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E aí, querido cinéfilo?! – Nossa Coluna de Entrevista | Parte 33: Celso Sabadin

Nessa vida temos encontros e desencontros. A internet veio para bagunçar isso tudo e para quem é esperto conseguir se aproximar de ídolos ou apaixonados por cinema que nunca teria a chance de conhecer os pensamentos se a distância entre os dois pontos não existisse, como é agora no planeta internet. Dividir curiosidades sobre o gosto cinéfilo é um grande exercício que todos nós cinéfilos adoramos descobrir. Esse especial chega exatamente para apresentar universos diferentes do seu mas sempre com um grande amor ao cinema como o seu.

Cineasta, escritor, mestre em Comunicações, publicitário, jornalista e foi crítico de cinema diversos veículo badalados. Nosso convidado de hoje é uma verdadeira enciclopédia cinéfila. Maior especialista vivo em MazzaropiCelso Sabadin, a quem eu carinhosamente chamo de Mestre Cinéfilo, está sempre pelas redes sociais comentando sobre uma variedade enorme de filmes e sobre o Corinthians. Querido cinéfilo, que eu nunca pude conversar pessoalmente mas tenho certeza que esse dia chegará. Com vocês, meu amigo, Celso Sabadin.

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

É o Reserva Cultural, que exibe grandes filmes (em sua maioria, europeus) contemporâneos que quase nunca decepcionam. É o tipo do cinema que nem precisa consultar a programação antes: é só chegar e escolher qualquer filme em exibição nas suas quatro salas. Quase nunca dá errado. Fora o café, o croissant de chocolate, a livraria e um “detalhe” que a maioria dos cinemas não leva em conta: o conforto da sala de espera.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

Rapaz, eu vou ao cinema desde tão pequeno que eu não lembro. Mas me lembro de um filme especial que eu vi no finado Cine Rivieira, perto aqui de casa, que me impressionou muito: foi Pinochio, da Disney, Principalmente na cena em que os meninos se transformam em burros. Fiquei semanas apavorado com aquilo, e com certeza eu não teria a mesma sensação se tivesse visto numa tela pequena.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Muitas vezes me perguntam sobre isso, mas para mim é simplesmente impossível determinar um único diretor ou um único filme favorito. Não consigo. É muita gente boa, é muito filme bom, não tenho a capacidade de escolher um só. E se eu citar dez vou ser injusto com outros dez, e assim por diante. Desculpa, mas não sei responder… e isso vale para a próxima pergunta também (Qual seu filme nacional favorito e porquê?)… rsrs..  Aliás, tenho a maior dificuldade de fazer lista dos melhores filmes do ano, do dia, da década, do universo, sei lá. Tenho muita dificuldade com esta questão “competitiva” do cinema. Não consigo quantificar se uma obra de arte é “melhor” que a outra. Todas têm seu valor, cada uma a seu tempo, com seu estilo.

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Respondida na pergunta anterior.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

É se deixar levar com prazer e arte por outros mundos, outros realidades, outras dimensões.

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Nããããããõ. A maior parte dos cinemas do mundo tem programação definida por quem entende de pipoca.

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Nunca. Já “mataram” o cinema nos anos 1950, quando inventaram a televisão; depois nos anos 1980, quando inventaram o VHS; depois em 1990 quando inventaram o DVD; depois em 2010 quando veio o VOD e agora em 2020 com a pandemia. E ele nunca morreu. Aliás, os primeiros a “matar” o cinema foram os próprios Irmãos Lumiére: em 1900, cinco anos depois deles mesmos terem inventado o cinema, eles decidiram parar de filmar. Alegando que tudo o que era possível filmar já havia sido filmado. E pararam mesmo.

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Roma às 11 Horas, de Giuseppe de Santis.

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Não, nunca, jamais. Nada deveria abrir antes da vacina.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

A qualidade eu acho ótima. Chegamos a um nível de diversidade temática e capacidade produtiva muito boa, algo impensável para quem viu o cinema brasileiro “morrer” na Era Collor, no início dos anos 1990. O problema é aquele de sempre: a distribuição. Não adianta a gente fazer quase 200 longas por ano – como de fato estamos fazendo – para essa produção ficar entalada num sistema de distribuição e exibição dominado por políticas criminosas das multinacionais. Junte-se a isso, agora, a falta de políticas públicas deste antigoverno idiota, genocida, infantilizado, estúpido, preconceituoso, incompetente e podre em que estamos vivendo.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Atualmente, Kleber Mendonça Filho.

12) Defina cinema com uma frase:

Sonhar acordado.

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

Estava eu sossegadamente vendo um filme no cinema quando duas pessoas atrás de mim começaram a conversar em tom razoavelmente alto. Virei para trás e mandei o tradicional “psiiiu!”. O sujeito atrás de mim reclamou, indignado: “Psiu por que? Não tem ninguém falando na cena agora!”. Fiquei abismado com a percepção de um tipo de público que acha que, se não há diálogos em determinada cena, nada de importante está acontecendo de fato naquele momento do filme.  É a “visão telenovelística” de parte do nosso público.

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras…

A sublimação de um mito.

Crítica | ‘Uma Baleia Pode ser Dilacerada como uma Escola de Samba’ – Uma alusão ao carnaval inserida em um contexto de angústias [Mostra de Cinema de Tiradentes]

Um dos filmes mais desafiadores do cinema brasileiro lançados ainda em festivais no ano de 2025, o longa-metragem Uma Baleia Pode ser Dilacerada como uma Escola de Samba é, basicamente, uma alusão ao carnaval inserida dentro de um contexto das angústias de um protagonista que vê seu sonho não se realizar. A partir do contraponto peculiar de associar uma grande festa se abraçando a momentos tristes, acompanhamos uma história que convoca a paciência – embora até ela pode acabar.

Dividido em curtos capítulos que fazem referências diretas à maior festa popular de nosso país, por meio de uma autoapresentação de personagens, nos leva até uma história que apresenta um presidente de uma escola de samba que percebe chegar ao fim os dias de folia. Entre as memórias de um começo promissor até um presente de agonias, com a falência batendo à porta, somos guiados por personagens que circulam em torno da amargura do adeus.

Na tentativa de ser um experimento poético, o projeto dirigido por Marina Meliande e Felipe M. Bragança, esbarra em uma narrativa lenta, que insiste em construir uma atmosfera indecifrável pelo subúrbio carioca. Esse incômodo no ritmo parece ser uma proposta – um desafio ao espectador – talvez na esperança de suscitar reflexões variadas. A poesia contemplativa chega por meio de imagens e movimentos que dizem pouco sobre o que é essa história, além do óbvio, se arrastando por 70 minutos de projeção.

Do musical aos dramas de um encerramento de ciclo, o roteiro apresenta seus confrontos ao sensibilizar e sugerir, se escondendo do dinamismo – algo que a narrativa clama em alguns momentos -, mesmo com uma composição visual que estimula o olhar e chama a atenção. Nessa visão pessimista de almas solitárias perdidas no caos de uma cidade (aqui representado também pela violência), Uma Baleia Pode ser Dilacerada como uma Escola de Samba disponibiliza reflexões isoladas dentro de um mar de tristeza – do abre-alas até cruzar seus créditos finais.

13 Dicas de Filmes de Terror para você assistir na Netflix

O CinePOP criou uma lista especial com 13 ótimos filmes de terror que podem ser encontrados na Netflix.

Cemitério Maldito

Enquanto a refilmagem não chega, que tal conhecer o filme original? Saído da mente de Stephen King e dirigido por Mary Lambert (sim, uma mulher), a história mostra uma família se mudando para uma pequena cidade, na qual um cemitério de animais guarda um segredo mortal e nefasto. A curiosidade aqui é que o próprio King adaptou seu livro para o roteiro do longa.

Madrugada dos Mortos

É fã de Batman Vs. Superman? E Liga da Justiça? Idolatra o SnyGod? Bem, se a resposta for sim, mas também se for não, Madrugada dos Mortos é o filme para você de qualquer maneira. Mesmo os detratores do cineasta Zack Snyder reconhecem este filme como um dos pontos altos de sua carreira (e pensar que foi seu primeiro trabalho como diretor). Refilmagem de Despertar dos Mortos (1978), de George Romero – o pai dos zumbis – a história apresenta um grupo de sobreviventes se refugiando dentro de um shopping após uma epidemia se alastrar.

Um Drink no Inferno

Ano que vem o diretor Quentin Tarantino lança mais um filme: Era uma Vez em Hollywood. Quem quiser conhecer mais a fundo sua carreira, deve assistir a este filme único, que aborda a temática de vampiros de uma forma diferente. Escrito por Tarantino (que também protagoniza o longa ao lado de George Clooney) e dirigido por Robert Rodriguez, Um Drink no Inferno começa como road movie de sequestro e termina como um banho de sangue num bar.

Mama

Ano que vem também teremos a volta do palhaço Pennywise na sequência de It: A Coisa. Para ir aquecendo os motores, que tal um filme marcando a primeira parceria do diretor Andy Muschietti com sua estrela Jessica Chastain? Aqui, a atriz, portando uma peruca de madeixas curtas e pretas, vive uma roqueira que precisa tomar conta de duas meninas órfãs. A pegadinha é que as meninas chegam com um presente à tira colo: a entidade conhecida como Mama.

Krampus: O Terror do Natal

Do diretor Michael Dougherty – o mesmo do cult Contos do Dia das Bruxas (2007) – chega a lenda antiga de Krampus, o anti-Papai Noel. Ao contrário do bom velhinho risonho e bonachão que presenteia as crianças, sua contraparte é um superbode antropomórfico tomado na maldade. O mais legal é a mitologia em volta da criatura e seus ajudantes. Queria ver o Kevin de Esqueceram de Mim sair dessa.

Amizade Desfeita

Ainda pegando o hype das novidades que chegam em breve, a sequência de Amizade Desfeita tem estreia prometida para a segunda metade deste ano. Não dá para saber muito bem o que esperar da continuação, mas o original é um dos filmes mais originais dos últimos anos dentro do gênero e usa de forma mais do que satisfatória o universo de programas e aplicativos de computador e celulares. As redes sociais nunca foram tão assustadoras e perigosas.

O Mistério de Candyman

Pulando de lendas recentes para uma das mais emblemáticas do gênero, o conceituado diretor Bernard Rose comanda esta adaptação de Clive Barker (outro icônico autor de livros do gênero). Freddy Krueger? Jason Voorhees? Michael Myers? Respeita a minha história! É o que diria o misterioso Candyman, o sedutor homem-lenda vivido de forma inesquecível por Tony Todd. Com um enorme gancho na mão, sua mitologia polêmica entrou para os anais da sétima arte.

Coraline e o Mundo Secreto

E por que não adicionar em nossa lista uma animação? Bem, se essa animação for baseada num livro do visionário Neil Gaiman e abordar uma temática mais bizarra do que muitos filmes adultos em live action, tem todo o direito de estar aqui. Uma menina descobre um outro mundo que reflete o nosso, no qual as coisas não são exatamente como aparentam. Fora isso, aqui temos a maravilhosa técnica da animação em stop-motion dos estúdios Laika.

O que Fazemos nas Sombras

Seguindo por um subgênero incomum para uma obra de terror, temos o primeiro “terrir” da lista. Um grupo de vampiros, de idades e estilos diferentes (mas igualmente caracterizações hilárias), vive junto numa casa e aceita servir de tema para um documentário. O filme se propõe a descortinar sua rotina, que inclui tarefas domésticas, noites na cidade e conflitos com um grupo rival de lobisomens. Quem comanda a brincadeira é o neozelandês Taika Waititi, o sujeito que reinventou o herói Thor em Ragnarok (2017) – que também protagoniza o longa.

Brinquedo Assassino 2

Voltar aos clássicos de tempos em tempos é necessário, por mais que a plataforma ofereça cada vez mais novas produções de qualidade do gênero. Brinquedo Assassino (1988) foi um enorme sucesso, justamente por subverter a fórmula dos filmes slasher ao apresentar um serial killer aprisionado através de magia negra dentro de uma figura inofensiva, um boneco sensação que todas as crianças almejavam ganhar na época. Com o sucesso, é claro que o sinal verde foi dado para a continuação. Desta vez, a história coloca o menino Andy, sobrevivente do primeiro, na casa de pais adotivos para um segundo round com o brinquedo Chucky. Quem rouba a cena aqui é Christine Elise na pele da rebelde Kyle, a irmã adotiva de Andy. O final na fábrica de bonecos é inesquecível.

O Bar

Voltando para obras mais recentes, o espanhol Álex de la Iglesia é um diretor que você precisa conhecer. Suas produções são tão bem trabalhadas, ao ponto de não ficarem devendo nada para as hollywoodianas. O cineasta foi responsável, por exemplo, por Balada de Amor e Ódio (2010) e As Bruxas de Zugarramurdi (parte do acervo Netflix por muito tempo). No criativo O Bar, tido como um dos melhores lançamentos da plataforma no ano passado, um grupo de desconhecidos bem diferentes fica preso dentro de um bar em Madrid. Iglesia também está em cartaz na Netflix com a comédia Perfectos Desconocidos, sobre um grupo de amigos num jantar descobrindo coisas uns dos outros das quais nunca imaginaram.

Corrente do Mal

Todo elogio é pouco para esta obra, e toda chance que tivermos de enfiar este terror numa lista, pode ter certeza de que o faremos. Uma das melhores coisas a acontecer no gênero nos últimos anos, Corrente do Mal é a inspirada criação de David Robert Mitchell que brinca e homenageia produções da década de 1970 e 1980, como Halloween de John Carpenter, enquanto dá seu recado mais que direto sobre o medo trazido pelas DST – a analogia é muito bem traçada. Corrente do Mal, no entanto, não é apenas brincadeiras e homenagens e sobressai como filme próprio de gelar a espinha. Uma noite romântica se transforma num pesadelo e Maika Monroe, a protagonista, brilha.

Creep

Se você prefere um terror mais intimista misturado com suspense gélido de um thriller, todo filmado no estilo de um documentário, a série Creep é a pedida. O primeiro filme, de 2014, apresenta um cinegrafista arrumando trabalho nos classificados, no qual precisa seguir e filmar um sujeito por um dia numa casa nas montanhas. Ao chegar no local, começa a perceber que seu contratante não é exatamente como ele pensava. Creep 2, de 2017, também faz parte do acervo Netflix.

Oscar 2024 – Nossas Previsões das Indicadas e a Vencedora para Melhor Atriz Coadjuvante!

O anúncio dos indicados ao Oscar 2024 será realizado na próxima terça-feira, dia 23 de janeiro. Depois disso, os estúdios terão até o dia 10 de março para a campanha de cada indicado junto aos membros da Academia. Sim, tanto as indicações quanto os vencedores acontecem de uma forma muito similar a uma campanha eleitoral política. Em anos recentes, tivemos inclusive polêmicas cercando estas eleições, como a vitória de Melissa Leo em 2011 por ‘O Vencedor’ e a nomeação de Andrea Riseborough por ‘A Sorte Grande’ filme que ninguém viu ou ouvir falar.

Mas nada disso tira o brilho do maior prêmio da sétima arte. É a honraria máxima para qualquer profissional que trabalha com cinema, mesmo que muitos digam não ligar para isso. Balela. Por mais que exista sim muita politicagem, quem não gosta de ser reconhecido por seu trabalho com um prêmio? O Oscar tem valor e tem peso, em especial para os atores, que sobem níveis em seu contrato com indicações e mais ainda com a vitória.

Para aquecer os motores para as indicações, soltaremos uma série de matérias visando prever os atores nomeados, e mais ainda, os vencedores. Veremos se nossa bola de cristal está funcionando bem. Começaremos com a possível lista das atrizes coadjuvantes. Confira abaixo.

Vencedora:

Da’Vine Joy Randolph – Os Rejeitados

Don't Tell Me About It': I Asked The Holdovers Star Da'Vine Joy Randolph About Her Oscar Buzz And She Had An Interesting Take

Se nossa bola de cristal estiver bem calibrada, a atriz que sairá vencedora da maior noite do cinema será a novata Da’Vine Joy Randolph (que antes precisa receber sua indicação). Ela vive Mary em ‘Os Rejeitados’, uma cozinheira que perdeu seu filho, e decide passar o feriado de Natal e Réveillon na escola interna onde trabalha.

Randolph, de 37 anos, começou sua carreira em 2013 e ainda não é muito conhecida do grande público. Mas já esteve em filmes como ‘Meu Nome é Dolemite’, ‘Cidade Perdida’ e nas séries ‘The Idol’ e ‘Only Murders in the Building’. Essa será sua primeira indicação ao Oscar. E ao que tudo indica, não terá para ninguém.

Garantida:

Emily BluntOppenheimer

Tirando Da’Vine Joy Randolph, a outra indicação garantida ao prêmio de melhor atriz coadjuvante é a da jovem inglesa Emily Blunt. Estrela de Hollywood muito conhecida, essa será a primeira indicação no Oscar da atriz de 40 anos. Blunt tem quase 50 trabalhos como atriz, com destaque para ‘O Diabo Veste Prada’, ‘Sicario – Terra de Ninguém’, ‘Um Lugar Silencioso’ (e sua continuação) e seu mais recente trabalho ‘Máfia da Dor’, na Netflix.

Em ‘Oppenheimer’, Blunt vive Kitty Oppenheimer, a esposa do criador da bomba atômica. Já era hora desta talentosa intérprete ser reconhecida por seu trabalho, tendo começado a carreira em 2003, e desde então entregando atuações cada vez mais impactantes.

Vagas Restantes:

Jodie FosterNyad

Garantidas, garantidas mesmo para indicações ao prêmio de atriz coadjuvante no próximo Oscar temos duas atrizes: Da’Vine Joy Randolph e Emily Blunt. De resto, tudo pode acontecer. As três vagas restantes serão disputadas por estas quatro atrizes, ou seja, uma ficará de fora. Quem sai na frente desta corrida é a veterana Jodie Foster, uma das poucas atrizes donas da honraria de ter duas estatuetas do Oscar (na categoria de atriz principal) decorando sua casa.

Foster levou pelos filmes ‘Acusados’ e ‘O Silêncio dos Inocentes’, em 1989 e 1992 respectivamente. Fora isso, tem outras duas indicações, coadjuvante por ‘Taxi Driver’ (1977) e protagonista por ‘Nell’ (1995). Se tudo correr bem, esta será sua quinta nomeação, como Bonnie Stoll, treinadora que ajuda a nadadora e amiga Diana Nyad a bater um recorde histórico na biografia de esporte ‘Nyad’. Foster, atualmente com 61 anos, está em cartaz na nova temporada de ‘True Detective’ na HBO Max.

Danielle BrooksA Cor Púrpura

Mais conhecida como Leota da série de herói ‘Pacificador’, Danielle Brooks tem 34 anos, 30 créditos como atriz, e uma carreira que já dura 11 anos. Outro de seus trabalhos marcantes foi como Taystee na série da Netflix, ‘Orange is the New Black’. Essa será a primeira nomeação ao Oscar da jovem atriz. Aliás, se tivéssemos que definir as quatro nomeadas certas ao maior prêmio do cinema na categoria, diríamos que estas quatro estão garantidas, com destaque para as duas primeiras, e as outras duas chegando bem junto.

A Cor Púrpura’ surgiu como um livro elogiadíssimo, escrito por Alice Walker, que logo se tornou um drama épico em 1985, dirigido por Steven Spielberg. A história então foi adaptada para um musical na Broadway, e é este espetáculo que agora ganha versão para o cinema. No novo ‘A Cor Púrpura’, Danielle Brooks se destaca como a atrevida Sofia, papel que havia sido de Oprah Winfrey no filme original.

Rosamund PikeSaltburn

Como dito, se tivéssemos que apostar, diríamos que as quatro indicações de atriz coadjuvante estão garantidas para Joy Randolph, Blunt, Foster e Brooks. A vaga restante pode ser embaralhada entre as duas próximas concorrentes. É claro que tudo pode acontecer. Aqui, quem chega na lista é a inglesa Rosamund Pike, que está em vias de completar 45 anos. A atriz é mais conhecida justamente pelo papel que a indicou ao Oscar como protagonista em 2015, ‘Garota Exemplar’.

Pike possui 61 créditos como atriz, numa carreira que já dura 25 anos, dentre os quais se destacam participações em ‘007 – Um Novo Dia para Morrer’, ‘Orgulho e Preconceito’, ‘Educação’, ‘Jack Reacher’ e na série ‘A Roda do Tempo’, em sua segunda temporada na Amazon. Uma nova indicação para Pike poderá sair por ‘Saltburn’, um dos filmes mais comentados desta temporada, no qual vive a matriarca de uma estranha e riquíssima família.

Penélope CruzFerrari

É Inglaterra ou Espanha? Não é Copa do Mundo, e sim cinema! Disputando a última vaga com Rosamund Pike está a atriz espanhola Penélope Cruz, de 49 anos. Cruz é uma verdadeira estrela, que conseguiu quebrar a barreira da língua e cultural, ganhando destaque em uma indústria tão competitiva quanto a de Hollywood, mas sem esquecer as origens, vira e mexe realizando trabalhos em seu país de origem, como os filmes com o mentor Pedro Almodóvar. Aliás, Cruz chegou inclusive a ser indicada ao Oscar, não por um, mas por dois filmes do diretor: ‘Volver’, em 2007, e ‘Mães Paralelas’, em 2022.

A vitória no maior prêmio do cinema viria como coadjuvante no filme de Woody Allen, ‘Vicky Cristina Barcelona’, em 2009. Cruz tem ainda uma quarta indicação ao Oscar, como coadjuvante pelo musical ‘Nine’, em 2010. Se der sorte, a atriz será lembrada pelo drama biográfico ‘Ferrari’, de Michael Mann, no qual vive a esposa do famoso criador de carros. O filme em si não chamou muita atenção e passou batido, mas o que todos concordam é o destaque da performance da atriz.

Azarões:

Julianne MooreSegredos de um Escândalo

 

Existem os filmes do Oscar e os “quase filmes do Oscar”. Essa segunda categoria diz respeito a obras muito badaladas e que todos comentam, dando como certa sua aparição no Oscar antes de serem lançadas. Mas quando de fato estreiam, terminam esfriando, com o público percebendo que o resultado não terá forças para tal. Esse ano tivemos esse caso com ‘Napoleão’, por exemplo. Outro parecido é este ‘Segredos de um Escândalo’.

Ter Julianne Moore e Natalie Portman juntas num drama de Todd Haynes parecia uma receita à prova de falhas. Mas não foi bem assim. É claro que tudo pode mudar e o filme se provar. Mas os indícios não são esses. Seja como for, Moore, de 63 anos, é uma das atrizes mais talentosas de Hollywood, e uma boa performance da atriz já é de praxe. No filme ela vive uma mulher que foi presa pela relação inapropriada com um menor de idade. Anos depois ela sai da cadeia e faz uma família ao lado dele.

Sandra HüllerZona de Interesse

Esse é o ano de Sandra Hüller, atriz alemã de 45 anos. Ainda desconhecida do grande público, o trabalho mais famoso com os cinéfilos da carreira da atriz foi em ‘As Faces de Toni Erdmann’, filme que iria ganhar um remake americano com Jack Nicholson (que ainda não vingou). Com uma carreira com 42 atuações, datando de 1999, Hüller emplacou em dois filmes badalados nessa temporada de premiações. O que vem recebendo mais falatório de uma possível indicação para a atriz (como protagonista) é ‘Anatomia de uma Queda’.

No entanto, Hüller também pode conseguir uma segunda indicação como coadjuvante por ‘Zona de Interesse’, drama no qual vive uma mulher casada, que parece ter a vida perfeita. Tirando o fato de que seu marido é um militar de alta patente no exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial, ou seja, um nazista.

Claire FoyTodos Nós Desconhecidos

Para finalizar a parte dos azarões, temos a inglesa Claire Foy, de 39 anos. Mais conhecida por seu papel como a Rainha Elizabeth II na série sensação da Netflix, ‘The Crown’, a atriz já esteve nas telonas no papel de Lisbeth Salander em ‘A Garota na Teia de Aranha’, Janet Armstrong em ‘O Primeiro Homem’ e mais recentemente como a Salome de ‘Entre Mulheres’. Foy não possui indicações ao Oscar até o momento e essa poderá ser sua primeira.

Claire Foy faz parte do elenco do drama romântico gay ‘Todos Nós Desconhecidos’, estrelado por Andrew Scott, o filme conta sobre um homem que se apaixona por seu misterioso vizinho, papel de Paul Mescal. Ao mesmo tempo, ele começa a ter visões de seus pais, com a idade que tinham quando faleceram. Claire Foy vive a mãe do protagonista.

Crítica | Juventude – O belíssimo primeiro filme de ficção da história do Djibouti

As razões e as emoções do universo das incertezas. Primeiro filme de ficção da história do Djibouti (pequeno país africano de menos de um milhão de habitantes) e primeiro longa-metragem dirigido por uma mulher (Lula Ali Ismaïl) nesse país, Juventude nos mostra como um desenrolar complicado e traumático de um aborto instantâneo acaba sendo o início de uma forte amizade entre três jovens que estão no último ano do colégio e já pensam na fase seguinte de suas vidas, procurando respostas sobre onde querem esta daqui a 10 anos. Seus dramas, suas agonias, enxergamos cada detalhe em um retrato muito honesto sobre o cotidiano dessas três personagens. Estreia no Brasil nesta sexta, 11/06, direto no streaming da Supo Mungam Plus.

