteúdo indagador.

 

7

Reinvenção – Extermínio (2002)                                                                    

Isso tudo pôde ser deixado de lado. O diretor inglês Danny Boyle, diretor de clássicos subversivos como Trainspotting – Sem Limites, ousa e cria um filme de zumbi totalmente diferente de tudo o que já havia sido mostrado até então. Uma produção minimalista que apresenta uma atmosfera documental, e recaptura o espírito da obra original de Romero. Isolados não mais numa casa, mas numa cidade inteira, os personagens lutam para sobreviver a essa nova realidade. Nada de mordidas para ser contaminado, tudo o que basta agora é o espirrar de uma gota de sangue na boca ou no olho para a vítima se transformar numa criatura raivosa e acelerada. Essa é uma das grandes novidades que Boyle trouxe ao subgênero, seus zumbis não são mais criaturas lentas, são torcedores organizados de um time, com grande fúria e velocidade. Ativistas tentando libertar cobaias de laboratórios entram bem, e iniciam o apocalipse.

 

8

Humor Britânico – Todo Mundo Quase Morto (2004)                          

Em meados da década passada ainda era possível adicionar originalidade ao subgênero dos filmes de mortos-vivos? Outro inglês prova que sim (eles merecem todo o crédito pela reinvenção das criaturas). Edgar Wright estreia na direção com um longa que é pura sátira de tudo o que já havia sido criado até então para o cinema de zumbis. Sem saber, os envolvidos criavam um clássico moderno, personagens icônicos, e uma das duplas mais cultuadas da atualidade, Simon Pegg e Nick Frost. Dois amigos perdedores precisam amadurecer, e quer época melhor para isso do que durante um apocalipse zumbi. Sem que percebam, para variar, o mundo muda a seu redor. Shaun, personagem de Pegg, parte da brincadeira com o título original,  precisa ascender à ocasião se tornando o líder de seu grupo de amigos sobreviventes. Essa é uma comédia inglesa, que como de costume usa muito humor seco e negro.

 

9

Entretenimento Garantido – Zumbilândia (2009)                                  

Pegando carona no que Todo Mundo Quase Morto tornou possível, a obra do diretor Ruben Fleischer vai além em matéria de entretenimento pop e aura “cool”. Um Cult instantâneo, Zumbilândia mostrava que também sabia fazer bem uma sátira aos filmes de zumbi, clamando de volta a criação de seu conterrâneo. No meio de uma realidade devastada, o protagonista interpretado por Jesse Eisenberg criou um conjunto de regras para a sobrevivência. Elas são eliminadas quando ele conhece o durão personagem de Woody Harrelson, e as irmãs interpretadas por Emma Stone e Abigail Breslin.  Além de diversas referências e piadas implícitas, o filme é legal o suficiente para chamar seus personagens não pelos nomes, mas pelas cidades de onde são originários. No caso da vizinha interpretada pela gata Amber Heard, ela é simplesmente chamada pelo número de seu apartamento. A obra ainda guarda um dos momentos mais hilários do cinema recente, com a participação de um certo Caça-Fantasma. Infelizmente, ou quem sabe felizmente, a obra ganhou uma série de TV ao invés de uma continuação.

 

10

Série de TV – The Walking Dead (2010)                                                      

Depois de tamanho impulso recente no cinema, o único lugar para onde os zumbis faltavam migrar era para a telinha. Em 2010 isso mudou, com o primeiro seriado focado exclusivamente nos mortos vivos, The Walking Dead. Baseado numa história em quadrinhos, a versão para a TV se tornou um sucesso imediato, e uma verdadeira febre, criando uma legião de seguidores.

 

11

Protagonista Romântico – Meu Namorado é um Zumbi (2011)          

O conceito de originalidade pode ter feito mal a essa produção. E o fato é confundido com besteira, quando se tem em mente recriar o sucesso de uma das menos interessantes séries cinematográficas a utilizarem uma figura mitológica assustadora, bom pelo menos para pessoas acima dos 18 anos, a saga Crepúsculo. A ideia aqui é capitalizar em cima do romance, e “crepuscular” essa produção, que na realidade é baseada num livro. Um morto-vivo (que agora passam a pensar) aos poucos volta a ser humano quando se apaixona pela protagonista, vivida pela bela australiana clone de Kristen StewartTeresa Palmer. O jovem talentoso Nicholas Hoult se sai bem como R, o zumbi apaixonado; mas algo aqui parece estar errado, fora do lugar. De atestados sociais, os zumbis passaram a objeto de afeto em romances adolescentes.

 

12

Blockbuster – Guerra Mundial Z (2013)                                                      

Mesmo já tentado outras vezes, como em Eu Sou a Lenda, essa nova produção leva os filmes de zumbis a outro nível. Guerra Mundial Z é o 007 dos filmes de zumbis. Uma superprodução recheada de ação, adrenalina e efeitos visuais, que leva um protagonista por diversas localidades pelo muito, em busca de um objetivo, se envolvendo em diversas aventuras, e escapando das situações mais impossíveis. Baseado num livro cultuado, que reunia relatos fictícios espalhados pelo mundo, a versão cinematográfica leva apenas o título consigo, e aqui é Brad Pitt para todo o lado. Estruturado em três etapas, aqui temos tensão junto a família, onde Pitt tenta proteger os seus (parte que se assemelha a Guerra dos Mundos, de Spielberg); temos Pitt pelo mundo, com direito a uma das melhores cenas, no avião; e o desfecho, mais semelhante aos filmes de mortos vivos intimistas que se passem dentro de locais fechados. Guerra Mundial Z faz o favor de adicionar elementos novos à mitologia das criaturas, e aqui uma espécie de cura aparente é encontrada.

5 Filmes sobre Escritores em crise

Filmes sobre crises existenciais não deixa de ser algo frequente ano após ano no cinema. Mais e um escritor em crise? A expressão de ideias em uma folha de papel, uma máquina de escrever, um computador ou qualquer lugar onde se expressa-se variáveis técnicas, ou até mesmo estilos de escrita sempre nos levaram para universos conflituosos de mentes brilhantes ao longo do tempo. Para refletir sobre esse tema, em obras baseadas em fatos reais ou não, segue abaixo 5 filmes sobre escritores em crise:

 

Meia-Noite em Paris

Um dos mais aclamados filmes do cineasta norte-americano Woody Allen, em Meia-Noite em Paris acompanhamos uma trama onde durante uma viagem de lazer à Paris com sua mulher e seus sogros, um escritor bastante deslumbrado com as características marcantes dessa bela cidade, descobre a capital francesa sozinho pela madrugada indo para décadas atrás da mesma cidade onde conhece intelectuais e pessoas que admira no seu presente.

 

Shirley

Na trama, conhecemos a indelicada, inconveniente, provocativa, excêntrica, adivinhadora de futuros, que sofre com conflitos internos, tem uma visão complicada do mundo, vive tragédias diárias em seu casamento, a escritora Shirley Jackson (Elisabeth Moss) que passa sua vida reclusa em uma casa confortável, tendo a companhia do seu marido Stanley (Michael Stuhlbarg), um prestigiado professor de universidade. Com a chegada do jovem casal Rosa (Odessa Young) e Fred (Logan Lerman) para morarem durante um tempo na casa de Shirley e Stanley, a nova dinâmica mexerá bastante com a rotina depressiva da primeira que entre outros feitos, embarca em uma análise angustiante sobre si mesma e tudo que cria nos seus elogiados textos influenciando a imatura e sem experiência de vida Rosa.

 

Bem-vinda, Violeta!