Na trama, conhecemos Deka (Amina Mohamed Ali), Asma (Tousmo Mouhoumed Mohamed) e Hibo (Bilan Samir Moubus) três jovens que ficam muito amigas no último ano do colégio e buscam no companheirismo de uma com a outra força e opiniões sobre acontecimentos presentes e sobre o futuro. De classes sociais completamente diferentes, vivendo na mesma cidade mas com um cotidiano nada igual, em comum, refletem sobre saírem do país onde nasceram para estudar fora.

A amizade é tão importante, precisamos sempre valorizar. São três garotas bem diferentes. Tradições, fé, cultura local contornam o cotidiano das personagens. Uma delas se relaciona com um homem casado e mais velho não sabendo qual será o próximo passo dessa relação, a outra vive conflitos dentro de casa por conta das obrigações que lhe são dadas e a mais rica delas viveu um drama recente mas parece não se importar com o futuro a princípio, pois, não consegue se enxergar longe da comodidade que lhe é dada por seus pais.

Com uma belíssima fotografia, Dhalinyaro, título do filme no original, abre espaço para conhecermos melhor esse país tão desconhecido de nós por aqui. Com os mais velhos, algumas delas aprendem sobre a história desse país e também sobre histórias de quando alguns saíram para o exterior. Em um desses diálogos, por exemplo, com um senhor mais velho, acaba sendo uma grande aula de história mundial, com relatos detalhados da ida do mesmo, em meados da década de 40, para a guerra na França.

Amizade, obstáculos, força feminina, diversas visões sobre um mesmo cotidiano rodeiam esse bonito projeto que também não deixa de ser uma homenagem da cineasta a outras milhares de histórias do seu país.

Crítica | ‘Faísca’ – Um desabafo potente que ganha forma poética [Mostra de Cinema de Tiradentes]

Por meio de imagens marcantes e de uma narração potente, o curta-metragem Faísca, selecionado para a 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes é um filme que gera impacto logo nos primeiros minutos. A obra nos leva para conhecer a aldeia marrecas, ligada a um povo indígena, a partir do notório desaparecimento de animais conhecidos da região. Pelas terras avermelhadas desse lugar, a narrativa nos guia para um tour que atravessa gerações de mulheres imersas em uma cultura rica, que precisa vencer os obstáculos que se impõem.

Pelos desabafos e paralelos entre o desaparecimento de onças através de histórias familiares dessa comunidade do povo Kariri, em Quiatius, distrito de Lavras da Mangabeira, no Ceará, percorremos reflexões que envolvem ensinamentos familiares, degradação ambiental e o vínculo afetivo de pertencimento. Nessa espécie de filme-denúncia, a conexão dessas muitas realidades constrói paralelos poderosos como uma força resistente contra a ação nociva e desenfreada do homem.

O título, Faísca, ganha inúmeros significados. Atravessa os rituais dos ancestrais, a vivência na caatinga, a sabedoria transmitida de mãe para filha, os aprendizados e a validação da palavra identidade, além da força que surge para enfrentar a pressão de empreendimentos em território indígena. Dessa ideia, nasce um desabafo potente, que ganha forma poética pela condução objetiva e simbólica da narrativa.

Dirigido por Barbara Matias Kariri, Faísca já havia sido exibido no Festival de Brasília do ano passado e, nesse início de 2026 ganhou espaço na programação da Mostra Praça, em Tiradentes. Um lugar onde as mensagens da obra ganharam mais força, em um encontro coletivo sob o céu mineiro.

‘Missão: Impossível’: Conheça o ranking dos melhores filmes da franquia

O grande dia está chegando! Missão: Impossível – Efeito Fallout, um dos filmes mais esperados para a segunda metade de 2018 finalmente estreia nos cinemas no próximo fim de semana, dia 26 de julho.

Surfando na onda desse hype, o CinePOP resolveu criar sua nova lista. Aqui listamos os cinco filmes prévios da franquia – sim, é claro que Efeito Fallout ainda não faz parte (mas entrará na lista assim que assistirmos) – em ordem decrescente, do pior (ou “menos bom”, já que não existe exatamente um ruim aqui) ao melhor. Ah sim, o requisito usado foi o somatória das notas dos filmes no Rotten Tomatoes (crítica) e do IMDB (público). Vem conhecer.

5) Missão: Impossível 2

Quatro anos depois que o consenso de crítica e público definiram o primeiro filme muito complexo para uma audiência geral, a Paramount optava por uma trama mais simples e direta, caprichando nas estilosas cenas de ação – oferecimento do mestre do gênero John Woo. Apesar de lindos momentos em seu visual, a proposta do que é verdadeiramente Missão: Impossível (uma trama de espionagem focando em uma equipe) se perdia, com ênfase apenas no personagem carismático do protagonista Tom Cruise. Assim, o segundo exemplar da franquia deixava um pouco de lado a vibe do programa de TV no qual foi baseado, para se tornar um veículo de ação do astro.

4) Missão: Impossível

Tom Cruise já era um astro consolidado em Hollywood no ano de 1996, mas apostava suas fichas numa obra que viria a se tornar sua mais valiosa posse e a estigma pela qual seria mais lembrado. O primeiro Missão: Impossível é também único dentro da franquia. Dirigido pelo mestre Brian De Palma (em ótima fase comercial), o longa adaptado de uma famosa série televisiva da década de 1960 – que ganhou sobrevida na de 1980 – investe mais nas tintas de espionagem de sua contraparte, com uma atmosfera mais voltada ao suspense de um thriller do que para um blockbuster de ação e entretenimento. De fato, De Palma, conhecido discípulo de Alfred Hitchcock, entregou um filme que o lendário diretor britânico muito bem poderia ter assinado em sua carreira. Justamente por tal abordagem fora dos padrões de filmes pipoca, a franquia optou por seguir outros rumos mantidos até hoje. Ps. Ao lado do terceiro, este é o filme favorito na franquia para este que vos fala.

3) Missão: Impossível III

O público falou e os produtores ouviram. O show continuava sendo de Tom Cruise, mas a franquia voltava ao que era a essência do tema: uma história sobre uma equipe de espiões. Embora não seja o preferido da maioria, o terceiro episódio, dirigido por J.J. Abrams seis anos depois do segundo, é o que mais resume o sentimento do programa de TV. O longa funciona como uma mistura entre os dois primeiros filmes, utilizando os pontos positivos de ambos. Assim, temos o protagonismo de Cruise e o passo adiante na hora de humanizar ainda mais seu personagem (com uma história de amor e vingança) e cenas de ação eletrizantes, ao mesmo tempo em que os outros espiões da equipe ganham rostos e personalidades, e o roteiro faz uso de uma trama levemente complicada. Ah sim, temos o melhor antagonista da franquia neste episódio, vivido pelo saudoso Philip Seymour Hoffman – recém-saído de seu Oscar por Capote (2005).

Os dois primeiros itens, posições 1 e 2, é onde a coisa fica confusa. O que acontece é o seguinte: ambos Protocolo Fantasma (2011), o quarto filme, e Nação Secreta (2015), o quinto, receberam nota 7.4 do grande público no IMDB. Daí você pensa, vamos desempatar com a nota dos críticos. Ok, até poderíamos, não fosse o caso de ambos terem novamente a mesma nota no Rotten Tomatoes – 93% de aprovação. Que tal então o número de votos? Sim, quanto mais votantes, mais a nota tende a cair, então o filme com mais votantes deve liderar. Acontece que enquanto Nação Secreta lidera o número de votos com os críticos, Protocolo Fantasma lidera com o público. Cês tão de sacanagem né!

Bom, então faremos o seguinte, a voz do povo é a voz de Deus. A pesquisa do IMDB é mais eclética, já que abrange o grande público, o que pode até englobar críticos que quiserem votar por lá (e por que não?), ao invés de dar somente voz a especialistas em veículos renomados. Sendo assim, vamos lá.

2) Missão: Impossível – Nação Secreta

 

Depois do terceiro filme, a franquia parece ter seguido a mesma fórmula vencedora, apostando igualmente em personagens secundários carismáticos – em especial os membros da equipe – uma trama envolvente e cenas de ação e suspense de tirar o fôlego. Afinal, o que seria de uma boa cena de ação sem o suspense da situação. Na opinião do grande público, os dois últimos exemplares da franquia foram seu ápice, caminho este que o sexto filme deve seguir também (as críticas já estão extremamente favoráveis). Nação Secreta manteve parte da equipe de cada filme da franquia (Ving Rhames, Simon Pegg e Jeremy Renner), além de introduzir a personagem feminina mais interessante da franquia, a dúbia Ilsa Faust, vivida por Rebecca Ferguson. Com a índole de uma boa espiã, na qual não podemos verdadeiramente confiar, Faust deve seguir assim pelo novo filme, ao que os trailers indicam. Fora isso, o desafio aqui é uma organização secreta formada por antigos agentes renegados, conhecida como o Sindicato. Os eventos apresentados aqui terão continuidade direta em Efeito Fallout.

1) Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Para muitos, o quarto filme da franquia pegou tudo o que havia sido construído no terceiro e elevou. Assim, temos uma equipe ainda mais desenvolvida e com interações mais orgânicas e divertidas. O hacker de Simon Pegg ganhava mais espaço, assim como a personagem feminina – papel da estonteante Paula Patton – dona de uma verdadeira ferida a ser curada em seu arco. Além disso, o agente misterioso vivido por Jeremy Renner estava intimamente ligado a um trauma pessoal de Ethan (Cruise) e era preparado para assumir a franquia (o mesmo havia sido tentado com O Legado Bourne) como protagonista. Brad Bird, em seu primeiro filme com atores reais, entrega uma obra completa, que acerta em todos os quesitos, colocando Missão: Impossível em um novo patamar. A trama apresenta a equipe precisando agir de forma renegada após uma sabotagem em sua última missão na Rússia, que quase incita a Terceira Guerra Mundial num incidente internacional. Assim, como no primeiro filme, não apenas Cruise, mas sua equipe inteira precisa limpar o nome e reconquistar a confiança da agência.

‘Um Sonho de Liberdade’ e 9 Clássicos IMBATÍVEIS dos anos 90 que completam 30 anos – para Assistir nos Principais Streamings

Para muitos, os anos 90 foram os mais marcantes do cinema. Todos temos nossa época nostálgica preferida, aquela que nos marca quando somos jovens, que apresenta filmes que nunca mais tiraremos da cabeça. Quando somos mais novos, somos mais impressionáveis e o fator afetivo é responsável por grande parte de nossa memória. É bem verdade que muitos filmes vão caindo em nosso gosto conforme vamos crescendo e amadurecendo. Tantos outros seguem em nossas mentes, enaltecidos como alguns dos melhores do cinema de todos os tempos.

É justamente deste segundo grupo que iremos falar nessa matéria. Aqui iremos adereçar os clássicos dos anos 90 que estão completando 30 anos de estreia em 2024. Nem dá para acreditar. Parece que foi ontem que os vimos nos cinemas ou os alugamos em vídeo. Como não existem mais as locadoras, agora nossa dica é nas plataformas de streaming. Assim, selecionamos 10 filmes imbatíveis que completam 30 anos para você assistir em casa nas mais variadas plataformas. Confira abaixo.

01) Um Sonho de Liberdade
HBO Max

O filme número 1 de todos os tempos no IMDB, ‘Um Sonho de Liberdade’ jamais deixou o topo do ranking desde que o maior site de cinema na rede resolveu abrir espaço para o público votar e dar nota aos seus favoritos. O longa conta a história de Andy Dufresne (Tim Robbins), um homem aprisionado por um crime brutal que diz não ter cometido, vivendo os horrores da prisão e sonhando um dia ser livre. Baseado no conto de Stephen King, foi indicado para 7 Oscar, incluindo melhor filme, e não levou nada. É mole?

02) Forrest Gump
Telecine / Paramount+

O ano de 1994 é considerado não apenas o melhor da década de 90, como também um dos melhores de todos os tempos – na opinião de muitos fãs. Isso porque, traz entre outras coisas, uma trinca de filmes perfeitos e adorados. ‘Forrest Gump’ é o segundo elo desse trio, seguindo ‘Um Sonho de Liberdade’. E quem não viu o filme estrelado por Tom Hanks ainda? Bem, talvez os mais jovens. Então essa é a oportunidade de descobrir que a vida é como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que irá receber. Do trio, ‘Forrest Gump’ é o mais prestigiado no Oscar, dono de 6 Oscars, incluindo melhor filme.

03) Pulp Fiction
Netflix / Telecine

Fechando a trinca principal dos filmes imbatíveis de 30 anos atrás nos cinemas, temos a obra-prima de Quentin Tarantino, que colocou o nome do diretor no mapa com louvor. O cineasta já tinha entregue ‘Cães de Aluguel’, que foi um filme menor; mas definitivamente ‘Pulp Fiction’ mudaria não apenas o jogo para ele, como o cenário e a forma de se fazer cinema. É um dos longas mais influentes dos últimos 30 anos, e ainda surge como o preferido na filmografia de Tarantino para a maioria. Afinal, quem um dia esquecerá a cena de dança entre John Travolta e Uma Thurman ao som de ‘You Never Can Tell’ de Chuck Berry?

04) O Profissional
Netflix / Amazon Prime Video

A trinca principal que faz de 1994 um dos anos mais incríveis e imbatíveis do cinema é formada por ‘Um Sonho de Liberdade’, ‘Forrest Gump’ e ‘Pulp Fiction’. Mas há 30 anos tínhamos ainda excelentes filmes se juntando à esta seletíssima lista. Um deles é esta obra-prima do diretor francês Luc Besson que, entre outras coisas, serviu para revelar ao mundo uma menininha chamada Natalie Portman em seu primeiro papel no cinema. Uma história belíssima de redenção e uma dinâmica “a bela e a fera” da vida real.

05) O Rei Leão
Disney+

HD wallpaper: The lion king, 1994, Simba, Scar, Mufasa, Zazu, Timon, Pumbaa | Wallpaper Flare

Quando falamos em melhores animações da Disney de todos os tempos, ‘O Rei Leão’ sem dúvida fica no top 5 da discussão. Nenhum fã ou cinéfilo irá negar. O filme poderia facilmente ter figurado entre os cinco candidatos ao Oscar na categoria principal, e chega para abrilhantar o maravilhoso ano de 1994. A trama digna de Shakespeare, levada para a Savana Africana, onde animais falantes encantam e emocionam o espectador, até hoje surge como um primor da sétima arte.

06) O Máskara
HBO Max

O ano de 1994 foi de Jim Carrey. O comediante canadense de “cara de borracha” surgia em cena e mudaria para sempre sua carreira. Graças a três filmes. Veremos os três nessa lista. O primeiro e mais famoso é ‘O Máskara’, um filme de super-herói diferente, dono de muito humor ácido e sarcasmo, que merecia muito uma continuação à altura. O filme ainda revelou uma certa Cameron Diaz, que antes era modelo, e fez o mundo se apaixonar por ela. Ah sim, não podemos esquecer de falar dos efeitos especiais revolucionários, surgidos bem no boom do CGI.

07) Debi e Lóide
Amazon Prime Video

Como dito, Jim Carrey escalaria até o topo do mundo há 30 anos, com uma das melhores estreias do cinema na década. E o filme que coroaria tal ascensão meteórica foi ‘Debi e Lóide’, comédia completamente incorreta dirigida pelos irmãos Farrelly sobre dois melhores amigos com muitos neurônios a menos, que causam as situações mais hilárias graças à sua ingenuidade e burrice abundante. O subtítulo ‘Dois Idiotas em Apuros’ é certeiro. Pena que a continuação, lançada 20 anos depois, e que reúne Carrey e Jeff Daniels, foi solenemente ignorada. Os tempos eram outros.

08) Velocidade Máxima
Star+

Outro ator que ganhava bastante destaque há 30 anos era Keanu Reeves. Antes de ‘John Wick’ e antes mesmo de ‘Matrix’, o ator se tornava o menino de ouro da 20th Century Fox para filmes de ação. Primeiro veio ‘Caçadores de Emoção’ em 1991, mas a coroação sairia com o fenômeno ‘Velocidade Máxima’. O longa eletrizante foi “o” filme de ação de 1994, não teve para nenhum outro. Só se falava disso na época. O ônibus que não podia diminuir sua velocidade ou explodiria trouxe muita adrenalina para os fãs da época. Ah sim, e como de praxe revelou mais uma grande estrela de Hollywood, uma certa Sandra Bullock, que pilota o veículo em alta velocidade.

09) Entrevista com o Vampiro
Amazon Prime Video

Além de Keanu Reeves, quem ganhava a chance de brilhar há 30 anos também era Brad Pitt. Esse foi o divisor de águas na carreira do hoje vencedor do Oscar. E de quebra sentava no outro corner do duelo de bonitões, enfrentando Tom Cruise, que já era um astro, no papel do vilão Lestat. Cruise fez muita gente dar o braço a torcer, inclusive a autora do livro Anne Rice. ‘Entrevista’ foi uma visão única e “realista” de como seria se vampiros realmente existissem.

10) Ace Ventura
HBO Max / Star+

Promessa é dívida. E eu não poderia terminar a matéria sem mencionar o terceiro filme responsável por fazer do careteiro sumido Jim Carrey um verdadeiro astro de Hollywood. No auge de sua fama, Carrey chegou a ganhar US$20 milhões por filme, por isso pode se dar ao luxo de ficar sumido – ele deve ter feito um bom pé de meia. O primeiro filme da safra 1994 de Jim Carrey foi o ‘Detetive Diferente’. Ace Ventura teria a simpatia de muitos, que preferem os animais aos seres humanos. É assim que ele opera, trabalhando para achar animais desaparecidos. Seu novo trabalho possui uma trama digna de um thriller arrepiante, e começa com o sumiço do golfinho que é o mascote de um dos maiores times de futebol americano, e termina com um ex-jogador caído em desgraça e até mesmo com mudança de sexo.

E aí, querido cinéfilo?! – Nossa Coluna de Entrevista | Parte 37: Cristiano Requião

Nessa vida temos encontros e desencontros. A internet veio para bagunçar isso tudo e para quem é esperto conseguir se aproximar de ídolos ou apaixonados por cinema que nunca teria a chance de conhecer os pensamentos se a distância entre os dois pontos não existisse, como é agora no planeta internet. Dividir curiosidades sobre o gosto cinéfilo é um grande exercício que todos nós cinéfilos adoramos descobrir. Esse especial chega exatamente para apresentar universos diferentes do seu mas sempre com um grande amor ao cinema como o seu.

Nosso convidado de hoje é cineasta e cinéfilo! Cristiano Requião, profissional de cinema há mais de 40 anos, trabalhou em onze longas-metragens como assistente de direção e diretor de fotografia, além de realizar centenas de filmes institucionais. Durante dez anos trabalhou em um Centro Universitário nos cursos de Comunicação e Propaganda e Publicidade. Retornou ao cinema comercial em 2009 e até hoje dirigiu, roteirizou e fotografou sete curtas e os longas-metragens Outro Olhar e Morrer de Amor.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Cine Joia e os cinemas do Estação em Botafogo, os dois. Saem do esquemão de filmes meramente comerciais, exibindo uma variedade maior de gêneros e estilos.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

Fazem muitos anos… Mas eu lembro de um filme francês que marcou a minha adolescência. Chama-se Os Aventureiros, do Robert Enrico com Alain Delon e Lino Ventura. Neste filme eu decidi que queria trabalhar em cinema. Não pela narrativa, mas sim pela capacidade de um filme de gerar emoções.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Jacques Audiard e o Sur mes Lèvres de 2001 com uma atriz que eu considero uma das maiores, a Emmanuelle Devos.

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

O Bandido da Luz Vermelha do Sganzerla. Um filme feito na garra e com uma história incrível explorando, na época diversas linguagens.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

É quem ama e estuda cinema.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Não posso dizer. Vejo acertos fantásticos e equívocos terríveis. Dos cinemas menores com seus donos próximos o resultado tem sido melhor.

 

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Temo que isso ocorra, mas acredito que não. Tem filmes que são feitos e devem ser assistidos nos cinemas. Tomara que sobrem os cinemas independentes, principalmente.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

O Roubo da Taça do Caito Ortiz. Para que as pessoas cinéfilas e não cinéfilas possam ter certeza que filmes comerciais podem ter um recheio com conteúdo, sejam divertidos e questionadores.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Fosse eu um biólogo ou infectologista poderia responder.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Qualidade é um termo equivocado, a meu ver. Pode significar algo bem acabado e vazio. O cinema brasileiro têm excelentes filmes num determinado formato de produção que lamentavelmente não chega a todos os realizadores.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Com algumas decepções, Júlio Andrade.

 

12) Defina cinema com uma frase:

Uma ferramenta política com dois gumes.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Estreia do Pedro Mico no antigo Ricamar em Copa. Não havia público, convidados, só alguns apareceram. Para que a sessão não ficasse vazia, nós da equipe fomos a rua pedir para que as pessoas entrassem de graça. Não me lembro sequer da presença da imprensa. Público voluntário na plateia de baixo e no girau equipe e atores. Bastaram aparecer as cenas mais eróticas entre o Pelé e a Tereza Raquel para rolar uma vaia acompanhada de observações a respeito da performance em cena. Depois disso a maior parte das pessoas foi embora.

 

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras…

Uma tentativa pretensiosa de fazer cinema apostando na fama de uma atriz. Um filme risível.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Eu acho que ajuda muito. O que colocamos na tela é um MMC do que vimos e vivenciamos. A gramática cinematográfica é a ferramenta. Quanto mais filmes, desde que selecionados, mais afiada fica a nossa léxica.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida?

Não saberia responder, porque não conseguiria também apontar o melhor.

10 séries que viraram surto coletivo no feed, família e vizinhos

Existem algumas séries que realmente fazem a cabeça de todos nós, a ponto de aguardamos ansiosamente a chegada do próximo episódio – e, depois, de novas temporadas. Essas obras geralmente geram muito burburinho nas redes sociais e também nos grupos de nossos contatos mais próximos. Para você que gosta de se jogar em uma boa história, segue abaixo uma lista poderosa de séries maravilhosas:

 

O Cavaleiro dos Sete Reinos (HBO MAX)

Ambientada 100 anos antes de tudo que acontece em Game of Thrones, este novo seriado da HBO MAX apresenta a história de Duncan, o Alto, um cavaleiro que, acaba conhecendo por acaso um futuro grande amigo — e também seu escudeiro: Egg.

 

It: Bem-Vindos a Derry (HBO MAX)

Com um episódio piloto simplesmente brilhante e surpreendente, em It: Bem-Vindos a Derry, ambientado no início da década de 1960, acompanhamos uma série de situações sinistras que ocorrem na cidade de Derry, antes dos eventos de It: A Coisa.

 

Pluribus (Apple Tv)

Nessa nova série do criador de Breaking Bad, acompanhamos uma escritora de relevante sucesso que, durante uma noite, começa a perceber algo estranho acontecendo pelo mundo e precisa se adaptar a esse novo cenário.

 

Dark (Netflix)

Quando um grupo de jovens descobre uma situação suspeita vinda dentro de uma caverna na floresta da região, um deles some, dando início a uma saga que explora os sentimentos de perda ao limite, passando também pelo inusitado caso do tempo, fator importante e que vamos descobrimento melhor ao longo dos intensos 26 episódios, divididos em três temporadas absolutamente arrepiantes.

 

Dexter: Ressurreição (Paramount Plus)

Depois de sobreviver milagrosamente a um tiro dado pelo próprio filho na jornada anterior, Dexter (Michael C.Hall) parte rumo a uma nova Iorque que ele não conhece em busca de reestabelecer os laços com seu único herdeiro, Harrison (Jack Alcott). Nesse lugar, cheio de caminhos e reflexões, acaba batendo de frente com um clube de serial killers – um prato cheio pra quem gosta de fazer justiça com as próprias mãos.

 

Stranger Things (Netflix)

Submetida a experimentos por um cientista que a roubou de sua mãe, Eleven tem super poderes e pode controlar objetos com a mente. Ao longo das temporadas de Stranger Things vamos conhecendo melhor sua trajetória no passado, já rumando para um presente onde seus amigos precisarão de seus poderes para vencer o mal.

 

Adolescência (Netflix)

Minissérie visceral de quatro episódios que chegou na Netflix no início de 2025 nos apresenta um caso chocante de um menino de 13 anos acusado de matar uma outra jovem.

 

Fallout (Prime Video)

Na trama, bem à frente no futuro, conhecemos a Terra dizimada por ações nucleares. Para proteger alguns, os Estados Unidos junto a um grupo de empresas, principalmente a Vault- Tec , resolve criar refúgios subterrâneos. Assim, 200 anos depois do caos começar, conhecemos a jovem Lucy (Ella Purnell) que, após o lugar onde nasceu e foi criada ser atacado, resolve ir atrás dele e desbravar a superfície, um lugar onde nunca havia ido. A cada caminhada, uma nova descoberta. Assim, seu destino se cruza com Maximus (Aaron Moten), um sobrevivente de um dos ataques nucleares mais impactantes e o enigmático necrótico Cooper (Walton Goggins), esse último com um passado com vivas memórias do início do fim.

 

Paradise (Disney Plus)

Tudo ia bem numa comunidade perfeita de algumas milhares de pessoas, até que um dia o presidente Cal (James Marsden) é brutalmente assinado no seu quarto. Logo, Xavier (Sterling K. Brown), o responsável chefe por sua segurança, começa a juntar as peças desse quebra-cabeça que nos leva até a exposição de fatos surpreendentes que vão de encontro aos interesses de Sinatra (Julianne Nicholson), uma influente nas relações políticas. Se você acha que a trama se prende a isso, não ande por esse caminho. Ao final do primeiro episódio, entendemos um pouco do que é aquele lugar.

 

Ruptura (Apple Tv Plus)

Mark (Adam Scott) é funcionário de uma misteriosa empresa chamada Lumen e acaba de ser colocado como líder de uma equipe de funcionários que aceitou ser submetidos a uma situação onde suas memórias foram divididas entre o seu trabalho e sua vida fora dele. Basicamente, quando eles estão no trabalho, não lembram de nada do mundo fora dali; e quando estão em suas respectivas casas, não lembram de nada do trabalho. Até que um dia um ex-colega deles de trabalho, que conseguiu sair dessa situação, acaba fazendo contato com o Mark de fora do trabalho. A partir disso, o drama vira um misterioso labirinto de descobertas convergindo das duas realidades.

 

‘Missão: Impossível’: Conheça o ranking dos melhores filmes da franquia [Incluindo Efeito Fallout]

O grande dia está chegando! Missão: Impossível – Efeito Fallout, um dos filmes mais esperados para a segunda metade de 2018 finalmente estreou nos cinemas neste fim de semana, dia 26 de julho.

Surfando na onda desse hype, o CinePOP resolveu criar sua nova lista. Aqui listamos todos os filmes da franquia – sim, é claro que Efeito Fallout já está incluído – em ordem decrescente, do pior (ou “menos bom”, já que não existe exatamente um ruim aqui) ao melhor. Ah sim, o requisito usado foi o somatória das notas dos filmes no Rotten Tomatoes (crítica) e do IMDB (público). Vem conhecer.

6) Missão: Impossível 2

Quatro anos depois que o consenso de crítica e público definiram o primeiro filme muito complexo para uma audiência geral, a Paramount optava por uma trama mais simples e direta, caprichando nas estilosas cenas de ação – oferecimento do mestre do gênero John Woo. Apesar de lindos momentos em seu visual, a proposta do que é verdadeiramente Missão: Impossível (uma trama de espionagem focando em uma equipe) se perdia, com ênfase apenas no personagem carismático do protagonista Tom Cruise. Assim, o segundo exemplar da franquia deixava um pouco de lado a vibe do programa de TV no qual foi baseado, para se tornar um veículo de ação do astro.

5) Missão: Impossível

Tom Cruise já era um astro consolidado em Hollywood no ano de 1996, mas apostava suas fichas numa obra que viria a se tornar sua mais valiosa posse e a estigma pela qual seria mais lembrado. O primeiro Missão: Impossível é também único dentro da franquia. Dirigido pelo mestre Brian De Palma (em ótima fase comercial), o longa adaptado de uma famosa série televisiva da década de 1960 – que ganhou sobrevida na de 1980 – investe mais nas tintas de espionagem de sua contraparte, com uma atmosfera mais voltada ao suspense de um thriller do que para um blockbuster de ação e entretenimento. De fato, De Palma, conhecido discípulo de Alfred Hitchcock, entregou um filme que o lendário diretor britânico muito bem poderia ter assinado em sua carreira. Justamente por tal abordagem fora dos padrões de filmes pipoca, a franquia optou por seguir outros rumos mantidos até hoje. Ps. Ao lado do terceiro, este é o filme favorito na franquia para este que vos fala.

4) Missão: Impossível III

O público falou e os produtores ouviram. O show continuava sendo de Tom Cruise, mas a franquia voltava ao que era a essência do tema: uma história sobre uma equipe de espiões. Embora não seja o preferido da maioria, o terceiro episódio, dirigido por J.J. Abrams seis anos depois do segundo, é o que mais resume o sentimento do programa de TV. O longa funciona como uma mistura entre os dois primeiros filmes, utilizando os pontos positivos de ambos. Assim, temos o protagonismo de Cruise e o passo adiante na hora de humanizar ainda mais seu personagem (com uma história de amor e vingança) e cenas de ação eletrizantes, ao mesmo tempo em que os outros espiões da equipe ganham rostos e personalidades, e o roteiro faz uso de uma trama levemente complicada. Ah sim, temos o melhor antagonista da franquia neste episódio, vivido pelo saudoso Philip Seymour Hoffman – recém-saído de seu Oscar por Capote (2005).

Os dois primeiros itens, posições 1 e 2, é onde a coisa fica confusa. O que acontece é o seguinte: ambos Protocolo Fantasma (2011), o quarto filme, e Nação Secreta (2015), o quinto, receberam nota 7.4 do grande público no IMDB. Daí você pensa, vamos desempatar com a nota dos críticos. Ok, até poderíamos, não fosse o caso de ambos terem novamente a mesma nota no Rotten Tomatoes – 93% de aprovação. Que tal então o número de votos? Sim, quanto mais votantes, mais a nota tende a cair, então o filme com mais votantes deve liderar. Acontece que enquanto Nação Secreta lidera o número de votos com os críticos, Protocolo Fantasma lidera com o público. Cês tão de sacanagem né!

Bom, então faremos o seguinte, a voz do povo é a voz de Deus. A pesquisa do IMDB é mais eclética, já que abrange o grande público, o que pode até englobar críticos que quiserem votar por lá (e por que não?), ao invés de dar somente voz a especialistas em veículos renomados. Sendo assim, vamos lá.

3) Missão: Impossível – Nação Secreta

 

Depois do terceiro filme, a franquia parece ter seguido a mesma fórmula vencedora, apostando igualmente em personagens secundários carismáticos – em especial os membros da equipe – uma trama envolvente e cenas de ação e suspense de tirar o fôlego. Afinal, o que seria de uma boa cena de ação sem o suspense da situação. Na opinião do grande público, os dois últimos exemplares da franquia foram seu ápice, caminho este que o sexto filme deve seguir também (as críticas já estão extremamente favoráveis). Nação Secreta manteve parte da equipe de cada filme da franquia (Ving Rhames, Simon Pegg e Jeremy Renner), além de introduzir a personagem feminina mais interessante da franquia, a dúbia Ilsa Faust, vivida por Rebecca Ferguson. Com a índole de uma boa espiã, na qual não podemos verdadeiramente confiar, Faust deve seguir assim pelo novo filme, ao que os trailers indicam. Fora isso, o desafio aqui é uma organização secreta formada por antigos agentes renegados, conhecida como o Sindicato. Os eventos apresentados aqui terão continuidade direta em Efeito Fallout.

2) Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Para muitos, o quarto filme da franquia pegou tudo o que havia sido construído no terceiro e elevou. Assim, temos uma equipe ainda mais desenvolvida e com interações mais orgânicas e divertidas. O hacker de Simon Pegg ganhava mais espaço, assim como a personagem feminina – papel da estonteante Paula Patton – dona de uma verdadeira ferida a ser curada em seu arco. Além disso, o agente misterioso vivido por Jeremy Renner estava intimamente ligado a um trauma pessoal de Ethan (Cruise) e era preparado para assumir a franquia (o mesmo havia sido tentado com O Legado Bourne) como protagonista. Brad Bird, em seu primeiro filme com atores reais, entrega uma obra completa, que acerta em todos os quesitos, colocando Missão: Impossível em um novo patamar. A trama apresenta a equipe precisando agir de forma renegada após uma sabotagem em sua última missão na Rússia, que quase incita a Terceira Guerra Mundial num incidente internacional. Assim, como no primeiro filme, não apenas Cruise, mas sua equipe inteira precisa limpar o nome e reconquistar a confiança da agência.

1) Missão: Impossível – Efeito Fallout

É difícil achar adjetivos que caibam no roteiro escrito por Christopher McQuarrie, que também dirige e produz. Com um script inteligente e ágil, que não perde tempo para engatar sua história, ele usa o pouquíssimo tempo de respiro entre uma cena de ação e outra para aprofundar seus personagens e suas motivações. O maior acerto é mostrar que às vezes o mocinho pode se tornar o vilão e vice versa, além de trazer personagens femininas fortes que fogem do estereótipo “donzela em perigo”. Cada personagem tem seu devido tempo em tela, a trama consegue trazer elementos dos filmes anteriores e criar um desfecho para todas as pontas soltas na franquia – humanizando Ethan Hunt e mostrando que ele é um homem de carne e osso, com sentimentos e um passado. É uma jogada de mestre a maneira como a história avança sem esquecer o passado, mas também sempre olhando para o futuro.

Missão ImpossívelEfeito Fallout’ é tão bom que não percebemos suas 2 horas e 47 minutos passarem, nos deixando cada vez mais intrigados a cada reviravolta e revelação que a trama nos brinda. E mesmo que algumas delas possam ser previstas, a maneira como as situações se destrincham é genial.

O sexto filme da franquia vem para mostrar que nem só de ação se faz um filme: é preciso ter um roteiro interessante, um diretor seguro e um ator dando o melhor de si. E ‘Efeito Fallout’  tem tudo isso e um pouco mais.

Carl Weathers – Relembre os trabalhos mais marcantes da Carreira do SAUDOSO ator

O ator Carl Weathers faleceu recentemente, no dia 1º de fevereiro, aos 76 anos de idade. Weathers ficou eternizado na sétima arte como Apollo Creed, o primeiro grande oponente e depois amigo de Rocky Balboa, na franquia de filmes de boxe estrelados por Sylvester Stallone. O ator ainda estava em atividade e era parte do elenco fixo da série de sucesso ‘O Mandaloriano’, do universo de Star Wars na Disney+.

No cinema, a carreira de Carl Weathers faria dele parte do movimento dos brucutus musculosos dos anos 80, e o amigo Sylvester Stallone poderia facilmente tê-lo escalado como membro do elenco de ‘Os Mercenários’ – coisa que infelizmente não chegou a acontecer. Mas Weathers conseguiu realizar o sonho de muitos atores que visam dominar o cinema de ação: estrelou filmes ao lado das duas maiores lendas da época: Stallone e Arnold Schwarzenegger. Com a franquia Rocky e ‘O Predador’. Estes longas terminaram se tornando os mais famosos de sua carreira.

The Mandalorian' Actor Carl Weathers Passes at 76 | The Disney Blog

Fazer sucesso não é fácil. Isso porque é o público que elege o que quer ver nas telas. E isso muda de tempos em tempos. É algo imprevisível. Ou seja, nem todos conseguem se tornar protagonistas de projetos assim. No caso de Carl Weathers, ele fez mais sucesso justamente como coadjuvante, sendo parte colaboradora de obras verdadeiramente icônicas. E não tanto como protagonista. Já que suas tentativas para isso não deram muito resultado.

O primeiro trabalho de Carl Weathers no cinema foi em uma participação não creditada em ‘Magnum 44’ (1973), o segundo filme da “quintologia” de ação policial de Dirty Harry, com Clint Eastwood. Weathers teve simplesmente 80 créditos em sua filmografia, entre participações em filmes, séries de TV, dublagens e filmes para a TV. Nos anos 70, por exemplo, participou de episódios de programas icônicos, como ‘O Homem de Seis Milhões de Dólares’, ‘Kung Fu’, ‘S.W.A.T.’ e ‘Starsky & Hutch’.

O ponto de virada em sua carreira viria na mesma década, quando foi escolhido para viver um dos papeis principais em ‘Rocky – Um Lutador’, filme escrito pelo então desconhecido Sylvester Stallone. Ambos Sly e Weathers não eram as primeiras opções para viver Rocky e Apollo, mas o destino quis que se tornassem as escolhas definitivas e brilhassem para o estrelato devido a estes personagens.

Rocky’ levou o Oscar de melhor filme do ano de 1977, e entrou para a história como uma das produções mais queridas do cinema de todos os tempos. Weathers, é claro, interpreta Apollo Creed, o campeão de boxe mundial, que dá a chance para um ilustre desconhecido após um rival pular fora de uma luta previamente marcada.

5 Questions: Force 10 from Navarone – BULLETPROOF ACTION

Esse novato, Rocky, tem a chance de sua vida, treina, se dedica e consegue ficar de igual para igual, desmoralizando o campeão egocêntrico e vaidoso. Weathers fez de Apollo Creed um rival, um adversário, mas não um vilão, lhe dando camadas e características muito humanas. O papel trouxe muita notoriedade para o ator, então com 28 anos de idade.

Por essa projeção, ele seria escalado para ‘Comando 10 de Navarone’ (1978), superprodução de guerra bancada pela Columbia Pictures. O projeto ambicioso do diretor Guy Hamilton (‘007 Contra Goldfinger’) trazia Robert Shaw (‘Tubarão’) e Harrison Ford (‘Star Wars’) como protagonistas, e um elenco de apoio que incluía além de Weathers, Barbara Bach (‘007: O Espião que Me Amava’) e o italiano Franco Nero.

Antes disso, seguindo o rastro do primeiro ‘Rocky’, Weathers faria uma pequena participação no sucesso de Steven Spielberg, ‘Contatos Imediatos do Terceiro Grau’, como um policial militar; e na comédia de esporte ‘A Disputa dos Sexos’, estrelado por Burt Reynolds e Kris Kristofferson.

Carl Weathers voltaria ao papel de Apollo Creed em ‘Rocky II – A Revanche’ (1979), no qual desta vez é o campeão que quer revanche contra o novato. A carreira de Rocky decolou e a de Apollo virou piada. Agora, será ou tudo ou nada para ambos. O segundo ‘Rocky’ pode soar como um caça-níquel, e seria difícil argumentar contra a tentativa de capitalizar em cima do sucesso do original. A continuação não teve o mesmo prestígio do primeiro (não obteve qualquer indicação ao Oscar), mas serviu para popularizar ainda mais o universo do lutador no zeitgeist.

Em 1981, Weathers caçou o brabo Charles Bronson pelas montanhas geladas do Canadá com a ajuda de Lee Marvin, na produção da 20th Century Fox ‘Perseguição Mortal’. Isso bem a tempo de retornar ao papel de Apollo Creed mais uma vez em ‘Rocky III – O Desafio Supremo’, de 1982. Assim como no segundo filme, Sylvester Stallone assumia os cargos de roteirista e diretor, além obviamente de protagonista, no terceiro filme da franquia. Dessa vez, Weathers não seria mais o antagonista, já que um terceiro filme onde Rocky enfrentasse Apollo ficaria muito repetitivo. Assim, entra em cena Clubber Lang, o novo lutador malvadão que desafia do cinturão de Rocky. Mas Creed não sai de cena completamente. Surge de forma surpresa para treinar o antigo rival tanto fisicamente, quanto mentalmente.

Como eram os anos 80, ao contrário do oponente muito humanizado de Weathers nos dois primeiros filmes, a partir de ‘Rocky III’ os rivais no ringue se tornavam também vilões típicos e caricaturais, ruins até o último osso do corpo – sem qualquer preocupação com características humanas. É isso que é pedido de Mr. T e depois de Dolph Lundgren como Ivan Drago em ‘Rocky IV. E foi justamente nesse último, lançado em 1985, que Carl Weathers sairia de cena como Apollo Creed, já que a decisão de mais um roteiro de Stallone foi a de matar o personagem, para dar um peso mais dramático ao longa (que foi o maior sucesso da trajetória da franquia, financeiramente).

E apesar de Stallone se arrepender da decisão atualmente, deu certo, pois entre outras coisas, serviu de motivador e premissa para a franquia derivada ‘Creed’, na qual o filho de Apollo (vivido por Michael B. Jordan), busca legitimidade como boxeador, seguindo os passos do pai.

No ano seguinte ao sair de cena como Apollo, Carl Weathers foi estrelar sua própria série policial. ‘Fortune Dane’ foi ao ar pela rede ABC em 1986, e trazia o ator como o personagem título, um detetive caçando um assassino. O programa durou apenas 6 episódios antes de ser cancelado. Mas seria relançado depois e remontado como um filme.

E agora finalmente chegamos ao segundo maior sucesso a carreira de Carl Weathers depois da franquia ‘Rocky’. Depois de dividir as telas quatro vezes com o peso pesado Sylvester Stallone, era a hora de Weathers encarar o grande rival do amigo, Arnold Schwarzenegger. O projeto era ‘O Predador’, superprodução da 20th Century Fox, criado como uma mistura entre ‘Rambo’ e ‘Aliens’. Na trama, soldados americanos altamente treinados, estão em uma missão secreta nas selvas da América Central. No local, descobrem seu pior pesadelo imaginável: um inimigo invisível e imbatível. Uma criatura extraterrestre, que é um exímio caçador, e as presas são justamente eles.

Predator' Legend Carl Weathers Has Passed Away at 76 - Bloody Disgusting

O Predador’ foi um enorme sucesso e até hoje se mantém como uma obra querida pelos fãs. No filme, Weathers interpreta Dillon, o amigo do passado do protagonista Dutch (Schwarzenegger). Agora trabalhando para a CIA, Dillon não libera todas as informações que possui para sua equipe, o que termina criando um mal-estar entre eles. Como todos sabem muito bem, o sucesso de ‘O Predador’ transformou o conceito em uma rentável franquia que dura até hoje, e se tornou uma das propriedades mais lucrativas da extinta Fox, agora nas mãos da Disney.

Com estes sucessos no currículo, chegava a hora de Carl Weathers ganhar seu próprio veículo solo de ação para protagonizar. ‘Action Jackson’ foi o projeto escolhido, um puro suco de tudo relacionado ao gênero nos anos 80. Cult por excelência, o longa trouxe Weathers como o durão policial do título, que destrói tudo por onde passa, deixando seu chefe no departamento louco.

The 7 Best Carl Weathers Movie & TV Roles, From 'Rocky' to 'Happy Gilmore'

O filme contou com um verdadeiro elenco estelar da época, com nomes como Craig T. Nelson como o vilão, Bill Duke, Robert Davi, Tom Wilson (o Beef do clássico ‘De Volta para o Futuro’) e as beldades Vanity e Sharon Stone. ‘Action Jackson’ até foi considerado um sucesso, mas por alguma razão os produtores nunca se movimentaram para tirar do papel uma sequência, o que poderia transformar o filme em uma franquia, e elevado alguns degraus o prestígio de Weathers até o estrelato.

Bem, ‘Action Jackson’ não teve continuação, mas praticamente teve. Acontece que Carl Weathers correria para filmar ‘Hurricane Smith – Tempestade em Ação’ logo em seguida. Talvez o ator não tivesse interesse em viver sempre o mesmo personagem, devido às continuações de Rocky, e preferisse se desafiar em novos papeis. Apesar disso, ‘Hurricane Smith’ é basicamente ‘Action Jackson’, e mostra o que a sequência daquele filme poderia ter sido, levando o personagem desta vez para a Austrália. ‘Hurricane Smith’ foi filmado em 1990, mas só viu lançamento nas telonas, dois anos depois em 1992.

Hurricane Smith (1992) - IMDb

Logo no ano seguinte de ‘Action Jackson’, Weathers participou de 9 episódios da série de guerra ‘Combate no Vietnã’, no papel do Coronel Brewster. Em 1990 também, estrelou o filme policial feito para a TV ‘Paixão Perigosa’, no qual atuou ao lado de Billy Dee Williams, outro lendário ator negro do período, eternizado no papel de Lando Calrissian, de ‘O Império Contra-Ataca’ e ‘O Retorno de Jedi’. Curiosamente, décadas mais tarde, Weathers também adentraria o universo de Star Wars.

O ator teria sucesso ainda na TV com a série policial ‘Justiça das Ruas’, no papel de um ex-soldado na Guerra do Vietnã, trabalhando como policial, com a ajuda de um mestre das artes marciais. O programa permaneceu no ar por duas temporadas, com 44 episódios, de 1991 a 1993.

Dangerous Passion | Rotten Tomatoes

Carl Weathers faria ainda participação como o instrutor de golfe Chubbs na comédia de Adam Sandler, ‘Um Maluco no Golfe’, de 1996. Ele seguiria trabalho em séries de TV, filmes feitos para a TV e até dublagens em videogames.

Recentemente, Carl Weathers veria uma nova onda de popularidade ao conseguir o papel de Greef Karga, o contratante do caçador de recompensas de Pedro Pascal em ‘O Mandaloriano’, o programa mais bem sucedido de Star Wars atualmente na Disney+. Weathers esteve nas três temporadas do programa, e sem dúvida era planejado para retornar caso não tivesse falecido subitamente. Fica aqui a nossa homenagem para este querido ator de Hollywood, que marcou toda uma geração com seus personagens icônicos.

Crítica | Migliaccio, o Brasileiro em Cena – Documentário sobre um dos grandes artistas brasileiros

O homem que sempre sonhou em ser John Wayne. Dono de interpretações inesquecíveis como Seu Chalita e Xerife, que percorreu o início do Cinema Novo (movimento nas décadas de 60 e 70 em nosso cinema revelando pela arte as desigualdades e questões sociais da sociedade brasileira), um dos filhos de uma família de onze irmãos, o ator, produtor, diretor e roteirista Flávio Migliaccio foi um dos grandes nomes da Tv, do Teatro e do Cinema no Brasil. Co-Produzido por Globo Filmes, GloboNews e Canal Brasil em Migliaccio, o Brasileiro em Cena acompanhamos algumas de suas histórias e partes de seu caminho, do seu início vindo de uma família humilde até virar um dos rostos mais conhecidos pelo seu trabalho. Dirigido pelo trio: Alexandre RochaMarcelo Pedrazzi e João Mariano (Tuco).

Com estreia marcada para o dia 8 de julho nos cinemas brasileiros, o documentário busca de maneira mais profunda possível passar o modo de pensar e histórias da carreira de um artista muito criativo que conquistou o Brasil contando histórias próximas da realidade de muitos. Sempre em busca da importância de se comunicar com seu público através de sua arte, Flávio Migliaccio, um ótimo contador de histórias, através de entrevistas em algumas fases de sua vida, vamos começando a entender essa personalidade do universo das artes do Brasil.

Seu primeiro emprego foi de engraxate, mas seu pai queria mesmo que ele fosse barbeiro. A descoberta do teatro profissional, do descobrir a vida através daquela realidade veio nos tempos de Teatro Arena em São Paulo. A partir daí, nunca mais pensou em ter outra profissão na vida, conheceu nomes importantes para a cena teatral e do cinema como Leon Hirszman Gianfrancesco Guarnieri. No cinema, seu primeiro trabalho foi Cinco Vezes Favela (1962), onde inclusive escreveu um dos episódios, foi assistente de direção e fez um dos papéis no curta dirigido por Marcos Farias. Havia um paralelo entre todos os rumos de seu trabalho e o Cinema Novo assim embarcando de corpo e alma no mundo mágico do cinema.

Em papos descontraídos, Migliaccio, o Brasileiro em Cena daria até um filme mais amplo, muitas histórias devem ter ficado pelo caminho. Sabemos mais sobre bastidores de filmes do artista, de teatros, sobre os lados da fama, sua visão sobre a arte e seu poder, da própria história brasileira como o incêndio no prédio da UNE nos anos 60 durante a Ditadura Militar. O artista nos deixou em maio do ano de 2020 e estará para sempre na história do teatro, tv e cinema do Brasil.

Crítica | ‘Dupla Perigosa’ – Um competente filme de ação tragicômico

Ultimamente – leia-se os últimos anos – tem sido difícil a vida de quem ama bons filmes de ação, frequentemente se decepcionando com o ‘mais do mesmo’ presente na maioria dos lançamentos do gênero. Talvez por isso, quando uma obra busca um mínimo que seja de risco, já ganha nossa atenção. Isso acontece com Dupla Perigosa, novo lançamento do Prime Video.

Cheio daquelas ‘mentirinhas’ que todo mundo que ama o entretenimento pipoca gosta, mesmo com muitos exageros, o filme protagonizado pelos mundialmente conhecidos Dave Bautista e Jason Momoa, busca romper algumas camadas dentro de uma dinâmica familiar marcada por um passado conflituoso e o distanciamento. O projeto é dirigido pelo porto riquinho Angel Manuel Soto (Besouro Azul) com roteiro assinado por Jonathan Tropper, cocriador das ótimas séries Banshee e Seus Amigos e Vizinhos.

James (Dave Bautista) é um oficial da marinha norte-americana, pai carinhoso e marido dedicado, que vive seus dias com a família no Havaí, onde nasceu e foi criado. Sua rotina de paz e tranquilidade muda completamente quando seu pai, um detetive experiente, morre atropelado – em circunstâncias suspeitas. A partir daí, volta à sua vida seu irmão Jonny (Jason Momoa), um policial suspenso, sem rumo, e quase perdendo sua namorada brasileira, Valentina (Morena Baccarin). Assim, esses dois irmãos completamente diferentes precisam encontrar soluções para toda uma conspiração que se forma ao redor deles.

Em meio a cenas de ação bem executadas – e desenfreadas -, há algumas pausas para o drama familiar. Mesmo adotando um decepcionante leque de exageros quando pensamos em conveniências de roteiro, a narrativa revela um equilíbrio que faz as pouco mais de duas horas de projeção passarem rápido, com certa atenção do público. Há também algumas surpreendentes referências, como em uma cena onde percebemos uma homenagem ao clássico sul-coreano Oldboy – numa sequência de ‘um contra muitos’ em um corredor apertado, com machadinha e tudo.

Passando por uma investigação conturbada, que envolve até membros da Yakuza, milionários encrenqueiros e corrupção política, caminhamos pela violência de forma direta, com o equilíbrio de tensão com humor  – com direito a braço arrancado e muito mais -, ao mesmo tempo que abre, aos poucos, espaço para reflexões sobre laços afetivos fragilizados, que precisam abruptamente lidar com traumas, heranças emocionais e resoluções de conflitos.

Com um sugestivo espaço para continuação apresentado em seu desfecho, Dupla Perigosa busca se justificar como o início de uma franquia, com dois fortes nomes como protagonistas, que parecem ter muito mais a entregar.

Crítica | Acrimônia – Ela Quer Vingança – A “Maria do Bairro” norte-americana de Tyler Perry

Diário de uma Louca

Tyler Perry é uma figura famosa nos EUA. Por aqui, muitos não o conhecem. Isso se deve porque seus filmes nunca foram lançados nos cinemas brasileiros, sempre chegando direto no mercado de home vídeo no país. Fato que acaba de sofrer uma guinada com o lançamento do thriller dramático Acrimônia, que a Paris Filmes traz para as salas nacionais no próximo dia 9 de agosto. Guinada esta talvez mais coerente que qualquer uma incluída no longa.