Filmado em Ushuaia, na Patagônia argentina, na trama conhecemos a escritora Ana (Débora Falabella) que resolve embarcar em uma viagem para uma espécie de laboratório criativo onde ela e outros escritores participam de dinâmicas comandadas pelo enigmático Holden (Darío Grandinetti), um homem cheio de personalidade que ficara famoso no mundo literário após queimar exemplares dos seus livros no dia do lançamento. Os dias nesse lugar são intensos e provocantes, há uma necessidade de um abandono de si mesmo e um embarque na personalidade dos principais personagens das respectivas obras. Aos poucos, a forte protagonista começa a se perder, se descontruindo em torno de uma de suas personagens do seu último livro.

 

Borboletas Negras

A trama conta a vida de uma Sul-Africana, com muitos problemas, que em seus momentos de lucidez é uma escritora muito famosa. Tem um relacionamento muito difícil com o pai (Abraham Jonker, muito bem interpretado pelo sumido Rutger Hauer), que começou a criação dela após a internação seguida de falecimento da mãe. Após ser salva no mar, bem no início do longa, começa um relacionamento com um escritor também muito famoso e juntos enfrentam os movimentos políticos da época, a bebida, o desejo sexual e a loucura que vão tomando conta da personagem principal de maneira intensa.

 

Crupiê – A Vida em Jogo

Na trama, conhecemos Jack Manfred (Clive Owen), um homem que tenta conseguir um grande chance em uma editora no sonho de escrever um best-seller. Com muito tempo para escrever mas com a grana curta, devendo inclusive o aluguel para a namorada Marion (Gina McKee) que mora com ele, recebe uma ligação certo dia de seu pai, um malandro que mora na África do Sul que conseguiu para Jack um emprego como crupiê em um cassino em Londres. Jack aceita o serviço e começa a trabalhar no lugar. Lá conhece os funcionários, os jogadores e conforme vai gostando da nova profissão acaba atraindo conflitos para seu presente mas que podem servir como variáveis importantes para seu próximo livro.

Red 2 – Aposentados e Ainda Mais Perigosos

A PIADA FICA MENOS ENGRAÇADA NA SEGUNDA VEZ

Realmente precisávamos de um “Red 2”? O primeiro “Red – Aposentados e Perigosos”, lançado em 2010, rendeu para o estúdio Summit Entertainment $200 milhões ao redor do mundo, tendo como orçamento menos de $60 milhões. Essa é uma produção de porte médio em Hollywood, que podemos afirmar ser bem sucedida. Obviamente numa indústria de exageros, qualquer chance de mínimo lucro será tentada, e lá se vai nosso dinheiro.

Baseado em quadrinhos da DC Comics (alguns dos únicos que conseguem emplacar, ao lado de Batman e Superman), o filme original mostrava um grupo de ex-agentes da CIA sendo caçados por uma missão da década de 1980, agora em sua aposentadoria. Bruce Willis, Morgan Freeman, Helen Mirren e John Malkovich, até tiravam certa graça de situações, onde o mote era ver veteranos da terceira idade realizando tarefas altamente precisas, melhor do que rivais com metade de suas idades.

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No mesmo ano era lançado “Os Mercenários”, com Stallone encabeçando, que seria a produção mais comparável. Mas se por um lado o foco da trupe de Stallone era a ação exagerada e a vontade de ainda exalar testosterona para as crias dos anos 1980, “Red” se preocupava em trazer atores melhores e com o status do Oscar (o que por um lado pode ser mais divertido para algumas pessoas), e focar no humor ao invés da violência.

Em “Red 2 – Aposentados e Ainda Mais Perigosos” temos as voltas de Bruce Willis e Mary Louise Parker (em alta novamente após a série “Weeds”), que estão casados e curtindo a vida simples a dois. Ou pelo menos Willis está, já que Parker deseja acima de tudo um pouco de adrenalina em sua vida. Seu pedido é atendido com a chegada do amalucado Marvin, papel de John Malkovich. A história é o que menos importa aqui, essa é uma produção extremamente genérica e rotineira.

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É o tipo de filme que entretém enquanto estamos assistindo, consegue emplacar a maioria de suas piadas, e as cenas de ação não são de todo ruim. O problema é que a produção não é nem um pouco memorável, e será um desafio para qualquer um conseguir lembrar uma cena sequer no dia seguinte da exibição.

Em poucos minutos, o trio vivido por Willis, Malkovich e Parker, está sendo caçado por novos agentes da CIA, liderados por Neal McDonough (“Capitão América”).  Ele contrata os serviços do melhor assassino do mundo, papel de Lee Byung-hun (o Storm Shadow de “G.I. Joe”), para eliminar Willis, um antigo desafeto. Porém, nem ao menos boas cenas exibindo os talentos marciais de Byung-hun temos no filme, já que as cenas confeccionadas pelo diretor Dean Parisot (“Heróis Fora de Órbita”, 1999) não conseguem empolgar nem o maior entusiasta de filmes de luta.

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Junte à mistura, o cientista louco vivido por Anthony Hopkins, que precisa ser resgatado pelos heróis, uma bomba química inventada por ele, viagens por Londres, Paris e Rússia, uma antiga namorada de Willis interpretada por Catherine Zeta-Jones (no papel de uma russa sem sotaque), e os retornos dos personagens de Helen Mirren e Brian Cox. Mais uma vez, “Red 2” não é um filme ruim, dependendo de sua definição.

É simplesmente um filme que não precisava existir, por não acrescentar nada a uma fórmula já muito gasta. Fica difícil explicar para qualquer um sobre o que é o filme. Bom, mas vou tentar: é sobre cenas de ação impossíveis e piadas, em sua maioria inocentes. É um filme preguiçoso, que escolhe o caminho fácil do seguro.

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Com todos esses “elogios”, digo ainda que consegue ser melhor do que o outro grande filme de Willis no ano, “Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer”, simplesmente pelo fato de que John McClane já foi grande uma vez.

Ps. A melhor tirada do filme é com Helen Mirren num manicômio, referência que os mais novos talvez não peguem.

5 Séries DOCUMENTAIS Imperdíveis nos streamings

As séries documentais viraram um formato interessante e com grande demanda dentro do planeta audiovisual. Com a chegada dos streamings, essa produções ganharam maior destaque e muitas vezes somos apresentados a ótimos trabalhos com uma qualidade que impressiona. Pensando nesse recorte, viemos aqui com sugestões para você que gosta desse formato, abaixo, segue 5 séries documentais imperdíveis pelos streamings:

 

A Garota Desaparecida do Vaticano

Os segredos por trás das verdades escondidas. Chegou recentemente à Netflix uma série documental que aborda um fato real, um misterioso desaparecimento de uma jovem de 15 anos que morava no Vaticano nos anos 80 que se torna o início de uma história onde acompanhamos a busca de soluções de familiares e jornalistas em um caso que abalou os italianos. A Garota Desaparecida do Vaticano é recheado de matérias da época, entrevistas, depoimentos de quem viveu intensamente essa história. O projeto busca reunir em uma via todos os passos de família e jornalistas em busca das verdades sobre o ocorrido.

 

Vale Tudo com Tim Maia

O Spielberg frustrado que virou um ícone da música brasileira. Com exibição de dois episódios no Festival do Rio 2022, a série documental Vale Tudo com Tim Maia, já toda disponível na Globoplay, consegue por meio de uma ótima edição e montagem contar a trajetória de um dos artistas mais peculiares da história da música popular brasileira, por ele mesmo. Dirigido por Nelson Motta e Renato Terra, com manchetes de jornais, vídeos da vida pessoal, entrevistas na televisão, imagens inéditas, até mesmo uma passagem de um curta-metragem da década de 80 do cineasta Flávio Ramos Tambellini, e também gravações na antiga TV Tupi, o projeto nos mostra vários momentos do eterno síndico.

 

Pacto Brutal – O Assassinato de Daniella Perez

Disponível na HBO Max, uma das séries documentais que mais chamaram a atenção do público em 2022 foi sem dúvidas Pacto Brutal – O Assassinato de Daniella Perez. No projeto, dividido em alguns episódios, vamos conhecendo detalhes importantes da história por trás do assassinato da atriz Daniella Perez na década de 90 no Rio de Janeiro, um crime que choca o país até hoje.