Para entender um pouco o filme, é preciso antes conhecer um pouco da carreira do roteirista, diretor, produtor e ator Tyler Perry. Um dos nomes mais proeminentes da atualidade quando o assunto é representatividade negra no audiovisual, Perry começou a carreira dando vida a seus textos nos palcos. Foi logo no início que viria a criar Madea, sua personagem mais famosa: uma senhora desbocada e cheia de atitude, interpretada pelo próprio.

Perry usa o humor para fazer comentários sociais, satirizar e ponderar sobre o nicho que conhece muito bem. Suas obras enfatizam questões da raça negra, sem criar ou abordar conflitos raciais. Seus filmes não propagam racismo, não existe brancos contra negros, ele trata problemas de dentro para fora. Desta forma, fica fechado neste universo – em seus filmes quase não existem personagens caucasianos. O autor é conhecido por abrir portas em suas produções para atores negros, e seus lançamentos anuais (às vezes estreando dois filmes por ano) já abrigaram gente como: Idris Elba, Whoopi Goldberg, Thandie Newton, Kerry Washington, Tessa Thompson, Viola Davis, Gabrielle Union, Anika Noni Rose, Louis Gossett Jr., Mary J. Blidge e até mesmo a irmã do rei do pop, Janet Jackson (protagonista de 3 filmes do diretor).

Além do escracho recorrente em muitos de seus filmes, Perry gosta de falar – ou tentar – sério de vez em quando. O cineasta trata igualmente de temas como relacionamento, amizade, traição e devoção à família em seus projetos. Tudo isso é pra lá de louvável e a iniciativa do realizador não deve ser descartada por completo. O grande problema é só um. O nível de seriedade e dramaticidade que o roteirista imprime em seus textos é digno do mais exagerado novelão mexicano. Em um ou outro ele se controla mais. Não é o caso com este Acrimônia.

Na trama, a indicada ao Oscar Taraji P. Henson (em sua terceira colaboração com Perry) vive uma mulher chegando a seu limite e enlouquecendo por causa de um homem. Tudo começa na faculdade, quando a protagonista Melinda (nesta fase vivida pela atriz Ajiona Alexus) conhece Robert (interpretado por Antonio Madison no início do filme). Os dois se apaixonam e ele a promete mundos e fundos. Porém, Robert não tem onde cair morto e Melinda tem condições, tendo herdado uma bolada após o falecimento da mãe.

A primeira bandeira vermelha chega quando Robert dá sinais de mau caráter, traição e interesse no dinheiro. Ao invés de se precaver, a mulher se envolve mais e decide se casar com este verdadeiro “achado”. Durante anos, o sujeito torra a grana herdada a fim de investir em sua grande invenção: uma bateria multifuncional que se auto recarrega e serve para carros e casas. Na fase adulta, Melinda já assume as formas de Henson e Robert vira Lyriq Bent. Assim, Acrimônia segue, com escorregadas cada vez mais graves do sujeito, que parece não dar uma dentro e custa caro não somente a sua companheira, como também para a família dela.

Quando a protagonista finalmente se cansa e decide dar um basta na relação, ocorre uma reviravolta inesperada no roteiro de Perry, fazendo a personagem de Henson finalmente surtar. Não dá para entender muito bem qual a mensagem que o diretor deseja passar aqui. Não sabemos ao certo se o filme é um protesto contra homens aproveitadores, ou se o discurso do cineasta se estende a mulheres que transferem sua amargura, projetando no companheiro sua insatisfação do relacionamento e a culpa pelos erros e frustrações.

No fundo nada disso parece importar muito, já que o terceiro ato é tão insano e fora de contexto, que faz a já icônica cena da novela mexicana Maria do Bairro (1995) – eternizada como o meme que roda a internet – soar como momento sóbrio e equilibrado. Acredite! O que deixa a dúvida na cabeça, se Tyler Perry propositalmente confeccionou seu próprio Paixão Obsessiva (2017) – o qual muitos acreditam ser consciente de seu nível escalafobético. É de dar boas risadas. O desfecho então, é uma mistura de Sexta-feira 13 – Parte 8 (1989) com Titanic (1997).

Seja como for, criado de forma zombeteira ou não, Acrimônia escorrega nos quesitos costumeiros de uma produção de Tyler Perry. O texto é raso, os diálogos dão vergonha alheia, as atuações não são das melhores – mesmo Henson aqui está caricata e exagerada (propositalmente ou não) – e a parte técnica deixa a desejar (digamos assim), com um péssimo efeito de Chroma Key na cena em que os pombinhos apaixonados caminham na beira de um rio, por exemplo. É horroroso.

Como mencionei no texto de Paixão Obsessiva (clique no link para ler), se você for com o espírito certo para uma sessão de Acrimônia, poderá se divertir. Apesar de questões relevantes, o tema é tratado de forma tão pobre (como de costume) pelo diretor, que inadvertidamente causa gargalhadas. O filme é a comédia involuntária mais engraçada de 2018.

10 Filmes com Encontros dos Atores Indicados ao Oscar 2024!

Os indicados ao Oscar 2024 foram anunciados e começou a corrida. Sim, a corrida dos estúdios para eleger seus filmes, mas também a corrida dos cinéfilos a fim de conferir tudo antes da maior noite da sétima arte. E você, já conseguiu assistir a todos os filmes? Quais são seus favoritos? Qual ator e atriz realmente merecem o prêmio? Essas podem ser perguntas quase impossíveis de responder, porém, assim como em um esporte, todos certamente já têm seus preferidos.

Quando falamos de atores, Emma Stone, Ryan Gosling, Bradley Cooper, Robert Downey Jr., Paul Giamatti, Mark Ruffalo, Robert De Niro, Annette Bening e Carey Mulligan estão entre a nata da nata, dos atores lembrados para novas ou primeiras indicações no Oscar. Mas você sabia que muitos deles já se encontraram nas telas em outras produções? Sim, em sua maioria estes atores possuem anos de estrada e em algum momento seus destinos se cruzaram. O mais curioso é que por vezes foi em alguma produção inusitada. Confira abaixo.

Se Beber, Não Case 2 (2011)

Hoje, um ator altamente requisitado e um cineasta de mão cheia, badaladíssimo, o astro Bradley Cooper deve muito de sua fama à franquia escrachada ‘Se Beber, Não Case’. Agora, o que muitos podem não lembrar é que logo na primeira sequência, foi promovido o encontro de Cooper com outro indicado ao Oscar desse ano: Paul Giamatti. Sim, o protagonista de ‘Os Rejeitados’ viveu o grande vilão da segunda aventura do trio de lobos (que possui uma reviravolta ao desfecho). Cooper, é claro, está indicado este ano por ‘Maestro’ e Giamatti pelo longa citado.

A Premonição (1999)

Annette Bening é uma veteraníssima de Hollywood, e é também uma das maiores injustiçadas pelos prêmios da Academia. Isso porque a estrela possui nada menos que 5 indicações ao Oscar (com a quinta este ano por ‘Nyad’) e nada de vitória. Voltando 25 anos no passado, a encontramos neste thriller sobrenatural da Dreamworks dirigido por Neil Jordan, o mesmo de ‘Entrevista com o Vampiro’ (1994). Na trama, ela vive uma dona de casa que descobre ter uma conexão em seus sonhos com um serial killer, papel de ninguém menos que Robert Downey Jr., indicado este ano como coadjuvante por ‘Oppenheimer’.

La La Land – Cantando Estações (2016)

Essa é batata! Isso porque agora falamos de um dos filmes mais queridos do cinema, não apenas da década passada, mas que já se tornou um preferido do grande público de todos os tempos. ‘La La Land’ é um daqueles filmes que aquece e faz doer o coração. É lindo, poético e enérgico, mas seu desfecho nos faz acabar com a caixa de lencinhos. Dói por ser real. Mas ao mesmo tempo é um musical para a eternidade. E quem protagonizou essa história de partir o coração, você pergunta? O Ken e a “Noiva de Frankenstein” em carne e osso. Ryan Gosling, indicado como coadjuvante por ‘Barbie’ e Emma Stone, indicada como protagonista por ‘Pobres Criaturas’. É claro que a dupla já havia se encontrado antes em ‘Amor a Toda Prova’ (2011) e ‘Caça aos Gângsteres’ (2013). Mas ‘La La Land’ é incomparável.

Sob o Mesmo Céu (2015)

Por falar em Emma Stone, sua parceria com outro indicado deste ano não chegou perto das colaborações com Ryan Gosling. Sabe aquela história do “tentou ser, mas não conseguiu”? Pois bem, ‘Sob o Mesmo Céu’ tentou ser ‘La La Land’ mas não conseguiu. Calma, explico. Me refiro ao fato de que tentou ser um romance para a posteridade, mas morreu na praia. Aqui temos Bradley Cooper outra vez, como um militar em fim de carreira, em uma base no Havaí, que se apaixona por uma colega de trabalho, papel de Stone. Bem, entre outras coisas o filme foi acusado de White washing, por trazer Stone no papel de uma nativa, sendo ela loira de pele clara. Ela até se desculpou pelo filme. “Ouch”.

Zodíaco (2007)

Para quem acha que a química entre Robert Downey Jr. e Mark Ruffalo nos filmes da Marvel é perfeita, saiba que eles tiveram tempo de praticar antes. Falamos é claro dos intérpretes do Homem de Ferro e do Incrível Hulk, que apareceram juntos em inúmeros filmes do MCU, em especial ‘Os Vingadores’. Mas Ruffalo (indicado como coadjuvante por ‘Pobres Criaturas’), que concorre esse ano diretamente com Downey Jr., já havia trabalhado com o amigo em ‘Zodíaco’, filme de David Fincher sobre a caçada promovida por alguns jornalistas em descobrir a verdadeira identidade de um serial killer que aterrorizou San Francisco na década de 60.

Drive (2011)

E se Emma Stone pôde ter duas parcerias com atores indicados ao Oscar 2024, por que não seu parceiro de ‘La La Land’? Ryan Gosling, o Ken, é o ator que retorna agora para a lista. Isso porque há 13 anos ele esteve lado a lado com outra indicada ao Oscar, Carey Mulligan, nomeada este ano por ‘Maestro’, de Bradley Cooper. No passado, Mulligan e Gosling foram os protagonistas do cult ‘Drive’, de Nicholas Winding Refn. Gosling vive um dublê de filmes de Hollywood, que dubla como piloto de fuga em assaltos. E se apaixona por sua vizinha Mulligan. Curiosamente, Gosling viverá outro dublê esse ano em ‘O Dublê’, desta vez ao lado de outra indicada deste ano, Emily Blunt (indicada por ‘Oppenheimer’).

Sem Limites (2011)

Outro filme de 2011 na lista, voltando 13 anos no tempo. Esse foi o ano em que mais encontros dos indicados ao Oscar 2024 foram promovidos. E Aqui temos a terceira aparição de Bradley Cooper, que pode não ganhar o Oscar, mas levará o prêmio de maior número de parcerias com os indicados. Aqui, ele aparece lado a lado com o monstro Robert De Niro, indicado como coadjuvante por ‘Assassinos da Lua das Flores’, de Martin Scorsese.

A primeira união de Cooper e De Niro foi no thriller ‘Sem Limites’, no qual o primeiro começa a usar uma droga experimental que o transforma em um gênio, capaz de usar todo o potencial de seu cérebro. De Niro vive um poderoso magnata que quer a droga para vender. É claro que os dois voltariam a colaborar no ano seguinte, em ‘O Lado Bom da Vida’, no qual De Niro foi o pai de Cooper, e de novo em ‘Trapaça’ (2013).

Taxi Driver (1976)

Agora voltamos muitas décadas no passado, para um verdadeiro clássico dos clássicos. Falamos do primeiro grande sucesso da carreira de Martin Scorsese, ‘Taxi Driver’, tido por muitos ainda hoje como seu filme favorito. Há 48 anos, antes de todos na equipe do CinePOP nascerem, e de grande parte de nossos leitores também, Scorsese já entregava uma obra-prima ao lado seu ator fetiche, Robert De Niro. O filme é um relato sobre um veterano da guerra do Vietnã, deslocado sem saber como viver em sociedade. De Niro vive um sujeito desequilibrado, que trabalha como motorista de táxi. Sua parceria aqui é com uma Jodie Foster de então 14 aninhos, como uma jovem prostituta. Foster, vencedora de dois Oscar, está indicada novamente este ano por ‘Nyad’.

Um Lugar Silencioso 2 (2020)

Um Lugar Silencioso’ foi um verdadeiro sucesso surpresa de 2018. E colocou o nome de John Krasinski no mapa, como um dos realizadores mais interessantes e promissores da indústria. Krasinski também atua no thriller sobrenatural, em que o mundo precisa ficar em silêncio para não atrair criaturas monstruosas que vieram de outro planeta. No papel da mulher do protagonista, a esposa do ator na vida real, Emily Blunt. A atriz está indicada como coadjuvante por ‘Oppenheimer’, e na sequência do sucesso de terror, atuou lado a lado com o Oppenheimer em pessoa, e seu marido no filme indicado ao Oscar, Cillian Murphy, que abrilhantou a continuação com seu talento. Murphy, é claro, está indicado como protagonista pelo citado filme do pai da bomba atômica.

Um Negócio Brilhante (2013)

Fechando a matéria temos agora a segunda participação de Paul Giamatti na lista. O ator tem anos de estrada e inúmeros trabalhos sólidos e acima da média. Esse é um de seus filmes mais obscuros. Uma comédia natalina ácida, que o coloca lado a lado com o talentoso Paul Rudd. Sim, são dois Paul protagonizando. No filme, Giamatti vive um sujeito recém-saído da prisão em condicional, que aceita um trabalho como vendedor de árvores de Natal, a fim de comprar para a filha um piano. Rudd vive o amigo do protagonista que embarca nesse trabalho com ele. Mas outro ator que está no filme, embora quase ninguém lembre, é Colman Domingo, talentosíssimo intérprete sendo reconhecido agora por sua performance arrebatadora em ‘Rustin’.

Crítica | O Charlatão – Herbalista certificado ou charlatão?

A pior punição é ter uma escolha. Representante da República Tcheca ao Oscar em 2020, O Charlatão, novo trabalho da veterana cineasta polonesa Agnieszka Holland conta partes de uma história real de um homem, sua intuição, sua fé, seu amor proibido e sua ciência que atravessou passagens da antiga Tchecoslováquia nos períodos antes da Grande Guerra, durante a ocupação nazista e a administração comunista. Atendendo centenas de pacientes por dia e taxado de Charlatão pela Imprensa e grande parte dos que desconfiavam de sua ciência, o protagonista, introspectivo, parece perdido dentro de seu egocentrismo e isso é notório nos flashbacks que chegam como preenchimentos de lacunas deixadas pelos arcos iniciais.

Na trama, conhecemos em diversas passagens de sua vida o curandeiro Jan Mikolásek (Ivan Trojan) que na adolescência, depois de ajudar a irmã que estava à beira de ter a perna direita amputada, começa a acreditar que possui um dom ou mesmo alguma habilidade quase inexplicável pelo seu conhecimento de ervas medicinais. Filho de um jardineiro, ele possui um relacionamento muito complicado com o pai que é rompido de vez quando o protagonista foge de casa e busca mais explicações para suas técnicas que se baseiam em diagnósticos por meio de análises das urinas dos que procuravam sua ajuda, técnica que lapidou com uma curandeira no início de sua fase adulta. O tempo passa e a questão da fé e também do amor começam a ganhar protagonismo na sua reclusa vida.

O filme é denso, com arcos um pouco sonolentos que usa dos flashbacks para encontrar seu ritmo, seu dinamismo. Às vezes parece muito confuso com explicações das consequências antes de conhecermos os fatos. Traz em seu contorno a questão da fé, deixando entrelinhas implícitas das guerras internas que o protagonista travava consigo mesmo, talvez por não conseguir perdoar ou achar que estava pecando frequentemente. Até punição vemos, como nas cenas em que aparecem as marcas roxas em seus joelhos. Ligado nessa punição mencionada, sua vida amorosa ganha grande parte do filme além de seus contornos dramáticos, principalmente por viver a limitação de seu amor (correspondido) pelo seu assistente casado Frantisek (Juraj Loj) mas não podendo sair do armário.

O filme chegou aos cinemas brasileiros no mês de julho após passagens por alguns Festivais de nosso país. Herbalista certificado ou charlatão? Muitas perguntas são feitas indiretamente sobre essa ciência da não medicina clássica, nesse combate de doenças com as armas da natureza. Mas quem estava certo? Os que duvidam ou os que acreditavam? Assista ao filme e tire suas próprias conclusões.

Crítica | ‘Eu Volto pra te Buscar’ – O amadurecimento construído pelas metáforas cotidianas [Mostra de Cinema de Tiradentes]

Selecionado para a Mostra de Cinema de Tiradentes 2026, onde ganhou exibição na praça mais conhecida da cidade mineira, o curta-metragem Eu Volto pra te Buscar nos leva a uma imersão em um cotidiano difícil, de poucas oportunidades, através dos sonhos de uma juventude que logo se depara com o choque da realidade.

Escrito e dirigido por Roger Bravo, esse é um filme que cria uma identificação imediata por meio de metáforas cotidianas, que logo chega nos embates das emoções. Sustentado pelos entrelaços entre o descobrir das primeiras idades e o amadurecimento diante da realidade que se apresenta, as linhas do roteiro desfilam seu discurso de forma contundente, sabendo exatamente o que quer dizer – e com impacto.

Morador da Zona Leste de São Paulo, Murilo relembra uma inesquecível amizade que virou luto, o choque com a violência, o primeiro contato com a arte como forma de expressão e um amadurecimento precoce, imerso numa realidade com seus desafios, refletindo, já mais maduro, sobre os muitos muros que existem.

Nesse interessantíssimo filme, percebe-se que as cores vibrantes dão ar aos sonhos, funcionando como um recurso narrativo bem executado, traduzindo emoções intensas, evocando sonhos e memórias. O processo criativo também chama a atenção, convidando o público, no último ato, a compreender o que assistimos sob a perspectiva do crescimento emocional.

Brincando com a linguagem ao reunir técnicas de animações 2D e 3D com o live-action, a obra explora muitos horizontes e perspectivas para jogar luz para a narrativa. Em 14 minutos de projeção, passamos pela cultura do grafite e do hip-hop, a violência policial, a dor da perda, as inspirações, a desconfiança e as amizades, questionando a todo instante sobre os que querem ser, os que parecem ser e os que são.

 

Vídeo | Virgens Acorrentadas [EXCLUSIVO] – Saiba Mais Sobre o Terror Slasher Dirigido por Brasileiro

Virgens Acorrentadas é uma produção americana de terror slasher que aposta em certo teor cômico ao tentar investir no subgênero do cinema explotation. O diferencial aqui é a assinatura do diretor brasileiro Paulo Biscaia Filho no comando a obra. Entrevistamos o cineasta, que nos contou detalhes de bastidores. Assista abaixo.

‘Twister’, ‘Romy e Michelle’, ‘Mudança de Hábito’ e os Clássicos dos anos 90 que Tiveram (ou Terão) Continuações Tardias

Os anos 90 foram marcados por inúmeros sucessos inesquecíveis no cinema. Foi desta década que saíram alguns dos filmes mais adorados da sétima arte de todos os tempos. Tanto que existe um debate entre os cinéfilos sobre qual seria o melhor ano de todos no cinema. E a década de 1990 guarda dois anos bem especiais para a cultura pop: os anos de 1994 e 1999. O primeiro foi responsável por trazer produções queridas como ‘Um Sonho de Liberdade’, ‘Forrest Gump’, ‘Pulp Fiction’, ‘O Profissional’ e ‘O Rei Leão’, por exemplo. Já o segundo guarda em seu acervo obras do nível de ‘Clube da Luta’, ‘Matrix’, ‘O Sexto Sentido’, ‘Beleza Americana’ e ‘À Espera de um Milagre’.

Pensando nisso, nessa década especial que foi os anos 90, resolvemos adentrar um novo tópico. Isso porque alguns dos mais icônicos filmes deste período vão ganhar ou já ganharam continuações tardias, alguns com décadas de separação entre os filmes. Confira abaixo os 10 que selecionamos para você.

Independence Day

Fenômeno pop dos anos 90, ‘Independence Day’ trouxe uma invasão alienígena em um nível nunca apresentado anteriormente. Isso foi possível graças a efeitos especiais revolucionários que chegaram para o cinema no início daquela década. Assim, em uma escala jamais vista, a Terra era invadida e atacada por naves massivas, iniciando um contra-ataque dos humanos na maior batalha da humanidade. De quebra, o filme transformou um certo Will Smith em astro internacional.

O filme é fechadinho, com começo, meio e fim. Precisava de continuação? Não! Mas recebeu uma em seu aniversário de 20 anos, dirigido pelo mesmo Roland Emmerich. Apesar de contar com as participações de Jeff Goldblum e Bill Pullman novamente, ‘Independence Day – O Ressurgimento’ pareceu carecer da presença de Smith, que se recusou a voltar, e o filme passou em branco. Você lembrava da sequência?

Twister

No mesmo ano de ‘Independence Day’, o filme de tornados produzido por Steven Spielberg também mostrava todo o potencial dos efeitos gerados por computadores (os chamados CGI) e depois dos dinossauros de ‘Jurassic Park’, criavam os tornados mais realistas do cinema. Pura diversão escapista, ‘Twister’ se juntava ao hall dos grandes blockbusters de 1996, protagonizado por Helen Hunt e pelo saudoso Bill Paxton.

Como nunca devemos dizer “nunca”, algo totalmente impensado irá acontecer neste ano de 2024: ‘Twister’ irá ganhar uma inesperada continuação, 28 anos depois do original. ‘Twisters’, do mesmo diretor do indicado ao Oscar ‘Minari’, protagonizado por Glen Powell e Daisy Edgar-Jones, promete ser um dos grandes blockbusters do ano, mostrando uma nova equipe de caçadores de tornados. Veremos.

Um Tira da Pesada

Por falar em continuações tardias que serão lançadas em 2024, este ano teremos a volta do policial mais icônico da cultura pop, o falastrão Axel Foley, personagem que fez a carreira do astro Eddie Murphy. Na verdade, ‘Um Tira da Pesada’ é cria dos anos 80, este ano comemorando seu aniversário de 40 anos de lançamento. Dez anos depois de sua estreia nas telonas, chegava o terceiro filme da franquia, e o único a ser lançado nos anos 90. ‘Um Tira da Pesada 3’ era mais leve e movia a ação em um parque de diversões.

Por anos se falou numa nova continuação e até uma série de TV quase foi lançada. Mas agora finalmente, 30 anos depois da última aparição de Foley nas telonas, o policial de Beverly Hills voltará às telas, desta vez nas telinhas na Netflix, para o seu tão aguardado novo filme, com Eddie Murphy protagonizando e grande parte do elenco original.

Romy e Michele

Talvez você não conheça essa comédia cult de 1997, em especial se você for um fã de cinema mais novo. Acontece que mesmo os que viveram na época podem ter esquecido deste longa, que fez um sucesso moderado, e viveria para se tornar cult graças às locadoras e exibições na TV aberta. A moral desta comédia de grande coração é aceitar quem somos verdadeiramente, e ser fiel à nossa essência, mesmo que soe estranho socialmente. Na trama, duas amigas loiras que não eram as mais populares do colégio, aceitam ir à reunião de 10 anos de formatura.

O problema é que a vidas delas não é tão especial quanto gostariam. Assim, a dupla resolve forjar uma vida mais emocionante e bem-sucedida, a fim de impressionar os colegas. ‘Romy e Michele’ resolveu apostar no carisma e na química de Mira Sorvino (que estava em alta na época, tendo acabado de levar um Oscar para casa – por ‘Poderosa Afrodite’) e Lisa Kudrow, que brilhava no auge da série ‘Friends’. Recentemente foi anunciado que ‘Romy e Michele’ irá ganhar uma continuação, 27 anos depois de seu primeiro filme.

Abracadabra

Outro sucesso cult dos anos 90, esse mirado para toda a família e um público mais infantil. Perfeito para exibições no dia das bruxas, ‘Abacadabra’ não foi exatamente um enorme sucesso quando foi lançado em 1993; mas ao longo de todos esses anos foi ganhando cada vez mais apreciadores, que faziam campanha para uma tão aguardada sequência.

Na trama do original, três irmãs bruxas da idade média despertam no “presente” de 1993, e atormentam uma pequena cidade no halloween. É claro que o terror aqui é de mentirinha, perfeito para o trio Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy se divertir muito com suas caricatas performances. Já na era dos streamings, a Disney finalmente tirou do papel a tão aguardada continuação, 29 anos depois. E dizem que não será a última, pois um terceiro filme é planejado.

Mudança de Hábito 

Por falar em produções queridas da Disney em live-action, no mesmo ano em que ‘Abracadabra’ era lançado e se tornava uma pedida perfeita para o halloween; saía nos cinemas a continuação do sucesso inesquecível ‘Mudança de Hábito’, filme pelo qual Whoopi Goldberg para sempre seria lembrada. Por coincidência, o projeto foi pensado originalmente para Bette Midler. Na trama, uma cantora de cabaré presencia um assassinato da máfia e precisa aderir ao programa de proteção às testemunhas, sendo relocada em um convento, assumindo a identidade de uma freira.

Logo no ano seguinte chegava a continuação, que levava a protagonista a ensinar em um colégio para jovens de classes desfavorecidas. Agora, seguindo os passos de ‘Abracadabra’, um terceiro ‘Mudança de Hábito’ é planejado para o lançamento na Disney+, 31 anos depois da última aparição da enérgica Dolores nas telonas.

Debi & Lóide

Uma das comédias mais icônicas dos anos 90, e também uma das mais bem-sucedidas financeiramente e de crítica, ‘Debi & Lóide’ transformou Jim Carrey em um astro absoluto naquela década, e abriu portas para o humor para lá de incorreto dos realizadores, os irmãos Farrelly – que depois aprontariam com ‘Quem Vai Ficar com Mary?’. Ainda hoje, ‘Debi & Lóide’ possui sua legião de culto.

Porém, o longa, assim como tantos outros, demonstram que certas fórmulas não podem ser replicadas, ainda mais com o passar das décadas. A primeira sequência (ou melhor, pré-sequência) foi lançada em 2003, contando a juventude dos amigos. E foi solenemente ignorada, sem os atores ou realizadores originais. Esses retornaram mesmo 20 anos depois do original para a continuação tardia, que igualmente passou sem ser vista, mesmo com Jim Carrey no elenco. Você lembrava?

Ou Tudo ou Nada

Outra tendência em voga em Hollywood são as continuações de filmes clássicos na forma de séries de TV; tendência essa impulsionada pelo sucesso de ‘Cobra Kai’, que deu sequência ao clássico ‘Karatê Kid’. Outros exemplos são programas como ‘Ash vs. Evil Dead’, ‘A Lenda do Tesouro Perdido’, ‘Ted’, ‘Willow’ e ‘Os Mighty Ducks – Nós Somos os Campeões’.  Uma das mais recentes foi a continuação do sucesso cult britânico ‘Ou Tudo ou Nada’, de 1997.

Indicado aos Oscar de melhor filme, roteiro, direção e vencedor de melhor trilha, o longa conta a história de operário desempregados de uma pequena cidade no interior da Inglaterra, que se reinventam como strippers masculinos. Ano passado, 26 anos depois do original, uma minissérie continuou a história em 8 episódios, contando com as voltas de Robert Carlyle e Mark Addy como protagonistas, no Brasil conhecido como ‘Ou Tudo ou Nada de Novo’.

Trainspotting – Sem Limites

Por falar em filmes britânicos cult que fizeram um enorme sucesso, ‘Trainspotting’ é definitivamente um dos longas mais adorados dos anos 90. Cult por excelência, o filme escreveu os nomes do diretor Danny Boyle e do ator Ewan McGregor no mapa do cinema mundial. Um dos filmes definitivos sobre o tema das drogas, a obra aposta na criatividade ao narrar a história de um grupo de jovens amigos sem muitas aspirações, que passam seus dias usando drogas, bebendo, brigando e tentando se divertir em Edimburgo na Escócia.

O longa guarda algumas das cenas mais pesadas do cinema, como a do bebê. 21 anos depois do original, de forma totalmente inesperada, ‘Trainspotting’ voltou às telonas, de forma mais leve, limpa e sanitária, com o reencontro do grupo de amigos em outra fase de suas vidas.

Jumanji

Fechando a matéria, temos um dos longas mais queridos dos anos 90, que fez parte da infância e adolescência de toda uma geração. Lançado em 1995, o ‘Jumanji’ original, dirigido por Joe Johnston, se tornou um sucesso e demonstrou o que os efeitos especiais poderiam fazer na época, depois de criar os dinossauros de ‘Jurassic Park’ e o homem de mercúrio líquido em ‘O Exterminador do Futuro 2’.

Jumanji’ era o próximo passo na evolução de tais efeitos, criando animais virtuais, em um jogo de tabuleiro insano, intenso e mortal. Ninguém sabe dizer por que uma sequência nunca saiu do papel nos anos 90, mas teria sido muito legal ver Robin Williams retornando ao papel. Em 2014, perdemos o querido Williams.

Três anos depois da morte de Williams, chegava finalmente um reboot da ideia, desta vez trocando o jogo de tabuleiro por um videogame, e impulsionado pelos carismas de Dwayne Johnson, Kevin Hart, Jack Black e Karen Gillan. O longa fez quase US$1 bilhão nas bilheterias mundiais, e se tornou tão querido quanto o original, não demorando a tirar uma sequência do papel – lançada em 2019. Onde está o terceiro filme é o que queremos saber?

10 Filmes para inspirar nossos Atletas Olímpicos

Logo logo as primeiras competições começam nos Jogos olímpicos de Tóquio 2020 (mas realizados em 2021 por conta da Pandemia). Brasileiros esportistas profissionais de várias modalidades lutam pelo pódio, pela medalha olímpica, objetivo que muitos traçam durante anos. Enfim chegou o grande momento de muitas dessas carreiras.

Cada atleta tem sua maneira de encontrar motivação. Pode ser com músicas, ligações dos parentes e das pessoas que amam, em uma preparação tão confiante que tudo fica mais tranquilo para conseguir realizar o seu trabalhar e vencer.

Para ajudar um pouco mais e mandar energias positivas para toda a nossa delegação no Japão, fizemos uma lista de 10 filmes inspiradores, ligados de alguma forma à esportes e competição.

Lutando por um Sonho

A sobrevivência e as descobertas de uma nova vida. Milhares de guerras civis tomaram e tomam conta da vida de milhões de pessoas em diversas regiões do mundo. Quem consegue escapar das barbaridades muitas vezes lutam contra o preconceito no seu recomeçar, principalmente se for em uma pátria que não é a sua de origem. Dirigido pelo cineasta francês Alex Ranarivelo, Lutando por um Sonho mostra as dificuldades de um jovem iraniano, que consegue, em uma fuga quase que espetacular, fugir do conflito que acontece na região onde mora, deixando para trás pai e mãe para buscar viver sua vida em um Estados Unidos repleto de preconceitos, usando o esporte como ferramenta de conscientização social.

Na trama, conhecemos o jovem iraniano Ali Jahani (George Kosturos) que consegue se mudar de um Irã aterrorizado por crueldade de uma guerra sem fim para um Estados Unidos na década de 80 onde alguns imigrantes sofrem preconceito de muitos. Sem amigos e em um lugar totalmente novo, busca no esporte uma maneira de interagir. Acaba descobrindo um grande potencial para a Luta Olímpica/Luta Greco Romana (o também chamado nos Estados Unidos de Wrestler) e assim, dia após dia, e lutando contra diversos obstáculos, busca encontrar seu espaço nessa nova terra.

 

Moneyball – O Homem Que Mudou o Jogo

Até onde os números podem ajudar um time a ser vitorioso? Que influência os números possuem dentro do gerenciamento de um esporte? Essas e mais perguntas, além de suas respostas, vão moldando o enredo nas pouco mais de duas horas de fita, do longa-metragem Moneyball, adaptado do livro de Michael Lewis (Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game).

O filme conta a história de um manager (gerente) de um time de baseball que ao lado de um jovem funcionário economista desenvolve um método, baseado em um programa de estatísticas, para administrar o plantel. Mesmo ouvindo muitas críticas, o sistema criado e seguido até o fim pelo obstinado gerente.

 

Sob o Pé de Toranja – A História de CC Sabathia

A importância da família e a força de vontade na busca de ser um ser homem melhor para si mesmo e para os outros. Disponível no ótimo catálogo do streaming da HBO Max, Sob o Pé de Toranja – A História de CC Sabathia é um documentário muito interessante que nos mostra as conquistas e os dramas de uma lenda da liga profissional de Baseball norte-americana, o arremessador CC Sabathia. Ao longo de menos de uma hora e dez de projeção, vamos vendo sua forte ligação com a família, e o seu auge como atleta quando enfrentou um grave problema de Alcoolismo que o deixou à beira de perder tudo que conquistara até ali. Por meio de depoimentos, vídeos e imagens, vamos entendendo um pouco da vida desse talento raro.

Tudo começou em Vallejo (Califórnia), no quintal de sua avó. Ela tinha um imenso pé de toranja e o protagonista sempre que a visitava jogava as frutas que caia tendo uma cadeira como alvo. Ali, naquele lugar simples CC Sabathia (que viria ser um dos maiores esportistas das grandes ligas dos esportes norte-americanos), podia sonhar com tudo que queria em sua vida. Aos poucos ele cresce e os conflitos começam a aparecer na sua frente: o afastamento da relação com o pai após a separação com a esposa (mãe de Sabathia); mais perdas que viriam acontecer pelo caminho; suas dificuldades no casamento de muitos anos ao lado da esposa que ajudou como pode o jogador nos momentos mais difíceis; o grave e quase silencioso problema de alcoolismo que passou. Um filme que gera seu impacto mas também grandes pontas de esperança.

 

 

Anderson Silva: Como Água

Dirigido pelo americano Pablo Croce, Anderson Silva: Como Água, mostra alguns momentos da carreira do famoso lutador brasileiro além de alguns depoimentos de pessoas ligadas ao campeão. Vale à pena dar uma conferida nesse bom documentário, principalmente se você for fã dos “gladiadores do novo milênio”.

O trabalho relata muito bem os bastidores dos lutadores profissionais. Mostra parte da trajetória do campeão de Artes Marciais Anderson Silva para a luta contra um rival provocador, Chael Sonnen. Assim entendemos melhor como são os pesados treinamentos de um lutador profissional, a vida pessoal do campeão e os bastidores do principal torneio de artes marciais do mundo, o UFC.

 

Boa Sorte Argélia

Em seu primeiro trabalho como diretor em longa-metragem, o cineasta Farid Bentoumi apresenta ao público uma história inusitada que alia salvação de uma empresa e o esporte de alto rendimento. Boa Sorte Argélia, com algumas passagens em festivais mundo a fora, é um pouco parecido com o clássico da “sessão da tarde” Jamaica Abaixo de Zero, só que consegue ser mais que apenas superfície quando entendemos as razões das escolhas feitas pelos personagens e de toda uma família ao redor.

Na trama, conhecemos os sócios de uma empresa que fabrica esquis artesanais Sam (Sami Bouajila) e Stéphane (Franck Gastambide). Eles conseguem segurar a empresa como podem e dependem de uma grande exposição da marca em uma grande competição para atrair assim mídia e mais clientes. Só que isso acaba não acontecendo por conta de acordos entre gigantes do segmento. Assim, Stephane, um grande esquiador francês do passado, tem uma ideia inusitada: que Sam se inscreva em competições de alto nível na modalidade esqui cross-country, representando a Argélia, já que Sam é descendente de argelinos. Não acreditando no sucesso da ideia, Sam no início fica receoso mas acaba topando, mexendo com as emoções de toda sua família.

 

Ford vs Ferrari

O ego, o marketing e o início de uma lenda das disputas automobilísticas. O longa-metragem estrelado por Matt Damon e Christian Bale nos leva décadas atrás onde houve uma disputa de poder entre duas grandes lendárias escuderias. Misturando as razões e as emoções, cada um em uma ótica, os executivos e o marketing, a paixão e entendimento por pilotar, Ford Vs Ferrari é um filme bem construído que deve agradar aos amantes da velocidade.

Com um orçamento que beirou aos 100 milhões de dólares, o filme conta a história real de um ex-piloto de carros de velocidade chamado Carroll Shelby (Matt Damon) que recebe a incrível missão de assumir um projeto na Ford para derrotar os carros até então imbatíveis da Ferrari na famosa 24 Horas de Le Mans na década de 60. Sem poder dirigir por um problema no coração, resolve chamar o incrível mecânico e piloto Ken Miles (Christian Bale) para assumir o cockpit e juntos vão lutar contra todos seus gênios e contra a física para tentar criar o carro mais rápido.

 

Creed: Nascido para Lutar

Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer. Após o ótimo Fruitvale Station: A Última Parada, o cineasta californiano Ryan Coogler embarcou em um projeto que resgata um dos grandes mitos do cinema norte-americano. Creed é uma espécie de mais um filme sobre o eterno Rocky Balboa, mas dessa vez, o lendário personagem lutador prefere ser o coadjuvante de uma ótima e criativa história que fala sobre grandes batalhas da vida. O grande destaque da fita é sem dúvidas a atuação maravilhosa de Sylvester Stallone que mostra que é possível resgatar um personagem quando ele é extremamente poderoso em cena.

Na trama, acompanhamos a história de Adonis Johnson (Michael B. Jordan), um homem marcado por uma infância conturbada e que nunca conheceu seu pai. Certo dia, anos depois de ser adotado pela ex-mulher de seu pai (o famoso pugilista Apollo Creed), Adonis resolveu investir na carreira de lutador e acaba se mudando para a Filadelfia, onde vai atrás de seu ‘Tio’, o famoso lutador Rocky Balboa (Sylvester Stallone). Assim, esses dois buscarão enfrentar cada um seu desafio, nessa etapa da vida.

 

Borg vs McEnroe

Antes de Sampras vs Agassi, antes de Nadal vs Federer, o universo dos esportes, não só do tênis, conheceu uma das mais expostas rivalidades, muito por conta das inúmeras diferenças entre os dois jeitos de ser. Borg vs McEnroe analisa as emoções e o lado psicológico em esportes de alto rendimento mostrando o início de um duelo que ficou marcado como uma das melhores finais de Grand Slam da história do tênis. Dirigido pelo cineasta dinamarquês Janus Metz Pedersen realiza um trabalho primoroso na direção e conta ainda com uma atuação inspirada do ator sueco, pouco conhecido no Brasil, Sverrir Gudnason que interpreta o complexo Björn Borg na fase adulta.

Na trama, voltamos a década de 80, no célebre dia da final de um dos torneios mais midiáticos de todos os esportes, a final de Wimbledon entre o sueco e tetra campeão do torneio Björn Borg (Sverrir Gudnason) e o nada carismático tenista norte americano John McEnroe (Shia Lebouf). A construção de como eles chegaram até esse grande momento da vida deles é passada a limpa em flashbacks que preenchem as lacunas de personalidade e criação que os levam a serem como são dentro de quadra. Assim, aos poucos vamos entendendo a mente de um verdadeiro campeão em um esporte onde a vitória e a derrota precisam ser aceitas sem perder a elegância.

 

A Rainha de Katwe

A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras. Baseado em fatos reais, narrados no livro Queen of Katwe, de Tim Crothers, chegou aos cinemas brasileiros anos atrás, o lindo longa-metragem A Rainha de Katwe, produzido pela Disney, que fala sobre as problemáticas enfrentadas pela população de um pobre país na África além de lições sobre o relacionamento profundo e carinhoso de uma mãe com seus filhos, tudo isso em volta ao mundo do xadrez que abriu lindas portas e possibilidades para a forte protagonista. Dirigido pela cineasta indiana Mira Nair, o filme promete emocionar bastante.

Na trama, conhecemos Phiona Mutesi (Madina Nalwanga, em sua estreia no mundo do cinema) uma jovem corajosa que vive a beira da miséria ao lado de sua mãe Nakku Harriet (interpretada pela excelente atriz Lupita Nyong’o) e seus irmãos. Sem ter muito o que fazer, a não ser trabalhar, em seu cotidiano, acaba se juntando a um grupo de aprendizes de xadrez, organizado pelo engenheiro Robert Katende (David Oyelowo). Assim Phiona desenvolve um dom que não sabia que tinha e sonha em ser uma Grande Mestre do Xadrez.

 

Sangue pela Glória

A força de vontade deve ser mais forte do que a habilidade. Produzido pelo cineasta Martin Scorsese, diretor lendário do inesquecível Touro Indomável, Sangue Pela Glória conta uma incrível história de superação de um boxeador que precisou encarar obstáculos difíceis para se tornar uma lenda no mundo do Boxe. O roteiro, assinado pelo próprio diretor do longa, Ben Younger (Terapia do Amor), é bem profundo e com vários arcos importantes para criar um grande elo de interação com o público. O filme até que começa meio morno mas aos poucos vai conquistando não só os cinéfilos mas também aos amantes desse esporte adorado pelos norte-americanos.

Na trama, conhecemos o pugilista Vinny Pazienza (Miles Teller), um esportista adorado pelos fãs que vem em constante ascensão na carreira. Dias depois de mais uma grande vitória na carreira, pega uma carona em um carro luxuoso que acaba sofrendo um grave acidente numa estrada norte americana. Ficando entre a vida e a morte durante grande tempo, quando acorda do coma induzido descobre que será muito difícil conseguir andar e praticamente nulas as chances de voltar a praticar o esporte que tanto ama. Contando com a ajuda de seu treinador Kevin Rooney (Aaron Eckhart), que treinara anos mais cedo o inesquecível Mike Tyson, Vinny resolve arriscar sua própria saúde e aos poucos volta a treinar em grande nível tendo a incrível chance de conquistar mais um título mundial.

Crítica | ‘Zafari’ – Um dos filmes mais perturbadores de 2026

Criando uma atmosfera de confinamento a partir de uma distopia que mostra classes sociais em conflito, indo da sensação de ameaça ao silêncio desconcertante, em Zafari somos jogados até uma distopia sarcástica que apresenta um retrato impactante do comportamento humano quando o instinto de autopreservação está por um fio – ultrapassando qualquer linha de moral.

Dirigido pela cineasta venezuelana Mariana Rondón, que já havia nos brindado com o ótimo Pelo Malo (2013), o filme aposta na provocação de um roteiro que vai da ironia à acidez, expondo falhas morais aos montes e lançando críticas diretas a uma hipocrisia que se molda por meio de intrigantes personagens – e ainda evitando soluções previsíveis.

Cena de Zafari
Cena de Zafari

Ana (Daniela Ramírez) e Edgar (Francisco Denis) vivem dias de apreensão em um condomínio de alto padrão, ao lado do filho. Tentando sobreviver a um presente conturbado – com Gangues de motoqueiros dominando as ruas, blackouts constantes e a escassez de recursos básicos – o casal mais se afasta do que se une para encontrar soluções.

Cena de Zafari
Cena de Zafari

Ela usa sua posição na associação de moradores para entrar em apartamentos em busca de comida e itens básicos; ele é um acomodado que nunca pensa no coletivo. A chegada de um hipopótamo ao zoológico da cidade – próximo ao prédio onde moram – faz o casal embarcar em uma estrada de conflitos.

Cena de Zafari
Cena de Zafari

Nesse liquidificador de elementos conflitantes que ruma a passos largos para um drama sufocante, vemos a situação se desenrolar por meio da perspectiva de Ana. Com o ambiente distópico impondo desafios, percebemos indivíduos presos a uma consciência egoísta, não sabendo entender como sobreviver – ou mesmo se adaptar.

Cena de Zafari
Cena de Zafari

A cada cena, com sensações variadas de sufocamento em um ambiente fechado e com movimentos sutis de câmeras para ampliar o caos vindo de fora daquele lugar, a obra se mostra valiosa ao espremer o suco de uma tensão paranoica, ao mesmo tempo que apresenta diálogos afiados, repletos de críticas sociais.

Totalmente fora da caixa, com abordagens inesperadas, Zafari se arrisca ao propor o encontro com o constrangimento oriundo de alegorias do caos social, refletindo desigualdades e conduzindo o público a pensar a cada instante.

 

10 Grandes Atuações do Camaleônico Joaquin Phoenix

Em cartaz atualmente nos cinemas brasileiros com Você Nunca Esteve Realmente Aqui – filme que guarda mais uma de suas estupendas atuações -, Joaquin Phoenix atingiu o patamar dos maiores intérpretes do cinema. O ator camaleão realmente pode fazer de tudo, exibindo grande alcance performático, indo de uma ponta a outra do espectro – do humor ao drama, da vilania ao heroísmo, do trauma à redenção.

Crítica | Você Nunca Esteve Realmente Aqui – ‘Taxi Driver’ encontra a fúria de Joaquin Phoenix

Poucos atores da atualidade escolhem projetos tão desafiadores e conseguem constantemente se sobressair neles, mesmo quando o filme não o acompanha. Pensando nisso, resolvemos homenagear este grande artista com nossa nova lista. Estas são 10 das grandes atuações da carreira de Joaquin Phoenix. Diga abaixo quais são as suas favoritas.

Gladiador (2000)

Um dos épicos mais adorados da história do cinema, Gladiador, de Ridley Scott, foi indicado para 12 Oscar e venceu 5, incluindo melhor filme e melhor ator para Russell Crowe, na pele do general transformado em escravo e depois transformado em gladiador Maximus Decimus Meridius. Mas o que seria de um grande herói sem um grande antagonista à altura. E Phoenix provém justamente isso.

Entre as indicações ao Oscar que o filme recebeu está a de ator coadjuvante, a primeira da carreira de Joaquin Phoenix. Seu trabalho como o cruel e covarde Commodus, o herdeiro preterido e incestuoso, é de tamanha intensidade que se torna um daqueles vilões que adoramos odiar, entrando para o hall de célebres personagens do tipo. Nesta época, Phoenix ainda não tinha o peso que possui hoje, mas já demonstrava seu brilhantismo inerente.

Johnny & June (2005)

Baseado no livro do próprio Johnny Cash, Phoenix sofre uma incrível transformação ao personificar o icônico músico. Podemos dizer que foi daqui que começou a surgir a lenda em torno das performances metódicas do ator.

Apesar de uma entrega assombrosa por parte de Phoenix, sua indicação (a segunda da carreira) não foi seguida de vitória, ao contrário do desempenho da companheira de cena Reese Witherspoon – provando mais uma vez que os prêmios da Academia funcionam muito à base de Lobby e nem sempre acertam. O filme tem o comando de James Mangold, o mesmo do sucesso Logan (2017).

O Mestre (2012)

Excelência chama excelência. E uma coisa que todo grande ator faz é se cercar de talento, sejam outros atores, produtores renomados e, principalmente, diretores de prestígio. Atualmente, poucos cineastas possuem a mão de confeiteiro de Paul Thomas Anderson. A prova disso é que dificilmente um filme do diretor passa em branco na época de premiações. O Mestre marca a primeira parceria destes talentos proeminentes.

Nesta espécie de relato dos primórdios da Cientologia, Phoenix interpreta Freddie Quell, veterano da marinha perdido sem rumo ao voltar para casa. Repleto de frustrações e raiva, o sujeito ruma velozmente em direção ao fundo do poço. É quando em sua vida aparece uma luz no fim do túnel, surgida através de uma religião/seita recém-criada por Lancaster Dodd. Phoenix dá show, mas ele não está sozinho e como dito, recebe total amparo de atuações igualmente chamativas, de Philip Seymour Hoffman e Amy Adams – todas indicadas ao Oscar, marcando a terceira e última (até o momento) para o ator.

Ela (2013)

O desempenho mais melancólico da carreira do ator, traz Phoenix como um homem apaixonado pela voz de Scarlett Johansson. Na verdade, ele interpreta Theodore, sujeito sensível e introspectivo, que se vê entregue a solidão após o término de um relacionamento muito dolorido. Sem qualquer vontade de recomeçar do zero com outra pessoa, ele termina interagindo com uma inteligência artificial e criando com ela um dos relacionamentos mais inusitados e belos da história do cinema. O filme se passa num futuro próximo.

Acostumado a viver personagens traumatizados e problemáticos, em sua maioria truculentos, Phoenix demonstra com este filme outro lado de seu repertório, igualmente cativante. Indicado para 5 prêmios no Oscar, incluindo melhor filme, ELA levou na categoria de roteiro original para o diretor Spike Jonze. Infelizmente, o desempenho de Phoenix não foi lembrando, causando uma das maiores injustiças de anos recentes. No elenco, além de Johansson e do ator, uma constelação feminina, que conta com Amy Adams, Rooney Mara e Olivia Wilde.

Um Sonho Sem Limites (1995)

O que maior parte do público lembra ao pensar neste filme é da incrível atuação da protagonista Nicole Kidman na pele de uma aspirante a jornalista sem escrúpulos, que faz de tudo pela fama e sucesso. É uma espécie feminina de O Abutre (2014), voltada ao humor negro e baseado numa inacreditável história real. Dirigido por Gus Van Sant, o filme marcou um divisor de águas na carreira de Kidman, mostrando a atriz por trás do rostinho lindo.

Mas por que citamos o filme se os holofotes estão em Kidman? Bem, porque não muito atrás está um desempenho que igualmente serviu como marco para a carreira de Joaquin Phoenix. Primeiro, por se tratar do primeiro filme de sua fase adulta na qual ele deixava de lado de vez a alcunha de Leaf Phoenix (como era conhecido em seus trabalhos na infância e adolescência) e assumia o nome Joaquin. E segundo, por se tratar da atuação da qual todos começaram a prestar atenção no ator e perceber um grande talento a ser moldado. Phoenix tinha 21 anos ao interpretar Jimmy Emmett, um dos jovens manipulados pela felina protagonista.

Vício Inerente (2014)

Segundo trabalho do ator ao lado do talentoso PTA, a dupla segue por um caminho totalmente inverso do intenso O Mestre. Esta é uma comédia escrachada, moldada às formas de um noir detetivesco, com a típica roupagem dos filmes do diretor. Ou seja, espere muito mais questões do que respostas e cenas pra lá de enigmáticas.

Mesmo carregando nas tintas de sua inspiração – claramente uma homenagem aos trabalhos dos irmãos Coen, em especial o cult O Grande Lebowski (1998) -, e não chegando ao mesmo patamar, a comédia surpreende por ser o ponto fora da curva extremo para as carreiras tanto de PTA quanto de Phoenix. Sinal de um grande ator, o intérprete entrega outra performance pra lá de empenhada na pele do maconheiro atrapalhado Larry ‘Doc’ Sportello, fazendo rir em muitos trechos nonsense. O elenco é uma verdadeira constelação e conta com nomes como Josh Brolin, Reese Witherspoon e a revelação de Katherine Waterson, entre outros.