 

Arremesso Final

Uma das maiores dinastias dos esportes norte-americanos, o super time do Chicago Bulls que dominava a liga da NBA nos anos 90 ganhou uma série documental de 10 impactantes episódios onde conhecemos um pouco melhor alguns detalhes que fizeram parte da história dos esportes mundiais. Liderados por Michael Jordan, grande ícone desse time, o projeto nos mostra o início da carreira desse grande astro do basquete, sua aposentadoria e seu retorno para uma nova conquista. Há reflexões sobre o início, meio e fim dessa dinastia que já está na história.

 

Hebe – Um Brinde À Vida

Disponível no Globoplay, a série documental sobre a maior apresentadora da história da televisão brasileira, Hebe Camargo, é um projeto emocionante que mostra muito da personalidade carismática dessa grande mulher que deixa saudades até hoje. Com depoimentos da família, de amigos, e de inúmeras personalidades de todos os campos culturais de nosso país, temos a chance de relembrar momentos históricos no seu caminho profissional.

Sem Dor, Sem Ganho

 MICHAEL BAY TORTURA NÃO SÓ SEU PERSONAGEM, MAS SEU PÚBLICO PRINCIPALMENTE

Lançado em abril nos Estados Unidos, no início da temporada das grandes produções do meio de ano, Sem Dor, Sem Ganho é o novo filme do megalomaníaco Michael Bay (Transformers: O Lado Oculto da Lua). Apesar de constantemente execrado pelos críticos, Bay é um verdadeiro pote de ouro para os estúdios, e com a franquia Transformers rendeu uma verdadeira fortuna para a Paramount. Seus filmes podem ser acusados de tudo, menos de fracassos financeiros.

Bay é considerado o Christopher Nolan dos pobres, um diretor de blockbusters autoral, que tem grande poder de decisão dentro de suas produções, e que é inclusive ele mesmo um produtor dentro do seu selo Platinum Dunes. A brincadeira em relação ao diretor da trilogia do Cavaleiro das Trevas se deve porque ao contrário de Nolan, Bay se empenha muito mais na parte técnica do que em suas histórias ou personagens.

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O cineasta acredita inclusive em seu estilo, e recria momentos similares em todos os seus filmes (como os personagens levantando de um grande baque em câmera lenta enquanto a câmera os circula, câmera num trilho circular enquanto a ação está acontecendo na forma de um carrossel, e, é claro, direção de arte com cores berrantes e saturadas). Tudo isso seria realmente perdoado se por trás de tanto estilo tivéssemos alguma substância.

Nos Estados Unidos, Bay exibindo pouco profissionalismo proibiu a entrada do crítico Peter Travers (forte detrator seu), da revista Rolling Stone, na exibição para a imprensa. Travers, assim como todos nós, admitiu ter grandes esperanças para o novo filme de Bay, afinal a obra foi produzida pela bagatela de $26 milhões, o que geralmente é o valor do lanche da equipe dos filmes do diretor. O fato poderia traduzir em uma obra mais intimista e honesta.

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Porém, com incômodos 130 minutos de projeção, é seguro dizer que esse é o pior filme da carreira de Michael Bay. Por mais que seus filmes anteriores fossem considerados idiotas, ainda existia certo teor de diversão. Sem Dor, Sem Ganho é simplesmente doloroso de assistir. Um filme sem qualquer valor de entretenimento, mas no entanto vendido de tal forma. Essa pode ter sido a pior ideia de todos os tempos a ser transformada num filme de verão americano, um blockbuster que deveria causar identificação, distração e divertimento.

Baseada em fatos reais, a história apresenta três marombeiros de cabeça oca, que planejam e sequestram um sujeito, na Miami dos anos 1990. Comandados pelo personagem de Mark Wahlberg (Linha de Ação), os sujeitos musculosos torturam o pobre infeliz, e numa cena realmente grotesca e difícil de ser assistida, tentam repetidas vezes matar a vítima das formas mais inusitadas. É como assistir a um desastre de trem. O problema realmente é que tudo é feito com a finalidade de arrancar risadas da plateia. Deveríamos rir da imbecilidade do trio, quando na verdade nos contorcemos identificando com o sofredor.

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Assim como na comédia lançada direto para vídeo no Brasil, 30 Minutos ou Menos (também baseada em fatos reais), os envolvidos com a verdadeira história reclamaram que um fato que só causou sofrimento para todos tenha sido tema de uma obra voltada ao entretenimento. A diferença é que 30 Minutos ou Menos mergulha totalmente na caricatura, e não deixa dúvida de que estamos assistindo a uma comédia. Bay parece ter aspirações maiores.

Ele não deseja fazer somente um filme de comédia, mas sim uma sátira, como a indicada ao Oscar Sofia Coppola fez com seu Bling Ring. Mas talvez Bay não esteja preparado para tanto. Como na maioria de seus filmes ele deseja abraçar o mundo, nem de perto chegando próximo ao alvo. Sem Dor, Sem Ganho é uma comédia, uma sátira, um filme de ação e um filme de sequestro. Mas acima de tudo é uma das produções mais sem alegria e de forma geral desagradável que assisti em muito, muito tempo.

10 Filmes que te fazem olhar para o relógio a todo instante

Não adianta, tem filmes que não conseguimos nos conectar, que nos levam ao tédio nos seus inacabáveis minutos! Pode ser por uma enorme reunião de clichês, por falta de desenvolvimento de personagens ou mesmo a falta de criatividade ao criar uma narrativa. Pensando nisso, reunimos abaixo algumas produções (na opinião desse que escreve) que se encaixam nesse cenário.

Obs: Você também já assistiu a um filme e teve essa mesma sensação? Desabafe em nossa caixa de comentários!

 

Esquadrão 6

Na trama, que começa de maneira frenética, conhecemos Um (Ryan Reynolds), um bilionário que após viver de perto horrores contra inocentes, resolve ‘se matar’ de mentirinha e passar a viver escondido em lugares onde nunca fora visto. Além disso, começa um projeto de comandar uma equipe de pessoas sozinhas no mundo mas habilidosas em suas áreas que vão ajuda-lo a combater as mentes do mal pelo planeta. Cada um deles é conhecido por um número. Numa reunião de idas e vindas via flashbacks durante a ação principal, vamos conhecendo alguns recrutamentos e um pouco mais da história de toda a equipe.

 

Xtremo

A lenda dos samurais espanhóis. Dirigido pelo cineasta espanhol Daniel Benmayor, em seu quarto longa-metragem, Xtremo é uma mistura entre drama e ação com muitas cenas violentas que partem do princípio da vingança (quase um clichê quando pensamos em motivos) para justificar toda a matança e necessidade de poder dentro de furados códigos de éticas dos habilidosos matadores que aparecem ao longo das cansativas quase duas horas de duração. A pretensão de embarcar em uma profundidade dentro do drama instaurada é o furo no barco desse que projeto que tem coreografias que lembram alguns filmes asiáticos das últimas décadas.

 

Arizona

Na trama, conhecemos Cassie (Rosemarie DeWitt), uma mulher de meia idade, mãe, divorciada, que mantém uma boa relação com o ex-marido. Ela está falida e prestes a perder sua casa. Seu dia a dia é uma batalha, já que trabalha no mercado imobiliário exatamente na época de uma das maiores crises norte americanas no setor. Certo dia, após chegar para trabalhar, acaba presenciando o assassinato de seu chefe pelo desregulado Sonny (Danny McBride) que estava insatisfeito com a maneira como fora lhe passado as informações de sua atual casa e os prejuízos da mesma. Assim, Cassie e Sonny travam uma batalha sangrenta, a primeira buscando sobreviver nas mãos desse maluco e o segundo, bem o segundo não conseguimos entender as maluquices e objetivos desse personagem.