Eu Ainda Estou Aqui (2010)

Joaquin Phoenix teve uma vida traumática fora das telas também. Ainda criança, perdeu o irmão mais velho, o também ator River Phoenix – muito comparado a James Dean – devido a uma overdose. No início desta década, todos achavam que o ator havia enlouquecido e saído dos trilhos de vez. Seu comportamento errático era reportado por toda a cidade, inclusive em aparições em talk shows – o caso mais notório sendo no programa de David Letterman (que pode ser visto no Youtube).

O que parecia ser mais uma vítima do sucesso, vide Britney Spears e Lindsay Lohan, era na verdade uma grande brincadeira, fruto experimental para este filme, o documentário falso Eu Ainda Estou Aqui. Bem, ao menos foi o que Phoenix e o diretor do projeto, e cunhado do ator, Casey Affleck, quiseram nos fazer acreditar. O fato é que o filme está aí para quem quiser ver. Nele, vemos Phoenix interpretar a si mesmo, saturado da indústria, largando a carreira de ator para se concentrar em seu novo projeto: se tornar um cantor de rap. A ideia do filme não deu muito certo, e ele voltaria à normalidade dois anos depois com O Mestre. De qualquer forma, só mesmo um grande ator para enganar de verdade o mundo inteiro. Sua maior prova de talento. Ou será que foi verdade?

Amantes (2008)

Um dos projetos menos lembrados na filmografia de Joaquin Phoenix, este foi seu último trabalho antes de embarcar na “loucura” de Eu Ainda Estou Aqui. Curiosamente, este filme que passou abaixo do radar de todos, guarda um dos desempenhos mais contidos e introspectivos da carreira do ator, porém, igualmente marcante. No papel, estão todas as características que veríamos depois em outros trabalhos seus mais chamativos: a melancolia, solidão, a falta de sentido na vida e uma ponta de esperança para a redenção.

Nesta terceira colaboração com o diretor James Gray – num total de quatro, a última sendo Era uma Vez em Nova York (2013) -, o ator vive Leonard Kraditor, um sujeito sem muitas aspirações cujo futuro já está delineado para ele, sem que tenha muito a dizer sobre. O que lhe aguarda adiante é assumir o negócio da família e casar com Sandra (Vinessa Shaw), filha de amigos dos pais e parte de um casamento arranjado, com quem ele não possui afinidade. Seu coração, no entanto, orbita em direção a Michelle (Gwyneth Paltrow), a nova vizinha, desapegada e de espírito livre. Phoenix entrega aqui um papel pouco visto em sua filmografia, ainda mais nesta nova fase.

O Homem Irracional (2015)

Existem alguns itens que todo grande ator precisa riscar de sua lista. Um deles é trabalhar com o lendário Woody Allen. Pena que nem todos irão poder realizar tal feito. Mas Joaquin Phoenix pôde. Este, no entanto, é o que podemos chamar de filme menor do cineasta. A talentosa Emma Stone também está no elenco, e ao contrário de musas anteriores de Allen, vide Scarlett Johansson, suas duas colaborações com o diretor (este e Magia ao Luar) não se relevaram obras marcantes em sua filmografia.

Seja como for, uma coisa é inegável: a força com que Phoenix entrega sua atuação e como molda seu personagem. Aqui, ele é Abe Lucas, um atormentado professor universitário, que parece ter desistido de se importar com qualquer aspecto de sua vida. Desmotivado, o sujeito beira o suicídio. Stone vive uma aluna em busca de salvar o sujeito, que termina se apaixonando por ele (ei, o que seria de um filme de Woody Allen sem o relacionamento entre uma jovem com um homem bem mais velho). Existe um grande ponto de virada, tanto no filme, quanto no protagonista. Ponto este que o próprio Allen pediu para não ser revelado, a fim de não estragar a experiência de quem assiste. E quem somos nós para contradizer o gênio.

Maria Madalena (2018)

Muitos taxaram o novo filme do diretor Garth Davis (Lion: Uma Jornada para Casa) como uma obra morna e esquecível. É difícil entregar uma produção sobre o tema que seja marcante sem apelar para certa polêmica (como foi o caso com os ótimos A Última Tentação de Cristo, de Scorsese, e A Paixão de Cristo, de Mel Gibson). A verdade é que este filme faz mais do que apenas redimir historicamente uma das figuras mais injustiçadas de todos os tempos.

Maria Madalena durante séculos teve seu nome reduzido, e sua importância junto a criação do cristianismo desmerecida. Mas além desta retratação, o filme traz desempenhos quase líricos de seus intérpretes. Phoenix traz imensa serenidade para sua personificação de Jesus, na atuação mais onírica de sua carreira. Sua performance exala paz e grande calmaria. Já Rooney Mara, outra grande atriz subestimada, é a aprendiz em busca de liberdade. Os atores engataram num relacionamento na vida real.

Bônus 1:

Já está mais do que na hora de uma nova indicação ao Oscar para Joaquin Phoenix. E quem sabe ela pode sair este ano. Além de Jesus Cristo em Maria Madalena – filme que deve se manter afastado dos radares de prêmios – o ator entregou dois trabalhos excepcionais que podem emplacar no gosto dos votantes. O primeiro é justamente o citado Você Nunca Esteve Realmente Aqui, no qual ele vive um veterano militar atormentado, pegando para si uma missão muito especial e assim fazendo justiça contra traficantes sexuais com as próprias mãos. Um dos chamarizes sem dúvida é a atuação de Phoenix. O filme, no entanto, foi lançado em 2017 por diversos festivais, estreando em circuito nos EUA em abril deste ano. O que pode ser muito distante para os votantes lembrarem daqui a alguns meses.

Don´t Worry, He Won´t Get Far on Foot, no entanto, pode ser a escolha ideal para tal missão. O filme marca a reunião do ator com o cineasta Gus Van Sant e relata a história real do cartunista John Callahan, que após um grave acidente se torna cadeirante e decide se curar do alcoolismo. Phoenix vive o protagonista, fazendo uso da transformação física que a Academia tanto gosta.

Bônus 2:

Coringa

Ainda em fase de pré-produção, este filme pode ser algo realmente único no subgênero. Associar Joaquin Phoenix, um ator tão intenso quanto ele, a um filme de super-herói não é uma tarefa tão fácil quanto se pensa. A Marvel já tentou com Doutor Estranho, mas foram negados. O motivo, muito provavelmente, deve ter sido a falta de liberdade artística e a ligação obrigatória com novos projetos. A DC conseguiu, sabe-se lá em quais termos para isso. Um personagem como o Coringa merece uma atuação que só Phoenix pode dar.

Além disso, a produção deste filme solo do vilão é de ninguém menos do que Martin Scorsese. E o elenco contará ainda com os somatórios do lendário Robert De Niro e da ótima Zazie Beetz. Imaginem as possibilidades.

Jovens Atrizes e Atores que São Filhos de Grandes Estrelas de Hollywood e Você Não Sabia

Em Hollywood, a maior indústria de cinema do mundo, existem famílias consideradas verdadeiras dinastias. Artistas que estiveram envolvidos com os primórdios desta fábrica de sonhos, e continuaram neste negócio através das gerações. É claro que discussões sobre nepotismo sempre voltam à pauta, mas a verdade é que depois do favorecimento, é preciso existir talento e esforço da parte destes artistas herdeiros.

De Drew Barrymore a Michael Douglas, alguns dos maiores astros de Hollywood tiveram pais ou avós bem famosos, o que sem dúvida facilitou sua entrada na área. Sua permanência, no entanto, se deve unicamente por mérito próprio. Nessa nova matéria iremos abordar jovens talentos que estão dando o que falar na atualidade, e que são filhos de famosos sem que muitos saibam. Confira abaixo.

Margaret Qualley

Indicada para dois prêmios Emmy, a jovem de 29 anos já trabalhou com Quentin Tarantino em ‘Era uma Vez em Hollywood’, esteve em ‘Pobres Criaturas’, na série ‘Maid’ e lançou recentemente ‘Garotas em Fuga’. O céu é o limite para Margaret Qualley. O que muitos podem não saber, principalmente por não usar o nome da mãe, é que Qualley é filha da estrela dos anos 90 Andie MacDowell.

Zoey Deutch

Graciosa e dona de um belo sorriso, Zoey Deutch, também de 29 anos, coleciona filmes como ‘Jovens, Loucos e Rebeldes’, ‘O Artista do Desastre’ e ‘Zumbilândia – Atire Duas Vezes’ em seu currículo. ‘Influencer de Mentira’ foi um de seus mais recentes trabalhos. Deutch é filha da atriz Lea Thompson, eternizada como a Lorraine McFly da trilogia ‘De Volta para o Futuro’.

Dakota Johnson

Essa talvez seja mais fácil. Dakota Johnson não teve a melhor das sortes ao lançar no início deste ano ‘Madame Teia’, que se tornou um dos filmes mais execrados por crítica e público de tempos recentes. Mas isso não irá apagar o brilho da jovem estrela de 34 anos, que guarda trabalhos como ‘A Filha Perdida’, ‘Suspiria – A Dança da Morte’, ‘Cha Cha Real Smooth’ e ‘Um Mergulho no Passado’ em sua filmografia. Johnson é filha dos atores Melanie Griffith e Don Johnson, e neta da veterana Tippi Hedren.

Maya Hawke

Essa também não deve ser segredo para muitos. Maya, de 25 anos, chamou atenção na terceira temporada do fenômeno ‘Stranger Things’ e também esteve em ‘Era uma Vez em Hollywood’, de Quentin Tarantino. Recentemente apareceu em ‘Maestro’, filme indicado ao Oscar desse ano. Maya é filha da musa de Tarantino, Uma Thurman, com o ator Ethan Hawke.

Nico Parker

A atriz mais jovem da lista, Nico Parker tem apenas 19 aninhos. Mas a artista já coleciona produções famosas em sua filmografia, como a reimaginação em live-action de ‘Dumbo’ e a ficção científica ‘Caminhos da Memória’, estrelada por Hugh Jackman. Seu trabalho mais marcante, no entanto, foi na série sensação ‘The Last of Us’. Parker é filha da atriz Thandiwe Newton com o diretor Ol Parker.

Sosie Bacon

O sobrenome entrega algumas destas atrizes e atores da matéria. É o caso com Sosie Bacon, jovem de 31 anos que fez sucesso com ‘Sorria’, surpresa de terror em 2022. Sosie também esteve em séries como ‘Mare of Easttown’ e ’13 Reasons Why’. Sosie, é claro, é filha do ator Kevin Bacon e da atriz Kyra Sedgwick.

Zoë Kravitz

Outra que apenas os mais distraídos talvez tenham deixado passar. Seja como for, nem todos podem saber. Como diz o sobrenome da atriz de 35 anos, que é a nova Mulher-Gato do cinema em ‘Batman’ (2022), Zoë Kravitz é filha da atriz Lisa Bonet e do músico Lenny Kravitz. Zoë está na estrada há mais de uma década, e seu currículo guarda filmes como ‘X-Men – Primeira Classe’, ‘Mad Max – Estrada da Fúria’ e a série ‘Big Little Lies’.

Billie Lourd

Lourd tem 31 anos e já esteve em superproduções como a mais recente trilogia ‘Star Wars’, a comédia romântica ‘Ingresso para o Paraíso’ (com Julia Roberts e George Clooney) e séries como ‘American Horror Story’. Billie Lourd é filha da saudosa Carrie Fisher, nossa eterna Princesa Leia de ‘Star Wars’.

Jack Quaid

O jovem Jack Quaid, de 31 anos, se tornou um dos atores mais famosos da atualidade, graças ao papel de Hughie Campbell na adorada série ‘The Boys’, o carro-chefe do streaming Amazon Prime Video. Fora isso, Quaid também esteve no reboot de ‘Pânico’ e até mesmo no indicado ao Oscar ‘Oppenheimer’. É claro que seu nome não esconde, Jack é filho dos veteranos dos anos 80 e 90 Dennis Quaid e Meg Ryan.

Wyatt Russell

Outro que deixa o sobrenome entregar o parentesco, Wyatt Russell já marcou presença em filmes como o terror ‘Operação Overlord’ e na comédia indie ‘Ingrid Vai para o Oeste’. Porém, o divisor de águas na carreira do ator de 37 anos foi quando assinou com a Marvel para viver nas telas o personagem John Walker, vulgo Capitão América/Agente Americano em ‘Falcão e o Soldado Invernal’.

O personagem voltará ao MCU no filme ‘Thunderbolts’. Wyatt é filho dos icônicos Kurt Russell e Goldie Hawn, e apareceu recentemente em ‘Monarch – Legado dos Monstros’, dividindo o mesmo personagem com seu pai.

Scott Eastwood

Fechando a matéria, temos outro ator cujo sobrenome entrega sua linhagem. Falamos, é claro, do filho temporão do nonagenário Clint Eastwood. Scott, de 37 anos, já marcou presença em muitos projetos famosos, como na franquia ‘Velozes e Furiosos’, na qual entrou no oitavo filme. Scott também esteve em ‘Esquadrão Suicida’, ‘Infiltrado’ e ‘Círculo de Fogo – A Revolta’.

NETFLIX | 5 Ótimos Filmes Pouco Badalados para Assistir na Plataforma

Grande líder do mercado dos streamings aqui no Brasil, a Netflix conta com um catálogo poderoso que envolve o universo de filmes e séries de todo o planeta. Para ajudar você leitor ou leitora que procura bons filmes nesse catálogo, seguem abaixo 5 ótimos filmes mas nada badalados do catálogo da Netflix:

 

Abaixo de Zero

As inconsequências da vingança. Em seu segundo longa-metragem como diretor, o cineasta espanhol Lluís Quílez consegue criar um eletrizante clima de tensão em um suspense impactante. Bastante interpretativo, o projeto apresenta uma noite fria, criminosos, policiais e um misterioso homem buscando vingança. Com cenas de tirar o fôlego, não deixando nossos olhos desgrudar da tela (principalmente no terço final), vamos acompanhando reflexivos contrapontos entre os abstratos sentidos da lei.

Há um grande valor para as ótimas subtramas. Deixando em segredo o passado dos ótimos personagens, vamos caminhando pela ótica do protagonista e de um dos líderes dos prisioneiros Ramis (o ótimo Luis Callejo). Os paradoxos da lei, os impulsos obsessivos em busca de justiça, a racionalidade vs a força das emoções, conseguimos enxergar reflexões nesses sentidos quando paramos para observar a maioria dos personagens, que mesmo sendo decifrado aos poucos de maneira superficial encontram-se com uma profundidade nada abstrata e bem próximo de carmas pessoais.

 

Loucura de Amor

A difícil ponte entre os clichês e as inúmeras formas de emocionar o espectador. Simples, objetivo, dinâmico, aventureiro, curioso, amoroso, emocionante. Uma série de adjetivos saltam em nossas mentes logo na abre alas eletrizante, antes mesmo dos créditos, dessa pequena joia divertida espanhola, disponível no catálogo da maior dos streamings, Loucura de Amor. Contando a saga de um homem em busca das descobertas, às vezes hipócritas e desencontradas, para definir o amor acaba se vendo em uma jornada rumo às profundidades desse sentimento, aliado a isso noções quase que educativas sobre a arte de nunca pré julgar a ‘loucura’ alheia. Dirigido por Dani de la Orden com roteiro assinado por Natalia Durán e Eric Navarro.

No fundo dos meus olhos, pra dentro da memória te levei. O amor é um dos pilares desse despretensioso filme, lançado sem alarde. Pisando sem medo em diversos clichês, o longa-metragem consegue se enrolar (no bom sentido) em uma fórmula carismática de nos convencer no seu arco principal e nos encher com quebras de paradigmas sociais (dentro de discursos super simples), principalmente a questão sobre a ‘loucura’. Há tempo também para lindos arcos sobre amizade e carinho ao próximo. As emoções e sentimentos são tratados de forma leve e que nos da muita vontade de assistir cada vez mais o desenrolar dessa fábula sobre os incompreensíveis caminho para se chegar ao tão sonhado estado de amor.

 

Quando a Vida Acontece

As razões profundas de um bem-estar existencial em contraponto aos obstáculos que a vida nos traz. Indagando questões dentro de um relacionamento repleto de sentimentos perdidos e mal analisados após situações de decepções no passado, Quando a Vida Acontece, disponível no catálogo da Netflix, e indicado da Áustria ao Oscar 2021, é um drama interpretativo onde o espectador é testemunha ocular de tentativas de resoluções de problemas de um casal. O filme é dirigido pela cineasta austríaca Ulrike Kofler (em seu primeiro longa-metragem) e com roteiro baseado em um texto do escritor suíço Peter Stamm.

Na trama, conhecemos o casal Alice (Lavinia Wilson) e Niklas (Elyas M’Barek), que estão passando por uma fase muito complicada em seu relacionamento, com inúmeras tentativas fracassadas de ter um filho. As opções que existem, como adoção geram conflito por linhas de pensar diferentes. Perto dos 40 e poucos anos, e sem muitos respiros nas tentativas de renovar de alguma forma o casamento, resolvem sair de férias para um lugar quase isolado, uma espécie de clube com casas pequenas e confortáveis. Só não esperavam serem atingidos pela rotina do casal que aluga a casa vizinha a deles.

 

Diga-me Quando

Quando a ingenuidade encontra as indomáveis lições do amar. Filme de estreia na direção e roteiro do cineasta mexicano Gerardo Gatica, Diga-me Quando apresenta pequenos exageros costurados com clichês mas nada que gere bocejos ou desinteresse, pelo contrário, o projeto se apresenta muito mais profundo do que aparenta, uma belíssima construção com diálogos criativos, emoções variadas, se tornando uma crônica latina sobre as descobertas do amar. Sem pretensão de ser perfeito, se arrisca com sucesso nas linhas tumultuadas da melancolia. Grata surpresa. Disponível na Netflix.

Você precisa aprender a ser, não só a ter. O longa-metragem bate bastante na tecla do importante que é ter experiências que nos moldem como seres humanos e como é a melhor forma de aprendermos a perder e ganhar. O protagonista, antes um desajustado no convívio social, se descontrói e renasce através do mesmo universo que vive mas com uma ótica diferente, vira um constante observador de um novo mundo que já existia mas ele não conseguia enxergar.

 

Quase uma Rockstar

As desilusões fria e crua da realidade dentro da esfera feliz de uma pessoa de bem, cheia de energia. Dirigido por Brett Haley (Por Lugares Incríveis, O Herói, Coração Batendo Alto) e com roteiro por Haley, Marc Basch, baseado na obra Sorta Like a Rock Star do escritor Matthew Quick (O Lado bom Da Vida) que também contribui no roteiro do filme, Quase uma Rockstar é um dos melhores filmes do catálogo da Netflix que absurdamente foi mega mal divulgado. Espero que num futuro bem próximo todos possam assistir a esse belíssimo e emocionante trabalho que fala sobre sonhos, realidade dura e navega entre construções e desconstruções emocionais dolorosas de uma forte protagonista interpretada brilhantemente pela atriz havaiana Auli’i Cravalho.

As lições que Quase uma Rockstar nos apresenta são inúmeras. Nossa sociedade precisa assistir a filmes assim, que mostram duras realidades mas que enxergam, dependendo da porta que você abrir, saídas inimagináveis que dão novamente um novo sentido a tudo, da emoção à razão. Lindo filme.

Crítica | ‘Love me, Love Me’ – Melodrama com notas picantes no octógono do amor piegas

Lançado anos atrás na plataforma Wattpad e logo alcançando milhões de visualizações, a obra da romancista Stefania S. , Love me, Love Me, enfim ganhou sua adaptação para o cinema. Rodado todo na Itália, essa nova aposta do Prime Video para alcançar o público jovem opta pelo romance de manual, convencional do primeiro ao último minuto. O projeto investe forte no melodramático, na linha do piegas e construindo momentos previsíveis através de personagens desinteressantes, com clichês para tudo que é lado.

June (Mia Jenkins), uma jovem estudante britânica, chega em Milão com a mãe após um trauma na família. Ela é matriculada na Escola Internacional Saint Mary’s e, nesse novo lugar, conhece uma série de novas pessoas que vão preencher lacunas em seu presente. Entre elas estão Will (Luca Melucci) e James (Pepe Barroso), com que viverá um triângulo amoroso com algumas consequências.

Cena de Love me, Love Me
Cena de Love me, Love Me

Primeiro de uma série de obras que devem ganhar novas adaptações em breve – ainda mais após o filme ter alcançado o Top1 da plataforma já mencionada, mesmo sem grande divulgação – Love me, Love Me é aquele projeto igual a tantos outros que chega a ser redundante mencionar alguns pontos. Com uma narrativa simples, alcançando logo seu conflito central, a trama não se desprende de soluções convenientes, coadjuvantes estereotipados e ainda apresenta um dos personagens mais chatos dos últimos anos: Will.

O projeto parece querer – sem um pingo de profundidade –  trazer à mesa reflexões complexas sobre uma juventude mimada e a imaturidade. Repetindo padrões em meio a fofocas, inveja, conflitos amorosos e ciúmes, a narrativa não chega em camadas para personagens estacionados na caricatura inicial – o bad boy perturbado envolvido em lutas clandestinas, o jovem que aparenta ser perfeito, a amiga venonosa, entre outros. Ainda por cima, adiciona suas notas picantes envolvidas em um suposição de um amor piegas. Haja paciência!

Nesse octógono do amor, repleto de situações exageradas, esse filme dirigido pelo nova-iorquino Roger Kumble é um balde de água fria em quem deseja investir seu tempo em reflexões contundentes sobre dramas da juventude.

Crítica | Benzinho – Karine Teles brilha em mais uma obra da ótima safra nacional

Mãe Só Há Uma

Já faz tempo que o cinema nacional engatou uma boa fase, entregando a cada nova temporada ao menos uma obra que desperta o mesmo nível de culto entre o cinéfilo mais erudito e o espectador casual. O que chama atenção, no entanto, é que a cada ano uma enxurrada cada vez maior de produções acima da média nos é entregue, enfatizando o lote que, acima de prêmios, nos dá orgulho pelo reconhecimento e prestígio mundial.

O próximo passo é o domínio do cinema de gênero. Só este ano tivemos, por exemplo, os elogiadíssimos As Boas Maneiras e O Animal Cordial – ambos ainda em cartaz. Voltando para um tipo de filme mais abrangente, Benzinho se tornou um dos longas nacionais de maior expectativa, muitos meses antes de sua estreia. O motivo pelo hype em relação ao novo filme de Gustavo Pizzi (Riscado) se deve por sua passagem por diversos festivais de cinema internacionais – nos quais gerou repercussão extremamente positiva.

O começo desta trajetória de sucesso foi no Festival de Sundance (o mais prestigiado do lote do qual fez passagem), casa do cinema independente norte-americano, de onde saem diversos indicados ao Oscar e no qual foi aplaudido. E aqui é onde devemos dizer que tamanha bajulação é justificada. Benzinho coroa a safra positiva dos longas nacionais, desde já se tornando um forte candidato a representar o Brasil por uma chance de indicação no maior prêmio da sétima arte e, quem sabe, estar presente entre os postulantes à estatueta.

Gestado como obra em família, sentimos a afeição dos realizadores pelo projeto. A paixão floresce, exalando da tela o comprometimento dos envolvidos ao espectador. Nascido da complacência de companheiros, a protagonista Karine Teles (Que Horas Ela Volta?) escreveu o roteiro ao lado do diretor Pizzi, transpondo para as telas parte de suas experiências juntos – quando ainda eram casados. Parte desta credibilidade é acrescentada com os filhos do casal, os gêmeos Arthur e Francisco, elencados como parte da prole familiar, filhos da personagem Irene, a protagonista.

Benzinho é um filme simples, cuja força está acima de tudo na mensagem que passa. Nos sentimentos que transparece. Nas sensações que desperta. A identificação é imediata quando nos deparamos com produções que almejam nos conectar, fazendo a ponte perfeita com nossa humanidade. Com o que nos faz humanos. Com problemas do cotidiano com os quais precisamos lidar, ao mesmo tempo em que não paramos de sentir e experimentar.

Benzinho apresenta uma família de classe média baixa da serra carioca. Constituída por pai (Otávio Müller), mãe (Karine Teles), tia (Adriana Esteves), filho mais velho (Konstantinos Sarris), filho do meio (Luan Teles), caçulas (Arthur e Francisco Teles Pizzi) e sobrinho (Vicente Demori). A convivência mundana desta trupe varia de jantares, jogos de handball, problemas financeiros, obras na casa nova, até um caso de violência doméstica envolvendo a irmã da protagonista (Esteves) com o marido, papel do uruguaio César Trancoso.

Tudo muda nesta dinâmica – que em comum com o sucesso citado de Anna Muylaert tem a devoção incontestável de uma mãe por sua cria e a dor da separação, do passado ou futuro, com o único propósito da melhoria de vida – quando Fernando, o primogênito da família recebe a proposta de ir jogar o esporte na Alemanha. Os problemas burocráticos não são nada perto da muito citada “síndrome do ninho vazio”, na qual durante o cerne da projeção, a progenitora precisa se fazer aceitar e lidar com a perda de uma parte sua.

Extremamente emotivo e de aquecer o coração de mães, pais e filhos, Benzinho traduz com perfeição o processo da ausência. Karine Teles é dona do filme, imprimindo um trabalho nunca antes atingido em sua carreira. O domínio de cena em singelos momentos, que transitam entre alegria e tristeza, anunciam um dos grandes desempenhos de 2018. Benzinho é um filme feito com amor, de mãe para filho. Quem recebe o presente somos nós, mas tenho certeza que Teles e Pizzi serão retribuídos.