 

The Square

Quando nem tudo sai como planejado. Depois do ótimo Força Maior, o cineasta e roteirista sueco Ruben Östlund volta às telonas com um filme que busca colocar em evidência, para debates e argumentos, o papel de cada um de nós na sociedade em que vivemos. Ao longo dos 142 minutos de projeção, vemos a narrativa da trama por meio de peça de curta duração, uma espécie de séries de esquetes, método que se desmancha em bons e sonolentos momentos.

 

Temporada de Caça

Na trama, acompanhamos o aposentado general Benjamin ford (Robert de Niro), um homem ranzinza e que vive solitário em uma cabana longe dos agitos das metrópoles. Distante da família, certo dia resolve aceitar a ajuda do desconhecido Emil Kovac (John Travolta), um homem amargurado por um passado sangrento na guerra da Bósnia e que vai para os Estados Unidos em busca de vingança. Ao pior estilo gato e rato, ambos travam uma batalha de vida e morte com tentativas frustradas de terror psicológico.

 

Um Belo Domingo

Na trama, conhecemos o tímido/introspectivo/traumatizado professor Baptiste Cambière (Pierre Rochefort), um homem que esconde de todos seu passado. Certo dia, oferece uma carona para um de seus alunos e depois de uma conversa com o pai do menino, acaba parando em uma praia paradisíaca e conhece Sandra (Louise Bourgoin), a mãe do menino. Sandra, se encontra em uma situação financeira difícil e por isso, o professor resolve ajudá-la mesmo tendo que enfrentar seu passado novamente.

 

50 Tons de Cinza

Na trama, conhecemos a bela e tímida Anastasia Steele (Dakota Johnson), uma jovem que após ir para uma entrevista no lugar de uma amiga, acaba conhecendo o misterioso empresário Christian Grey (Jamie Dornan). Logo de cara, os dois futuros pombinhos se atraem e logo começam a embarcar em uma relação peculiar, com contratos e pedidos exclusivos, tudo por conta de um segredo que Grey esconde em um quarto secreto dentro de sua casa. Lendo essa sinopse parece até um filme de mistério, né? Mas na verdade, 50 Tons de Cinza em vez de provocar acaba gerando uma outra coisa: sono.

 

A Garota do Trem

Na trama, conhecemos Rachel (Emily Blunt) que tenta seguir em frente em sua vida mesmo tendo um vício constante por álcool e ter sida abandonada pelo ex-marido. Assim, escondendo da amiga que divide apartamento que perdeu seu emprego, passa seus dias andando de um lado para o outro de trem desenhando e criando em sua imaginação histórias para seus reais personagens. Até que certo dia acaba se envolvendo como testemunha de um terrível crime que aconteceu, por grande coincidência no bairro onde seu ex-marido mora com a nova esposa e o filho recém-nascido.

 

O Poder e o Impossível

As dores e o poder do impossível. Com uma história super corrida, onde tudo acontece com uma ansiedade danada, chegou aos cinemas anos atrás, o projeto baseado em fatos reais O Poder e o Impossível. Dirigido pelo cineasta Scott Waugh e com Josh Hartnett e Mira Sorvino no elenco, o projeto parece uma propaganda motivacional, um livro de auto ajuda sobre um ex-atleta com problemas graves com drogas que vai para o alto de uma montanha, com o tempo fechando, praticar snowboard terapêutico.

 

The Catcher Was a Spy

Todo filmado em White Plains (Nova Iorque), The Catcher Was a Spy nos apresenta Moe Berg (Paul Rudd) um famoso jogador de baseball da MLB (liga norte americana profissional), fluente em muitas línguas, que acaba indo trabalhar como uma espécie de agente secreto de uma agência norte americana participando de uma missão importante.

Bernie – Quase um Anjo

COMÉDIA DRAMÁTICA REÚNE RICHARD LINKLATER COM JACK BLACK E MATTHEW McCONAUGHEY

Baseado em fatos reais, Bernie – Quase um Anjo pode entre outras coisas ser considerado tudo o que Sem Dor, Sem Ganho deveria ter sido e não foi. Essa é a diferença de ter um diretor como Richard Linklater (Antes da Meia Noite) no comando de uma obra, ao invés do hiperbólico Michael Bay (Transformers). Tudo bem que as propostas e gêneros dos filmes são diferentes, e embora baseados em fatos reais, e usando como pano de fundo o humor negro, o filme de Bay ainda é um blockbuster, um filme pipoca mirado ao grande público.

O que acontece é que com filmes assim precisa ser depositado um desenvolvimento nos personagens, para entendermos suas motivações, e principalmente tentarmos nos identificar com eles (mesmo que minimamente).  Em BernieJack Black vive o personagem título. Um sujeito boa praça, prestativo ao extremo, e carismático fora do normal. Ele trabalha numa funerária, preparando os cadáveres para o funeral. O sujeito é altamente empenhado em qualquer tipo de atividade de sua cidadezinha, e pode sem sombra de dúvidas ser considerado um cidadão exemplar.

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Entra em cena uma viúva amarga, a típica megera intolerante com quem nenhum dos moradores deseja muita proximidade. Ela é interpretada pela veterana Shirley MacLaine, uma das poucas estrelas restantes ainda vivas da época de ouro de Hollywood. A trama segue, e Bernie e Marjorie (MacLaine) desenvolvem uma amizade e um relacionamento improvável. A viúva recebeu uma polpuda pensão de seu falecido marido, e a companhia agradável do bondoso sujeito é agraciada com bens materiais e de consumo, como carros e viagens.

Porém, ao mesmo tempo em que a energia positiva de Bernie contagia a azeda mulher, sua amargura e negatividade contaminam o agradável sujeito. Nessa luta de energias o pior acontece, e Bernie é acusado de assassinar a senhora. O fato não é spoiler, pois consta em todas as sinopses e trailers, e torna impossível falar sobre o filme sem revelá-lo. Chega então o terceiro elemento nesse grupo de atores principais: Matthew McConaughey é o xerife encarregado da investigação, com um apetite acima do comum para ver o aparentemente honesto e bondoso protagonista atrás das grades.

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Baseado num artigo escrito por Skip Hollandsworth, e com roteiro do diretor Richard Linklater em colaboração com o próprio Hollandsworth, a obra conta com ótimos desempenhos do trio principal. Black e McConaughey recobram a parceria com o versátil diretor Linklater, de trabalhos como Escola de Rock (que completou uma década esse ano) e Jovens, Loucos e Rebeldes (primeiro filme de destaque do diretor, que já tem duas décadas). Linklater é um dos cineastas autorais ainda remanescentes dentro do mercado americano.

O diretor é um trabalhador constante, que gosta de entregar obras dentro dos mais variados gêneros, orçamentos e estilos, vide filmes como O Homem DuploNação Fast FoodSujou – Chegaram os Bears e Eu e Orson WellesBernie é mais um filme que faz parte da chamada “McConaissance”, a mudança de ares ocorrida na carreira do ator Matthew McConaughey, que se despegou do papel de galã em comédias rasas e aceitou o encargo de trabalhos mais ousados e desafiadores, nos últimos dois anos.

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Aqui, McConaughey é apenas o coadjuvante, mas brilha igualmente. Destaque para a cena do julgamento no tribunal, no desfecho da obra. Black já demonstrou ser um bom ator, longe de comédias escancaradas também, e aqui tem uma performance contida como o simpático e agradável homicida. Em trechos Bernie faz lembrar Mamãe é de Morte (Serial Mom, 1994), de John Waters, no qual Kathleen Turner vivia a típica mãe dos subúrbios americanos acima de qualquer suspeita, mas que escondia um lado negro.