Dakota Johnson não deu sorte em ‘Madame Teia’! Conheça Outros Filmes que a atriz QUASE estrelou

A maior polêmica do mundo do cinema nesse início de 2024 se chama ‘Madame Teia’. O filme de super-heróis (ou heroínas) se tornou um fracasso retumbante de crítica e bilheteria, e pode acabar com a carreira de jovem estrela que protagonizou.

Você conhece Dakota Johnson, filha dos atores Melanie Griffith e Don Johnson, de filmes como a trilogia ‘Cinquenta Tons de Cinza’ – quem também foram excessivamente massacrados pela crítica, com a grande diferença de que foram também grandes sucessos de bilheteria. Para um filme se dar bem, é preciso atingir uma dessas duas coisas, ou uma bilheteria favorável, ou o prestígio de avaliações impecáveis.

Dakota Johnson demitiu seu empresário assim que ‘Madame Teia’ foi lançado nos cinemas – o que ligou um sinal de alerta em Hollywood de que as coisas não iriam bem para a atriz. Ela inclusive já deu entrevistas dizendo que será difícil se recuperar de um fracasso tão estrondoso em sua carreira. Será que a carreira de Dakota Johnson chegou mesmo ao fim? Acreditamos que não, é só uma questão de escolher os próximos projetos certos.

Enquanto Dakota Johnson não aparece em seu próximo filme, iremos voltar um pouco no tempo para dar uma olhada em sua trajetória nas telonas, mais especificamente nos filmes que quase protagonizou e quais atrizes desbancou nos projetos que estrelou. Confira abaixo.

Mulher-Gato

Não sabemos especificamente em qual projeto isso ocorreria, mas Dakota Johnson já expressou publicamente algumas vezes o desejo de viver a personagem Selina Kyle, o alter-ego da Mulher-Gato, nos filmes da DC/Warner. Pela idade da atriz, que completou 34 anos em outubro passado, ela se encaixaria mais no reboot da franquia do Homem-Morcego que ocorreu em 2022, com Robert Pattinson protagonizando ‘Batman’.

Como sabemos, a personagem terminou nas mãos de Zoë Kravitz, também de 34 anos e também filha de pais famosos. Kravitz se tornou a segunda Mulher-Gato negra do cinema (depois de Halle Berry) e a terceira do audiovisual (depois de Eartha Kitt do seriado dos anos 60). Resta saber se Dakota Johnson ainda mantém esse interesse após o fiasco que se tornou sua primeira incursão em uma personagem do gênero.

O Mistério de Silver Lake

Existem diretores que se tornam famosos depois de apenas um filme. Basta que esse filme atinja um lugar muito almejado na cultura pop ou no zeitgesit. Mesmo que seja um lugar cult. Foi o caso com David Robert Mitchell – cineasta que achou ouro com o lançamento de ‘Corrente do Mal’, um dos melhores filmes de terror da última década. Os melhores filmes do gênero são aqueles que não são apenas terror, mas que se preocupam em entregar alguma conexão humana.

Sendo assim, é claro que todos estariam de olho no próximo passo do sujeito, e todo ator de Hollywood disputava um papel em seu projeto seguinte. ‘O Mistério de Silver Lake’ sem dúvidas foi uma obra ambiciosa e uma que havia escalado Dakota Johnson no elenco. A atriz tem a cara do filme, mas precisou sair do projeto por motivo de agenda – ela lançou no mesmo ano o remake de ‘Suspiria’, o terceiro ‘Cinquenta Tons de Cinza’ e o thriller ‘Maus Momentos no Hotel Royale’. Ou seja, seu tempo estava apertadíssimo.

No fim das contas, Dakota Johnson terminou sendo substituída por Riley Keough, a neta de Elvis Presley, amiga da atriz. Johnson foi inclusive madrinha do casamento de Keough em 2015.

O Som do Silêncio

Você lembra do filme indicada ao Oscar sobre o baterista de uma banda de rock que começa a ficar surdo e precisa repensar todo o seu estilo de vida? O filme fez bastante sucesso em 2020, mas quatro anos depois quase ninguém mais fala nele. É claro que teve o prestígio de algumas indicações ao Oscar, mas o que quase ninguém sabe é que o longa quase teve Dakota Johnson protagonizando no papel feminino de destaque.

O que acontece é que durante as gravações de ‘Um Mergulho no Passado’, thriller dramático passado no universo da música, Dakota Johnson fez grande amizade com seu colega de elenco, o belga Matthias Schoenaerts, e desde então procurava um projeto para estrelar ao lado dele novamente. Esse projeto chegou muito perto de ser ‘O Som do Silêncio’ – no qual o belga viveria o baterista e Dakota seria sua ex-namorada. Por motivo de agenda os dois precisaram deixar a produção, sendo substituídos por Riz Ahmed e Olivia Cooke. O filme foi indicado ao Oscar, assim como Ahmed, e o longa receberia mais 4 nomeações e duas vitórias.

Uma Estranha Amizade

Starlet movie review & film summary (2012) | Roger Ebert

Filme indie não muito conhecido de 2012, o cult traz na direção Sean Baker, que se tornaria famoso nas rodinhas de cinéfilos poucos anos depois graças a produções como ‘Tangerina’ (2015) e ‘Red Rockett’ (2021), mas principalmente ‘Projeto Flórida’ (2017), filme indicado ao Oscar de ator coadjuvante para Willem Dafoe. ‘Uma Estranha Amizade’, como diz o título, mostra uma relação afetuosa nascendo entre uma jovem de 21 anos e uma idosa, que talvez tenha motivos escusos por trás.

O diretor Sean Baker chegou muito perto de escalar Dakota Johnson para viver Jane, a jovem de 21 anos no cinema, e de quebra trazer também a estrela clássica de Hollywood Tippi Hedren (‘Os Pássaros’), avó de Dakota na vida real, para viver Sadie, a idosa do filme. Por algum motivo a escalação não rolou, e Baker terminou optando por Dree Hemingway para a jovem e Besedka Johnson para ser a idosa – a senhora viria a falecer um ano depois da estreia do filme.

Girls

Agora falamos da série cult sensação da HBO criada e estrelada por Lena Dunham. A proposta do programa era ser um relato nu e cru sobre jovens mulheres americanas na faixa dos vinte e poucos anos, suas aspirações profissionais, sociais e de relacionamentos no início da década passada. O programa chamou atenção por ter criação de uma mente jovem brilhante como a de Dunham.

Do elenco de ‘Girls’, os atores que obtiveram maior destaque na atualidade são Adam Driver e Allison Williams. O que muitos talvez não saibam é que o programa teve produção de Judd Apatow, e que o próprio produtor testou Dakota Johnson para um dos papeis no programa. Johnson não foi aprovada, mas no mesmo ano estrelaria sua própria sitcom ‘Ben and Kate’.

Dakota Johnson derrubou meia Hollywood para ‘Cinquenta Tons de Cinza’

Quando foi anunciado que o best-seller apimentado ‘Cinquenta Tons de Cinza’ seria transformado em um longa-metragem de um grande estúdio, o fato parou Hollywood. Toda jovem atriz e jovem ator queriam estar no filme, e correram atrás dos papeis principais da polêmica produção. Como toda escalação de filme, as audições começam com basicamente todos os atores trabalhando em Hollywood, para finalmente ser cada vez mais afuniladas até chegar na intérprete escolhida.

As finalistas para ser Anastasia Steele tiveram gente do porte de Kristen Stewart, Shailene Woodley, Alicia Vikander, Felicity Jones, Imogen Poots, Lucy Hale e Elizabeth Olsen. Mas como sabemos, Dakota Johnson derrotou todas elas e ficou com o papel para si – que viria a se tornar, até o momento, o mais famoso de sua carreira.

Dakota Johnson substituiu Margot Robbie

Substituir Margot Robbie, a estrela mais “quente” de Hollywood na atualidade não é uma tarefa das mais fáceis. Mas é claro que não falamos do blockbuster ‘Barbie’. Isso foi em uma época em que Margot Robbie não era o tsunami que se tornaria logo no ano seguinte. Aqui falamos de uma Margot Robbie que havia “causado” em sua estreia em ‘O Lobo de Wall Street’, de Martin Scorsese.

Com uma estreia desse nível, as atenções de Hollywood estavam voltadas para a australiana. Assim, em um de seus primeiros trabalhos de destaque, Margot Robbie foi escalada para um papel em importante em ‘Um Mergulho no Passado’, remake de ‘A Piscina’ (1969), do diretor italiano Luca Guadagnino, o mesmo de ‘Me Chame Pelo Seu Nome’. Poucos dias antes do início das filmagens, Robbie precisou deixar a produção, que correu desesperadamente atrás de uma substituta e encontrou Dakota Johnson.

Dakota confessou nervosismo em entrar em um projeto de maneira tão súbita, mas entregou um excelente trabalho, criando uma interessante parceria com Guadagnino, que se estendeu para seu trabalho vindouro, o remake de ‘Suspiria’.

10 filmes e 10 seriados para quem quer FUGIR das Notícias de Hoje

Hoje pode ser um dia muito difícil para as pessoas mais sensivas às notícias sobre as violentas manifestações do Dia da Independência, 7 de Setembro.

Para aqueles que querem se entreter e fugir um pouco dos problemas, criamos uma lista bem legal com 10 filmes e 10 seriados disponíveis nos streamings mais populares disponíveis por aqui.

 

Filmes

 

Rede de Ódio (Netflix)

A ambição nas mãos de mentes perigosas, os vigias da não informação real. Explorando um assunto muito em alta nos tempos atuais, a fake news, o cineasta polonês (de apenas 28 anos!) Mateusz Pacewicz que já nos presenteou com o ótimo Corpus Christi (indicado pela Polônia ao Oscar de melhor filme estrangeiro) chega dessa vez para marcar presença na memória dos cinéfilos com o inaudito Rede de Ódio que estreou aqui no Brasil pela Netflix. Costurando um protagonista enigmático e assombrado pelos seus pensamentos nocivos e egoístas junto a um mundo sem regras nos meios digitais, Pacewicz consegue a proeza de manter os olhos cinéfilos grudados na tela durante as mais de duas horas de duração. Impressiona a qualidade desse filme, excelente!

 

Quase uma Rockstar (Netflix)

As desilusões fria e crua da realidade dentro da esfera feliz de uma pessoa de bem, cheia de energia. Dirigido por Brett Haley (Por Lugares Incríveis, O Herói, Coração Batendo Alto), baseado na obra Sorta Like a Rock Star do escritor Matthew Quick (O Lado bom Da Vida) que também contribui no roteiro do filme, Quase uma Rockstar é um dos melhores filmes do catálogo da Netflix que absurdamente foi mega mal divulgado. Espero que num futuro bem próximo todos possam assistir a esse belíssimo e emocionante trabalho que fala sobre sonhos, realidade dura e navega entre construções e desconstruções emocionais dolorosas de uma forte protagonista interpretada brilhantemente pela atriz havaiana Auli’i Cravalho.

 

Temporada (Netflix)

A simplicidade na captação de uma delicada vida. Escrito e dirigido pelo cineasta André Novais Oliveira, Temporada é um retrato muito delicado de uma mulher negra na periferia de Belo Horizonte, mais exatamente na cidade de Contagem. Suas descobertas, abandonos, paixões e a busca por uma estabilidade não só profissional mas também emocional. Com uma atuação maravilhosa de uma das melhores atrizes do cinema brasileiro atualmente, Grace Passô, Temporada ganhou o prêmio de Melhor filme no Festival de Brasília e está disponível no catálogo do streaming Netflix. Viva o cinema brasileiro!

 

A Vastidão da Noite (Amazon Prime Video)

Quando as peças se encaixam, o brilhante salta da tela. Exibido no prestigiado Festival de Toronto de Cinema em 2019 e com uma narrativa simples e muito objetiva, A Vastidão da Noite prende o espectador do primeiro ao último segundo com uma misteriosa situação vivida por dois inteligentes e jovens personagens, na década de 50, em uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Em uma noite apenas, mesclando um clima extremamente tenso com o malabarismo do medo iminente, as questões lógicas sendo colocadas em cheque a todo instante, e uma estranha sensação de nostalgia transformam esse projeto em uma das pérolas do catálogo da Amazon Prime Video. Primeiro trabalho como diretor de Andrew Petterson. Já anotado na agenda para não perder os próximos filmes dele.

 

Três Solteirões e um Bebê (Disney+)

Há mais de 30 anos atrás, uma comédia atemporal e que transpira carisma chegava a vista dos cinéfilos. Dirigido pelo eterno Spock, Leonard Nimoy (sim, ele mesmo!), Três Solteirões e um Bebê fala de forma leve e engraçada sobre a paternidade na visão de três adeptos do ‘solteirismo’ que precisam readequar suas vidas quando um bebê de poucos meses é deixando na porta de onde moram. Disponível no streaming Disney+ (assim como sua continuação), o longa-metragem de enorme sucesso é protagonizado pelos ótimos Tom Selleck, Steve Guttenberg e Ted Danson. A trilha sonora, com a música chiclete Bad Boy, segundo single lançado pela banda americana Miami Sound Machine liderada por Gloria Estefan, é excelente.

 

Soul (Disney+)

Se você pudesse ver toda sua vida até aqui e além disso refletir sobre ela, você viraria uma pessoa melhor? Disponível na plataforma Disney+ , Soul é um inteligente drama com pitadas cômicas de aventura usando a técnica de animação. Emocionante, foca no inusitado universo das almas, o curioso espaço entre o físico e o espiritual. Não importa sua religião, esse é um projeto, dirigido pela dupla Pete Docter e Kemp Powers, que nos apresenta a esperança e a importância dos valores emocionais para qualquer ser vivo. É uma animação para grandinhos mas onde também a criançada pode aprender bastante de forma muito divertida. Ganhou nossos corações!

 

As Boas Maneiras (Globoplay)

Olho grande, boca grande, mão grande. Uma das coisas que conquistam o público dentro de uma sala de cinema é quando na tela gigante a originalidade toma conta, produzindo uma corrente de emoções diferentes culminando em algo que beira ao inesquecível. Após o excelente Trabalhar Cansa, a dupla de cineastas Juliana Rojas e Marco Dutra retomam a parceria de sucesso, criando um enredo que vai se construindo aos poucos, como se lentamente subíssemos uma escada em direção ao surpreendente. Filmaço!

 

A Glória e a Graça (Globoplay)

Dirigido pelo experiente Flávio Ramos Tambellini, que volta a direção de um longa após seis anos, seu último trabalho foi o delicado Malu de Bicicleta (2010), A Glória e a Graça, entre muitas coisas, é um resgate na relação de dois irmãos que por circunstâncias do destino acabaram se separando durante boa parte de suas vidas. O entrosamento em cena de Carolina Ferraz e Sandra Corveloni, protagonistas do filme, é fundamental para que os diálogos ganhem contornos emocionantes e de aproximação com o público. Grande atuação das duas atrizes. Vale a pena conferir esse belo filme!

 

Juliet, Nua e Crua (HBO Max)

As armadilhas do destino e a quantidade de açúcar que pode ter uma relação. Dirigido pelo cineasta Jesse Peretz, Juliet, Nua e Crua conta a saga de uma mulher em busca de novos desafios no campo amoroso após perceber que o atual relacionamento que se encontra não está dando o resultado que deseja. Com personagens excêntricos e guiados pelo universo da música de alguma forma, o longa-metragem é uma grande viagem rumo as aberturas das portas que o destino realiza de vez em quando. O filme é protagonizado pela competente atriz Rose Byrne e o astro norte-americano Ethan Hawke.

 

Bessie (HBO Max)

A emoção do blues não é questão de você ser conhecido, é questão de você conhecer as pessoas para quem está cantando. Dirigido pela cineasta Dee Rees, Bessie, conta a história de uma das grandes divas do Blues. Com uma atuação de gala da atriz norte-americana Queen Latifah, o longa metragem mostra a ascensão meteórica e a queda fulminante de uma das grandes cantoras que o mundo já viu. Produzido pela HBO, esse projeto conta com muita sabedoria grande parte da história da música nas décadas de 20 e 30. A trilha sonora é um arraso, nos transportam para uma época emblemática na música norte-americana.

 

Séries

 

Sky Rojo (Netflix)

Não há maior vingança que o esquecimento. Será? Com oito episódios de cerca de 25 minutos onde não conseguimos desgrudar nossa atenção da tela, a série espanhola disponível na Netflix, Sky Rojo, criada por Álex Pina e Esther Martínez Lobato possui como principal característica positiva um roteiro dinâmico, repleto de ótimas cenas de ação, há uma pitada de Tarantino (referência) em alguns pontos. É uma grande batalha cheia de conflitos, longe de éticas, entre um cafetão descontrolado por vingança e sua gangue de mandados contra três prostitutas sem muitas escolhas que precisam se unir para sair de uma enrascada. A segunda temporada chegou à Netflix recentemente.

 

Amor e Anarquia (Netflix)

A vida robótica em contraponto às belezas das imperfeições que existem no mundo. Criado pela cineasta Lisa Langseth, do ótimo filme Hotell (filme com a ganhadora do Oscar, a sueca Alicia Vikander), Amor e Anarquia, seriado sueco disponível na Netflix, é a princípio uma série despretensiosa que vai crescendo conforme entendemos a caótica e monótona vida de uma mulher na casa dos 40, sonhadora, que vive uma rotina pouco intensa para seus sonhos. A chegada de um jovem estagiário à sua vida, mexe com tudo que estava congelado dentro de seus desejos. Além de uma intensa e provocante história de amor, o seriado tem o mérito de levantar excelentes discussões sobre o complexo mercado editorial e as transações do antigo para o novo: do físico para o digital. Grata surpresa!

 

Invencível (Amazon Prime Video)

O poder da escolha. Criado por uma das mentes mais criativas do universo nerd televisivo, Robert Kirkman (Walking Dead), Invencível, disponível no catálogo da Amazon Prime Video é uma complexa saga de ação e drama com técnicas de animação que fala sobre o heroísmo nas mesmas linhas tortas de The Boys e com uma eficiência impactante e sangrenta, nada é tabu para essa história onde polêmicas viram reflexões. Batendo na tecla sobre as escolhas que fazemos, entramos em um ninho de egocentrismo que vão desde a verdadeira face do vilão até mesmo políticas nacionais de segurança, além de deixar um bom espaço para questões familiares. Baita seriado, interessantíssimo.

 

Upload (Amazon Prime Video)

As razões do ser e entender em conjuntura com a dificuldade em dizer adeus. Criado por Greg Daniel, Upload, que está disponível na Amazon Prime Video, é uma sátira séria sobre aonde vamos quando morremos. Repleto de conceitos e paradigma para lá de interessantes, a comédia de ficção científica preenche suas lacunas complicadas com pitadas generosas de comédia trivial impulsionando inclusive um romance ente consciência e pessoa real. Tem uma pegada meio Ela (filme) mas acaba sendo muito mais profundo por conta do tempo que consegue para explorar suas ramificações criativas/futurísticas.

 

Hacks (HBO Max)

O poder de uma boa piada. Inteligente, divertido, debate questões como preconceito, a força feminina, assunto familiares, relação entre pais e filhos entre outras. Criado pelo trio Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky, Hacks é um dos mais interessante e engraçados seriados disponíveis no universo dos streamings disponíveis no Brasil, nesse caso na novíssima HBO MAX. Contando o cotidiano de duas sensacionais protagonistas, em momentos delicados de suas vidas, acompanhamos profundos dramas sobre a arte do fazer rir. Reflexivo, empolgante, abre espaço para o amor de todas as formas em seus brilhantes dez episódios de cerca de 30 minutos. Jean Smart dá um verdadeiro show na pele de uma das mais emblemáticas personagens femininas atualmente do universo das séries, a mal-humorada rainha do stand up Deborah Vance.

 

Mare Of Easttown (HBO Max)

A força dentro das surpresas e desilusões. O que você faria se fosse atormentado por uma tragédia em sua família? Se seu trabalho é questionado por todos ao seu redor? Se sua vida amorosa é um quebra cabeça complicado de se entender? Essas e outras questões estão dentro do contexto de pulsantes emoções da protagonista de Mare of Easttown, minissérie de sete capítulos disponível na HBO Max que possui um roteiro afiado, repleto de mistérios e dramas profundos gerando inúmeras reflexões pelo caminho. No papel principal, uma das grandes atrizes do planeta cinema, Kate Winslet, em mais uma atuação nota 10. Impecável trabalho que merece ser visto por todos que gostam de boas histórias.

 

Ricky and Morty (HBO Max)

Para entender o mundo complexo que vivemos nada melhor que um pouco de loucura. Com estreia aguardada no longínquo ano de 2013 (quase 2014), Rick And Morty, criado pela dupla Dan Harmon e Justin Roiland, essa genial série de aventura é um fenômeno que grita pelas entrelinhas e também choca em alguns momentos, mostrando uma série de aventuras interdimensionais de uma família, com núcleo centralizado em um avô louco (Rick, uma espécie de Dr. Emmett Brown em formato de desenho) e seu neto Morty. Usando a técnica de animação para falar muito sobre o mundo atual, os embates entre gerações, as genialidades perdidas e outras surpreendentemente questões, Rick And Morty é um fenômeno pop, com intensos 22 minutos por episódio.

 

Ted Lasso (Apple TV+)

A importância do positivismo em meio ao caótico universo capitalista onde o ego precisa ser uma qualidade. Sem muito oba oba, estreou tempos atrás no Streaming Apple TV+ o seriado de comédia Ted Lasso, que nos apresenta uma história que beira ao absurdo mas que convence nas suas lindas mensagens sobre a vida, trabalho em equipe, nos relacionamentos e outras questões fundamentais para uma vida repleta de felicidade. Criado pelo quarteto Bill Lawrence, Jason Sudeikis, Joe Kelly e Brendan Hunt, o seriado é baseado em um personagem homônimo visto pela primeira vez em uma série de comerciais para a cobertura da NBC Sports da Premier League. No papel principal, Jason Sudeikis, ganhador inclusive do Globo de Ouro e o SAG por essa brilhante interpretação. A nova temporada estreia dia 23 de julho!

 

Em Defesa de Jacob (Apple TV+)

Os mistérios de uma mente e os segredos a quatro paredes. Quase desapercebia, estreou na Apple Tv + a minissérie Em Defesa de Jacob, Defending Jacob no original. O projeto é baseado numa obra de sucesso escrita por William Landay. Durante os intensos oito episódios vamos conhecendo uma família perfeita norte-americana que se vê envolvida em um crime bárbaro mudando para sempre a rotina dentro e fora dessa casa. Viciante, impactante e com reviravoltas eletrizantes. Além disso, atuações impecáveis de Chris Evans, Jaeden Martell, da ótima atriz britânica Michelle Dockery e da veterana Cherry Jones. Do primeiro inclusive, podemos afirmar que é uma das grandes atuações de sua carreira.

 

The Head: Mistério na Antártida (Globoplay)

A vingança como pano de fundo numa análise sobre o ego humano. Talvez, um dos grandes achados do catálogo da Globoplay seja The Head: Mistério na Antártida, minissérie de suspense eletrizante com ótimas atuações e um desfecho de deixar qualquer de queixo caído. Tudo funciona muito bem ao longo dos detalhistas seis episódios, o roteiro constrói arcos preparando para o aprouch final de maneira muito inteligente deixando rastros de pistas a cada episódio. Criada pelos espanhóis David Pastor e Àlex Pastor a minissérie conta com um elenco de várias nações, inclusive um rosto bastante conhecido aqui no Brasil, Álvaro Morte, o professor de La Casa Del Papel.

 

Bônus

 

Hamilton (Disney+)

E se ganharmos nossa independência? Ampliando a criatividade de levar ao público de todo o mundo uma das peças de teatro da Broadway mais badaladas dos últimos anos, a Disney, no seu streaming Disney+ lançou o Pro-shot (em curta explicação, seriam gravações de números teatrais compondo um filme) do badalado musical da Broadway Hamilton. Ao longo de quase três horas de duração, vamos por meio de textos cantados em forma de rap conhecendo a história de Alexander Hamilton, um dos criadores dos Estados Unidos e que inclusive dá rosto à cédula de dez dólares. No papel principal, o grande criador do espetáculo (baseado na obra do historiador Ron Chernow), o Hors concours das mentes criativas atuais quando pensamos em musicais, Lin-Manuel Miranda. Pulsante, inovador e beirando ao extraordinário, Hamilton, do primeiro ao último minuto, mostra ao que veio. Não desperdiçou sua chance, chance.

 

DICA: 10 Filmes INCRÍVEIS que você não pode perder no Prime Video

A cada ano que passa, ficamos ainda mais surpresos com o excelente catálogo do Prime Video. Nessa plataforma, bastante popular entre nós brasileiros, conseguimos acessar filmes de vários lugares do planeta, nos levando até algumas tramas realmente impactantes. Para você que está com preguiça de navegar em busca de um bom título, seguem abaixo algumas ótimas sugestões:

 

Viva

Jesús (Héctor Medina) é um jovem cabeleireiro que sonha em se tornar uma grande estrela do show de transformistas de um clube em Havana, comandado por Mama (interpretado pelo brilhante Luis Alberto García). Após conquistar sua chance em uma audição, seu primeiro show se transforma em um momento inesperado e doloroso: ele é agredido por um homem mais velho, que se revela seu pai, de quem não tem notícias desde os três anos de idade. A partir desse encontro inesperado, pai e filho precisarão confrontar suas diferenças e aprender a construir uma relação verdadeira.

 

Shame

Na trama, um compulsivo sexual vive dias de desespero após a chegada de sua irmã ao apartamento onde mora. Com a rotina abruptamente afetada, um descontrole intenso é provocado.

 

O Conclave

Na trama, que envolve muitas surpresas, acompanhamos a saga do Cardeal Lawrence (Ralph Fiennes) que tem a missão de organizar a sempre misteriosa seleção de um novo papa.