Bernie não possui essa dualidade contraditória na superfície. O filme é mais uma produção de qualidade do cinema independente americano que não encontra lugar nas salas de cinema do Brasil, e é lançado direto em vídeo por aqui.

Por que ‘1899’ é um dos projetos mais GENIAIS dos últimos anos no universo das séries?

A nossa realidade está dentro da nossa mente. Explorando conceitos filosóficos, bebendo um pouco da fonte de Alice no País das Maravilhas e esbarrando em reflexões vistas no filme A Origem, dentro de uma busca pelo que seriam as falhas da natureza humana, todas as escolhas que de alguma forma são dominadas pelas emoções, 1899 é um seriado imprevisível, usa dos infinitos caminhos da fantasia para trazer à tona debates sobre a mente, o medo, a desconfiança, o inusitado, a fé, o sonho, o pesadelo, a perda, a dor, as escolhas.

Mas qual seria o contexto, os motivos, para tudo que assistimos? Realidade? Simulação? O quebra-cabeça criado pela dupla Baran bo Odar e Jantje Friese (mesmos criadores do sucesso Dark) é instigante, aguçando nossa curiosidade a todo instante. Uma curiosidade bem legal, um dos episódios tem uma mão brasileira, no capítulo cinco, a roteirista Juliana Lima Dehne assina o roteiro ao lado de Jantje Friese.

Abaixo, tentaremos explicar os motivos de1899ser um dos projetos mais geniais dos últimos anos no universo das séries:

 

Uma trama imprevisível

Na complexa história, conhecemos um grupo de pessoas que compram uma passagem de navio saindo de um país da Europa para os Estados Unidos. Nesse grupo de pessoas, de diversos países diferentes, estão, entre outros: Maura (Emily Beecham), Ling Yi (Isabella Wei), Krester (Lucas Lynggaard Tønnesen), Eyk (Andreas Pietschmann), Ángel (Miguel Bernardeau) Ramiro (José Pimentão), Jérome (Yann Gael), Clémence (Mathilde Ollivier), Lucien (Jonas Bloquet) Sra. Wilson (Rosalie Craig), Olek (Maciej Musial), Tove (Clara Rosager), Franz (Isaak Dentler). Parece que esses personagens, que se tornam os principais da história, possuem um elo que são os fortes traumas que viveram em um passado nem tão distante. Ao longo do trajeto dessa viagem, muitas coisas estranhas começam a acontecer e decisões sobre o que fazer colocará todos eles em risco.

 

A comunicação é uma das variáveis mais importantes nessa instigante obra

Existem muitos caminhos para análise dessa primeira temporada de oito impactantes episódios. Como caminhar pelos mistérios sem conseguir entender muitas vezes o que alguém que você precisa quer dizer? Algumas cenas podem até ser um pouco forçadas mas a ideia caminha no como superar essa dificuldade de comunicação. Nada é tão simples por aqui, sabe-se aos poucos que alguns personagens estão dentro de um contexto maior do que imaginam, como se portas para suas lembranças fossem acessadas, até mesmo uma memória falsa algo que pode suprimir a dor. Nessa questão, 1899 encosta muito próximo nos conceitos sobre memórias e sonhos aplicados por Christopher Nolan em A Origem.

 

Estímulos do cérebro causados por realidade ou por conceito?

Há uma indicação para ser um duelo entre o bem e o mal? A fé se torna epicentro de debates profundos. As escolhas que se seguem pelo caminho algumas dominadas por um conservadorismo cedo de alguns, confrontos contra a própria fé, até mesmo as escolhas daqueles que usaram a fé com ferramenta de fuga de situações passadas. Ao mesmo tempo nos deparamos com mais uma imersão de Baran Bo Odar e Jantje Friese pelo Loop infinito (conceito já visto em Dark), isso até é algo óbvio já que o símbolo que domina muitas imagens é um triângulo, uma forma geométrica de começo, meio e fim.

 

Uma Fonte Inesgotável de Criatividade e as portas abertas para respostas de lacunas não preenchidas

Pausas no tempo, teletransporte, controles remotos, besouros que abrem portas, observações da natureza humana ao estilo Big Brother, há uma fonte inesgotável de criatividade dentro de toda narrativa onde enxergamos traços de conceitos do clássico livro de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas. Aqui nesse link entre a realidade e aberturas de portas para um mundo difícil de entender nos deparamos com reflexões sobre razões de funções correlacionadas consciente e o inconsciente. 1899 deixa muitas lacunas abertas sobre o que veremos nas próximas temporadas com um desfecho que beira ao inacreditável. Baran bo Odar e Jantje Friese se consolidam mais uma vez como duas das mentes mais criativas do universo do entretenimento audiovisual contemporâneo.

Elysium (2)

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

O aguardado Elysium finalmente chega aos cinemas brasileiros. O filme marca a segunda produção dirigida pelo sul-africano Neill Blomkamp, que tomou o mundo do cinema de assalto em 2009 com seu primeiro longa, Distrito 9, produzido por Peter Jackson. A obra conquistou crítica e público, se tornando um dos filmes mais populares da última década, e inclusive recebeu uma indicação ao Oscar de melhor filme, feito raro para uma ficção científica.

Por todos esses fatores a expectativa não poderia ser maior para o próximo projeto do cineasta. E ela aumentava a cada nova revelação, fossem os atores elencados ou as imagens divulgadas. Escrito pelo próprio Blomkamp, o novo filme segue os padrões de seu projeto anterior: é uma ficção científica muito relacionável com a realidade em que vivemos hoje, um filme cru e sujo, e que acima de tudo serve como grande crítica social e política.

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No futuro, os humanos esgotaram os recursos naturais da Terra, transformando-a num imenso lixão. Aqui, numa realidade apocalíptica as pessoas vivem sem qualidade alguma e a vida não vale quase nada. Os ricos, que somam apenas 1% da população do planeta, vivem em Elsysium, uma estação espacial que circunda a Terra, e lá usufruem de uma utopia artificial. Em Elysium nenhuma doença é incurável, inclusive. O local é regido com mão de ferro pela secretária Delacourt, a ambiciosa personagem da Oscarizada Jodie Foster.

O astro Matt Damon é o protagonista Max, um sujeito que desde a infância sonha em poder ir para o paraíso nas estrelas, mas precisa se conformar com sua triste realidade. Após um acidente fatal, seus dias estão contatos, e sua única salvação é chegar ilegalmente à estação espacial atrás da cura. O filme assim como Círculo de Fogo vinha com grande expectativa de salvar um verão americano sem muita qualidade, além de tentar imprimir em 2013 a ficção científica como fonte rentável de ideias para blockbusters.

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No entanto, Elysium não deixa de ser um pouco decepcionante. O que chama a atenção após vermos o produto pronto inteiro é que você saberá o filme todo tendo assistido aos seus trailers. A previsibilidade é nesse nível. Nenhuma novidade é apresentada que consiga causar reviravolta na sinopse. Elysium é também um filme que desejamos que fosse maior. A riqueza de tal universo apresentado é tão grande, cada pequeno detalhe bem trabalhado na direção de arte, que o produto final não faz jus. Elysium possui muita coisa a ser mostrada e seu tempo de duração de 109 minutos funciona contra ele.

Por exemplo, como seria a vida na estação espacial Elysium? Vemos apenas o conceito, sem presenciarmos como é realmente viver em tal paraíso. Os personagens também não possuem tempo suficiente para serem desenvolvidos. A vilã de Jodie Foster é bidimensional e mal explorada. A grande atriz não possui espaço para inserir humanidade na personagem, cujo papel se torna apenas dar ordens letais (como um arqui-inimigo num filme ruim de James Bond).

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O que aparenta é que Elysium tem conceitos legais, designs legais, figurinos e direção de arte legais, conceito de personagens, mas é falho em explorar sua trama. Outro que percebemos que poderia ir mais longe é o psicótico e divertido personagem Kruger, de Sharlto Copley (colaborador de Blomkamp em Distrito 9). Ele é um agente renegado, que sofreu implantes demais e é usado como assassino ilegal do governo para a queima de arquivo. Numa determinada cena vemos uma faísca de como sua personalidade poderia ser mais explorada, mas no geral é apenas utilizado nas cenas de ação, como alívio de adrenalina.

Sem querer puxar sardinha para a nossa terra, quem se sai melhor são mesmo os brasileiros dessa produção globalizada. A escolada em Hollywood Alice Braga vive Frey, uma enfermeira que é o interesse romântico do protagonista. A atriz exibe fragilidade, desespero, mas também grande nobreza em sua personagem. Mas os louros absolutos vão para o grande Wagner Moura, que foi escolhido a dedo pelo diretor, fã de Tropa de Elite. Moura, como um bom camaleão, torna difícil para os não familiarizados com ele identificá-lo na pele de Spider, o rei do submundo na Terra, e melhor personagem do filme.

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O ator possui um papel importante na trama, aparece com destaque, e se sente em casa, muito à vontade sem deixar transparecer nem por um momento que essa é sua primeira grande produção Hollywoodiana. Moura é um grande ator e tem um futuro brilhante internacionalmente também. Mesmo com todos os seus defeitos Elysium possui também muitas ideias, o que sem dúvidas é mais do que se pode dizer da maioria dos grandes filmes que são feitos no cinema blockbuster. E por esse motivo, além é claro de conferir nossos orgulhos Moura e Braga, Elysium deve ser recomendado.

Não gosta de Futebol? 10 ótimas SÉRIES para assistir durante o período da Copa do Mundo!

O futebol domina os noticiários, as conversas de mesas de bar, os papos nos horários de folga no trabalho, pois é um esporte idolatrado por muitos de nós brasileiros. Em época de Copa do mundo então, nem se fala! Mas essa lista aqui é para você que não curte tanto assim futebol e vai passar seus dias de copa do mundo maratonando algum seriado! Assim, segue abaixo algumas sugestões de 10 ótimos seriados para assistir durante o período da Copa do Mundo:

 

Meu Querido Zelador

O egocentrismo do desequilíbrio. Explorando conflitos de um enigmático protagonista que mora faz mais de 30 anos em um prédio onde é o zelador durante todo esse tempo, o seriado argentino Meu Querido Zelador nos leva para uma jornada com paradas na psicologia, na sociologia, onde assistimos um metódico modo de pensar egoísta entrar em descontrole. Com uma narrativa puxada para a comédia, onde brilha o veterano ator argentino Guillermo Fancella, esse seriado lançado em 2022, sem muita badalação, conquista o público deixando um gosto de quero mais. Tem na Star Plus.

 

Black Bird

A caminhada conflitante para a confiança nos próprios valores. Criado pelo escritor norte-americano Dennis Lehane, autor de romances policiais que viraram filmes de grande sucesso, como Sobre Meninos e Lobos e Ilha do Medo, Black Bird é mais uma série inquietante do ótimo streaming da Apple Tv+. Misturando uma intensa caçada policial à um estudo amplo e muito complexo sobre personalidades humanas (não é à toa que é possível fazer um paralelo com outro seriado, Mindhunter), ao longo de seis angustiantes episódios. Destaque para a atuação fantástica de Paul Walter Hauser.

 

1899

A nossa realidade está dentro da nossa mente. Explorando conceitos filosóficos, bebendo um pouco da fonte de Alice no País das Maravilhas e esbarrando em reflexões vistas no filme A Origem, dentro de uma busca pelo que seriam as falhas da natureza humana, todas as escolhas que de alguma forma são dominadas pelas emoções, 1899 é um seriado imprevisível, usa dos infinitos caminhos da fantasia para trazer à tona debates sobre a mente, o medo, a desconfiança, o inusitado, a fé, o sonho, o pesadelo, a perda, a dor, as escolhas. Mais qual seria o contexto, os motivos para tudo que assistimos? Realidade? Simulação? O quebra-cabeça criado pela dupla Baran bo Odar e Jantje Friese (mesmos criadores do sucesso Dark) é instigante, aguçando nossa curiosidade a todo instante. Tem na Netflix.

 

Ruptura

E se você pudesse dividir seu tempo de trabalho com seu tempo em casa não lembrando de nada em quanto estiver em um deles? Cheio de atalhos para instigar nossa curiosidade, o roteiro de Ruptura é algo sublime que nos faz refletir sobre a sociedade, o trabalho e a questão descontrolada do avanço da tecnologia. Esses são alguns dos ingredientes de uma das mais aclamadas séries dos últimos tempos que tem alguns episódios dirigidos por Ben Stiller. Indicado a muitas categorias no Emmy 2002, o projeto nos leva a pensar sobre quão profundo pode ser a natureza humana por meio de metáforas que traçam duas realidades que coexistem. Tem na Apple Tv+.

 

Reboot

As redescobertas da vida com toques de humor. Chegou esse ano na Star Plus um seriado que por meio de sua proposta de metalinguagem nos leva a reflexões sobre o antes e depois de algumas pessoas que trabalham no universo de um seriado que ganhou uma nova chance após 20 anos. Camuflado de comédia, o projeto é um poderoso drama que aborda conflitos diversos que caminham na imaturidade das relações humanas. Criado por Steven Levitan, um dos criadores do sucesso Modern Family, Reboot é uma aula de abordagem à temas tabus de forma leve e inteligente.

 

O Rei da Tv

Realidade ou ficção? Chegou recentemente ao ótimo catálogo da Star Plus um seriado que por si só já seria polêmico pois tem a árdua missão de recriar alguns passos para o estrelato do maior apresentador da história da televisão, Silvio Santos. Desde os tempos em que era de uma família humilde que morava na lapa no Rio de Janeiro até a ascensão nos tempos em que a televisão estava surgindo no Brasil, O Rei da Tv apresenta personagens conhecidos (como Roque e Gugu), algumas passagens que ficaram conhecidas por notícias e outros personagens que nunca ouvimos falar.

 

Tokyo Vice

As escolhas que fazemos pelo caminho podem vir repletas de inconsequências. Caminhando nos ofícios da profissão de jornalista mostrando o conflito cultural entre um jovem norte-americano entusiasmado pelo que faz trabalhando no principal jornal de um país completamente diferente do seu, Tokyo Vice chegou ao streaming da HBO Max de forma tímida, sem muito alarde, e nos seus minuciosos oito episódios da primeira temporada (todos já disponíveis) conquista de vez toda nossa atenção. É um episódio melhor que o outro. Há muitos tipos de conflitos dentre fascinantes personagens que estão contidos nessa ótima trama baseada em fatos reais.

 

Mayor of Kingstown

A crueldade de uma realidade. Chegou sem muito oba oba no catálogo da Paramount Plus no final de 2021 um seriado eletrizante, sangrento, que mostra a saga de uma família que possui um peculiar negócio que envolve o universo violento do mundo carcerário. Criado pela dupla Hugh Dillon e Taylor Sheridan, Mayor of Kingstown segue as dores, escolhas de pessoas sem muitas pretensões no quesito felicidade e que vivem de acordos para aumentar o máximo que podem seu tempo de sobrevivência vivendo a realidade cruel que bate à porta diariamente. Ao longo dos 10 impactantes episódios vamos vendo algumas reviravoltas (um plot twist quente já no primeiro episódio) e como as soluções para algumas situações podem levar os protagonistas a profundos abalos emocionais. Um dos grandes papéis da carreira do quase já veterano Jeremy Renner.