 

Sem Palavras

O brilhante professor e homem de negócios Alain Wapler passa mais tempo no trabalho do que em casa, mantendo pouca proximidade com a filha, principalmente após a perda da esposa. Durante uma semana corrida e cansativa, Alain sofre um AVC e precisa passar um tempo longe do trabalho para se recuperar. Ele conta com a ajuda de sua filha, Julia, e da Fonoaudióloga Jeanne. Com o passar dos dias, Alain percebe que sua vida entrou em uma grande e inesperada mudança.

 

Hector e a Procura da Felicidade

Hector é um psiquiatra que leva uma vida monótona ao lado de sua namorada. Após uma sessão com uma paciente, ele desperta para seus sentimentos e emoções, embarcando em uma jornada de autodescoberta.

 

Rudderless

Sam é um pai de família que vive intensamente o seu cotidiano. Certo dia, uma grande tragédia acontece e muda completamente sua vida. Dois anos depois, sem muitas pretensões na vida, Sam recebe de sua ex-esposa uma caixa com alguns pertences do filho. Isso o faz despertar para um elo esquecido que eles tinham: a música. Ainda preso aos pensamentos doloridos do passado, Sam embarca em uma jornada e decide criar uma banda.

 

A Grande Jogada

A Grande Jogada narra a trajetória de Molly Bloom (Jessica Chastain), uma ex-atleta de alto rendimento do esqui norte-americano, que, após enfrentar fracassos na carreira esportiva, decide embarcar em uma jornada inesperada. Essa trajetória a leva ao comando das mesas de pôquer mais exclusivas de Los Angeles e Nova Iorque, frequentadas por celebridades e bilionários. O roteiro acompanha o início de Bloom como empresária, revelando os desafios e as consequências de sua ascensão até o ápice do poder.

 

Um Dia Difícil

O detetive Gun-Su (Lee Sun-kyun) vive uma vida simples ao lado de sua família. No dia do enterro de sua mãe, atropela um homem. Desesperado e sem saber o que fazer, esconde o corpo do acidentado dentro do caixão de sua mãe. Com a consciência pesada mas achando que tudo estava resolvido, Gun-Su é surpreendido com uma ligação anônima de alguém que sabe tudo o que aconteceu. Assim, o protagonista precisa reunir todas as partes do quebra-cabeça e tentar de vez sair limpo desta história.

 

As Ondas

Tyler é um jovem estudante que vive uma bela vida ao lado de sua madrasta Catharine, seu pai Ronald e sua irmã Emily. Extremamente pressionado aos seus treinos e em ser o melhor, Tyler vive um grande conflito interno quando recebe a notícia de que sua namorada está grávida e vai ficar com o bebê. A partir dessa situação, se desenrolam fatos que vão marcar para sempre a vida do jovem e também de sua irmã, que precisará ter forças para lutar contra pensamentos do seu passado para seguir em frente e tentar encontrar a tão sonhada felicidade.

 

A Virada Errada

Tudo ia muito bem na vida da musicista Kiia que está prestes a ter o primeiro filho com o marido, o pastor Lauri. No dia em que entra em trabalho de parto, a caminho do hospital, o carro em que estão bate em alguma coisa na estrada. Tempos depois, uma verdade é revelada quando Kiia conhece Hanna, uma mulher que enfrenta a iminente perda do marido.

 

 

Crítica HBO | Objetos Cortantes – Amy Adams na minissérie com pompa de prêmios

Parente é Serpente

Chegou ao fim ontem, domingo, 26 de agosto, a minissérie Objetos Cortantes – nova produção renomada da HBO. Num total de 8 episódios, a obra adapta para a TV o livro homônimo da autora Gillian Flynn – a mesma de Garota Exemplar (2014) – que novamente assina o roteiro da transposição ao audiovisual. Por trás das câmeras, além da escritora, temos a produção de Jason Blum e sua Blumhouse (expoente de sucesso no terror atual) e direção de Jean-Marc Vallée (cineasta indicado ao Oscar por Clube de Compras Dallas).

Objetos Cortantes | Primeiras Impressões da nova adaptação da autora de ‘Garota Exemplar’

Na frente das câmeras, o show é de Amy Adams. Indicada para cinco Oscar e ainda sem vitória, já surgem brincadeiras de que a atriz tentará agora na TV. No que depender unicamente de sua performance no programa, já se torna uma das favoritas. Mas Adams não está sozinha, e é servida pelo estupendo desempenho de Patricia Clarkson no papel de Adora, “vampiresca” mãe de sua personagem. E igualmente pela revelação da jovem Eliza Scanlen, que vive sua meia irmã, a dissimulada Amma.

 

Objetos Cortantes é um suspense. Um thriller misterioso que se encaixa no subgênero whodunit, no qual crimes são cometidos e somos apresentados a um leque de possibilidades, através de diversos personagens, para encontrar o culpado. Mas esta, no entanto, é apenas a fachada da obra. Objetos Cortantes é filosófico, psicológico e existencial, trabalhando sua problemática protagonista de forma tão intensa e pouco vista neste tipo de produção. Fala sobre nossa conexão com quem somos. Com o passado. Temos, por exemplo, a cidadezinha de Wind Gap, forte elemento para a caracterização da trama e de seus personagens. Ao ser mandada de volta para o local que havia jurado esquecer, a repórter Camille Preaker (Adams) vê ressurgir traumas antigos, os quais estão longe de cicatrizados. Justamente por isso ganhamos inúmeros flashbacks que se mesclam com o presente, confundindo não apenas a protagonista, mas os espectadores igualmente.

Objetos Cortantes fala sobre lidarmos com quem somos e acertar as contas com o passado. Camille busca solução para um mistério, enquanto seu próprio passado segue sem resposta, sem conclusão para ela. Fora isso, a obra fala sobre relacionamentos familiares conturbados – em especial o mais complexo de todos: a dinâmica mãe x filha. Como uma bola de neve, Adora, que havia sido maltratada pela mãe, exala hostilidade na direção da filha Camille. Não ajuda o fato da perda de Marian (Lulu Wilson), a caçula, e que a primogênita não seja exatamente uma filha exemplar. Com o nascimento da temporã Amma, a coisa só degringola e o excesso de zelo da matriarca anda na tênue linha do inapropriado.

A minissérie, logo de cara, apresenta os personagens, o cenário e o mistério. Ao longo dos episódios, muitas vezes nos sentimos empacados. Este sentimento, no entanto, é apenas superficial. O que os realizadores conseguem, muito habilmente, embora à primeira vista pareçam não caminhar na investigação dos crimes, é cada vez mergulhar de forma mais profunda na psique da protagonista e nas interações apresentadas. Enquanto achamos que nada acontece, a série se certifica de nos mostrar a reação dos personagens a cada novo momento real – anteriormente não mostrado. Assim, observamos como bons investigadores, o relacionamento de Camille com o detetive Willis (Chris Messina), com a vizinha Jackie (Elizabeth Perkins), entre outros, e assim vamos construindo e aprendendo mais sobre quem de fato é esta mulher – que resulta numa das melhores personagens não apenas da carreira de Adams, mas levada ao protagonismo de um programa dos últimos tempos.

O ditado menos é mais se faz presente em cada frame de Objetos Cortantes, mostrando que esta é uma minissérie para os que gostam verdadeiramente da arte e da construção do suspense, em detrimento à gratuidade. A falta de propósito nos episódios intermediários, se mostra o propósito completo para a conclusão. A construção necessária para que entendamos o desfecho. É a panela de pressão prestes a explodir.

Outro ponto interessante a ser adereçado é a forma como as temáticas latentes do programa se interligam de maneira muito orgânica. Os dois problemas com os quais a protagonista precisa lidar, se mostram um só, elevados à potência máxima de insanidade, na qual temos o tapete puxado debaixo de nossos pés. A escalada rumo à revelação parecia sem a necessidade de uma conclusão esperada. Objetos Cortantes brinca com a expectativa do público, ao repetidas vezes ensaiar um desfecho apoteótico e aos poucos ir se retratando. Assim, demonstra que o construído, o esperado e o surpreendente não são tão dissonantes em sua proximidade.

SPOILERS

Dentre os traumas psicológicos abordados pelo programa, além da automutilação da protagonista – que serve como trocadilho para o título da série e sua característica mais marcante -, a obra aborda a síndrome de Münchausen por Procuração (a qual se refere ao abuso infantil provocado por pais ou parentes que propositalmente as mantém prisioneiros ou inventam qualquer enfermidade para tê-los sempre a seus cuidados – ou chamar atenção a si mesmos). A conclusão de onde este transtorno foi utilizado não é difícil de se imaginar, até para os que não assistiram a todos os episódios. Estes diagnósticos fazem de Objetos Cortantes um prato cheio para os psiquiatras.

Nos deixando ainda mais perturbados, mas de uma maneira única e muito positiva, a série, nos “acréscimos do segundo tempo”, resolve que ainda tinha mais a dizer, jogando nosso final feliz ralo abaixo. Mais do que isso, pede para que lidemos com o apresentado por nós mesmos, fora de cena e no escuro de nossos quartos. Quando a revelação final é encenada, o programa acaba e o último a sair que apague a luz. É aquela porta na cara após uma visita servida de bom papo, comida e bebida. Porém, de forma alguma traindo nossa percepção, nos fazendo repensar e recapitular nossos passos até ali, Objetos Cortantes é o inverso das respostas fáceis. É a mescla do chamado cinema de arte direto no aconchego de seu lar, em seu canal de programas preferido, exigindo um pouco mais de nós além de escapismo e puro entretenimento. O sentimento que fica é que devemos isso a uma produção que nos deu tanto em troca, como poucas fazem atualmente.

‘Assassinos da Lua das Flores’ e os Maiores “PERDEDORES” do Oscar – Conheça o Top 10

Os fãs de cinema ainda estão recuperando o fôlego da última edição do Oscar, uma noite que esperamos o ano todo. Filmes queridos como ‘Oppenheimer’ e ‘Pobres Criaturas’ dominaram a edição e foram os maiores vencedores dos prêmios. Outros saíram de mãos abanando. Não podemos dizer que as estatuetas foram bem distribuídas nessa edição. E está tudo bem.

Porém, os números não mentem e não podemos deixar de repará-los e comentá-los. Nesta mais recente edição do Oscar, um filme em especial chamou atenção pelo número elevado de indicações e o total de zero estatuetas ganhas. Falamos de ‘Assassinos da Lua das Flores’, um grande favorito de cinéfilos pelo mundo todo, inclusive no Brasil, afinal trata-se do novo trabalho de Martin Scorsese. No entanto, os votantes da Academia não compartilharam deste entusiasmo pelo filme mais longo do ano.

Assassinos da Lua das Flores’ entra para a história do maior prêmio da sétima arte com um recorde negativo – se tornou um dos maiores “perdedores” do evento. Ou seja, um dos filmes com mais nomeações e nenhuma vitória. Mas ele não está sozinho nessa. Confira abaixo qual o top 10 deste recorde negativo. PS. Para o desempate de filmes com o mesmo número de indicações – analisamos as categorias mais importantes para o ranking na lista.

10 | A Caldeira do Diabo (1957)

Baseado no romance de Grace Metalious, ‘Peyton Place’ (no título original) foi um verdadeiro filme-evento de sua época. Uma história rica que mistura romance, mistério, intrigas e até assassinato em uma pequena cidade à primeira vista perfeita. Indicado para 9 prêmios no Oscar – melhor filme, diretor (Mark Robson), atriz (Lana Turner), atrizes coadjuvantes (Hope Lange e Diane Varsi), atores coadjuvantes (Arthur Kennedy e Russ Tamblyn), roteiro adaptado e fotografia, ‘A Caldeira do Diabo’ saiu da noite sem nenhum.

09 | Os Banshees de Inisherin (2022)

Agora pulamos para um filme bem mais recente, que figurou na edição do Oscar do ano passado. Também uma obra muito querida, do mesmo diretor de ‘Três Anúncios para um Crime’, embora seja um filme menor. Passado todo em um vilarejo da Irlanda no ano de 1923, o longa fala sobre o fim da amizade de dois grandes amigos. Aqui também foram 9 indicações sem vitória: melhor filme, diretor (Martin McDonagh), ator (Colin Farrell), atores coadjuvantes (Brendan Gleeson e Barry Keoghan), atriz coadjuvante (Kerry Condon), roteiro original, edição e trilha sonora.

08 | Pérfida (1941)

O filme mais antigo de Hollywood a figurar entre os maiores “perdedores” do Oscar, ‘Pérfida’ tem como título original ‘The Little Foxes’ e tem como protagonista uma das maiores estrelas do cinema: Bette Davis. Com direção de William Wyler, o filme narra as desventuras de uma rica, poderosa e também impiedosa família, comandada pela matriarca Regina (Davis). ‘Pérfida’ também teve 9 indicações no Oscar sem vitórias: melhor filme, diretor (Wyler), atriz (Davis), atrizes coadjuvantes (Teresa Wright e Patricia Collinge), roteiro, direção de arte, edição e trilha sonora.

07 | Gangues de Nova York (2002)

O diretor Martin Scorsese é considerado o maior cineasta vivo, mas o título não vem sem seus percalços. Por exemplo, ele é também o realizador com o maior número de filmes “perdedores” na lista. São três ao total. Começamos com esse épico sobre os primórdios violentos da cidade que Scorsese ama de paixão: Nova York. O longa teve 10 indicações ao Oscar: melhor filme, diretor (Scorsese), ator (Daniel Day-Lewis), roteiro original, fotografia, edição, direção de arte, figurino, som e canção do U2. E saiu de mãos vazias.

06 | O Irlandês (2019)

Gangues de Nova York’ foi o primeiro grande filme de Scorsese esnobado de forma colossal pelo Oscar. Mas outros viriam. Seguindo de perto a mesma cartilha, ‘O Irlandês’, colaboração do diretor com a Netflix sobre o envolvimento da máfia no assassinato do líder sindicalista Jimmy Hoffa, também teve 10 indicações ao Oscar sem vitória: melhor filme, diretor (Scorsese), atores coadjuvantes (Al Pacino e Joe Pesci), roteiro adaptado, fotografia, edição, direção de arte, figurino e efeitos visuais.

05 | Assassinos da Lua das Flores (2023)

Por fim, completando a “trilogia da tristeza” de Martin Scorsese no Oscar, temos o caso deste ano. ‘Assassinos da Lua das Flores’, um dos filmes mais elogiados de 2023, se tornou a mais recente obra a adentrar a seleta lista dos grandes “perdedores” da história da Academia – que perdeu uma grande chance de premiar a primeira mulher indígena da história com Lily Gladstone. ‘Assassinos…’ teve 10 indicações e não levou nenhuma: melhor filme, diretor (Scorsese), atriz (Gladstone), ator coadjuvante (Robert De Niro), fotografia, edição, direção de arte, figurino, trilha sonora e canção.

04 | Bravura Indômita (2010)

Martin Scorsese pode ser o diretor que mais filmes possui entre os maiores “perdedores” do Oscar, mas definitivamente não é o único cineasta celebradíssimo a figurar na lista. Os cultuados irmãos Coen (Joel e Ethan) também possuem um filme no currículo que esteve indicado para absurdos 10 prêmios e não levou nenhum. Falamos do remake do western ‘Bravura Indômita’, que muitos dizem ser superior ao original com John Wayne na década de 1960. O longa recebeu nomeações de melhor filme, diretores (Joel e Ethan Coen), ator (Jeff Bridges), atriz coadjuvante (Hailee Steinfeld), roteiro adaptado, fotografia, direção de arte, figurino, edição de som e mixagem de som.

03 | Trapaça (2013)

Mesmo quando Scorsese não está mais na lista dos grandes “perdedores”, surge um filme que tem tudo a ver com ele. Quando foi lançado nos cinemas, ‘Trapaça’ foi muito comparado aos filmes de Martin Scorsese, mesmo tendo sido dirigido por David O. Russell. Mas o que muitos podem não ter se atentado, é que no mesmo ano tivemos um filme de Scorsese também competindo, com ‘O Lobo de Wall Street’.

Com um elenco grandioso, e uma trama sobre golpistas muito confusa para seguir, ‘Trapaça’ teve 10 indicações sem vitórias – algumas bem importantes, vide: melhor filme, diretor (Russell), atriz (Amy Adams), ator (Christian Bale), atriz coadjuvante (Jennifer Lawrence), ator coadjuvante (Bradley Cooper), roteiro original, edição, direção de arte e figurino.

02 | A Cor Púrpura (1985)

A primeira versão nos cinemas de ‘A Cor Púrpura’ ainda é o filme no qual todos pensam quando falamos do maior perdedor da história do Oscar. E realmente ele é um dos dois com maior número de indicações sem uma vitória sequer para chamar de sua. Foram 11 nomeações ao total. E o motivo pelo qual todos lembram dele é por ser o filme mais famoso a receber tal “honraria”. E também, claro, por ser um filme com assinatura de Steven Spielberg. Mas existe um filme que recebeu o mesmo número de indicações, só que algumas mais importantes, que veremos abaixo.

A Cor Púrpura’ foi indicado para melhor filme, atriz (Whoopi Goldberg), atrizes coadjuvantes (Oprah Winfrey e Margaret Avery), roteiro adaptado, fotografia, direção de arte, figurino, maquiagem, trilha sonora e canção.

01 | Momento de Decisão (1977)

Momento de Decisão’ (The Turning Point) é um drama da 20th Century Fox sobre uma mãe precisando confrontar sua decisão de abrir mão da carreira como dançarina para ter uma família, quando sua filha decide seguir carreira no balé. O filme quase não é mencionado nos dias de hoje, e quando todos pensam no “maior perdedor” do Oscar, automaticamente lembram de ‘A Cor Púrpura’. Porém, ‘Momento de Decisão’ perdeu prêmios ainda mais importantes de suas 11 indicações, ficando assim com o primeiro lugar do nosso ranking.

Bem, talvez a pouca fama que ‘Momento de Decisão’ possua esteja relacionada à sua falta de sorte junto aos votantes da Academia. A obra foi indicada para melhor filme, diretor (Herbert Ross), atrizes protagonistas (Anne Bancroft e Shirley MacLaine), ator coadjuvante (Mikhail Baryshnikov), atriz coadjuvante (Leslie Browne), roteiro original, fotografia, edição, direção de arte e som.

De Harry Potter a Neo | Os 10 Personagens do cinema impactantes na cultura Pop

Há muitas criações no universo dos cinemas e dos livros que acabam desfilando por gerações se tornando impactantes dentro de todo um universo popular. Viram quadros, camisas, canecas, possuem citações ou lembranças encaixadas no dia a dia de diversas classes sociais e de todo o mundo, atravessando gerações. Às vezes você nem sabe quem são mas já ouviram falar!

Buscando trazer um pouquinho sobre essa relação entre impactantes personagens que viraram de alguma forma popular em todo lugar desse enorme planeta, reunimos nesse especial 10 Personagens do cinema impactantes na cultura Pop:

 

Rocky Balboa

Quando, em meados da década de 70, Sylvester Stallone criou o roteiro de Rocky – Um Lutador (o primeiro de todos os filmes), nunca poderia ter imaginado em sua cabeça que esse personagem viraria uma espécie de símbolo contra a luta à desistência, sinônimo de coragem, algo ultrapassaria gerações e gerações e até hoje segue vivo na memória de todos os cinéfilos do planeta. Hoje em dia já são 8 filmes lançados tendo como personagem, protagonista ou não, o garanhão italiano, que foi ficando mais velho aos nossos olhos em todas essas sequências. Até vídeo game ele virou, dos consoles no Master System e Nintendo Game Boy Advanced. Um ícone Pop com muitas referências até hoje.

 

Holly Golightly (Bonequinha de Luxo)

Em 1958, o famoso escritor Truman Capote (que já teve parte da vida retratada no ótimo longa-metragem estrelado por Philip Seymour Hoffman, Capote) escreveu um livro de 179 páginas chamado Breakfast at Tiffany’s. Mal sabia ele que três anos mais tarde sua obra viraria uma adaptação para o cinema, dirigido por genial Blake Edwards, e tornaria uma de suas personagens uma referência pop atemporal. Podemos ver referência à essa personagem em camisetas, bolsas, na moda como um todo, em muitos lugares. Um filme que caiu no gosto de milhares de cinéfilos e cinéfilas por todo o mundo. O papel que era para ser de Marilyn Monroe, acabou ficando com Audrey Hepburn, uma atriz talentosa com ótimos trabalhos em Hollywood, como: A Princesa e o Plebeu, Minha Bela Dama (My Fair Lady) mas que ficou marcada mesmo por esse emblemático papel.

 

Neo

Perto da chegada do ano 2000, escrito e dirigido pelas cineastas Lana Wachowski e Lilly Wachowski, chegou aos cinemas Matrix, uma saga de um jovem rumo aos mistérios desconhecidos muito à frente de seu tempo onde busca aprender sobre a realidade com os campos e lacunas misteriosas de um sistema complexo e cheio de variáveis. O personagem principal, Neo, interpretado por Keanu Reeves é um dos nomes mais conhecidos de pelo menos três gerações pra cá e agora com a chegada de mais um filme promete refrescar a mente de todos que acompanharam na época a trilogia inicial. Um dos ícones Pop mais ligados à tecnologia da lista.

 

Ellen Ripley

Essa personagem apareceu pela primeira vez nas telonas do cinema em 1979, sendo a protagonista do filme de ficção científica Alien – O Oitavo passageiro, dirigido por Ridley Scott. Na época, poucas mulheres eram heroínas, protagonistas, e com certeza esse projeto foi um marco na indústria norte-americana abrindo espaços para outras grandes personagens femininas que veríamos em outros filmes ao longo de todo esse tempo. O filme (e todas suas sequências) fez muito sucesso em todo o mundo e o papel marcou para sempre a carreira da atriz norte-americana Sigourney Weaver. A personagem, inclusive, pode ser vista em livros, romances, vídeo games e se tornou um ícone pop que perdura até hoje.

 

James Bond

Com o lançamento do livro Cassino Royale em 1953, o escritor britânico Ian Fleming apresentava para o mundo um personagem que cairia no gosto popular rapidamente sempre envolvido em situações impossíveis que misturam seu charme ao universo sempre fascinante da espionagem internacional. A adaptação para o cinema, tendo James Bond como protagonista, não demorou para acontecer. Tendo diversos intérpretes para esse intrigante personagem, como: Roger Moore, Sean Connery, Pierce Brosnan e atualmente Daniel Craig, a saga James Bond tem milhares de fãs espalhados pelo mundo tornando o personagem uma figura influente na cultura pop. O novo filme, 007 – Sem Tempo para Morrer, deve ser lançado ainda esse ano nos cinemas.

 

Amélie Poulain

Buscando a leveza em meio aos quase absurdos pensamentos nas ligações das emoções e seus encaixes na realidade, Jean-Pierre Jeunet cria poesia através de Amèlie Poulain uma doce personagem que busca fazer o bem para todos mas quase sempre esquece de si mesma. Com bastante sutileza, a personagem vai conquistando o público a cada cena, se tornando inclusive sinônimo de romantismo, logo se tornando bastante popular. Hoje em dia, podemos encontrar referências que vão desde quadros decorativos, até roupas, e caixinhas de música. A personagem, interpretada por Audrey Tautou no filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, impacta desde de seu surgimento até hoje.

 

Katniss Everdeen

Fenômeno no universo do cinema, fenômeno no universo da literatura. Personagem principal da saga Jogos Vorazes, escrita pela autora norte-americana Suzanne Collins, teve interpretação nos cinemas da atriz e vencedora do Oscar Jennifer Lawrence. Katniss é forte, valente e vai desenvolvendo suas habilidades e seu espírito de liderança ao longo de todo seu percurso se tornando uma espécie de heroína dos novos tempos. Personagem que vai ficar na lembrança de muitos durante muito tempo.

 

Harry Potter

Criado pela escritora britânica J. K. Rowling, a saga Harry Potter foi um estrondoso sucesso de venda no universo dos livros, assim, como quase sempre com tudo que faz sucessos nos livros, ganhou oportunidade na tela grande e consolidou Harry Potter e seus amigos como personagens que nunca mais sairiam do imaginário dos cinéfilos e cinéfilas de todo o mundo já logo no lançamento do primeiro filme em 2001: Harry Potter e a Pedra Filosofal. De lá pra cá, todos já sabem né? Um enorme sucesso de público e crítica que atravessa gerações desde sua criação. Virou até videogame, como muitos dos nossos homenageados e homenageadas dessa matéria.

 

Capitão Kirk

Nascido em 2233 (isso mesmo!) no estado de Iowa, James T. Kirk, capitão da nostálgica Enterprise, foi o protagonista do seriado da década de 60, Star Trek (Jornada nas Estrelas), criada por Gene Roddenberry. Seu intérprete na época (e lembrado até hoje) foi o ator William Shatner. Um seriado, e depois até mesmo filmes derivados, que se tornaram referência para os amantes da ficção científica. Kirk logo se tornou uma figura Pop, com diversos colecionáveis (bonecos, canecas, camisas..) espalhados pelo mundo.

 

Don Corleone

Famoso personagem criado pelo escritor ítalo-americano Mario Puzo, que deu origem a uma das trilogias mais famosas da história do cinema, O Poderoso Chefão, Don Corleone tem diversas frases citadas até hoje por toda uma legião de cinéfilos espalhados nos quatro cantos da Terra. Uma emblemática figura da máfia siciliana instaurada nos Estados Unidos, o personagem já apareceu em jogos, camisetas e até nomes de pizzas e hambúrgueres, atravessando gerações. Nos cinemas foi interpretado pelo ator Marlon Brando.