 

Heels

As dificuldades no relacionamento entre dois irmãos completamente diferentes. Focando na história de uma família ligada ao universo da Luta Livre de mentirinha (aquelas lutas onde heróis e vilões brigam sem golpes que acertam), Heels chegou de mansinho, sem muito alarde, no streaming Lionsgate+. Com oito episódios nessa primeira temporada, o roteiro segue para caminhos bem profundos e outros ainda rasos se tornando interessante para pontos reflexivos quando pensamos em família, negócios no complicado e cheio de atalhos universo do entretenimento. Criada por Michael Waldron (showrunner do aclamado LOKI), Heels tem como protagonistas Stephen Amell e Alexander Ludwig.

 

O Homem das Castanhas

Quando as surpresas são bem guardadas. Disponível no catálogo da Netflix, o seriado dinamarquês O Homem das Castanhas, com bastante maestria, contorna a psique humana não importando a ótica que mais nos chama a atenção. Repleta de personagens ricos em conflitos, seja uma mãe policial com dificuldades de criar sua filha, um investigador que precisa lidar diariamente com os traumas do passado ou uma ministra que vê sua família desabar após um desaparecimento, cada ponta desse ótimo roteiro escrito pelo trio: Dorte Warnøe, Høgh David Sandreuter e Mikkel Serup, nos leva a um desfecho impactante.

Festival do Rio 2013: Minha Doce Pepper Land

MATAR OU MORRER

Exibido em Cannes esse ano, Minha Doce Pepper Land chega ao Festival do Rio 2013. Essa é uma co-produção entre França, Alemanha e Iraque. O verdadeiro chamariz aqui, no entanto, é a presença da jovem atriz iraniana Golshifteh Farahani, de 30 anos. Uma das atrizes mais belas da atualidade, Farahani já filmou em Hollywood, ao lado de Leonardo DiCaprio em Rede de Mentiras (2008), de Ridley Scott. E esteve em cartaz recentemente no Brasil com Simplesmente uma Mulher, do diretor francês Rachid Bouchareb (London River – Destinos Cruzados).

No filme, Farahani interpreta Govend, uma jovem mulher que vai contra as tradições de sua terra, se recusando a casar com o homem que é prometido para ela. Mal vista pela sociedade, ela prefere se dedicar a profissão como professora de uma escola para crianças. Sua família a pressiona para que assuma seu lugar no costume social local. Mas o verdadeiro protagonista da obra é Baran, papel de Korkmaz Arslan, um herói de guerra, que igualmente para fugir dos fortes esforços de sua mãe em lhe arranjar uma companheira, decide aceitar um cargo como xerife local de uma cidadezinha.

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O local fica situado bem na fronteira entre Irã, Turquia e Iraque, e é considerado uma verdadeira cidade sem lei. Lá, quem manda é o tráfico de drogas, medicamentos e bebidas, e a corrupção, tudo comandado pela figura de um poderoso chefão do crime local. O protagonista Baran chega em tais condições para exercer a lei com mão de ferro e coragem absoluta, indo contra tudo e todos. O justo protagonista não se deixa abalar pela precariedade do lugarejo, e a fraqueza da maioria de seus cidadãos. Ele vai aos poucos combatendo, e infligindo.

Ao ser levado para assumir seu cargo, Baran conhece no caminho Govend, que caminhava a pé, sentindo a liberdade que almeja para sua vida. A cavalo, o herói oferece carona para a mocinha, na primeira referência explícita da homenagem de gênero que o cineasta iraquiano Hiner Saleem deseja impor a seu filme. Nessa cena repare numa curiosidade: Ao cavalgarem juntos, a cela mal colocada vai tombando para o lado, e ao saltar do animal, a atriz quase leva junto seu companheiro, que precisa ser empurrado de volta ao cavalo por ela. Um momento errático que foi mantido no filme pelo diretor, por pura descontração e talvez economia.

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Esse é pura e simplesmente um faroeste moderno, por se passar numa época atual, mas sem grande modernidade. Afinal, aqui o meio de transporte mais utilizado ainda são os cavalos. Essa é a velha fórmula do justo homem da lei, que chega a um local comandado pelo crime e corrupção disposto a mudar tudo, mesmo que precise ir contra todos. Aqui, a fórmula é apenas transportada para o Iraque pós Saddam Hussein, fato que chega a ser mencionado durante a exibição. Os atores estão bem, e o diretor consegue imprimir diversos momentos de descontração e humor, dentro de uma obra densa.

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O relacionamento entre os personagens de Farahani e Arslan é sincero e desenvolve-se no tempo certo para se tornar crível. Já a trama possui boa intenção, o problema é seu desenvolvimento. A estrutura simplista desse faroeste funcionava bem na época de auge do gênero, os anos 1930 a 1950. Hoje, o público sofisticado espera mais do que apenas um conceito. Precisa existir um desenvolvimento satisfatório de personagens, motivações, e uma história interessante. O maior pecado de Minha Doce Pepper Land é que tudo é simples demais, em especial seu desfecho. A obra não consegue criar verdadeiros conflitos e nenhuma surpresa. Só faltou mesmo a última tomada sendo do casal cavalgando em direção ao pôr do sol.

10 Filmes que são mais sobre suspense psicológico do que TERROR

As eternas sensações de tensão que um filme de suspense pode provocar estão contidas, de diversas formas, em muitos filmes lançados anualmente. Uma das ramificações desse gênero cinematográfico tão querido pelos cinéfilos é o suspense psicológico, que pode ser definido em uma visão muitas vezes unilateral onde um personagem enxerga da sua forma alguns conflitos. Pensando nesse tema, resolvemos deixar abaixo uma lista com 10 filmes que são mais sobre suspense psicológico do que terror:

 

As Linhas Tortas de Deus

Quando nada é o que parece ser. Despretenciosamente chegou no catálogo da Netflix nesses últimos dias um suspense espanhol que por meio de uma narrativa pra lá de detalhista consegue transformar em um espetáculo cinematográfico as minuciosas linhas de uma obra (Los Renglones Torcidos de Dios) de 409 páginas, escrita em 1979 pelo jornalista Torcuato Luca de Tena, que entre outros pontos desossa as esquinas umbrosas da mente humana de forma a manter nossa atenção por quase três horas de projeção. Dirigido pelo excelente cineasta espanhol Oriol Paulo, que já conquistara a atenção dos cinéfilos em outros dois filmes misteriosos que também estiveram no catálogo da Netflix (Um Contratempo e Depois da Tormenta), As Linhas Tortas de Deus é uma jornada hipnotizante, que requer muita atenção do espectador, onde cada um pode interpretar de forma diferente seu desfecho arrepiante.

 

A Sombra do Galo

Na trama, conhecemos Román (Lautaro Delgado), um ex-policial que acaba sendo preso e fica oito anos preso. Ao sair desse tempo de reclusão, retorna a casa de seu pai para ver o estado e decidir se a coloca pra venda, lá é recebido por uma autoridade local, Barani (Claudio Rissi), com quem Román tem alguma espécie de segredo ou esquema, não fica claro.  Sozinho em sua solidão, o protagonista começa a sofrer de algo parecido como uma apneia do sono, levando-o a alucinações, assim surge para ele Angélica (Rita Pauls), uma jovem que sumira anos atrás na região com quem Román começa a se comunicar e assim descobre um esquema de prostituição e tráfico de mulheres.

 

Jaula

Após dois curtas-metragens como diretor, o cineasta Ignacio Tatay debuta na direção de um longa-metragem em um suspense repleto de variáveis ligados à conflitos emocionais após um casal adotar temporariamente uma jovem que encontram de noite, perdida, no meio da estrada. Algo ligado ao sobrenatural? Um suspense psicológico ou até mesmo uma história que vai nos surpreendendo aos poucos? Nessa gangorra de achismos caminhamos até o ponto onde há uma surpreendente troca de perspectiva onde aprofunda-se um olhar sob determinado ponto de vista em relação ao que vemos, esse detalhe do roteiro acaba sendo a grande sacada dessa produção espanhola chamada Jaula.

 

Não se Preocupe, querida

Um experimento dentro de uma manipulação existencialista. Nessa frase podemos definir tudo que vemos nas pouco mais de duas horas de projeção do projeto da cineasta, e também atriz, Olivia Wilde, Não se Preocupe, querida. A perfeição e a harmonia de tudo ao redor da protagonista chama a atenção do espectador desde o primeiro minuto e aos poucos vamos entendendo melhor uma série de mistérios que se sucedem nesse curioso projeto que encosta em alguns pontos com a sensação do universo das séries de 2022, Ruptura.

 

Gêmeo Maligno

As barreiras do sonho e seu desesperante acordar por meio do reflexo das emoções e medos. Dirigido pelo cineasta Taneli Mustonen, Gêmeo Maligno nos leva a uma jornada cheia de saídas onde nos damos conta de um clima de mistério no ar que caminha entre a razão e a loucura. Essa produção finlandesa falada em inglês e com locações na Estônia busca surpreender com reviravoltas mirabolantes principalmente em seu desfecho. A direção é competente, nos deixa em um clima de tensão constante. As suposições abrem argumentações diferentes sobre qual o sentido em relação a tudo que vemos.

 

À Espreita do Mal

Nada é o que parece ser. À primeira vista, À Espreita do Mal parece um filme de assombração como tantos outros que assistimos ano após ano mas uma rebobinada na não lineariedade do roteiro nos leva à outros pensares, outras perspectivas, sendo a grande sacada do filme. Dirigido pelo cineasta britânico Adam Randall (em seu primeiro longa-metragem como diretor), e com um ótimo roteiro assinado por Devon Graye, o filme, disponível na Netflix, é um grande achado em um ano com poucas boas opções de lançamentos.

 

Rebirth

Na trama, conhecemos um coordenador de redes sociais de um banco chamado Kyle (Fran Kranz), um homem entediado por sua rotina sem muitos prazeres, diferente de outros tempos como pro exemplo na época da faculdade. Um dia, reencontra o antigo amigo dos tempos de estudo Zack (Adam Goldberg) que o propõe um fim de semana longe de qualquer tristeza e para voltarem aos velhos tempos de alegrias. Só que Kyle acaba indo parar em uma espécie de seita motivacional e agora terá que enfrentar as excentricidades do lugar.

 

Fratura

Na trama, conhecemos Ray, um pai de família que está voltando da casa de seus sogros com a esposa e a única filha. Após uma pequena discussão, que mostra que o relacionamento de marido e mulher está em alta crise, eles resolvem parar em lugar no meio da estrada onde acontece um acidente em que se machucam o pai e a filha do casal. Correndo ao primeiro hospital mais próximo, chegam lá e várias coisas estranhas começam a acontecer quando a mulher e sua filha somem.

 

Boa Noite, Mamãe

Na trama, conhecemos os gêmeos Lukas (Lukas Schwarz) e Elias (Elias Schwarz) que vivem em uma bela casa, isolada, no interior de uma cidade, ao lado de sua misteriosa mãe (Susanne Wuest). Essa última, é uma mulher cheia de amargura, rígida, que anda com uma faixa em volta do rosto. Dia após dia, os irmãos começam a desconfiar de que aquela mulher que vive com eles pode não ser a mãe deles. Assim, ao longo dos angustiantes 95 minutos de projeção, vamos sendo apresentados melhor a essa história.

 

O Presente

Em The Gift, o casal Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall) se mudam para uma nova cidade por conta de uma nova oportunidade de emprego do primeiro. Logo após a chegada dos pombinhos à sua nova casa, um misterioso homem chamado Gordo (Joel Edgerton) aparece na vida deles dizendo ser um antigo amigo de infância de Simon. A partir disso, percebe-se que Gordo possui segredos sobre o passado de Simon, e Robyn tenta decifrar esse misterioso quebra-cabeça que aos poucos vai se instaurando.

Festival do Rio 2013: The Zero Theorem

A REDE ANTI-SOCIAL

De todos os filmes loucos do diretor Terry Gilliam (O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus), The Zero Theorem pode muito bem ser considerado o mais louco de todos. Gilliam começou a carreira como parte da trupe britânica do Monty Python, e chegou inclusive a dirigir Em Busca do Cálice Sagrado (1975) e parte de O Sentido da Vida (1983), filmes do grupo. O diretor se tornou também o talento mais proeminente dos amigos de Python, atrás das câmeras. Em seu currículo estão obras cultuadas como Brazil – O Filme, Os Doze Macacos e Medo e Delírio. Estreando no Festival de Veneza, o novo trabalho de Gilliam chega ao Festival do Rio 2013, sem passar por muitos lugares antes.

Na trama, passada no futuro, temos o protagonista vivido por Christoph Waltz (vencedor do Oscar passado por Django Livre), um sujeito recluso, que mora numa igreja abandonada. Ele trabalha para uma grande empresa, como uma espécie de analista. Sua função é conseguir achar o tal teorema zero do título, para isso o protagonista passa os seus dias alinhando fórmulas matemáticas em seu computador, no trabalho e em casa. Para operar o programa o personagem usa um joystick de vídeo game (um dos adereços que parecem deslocados e forçados dentro da direção de arte do filme).

O visual chamativo e fantástico é uma das marcas registradas do diretor, e seu futuro distópico e totalitário, de filmes como Doze Macacos e Brazil, marca presença aqui também. De todos os filmes do cineasta, Zero Theorem mais se assemelha ao citado Brazil – O Filme, que trazia o homem comum, burocrata de plantão, vivido por Jonathan Pryce (G.I. Joe 2 – Retaliação), envolvido na teia do sistema de um mundo no qual não achava que pertencia. O mesmo ocorre com Qohen Leth (Waltz). Mas enquanto Pryce era um apático sujeito ordinário, Waltz é por si só tão desequilibrado e excêntrico quanto o seu admirável mundo novo.

O sujeito sem nenhum pelo no corpo, o que inclui cabelo e sobrancelha, acredita que está morrendo, sem nenhum motivo aparente. Ele vive esperando por uma ligação que irá revelar seu verdadeiro propósito no mundo, além de sempre se referir a si mesmo no plural. Todas essas esquisitices em sua personalidade soam como artifício não genuíno, já que são esquecidas durante o percurso, como uma ideia abandonada. O protagonista possui um chefe inconveniente, vivido por David Thewlis (Red 2), que cisma de trocar seu nome, e insistir em uma socialização chamando-o para festas e jantares. Leth também conhece uma prostituta interpretada pela francesa Mélanie Thierry (Missão Babilônia), o brilho da obra.

Matt Damon (Terra Prometida) aparece de cabelos brancos como uma figura oracular, dono da grande empresa para a qual o protagonista trabalha. Zero Theorem, além de todas as entrelinhas filosóficas colocadas por Gilliam para serem esmiuçadas pelos interessados, fala sobre o distanciamento e anti-socialização real providos pela modernidade e informatização. Um tema um tanto quanto passado, aqui retratado de forma inusitada, visual, e como de costume, alucinógena pelo diretor. O que o novo trabalho de Gilliam carece em relação aos seus outros projetos futuristas caóticos é a diversão, e um senso de entretenimento.

A melancolia está lá. E tudo o que diz respeito ao medo de seu próprio mundo. No entanto, os poucos momentos de descontração são incluídos apenas com a presença de Thierry, que demonstra muito talento e aptidão para encarar tudo o que Gilliam joga em direção a ela. A jovem de 32 anos se revela à altura do desafio desse tour de force. Já o protagonista Waltz parece, na maioria de suas cenas, desconfortável e perdido. É como se, assim como alguns trejeitos característicos de seu personagem, o ator tivesse perdido a empolgação pelo trabalho durante o percurso da produção.